Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 10, 2018 7:30 pm

Capítulo 08 - Como os Oponentes do Bem Penetram nos Centros Espíritas
"Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes:
Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes"
- Mateus 9:12.

O momento pelo qual tanto ansiei chegou.
Após longo período de preparo e visitações de observação, ingressei nas equipes de apoio emergencial aos Centros Espíritas.
Desta data em diante, dividia meu tempo entre o subsolo do Hospital Esperança e as idas e vindas aos diversos ambientes na vida material que recebiam o amparo das equipes de auxílio.
O Centro Espírita, como célula bendita do bem, é uma das organizações que mais atenção despertam no mundo espiritual, em razão da extensão de seus benefícios espalhados.
Mentores, amigos, pais, mães, filhos, conhecidos e instrutores encontravam elos queridos recorrendo aos labores da casa espírita.
Ali, também, reuniam-se elos de vingança, sintonias espoliadoras, obsessões especiais.
Ao lado de tanta luz e amparo, encontravam-se dramas lamentáveis originados em vidas pretéritas, estabelecendo laços de ódio e maldade.
No Grupo X, três corações eram o centro do tumulto naquele momento:
Calisto, Antonino e Ana.
Companheiros valorosos e dispostos ao trabalho de espiritualização, porém, como a maioria de nós, carregando limites morais estabelecidos pelo orgulho no transcorrer dos milénios.
Calisto é um homem bom, profissional exigente e dirigente de reuniões mediúnicas dotado de rara perspicácia.
Um orientador da mediunidade que auxiliou inúmeros médiuns a se conduzir conforme as directrizes espíritas e evangélicas.
Seu temperamento viril é marcado por uma determinação severa. Um homem cujo cerne das cogitações é a dor dos desencarnados.
A ânsia de socorrer as lutas dos desencarnados, em muitas ocasiões, o promoveu à condição de exagerado em assuntos da vida espiritual.
Suas explicações para os acontecimentos são recheadas por um zelo excessivo com as questões da vida dos espíritos.
Raramente encontra outro motivo para quaisquer assuntos que não sejam as interferências de obsessores e a manipulação engenhosa de mecanismos orientados para a perturbação espiritual.
Ana, uma mãe cuidadosa, é presidenta do Grupo X e dirigente de reuniões mediúnicas.
Carrega uma enorme dificuldade em aceitar os alertas ponderados que a casa está recebendo por intermédio da mediunidade dedicada de Antonino, raiando agora para a descrença, a antipatia e a disputa com o médium, criando, através da maledicência, o contágio de toda a equipe da casa espírita.
Além do que, em razão de inúmeros processos íntimos, atravessa um momento de definição no lar.
Culpa e carência são traços marcantes de sua personalidade.
Por causa da resistência em aceitar os alvitres de nosso plano, sob tutela de Eurípedes Barsanulfo e outros instrutores do bem, começou a questionar as mensagens escritas e as comunicações psicofónicas, criando atritos principalmente com Calisto, responsável pelas actividades mediúnicas do Grupo X.
Além disso, em razão das diferenças com nosso irmão dirigente, alimenta profunda descrença nas ideias de salvamento a Lúcifer, atribuindo a tudo mistificação e exagero.
Antonino, um coração sincero, está atravessando um instante turbulento em sua vida material e emocional.
Médium disciplinado e persistente, vem sendo um canal cristalino pelo qual fluem as premissas para um tempo de inovação e regeneração no seio da comunidade espírita.
Entretanto, ainda nutre muita insegurança em assumir as rédeas de suas responsabilidades espirituais, entregando-se à dependência na condução de seus potenciais.
Estabeleceu um vínculo de submissão com Calisto que o prejudica na consolidação de sua própria identidade psicológica.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 10, 2018 7:30 pm

Embora de nada desconfiasse até aquela data sobre as dúvidas de Ana acerca de sua mediunidade, podia registar uma vibração de incómodo em todo o conjunto para com sua pessoa.
Uma alma carente, com um histórico de desvios afectivos graves, que hoje trabalha intensamente por sua libertação nos catres da solidão interior.
Em face de suas instabilidades emotivas, apresenta um enorme obstáculo para conviver com diferenças e diferentes em sua caminhada reencarnatória.
Especialmente quando percebe que sua conduta está sob análise, apresenta uma doentia sensação de reprovação decorrente de sua baixa auto-estima.
Nossa equipe, sob comando de dona Modesta, doutor Inácio, Cornelius e outros servidores devotados, dirigiu-se ao ambiente do Grupo X.
Uma hora antes da chegada dos membros, acomodamo-nos nas dependências espirituais do centro.
Era a noite das actividades socorristas.
- Todos foram visitados? - perguntou dona Modesta, com carinho, aos vigias.
- Sim, dona Modesta.
- Como se encontram?
- O médium Antonino foi quem apresentou maior resistência às nossas ideias.
Calisto está tenso e Ana foi a única que orou.
- Onde está o irmão Ferreira?
- Na porta da residência de Antonino.
Ele fará a escolta pessoalmente.
- E os clones?
- Hoje já vimos dois deles no quarteirão próximo ao centro.
- Quem clonaram?
- A senhora e o doutor Inácio.
- Perceberam mais alguma movimentação?
- Achamos que está tudo quieto em demasia.
Vamos fazer uma checagem em níveis mais abaixo do solo nas imediações da casa.
- Há algo que não sabemos.
Sinto isso por intuição.
Façamos uma prece conjunta.
Alguns minutos após a prece de dona Modesta, em nosso ambiente o clima era de vigilância máxima.
Estabeleceu-se um silêncio que só foi quebrado com a chegada de Antonino.
Era uma cena nova para mim.
Em torno do automóvel do médium havia um grupo de protectores que se deslocavam por volitação em velocidade idêntica à do veículo, como se a ele estivessem acoplados.
Mais atrás alguns metros, um séquito de espíritos corria a passos largos.
Ele parou o carro diante das dependências do centro e, logo ao descer, pude ver que uma entidade estava algemada ao seu braço esquerdo.
Ao tentar se levantar, o médium apresentou uma dificuldade respiratória, regressou ao automóvel e assentou-se para se recuperar.
Nossa equipe se aproximou e logo o acompanhante espiritual reagiu:
- Não cheguem tão perto eu ou acabo com o médium de vocês!
A entidade era um homem jovem e belo.
Sua voz causou-me estranheza.
Era uma voz de mulher.
Sua maneira de gesticular o braço era igualmente feminina.
Entretanto, seu timbre e postura eram de determinação e total controle da situação.
Ao ouvi-lo, tive um arrepio e pude perceber uma corrente de intenso magnetismo se espraiar entre todos.
- Calma, amigo - falou Cornelius.
- Não sou amigo de ninguém aqui e não se aproximem.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 10, 2018 7:31 pm

Se me atacarem, é ele quem vai pagar.
Eu sei muito bem quem são vocês, capangas de Eurípedes.
Ao se pronunciar desta forma, pegou a mão esquerda e colocou no pescoço de Antonino.
- Só queremos tirar essas algemas.
- Você não vai tirar porcaria nenhuma, velho estúpido!
- Você prefere passar pelo tratamento mediúnico?
- Se for esta a única forma de entrar nesse reduto do Cristo...
- Você se recorda de como aconteceu das outras vezes.
- E não adiantou de nada, pois não vão separar o que Deus juntou.
- De forma alguma.
Não temos nenhuma intenção de separá-los.
Você pode entrar quando e como quiser.
- E fazer o jogo de vocês!
Ha! Ha! Ha! - gargalhou com ironia.
Jamais, velhote!
Sou um camicase das sombras.
Qualquer sobra de espionagem é comigo mesmo...
- Se preferir desta forma, então seja bem-vindo.
- Pare de maluquice, seu cristão de meia-tigela.
Vocês não controlam nada por aqui.
A coisa está na mão de quem veio para mandar!
Vocês... Han!
Vocês são vermes fracassados, feitos para rastejar e querem dominar algum pedaço da Terra.
Lúcifer já fincou aqui sua bandeira!
Enquanto a cena se desenrolava, os luciferianos, chamados por um apito ensurdecedor tocado na porta do Grupo X, chegavam em grandes grupos, permanecendo nos quarteirões vizinhos.
Irmão Ferreira, por sua vez, intensificou toda a equipe em torno da casa.
Pelo menos uma centena de cooperadores, com experiência militar.
Confesso que tive ali meu primeiro instante de medo nas novas actividades.
Não podia prever o que ocorreria com base nos conhecimentos recebidos no curso.
Qual seria o destino daquele encontro fatídico?
Repentinamente, em meio à aglomeração que se formou, saiu dona Modesta.
Com olhar atento na entidade, expressou:
- Stefan!
- Oh, vejam quem apareceu - falou o jovem, com gestos femininos e certa dose de estardalhaço.
Olá, dona Maria!
Achei que não viria hoje!
Para variar, seus capangas estão me enchendo a paciência.
- Você sabe que é bem-vindo, mas nessas condições. .. - e ele nem permitiu a conclusão da fala.
- Nessas condições, sou eu quem dá ordens, dona Maria.
E vocês vão ficar caladinhos e bem quietinhos, não é mesmo? - falou com ironia.
A senhora conhece bem nossa história e tenho certeza de que não vai interferir.
Seu tutelado continua o mesmo carente de sempre!
- De forma alguma, meu querido!
Não vamos interferir!
Nada nos resta senão respeitar a lei que une você a Antonino.
Ambos se necessitam!
- Gosto da senhora por isso.
Somente sua sensibilidade de mulher é capaz de entender o que sinto.
- Não queremos interromper os laços que o tempo construiu.
Apenas suplico que não maltrate o médium e mantenha silêncio na casa.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 10, 2018 7:31 pm

- Quanto a isso, se não abusarem de poder, eu não usarei o meu.
Vou entrar nesta casa e ninguém vai me impedir.
- Como queira, Stefan!
Pediremos a Jesus por vocês dois nos serviços da noite.
- E tem mais uma condição.
- Qual?
- Eles entrarão comigo - e apontou para as demais entidades que acompanhavam o carro de Antonino.
- Tenho também minhas condições.
Cada um entrará acompanhado por um dos guardas de Ferreira.
- Que não valem de nada!
São uns dorminhocos e interesseiros - e olhou para os guardas à porta do Grupo X, provocando-lhes o sentimento com um gesto obsceno, dando um "adeusinho" a eles.
- Se o acordo está feito...
- Como é duro entrar na Casa do Cristo! - e fez um sinal da cruz antes de acompanhar o médium que, instantaneamente, obteve melhora em sua respiração e mal-estar.
Dona Modesta tranquilizou a cena.
O médium, após a recuperação, levantou-se do automóvel, respirou fundo e disse:
- Seja o que Deus quiser!
Antonino estava triste.
Sentia enorme pressão craniana em razão do estado mental desorganizado.
Completamente ligado a Stefan, ouviu parte da conversação acontecida em nosso plano.
Sentiu a presença de dona Modesta, a quem pediu ajuda e, em seguida, dirigiu-se para a intimidade do Centro Espírita.
Cumprimentou os amigos na entrada com indisfarçável melancolia no olhar.
Quando chegou à sala das actividades, encontrou Ana folheando alguns papéis.
Em clima de profundo desgosto, teve a cortesia de saudá-la, no que foi retribuído da mesma forma.
Em nossa faixa de acção, vimos a reacção de Stefan, falando ao campo mental do médium:
- Essa cobra venenosa nem sequer merecia um olhar!
Como é que você ainda suporta essa víbora disfarçada?
Saia da sala, não fique aqui.
Só volte quando os outros chegarem.
Ela não merece seu carinho.
Você ainda não sabe o que ela está fazendo contra você, mas vou arrumar um jeito de te mostrar!
Vá! Vá para outro cómodo!
Arrume alguém para conversar! Vá!
O médium registrou com exactidão as palavras de Stefan.
Não foi difícil, considerando que já estava tomado por uma antipatia contra Ana, mesmo sem conhecer os motivos até aquela data.
Tomado pela indisposição adicional à sua, teve um ímpeto de ir embora e abandonar a tarefa, entretanto, seu companheiro espiritual interferiu, formando-se um verdadeiro diálogo mental em fracção de segundo:
- Ir embora?
Se alguém tem de sair daqui é essa louca.
Nem pensar, Antonino.
Fique quietinho aí que vou dar um jeito nisso.
- Sinceramente, não acredito que mereça passar por isso! - ponderava Antonino em seus pensamentos.
- Com certeza - reforçava a entidade espiritual.
- Não sei mesmo o que fazer.
Estou confuso.
Que decepção a minha.
Ah! Jesus! Eu não suporto mais isso!
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Out 10, 2018 7:31 pm

- Nem o seu Jesus crucificado aguenta isso, homem!
Que cristianismo é esse?!
Essa mentirosa só quer te algemar e tomar você de mim!
Ela não sabe viver sem mandar e controlar a vida dos outros, e não dá conta nem da vida íntima dela!
É uma mulher cheia de culpas!
Uma infeliz que jamais chegará aonde você chegou!
Ela não te merece!
Esse grupo não te merece.
Você é melhor e eles vão ter de caminhar muito para alcançar sua bagagem. Largue esse grupo!
Ele é um peso na sua vida!
Já não chega o peso que você tem de enfrentar com os problemas da vida?
O clima psíquico do médium carregava-se mais a cada segundo passado.
Não suportava mais as vibrações.
O dinamismo do corpo perispiritual estava completamente alterado.
Não seria demais chamar tal estado de enfarto do centro de força cardíaco, pois estava quase totalmente inerte, causando um terrível estado íntimo de desconforto a Antonino.
A região do coração estava com uma tonalidade avermelhada, que desenhava uma pequena aura de aproximadamente uns cinco centímetros em torno do órgão vital.
Dona Modesta mantinha-se vigilante, porém discreta.
Tive, em alguns instantes, o impulso de dirigir-lhe uma pergunta, e lembrei do que aprendi com Cornelius em nossa preparação.
Aquele momento requisitava o melhor de nossos sentimentos.
Pus-me a orar, rogando pelo bem de todas as iniciativas.
Sem conseguir esconder seu estado, o trabalhador deixou rolar uma lágrima, que foi percebida por Ana.
- Está tudo bem, Antonino?
- Não, Ana! Não está!
- Eu sei muito bem o que acontece!
Fique firme! Na reunião de hoje tudo será resolvido!
- Está bem! Está bem! - respondeu o médium com voz embargada de emoção.
Ouvindo a conversa, Stefan protestou com o indicador apontado para Ana:
- Sua infeliz e falsa, você não sabe de nada que acontece!
É uma arrogante sem limites.
Pensa que sabe tudo!
Quem é você?
Assassina de crianças!
Você nem sabe como perdoar a você mesma pelo que fez.
Sua sina é ser uma cobra e se arrastar.
Cobra merece se arrastar!
Arrastar! Arrastar!
Ele actuava com largo poder magnético sobre Ana.
E foi aí que, pela primeira vez, dona Modesta se interpôs.
- Stefan! Stefan!
Basta uma algema! Chega!
- A senhora sabe que essa mulher é a única culpada por tudo o que acontece nesta casa!
- E será você quem vai julgá-la?
- Julgar? A senhora acha que uma tirana merece julgamento?
Eu quero é puni-la.
- Mas você não vai!
- E por que não?
- Porque não tem autoridade para isso e porque punir não educa.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:20 pm

Sua fatia de compromissos já te foi entregue para que Deus os ajude, você e Antonino, a lapidarem o diamante translúcido que existe em suas almas.
Passando disso, você não toca em ninguém aqui.
- A senhora não é fácil!
- Qual de nós é?
- Somos todos uns tiranos, não é mesmo, dona Modesta?!
- Com a diferença de que uns já pretendem largar esse título infeliz.
- E a senhora acha mesmo que essa assassina de crianças - e fez um gesto de ironia com a cabeça em direcção a Ana - quer mesmo deixar esse título?
- Se ela não estivesse fazendo por onde, não teria nosso apoio.
- Não sei como pode acreditar nisso, quando ela ainda faz o que faz.
A senhora, por acaso, tem notícias dos ardis que criou para comandar este grupo?
Sabe o que ela tem feito contra Antonino?
- Em que isso te incomoda, Stefan?
- A mim?
- Você nem sequer faz parte do grupo.
Não gosta do Espiritismo.
Não vem às reuniões.
Qual é seu motivo?
- Bom...
- Eu sei qual é seu motivo!
- Se alguém aqui me interessa é o médium. Nada mais!
- Interessa mesmo? - disse a benfeitora, colocando em xeque a afirmativa da entidade.
- A senhora sabe...
- Eu sei, Stefan.
Ah, se não soubesse!
Com certeza, já teria determinado seu caminho, assim como fiz com o do médium.
Eis a questão!
- Que moral ele tem para voltar e eu não?
- Sua queixa não procede!
Está quase há trinta anos ao lado dele nesta encarnação, e o que fez pelo futuro de vocês?
- E ele? O que fez por nosso futuro?
- Meu filho, pelo futuro de vocês eu não sei responder, mas posso te garantir que pelo dele tem feito muito.
- Agora sou eu quem digo:
eis a questão, dona Modesta, ele vai e eu fico mais uma vez?
- Quem tem de resolver isso, Stefan?
- Nós dois.
- Sim, mas cada um tomando conta do seu caminho.
- Eu não aceito.
- Não aceita e vai buscar ajuda onde?
Com dragões! Não, Stefan!
Veja se tem lógica!
Com sua atitude, deu ao médium uma carta de alforria, sabia?
- Eu pedi aos dragões porque eles sabem do que eu preciso.
- Meu filho, abra seus olhos!
Quantas vezes terei de repetir a você?
Quantas vezes você algemou Antonino?
E para quê? Aonde chegou?
Alguns minutos mal vividos de prazer sexual?
É só isso que você quer?
Seus "advogados" te atenderam em alguma coisa?
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:20 pm

- Muitas!
- Em quê?
- Pelo menos alguns encontros com meu parceiro no corpo consegui como gostaria.
- Antonino não é de ninguém, meu filho.
- Ele é meu e não abro mão para ninguém.
E sei que ele ainda me quer.
- E resolveu o pedido de ajuda?
- Ainda não, mas os dragões disseram que agora vão fazer um "trabalho especial".
- Especial? Stefan! Stefan!
Você já conversou com alguém que tenha recebido estes trabalhos especiais e tenha alcançado o que queria?
- Muitas pessoas tiveram êxito!
- Por quanto tempo? O que é êxito para a luz dos nossos caminhos?
- Quem sou eu sem Antonino, dona Modesta?
- Assuma sua fragilidade, Stefan, e nos te ajudaremos de verdade.
- Fragilidade?
- Será que você já parou para medir com exactidão o tempo, meu caro?
- Como?
- Se você renascer agora, com Antonino à beira dos cinquenta janeiros de vida física, quando atingir a maturidade ele já estará com setenta, quem sabe oitenta.
Estará voltando para cá. E, então, como ficará você?
Será mais um insatisfeito na vida física desejando algo que não sabe onde encontrar?
- Ainda não tinha feito esta conta, mas pouco me importa.
- Pouco te importa!
Não é isso que demonstra.
Vamos seguir passos novos.
Muita coisa boa te espera, se tiver a coragem de seguir o destino ao qual a vida te encaminhou.
Temos laços afectivos seus na França prontos a acolhê-lo na vida física.
- Não quero!
Tenho uma reencarnação encomendada.
Vou tirar o médium desta casa e serei premiado com o retorno ao corpo.
Meu lugar é aqui.
Não quero a França, quero o Brasil e está acabado.
- Se os planos de Deus forem esses, meu filho, não teremos como evitar esse caminho de aprendizado.
Aliás, pense bem, Stefan!
Talvez até no mal haja a vontade de Deus!
- A senhora quer me pirar!
- Não! Quem visse, de nosso plano, o que aqui se desenrola e não estivesse devidamente preparado nas questões da alma, acharia que somos todos uns loucos.
Não queira saber quantas foram as reencarnações promovidas pelos departamentos da maldade organizada que redundaram em resultados inesperados para as hostes das trevas.
Quais lírios no pântano, conseguiram florir para a vida.
- A senhora acha que vou renascer?
- Nessas circunstâncias, nada posso afirmar.
Tudo é possível.
É possível que Ana enlouqueça, Calisto passe por tormentas com a família e Antonino assuma seu próprio destino.
Quem sabe? Aqui estamos para trabalhar pelos Interesses Maiores, e não por vontades passageiras.
- Eu tenho medo de renascer e ele fugir de mim.
- De que lhe adiantará renascer?
Você será um jovem e ele estará em idade avançada, talvez se despedindo da vida material.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:20 pm

Além disso, e se os dragões não cumprirem a promessa e o colocarem distante dele?
E se, ao invés de renascer, você for congelado por eles?
Quem reclamará por ti?
- No fundo, Eurípedes Barsanulfo é o grande responsável por tudo isso estar acontecendo, desde que resgatou Antonino.
Viu o que vocês fizeram?
Impediram nossos destinos de se encontrar.
- Isso é de Deus, meu caro! É de Deus!
- Mas não é o que eu queria, e tenho a certeza de que ele também não - e apontou para o médium.
- Equívoco de sua parte, Stefan!
Você tem notícias
de que ele, nesta existência carnal, tenha se entregado aos prazeres da homossexualidade?
- Com ninguém!
- Acha mesmo que, se ele ainda quisesse viver tais experiências, não as teria vivido?
- Ele está me esperando.
- Te esperando?
- Também, com essa loucura de Espiritismo na cabeça, o que a senhora quer?!
- Foi Antonino quem buscou seus caminhos, meu filho!
Por isso, e somente por isso, tivemos o cuidado de facilitar-lhe a reencarnação.
Não foi o Espiritismo que lhe retirou os desejos ilusórios, e sim sua decisão de mudar que o levou à doutrina.
- Mas ele ainda me quer.
- Cada dia menos.
E menos ainda para sensações grosseiras.
Ele já cultiva novos ideais.
- Sinto-me traído por todos vocês.
Enquanto o amor da minha vida está na matéria, eu aqui estou de mão em mão, de cama em cama...
Não sei o que é o verdadeiro amor que sentíamos há décadas, ou séculos, quem sabe?
Raramente ele sai do corpo e olha para mim, de uns tempos para cá.
Está amando uma mulher, tem filhos.
Era o sonho que tinha para nós, mas agora realizado com uma mulher...
Ai que horrível pensar nisso!
- Nós não te traímos.
Estamos aqui abertos a você.
Quando abrir seus olhos para a verdade, talvez nos compreenda melhor.
- A senhora não mente!
Ele agora sai do corpo e nem sequer olha para mim.
Eu fico lá, esperando um olhar de misericórdia. Um minuto da atenção dele.
- Você constrói seu próprio sofrimento ao não aceitar a realidade.
Está deprimido e não sabe.
- Eu deprimido?
E, porventura, não são reais os meus motivos?
- Você é quem diz que são.
Nós os respeitamos de coração.
- Olhe para mim, dona Modesta!
Sou uma mulher por dentro, mas nem meu próprio corpo espiritual obedece às minhas ordens.
Barba, pelos, esse órgão maldito no corpo - e apontou para sua genitália.
Corpo de homem.
A vida está toda contra mim.
Deus parece ter tanta raiva de mim que nem meu próprio sexo eu posso expressar.
- Deus? Meu caro irmão, você talhou seus caminhos!
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:21 pm

- Sinto-me, também, se a senhora quer mesmo saber, um traidor.
- Por quê?
- Porque a cada dia deito-me com um.
Não suporto viver sem sexo.
Já que não tenho o amor de quem desejo, pelo menos tenho de viver o desejo sem amor, senão enlouqueço.
- Eu entendo!
- Com toda a sinceridade, dona Modesta, me responda - manifestou Stefan com um misto de angústia e raiva.
- Fale!
- A senhora sabe onde este grupo está mexendo.
Eu não tive como recusar a proposta.
Não quero o mal de Antonino, embora não suporte estes espíritas intrusos em sua vida, especialmente esta mandona, presidenta de meia-tigela!
Os dragões estão jogando pesado contra esta casa.
- Eu sei! Aonde quer chegar? Fale!
- Se eu os trair, a senhora acredita que poderiam me achar?
- A menos que você se escondesse pelo resto dos dias.
- Entendeu a razão de eu não poder desfazer meu trato?
- Com certeza!
Creio que almas como você merecem o que procuram.
Cumpra seu trato.
Não foi por outra razão que permitimos sua entrada, esta noite, aqui na casa.
Sua presença não me atormenta, conquanto machuque corações que já estão por demais sobrecarregados no mundo físico.
Como lhe solicitei, apenas suplico silêncio no ambiente.
- A senhora sabe que hoje sou eu quem está aqui, mas logo eles virão.
Os dragões vão dizimar este grupo.
Então por que não parar de avançar e mexer com o submundo?
Quem esta mulher pensa que é?
- Ana é uma servidora, meu filho, corajosa.
- E muito arrogante.
- Pode ser!
- Ela está usando os outros médiuns da casa contra Antonino, e já duvida de sua mediunidade.
É uma descrente fazendo força para continuar.
- De facto, ela é uma mulher infeliz.
Por essa razão, credora de nosso mais incondicional amparo.
- É uma manipuladora de ordens.
Julga-se dona da tarefa.
- Está bem-intencionada.
- Eu não posso acreditar nisso vendo as atitudes dela.
Vocês podem falar o que quiserem de mim e dos dragões, mas não tentem me fazer acreditar que este grupo pode ajudá-lo.
- Aqui todos estão precisando de ajuda, Stefan, essa é a verdade.
- Aqui não é o lugar dela.
Ela não pensa dessa forma.
- Por certo, meu caro Stefan, aqui é o lugar de todos os que anseiam pela luz.
- A senhora não tem medo de que os dragões atinjam seus objectivos?
- Todo objectivo é, antes, de Deus, meu filho!
Eles podem decepar a plantação de flores que poderia lançar o perfume da fraternidade a distância e encantar os olhos cansados de muitos servidores do Cristo nos ambientes do Espiritismo, entretanto, jamais conseguirão extirpar as raízes sólidas que pertencem ao mérito de nossos irmãos encarnados.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:21 pm

Poderão obter triunfo temporário.
Ainda assim, nossos irmãos encarnados, cansados das refregas, persistirão ávidos pelo alimento espiritual que lhes enrijece as fibras no serviço de moralização e evangelização de suas tendências.
O submundo também é a Casa de Deus.
O facto de os dragões se julgarem donos dessas paragens não lhes credita autoridade para agir a seu bel-prazer.
Para os próximos decénios, entre os vários caminhos que serão abertos pelas luzes do Consolador na Terra, a limpeza do submundo é tarefa de prioridade decretada pelo Governador do Planeta.
E esse serviço foi delegado a Eurípedes Barsanulfo e às falanges do bem.
Se as hostes da maldade arregimentam, nesse momento, arsenais contra quem lhes presta acolhida em nome de Jesus, os postos interplanetários, sob a Interferência Augusta do Mestre, dispensam os mais avançados recursos para sanear os delírios da maldade calculada.
A vitória será dos que aprenderem a escolher.
Escolher como andar na Luz, assim como ressalta João, em sua primeira epístola, capítulo 1, versículo 7:
"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado".
- Eu não sei não, dona Modesta!
Tem horas em que fico muito confuso com tudo isso.
- Eu já lhe disse, outras vezes, que você está sendo usado.
- Eu não consigo viver sem Antonino.
- E, no entanto, seu desespero aumenta a cada dia, não é mesmo?
- Cada dia eu o sinto menos.
Chego a pensar que ele não me ama mais, embora ainda tenha saudades do que vivemos.
Ele me ignora. Isso dói!
- Em verdade, a capacidade de Antonino de percebê-lo é reduzida.
- Eu só queria que tudo voltasse a ser como antes.
- Lamento informá-lo, Stefan...
- Já sei, já sei!
Por favor, ajude-me, dona Modesta!
Ajude-me a reconquistá-lo!
- Comece tirando essas algemas, meu filho.
Quem ama de verdade não algema!
- São ordens draconianas, dona Modesta!
Não posso tirá-las!
- A quem você vai seguir?
Não sei! Confesso que não sei!
- Tire as algemas, faça isso por mim!
Você sabe que, se não o fizer, o próprio médium o fará logo mais, quando adormecer e sair do corpo.
Quem ama ampara.
Você, a cada dia, tem menos acesso ao corpo do médium, e menor ainda é sua capacidade de interferir nos desejos dele.
A entidade não suportou a força magnética do carinho de dona Modesta.
Enfiou a mão em um bolso da camisa, pegou uma chave e abriu as algemas.
- Tome! Pobre de mim, quando descobrirem o que fiz!
- Aconselho-te a não sair na rua agora, Stefan.
Desapareça por uns tempos.
Temos amigos no grupo de Ferreira que podem ajudá-lo com alguns endereços.
Se você cooperar, terá largas chances de se manter escondido por uns meses, até que possamos realizar algo definitivo seu destino.
- Eu não suportarei a saudade e voltarei.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:21 pm

Ou, talvez, ele me chame de volta. Quem sabe?
- Vá, meu filho, e não olhe para trás.
Fique alguns dias fora.
Depois, nós mesmos vamos te buscar para rever Antonino.
- A senhora promete?
- Sim, prometo.
- Dona Modesta!
- Diga!
- Tire Antonino deste grupo.
Eles vão acabar com a vida dele.
- Fique tranquilo quanto a isso.
Os destinos destas pessoas estão selados.
- A senhora sabe o que Ana quer com ele.
- Não acontecerá nada.
Fique tranquilo!
- Ele é meu.
- Compreendo seu amor. Agora vá!
Após dizer a última palavra, dona Modesta fez um sinal e dois integrantes do grupo caminharam com Stefan até os fundos da casa.
Em um muro, no fim do lote, estava o portal para a enfermaria espiritual erguida no plano astral do Grupo X.
Ele foi sedado e adormeceu.
Antonino sentiu um alívio instantâneo em seu campo mental.
Algumas entidades que acompanhavam Stefan, logo que perceberam o ocorrido, saíram do ambiente da casa para notificar a seus chefes.
Mesmo com a mente fervilhando de dúvidas, mantive meu clima de aprendiz atento.
Apenas para melhor me localizar na tarefa, interroguei:
- Aonde foram os acompanhantes de Stefan?
- O que eles queriam era vigiar esse pobre coitado e ter uma razão para estar no ambiente espionando.
Agora, que ele mudou de ideia, saíram para denunciá-lo.
- Agora entendi - falei com desejo de perguntar um tanto mais.
As tarefas de amparo emergencial aos Centros Espíritas crescem ininterruptamente.
Compondo tais equipes no Hospital Esperança, a cada dia mais, temos visto a importância de esclarecer os irmãos no mundo físico sobre os cuidados necessários para preservar a instituição espírita dos ciclones de trevas que costumam varrer os melhores planos de fraternidade.
Que será dos Centros Espíritas sem o abrigo protector da convivência sadia e da oração benfazeja?
Como agirá a Misericórdia Celeste nas nobres intenções de protecção sem o mínimo de sentimentos cristãos?
Evidentemente, as agremiações do Cristo não são locais santificados nos quais a dor e a perturbação não possam entrar.
A exemplo do próprio Mestre, que cumpriu sua tarefa junto de pecadores e sofredores de toda natureza, o núcleo espírita é o lugar de quem se arrependeu e quer recomeçar; de quem sofre e de quem enxergou a luz de suas necessidades pessoais.
Quem ainda o imagina como local de angelitude, por certo se decepcionará.
É o hospital para nossas dores, a escola para nossas tendências, a oficina para nossas criações no bem e o templo de refazimento ante os ditames das provas.
Os oponentes do bem, ou mesmo os que ainda não se decidiram por fazê-lo, são bem-vindos à Casa do Senhor.
Por isso, os serviços emergenciais aos Centros Espíritas, em crescente demanda, são também destinados aos trabalhadores, até porque, como no caso do médium Antonino, somos nós mesmos os maiores responsáveis por carrear a treva para dentro de nossas casas de amor.
Jesus entregou Sua Obra nascente a homens falíveis, pescadores singelos.
E, nos dias atuais, a cena se repete.
O tesouro imaculado da Doutrina Espírita, que alimenta a fome do Espírito nos ambientes da casa espírita, foi entregue a criaturas em recuperação.
Nós, os espíritas de ambos os planos de vida, recorremos às tarefas abençoadas do Consolador na condição dos Filhos Pródigos, vazios da Herança Divina que nos foi entregue, mas dispostos a ser úteis.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:21 pm

Capítulo 09 - Discordar sem Amar Menos, A Grande Lição da Fraternidade
"Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos" - I João 2:11

Assim que Stefan se retirou, Antonino apresentou melhoras e, imbuído de melhores sentimentos, resolveu regressar à sala onde estava Ana.
Infelizmente, tudo concorre para acontecimentos lamentáveis quando o clima espiritual perde a protecção da fraternidade legítima.
Ao regressar, o médium encontrou um quadro desagradável.
Ana e duas dirigentes de actividade mediúnica conversavam em voz baixa:
- Vejam vocês se não tenho razão!
Isso é pura vaidade e perturbação.
Em minha opinião - afirmava Ana -, acho mesmo que deveríamos afastar Antonino e submetê-lo a um tratamento espiritual.
- De minha parte - falava a outra companheira - não tenho a menor dúvida de que se trata de uma obsessão.
Onde já se viu receber mensagens de entidades tão elevadas!
As informações de outros médiuns todas confirmam isso.
- De outros médiuns?! - entrou Antonino na conversa, surpreendendo as três.
- Antonino! - reagiu Ana, desconcertada, tentando reunir as mensagens psicografadas esparramadas em cima da mesa.
- Que isso?!
Agora vocês vão ter de me esclarecer direitinho tudo o que está acontecendo aqui!
Calisto já havia me falado sobre uma reunião de directoria para tratar de assuntos mediúnicos da casa, mas sempre achei que ele colocava pano quente no assunto, e agora pego essa conversa secreta de vocês a meu respeito.
Eu quero saber o que está acontecendo agora!
- Antonino, desculpe-me, mas isso é assunto de dirigentes!
- E quem disse que autorizo vocês a pegarem estas mensagens e julgarem sem me consultar!
- Você não precisa autorizar nada, Antonino.
Essa é nossa tarefa na direcção desta casa e vamos cumpri-la.
Médium tem de ser analisado! - exclamou convictamente.
- O médium ou o seu trabalho?
Porque do jeito que você tem agido nesta casa, quem está sendo analisado sou eu como pessoa, e não minha mediunidade.
- Ambos devem ser analisados.
- Com que fim? Excluir?
Por que até agora não sou colocado a par do que vem acontecendo nesta casa?
Sinto que algo não vai bem aqui e ninguém diz nada.
Reunião de directoria, conversas em surdina...
- Sim, algumas coisas não vão bem, e você sabe muito o que são...
Infelizmente, era aqui que Ana mais se descuidava.
Possuidora de uma índole sincera, algumas vezes penetrava na condição de franqueza mórbida.
Não era uma mulher de mentiras, mas, a pretexto de honrar a verdade, sempre foi invigilante em sua forma de expressar o que pensava.
Antonino, infelizmente, que mal havia saído de uma faixa espiritual perturbada minutos antes, não teve forças e qualidades para reagir de outro modo.
- Quem você acha que é para ter a voz da verdade, minha irmã!
Acho que esta casa inteira está em obsessão, a começar por você, com sua arrogância.
- Antonino, você não enxerga a manipulação sobre você! - falava a dirigente completamente alterada na voz e na vibração.
Veja a ilusão na qual se atolou! - e apontou para as mensagens na mesa.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:22 pm

Só você e Calisto, que ainda passa a mão na sua cabeça, é que não enxergam isso, meu amigo.
- E quem são esses médiuns a quem vocês se referiram?
Por acaso andam sondando minha mediunidade por intermédio de outros médiuns?
- Não falem nada! - determinou Ana, que olhou com firmeza para as outras duas companheiras dirigentes.
Esse é um assunto da direcção.
- Então é assim que se dirige uma casa do Cristo?
Com segredos!
Tolo que sou de acreditar em vocês!
Só que agora vou querer saber tudo sobre o que esta tal reunião de directoria decidiu.
Eu sabia, por intuição, que tinha algo a ver comigo.
- Mas é claro que diz respeito a você!
E com quem mais seria?
- Venho notando sua conduta estranha comigo, Ana, há um bom tempo.
O que aconteceu?
De repente, nesta altura da conversa, ouvimos um barulho ensurdecedor, como se fosse um vento uivante vindo de longe e chegando cada vez mais perto.
Um temor me invadiu com aquela ocorrência.
Não conseguia detectar de onde vinha.
Olhei para dona Modesta, que estava de olhos fechados, como se tomasse alguma providência de segurança.
Diversas entidades e parentes desencarnados que estavam no Grupo X naquela noite, acompanhando pessoas à reunião pública, ou que lá estavam para receber amparo, tiveram a atenção despertada para o facto e se aproximaram da sala onde nos encontrávamos.
Alguns vigias atentos, após isso, isolaram o ambiente fazendo uma protecção.
Todos os presentes, incluindo irmão Ferreira, aguçaram os olhares para o solo.
Vimos sair de dentro do chão do Centro Espírita, na sala onde se fazia aquela discussão, uma espiral de cor azul-escura muito bem desenhada, rodopiando em velocidade avançada.
Ela surgia do solo indo para cima, exactamente na posição da cadeira onde se assentava Ana.
Ela foi subindo pelo corpo da dirigente, e notei que, quando atingiu a região da cintura da companheira, a velocidade reduziu a ponto de quase parar.
O som desapareceu.
Em seguida, continuou a subir como se estivesse deslizando pelo tórax e envolvia agora todo o seu corpo.
Quando chegou à cabeça, o movimento parou por completo.
Olhando daqui para o plano físico, era como se uma roupagem azul, parecida com um casulo, encobrisse todo o corpo de nossa irmã.
Subitamente, ela sentiu um mal-estar mas continuou:
- Eu vou te dizer o porquê desta mudança, Antonino.
Olha só a vibração que você acabou de me enviar.
Eu estava bem até sua entrada.
Eu me sinto agora como se tivesse um manto em torno de mim com seu negativismo.
São suas companhias que fazem isso.
Só você não está sabendo sobre a gravidade de seu quadro espiritual.
- E você, por acaso, esta mediunidade toda para saber disso assim?
- Nem é preciso, meu amigo.
Estão acontecendo coisas demais por aqui para não desconfiar disso.
- Quer dizer que estou sob julgamento nesta casa!
- Todo médium que se preza deve estar sempre sendo analisado.
- Eu só quero saber se estou sendo analisado ou excluído, porque a conversa que ouvi entre vocês três falava de afastamento.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:22 pm

- Sim, não podemos mentir!
É disso que o grupo acha que você precisa.
Um afastamento para se tratar.
- O grupo? Então tem mais gente sabendo disso, ou melhor, será que somente eu não estou sabendo de nada?
- Fui a favor de te contar tudo, mas Calisto é seu defensor.
Ele que responda por isso.
- Defensor?
Confesso que isso tudo está me fazendo muito mal.
Meu Deus! Eu sabia que havia algo de errado aqui.
Se vocês soubessem em que estado vim para cá hoje, pensando nas piores coisas.
Certamente pelo amparo do mundo espiritual tive uma melhora, e agora isto...
- O que prova que você não está bem.
Fizemos consultas fora do Centro e todas as entidades, até em Centros de Umbanda, falam da obsessão de que você padece.
Temos, agora, um retrato fiel vindo dos amigos espirituais.
- E como você acha que me sinto, Ana, pegando vocês nesta conversa infeliz?
Nem sequer posso discutir minhas supostas obsessões?
Vocês vão dar mais valor ao que vem destas consultas do que aos meus próprios sentimentos?
Cada vez mais o clima se alterava.
Aquele casulo, acoplado a Ana, transformou-se em uma matéria gelatinosa.
Notei que partículas estranhas vinham de fora do Grupo X como uma poeira no ar, que se depositava naquela matéria que parecia em ebulição, como se fervesse, aumentando a temperatura do corpo da dirigente.
- Temos de ser sinceros, Antonino!
Não é isso uma prova de amizade?
Não é isso o que os Espíritos falam?
A importância do afecto nas relações não é o tema predilecto dos amigos espirituais desta casa?
- E você chama de afecto esta atitude?
Esconder, fazer fuxico, falar pelas costas?
Por que não me procuraram para conversar, se estão com dúvidas?
- Você não suportaria nossas observações.
Está sempre demonstrando melindre quando corrigido.
- Eu? Em que situações vocês presenciaram essa atitude?
Meu Deus, quanta confusão!
- Você não aceita, Antonino! É rebelde.
De mais a mais, todo o grupo acha que o que você quer mesmo é notoriedade.
Está ficando muito conhecido com seus textos mediúnicos e vai precisar de nosso apoio mais do que nunca.
Sem equipe, você vai fracassar!
- Onde é que vocês estão com a cabeça, Jesus!
O que eu tenho feito para merecer esse tipo de juízo?
Quando foi que demonstrei não querer o apoio da equipe?
- Você não sabe trabalhar em equipe.
Está acostumado a liderar sozinho, e o que os Espíritos estão nos ensinando é serviço em grupo, no intuito de nos corrigirmos uns aos outros.
- Corrigindo desta forma?
- Então não quer ser corrigido?
- Corrigido?
Vocês estão me julgando, condenando e sem direito a participar, discutir, colocar meu mundo pessoal de visão.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Out 11, 2018 7:22 pm

Isto é, no mínimo, uma peça inquisitorial.
Eu exijo saber o que foi discutido na reunião de directoria e que informações vocês receberam de outros médiuns.
É meu direito.
Para mim, isso é que é uma equipe.
- Ah, pode esquecer, meu irmão!
A mim você não convence nem manda!
Você não vai saber nunca!
Quem é você para exigir alguma coisa aqui!
Ê este o seu problema: quer mandar, ser o único.
Não se submete a autoridade de ninguém.
Quer ser o médium principal, destacar-se em relação a todos e ainda quer que o adulemos.
Aquilo que os Espíritos falam sobre trabalho em equipe você despreza e não vive.
Você e Calisto formam uma dupla que quer dirigir o centro e ser os mais destacados.
Pensa que não sei que querem formar uma chapa para me tirar?!
Somente por serem possuidores de uma folha de serviço de longos anos acham que têm mais autoridade?
- Você vê com maus olhos a possibilidade de alguém a substituir? É isso?
- Médium jamais pode presidir um Centro Espírita, meu irmão!
E lutarei sempre para que isso não aconteça aqui no Grupo X.
Jamais teremos aqui um médium principal, um missionário.
Aqui todos trabalham e todos têm importância.
- E, porventura, acha que eu penso diferente de você nesse ponto?
- Só vocês dois é que não sabem quanta obsessão existe em torno dos seus passos.
- É possível que não saibamos mesmo!
Pois as "autoridades" consultam seus médiuns de confiança e organizam um índex contra nós.
Vocês julgam e nos abominam sem ouvir o que pensamos.
- Eu, sinceramente, não confio mais no trabalho que vem por você!
- Nessa altura das coisas, Ana, dou pouca importância para sua confiança, principalmente depois de tudo o que ouvi aqui.
Já venho sentindo seu clima de disputa comigo desde a comunicação do doutor Inácio, quando você, em plena tarefa, retirou-se, abandonando-a.
Será que as verdades ditas por ele te feriram?
Ou será que não suportou tanta claridade diante das alertivas?
Ou, ainda, quem sabe morreu de inveja da autenticidade mediúnica que ele usou para provar sua presença mediante o socorro ao filho de uma de nossas companheiras de trabalho?
Quanto mais passavam os minutos, mais Ana estava irritada e destemperada.
Não sendo uma mulher de meias palavras, externou:
- Você acha que tempo de Espiritismo é autoridade, Antonino, e quer dominar, como sempre fez com os grupos por onde passou.
- De onde você tirou isso, Pai do Céu!
- Não se faça de fingido.
Tenho informações de tudo o que se passa nesta casa.
- Isso, para mim, está muito claro! Informante é o que não te falta por aqui!
Na verdade, embora resistisse à ideia, já não guardo mais dúvida alguma sobre um complô neste grupo.
- Complô?
- E você é a grande articuladora, pois, com sua capacidade de manipular, acaba convencendo as pessoas daquilo que quer.
Você disseminou ideias neste grupo acerca de minha pessoa que não sei se conseguirei reverter.
- Se não reverter é porque é verdade.
- Então você confirma sua maledicência?
- Maledicência, não! Franqueza com a verdade.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:54 pm

- Eu vou começar, então, a falar a verdade sobre você também Ana, e como terminaremos neste grupo?
Veja o clima em que nos encontramos.
Será que este é um grupo cristão?
Dúvida, fofoca, raiva, climas inamistosos, mentiras, descrença com a mediunidade, complô...
Onde vamos parar, Ana?
É isso que você chama de sinceridade?
- Eu sei muito bem aonde vou chegar.
Sigo as orientações que os próprios guias têm oferecido a esta casa.
- Ah! Você tem realmente sido muito afectiva!
Especialmente comigo.
- Não me venha falar de afecto, Antonino, quando você nem sequer consegue colocar um sorriso no rosto.
Será que não percebe isso também?
As pessoas chegam para mim e perguntam o que está havendo com você, para manter um cenho tão carregado.
Como pode um médium, com tantos anos de Espiritismo, ser tão carrancudo?
- Meu Deus! Agora vai regular até meus sorrisos!
- Já que você não desconfia, alguém tem de corrigi-lo.
Quanto mais discutiam, mais o ambiente vibratório do Centro baixava.
Mas o mais grave estava por vir.
Calisto chegou ao ambiente e ouviu a discussão que corria em voz alterada. Entrou na sala e disse:
- Que está acontecendo aqui, gente?!
As discussões estão sendo ouvidas lá no salão!
- Veja só, Calisto, a que ponto chegamos! - disse o médium com ironia.
Veja só o que está nesta mesa! Minhas mensagens mediúnicas, sofrendo todo tipo de reprovação.
- O que é isso, Ana? - manifestou o dirigente já alterado.
- É que nós, dirigentes, fizemos uma reunião esta semana, em minha casa, para tomar algumas decisões com relação à parte mediúnica do Grupo X.
- Na sua casa?!
- Qual o problema?
- Nenhum, Ana!
Nenhum problema! - respondeu Calisto completamente tomado de irritação.
Então você faz uma reunião para avaliar as actividades, e eu, coordenador de actividades mediúnicas do Grupo X nem sequer tomo conhecimento ou sou convidado?!
E você ainda me pergunta qual o problema?!
Ana enrubesceu diante da colocação.
Observei que a cada minuto passado naquele clima seu tónus magnético se desvitalizava.
Aquela matéria que se agregou ao seu corpo apresentava agora uma cor cinza-claro e, aguçando a visão mental, percebi que pequenas gotículas escorriam da cabeça para os pés, formando uma pequena poça de líquido viscoso no chão.
Era como se ela suasse por todo o corpo.
Olhei, então, com mais atenção e me deparei com uma cena assustadora.
Em meio ao líquido que se acumulou no solo da sala aos pés de Ana, pude ver algumas "bocas" que se mexiam como se bebessem aquela gosma.
Subiam, chupavam e desapareciam no solo.
Com um diâmetro de aproximadamente trinta a quarenta centímetros, aquela poça continha pelo menos umas cinco "bocas" que se alternavam naquele movimento.
Quando estava pronto para me aproximar, dona Modesta colocou a mão em meus ombros e solicitou oração, impedindo-me de chegar mais perto.
E o conflito prosseguia...
- Sentimo-nos mais à vontade assim para tomar nossas decisões.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:54 pm

Você anda muito envolvido emocionalmente com o médium Antonino.
O grupo acha que você o protege em demasia.
De mais a mais, há vários questionamentos ao seu fanatismo com essas ideias de salvação de Lúcifer.
Todos acham que sua mania de grandeza perdeu o limite por completo.
- É brincadeira!
Eu não consigo acreditar que chegamos a este ponto!
Uma reunião na socapa!
Só pode ser obra das trevas!
Será que vocês não percebem a manobra que estão criando sobre vocês?
- Que alternativa nos restou diante de sua intransigência de sempre?
- O que você chama de intransigência?
- Você não ouve mais ninguém nesta casa, Calisto.
Nem mesmo o seu médium protegido você tem ouvido, porque você divulgou algumas mensagens dele sem consentimento, e fui informada que nem mesmo Antonino concordou com sua atitude.
E você o que fez?
- Fiz o que devia!
- Fez o que te aprouve.
Para variar, não escutou a opinião de ninguém.
E aqui estamos nós, Calisto, em um conflito que não sei se tem solução.
- Para mim, eu já encontrei a solução, minha amiga!
Esteja certa de que diante de tanta política de sua parte, estou declarando formalmente minha candidatura à presidência do Centro.
- Demorou! Não faça de conta, Calisto!
Todos sabem que era isso que você mais desejava!
Sua mania de grandeza não tem limites.
Caminha para a perturbação.
Como pode acreditar que nossa humilde casa teria esta importância atribuída aos supostos serviços socorristas aos abismos onde se encontra o génio das trevas, Lúcifer?
Antonino, com a chegada de Calisto, calou-se em completa desarmonia íntima.
As duas companheiras, que a tudo presenciavam desde o primeiro instante, estavam estarrecidas.
Dois médicos atentos ao incidente, em nosso plano, aproximaram-se de Ana e fizeram um sinal a dona Modesta.
Ela estava à beira de um desfalecimento em razão da instabilidade emocional.
Sua pressão caiu assustadoramente.
A energia vital era sugada por uma fonte que vinha daquelas "bocas".
O embate não cessava.
- Para mim, chega, Ana!
Aqui foi a gota d agua!
Estamos cozinhando este assunto há meses. É o fim!
- Também acho que seja o fim, o fim de tudo!
- Se não temos capacidade de discutir, vamos ter de conflituar.
Protegerei esta casa dessa investida trevosa custe o que custar.
Farei de tudo para não deixar a casa do Cristo nas mãos dos luciferianos que querem te envolver!
- Casa do Cristo!
Como ainda tem coragem de usar esta expressão com tanta manipulação de sua parte, Calisto?
- Você usa pessoas dentro desta casa para vender uma imagem, minha filha.
Ou pensa que não sei de sua ânsia para me afastar da coordenação das mediúnicas?
Uma cilada muito inteligente das trevas!
- Você, como presidente desta casa, significa um convite para que pelo menos metade dos trabalhadores saiam daqui, isso sim!
Acha mesmo que ficariam com você à frente?!
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:54 pm

- Eu não duvido disso, tendo uma política de bastidores tão bem articulada como a sua.
Estou a par de todos os telefonemas que tem dado, e pensa que não sabia da reunião de socapa que fizeram?
No seu grupelho tem gente fiel a mim, compreendeu.
- Se você quer partir para política, vamos para a disputa.
- Pense bem, Ana!
Infelizmente, sua vida não vai nada bem.
Acha que não sei também dos seus assuntos pessoais?
Você não está dando conta nem de manter de pé o seu marido, que enfurnou no alcoolismo, e quer presidir um Centro Espírita?
A fala de Calisto estourou todos os limites da dirigente.
Ela não suportou ouvir aquele desaforo e, sem força para dizer algo mais, afogou-se no pranto, pegando no braço de uma das amigas ao lado, suplicando ajuda.
Sua cor empalideceu.
As amigas, percebendo a situação, solicitaram a Antonino e a Calisto que se retirassem da sala e cessassem o bate-boca.
O ambiente ficou irrecuperável.
Dona Modesta e os servidores de nosso plano, procuravam medidas de apaziguamento.
Um médico encarnado presente na casa socorreu a presidenta, que logo recobrou sua condição, embora mantivesse sua instabilidade emocional.
As reuniões da noite estavam prestes a começar no Grupo X.
Orações e passes foram distribuídos.
Houve palestras e conversas fraternas.
Quando se desfez a reunião da noite, já passava de vinte e duas horas.
Ana, ainda amparada por algumas amigas que a levariam para casa, mostrava-se totalmente abalada.
Calisto mantinha-se sisudo e muito preocupado.
Antonino sentiu enorme mal-estar com tudo o que aconteceu pelo resto da noite.
Quando saímos do ambiente do Centro, pudemos
constatar que várias daquela espiral vinda do subsolo estavam, igualmente, no jardim da casa e à porta do Centro, na rua.
O barulho, por vezes, fazia-se atordoante, quando duas ou mais delas rodopiavam em larga velocidade, recordando um pião no sentido anti-horário, sempre em direcção ao chão.
Para um olhar desprevenido como o meu, em fase de aprendizagem, confesso que cheguei a achar estético todo aquele conjunto de doze ou quinze vórtices, que recordavam também pequenos ciclones artisticamente talhados para enfeitar.
O trabalho seguiu noite adentro.
Quando pudemos nos refazer, já passava das duas horas da madrugada no relógio terreno.
Fui descansar, mas sei que dona Modesta e outros servidores continuaram, com desvelo, em compromissos de rotina na protecção ao lar de Ana, Calisto, Antonino e todos os outros companheiros daquela casa de serviço espiritual.
Abri o Evangelho para fazer meu preparo para o sono e meditei alguns minutos na fala abençoada da primeira epístola de João, capítulo 2, versículo 11:
"Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos'.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:54 pm

Capítulo 10 - Homo-afectividade e Mediunidade
"Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda" - Romanos 14:14.

As equipes socorristas nos serviços emergenciais reúnem-se todas as tardes no Hospital Esperança, em busca de alternativas e soluções para os casos que acompanham.
Logo no dia posterior aos intensos labores, o Grupo X foi o alvo de nossas considerações.
Acompanhei atentamente o encontro, juntamente com Juliano e outros cooperadores, que, como eu, iniciavam suas lições práticas de auxílio.
Após cinquenta minutos de intensa discussão e variadas ponderações, medidas foram planejadas para o futuro.
Quando nos preparávamos para regressar aos afazeres diários, foi a própria dona Modesta que nos chamou para uma conversa edificante.
Acomodada em confortáveis poltronas na sala da benfeitora, a equipe de aprendizes que integrou a caravana da noite anterior foi convidada a manifestar dúvidas e sugestões acerca das actividades no Grupo X.
Não me contive na curiosidade!
Fui o primeiro a trazer minhas questões.
- Dona Modesta, sonhei a noite toda com os labores de ontem.
Em meus sonhos, vi Antonino, Calisto e Ana em época remota junto aos velhos mosteiros italianos de Génova.
Eles estavam sendo ameaçados por várias cobras, que os cercavam de todos os lados.
E, de repente, Santo Doménico, o salvador das pessoas mordidas pelas cobras, pulou no meio deles e, com um gesto de poder, afastou todas elas, secando-as em seguida.
Acordei com recordações nítidas do sonho.
Pode me dizer algo?
- Nossos irmãos, como já lhes informamos, compõem uma grande família por laços de compromisso.
Seu sonho procede quanto ao local e o simbolismo.
Eles, de facto, estão cercados por intensa e venenosa pressão.
- Stefan faria parte dessa pressão?
- Diria que é apenas uma ponta do imenso iceberg de lutas às quais todos, naquela casa espírita, encontram-se submetidos.
- E quem é Stefan?
Que laços o prendem a Antonino?
- Stefan e Antonino já se amaram muito em tempos distantes.
Génova e Paris foram palcos de episódios decisivos na jornada de ambos.
Experimentaram a vivência homossexual em mais de uma vida carnal.
No presente, o médium guarda tendências ainda marcantes de semelhantes recordações que outrora lhe trouxeram prazer, mas também infelicidade.
Suas inclinações, entretanto, não o levaram a repetir tais vivências na presente existência em razão do amparo de que foi cercado e da presença determinante da culpa em seu campo mental.
Em seu histórico espiritual, serviu voluntariamente às hostes dos dragões do poder na condição de soldado.
Entre as regalias de que dispunha pela posição, requisitou a companhia de Stefan, que veio a reencontrar nas furnas na função de vigia de locais periféricos ao Vale do Poder, nos quais eram trancafiados os traidores para castigo e sevícias.
O resgate de Antonino provocou em Stefan um ódio incontido em relação ao Hospital Esperança, que, até hoje, ainda não consegue esquecer.
Razão pela qual resiste às enfermarias e aos tratamentos que lhe oferecemos.
- Então Stefan é usado pelos dragões?
- Serve-lhes na esperança de conseguir uma reencarnação.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:55 pm

- Ele ainda está sedado na enfermaria do Grupo X?
- Completamente.
- E vai mudar quando acordar?
- Por inúmeras vezes lhe prestamos amparo.
Ele quase sempre desiste de tudo e retorna ao mesmo ponto.
- Dona Modesta, tenho comigo uma velha pergunta que trago desde os meus tempos no corpo físico.
Mediunidade tem algo a ver com homossexualidade?
- Em que aspecto?
Clareie sua pergunta!
- Os médiuns são portadores de homossexualidade?
- Os médiuns ostensivos são portadores de uma energia yin muito acentuada, a energia do feminino, da sensibilidade.
Sem esse traço afectivo, dificilmente teria o médium condições de alcançar as subtilezas da vida nas quais costuma penetrar.
Isso, porém, não implica, necessariamente, ser feminino na expressão de seu desejo afectivo-sexual.
- Mas existem médiuns homossexuais?
- Uma boa parte deles.
- Por quê?
- Alguns, porque já faz parte de seu contingente de vivências.
Outros, porque o ascendente energético da energia Yin pode inclinar o médium aos roteiros da atracção por pessoas do mesmo sexo.
Isso, porém, não é determinante a ponto de eliminar a possibilidade da escolha.
Outros ainda, sublimam os impulsos homossexuais e vão adiante.
Outros querem manter sua continuidade, enquanto outros, ainda, a repudiam em conflitos severos.
A mediunidade, de alguma forma, é um buril educativo do feminino humano existente em todo ser.
A humanidade penetra o estágio da sensibilidade ou do desenvolvimento do feminino como ponto de equilíbrio das conquistas intelectivas até então amealhadas.
O assunto é profundo e merece uma análise cuidadosa para não tomarmos a palavra "feminino" no seu aspecto rudimentar, ainda tão usado nas sociedades da vida física.
- No geral, então, a mediunidade influencia nos traços psicológicos da sexualidade!
- A rigor, sim.
- A senhora, como mulher e médium, sofreu alguma alteração nesta área, dona Modesta, quando no corpo físico? - indagou uma de nossas companheiras que integravam a equipe de aprendizes.
- Certamente, Maristela.
Vivi num tempo em que o preconceito social tinha forte influência sobre meu projecto reencarnatório.
Mãe de quatro filhos e avó, trazia na intimidade a angústia típica dos médiuns em assuntos da vida afectiva e sexual.
Para a mulher, os filhos são o maior alimento, e as experiências exigentes neste sector amenizam a carga erótica que poderia tombar para rumos inadequados.
Hoje o mundo mudou.
Os tabus estão caindo e as pessoas estão se dando ao direito de viver suas experiências, conforme suas tendências.
Partimos do extremo da repressão para o extremo da liberação.
A vivência sexual, para quem foi iluminado com o conhecimento espírita, deve passar por outro género de conduta.
O discernimento sobre a natureza das aspirações que buscamos é um ponto crucial neste tema.
Saber o que queremos e estamos buscando para nossa própria felicidade é fundamental.
Todavia, a grande maioria, tão logo os hormônios talham os apelos para a prática do sexo, entrega-se às loucas experiências da paixão e do prazer, retirando de si mesmos o ensejo da disciplina que lhes permitiria, primeiramente, o amadurecimento psíquico e emocional, para depois, então, decidir sobre a essência do que melhor preencheria sua sede afectiva e sexual.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:55 pm

Muitos médiuns, nesse passo, tiveram a companhia da culpa como mestra de suas existências.
Qualquer desvios para os nossos irmãos, guarda um significado extremamente oneroso às suas consciências.
Por esta razão, a contenção tem sido, até agora, a melhor alternativa.
Isso não impedi-lhes de experimentar a força dos apelos que lhes consomem.
Em geral, tem esposa, filhos, mas intimamente buscam mapear seus reais e profundos anseios no intuito de melhor aproveitarem sua prova.
Na verdade, eles têm mais sede de afecto do que de prazer neste terreno.
No entanto, aqueles que não trazem, predominantemente, o buril da culpa e que carregam de forma mais incisiva a busca do afecto ou, usando a mais recente expressão, a homo-afectividade, não só sentem enorme necessidade afectiva e sexual de alguém do mesmo sexo como não conseguem, naturalmente, sentir-se atraídos por pessoas do sexo oposto.
- Confesso que a senhora me espanta com a naturalidade com que trata o tema!
- Por qual razão, Maristela?
- Não sei bem, mas... quando na vida física aprendi que mediunidade com Jesus é incompatível com a homossexualidade.
- A mediunidade com Jesus é incompatível com a perturbação, minha filha.
Com o desequilíbrio e com o abuso. É só isso!
- E, porventura, para vocês, aqui no mundo espiritual, homossexualidade não é perturbação?
- Nem sempre!
- E por que não?
- Não é a homossexualidade, por si só, o problema, mas a conduta afectiva nela inserida.
Homossexualidade, na medicina espiritual, não é doença, é uma expressão sintomática do desvio afectivo.
- É difícil entender isso!
- Não é mesmo um assunto fácil.
É bem complexo e faz parte dos estudos de fisiologia profunda dos corpos espirituais.
- Eu misturo muito, na minha cabeça, afecto com sexo.
Não sei onde começa um e acaba outro.
- Será que você consegue admitir a possibilidade de que duas pessoas do mesmo sexo podem se amar?
- Sem dúvida!
Desde que não pratiquem sexo.
- Por qual motivo?
Acaso o sexo lhes retiraria o amor?
- Acho que sim.
- Acha?
- Não. Tenho certeza!
Quero dizer...
- Você está confusa, Maristela?
- Estou sim, dona Modesta.
Minha cabeça está em "parafuso"!
- São os tabus!
Conceitos rígidos demais!
- Confesso à senhora que, para mim, é difícil admitir que sexo praticado com pessoas do mesmo sexo inclua amor.
- Só me dê um motivo e eu te darei razão.
- Ai, dona Modesta!
Não me aperte!
- Não acredita que duas mulheres ou dois homens possam ser carinhosos, fiéis, honestos no afecto e terem prazer na relação corporal?
- Sinceramente, isso não entra na minha cabeça de jeito nenhum!
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:55 pm

- Por que será, Maristela?
- Ai! Estou ficando sem jeito perante os meus amigos, dona Modesta!
- Sem jeito?!
- Encabulada.
- Estamos no mundo da verdade, minha filha.
Não se esconda.
- Por que a senhora não fala mais de seu tempo como mulher?
Quando lhe perguntei... - e dona Modesta nem a deixou terminar, no intuito de colocá-la mais à vontade.
- Quando me perguntou, você queria saber, na verdade, se tive alguma atracção por outra mulher, não foi?
- Desculpe, dona Modesta, não queria ser inconveniente.
- Inconveniente?
Abra seus olhos, Maristela.
Aqui é a vida da realidade inconfundível, da verdade incorruptível.
A conveniência que trazemos do mundo físico quase sempre é uma atalho de fuga para não ter de tratar de assuntos incómodos.
- Está bem! Eu vou falar!
A senhora sentiu algo por outra pessoa do mesmo sexo?
- Você sentiu, Maristela?
- Mas eu quero saber da senhora!
- Você quer que eu responda para te abonar?
- Estou me sentindo na berlinda.
- Só pode se sentir na berlinda quem tem algo a esconder e não lida bem com isso.
- É verdade, dona Modesta, eu tenho algo escondido, e me sinto péssima com isso - expressou a senhora com visível vergonha estampada no rosto.
- Este o maior problema em assuntos da sexualidade, a fuga, a negação da realidade interior, a indisposição humana de olhar com honestidade cristalina para seus conflitos pessoais.
Morrer com um segredo mal resolvido é problema do lado de cá na certa.
- O que a senhora acha que deveria ter feito, então?
Assumido meus impulsos?
Se fizesse isso, arruinaria o Centro Espírita por inteiro e - parou para pensar no que diria - eu tinha muito a perder.
Quando deu por si, Maristela percebeu que estava colocando segredos muito íntimos diante de todos nós.
Dona Modesta solicitou que nos retirássemos e esperássemos no lado de fora da sala, para uma conversa mais íntima com ela, e disse que logo a seguir nos chamaria para a continuidade do diálogo grupal.
Só me é possível narrar o que vem a seguir porque a própria Maristela tornou-se uma amiga e confidente de minhas vivências no dia a dia do Hospital Esperança, e autorizou-me a narrá-la.
Saímos todos e a conversa continuou:
- Agradeço que a senhora tenha me permitido uma maior intimidade.
- O facto de buscar o encontro com a Verdade nem sempre inclui a exposição pública, minha filha.
Fale, estou fraternalmente a seu dispor!
- Estou me sentindo engasgada, dona Modesta.
- É sua chance de falar, minha filha.
Quantas mulheres se colocaram na condição de mãe para te ouvir como eu?
- Acontece que não a vejo como mãe, dona Modesta.
- Fale mais.
- A senhora foi a primeira e única pessoa capaz de despertar minha confiança e meu amor do lado de cá, entendeu?
- E lhe despertei também os impulsos, não é isso o que quer me dizer?
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:55 pm

- Sim. Creio que esteja ficando louca, mas tenho de dizer que a senhora...
A senhora me envolve.
- Eu sempre percebi seu olhar, Maristela.
Compreendo suas lutas.
- Desculpe-me por minha loucura, dona Modesta!
Não consigo mais fugir de mim mesma.
Sou uma mulher perturbada.
Não sei o que fazer diante disso.
Sinto-me como se duas mulheres existissem em mim.
Uma honesta e limpa e outra suja e forte.
Uma é a presidenta de Centro Espírita, a outra uma prostituta obsidiada que só respira sexo.
- Qual de nós, nas faixas evolutivas neste planeta, não é assim, Maristela?
O apóstolo Paulo assevera um princípio fundamental nos temas que ora reflectimos em sua epístola ao povo romano, capítulo 14, versículo 14:
"Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda".
- Eu me sinto imunda e, o pior, nunca experimentei o prazer como gostaria.
- Foi responsável.
O que já é um grande avanço!
- Tive marido e filhos, e os amava.
Meu marido foi um óptimo companheiro nos prazeres sexuais.
Ele deveria me bastar, mas...
Ainda assim a satisfação no lar não me foi suficiente para exterminar o desejo.
- O instinto é o alicerce do amor.
Sob fascínio da atracção sexual somos capazes de fazer qualquer coisa por alguém.
A atracção mobiliza nosso interesse, e o interesse nos conduz à atitude.
Não será este o princípio primário do amor?
- No entanto, nada fiz de concreto por mim, quanto mais por alguém.
Nunca tive atitude em relação a tal desejo.
- E do que sentia falta?
- Sentia falta da delicadeza feminina, do odor depurado da mulher, da pele macia, do carinho mais do que da sensação.
- Manteve-se fiel?
- Sim, mantive-me.
Ainda assim, persistiam em mim apelos quase irresistíveis, fantasias que já me acompanhavam desde a adolescência, quando tive diversas namoradinhas secretas, uma brincadeira de escola.
- Fidelidade não deixa de ser um sinal da presença do amor nas relações afectivas.
O casamento é muito educativo no tema da vida afectiva.
- Por muitas vezes, julguei-me desonesta com minha família e, particularmente, com meu esposo.
Pratiquei o auto-erotismo.
Não tinha outra saída, já que não conseguia pensar na possibilidade de uma parceira de comunhão afectiva.
Já sabia de minhas inclinações antes de me casar, e imaginei que a vida a dois poderia eliminá-las por completo.
Meu desespero começou quando percebi que, mesmo obtendo satisfação no casamento, era ainda assaltada por fantasias homossexuais com amigas queridas do próprio Centro Espírita.
- A sexualidade tem expressões múltiplas em cada um de nós, minha filha.
Já vivemos quase todos os tipos de manifestação neste terreno, trazendo na intimidade a bissexualidade.
- A senhora acha, então, que seria natural ter uma parceira fora de casa?
- De forma alguma!
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:56 pm

Isso arruinaria suas possibilidades de crescimento e estabilidade consciencial.
- E, ficando somente nesta contenção do desejo homossexual, aconteceu algo de bom para mim?
- A contenção dos prazeres sempre é factor de avanço, ainda que a contragosto.
Não nascemos apenas para fazer sexo.
Carecemos aprender a usar essa força em diversas áreas.
Na contenção, você aprendeu muito com esta lição.
- Mas não extingui meus desejos.
- E nem poderia.
- E porventura, existe alguém que apenas contendo sublimaria essa tendência?
- Só com a contenção não.
A disciplina para educar precisa vir acompanhada de muitos outros movimentos da alma na direcção da harmonia e da compensação do prazer.
- Meu casamento seria, então, uma espécie de freio aos meus desejos?
- Sem dúvida!
- Eu me sentia muito ajustada como mulher.
Adoro ser mulher.
Nunca me vi num corpo masculino ou exercendo qualquer função inerente a tal sexo, mas trazia por dentro os ímpetos que jamais consegui entender em relação ao feminino.
Tinha reacções físicas instintivas em certas situações, envolvendo o sexo feminino.
- Como lhe disse, são as diversas vivências de outrora.
- Mas e a dor que a gente sofre, dona Modesta?
Que vergonha sentia de meus filhos, mais até do que de meu próprio marido, que nunca desconfiou.
- A dor só surge, nestes casos, quando o Espírito está buscando sua rota particular, seu mapa pessoal para Deus.
Do contrário, como fazem muitos, você não resistiria à prova e se entregaria ao que acreditava ser o melhor para você.
- E se fizesse isso seria uma queda, um fracasso reencarnatório?
- Para muitos sim, para outros não.
- Ai, ai, ai!
A senhora está me confundindo!
- Como determinar julgamentos neste tema, Maristela?
Conheço pares que viveram a homossexualidade e nem por isso foram fracassados em suas reencarnações.
Cada qual com seu histórico de êxitos e insucessos, decisões e intenções compõe uma estrada única para a existência, conforme os ditames da orientação consciencial.
Portanto, como estabelecer decretos de fora quando tudo é determinado pelo que sentimos por dentro e pela natureza das nossas atitudes na esfera da responsabilidade?
- Será que fui covarde em não enfrentar minhas tendências?
- Será que assumi-las seria enfrentá-las?
- Continuo confusa, sinceramente. Deixe-me ver se entendi!
- Fale.
- Será que o facto de minha mediunidade ser tão ostensiva poderia ter influído na activação deste meu desejo pelo feminino?
- Em parte sim.
- E em parte...
- É seu histórico reencarnatório.
- O que a senhora sabe sobre esta parte?
- Temos analisado as fichas da turma de estudos.
Todos vocês têm laços muito intensos com a questão das provas que envolvem a sexualidade.
- Todo o grupo?
- Sim.
- Incluindo o senhor Marcondes, que foi internado?
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 12, 2018 7:56 pm

- Ainda mais ele.
- Qual é nossa situação, dona Modesta?
- Vamos falar da sua somente?
- Ok! Concordo!
- Você viveu suas duas últimas reencarnações em uma luta severa para sair da prática promíscua.
Teve casos de infidelidade seguidos de muita culpa.
Seu maior desejo é mudar o rumo de suas experiências.
- Por muitas vezes, cheguei a imaginar que tinha uma obsessora me perseguindo, causando-me a natureza dos prazeres homo-afectivos.
- Obsessão surge por questões éticas e comportamentais e não, necessariamente, por inclinações sexuais.
Suas tendências são suas.
Ninguém precisa as estimular para você senti-las.
- Mas e no caso de Antonino?
Ele tem conduta digna perante a família e um obsessor!
- Cada história, uma história.
Cada caso, um caso.
A conduta recta de Antonino o preserva de travos obsessivos gravíssimos, porém, não pode libertá-lo completamente da lei de sintonia em torno de suas características psíquicas.
Além disso, a mediunidade dilata todo o contexto de suas inclinações com o componente feminino da energia Yin, causando-lhe grande saudade das vivências de outrora.
Neste caso, inclusive, confesso que é muito difícil definir quem é obsessor de quem, Antonino de Stefan ou o inverso?
- É possível saber quem fui?
O porquê de minhas vivências?
Jamais imaginei que, sendo mãe, poderia tomar contacto com tal experiência novamente.
- Para muitos, após a formação da família, nunca mais se tem tais impulsos.
Neste caso, o impulso homossexual é de origem actual, nem sempre significando vivências de outro tempo.
- Existiria um plano para renascermos homossexuais?
- O instinto sexual é a base evolutiva do amor.
Existem planos para renascermos com aquilo que somos em busca do amor legítimo.
Se a homossexualidade fizer parte do conjunto daquilo que somos,
ela se expressará no rol das inúmeras experiências afectivas e sexuais da alma.
O planeamento é para uso e redireccionamento das tendências morais que carregamos connosco.
Imprimimos no corpo a natureza afectiva e sexual de nossa condição mental. Somos aqui, no plano extrafísico, a continuidade do que forjamos em repetidos ensaios na vida corporal.
E, ao regressarmos ao novo corpo, levamos connosco um projecto de recomeço, mas todo esse projecto tem como ponto de partida a retomada daquilo que um dia deixamos na última peregrinação carnal.
- Então existem homossexuais que já renascem assim?
- Existem. E, muitos deles, não todos, chegam a planear laços de afecto e união conjugal.
- E quais casos de vivência homossexual estariam fora dessa programação reencarnatória?
- A maioria deles.
- Por quê?
- É necessária muita definição íntima em relação ao assunto, pois do contrário o caminho da homo-afectividade é recheado de culpas, dor e perturbações.
- E qual a posição do tema homossexualidade nos dias atuais?
- O planeta passa por um momento de definições.
Mais que nunca, o Espírito eterno anseia pela Verdade libertadora.
Especialmente a Verdade sobre a realidade pessoal.
Sem isso, como ajustar nossa conduta e nosso padrão moral para um tempo de regeneração?
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