Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:48 pm

— Sim.
— Q que você acha de passarem algumas semanas no subsolo sob orientação do coordenador de ala?
— Excelente!
Aprenderão sobejamente sobre o leque das forças psíquicas.
— Dona Modesta! - intercedeu Marcondes.
— Pois não!
— Aproveitando nossa conversa, qual a opinião que a senhora tem sobre os livros mediúnicos que estão surgindo na actualidade?
Nossas histórias não parecerão aos espíritas, digamos, fantasiosas?...
— Por mim, Marcondes, contaria esses quatrocentos casos do arquivo de Inácio, entretanto obedeço a ordens de Eurípedes.
E mais a mais, se o fizesse, seria tachada de louca, enquanto o médium que fosse portador dos textos passaria por uma terrível inquisição psicológica.
O movimento espírita reclama da qualidade das obras mediúnicas e, quando surge algo novo e consistente, estarrecem, recriminam.
— Tem surgido muita fantasia, Dona Modesta.
É por isso!
A pureza doutrinária tem sido muito agredida.
Não sei onde vai parar o Espiritismo!...
— O Espiritismo vai para o caminho comum da humanidade, o progresso.
Recorda-se de nossa conversa na tribuna da humildade?
Não é a pureza filosófica que tem sido agredida, e sim o orgulho dos pseudo-sábios que criam resistência em aceitarem o que escapa às suas concepções pessoais.
Acreditam saberem tudo sobre Espiritismo.
Pureza doutrinária tornou-se uma questão ético cultural.
Aquilo que o homem não consegue entender é, por essa razão, suspeito, controverso, infundado e anticientífico, sendo assim digno de uma postura de anti fraternidade.
— O assunto é complexo!
— Tão complexo, Marcondes, que inúmeros companheiros espíritas, depois do desencarne, mesmo vendo a realidade a olhos nus, ainda suspeitam estarem sendo vítimas de uma mistificação no mundo espiritual.
Querem pureza doutrinária até mesmo com a obra do Criador.
Aqui mesmo no Pavilhão dos Dirigentes, todo dia, aparece esse tipo de ocorrência.
Querem fazer pureza doutrinária com a vida.
Não aceitam técnicas, ideias e práticas, alegando que não são doutrinárias.
E quando nos olham, sentem-se inseguros e nos vêem com "cara" de mistificadores.
— Eu ainda me sinto assim, Dona Modesta.
E quando ouço colocações enfáticas da senhora, fico mais inseguro.
— Enfáticas?...
— Você ainda não viu nada! - atalhou Doutor Inácio, zombando.
— Posso ser sincero?
— Franqueza é virtude, meu filho.
Fale o que pensa - redarguiu Dona Modesta.
— Não estaria havendo um problema de filtragem com os médiuns?
Uma obsessão colectiva para descaracterizar o Espiritismo?
— Agora sou eu quem diz: esse é um assunto complexo!
Os médiuns são depositários de imensa responsabilidade.
São canais de esperança dos céus para a Terra.
Envergam sobre os ombros a condição exarada por Paulo:
"tesouros em vasos de barro."50 ...
— Sendo que a mediunidade é o tesouro e os médiuns são os vasos! - interrompeu, com ironia, Marcondes, que sempre interpretou os médiuns como doentes e devedores.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:48 pm

— Sua colocação, apesar de reflectir sua indiferença para com a luta dos médiuns, é sábia - retrucou Dona Modesta.
— A senhora disse que franqueza é virtude!... - emendou Marcondes.
— Os médiuns deveriam ser vistos como pessoas comuns, falíveis.
Todavia são alvos de onerosa expectativa de quantos lhes partilham a caminhada.
Os homens emprestam-lhes uma supervalorização injustificável.
Nesse clima psíquico, o medianeiro, que não consegue construir defesas morais dignas e zelar por uma conduta rica de autonomia, poderá chafurdar-se, na teia dos reflexos da comunidade onde respira.
— A senhora está confirmando que existe um problema de filtragem?
— Estou confirmando que precisamos de rever conceitos sobre médiuns, mediunidades e Espiritismo.
Largar essa mania emocional de fidelidade ao texto de Kardec e buscar fidelidade à postura de Kardec, à postura de investigador.
Estou falando de abertura mental para o novo.
A "cara" do Espiritismo brasileiro, conquanto represente o anseio de milhões de mentes, jamais servirá de modelo para ideias que, em verdade, são universais.
Os princípios exarados pelo Espiritismo não lhe pertencem e nem a seus adeptos, muito menos a quaisquer entidades doutrinárias.
São universais, portanto cada povo o apropriará à sua cultura, às suas necessidades, criando um campo de diversidade que convergirá para um único ponto, a ética do amor.
— Do jeito que a senhora fala, passa-me pelo pensamento os receios que tinha quando na carne.
— Quais receios, meu filho?
— Isso que a senhora prega significa uma miscelânea.
Para mim, essa concepção levará as pessoas a fazerem do Espiritismo o que bem entenderem.
— Foi para isso que o Espiritismo surgiu no mundo.
Para que o homem o absorva dentro de suas possibilidades e de conformidade com suas crenças e cultura.
— Então a senhora prega um sincretismo com as ideias espíritas?
E isso? Onde fica a unidade doutrinária?
— A unidade deve ser buscada no campo ético do Espiritismo.
Quanto à interpretação de seus princípios e práticas, meu caro, não tenha dúvidas, jamais haverá unidade.
— Então de que vale o trabalho da unificação?
Para que o trabalho de tantos médiuns e líderes que suaram por uma "identidade espírita"?
— Nesta diversidade, meu filho, devemos incluir, como ponto desta mesma diversidade, a característica do Espiritismo brasileiro.
O problema é querer tomá-lo como modelo universal dos seus fundamentos...
No mundo dos espíritos, temos uma opinião partilhada em comum acerca da história do Espiritismo brasileiro.
Seu grande mérito foi ter conectado princípios universais com ética enobrecedora, isto é, ter criado uma ponte entre fundamentos religiosos e conduta.
— Mas seja temos um modelo endossado pelo Espírito Verdade, por que criar novidades?
— De que endosso você fala?
De nossa parte, o único endosso que conhecemos das esferas mais elevadas ao contexto da comunidade espírita refere-se à sua conotação humana, ao valor que se emprega ao seu conteúdo moral.
— Então me explique por qual razão a grande maioria apoia os rumos do Espiritismo brasileiro?
— Pela natureza dos que nele reencarnaram.
Esse panorama, todavia, mudará celeremente.
Regressam os espíritas de "segunda e terceira vez" com concepções mais ampliadas das bases doutrinárias.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:48 pm

— Perdoe-me Dona Modesta, mas não consigo me abrir para essas ideias.
Se a visão espírita que me serviu é contemplada nesse contexto de diversidade, então prefiro ficar com ela, por segurança.
— Amigo, abra seus olhos e enxergue mais longe.
Se você estivesse na carne, ainda teria essa opção, diga-se de passagem, lamentavelmente.
Porém, você está na vida da verdade.
— Está difícil crer no que vejo.
Mesmo depois de seis meses morto, tenho a impressão de que estou na Terra, e nada mudou.
Apesar de saber que mudou, não sinto dessa maneira...
Vejo, mas não acredito que exista, compreende?
— Compreendo! E se eu lhe der um presente?
— Um presente?...
— Cuidado, Marcondes - intercedeu Doutor Inácio com humor - presente de Modesta costuma ser uma "dor de cabeça"!
— Você não nutre um intenso desejo de conhecer seu mentor?
— Até que enfim alguém tocou nesse assunto!
Poderei conhecê-lo?
— Claro! Eulália, explique a Marcondes.
— Meu querido - externou com afecto a companheira - lembra do centro de umbanda que costumava frequentar em busca de alívio para meus problemas físicos?
— Aquele centrinho de macumba do tal Vovô Zequinha? - ironizou o dirigente.
— Isso!
— Que tem isso haver com...
— Você perseguiu tanto ao Januário, médium de Vovô Zequinha, lembra-se?
— Para mim, o tal Januário é um embusteiro.
— Marcondes! Marcondes!
Meu companheiro querido, eis os equívocos da ilusão!
Januário é um missionário do Cristo e Vovô Zequinha é o coordenador das "alas restritas" do Pavilhão Judas Iscariotes.
— E uma pilhéria! - expressou com ironia o ex-dirigente.
— Com a seriedade que todos estamos tratando os assuntos, acredita que seja pilhéria? - respondeu Eulália com firmeza.
— Quer dizer que o tal Vovô Zequinha existe mesmo?
E é mentor, ainda por cima?
— Sim, Marcondes - novamente tomou a palavra Dona Modesta com determinação.
E tenho uma boa notícia para você!...
— Dona Modesta, a senhora está insinuando que...
— Ele é o seu mentor.
O seu mentor tão desprezado por você.
— É demais para mim. Eu...
— Você só voltou ao corpo por conta de Vovô Zequinha, meu filho - intercedeu Dona Modesta.
— Mas...
— Quando Eulália passou a frequentar a Tenda Umbandista em busca de alívio para seus problemas físicos, Vovô Zequinha, através de Januário, trouxe-lhe paz interior aos dramas conscienciais do adultério.
Tornou-se seu preceptor e amigo. Januário, igualmente, médium de rara sensibilidade afectiva, acolheu Eulália com esmerada atenção.
Vovô Zequinha tentou enviar, infinitas vezes, recados pelos médiuns da actividade que você dirigia, mas quase sempre você preferia seu ponto de análise.
Lembra-se de Egberto?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:48 pm

— Lembro-me.
Era um médium perturbado de nossa actividade.
Adorava entidades africanistas com seus chás e ervas suspeitas.
— Pois Egberto foi o médium mais fiel dos recados do benfeitor.
— Dona Modesta, como posso acreditar nessas questões?
Tudo me parece estória.
Permita-me a clareza, estória pra boi dormir!...
— E o boi dormiu mesmo, amigo querido!
— A senhora fala de mim?
— Quem descuidou tanto como você, meu filho, ante os apelos dos bons espíritos?
— Como poderia checar as informações de Egberto e...
— Você não se deu ao trabalho de respeitá-las -interrompeu dona Modesta -, quanto mais checá-las.
Em verdade, sua postura foi de desprezo, desconsideração.
— Lamento! Reconheço ser verdade.
— Essa é sua história, meu filho.
Não se envergonhe, apenas assuma-a.
— Coisas como essas serão narradas em nossa história pela mediunidade?
— Claro! Mas agora quero saber: terei, ou não, o aval de vocês?
- indagou resoluta a benfeitora.
— De minha parte, está óptimo, conte comigo - externou Selena prontamente.
— Para mim, não vejo problema - pronunciou Marcondes com orgulho.
Apenas uma informação por caridade:
o médium que vai narrar nossa história é um missionário? Será...
— Não! Não é quem você está pensando.
Os médiuns consagrados da seara cumprem outro género de tarefa para com a causa, razão pela qual, para resguardarem segurança íntima, mantêm-se distantes dos cataclismos de diversidade.
O médium do qual me sirvo está enquadrado no ensino do Espírito Verdade que assevera:
"Nem tudo o que o homem faz resulta de missão a que tenha sido predestinado.
Amiudadas vezes é o instrumento de que se serve um espírito para fazer que se execute uma coisa que julga útil.
Por exemplo, entende um espírito ser útil que se escreva um livro, que ele próprio escreveria se estivesse encarnado.
Procura então o escritor mais apto a lhe compreender e executar o pensamento.
Transmite-lhe a ideia do livro e o dirige na execução.
Ora, esse escritor não veto à Terra com a missão de publicar tal obra.
O mesmo ocorre com diversos trabalhos artísticos e muitas descobertas.
Devemos acrescentar que, durante o sono corporal, o espírito encarnado se comunica directamente com o espírito errante, entendendo-se os dois acerca da execução. "51
— Tenho piedade do medianeiro que se atrever a publicar tais anotações!
— Pois tenho alegria em saber que esses conceitos chegarão ao mundo pelas mãos mediúnicas.
— A maioria nutrirá descrença.
Eu mesmo ainda não creio no que vejo!
— Ainda assim, o médium, com sua "louca coragem", será um desafio de amor para o movimento espírita.
Muitos homens podem não acreditar. Faz parte da lei da diversidade.
Entretanto continuam com o dever de amá-lo. Será que conseguirão?
— Se eu estivesse na carne, além de não entender, certamente faria o que fiz: denegrir.
— Óptimo!
— Óptimo?! Por quê Dona Modesta?
— Melhor essa atitude que a indiferença.
— Melhor?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:49 pm

— Diríamos, menos mal!
Quem denigre é porque teve seus interesses ou pontos de vista atingidos.
O indiferente é ardiloso, calculista, e, em muitas ocasiões, reconhece em sua intimidade, o valor das ideias contra as quais se defende através da indiferença.
— E quanto a Vovô Zequinha - indagou constrangido, quando poderei conhecê-lo nas enfermarias do subsolo?
— Andando pelas alas, você o reconhecerá.
Zequinha foi um dos médicos europeus mais renomados da história do século XIX.
Sua tenda religiosa em Goiás é um dos postos mais avançados de amor fraternal do Hospital Esperança na Terra.
— Quer dizer que os núcleos representantes do Hospital no plano físico não são somente espíritas?
— Não são representantes, Marcondes.
São parceiros no amor.
São cooperadores activos do bem.
Toda entidade que se ergue em nome do Cristo, independente de designação religiosa, tem laços profundos com nossas actividades.
O Centro Espírita Paulo e Estêvão, dirigido por Selena, em Minas Gerais, e a agremiação que você conduziu em Goiás seriam frentes avançadas de nossas tarefas.
Próximos a vocês, nas cidades em que actuavam, tinham excelentes servidores que partiram daqui com tarefas definidas.
Contávamos com sua ajuda, Marcondes, pois Egberto é tutelado de Eurípedes.
Contávamos com você, Selena, pois Angélica é uma esperança de Doutor Bezerra.
Nossos irmãos Egberto e Angélica fazem parte da geração solidária.
Egberto, médium de excelentes recursos.
Angélica seria uma renovadora dos conceitos práticos da doutrina.
As oportunidades perdidas se foram e, não fosse a abundância da celeste misericórdia, que seria de nós neste momento?
No entanto o tesouro desta casa é a esperança.
Nossa tarefa consiste em fazer renascer, no escrínio das almas tombadas, o desejo de recomeçar com determinação e fé.
Sem isso, que será de nós?
Após nossas falhas sucessivas, quando convidados a retomar os compromissos ecoa em nossa memória a fala sábia e aflita de Pedro:
"Para quem iremos nós, Senhor, se tens a palavra de Vida Eterna?"52
Notamos a expressão tristonha dos companheiros.
Sentiam um misto de vergonha e frustração.
Nada falavam.
Dona Modesta, todavia, fustigara-lhes as fibras morais com intuitos nobres.
Desprezaram a oportunidade de cooperar com almas que carregam sobre os ombros um farto desafio espiritual.
Era necessário que divisassem o quanto os aguardava no trabalho de reerguimento de si mesmos.
As obras deixadas no plano físico não poderiam ser interrompidas a esmo.
Angélica, Egberto e a própria Eulália, que breve renasceria no corpo, eram alguns dos muitos laços de continuidade para os destinos dos dois trabalhadores.
Imprescindível recomeçarem com acerto.
Promoverem-se à condição de servidores espontâneos e amantes da causa do bem.
Só um caminho restava-lhes:
conhecerem de perto a extensão das lutas e dores dos que soçobram entre a culpa e ódio na erraticidade.
Os portais de acesso do Hospital seriam o passo inicial, até que pudessem estender os passos com mais solidez e segurança, aos terrenos baldios dos abismos e da sub-crosta.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:49 pm

Consciente disso, recomendou Dona Modesta:
— Os planos futuros visam a metas libertadoras.
Enquanto Eulália prepara Marcondes nas câmaras dos ovóides, Selena ampliará suas noções de mediunidade.
Marcondes despertará a fibra do sentimento altruísta, vindo, posteriormente, a cooperar com as fileiras doutrinárias onde se situa Egberto.
Selena, por sua vez, amealhará maior uniformidade interior, através da alegria e da flexibilidade junto às lutas, ao lado de Angélica.
Ambos poderão servir e aprender, desde que se rendam ao espírito da lídima fraternidade sem mesclas.
Se vencerem os preconceitos terrenos, farão voos de alteridade.
Vamos deixá-los a cargo de Inácio Ferreira por estarem intimamente ligados ao seu coração.
Nessa hora, todos olharam para Doutor Inácio que, de pronto, assestou seu humor em tom baixinho:
— Se fosse vocês, não aceitaria esse carma...
— Deixe disso, Inácio.
Creio que nossos amigos já não se assustam com seus pitacos.
— Doutor - falou Eulália sensibilizada - serei eternamente grata pelos seus esforços com Marcondes.
—Não seja por isso, minha filha.
Fiz quanto pude. Nada mais.
—Vocês se transferirão, em definitivo, para as actividades - continuou Dona Modesta - do pavilhão Judas Iscariotes.
Marcondes ficará sob tutela de Vovô Zequinha.
Selena estará cooperando com Inácio nas alas dos médiuns.
Ainda hoje, mais à tarde, teremos uma apresentação de Dona Ivone do Amaral Pereira, que nos brindará com oportunas reflexões.
Amanhã, gostaria de tê-los de madrugada, nos portais de acesso para que iniciem novas lições.
Os dias passavam ricos de labor e desafios.
O Hospital só tinha uma rotina: servir e aprender.
O crepúsculo daquele dia, no entanto, era esperado por Eurípedes há algum tempo.
Na sacada da enfermaria, busquei um ar fresco após os colóquios confortadores com nossos pacientes.
Percebi nosso director nos jardins colhendo lírios, acompanhado por Dona Modesta, Doutor Inácio, Antuza Ferreira, Odílio Fernandes e mais alguns colaboradores ligados à cidade de Uberaba e região.
Observava com atenção a cena.
Eurípedes fazia parte daquele canteiro e vice-versa.
Colhia as flores com carinho, mas sua mente...
Ah! Sua mente estava longe!...
Não pude registar-lhe o pensamento, no entanto sua fisionomia absorta era um traço indicativo de que reflectia com profundidade.
Percebendo meu pensamento com sua ilimitada capacidade mental, olhou para cima e, sorrindo com simplicidade, disse-me:
— Veja, minha filha! - e espalmou as mãos sobre o ramalhete.
Você sabe para quem são estes lírios?
Fiz um sinal afirmativo com a cabeça e ele completou em francês vernacular:
— Mademoiselle, ele estará de retorno ainda hoje...
Colocou então um lírio na mão direita e saiu celeremente, seguido pelo grupo de amigos.
Já tinha a quem entregá-lo...
Acabara de desencarnar o Lírio Redimido do Evangelho Redivivo...
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:49 pm

Chico Xavier, naquela tarde-noite, partiu nos braços de Maria de Nazaré ao encalço do Mestre Jesus...
Olhei para o alto, e recordando velhas cenas de tempos sagrados, recitei em voz alta, pensando nas lutas de quantos anseiam por seguir a Jesus:
"Olhai os lírios do campo, como eles crescem:
não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?" 53

47 O Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo XX, item 4.
48 O livro foi publicado pela Editora Didier.
49 O livro foi publicado pela Editora Didier.
50 II Coríntios, 4:7
51 O Livro dos Espíritos, questão 577.
52 João, 6: 68.
53 Mateus, 6: 28 a 30.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:49 pm

ANEXO I
A proposta das Atitudes de Amor de Bezerra de Menezes.

A melhor campanha para a instauração de um novo tempo na Seara passa pela necessidade de melhoria das condições do centro espírita, que é a célula operadora do objectivo do Espiritismo.
Lá sim se concretizam não só o conhecimento e o trabalho, mas a absorção das verdades no campo individual, consentidas em colóquios íntimos e permanentes que reproduzem os momentos de Jesus com seu colégio apostólico.
Por isso, temos que promover as Casas, de posto de socorro e alívio a núcleo de renovação social e humana, através do incentivo ao desenvolvimento de valores éticos e nobres capazes de gerar a transformação.
Para isso só há um caminho: a educação.
O núcleo espiritista deve sair do patamar de templo de crenças e assumir sua feição de escola capacitadora de virtudes e formação do homem de bem, independentemente de fazer ou não com que seus transeuntes se tornem espíritas e assumam designação religiosa formal.
Elaboremos um programa educacional centrado em valores humanos para dirigentes, trabalhadores, médiuns, pais, mães, jovens, velhos, e o apliquemos consentaneamente com as bases da Doutrina.
Saber viver e conviver serão as metas primaciais desse programa no desenvolvimento de habilidades e competências do espírito.
O que faremos para aprender a arte de amar?
Gomo aprender a aprender?
Como desenvolver afecto em grupo?
Como "devolver visão a cegos, curar coxos e estropiados, limpar leprosos, expulsar demónios"?
Muitos adeptos conhecem a profundidade dos mecanismos desencarnatórios à luz dos princípios espíritas, entretanto, temos constatado quantos chegam por aqui em deploráveis condições por não se imunizarem contra os padrões morais infelizes e degeneradores.
A melhoria das possibilidades do centro espírita indiscutivelmente facilitará novos tempos para o pensamento espírita, haja vista que estaremos ali preparando o novo contingente de servidores da causa dentro de uma visão harmonizada com as implicações da hora presente.
Dessa forma, estaremos retirando a Casa da feição de uma "ilha paradisíaca de espiritualidade", projectando-a ao meio social e adestrando seus partícipes a superarem sua condição sem estabelecer uma realidade fictícia e onerosa, insufladora de conflitos e de medidas impositivas, longe das reais possibilidades de transformação que a criatura pode e precisa efectivar em si mesma.
Interagindo com o meio, em permuta incessante de valores e experiências, o centro espírita sai da condição de um reduto isolado no cumprimento de sua missão e passa a delinear a formação de uma rede de intercâmbios, fenómeno esse que vem abarcando a humanidade inteira sob a designação de globalização.
Contudo, a interacção da casa doutrinária com o meio deve ser activa a ponto de transformar-se em pólo irradiador de benesses a outras co-irmãs e, igualmente, para o agrupamento social no qual encontra-se inserida.
Por isso, mais uma vez torna-se imprescindível renovar conceitos e reciclar métodos, a fim de atingirmos os patamares de instituições multiplicadoras da mentalidade imortalista e fraternal.
Esse processo de interacção social reclama posturas novas, dentre elas a de abrir canais de permanente relação interinstitucional, na qual o centro espírita catalise fulcros de cultura e modelos experimentais, transformando-se em ambiente de diálogo e convivência para dirigentes e trabalhadores de outros grupos afins, passando suas vivências e aperfeiçoando suas realizações, ao tempo em que se converte em pólo espontâneo da união entre co-idealistas, no regime do mais livre pluralismo de concepções acerca dos postulados espíritas.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Ago 21, 2018 7:49 pm

Mais uma vez a visão futurista do Codificador, prenunciando esse tempo, levou-o a declarar:
"esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento:
o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã".
A criação desses pólos são medidas salutares contra o isolacionismo e, pela sua característica essencial de fortalecimento de ideias, ensejam uma relação mais participativa, descentralizadora, operando entre os grupos a prática da solidariedade.
Incentivaremos não só a renovação cultural nas casas espíritas, mas também a estruturação das entidades específicas que, pela sua neutralidade institucional, obterão um trânsito mais intenso junto à seara na dinamização de um arejamento cultural, no atendimento das necessidades humanas que abarrotam em solicitações e demandas.
Há serviço intenso a realizar, e devemos ver com bons olhos a multiplicidade de funções e a diversificação de medidas em favor dos clamores da sociedade.
Os dirigentes, ricos de boa vontade e espírito cooperativo, anseiam por novos horizontes, todavia, tem faltado quem se disponha a dividir vivências ou a edificar um ambiente que se constitua verdadeira oficina de ideias e diálogo para a criação de caminhos novos.
Serão esses pólos as cooperativas de afecto cristão que permitirão aos servidores e condutores das responsabilidades doutrinárias renovarem esperanças, quebrando os circuitos de rotina dentro do labirinto de obrigações a que se renderam no ramerrão do centro espírita.
Serão pólos de arejamento e solidariedade mútua regidos por intenso e espontâneo desejo de somar que, em última análise, é a unificação no que de mais sublime exprime o sentido dessa palavra.
Estamos, portanto, meus irmãos e amigos do coração, instaurando o período da unificação ética, da maioridade das ideias espíritas através do melhor aproveitamento individual dos seareiros dispostos a mais amplos voos de renúncia, sacrifício e amor à causa.
Assim, todos nós aqui hoje reunidos estamos convocados a cerrar esforços continuados ao programa renovador de nosso abençoado movimento espírita, com vistas a ampliar na humanidade a mensagem de esperança e libertação, trazida por Jesus e explicada com lucidez pelo trabalho de Allan Kardec.
Estamos em campanha.
Campanha pela unificação com amor.
Campanha pela renovação das atitudes.
Temos um problema na Seara: as más atitudes.
Temos uma solução para a Seara: novas atitudes.
Seja essa a nossa campanha no bem pelos tempos novos a que todos somos chamados.
Todos aqui, mormente os que se acostumaram à docilidade e ternura de meu coração, não se surpreendam com a franqueza de minhas palavras.
Estejam certos que o sentimento é o mesmo e sempre será.
A clareza e a definição de minha fala são em obediência incondicional e servil a ordens maiores que cumpro em nome do Espírito Verdade.
Sem perder a fraternidade, vós outros que têm o acesso livre pela palavra mediúnica levai essa mensagem ao conhecimento de todos.
Aqueles que hoje aqui se encontram temerosos ante as novas chances que logo envergarão na carne, levai convosco a esperança de que em plena infância serão bafejados pelas claridades desse momento de renovação, dentro e fora das movimentações espirituais a que se matricularão.
Aqueles que servem a outras fileiras de obrigações junto à humanidade, cooperem com nosso ideal incentivando a superação dos preconceitos e abrindo picadas para a penetração das ideias espíritas frente à sociedade.
Enaltecendo a comemoração, da qual ainda agora quase todos aqui presentes tivemos a bênção de acompanhar junto aos irmãos no Congresso Espírita Brasileiro, pecamos ao Senhor da Vida que fortaleça sempre os ideais em nosso coração, para que as medidas salvadoras representem mãos estendidas e guiadas pelo coração sempre pulsante no bem, em favor das lutas e do aprendizado daqueles que receberam de Deus a gloriosa oportunidade de regressarem à carne no torrão brasileiro, fruindo das benesses do Consolador Prometido.
Amparemos nossa bendita Seara em seus novos dias, relembrando sempre a nossos tutelados a importância do amor.
Rememoremos como fonte inspiradora de nossa campanha a sublime e inesquecível fala de nosso Mestre:
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros".

Cícero Pereira

Trecho extraído da mensagem "Atitude de Amor", inserida na obra "Seara Bendita" psicografada por Maria José da Costa Soares de Oliveira e Wanderley Soares de Oliveira - Diversos Espíritos

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

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