Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 21, 2018 7:25 pm

7 - SEXUALIDADE E HIPNOSE COLECTIVA
“O dever primordial de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar a sua volta à vida activa de cada dia, é a prece.
Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar!”

V. Monod. (Bordéus, 1862.)
O Evangelhos Segundo Espiritismo - Capítulo xxvii – item 22

Intenso desejo acompanha a humanidade em todos os tempos: ser feliz.
Entretanto, um incómodo sentimento de impotência aprisiona o homem na realização desse projecto, ou seja, a ignorância sobre como trabalhar pela sua felicidade. Como vencer esse abismo que se abre entre a necessidade de paz interior e as grandes lutas que se apresentam a cada dia, afastando-o cada vez mais desse ideal?
Estremunhado pelo cansaço em não encontrar respostas lúcidas e satisfatórias para suas metas de júbilo e harmonia, a maioria das criaturas rendem-se às propostas humanas de prazer como sendo a alternativa que mais fácil e rapidamente permitem-lhes obter alguma gratificação, ainda que passageira.
Forma-se assim, através do mecanismo mental da reflexão automática, um processo colectivo de hipnose sob o jugo da ilusão e da mentira consentidas, escravizando bilhões de almas no atoleiro dos vícios comportamentais de variados matizes.
Reflexão automática é o hábito de consumir pensamentos estabelecendo uma rotina mental sem utilização da “consciência crítica”, um processo que funciona por estimulação condicionada sem a participação activa da vontade e da inteligência, interligando todas mentes em todas as esferas de vida.
Indução, sugestão e assimilação são operações psíquicas que respondem por esse quadro que, em sã análise, constitui uma grave questão social.
Fenómenos telepáticos e mediúnicos formam a radiografia básica desse “ecossistema psíquico”.
Patologias mentais e orgânicas, obsessões e auto-obsessões surgem nesse cenário compondo a psicosfera de bairros e cidades, estados e países, continentes e mundos.
Composta de aproximadamente 30 biliões de almas, a população geral da Terra tem hoje um contingente de pouco mais de 1/6 de sua totalidade no corpo carnal. Considere-se que nessa extensa e vigorosa “teia de ondas”, mesmo esses 5/6 de criaturas fora da matéria têm como centro de interesses o planeta das provas e expiações terrenas, influindo, sobremaneira, na economia psíquica da humanidade em perfeito regime de troca, determinando mais do que imaginai os rumos colectivos e individuais na dignidade ou na leviandade de propósitos, na paz ou no conflito armado.
Convém-nos, nesse contexto, em favor da reeducação de nossos potenciais, reflectir com seriedade sobre um dos mais delicados temas da actualidade: a sexualidade.
Naturalmente, a mentira avassalou esse campo sagrado das conquistas humanas com lastimável epidemia de imitação decorrente da massificação.
A palavra mentira vem do latim e, entre seus vários significados, extraímos esse:
inventar, imaginar.
Sob expressiva influência da mídia electrónica, o sexo em desalinho moral obteve requintes de inferioridade e desvalor através de truanescas invencionices do relaxamento moral.
Depois da televisão, a grande rede mundial, a internet, propiciou ainda mais estímulos para a “devassidão a domicílio”, preenchendo o vazio dos solitários de imagens degradantes de perversidade pela pornografia sem lindes éticos.
Os costumes no lar, já que boa parcela dos educadores perdeu a noção de limite, avançam par uma derrocada nos hábitos a pretexto de modernização. diante da beleza corporal, os pais, ao invés de ensinarem responsabilidade e pudor, quase sempre excitam a sensualidade precoce e a banalização.
Porque se encontram também escravos de estereótipos de conduta, conquanto o desejo de não verem os filhos desorientados, amargam elevada soma de conflitos pessoais não solucionados que interferem na sua tarefa educacional junto à prole.
Nesse clima social, os delitos do afecto e do sexo continuam fazendo vítimas e gerando dor.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 21, 2018 7:25 pm

Telepatias deprimentes e conúbios mediúnicos exploradores formam o ambiente astral de várias localidades, expelindo energias entorpecedoras e hipnóticas, abalando raciocínio e instigando os instintos animalescos aos quais, a maioria de nós, ainda nos encontramos jungidos.
O desafio ético de usar o sexo com responsabilidade continua sendo superado por poucos que se dispõem ao sacrifício de vencer a si mesmo, dentro de uma proposta de profundidade nos terrenos da alma.
A força das estimulações exteriores compromete os propósitos sinceros mesmo daqueles que acalentam os ideais renovadores, exigindo do candidato à autotransformação um esforço hercúleo para colimar suas nobres metas.
A força sexual é comparável a uma represa gigantesca que, para ter seu potencial utilizado para o progresso, carece de uma usina controladora, a fim de drenar a água em proporções adequadas, evitando inundações e desastres de toda espécie nos domínios do seu curso.
Se a energia criadora não for disciplinada pelas comportas da contenção, da fidelidade e do amor fraternal, dificilmente tal força da alma será dirigida para fins de crescimento e libertação.
Nesses dias tormentosos, o sexo ganha o apoio da mídia na criação de ilusões de espectros sombrios sob a análise ética-comportamental.
A mentira do “amor sexual” condicionado à felicidade é uma hipnose colectiva na humanidade, gerando um lamentável desvio da saúde e alimentando as miragens da posse nas relações, fazendo com que os relacionamentos, carentes de segurança e da fonte viva da alegria, possam se chafurdar em provas dolorosas no campo do ciúme e da inveja, da dependência e do desrespeito, da infidelidade e da crueldade – algumas das vielas de fuga pelas quais percorrem os encontros e desencontros entre casais e famílias.
Face a isso, um “turbilhão energético” provido de vida e movimento permeia por toda a psicosfera do orbe.
Qual se fosse uma serpente sedutora criada pelas emanações primitivas, resulta das atitudes perante a sexualidade entre todas as comunidades.
Semelhante a um “enxame epidémico e contagiante”, essas aglomerações fluídicas são absorvidas e alimentadas em regime de troca por todas esferas vivas do grande “ecossistema” da psicosfera terrena.
A defesa da vida interior requer mais que contenção de impulsos.
Muito além disso, faz-se urgente aprender o exercício do bem gerando novos reflexos através da consolidação de interesses elevados no reino do espírito.
Decerto a disciplina dos instintos será necessária, mas somente o desenvolvimento de valores morais sólidos promover-nos-á a outros estágios de crescimento nas questões da sexualidade.
A esse respeito compete-nos ponderar a postura que adoptamos ante a maior fonte de apelos da energia erótica, o corpo físico.
Que sentimentos e pensamentos devem nortear o cosmo mental na relação diária com o corpo?
Como adquirir uma visão enobrecida sobre o instrumento carnal?
Como “olhar” para o templo sagrado do corpo alheio e experimentar emoções enriquecedoras??
Como impedir a rotina dos pensamentos que nos inclinam à vaidade e a lascívia ante os estímulos da estética corporal?
Zelo e cuidados necessários com o templo físico em nada podem nos prejudicar, contudo o problema surge nos sentimentos que nos permitimos perante as atracções físicas.
Esmagadora parcela das almas na carne adopta atitudes pouco construtivas nesse tema.
Além dos estímulos pujantes dos traços anatómicos, o corpo é dotado de “elementos magnéticos irradiadores” com intensa força de impulsão.
Quando acrescido da simples intenção de atrair e chamar a atenção para si, essa impulsão assemelha-se a filamentos subtis, similares a tentáculos aprisionantes expelidos pela criatura na direcção daquele ou daqueles a quem deseja causar admiração, tornando-se uma “passarela de atracções” que lhe custará um ónus para a saúde e o equilíbrio emocional.
Tudo se resume à lei universal da sintonia.
Veremos o corpo conforme o trazemos na intimidade.
Sabemos, todavia, à luz da visão imortalista, que além do corpo carnal, e a ele encontra-se integrado os ser espiritual, repleto de valores e vivências que transcendem os limites sensoriais da matéria.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 21, 2018 7:25 pm

Aprender a identificar-nos com essa “essencialidade” é o caminho para a reeducação das tendências eróticas.
Torna-se imprescindível vivermos o “estado de oração”, aprendendo a sondar o que existe para além do que os olhos podem divisar.
Exupéry afirmou:
“o essencial é invisível aos olhos”, e quando V. Monod recomenda, na frase acima transcrita, que a prece seja o primeiro ato do dia, é porque estamos retomando o contacto com o corpo após uma noite de emancipação.
E o preparo para que consigamos elevar-nos acima das sensações e permitir a fluência dos sentimentos nobres, antes mesmo de ingressarmos no “vigoroso imã” da convivência pública.
É o estado mente alerta que vai nos ensejar “olhos de ver”.
Aprender a captar a “essencialidade” do outro é perceber-lhe os eflúvios da alma, seus medos, suas dores, seus valores, suas vibrações e necessidades.
É ir além do perceptível e “encontrar o mundo subjectivo” do próximo sentindo-lhe integralmente.
O resultado será a sublimação de nossos sentimentos pela lei de correspondência vibracional, atraindo forças que vão conspirar a favor de nossos objectivos de ascensão.
Assim como preparamos o corpo para o despertamento, igualmente devemos nos lançar ao preparo espiritual para retomar as refregas do dia.
A essa atitude chamamos de “interrupção do fluxo condicionado” da vida mental.
É adentrar na “teia de correntes etéreas”, para não se contaminar ou ser sugestionado pela força atractiva desse mar de vibrações pestilenciais de ambientes colectivos.
Esse “estado de oração” é a alma sintonizada com o melhor de todos, condição interior que requer, por enquanto, muita vigilância e oração de todos nós para ser atingido.
Quem ora recolhe auxílio para os interesses elevados.
Quem ora toma contacto com o “Deus interno” activando a “expansão” da consciência, desatando energias de alto poder construtivo e libertador sobre todos os corpos e na psicosfera ambiente.
A vida conspira com os propósitos do bem, basta que nos devotemos a eles.
Estabelecido esse estado interior de dignificação espiritual, o próximo passo é lançar-se ao esforço reeducativo na transformação dos hábitos.
O tempo responderá com salutares benefícios interiores de paz, com o psiquismo livre das energias enfermiças da hipnose colectiva do despudor e da lascívia, tornando a mente acessível ao trânsito das inspirações e ideias saudáveis em clima de plenitude.
Portanto, inscrevamo-nos nesse curso diário da oração preparatória tão logo despertos na carne.
Faça seus cuidados fisiológicos para o despertamento sensorial, após o que amplie os cuidados com o Espírito.
A oração desperta forças ignoradas que serão farta fonte de manutenção do estado de paz que carecemos, ante a empreitada sobre o dinâmico mundo das percepções e dos sentidos.
Somente dessa forma iluminaremos os nossos olhos para que tenhamos luz na visão do mundo que nos cerca, e segundo o Divino Condutor, “se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz”.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 21, 2018 7:25 pm

8 - Arrependimento tardio[/b]
[i]“Aliás, o esquecimento ocorre apenas durante a vida corpórea.
Volvendo à vida espiritual, readquire o Espírito a lembrança do passado;”

O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo V – item 11

Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas recebemos várias comunicações de almas arrependidas que foram, algumas delas, enfeixadas pelo senhor Allan Kardec, na obra “O Céu e o Inferno”, sob o o título “Criminosos Arrependidos” – Um incomparável estudo sobre os efeitos do arrependimento depois da desencarnação.
O tema arrependimento é muito valorizado entre nós na erraticidade, porque raramente, sob as ilusões da matéria, a alma tem encontrado suficiente coragem para enfrentar a força dos subtis mecanismos de defesa criados pelo orgulho, deixando sempre para amanhã – um amanhã incerto, diga-se de passagem – a análise madura e sincera de suas faltas, o que traria muito alívio, saúde e paz interior.
era manhã no Hospital Esperança.
Após os afazeres da rotina, deixamos nossa casa em bairro próximo e rumamos para as actividades do dia.
A madrugada havia sido de muito trabalho junto às esperas da crosta terrena.
Após breve refazimento, nossa tarefa naquele dia que recomeçava era visitar a ala específica de espíritas em recuperação com o drama do arrependimento tardio.
Descemos aos pavilhões inferiores do hospital e chegando na ala para a qual nos destinávamos, fomos passando pelos corredores de maior sofrimento.
Alas de confinamento, salas de atendimento e monitoramento, mais adiante alguns padioleiros com novas internações.
No alto de uma porta larga, à semelhança daquelas nos blocos cirúrgicos dos hospitais terrenos, havia uma inscrição que dizia “entrada restrita”.
Ali se encontravam os pacientes com estágios mentais agudos de arrependimento tardio.
Logo nas primeiras acomodações rente à entrada, deparamo-nos com Maria Severiana.
Sua fisionomia não apresentava as mesmas disposições do dia anterior.
Cabisbaixa, sua face denotava ter chorado bastante durante a noite.
Com todo cuidado que devemos à dor alheia, aproximamos carinhosamente:
- Bom dia Severiana!
- Bom dia nada, Ermance, estou péssima.
- O que houve minha amiga?
Ontem você se encontrava tão disposta...
- Muito difícil dizer, não sei se posso.
- Se preferir, conversamos logo mais.
- Não, não saia daqui, preciso de alguém velando comigo.
Sou todo arrependimento e perturbação.
Quando segurava a mão de Severiana e ensaiava um envolvimento mais cuidadoso, Raul, assistente da ala fez um sinal solicitando-nos a presença em pequeno posto alguns metros adiante.
- Que houve Raul?
Severiana ontem estava...
Ele nem permitiu que continuássemos e disse:
- - Sim ela teve autorização para acessar a sua ficha reencarnatória.
Foi uma noite tumultuada para ela, mas bem melhor que a maioria dos quadros costumeiros.
A orientação é no sentido de que ela fale abertamente sobre o assunto para não criar as defesas inoportunas à sua recuperação.
Graças a Deus, ela está acentuadamente no clima do arrependimento.
- - Sim, Raul, grata pela informação.
- Regressamos então ao diálogo com a paciente, conduzindo-o com fins terapêuticos:
- - Amiga querida, gostaria de expor seus dramas para nosso aprendizado?
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Set 21, 2018 7:25 pm

- Ermance... É muito difícil a desilusão!
A sensação de perda é enorme e sinto-me envergonhada.
Sei que não fui uma mulher cruel, mas joguei fora enormes chances de vencer a mim mesma e ajudar muitas pessoas.
- Qual de nós, Severiana, tem sido exemplar na escola da reencarnação?
Sabe, porventura, quantos espíritas chegam em quadros muito mais graves do que os teus?
- - Tenho pouca noção, no entanto, sinto-me como a mais derrotada das mulheres espíritas.
- Isso vai passar brevemente.
O clima do arrependimento, embora doloroso a princípio, é a porta de acesso a indispensáveis posturas de reequilíbrio em relação ao futuro.
Sem arrependimento não existe desilusão, e sem desilusão não podemos contar com a mais vantajosa das esperanças:
o desejo de melhora enriquecido pela bênção das expectativas de recomeço.
O exercício da desilusão é o antídoto capaz de atenuar os reflexos das enfermidades ou faltas que ainda transportamos para além-túmulo.
Existe uma frase que considero sempre oportuna pelo seu poder consolador, a qual gostaria de ler para você:
ela se encontra em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 5, e diz:
“Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal.
Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras;”
- - Eu lhe agradeço, amiga querida.
Tenho fé que meu arrependimento será impulso, embora ainda não me sinta com forças suficientes para isso.
Por agora parece que estou presa em mim mesma.
- - Temporariamente será assim.
Logo você perceberá que é exactamente o oposto.
Digamos que o arrependimento é uma chave que liberta a consciência dos grilhões do orgulho.
Enquanto peregrinamos no erro sem querer admiti-lo, temos o orgulho a nos “defender” através da criação de inúmeros mecanismos para “aliviar” nossas falhas.
Chega, porém, o instante divino em que, estando demasiadamente represada as energias da culpa, em casos como o seu, a misericórdia atua de maneira a ensejar o ajuste e a corrigenda.
Sem arrepender-se, o homem é um ser que foge de si mesmo em direcção aos pântanos da ilusão, por onde pode permanecer milénios e milénios.
Essa não é a sua situação.
Em verdade, apesar da dor, você redime-se nesse momento de um episódio recente, sem vínculos com outras quedas de seu passado mais distante.
Agradeça a Deus pela ocasião e supere sua expiação.
Descartando quaisquer fins de curiosidade vã, tenho orientações para auxiliá-la a tratar o assunto em seu favor, portanto, tenha coragem.
- - Farei isso amiga, farei, custe-me quanto custar!
Não quero mais viver sob os auspícios desse monstro de orgulho que trago em mim.
Chega de ilusão!
Enchendo o peito de ar, como quem iria enfrentar árdua batalha, começou a contar seu drama, nesses termos:
- Como sabes, fui espírita actuante nessa precedente romagem carnal.
Adquiri larga bagagem doutrinária estando na direcção de uma casa espírita. Conduzia com facilidade a organização despertando simpatia e boa vontade.
Fui vencida pelo golpe do personalismo, sentia-me muito grandiosa espiritualmente face aos compromissos que desincumbia.
Como sempre, é o assalto da vaidade que, nossa invigilância, faz uma limpa em nosso coração roubando-nos qualquer chance de lucidez e abnegação.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:23 pm

Passei a vida com um grave problema no lar.
Minha filha Cidália é uma moça extremamente rancorosa e magoada comigo sem motivos para isso.
Alegava nas minhas avaliações, que éramos antigas inimigas do passado e, diante das atitudes cruéis que ela cometeu contra mim em plena adolescência, cheguei a estimular a piedade de muita gente no centro espírita em relação à minha dor.
Alguns chegavam a me dizer que iria directo para sublimes esferas depois dessa prova.
Ao invés de encontrar alternativas cristãs para resolver nossas desarmonias, distraí-me com o facto de criar teoremas espíritas para explicar minha infelicidade, mas jamais me perguntei, com a sinceridade necessária, como solucionar esse drama.
Guardava o desejo da pacificação, todavia, nada fazia por isso que fosse realmente satisfatório.
Fantasias e mais fantasias rondavam minha experiência.
Inúmeras orientações consideradas como mediúnicas falavam em obsessores perseguindo minha filha e a mim.
E agora, quando fui ler minha ficha, iniciei um ciclo novo e percebi que fui vítima da mentira que me agradou.
Teorizei muito sobre o que me ocorria, e amei pouco.
Entretanto, Ermance, o mais grave você não sabe e estava lá anotado na ficha que ainda ontem tive acesso nos arquivos, aqui no Hospital Esperança.
Algo que escondi d todos e jamais mencionei a ninguém, em tempo algum.
Não poderia imaginar um caso como o meu. Nem sequer, apesar do conhecimento espírita, poderia supor uma história tão incomum como a minha.
A essa altura da explanação, Severiana ruburouse e perdeu o fôlego.
Suspirou sofregamente e continuou:
- Fui levada ao Espiritismo depois de uma tentativa frustrada de abortar uma filha com quatro semanas de gravidez.
Tomada de uma depressão e debaixo das cobranças por ser mãe solteira, cheguei a desequilibrar-me emocionalmente.
O tempo passava e não tinha coragem para o ato nefando; por várias circunstâncias não cheguei a executá-lo.
A filha nasceu, é Cidália a quem me referi, minha única filha.
Guardei comigo o segredo e parti da Terra com ele sem que ninguém jamais pudesse imaginar que um dia estive disposta a esse crime.
As leis divinas, no entanto, são perfeitas.
Minha desilusão começou ontem.
Em princípio amaldiçoei essa ficha e achei impiedoso que permitissem acossá-la.
Agora com muita luta começo a compreender melhor.
- E que revelação tão dura trouxe-te seus informes reencarnatórios?
- Cidália renasceu com propósitos de ser uma companheira valorosa e companhia enriquecedora para minha solidão na vida.
As informações me deram notícia de que é uma alma enormemente frustrada nos roteiros do aborto e que, após quedas sucessivas, estava reiniciando uma caminhada de recuperação nas duas últimas existências corporais para cá.
Contudo, o meu ato impensado de expulsá-la do ventre, em plena gestação inicial, traumatizou-a sensivelmente face às lutas conscientes que ela já carrega com o assunto.
O registo emocional foi ameaçador ao psiquismo da reencarnante.
Seu rancor e sua mágoa contra mim nasceram ali e nada tinham com a ausência de afinidade ou carmas do pretérito.
Ao substituir a culpa da tentativa de aborto pelas ideias de um passado suspeito e não confirmado, nada mais fiz que transportar minhas más intenções.
As anotações finais da ficha davam nota de que, se tivesse sido sincera com Cidália e rogado perdão, desarticularia em seu campo psíquico um mecanismo defensivo, próprio de corações que faliram nos despenhadeiros do repugnante infanticídio.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:23 pm

Fico aqui nas minhas amarguras me cobrando severamente, mas como poderia saber disso, Ermance?
Não supunha que a simples intenção poderia ser tão nociva.
Você não acha que estou sendo muito rigorosa?
- Claro que sim, Severiana.
Contudo, não abdique da oportunidade.
É sua chance de refazer os caminhos e futuramente amparar Cidália.
De facto, não tinha como saber disto, o que não a isenta da responsabilidade do ato.
Faltou-te o auto-perdão e o desejo sincero do encontro com tuas culpas.
Essa tem sido a opção da maioria esmagadora da humanidade.
Preferem a fuga a ter que fazerem o doloroso encontro com a sombra.
Sua experiência poderá ser muito útil aos amigos na carne, caso me autorize a contá-la.
Certamente lhes ampliará um pouco a visão sobre as infinitas possibilidades que a vida apresenta, nos roteiros da nossa redenção espiritual.
Nem reencarnações passadas, nem obsessões, nem carmas, puramente um episódio aparentemente fortuito da existência que lhe rendeu os frutos amargos dessa hora.
Um conjunto de situações reunidas talhando a realidade de cada um.
Nada por acaso, nada sem razões explicáveis, conquanto nem sempre conhecidas.
- Oportunamente, quando estiver melhor, gostaria de lhe narrar alguns detalhes para que minha queda seja alerta e orientação a outras pessoas.
Por agora, peço sua ajuda e a de Deus para que consiga me auto-perdoar.
- Severiana, hoje você a mãe caída e frustrada, entretanto a vida convida-te para se tornar o exemplo a muitas almas.
- Você tem razão, Ermance.
A ficha – que fichinha dolorosa, exclamou melancólica – mencionava que caso tivesse adoptado a postura de me perdoar, poderia ter contado a inúmeras criaturas a minha intenção irreflectida, a inconveniência do ato abortista ou o mal que pode causar sua simples intenção.
Ainda que desconhecendo os detalhes que agora conheço, poderia falar do que significa em dor para uma mãe trazer na lembrança, diante da excelsitude de uma criança que nasceu de seu ventre, as ideias enfermiças de que um dia teria pensado em surripiar-lhe a vida.
Enfim, aprendi que a simples intenção nos códigos da eterna justiça, dependendo dos compromissos de cada qual, é quase a mesma coisa que agir...
Severiana recuperou-se rapidamente e prepara-se para retornar como neta de Cidália.
São passados pouco mais de dois decénios de sua queda e sua alma espera a remissão nos braços da avó.
Todavia, quem arrepende precisa de muito trabalho preparativo e luz nos raciocínios.
Foi o que fez a nossa amiga.
Não cessou de amparar e servir.
Enquanto aguardava sua oportunidade, integrou as equipes de serviço aos abortistas no Hospital Esperança e aprendeu lições preciosas de consolo para seu próprio drama.
Se não existisse trabalho redentor na vida espiritual, as almas teriam que reencarnar com brevidade porque não suportariam o nível mental das recordações e perturbações do arrependimento.
O serviço em nosso plano é uma preliminar para as provas futuras na reencarnação.
Como sempre, o Livro-luz traz em suas páginas incomparáveis uma questão que resume com perfeição o caso que narramos.
Eis a pergunta:
“Qual a consequência do arrependimento no estado espiritual?”
“Desejar o arrependimento uma nova encarnação para se purificar.
O Espírito compreende as imperfeições que o privam de ser feliz e por isso aspira a uma nova existência em que possa expiar suas faltas.”
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:23 pm

9 - “Espíritas não-Praticantes?”
“Nem todos os que me dizem:
Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus;”

(S. Mateus, cap VII, vv. 21 a 23.)
O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo XVIII – item 6

Que conceito afinal devemos ter sobre “ser espírita”? Será coerente e proveitoso admitirmos, junto aos roteiros educativos da Doutrina Espírita, a figura tradicional do “religioso não-praticante”?
Será que devemos oficializar essa expressão a fim de prestigiar aqueles que ainda não se julgam espíritas?
Essas são mais algumas indagações a cogitar na formação de uma ideia mais lúcida sobre a natureza da proposta educativa do Espiritismo para a humanidade.
Ouve-se, com certa frequência nos ambientes doutrinários, algumas frases que expressam dúbias interpretações sobre o que seja “ser espírita”.
Companheiros que ainda não se sentem devidamente ajustados aos parâmetros propostos pelos roteiros da codificação dizem: “ainda não sou espírita, estou tentando!”, outros, desejosos em amealhar algum crédito de aceitação nos grupos, dizem: “quem sou eu para ser espírita?!”, “Quem sabe um dia serei!”.
Com todo respeito a quaisquer formas de manifestar sobre o assunto, não podemos deixar de alertar que somente uma incoerência de conceitos pode ensejar ideias dessa natureza, agravadas pela possibilidade de estarmos prestigiando o indesejável perfil do “activista não-praticante”, aquele que adere à filosofia mas não assume em si mesmo os compromissos que ela propõe.
“Ser espírita” é algo muito dinâmico e pluridimensional; tentar enquadrar esse conceito em padrões rígidos é repetir velhos procedimentos das práticas exteriores do religiosismo milenar.
Nossas vivências nesse sector levaram-nos a adoptar, como “critério de validade”, alguns parâmetros muito vagos e dogmáticos para aferir quem seria verdadeiramente seguidor do bem e da mensagem do Cristo.
Parâmetros com os quais procuramos fugir das responsabilidades através da criação de artifícios para a consciência, gerando facilidades de toda espécie através de rituais e cerimónias que entronizaram o menor esforço nos caminhos da espiritualização humana.
Ser espírita é ser melhor hoje do que ontem, e buscar amanhã ser melhor do que hoje; é errar menos e acertar mais; é esforçar pelo domínio das más inclinações e transformar-se moralmente, conforme destaca Kardec.
Nessa óptica, temos que admitir uma classificação muitíssimo maleável para considerar quem é e quem não é espírita.
Passamos assim algumas reflexões puramente didácticas sobre esse tema, sem qualquer pretensão de concluí-lo, mas com intenção cristalina de “problematizar” nossos debates fraternos.
Tomemos por base o tema da transformação íntima, o qual deve sempre ser a referência prioritária na melhor assimilação do que propõe a finalidade do Espiritismo.
Em primeira etapa, a criatura chega à casa espírita em uma segunda etapa, o conhecimento doutrinário penetra os meandros da inteligência, e na terceira fase, a mais significativa, o Espiritismo brota de dentro dela para espraiar-se no meio onde actua, gerando crescimento e progresso.
São três etapas naturais que obedecem ao espírito de sequência da qual ninguém escapa. Fases para as quais jamais poderemos definir critérios de tempo e expectativa para alguém, a não ser para nós próprios. Fases que geram responsabilidade a cada instante de contacto com as Verdades imortais, mas que são determinadas, única e exclusivamente, pela consciência individual, não sendo prudente
estabelecer o que se espera desse ou daquele coração, porque cada qual enfrentará lutas muito diversificadas nos campos da vida interior.
Portanto, o critério moral deve preponderar a qualquer noção pela qual essa ou aquela pessoa utilize para se considerar espírita.
Nessa óptica encontramos o “espírita da acção”, aquele batalhador, tarefeiro, doador de bênçãos, estudioso, que movimenta em torno das práticas.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:24 pm

Temos também o “espírita da reacção”, aquele que reage de modo renovado aos testes da vida em razão de estar aplicando-se afanosamente à melhoria de si mesmo.
Sem desejar criar rótulos e limitações indesejáveis, digamos que o primeiro está conectado com o movimento espírita, enquanto o segundo com a mensagem espírita.
O movimento e a acção dos homens na comunidade, enquanto a mensagem é a essência daquilo que podemos trazer para a intimidade a partir dessa movimentação com o meio.
O ideal é que, através da “escola” da acção no bem, se consolide o aprendizado das reacções harmonizadas na formação da personalidade ajustada com a Lei Natural do amor.
O espírita não é reconhecido somente nos instantes em que encanta a multidão com sua fala ou quando arrecada géneros na campanha do quilo, ou ainda por sua palavra inspirada na divulgação, ou mesmo pela tarefa de direcção.
Essas são acções espíritas salutares e preparatórias para o desenvolvimento de valores na alma, mas o serviço transformador do campo íntimo, que qualifica o perfil moral do autêntico espírita,, é medido pelo modo de reagir às circunstâncias da existência, pela qual testemunha a intensidade dos esforços renovadores de progresso e crescimento a que se tem ajustado.
Pelas reacções mensuramos se estamos ou não assimilando no mundo íntimo as lições preciosas da espiritualização.
A acção avalia nossas disposições periféricas de melhoria, todavia somente as reacções são o resultado das mudanças profundas que, somente em situações adversas ou na convivência com os contrários, temos como aquilatar em que níveis se encontram.
Melhor seria que não aderíssemos à ideia incoerente do “espírita não-praticante” para não estimular as fantasias do menor esforço que ainda são fortes tendências em nossas vivências espirituais.
A definição por um posicionamento transparente nessa questão será uma forma de estimular nossa caminhada.
Razão pela qual devemos ser claros e sem subterfúgios ao declarar nossa posição frente aos imperativos da vivência espírita.
A costumeira expressão: “estou tentando ser espírita”, na maioria das ocasiões, é mecanismo psicológico da fuga da responsabilidade, e a criatura que sabe que não está fazendo tanto quanto deveria, conforme seus ditames consciências, se justificando perante si mesmo e os outros.
Libertemo-nos das capas e máscaras e cultivemos nas agremiações kardequianas o mais límpido diálogo sobre nossas necessidades e qualidades nas lutas pelo aperfeiçoamento.
Formaremos assim uma “corrente de autenticidade e luz” que se reverterá em vigorosa fonte de estímulo e consolo às angústias do crescimento espiritual.
Deixemos de lado essa necessidade insensata de definirmos conceitos estreitos e “padrões engessados” que não auxiliam a sermos melhores do que somos.
Aceitemos nossas imperfeições e devotemo-nos com sinceridade e equilíbrio ao processo renovador.
Estejamos convictos de um ponto em matéria de melhoria espiritual: só faremos e seremos aquilo que conseguimos, nem mais nem menos.
O importante é que sejamos o que somos, sem essa necessidade injustificável de ficar criando rótulos para nossos estilos ou formas de ser.
Certamente em razão disso o baluarte dos Gentios asseverou em sua carta aos Coríntios, capítulo 15 versículos 9 e 10:
“Não sou digno de ser chamado apóstolo, mas, pela graça de Deus, já sou o que sou.”
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:24 pm

10 - Reflexo-Matriz
“Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se;”
O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo VIII – item 7

Que ideia mais clara de reforma íntima pode-se exarar que essa exposta acima?
Naquele que a ideia do mal não faz parte da sua bagagem mental, encontramos a transformação moral efectiva.
Allan Kardec, no entanto, no item 4 do capítulo XVII de O Evangelho Segundo Espiritismo deixa claro que o verdadeiro espírita seria reconhecido não só por esse aspecto moralizador, mas, igualmente, pelos esforços que emprega para domar as más inclinações; nesse ângulo encontramos o outro estágio, aqueles em que a ideia do mal acode e é repelida.
Será reducionismo definir o processo renovador da vida íntima por meros critérios de aparência exterior.
Ser espírita é uma vivência ética que reflecte e, a um só tempo, induz profundas metamorfoses no campo da mente.
Dessa forma, deixa de ser um conceito religioso para alcançar o patamar da sagrada viagem pelos escaninhos da alma, através do autodescobrimento e da conduta.
No reino mental encontramos complexos mecanismos que operam a formação da personalidade, como sendo uma “identidade temporária do Espírito” nas sendas evolutivas.
Subconsciente, consciente e super-consciente são níveis que interagem em perfeita sinergia, com funções específicas.
Na vida subconsciencial encontramos o reflexo e a emoção induzindo, para o consciente, o projecto das ideias que vão consubstanciar atitudes e palavras nos rumos da perfeição ou no cativeiro das expiações dolorosas.
Portanto, a cadeia reflexo-emotividade-ideia-acção-palavra compõem a fisiologia da alma.
Os reflexos são como “personalidades indutoras” estabelecendo o automatismo dos sentimentos externados em atitudes e palavras.
Nesse circuito vivemos e decidimos, progredimos ou estacionamos.
Não será incorrecto, conquanto os muitos conceitos, definir personalidade como sendo “núcleos dinâmicos e gestores de sentimentos” funcionando sob automatismo mental contínuo.
São essas muitas personalidades construídas nas múltiplas vivências da alma que formam os alicerces das inclinações humanas – tendências, impulsos, desejos, intenções e hábitos.
Na usina da mente, o pensamento exerce a função de supervisão ininterrupta da rotina mental, sob a gerência da vontade, expedindo ordens de aprovação ou censura pela utilização da inteligência, a qual decide e avalia os estímulos recebidos da vida.
Somente depois dessas intrincadas operações é que são accionados os sentimentos, que esculpirão a natureza afectiva de toda essa sequência, conduzindo a alma a perceber os ditames da consciência nesse caleidoscópio de “movimento sublime da alma”.
Por isso os pensamentos precisam ser muito vigiados para não induzirem as velhas emoções, as quais associamos às experiências da atitude, conforme os roteiros que escolhemos al longo de milénios.
Nessa sequência da vida mental, encontramos o reflexo-matriz do interesse pessoal como sendo a origem da rotina das operações psíquicas e emocionais, as quais convergem para o que nomeamos como personalismo – a parcela patológica do ego.
Assim declinamos porque o interesse individual em si é uma necessidade para o progresso.
Seu excesso, no entanto, gerou essa fixação prolongada da alma no narcisismo – a paixão pelo que imaginamos ser.
Com razão asseveram os Orientadores Espirituais da Codificação:
“frequentemente, as qualidades morais são como, num objecto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque.
Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:24 pm

Mas, essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto.
O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenómeno”
Devido a esse arcabouço psicológico do personalismo, vivemos, preponderantemente, em torno daquilo que imaginamos que somos, sustentados por convicções e hábitos que irrigam todo o “cosmo pensante” do ser com ideias e sentimentos irreais ou deturpados sobre nós mesmos.
São as ilusões.
Sua manifestação mais saliente é a criação de uma auto-imagem superdimensionada em valores e conquistas que supomos possuir..
Lutamos há milénios com a força descomunal desse reflexo-matriz que dirige ao automatismo, até mesmo, a maioria de nossas escolhas.
Em razão disso, quando temos o interesse pessoal contrariado, magoamos; quando feridos, penetramos no melindre; quando ameaçados, tombamos na insegurança; quando traídos caímos na revolta; quando lesados, inclinamos para o revide.
Entretanto, podemos mudar esse quadro, pois Freud, um dos mais célebres cientistas das ciências psíquicas, dizia que, em matéria de impulsos, depositava esperanças no futuro por considerar os seres humanos educáveis.
O desenvolvimento de novos hábitos constitui a terapêutica para nossos impulsos egoístas.
A caridade, entendida como criação de relações educativas, será medida libertadora dessa escravidão dolorosa nos costumes humanos.
O treino da empatia, o aprendizado de saber ouvir, o cultivo do respeito à vida alheia, a cautela no uso das boas palavras dirigidas ao próximo, a sensibilidade para com os dramas humanos, as atitudes de solidariedade efectiva e renovadora são autênticos ensaios das qualidades superiores que vão, pouco a pouco, desenvolvendo o novo reflexo do “interesse universal”, desenovelando as blandícies do altruísmo e do amor – reflexos celestes do Pai, nos quais todos fomos criados distantes do mal e da dor.
Quando alcançarmos esse patamar, podemos afirmar com Kardec:
“Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado”;
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:24 pm

11 - A ARTE DE INTERROGAR
“Segundo a ideia falsíssima de que lhe não é possível reformar a sua própria natureza, o homem se julga dispensado de empregar esforços para se corrigir dos defeitos em que de boa-vontade se compraz, ou que exigiriam muita perseverança para serem extirpados”.
Hahnemann. (Paris, 1863.) O evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo XIX – item 10

Não são poucos os companheiros que demonstram silencioso desespero quando percebem que o esforço pessoal de melhoria parece insuficiente ou sem resultados.
Entregaram-se às fileiras de amor ao próximo e à escola do conhecimento espiritual, mas continuam asilando impiedoso sentimento de frustração ao partirem para as lutas reeducativas, nos deveres de cada dia.
Alegam que vigiam o pensamento e oram fervorosamente pedindo auxílio, no entanto dizem-se perseguidos por uma “força maior” que lhes destrói e domina-lhes os impulsos que fazem o que não têm intenção de fazer, sendo levados a atitudes não desejadas ou escolhidas.
Nasce então o conflito, seguido de sentimentos punitivos que passam a povoar o coração, quais sejam a tristeza e a angústia, a vergonha e o desânimo.
Instala-se assim o desespero mudo e desgastante que assola inúmeros aprendizes do crescimento espiritual.
Estariam, porventura, exercendo inadequadamente sua reforma?
Semelhante ciclo de frustração necessariamente faz parte do programa de transformação e crescimento?
Faltaria alguma postura para tornar o esforço mais produtivo?
Essas são indagações que devem fazer parte das meditações de quantos anseiam pela promoção de si mesmos, seja nos grupos de nossa causa ou nas avaliações pessoais.
Sem recolhimento e introspecção educativa não teremos respostas claras e indispensáveis na elaboração do programa de autoconhecimento.
Imprescindível efectuar perseverante investigação no que se chama “força maior”.
Será uma compulsão? Um espírito?
Um trauma? uma tendência? um recalque?
Uma fixação de “outras vidas”? Uma patologia física?
Um impulso adquirido na infância?
Uma lembrança da erraticidade?
Um problema surgido na gestação maternal?
Uma emersão de recordações das actividades nocturnas?
Uma influência passageira e intermitente ou uma obsessão progressiva?
Uma contaminação fluídica por “nuvens de ideoplastia” dos pensamentos humanos?
A irradiação magnética dos ambientes?
Qual a origem e natureza das forças que nos cercam?
Será muito simplismo a atitude de responsabilizar obsessores e reencarnações passadas como causa daquilo que sentimos, e que não conseguimos explicar com maior lucidez.
Em alguns casos chega a ser mesmo um ato de invigilância.
Que variedade de opções somam-se nas viagens da evolução para explicar as lutas espirituais que hoje enfrentamos!
Apesar disso, não guardamos dúvidas em afirmar que o labor iluminativo de todos nós tem um ponto comum?:
a urgente necessidade da educação dos sentimentos.
A etimologia da palavra educação significa “trazer à luz uma ideia”, vem do latim educare ou educere – prefixo “e” mais ducare ou ducere – levar para fora, fazer sair, extrair, tirar.
Filosoficamente é fazer a ideia passar da potência ao ato, da virtualidade à realidade.
À luz dos conceitos espíritas, educar é ir de encontro aos gérmens da perfeição que se encontram potencializados na alma desde a sua criação, é despertar, dinamizar as qualidades superiores que todos trazemos nas profundezas da vida inconsciente.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:25 pm

Frente ao montante de lutas e conflitos que amealhamos na afanosa caminhada do egoísmo, fica a indagação:
Como educar sentimentos para adquirir reacções e interesses novos afinados com esses “valores excelsos” depositados em nós mesmos?
Justo agora em que a ciência avança na busca de novas alternativas para que o homem entenda a si mesmo, verificamos uma lastimável epidemia de racionalização varrendo todas as sociedades mundanas, impedindo o homem de mover-se com o necessário domínio sobre sua vida emocional.
A educação de nossos sentimentos é algo doloroso, semelhante a “cirurgias correctivas” que fazem do mundo emocional um complexo de vivências afectivas de longo curso, quais sejam:
A renúncia de hábitos, a perda de expectativas, a ansiedade por novas conquistas, a tristeza pelo abandono de vínculos afectivos, os conflitos de objectivos, a vigilância na tentação, o contacto com o sentimento da inferioridade humana, a tormenta da culpa, a severidade na cobrança, a sensação de esforço inútil, a causticante dúvida sobre quem somos e o que sentimos a insatisfação perante tendências que teimam em persistir, o desgaste dos pensamentos nocivos que burlam a vontade, o medo de não conseguir superar-se, os desejos inconfessáveis que humilham os mais santos ideais, o sentimento de impotência ante os pendores, a insegurança nas escolhas e outros tantos “dramas afectivos”.
“Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las.
Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna”.
Eis a feliz recomendação de Santo Agostinho.
O sábio de Hipona acrescenta:
“Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objectivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis sobre se obrastes alguma acção que não ousaríeis confessar.
Perguntai ainda mais:
“Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos espíritos, onde nada pode ser ocultado?”
Portanto, essa educação das emoções é o imperativo de penetrarmos “partes ignoradas” de nossa intimidade espiritual no resgate de valores divinos adormecidos.
Considerando a extensão do trabalho a ser feito, anotemos algumas directrizes práticas que não devemos olvidar, a fim de renovarmos o desalento que pode ser absorvido pelo clima da esperança motivadora e do consolo reconfortante, quando peregrinamos pelos caminhos do desconhecido país de nós próprios, guardando mais lúcida visão no serviço da auto-conquista pelo estudo de nossas reacções:
As intenções são o “dial da consciência”.
Por elas sintonizamos com as faixas mentais que desejamos naturalmente o que escolhemos pelo poder de decisão da vontade.
Conhecê-las naquelas vivências e identificar seu teor moral será rica fonte informativa sobre a vida subconsciencial:
com que intenção pratiquei tal ato?
Qual a intenção ao dizer algo a alguém?
Aprendamos a dar nome aos sentimentos que vivenciamos a fim de dilatar o discernimento sobre a vida emocional; escolha um episódio de teu dia e interrogue perseverantemente:
que sentimento estava por trás daquele acontecimento?
Cuidemos de não ampliar nossas refregas íntimas com mecanismos de fuga e suposta protecção como a negação daquilo que sentimos.
Se não tivermos coragem para o enfrentamento interior não faremos muito progresso na arte de descobrir nossas mazelas e mesmo nossas qualidades.
Imprescindível será admitir o que sentimos, sem medos e subterfúgios de defesa, mas com muita responsabilidade para que não penetremos os meandros da fantasia:
por que (nomear o sentimento) em relação a essa criatura?
Qual a razão desse meu sentimento em circunstâncias como a que experimentei?
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:25 pm

Nossas reacções aos desafios da vida, mesmo que não sejam felizes expressões de equilíbrio, são valorosas medidas aferidoras dos nossos sentimentos.
Indaguemos sempre em cada ocasião do caminho: qual o sentimento nos “impulsionou” nessa ou naquela situação?
Cultivar a empatia.
Aprender a se colocar no lugar do outro e sentir o que sente, entender-lhe as razões e procurar estudar os motivos emocionais de cada pessoa.
Todos temos uma razão no reino do coração para fazer o que fazemos, então questionemos: por que motivo aquela pessoa agiu assim comigo?
Que motivações levam alguém a fazer o que fez?
Portanto, como diz Hahnemmann em nossa introdução, nossa tarefa reeducativa exige muita perseverança e esforço.
Isso leva muitos a preferirem a ilusão de cultivar a ideia falsíssima de que é impossível mudar nossa natureza.
Ledo engano!
Deveríamos nos dar por muito satisfeitos no dia de hoje pelo simples facto de não recorrermos intencionalmente ao mal.
O grave equívoco é que muitos lidadores da Nova Revelação acreditam que renovar é angelizar!!!
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Set 22, 2018 8:25 pm

12 - SER MELHOR
“Para nos melhorarmos, outorgou-nos Deus precisamente, o de que necessitamos e nos basta:
a voz da consciência e as tendências instintivas.
Privamos do que nos seria prejudicial”.

O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo V – item 11

Será muito útil à comunidade espírita um maior empenho em seus grupamentos no entendimento do tema reforma íntima.
Apesar dos debates assíduos, observa-se ainda uma lacuna no apontamento de caminhos pelos quais se possa encetar um programa de melhoria pessoal.
Mesmo sensibilizados para sua importância, pergunta-se:
Como fazer reforma íntima?
O primeiro passo a mais amplos resultados nesse campo será possuir a noção bem clara do que seja essa proposta no terreno individual.
Propomos então uma releitura de sua conceituação em favor da oxigenação de nossas ideias.
Associa-lhe, comumente, a ideia de anulação de sentimentos, negação de impulsos ou eliminação de tendências; ideias que, se não forem sensatamente exploradas, poderão tecer uma vinculação mental ao absoluto bordão do “pecado original”, uma cultura diametralmente incoerente com a lógica espírita.
Essa vinculação conduz-nos a priorizar a repressão como sistema de mudança, ou seja, a violentação do mundo íntimo, gerando um estado compulsivo de conflito e pressão psíquica, uma “tortura interior”.
Esse sistema de inaceitação é caracterizado, quase sempre, pela ansiedade em aplacar sentimentos de culpa, uma fuga que declara a condição íntima de indignidade pelo facto de sentir, fazer ou pensar em desacordo com o que aprendemos nos lúcidos conteúdos da Doutrina.
A culpa não renova, limita.
Não educa, contém.
A culpa nasce no acto de avaliar o direito natural de errar como sendo um pecado que merece ser castigado, uma estrutura mental condicionada que carece de reeducação a fim de atingir o patamar de uma relação pacífica connosco mesmo.
Reforma íntima não e ser contra nós.
Não é reprimir e sim educar.
Não é exterminar o mal em nós, e sim fortalecer o bem que está adormecido na consciência.
A palavra educação, que vem do latim educere, significa tirar de dentro para fora.
Renovar é extrair da alma os valores divinos que recebemos quando fomos criados.
Educação ´é disciplina com sentimento íntimo, fruto de um acordo connosco celebrado em harmonia, bem distante dos quadros torturantes de neurose e severidade consigo.
Claro que, para se educar é preciso controle, tendo em vista os hábitos que arregimentamos nas vidas sucessivas.
Entretanto, muitos discípulos permanecem apenas nesse estágio, definindo seu crescimento espiritual pela quantidade de realizações a que se devota por fora, quando o crescimento pessoal só encontra medidas reais nos recessos do sentimento.
Menos contenção e mais conscientização, eis a lei natural de aprender a “dar ouvidos” aos alvitres do bem divino que retumbam qual eco de Deus na nossa intimidade.
O conjunto dos ensinos espíritas é um roteiro completo para todos os perfis de necessidades no aperfeiçoamento da humanidade.
Tomar todo esse conjunto como regras para absorção instantânea é demonstrar uma visão dogmática de crescimento, gerando aflições e temores, perfeccionismo e ansiedade, que são desnecessários no aproveitamento das oportunidades.
Reforma íntima é ser melhor hoje em relação ao ontem, e jamais deixar arrefecer o desejo de ser um tanto melhor amanhã em relação ao hoje.
Basta-nos aprender a ouvir a consciência e a estudar nossos instintos.
Reforma é um trabalho processual.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:37 pm

A esse respeito, assim se pronuncia a Equipe Verdade:
“Conhece bem poucos os homens quem imagine que uma causa qualquer os possa transformar como que por encanto.
As ideias só pouco a pouco se modificam, conforme os indivíduos, e preciso é que algumas gerações passem, para que se apaguem totalmente os vestígios dos velhos hábitos.
A transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente se pode operar.
Se conseguimos assimilar essa definição na rotina dos dias, certamente estaremos nos beneficiando amplamente por entendermos que ninguém pode fazer mais que o suportável, sendo inútil acumular sofrimentos para manter metas não alcançáveis por agora.
Exigir de si mais que o possível é dar espaço para tornarmo-nos ansiosos ou desanimados.
Valorizemos com optimismo e aceitação o que temos condição de fazer para ser melhor, mas jamais deixemos de aferir sinceramente, em nosso próprio favor, se não estamos sob o fascínio do desculpismo e da fuga, e procuremos a cada dia fazer algo mais pelo bem de nós próprios e do próximo.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:37 pm

13 - MEDITAÇÃO DA AMIZADE COM O HOMEM VELHO
“A própria destruição, que aos homens parecem o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.”
Santo Agostinho. (Paris,1862.)
O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo III – item 19

Vamos juntos fazer uma viagem ao encontro de nossa sombra.
Antes, porém, recordemos alguns conceitos.
A eficácia do labor de renovação depende essencialmente da capacidade do encontro harmónico com as mazelas que, habitualmente, desejamos ignorar.
Aceitar-se é ter a coragem de olhar para si mesmo, criar uma “auto-cartase”, ser em si mesmo um espelho para analisar as suas reacções e proceder a uma “busca terapêutica” para dignificação.
Aceitação é diferente de conformismo com o mal.
Aceitar-se é admitir a si mesmo suas limitações com finalidades de estudá-las para transformá-las.
Que haja muito discernimento nesses conceitos:
aceitar imperfeições é muito diferente de aceitar erros.
A inimizade com o homem velho é extremamente prejudicial ao desenvolvimento dos valores divinos, porque gastamos toda energia para combater-nos e não para talhar virtudes e conquistar nossa sombra.
Há muitos espíritas que seguem normas lidas aqui e acolá, quando o importante é sermos as normas em nós próprios, descobri-las a partir do nosso mundo singular e inigualável.
Livros e palestras, orientações e vivências dos outros são valorosas referências para ponto de partida de uma longa viagem que terá de ser trilhada com nossos próprios pés.
Nada sofre destruição e aniquilamento, tudo é transformado e aperfeiçoado em a natureza.
Não se mata o que fomos, conquistamos.
Não se extermina com o passado, harmonizamos.
O auto-amor é a medida moral de paz connosco mesmo em favor dos objectivos maiores que almejamos.
Não há liberdade interior sem a presença do amor.
*****
Vamos então meditar e encontrar com nosso homem velho.
Primeiramente ore com unção pedindo a ajuda de teu espírito-guia ou dos amigos desencarnados de tua confiança, para que atua seja uma empreitada bem sucedida.
Faça um suave relaxamento físico e psíquico.
Cuide da posição física e local para que estímulos de fora ou a má acomodação não causem muito prejuízo à concentração.
Utilize uma música branda e de acordes uniformes.
Feche os olhos e guarde na alma a indeclinável certeza de que será uma feliz experiência o teu auto-encontro.
Imagine-se só.
Um campo verdejante, florido, rico de natureza.
Respire o ar do campo, você está muito bem, muito bem. Um bem-estar invade tua alma.
Abra os braços e sinta a brisa roçando teu corpo em confortadora sensação de alívio e esperança.
Sobre sua cabeça está surgindo uma esfera luminosa com luz muito intensa e balsamizante, é o Divino Fluxo de Deus.
Dessa esfera parte agora em tua direcção uma luz de cor prateada-azulada envolvendo todo o teu corpo.
Sinta-se calmo, confiante, capaz e feliz.
Observe agora a alguns metros à sua frente, nesse campo maravilhoso:
Outra esfera idêntica faz o mesmo procedimento.
Você percebe que lá dentro há alguém a agitar-se, contorcer-se e esbracejar-se.
A princípio você se assusta; Mas mantenha seu vínculo com a esfera de luz que te envolve e ore pelo ser do outro cone.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

Não se sabe a razão de sua dor, ele sofre, isso é uma verdade, esse é o seu estado.
Deus o abençoe com paz.
Mas não chegue perto da outra esfera, mantenha sua distância inicial.
Agora observe com mais amor quem está lá.
Não pode ser!
Sim, mas é verdade...
É você mesmo...
Sim, é seu homem velho, sua criação...
Olha-o com amor sem se aproximar...
Procure externar os melhores sentimentos para com ele.
Ele não diz nada, todavia, ouve-te os sentimentos e agora fixa os teus olhos.
Olha-o também, perceba que é uma cópia de você, apenas mais desgastado e triste.
Agora ele está mais calmo e você poderá ter uma conversa com ele.
Vamos nos preparar para isso.
Veja que os cones estão sumindo, contudo, vocês não podem se tocar agora.
Não receie o encontro, mas não lhe toque agora, apenas fale com ele.
Pergunte-lhe as razões de suas tristezas e desgastes.
Indaga-lhe o que quiser ou apenas sinta-o.
Fique assim por algum tempo.
Vá procurando sentir as palavras que vamos dirigir-lhe.
Quero lhe conhecer melhor, meu homem velho, e propor-lhe uma amizade.
Sou responsável por você, sou seu criador, então não lhe posso querer mal.
Pelo contrário, quanto mais amadureço, mais o amo e respeito, sem recriminação, sem repúdio.
Só quero que entenda que não posso mais ceder a seus pedidos.
Conheci Jesus e desejo intensamente os ensinos do Mestre.
Perdoe-me, mas não posso mais atender seus desejos, que em verdade eram os meus em outro tempo.
Amo-o, pode acreditar, embora nem sempre saiba lidar fraternalmente com teus convites.
Mas estou aqui para isso: aprender a sentir teu “calor emocional” sem medos e cobranças.
Venha comigo, você não necessita mais das formas infelizes do prazer como lhe ensinei, venha!
Existem outras coisas que quero lhe ensinar.
Serei paciente.
Sentaremos assim, na relva, um ao lado do outro e ficaremos longamente olhando o horizonte.
Porque não concorde com suas propostas não significa que lhe queira mal, tenho agora outras metas e não posso traí-las.
Sua energia pode ser muito útil a esses novos propósitos, e as metas podem ser nossas, venha, ajude-me!
Quero lhe dar vida, pois do contrário ficará preso ao passado, ficará só, cultivando desejos irrealizáveis, se ferindo.
Disse Jesus:
“Vinde a mim os cansados e oprimidos, eu vos aliviarei...”
Se hoje eu ceder às tuas propostas, serei eu o infeliz, o solitário, o arrependido, e além disso prejudicaremos outras pessoas como fizemos outrora.
Dê-me tuas mãos (mentalize suas mãos estendidas com jactos de luz verde-clara e muito amor; toque as mãos dele).
Ele tem receios, abaixa a cabeça, sente-se humilhado, sem norte.
Olhe em meus olhos, sinta meu sentimento de amor por você.
Você é meu filho e eu o amo como filho.
Venha, abrace-me, Jesus vai nos abençoar.
Faça agora o encontro Divino e redentor, vá, abrace-o com muito amor
(Dê-lhe um terno e longo abraço e permaneça sentindo as emoções desse encontro por algum tempo).
Seu homem velho renova-se em luz e se funde com você em paz.
Procure retornar ao ambiente sensório lentamente trazendo essa sensação de felicidade consigo mesmo, de auto-amor.
Repita sempre a vivência.
O êxito dependerá da disciplina na assiduidade e no cultivo do desejo de melhorar sua vida integral.
Seja feliz sempre.
Todos temos um incomparável valor perante a vida, compete-nos descobri-lo e viver plenamente.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

14 - IMUNIDADE PSÍQUICA
“O médium que queria gozar sempre da assistência dos bons Espíritos tem de trabalhar para melhorar-se.”
O médium que compreende seu dever, longe de se orgulhar de uma faculdade que não lhe pertence, visto que lhe pode ser retirada, atribui a Deus as boas coisas que obtém.

O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo XXVIII – item 9

As tarefas sucediam-se umas às outras no Nosocómio Esperança.
A obra de amor do apóstolo sacramentado tornou-se pólo dispensador das bênçãos da complacente misericórdia.
Naquela manhã, antes mesmo do sol afugentar a madrugada, preparávamos mais uma caravana de aprendizado.
Iríamos acompanhar Dona Maria Modesto Cravo em actividade de assistência fraternal na Terra.
Convidamos uma pequena equipe de jovens que faziam seus primeiros estágios de aprendizado junto à crosta, depois de alguns meses da adaptação pós-desencarne.
Rumamos para o local previamente combinado e lá já encontramos Dona Modesta e outros amigos do Hospital.
Após os cumprimentos, ela explicou-nos a actividade com detalhes, nesses termos:
Nossa intercessão dessa hora é providência de urgência em favor de Cesário, dedicado médium da seara espírita.
Nosso irmão tem se apresentado com disposições valorosas ao trabalho, razão pela qual as investidas espirituais perseguem-no com programação perseverante.
Aproximamo-nos do médium oferecendo-lhe liberdade
aos jovens componentes da equipe, a cena era muito educativa.
Cesário estava preparando-se para as actividades do dia em seu lar através da oração, no entanto, à porta de sua residência, uma chusma de almas postavam-se em atenciosa expectativa.
Percebemos nítido halo magnético provindo das dependências de sua casa abrangendo larga faixa de espaço até a vizinhança, impedindo a entrada daqueles que certamente estavam à espreita da oportunidade para alguma iniciativa infeliz.
Cesário preparava-se para sair e notamos intensa movimentação.
Dona Modesta fez um sinal ao Irmão Ferreira, experiente companheiro dos serviços de defesa, e vimos toda sua equipe em atitudes que bem recordavam os momentos que antecedem os combates da Terra.
Cesário tomou a direcção da rua com seu veículo e o vozerio da turma foi ouvido com estrondo.
Dona Modesta, na condução de condutora, pediu-nos a prece, e o fizemos com emoção.
Após a oração a visão espiritual de todos nós aguçou-se e constatamos, ao lado do médium, a sua amorosa benfeitora envolvendo-o em dulçorosa paz.
Um anel magnético muito luminoso em cores violetas prateadas acomodava-se sobre a cabeça de Cesário, como se fosse uma boina com a parte superior aberta.
Constatávamos que petardos de matéria enfermiça eram atirados sobre o servidor, mas eram dissolvidos integralmente por alguma “força especial” que partia desse anel.
Os jovens, curiosos mas vigilantes nos serviços de apoio, olhavam para mim como a rogar orientação para a hora que se prenunciava como sendo portadora de gravidade.
Observamos então que o trabalhador da mediunidade, tão logo dispôs de alguns momentos, estacionou seu automóvel em razão de súbito mal-estar mental.
Sentia pelos canais medianímicos que algo não estava bem.
Recorreu à prece e percebeu que estava sendo alvo de um ataque de adversários do amor.
Tomou então a iniciativa de criar um laço consistente com sua mentora, estabelecendo um clima de segurança, buscou a leitura refazente e orou com carinho pelos que lhe atacavam pedindo a Jesus pelo bem de todos eles.
Irmão Ferreira, com sua equipe de colaboradores, utilizava-se de recursos eficazes de protecção.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

Rapidamente constatamos que a cilada foi frustrada e todos nos reuníamos a Dona Modesta para agradecer a Deus e aprender um pouco mais.
Assim que foram encerradas as actividades, a devotada servidora do Cristo colocou-se à disposição dos jovens aprendizes para as oportunas indagações.
Sérgio toma a palavra e diz:
- Dona Modesta, podemos classificar as actividades dessa hora como uma desobsessão?
- Certamente.
Podemos dizer que é um género específico de obsessão.
Comumente encontramos três tipos de almas nos capítulos da obsessão:
os nossos credores de outros tempos, os oportunistas que criam vínculos pela invigilância humana e os declarados adversários do bem.
- Em que caso enquadram-se os agressores de Cesário?
- São adversários ferrenhos do Espiritismo que procuram atormentá-lo.
É um caso típico de “obsessão controlada”.
- Obsessão controlada?!!!
- São adversários ferrenhos do Espiritismo que procuram atormentá-lo.
- É um caso típico de “obsessão controlada”.
- Obsessão controlada?!!!
- Nosso irmão apresenta o recurso da humanidade psíquica com a qual nos permite uma tarefa de parceria.
Ele é usufrutuário de um “contrato de assistência” permanente em razão dos méritos a que se faz credor.
Enquanto Sérgio interrogava, os demais amigos mal continham sua ânsia de saber.
Prenunciando a curiosidade de todos, o coração querido de Pedro Helvécio que acompanhávamos a tarefa dirigiu a palavra à nossa instrutora buscando sintetizar as questões.
- Dona Maria, explique-nos, por caridade, sobre aquele anel luminoso na cabeça de Cesário.
- Sim, Helvécio.
É uma criação de almas superiores em favor da obra do bem que todos, pouco a pouco, estamos construindo na Terra.
Chama-se “imunizador psíquico”.
Composto de material rarefeito, mas de alta potência irradiadora de ondas mentais de curta frequência, é um aparelho de defesa mental que concede ao médium melhores recursos no desempenho de sua missão.
Tomada de um impulso, Rosângela, outra integrante de nosso grupo que serviu com louvor as fileiras do protestantismo, indagou:
- Todos os médiuns carregam este anel?
- Não, minha jovem.
O “iluminador psíquico” é uma concessão da misericórdia.
Fruto de um planeamento no tempo...
- O que fez Cesário para merecê-lo?
Será um “espírito santo” com elevada missão?
Terá ele algum mandato diante de Deus?
- Cesário vem se dedicando à tarefa da educação de si mesmo como todos os tarefeiros da Nova Revelação.
Não é portador de missões especiais e nem dotado de grande elevação moral.
Sua qualidade mais saliente, por enquanto, é a devoção persistente que apresenta, ininterruptamente, durante duas décadas no serviço mediúnico socorrista de almas perturbadas.
- Quer dizer então que após um período de serviços de vinte anos os médiuns podem receber semelhante graça?
- Compreendo sua terminologia, considerando sua formação evangélica, mas não se trata de graça, Rosângela, e sim de mérito, justiça e complacência divina.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

Nosso irmão perseverou durante esse tempo, mas além disso integrou o escasso grupo dos servidores doutrinários que apresentam uma rara qualidade.
- E qual é sua qualidade, Dona Modesta?
- Cooperativismo cristão.
Apesar de suas vivências doutrinárias restringirem-se a uma casa espírita, desde os seus primeiros passos nos projectos doutrinários tem se oferecido pelo bem de outras agremiações, devolvendo um estimável labor colectivo junto à seara.
Graça a isso, tem chamado a atenção dos inimigos da causa que procuram desanimá-lo no ideal com sorrateiras armadilhas.
Sua sincera disposição de memória espiritual é seu verdadeiro recurso imunizador, todavia, algumas almas superiores analisaram o pedido de sua amável mentora para que lhe fosse prestado esse benefício para alento e estímulo.
- Sérgio mais uma vez retorna com outra pergunta:
- Será sensato entender essa concessão como prémio?
- Prémio, meu filho, à Luz do Evangelho significa recurso para trabalhar mais, e nosso companheiro na carne já entendeu isso.
Ele tem claramente estabelecido para si mesmo a consciência da “concessão” da qual foi alvo e com objectivos lhe foi outorgado.
Tão logo foi implantado o “anel” em seu cérebro, ele passou a experimentar uma maior capacidade de domínio interior que suavizou as dores íntimas e aplicou-lhe as percepções extrafísicas.
Sua avaliação, entretanto, ao invés de convergir para uma ideia valiosa de dotes morais adquiridos ou virtudes conquistadas, conduziu-se para o que expressa as intenções nobres do plano superior em relação a seu dever, ou seja, amparo para melhor servir.
Desta forma, em regime de parceria que amadurece a cada dia, temos condições de manter as obsessões de nosso irmão sob controle rigoroso e proveitoso.
- Perdoe-me a infantilidade, Dona Modesta, mas não posso deixar de expor meu pensamento:
não haveria aqui alguma parcialidade na ajuda a Cesário?
- Absolutamente, Sérgio, não existe.
Não se sinta tão infantil por perguntar.
É um raciocínio comum para quem veio da Terra há tão pouco tempo como você.
Pediria ao nosso Helvécio que pudesse ler para nós aquele conhecido trecho de O Livro dos Médiuns, para esclarecimento de todos.
Consultando a obra do codificador sem nenhuma dificuldade e como quem já esperava semelhante pedido de Dona Modesta, o nosso amigo destacou o item 268, questões 19 e 20, que dizem:
- “Poderiam os Espíritos superiores impedir que os maus Espíritos tomassem falsos nomes?
Certamente que podem; porém, quando piores são os Espíritos, mais obstinados se mostram e muitas vezes resistem a todas as injunções.
Também é preciso saibais que há pessoas pelos quais os espíritos superiores se interessam mais do que outros e, quando eles julgam conveniente, e preservam dos ataques da mentira.
Contra essas pessoas os espíritos enganadores nada podem”.
- “Qual o motivo de semelhante parcialidade?”
Não há parcialidade, há justiça.
Os bons espíritos se interessam pelos que usam criteriosamente da faculdade de discernir e trabalham seriamente por melhorar-se.
Dão a esses suas preferências e os secundam; pouco, porém, se incomodam com aqueles junto dos quais perdem o tempo em belas palavras.”
- Terminada a leitura, como nada mais restasse a perguntar, nossa instrutora concluiu com orientações que somente poderiam vir de um coração tão generoso e experiente em questões de mediunidade:
- O médium em questão não está isento de sua luta auto-educativa em razão dos “anéis defensivos”, e sempre tendo sido lembrado sobre isso nas suas incursões nocturnas fora do corpo.
Esse “artefacto de protecção” é implantado no corpo subtil entre o cérebro e o corpo perispiritual, junto ao centro coronário, através de uma verdadeira cirurgia que lembra um transplante...
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

E assim como nos transplantes orgânicos podem haver a rejeição, igualmente no tema em foco, se o nosso irmão não continuar alimentando-se das benesses do sentimento da fé e do amor - sustento das nobres realizações -, poderá ocorrer uma “suspensão natural” da imunização psíquica. Até agora, entretanto, Cesário vem demonstrando bom proveito relativamente ao alívio mental da sobrecarga de vibrações que lhe sã desfechadas, utilizando-se desse “empréstimo” para investir mais no trabalho do bem.
Porém, dia virá em que suas defesas naturais superarão os recursos defensivos do anel protector, e ele não mais terá a mesma função.
Nesta ocasião, como sempre acontece com os outros medianeiros, dentre os poucos que fazem credores destes tipos de amparo, sua benfeitora, obviamente, lhe oferecerá outros créditos, sempre visando a expressão da luz de todos.
Os recursos nesse sentido são infinitos como expressões do Amor do Pai.
- Arrematando sua fala sempre sincera e bem humorada, Dona Maria Modesta assim encerrou sua lição:
- Importante considerar que o “anel” proporciona-lhe protecção, inclusive, em relação ao petardos mentais dos encarnados que não lhe são simpáticos aos esforços do bem colectivo.
E não imaginem que seja de fora das lides doutrinárias a origem dessas “forças contrárias” essa é uma questão que deveria merecer de todos os espíritas encarnados uma investigação mais séria, porque, pelo que temos constatado, as obsessões de homem para homem são as mais comuns que imaginam nossos irmãos na carne.
E sem querer decepcionar a ninguém, sou obrigada a concluir que, clareados com luz do Espiritismo, existe muito espírita obsidiando espírita...
Quem sabe, além do género que já mencionei sobre as obsessões controladas, poderíamos classificar mais esse tipo no capítulo das interferências obsessivas, talvez com o título.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:38 pm

15 - DIÁLOGO SOBRE ILUSÃO
“Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus!
Que desilusão!
Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre!”

– Uma rainha de França. (Havre, 1863.)
O Evangelho Segundo Espiritismo - Capítulo 11 – item 8

O que são as ilusões?
Definamos ilusão como sendo aquilo que pensamos, mas que não corresponde à realidade.
São percepções que nos distanciam da verdade.
Existem em relação a muitas questões da vida, tais como metas, cultura, comportamento, pessoas, factos.
A pior das ilusões é a que temos em relação a nós: a auto-ilusão.
Qual a causa das ilusões?
As ilusões decorrem das nossas limitações em perceber a natureza dos sentimentos que criam ou determinam nossos raciocínios.
Na matriz das ilusões encontramos carências, desejos, culpas, traumas, frustrações e todo um conjunto de inclinações e tendências que formam o subjectivo campo das emoções humanas.
Porque a senhora citou que a auto-ilusão é a pior das ilusões?
O iludido pensa muito o mundo “negando” senti-lo, um mecanismo natural de defesa face às dificuldades que encontra em lidar com suas emoções.
Esconde-se atrás de uma imagem que criou de si mesmo para resguardar autoridade social ou outro valor qualquer que deseje manter.
O objectivo da reencarnação consiste em desiludir-nos sobre nós mesmos através da criação de uma relação libertadora com o mundo material.
Se não buscamos essa meta então caminhamos para a falência dos planos de ascensão individual.
Conforme a resposta anterior, o iludido esconde-se de quê?
De si mesmo.
Criando um “eu ideal” para atenuar o sofrimento que lhe causa angústia de ser o que é a criatura foge de si e vive em “esconderijos psíquicos”.
Mas, por que se esconde de si mesmo?
Devido ao sentimento de inferioridade que ainda assinala a caminhada da maioria dos habitantes da Terra.
Iludimo-nos através de um mecanismo defensivo contra nossa própria fragilidade que,, pouco a pouco, vamos extinguindo.
Negar o que se sente e o que se deseja e o objectivo desse mecanismo.
Uma forma que a mente aprendeu para camuflar o sentimento de inferioridade da qual o espírito se conscientizou em algum instante de sua peregrinação evolutiva.
Então, iludimo-nos para nos sentirmos um pouco melhores, seria isso?
Auto-ilusão é aquilo que queremos acreditar sobre nós mesmos, mas que não corresponde à realidade do que verdadeiramente somos, é a miragem de nós próprios ou aquilo que imaginamos que somos.
Uma vivência psíquica resultante da desconexão entre razão e sentimento.
É a crença na imagem idealizada que criamos no campo mental.
É aquilo que pensamos que somos e desejamos que os outros creiam sobre nós.
Nós espíritas, temos ilusões?
Responderei com clareza e fraternidade: sim, muitas ilusões.
O iludido, quando ambicioso, atinge sem perceber as raias da usura; Quando dominador, chega aos cumes da manipulação; quando vaidoso, guinda-se aos pântanos da supremacia pessoal; quando cruel, atola-se ao lamaçal do crime; quando astuto, atira-se às vivências da intransigência; quando presunçoso, escala os cumes da arrogância; e, mesmo quando esclarecido espiritualmente, lança-se aos pícaros do exclusivismo ostentando qualidades que, muita vez, são adornos frágeis com os quais esnobam superioridade que supõem possuir.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:39 pm

Poderia dizer a nós, espíritas, algo sobre nossas ilusões??
Existe uma tendência à auto-suficiência entre os depositários do conhecimento espírita.
Discursam sobre a condição precária em que se encontram assumindo a condição de almas carentes e necessitadas, todavia, diametralmente oposto a isso, agem como se fossem “salvadores do mundo” com todas as respostas para a humanidade.
Essa incoerência na conduta é provocada pela ilusão que criaram do papel do espírita no mundo...
O espiritismo é excelente, nós espíritas, nem tanto...
Nossa condição real, para quem deseja assumir uma posição ideal perante si mesmo, é a de almas que apenas começamos a sair do primitivismo moral.
Alegremo-nos por isso!
Essa auto-suficiência seria orgulho?
O orgulho promove essa condição, é a mais enraizada manifestação da ilusão, é a ilusão de querer ser o que imaginamos que somos.
Essa é a pior ilusão, a auto-imagem falsa e superdimensionada de nós mesmos.
Essa auto-ilusão é sustentada por uma “cultura de convenções” acerca do que seja ser espírita, um resquício do velho hábito religioso de criar “estampas” pelas quais serão reconhecidos os seguidores de alguma doutrina.
Nesse caso, a ilusão desenvolvida chama-se “ideia de grandeza”.
Muitas pessoas desejariam sair prontas para testemunho após pequenos exercícios de espiritualização no centro espírita, entretanto, por ignorarem sua real condição espiritual, fazem da casa doutrinária um templo de aquisição da angelitude imediata.
Querem sair prontos e perfeitos das tarefas e estudos, quando o objectivo de tais iniciativas é capacitar de valores intelecto-morais para repensar caminhos e encontrar respostas para as encruzilhadas da alma, nas refregas da existência.
O que é essa auto-imagem falsa? uma construção mental que se torna a referência para nossas movimentações perante a vida.
É uma cristalização mental, uma irradiação que cria uma rotina escravizante nos sentimentos permitindo-nos viver somente as emoções em uma “faixa de segurança”, a fim de não perdermos o status da criatura que supomos ser e queremos que os outros acreditem que somos.
O que pensamos sobre nós, portanto, determina a imagem mental indutora dos valores íntimos.
Se o raciocínio sofre distorções da ilusão, então viveremos sem saber quem somos.
Como é construída essa auto-imagem?
Através das vivências intelecto-afectivas de todos os tempos dessa criação.
Onde ela permanece?
No corpo mental.
Sua maior expressão é conhecida pelas operações do departamento da imaginação no reino da mente.
Quer dizer que além da auto-imagem temos um “eu real”, diferente do “eu crístico”, que ainda não conhecemos?
Sim. Temos um “eu real” que estamos tentando ignorar há milénios.
Essa “parcela” de nós é a “sombra” da qual queremos fugir.
Todavia, o contacto com essa “zona inconsciente” revela-nos não só motivos de dor e angústia mas igualmente, a luz
que ignoramos estar em nossa intimidade à espera de nossa vontade para utilizá-la.
Aqui chamamos a atenção dos nossos parceiros de ideal para o cuidado com o processo da reforma interior.
Existe muita idealização confundindo aprendizes que imaginam estar dando “saltos evolutivos” em direcção a esse “eu real”, entretanto, em verdade, estão se movimentando na esfera do “eu idealizado”...
Poderia explicar mais profundamente essa questão dos “saltos evolutivos”?
É um tipo de ilusão que normalmente assalta os religiosos de todos os tempos.
Imaginam-se muito melhorados a partir do contacto com alguma directriz ou prática religiosa e, então, passam a viver uma vida idealizada, um projecto de “vir-a-ser”.
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Re: Reforma íntima Sem Martírio - Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Set 23, 2018 6:39 pm

É uma ilusão de que se está fazendo a renovação, apenas uma idealização.
Uma forma de comportar desconectada do sentimento, um adorno moral para nossas atitudes; é o discurso sem a vivência.
O nome mais conhecido deste comportamento é puritanismo.
Como distinguir idealização de mudança verdadeira?
Na idealização pensamos o que somos e, como consequência, vivemos o que gostaríamos de ser, mas ainda não somos.
E o hábito das aparências.
Na reforma íntima sentimos o que somos, e como consequência vivemos a realidade do que somos com harmonia, ainda que nos causem muitos desconfortos.
É o processo da educação paulatina.
Na idealização vive-se em permanente conflito por se tratar, em parte, de uma negação da realidade, enquanto na reforma autêntica a criatura consegue penetrar os meandros dos “sentimentos – causais”, encontrando uma convivência pacífica consigo e aceitando-se sem se acomodar em direcção a melhoras mensuráveis.
Como vencer nossas ilusões?
Desapegando da falsa auto-imagem falsa que fazemos de nós mesmos.
Desapaixonando-se do “eu”.
Para isso somente autoconhecimento.
Havendo esse desapego, conseguiremos libertar os sentimentos para novas experiências com o mundo e consequentemente com nosso “eu profundo”.
Isso desencadeará um processo de resgate de nós mesmos, venceremos a condição de reféns de nosso passado escravizante, saindo da “roda viciosa das emoções” perturbadoras, quais sejam o medo, a culpa e a insegurança.
O processo da desilusão custa sorver o fel da angústia de saber quem somos, e carregar o peso do sacrifício de cuidar dessa personalidade nova que renasce exuberante.
Independente do quão doloroso seja, é preferível experimentá-la no corpo a ter que purgá-la na vida espiritual.
Assinalemos alguns exercícios de desapego dessa paixão que nutrimos pela imagem irreal que criamos de nós mesmos:
-Fazer as pazes com as imperfeições.
- Abandonar os estereótipos e aprender a se valorizar com respeito.
- Descobrir sua singularidade e vivê-la com gratidão.
- Coragem para descobrir seus desejos, tendências e sentimentos.
- Exercitar a auto-aceitação através do perdão.
- Munir-se de informações sobre a natureza de suas provas.
- Aprender a ouvir com atenção o que se passa à sua volta.
- Dominar o perfeccionismo nutrindo a certeza de que ser falível não nos torna mais inferiores.
- Valorizar afectivamente as suas vitórias.
- Descobrir qualidades, acreditar nelas e colocá-las a serviço das metas de crescimento.
Paulo, o apóstolo da renovação, indica-nos uma sublime recomendação que nos compele a meditar na natureza de nossos sentimentos em torno da mensagem do amor; sugerimos que esse seja nosso roteiro na vitória sobre as ilusões:
“olhai para as coisas segundo as aparências?
Se alguém confia em si mesmo que de Cristo, pense outra vez isto consigo"”..- II Coríntios, 10: 7.
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