Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 19, 2018 8:14 pm

Seu intuito era me ver.
Foram anos assim.
Até que, em certa ocasião, foi novamente assediado pela falange mordaz.
Debaixo de intensa pressão, começou a me acusar dizendo que eu era a mãe dele e que eu não queria assumir por vergonha.
Espalhou boatos pela cidade.
E do amor saltou para o ódio.
Tinha absoluta certeza de que era meu filho, e cada dia mais intensificava tal crença.
Minha família passou por alguns inconvenientes com o assunto.
Já não éramos bem-vistos na cidade por sermos espíritas, agora então...
Pedi ajuda a Eurípedes, e ele me recomendou oração.
Contou-me que Matias havia sido resgatado por sua mediunidade em Sacramento pelos idos dos anos de 1900.
Doutor Bezerra, por sua vez, nas comunicações mediúnicas em nossas sessões, pedia amparo incondicional para o jovem.
Infelizmente, sua perturbação atraiu-lhe o pior.
Matias foi assassinado em dezembro de 1929.
Até hoje não se sabe por quem.
Envolveu-se em alguma trama afectiva.
Passados três meses de seu desencarne, começou novamente a perseguição.
Após uma reunião na qual minha família tomou decisões cruciais pela construção do Sanatório Espírita de Uberaba, em maio de 1931, quando saíamos, ouvi alguém gritar:
"este hospital será para internar minha mãe, que vai enlouquecer!".
Era Matias, que havia regressado ao posto que deixara nas hordas da maldade dos dragões, antes de reencarnar.
Apresentava-se todo paramentado e prometia vingança por não assumi-lo como filho.
Desde então, e agora mais intensamente, vemos que ele tenta cumprir o prometido.
—Meu Deus! -exclamou Inácio.
— Tenho um amor especial por ele, Inácio - e deixei correr um filete de lágrimas.
Farei tudo para ajudá-lo.
Sinto que ele cobra algo justo, que o tempo não conseguiu anular na fieira das reencarnações...
— Conte comigo, Modesta!
Tratamos os loucos daqui, por que não cuidar dos de lá, não é mesmo?!

12 Terminologia do actual Código Internacional de Doenças, portanto, adequada à nomenclatura moderna.
13 Eurípedes Barsanulfo -(Sacramento, 1 de maio de 1880 — Sacramento, 1 de novembro de 1918) foi um professor, jornalista e médium espírita brasileiro.
14 Araguari -cidade do Triângulo Mineiro.
15 O Ponto Bezerra de Menezes foi fundado pela família de Maria Modesto Cravo em janeiro de 1919.
Três vezes por semana havia uma reunião de desenvolvimento mediúnico e assistência a diversos enfermos.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 19, 2018 8:14 pm

Capítulo 3 - Socorrendo o Ex-dragão Matias e Dialogando com Eurípedes Barsanulfo
"E a condenação é esta:
Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más."
-João, 3:19.

O dia passou no relógio, mas estacionou em minha mente.
A conversa com Inácio trouxe-me sensações estranhas, que acentuavam meu mal-estar.
Tivemos muitas outras situações imprevisíveis naquele dia tormentoso.
Os ataques espirituais pioraram na véspera da reunião mediúnica, faltando ainda duas horas para seu início.
A falange de Matias procurava insistentemente por ele.
Sentia-me ligada a lugares de pavor que ignorava sua localização.
Durante a tarde, Inácio e eu fizemos preces continuadas por recomendação de Eurípedes Barsanulfo, que me orientou se tratar de um dia muito especial em nosso aprendizado.
Quanto mais se aproximava o instante da mediúnica, mais se intensificavam as reacções psíquicas, emocionais e, igualmente, as pressões espirituais.
Após oração e rápida leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, iniciamos a tarefa.
As luzes permaneciam acesas.
Em muito diferiam as características em relação às atuais actividades de intercâmbio espiritual.
Somente após o surgimento da magistral obra Desobsessão, de André Luiz, na década de 60, muitas mudanças foram inseridas no contexto de tais actividades.
Matias chegou semiconsciente, em uma maca, trazido pela amiga espiritual Clarisse, que, já neste tempo, servia ao bem em comunhão com a equipe de Eurípedes Barsanulfo.
Minha vidência expandiu-se naturalmente e pude perceber seu estado.
Estava cianótico.
Apiedei-me.
Sua pele, da altura do tórax até o abdómen era como a pele de um réptil.
Gomos diversos de cor verde escuro, muito lisos, duros e com leves saliências.
Ele estava apenas com pequeno saiote de tecido elástico.
Nos braços, trazia um brasão de ouro.
Esculpido em formas curvas, fechavam com um símbolo contendo o dragão, em pequena rodela com dois machados acima do brasão.
No dedo um anel de igual expressão.
O conjunto parecia um uniforme da brigada romana das legiões.
Ressonava agitado.
Chumaços de algodão foram colocados em suas narinas para deter um líquido viscoso que escorria, devido às abusivas técnicas mentais de soltar "fogo pelas ventas".
Trazia uma larga ferida no lado esquerdo da cabeça de aproximadamente dez centímetros, já suturada, resultante das rixas daquele dia em frente ao sanatório.
Os olhos, embora fechados, permitiam perceber as órbitas em constantes movimentos involuntários, um frenesi por baixo da pálpebra.
Vez por outra, os abria e fechava.
Eram completamente cor de sangue com uma íris pequenina.
A modificação perispiritual era de impressionar.
Qualquer pessoa menos experiente, ao ver Matias diria que se tratava de uma maquiagem, uma fantasia muito bem feita de um réptil.
Os dedos muito alongados eram tomados por volumosos pelos.
O mesmo ocorrendo com as pernas.
O porte físico lembrava o de um guerreiro romano, alto e com larga caixa torácica.
A cabeça raspada tinha duas insígnias na nuca que recordavam símbolos romanos, e a testa sinuosa remetia-nos aos velhos ancestrais símios.
Três barbatanas salientes ornavam o alto da cabeça.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 19, 2018 8:14 pm

Em quase nada recordava o menino simples e franzino da roça que havia conhecido alguns anos antes.
O rosto nos fazia lembrar Matias, quanto ao mais...
Clarisse cuidava com desvelo da entidade.
Seu quadro mental inspirava cuidados.
Não poderia recobrar a consciência de súbito.
Ele se remexia em espasmos involuntários a ponto de quase cair da maca.
Vimos, então, o grupo de enfermeiros acomodá-lo mais confortavelmente para que ficasse de lado.
Foi então que tive a surpresa de ver uma cauda maleável qual fosse de plástico, que saía da altura do cóccix e se apoiava sobre as nádegas.
Matias a mexia causando-me uma estranha sensação, que a custo contive.
A cauda era uma extensão do chacra de vácuo - um pequeno nadi16 no cóccix que, ao longo da evolução, vem se tornando muito potente e funciona como o chacra mais ligado às energias grosseiras.
Uma verdadeira antena emissora e transformadora de forças telúricas.
Entretanto, os pés sofreram metamorfose incomparável.
De facto, em nada recordavam a anatomia humana.
Eram patas com três apêndices, dedos gordos com unhas afiadas como garras de águia.
No geral, o corpo de Matias apresentava uma temperatura elevada, perto de quarenta e dois graus.
Pressão sanguínea fora dos padrões humanos, em torno de 18 por 9.
Tubos diversos ligavam seu corpo a aparelhos muito similares aos atuais balões de oxigénio.
Eram depósitos de forças vitais.
Não fosse isso, o simples facto de identificar pela vidência um dragão em estado de liberdade seríamos automaticamente, vampirizados, com danos à saúde física.
Os dragões, conquanto essa anatomia aparentemente imobilizante, são muito ágeis, violentos e muito resistentes à dor, apresentando uma fisiologia perispiritual predatória capaz de consumir energia de qualquer fonte, causando desorganização energética onde estiverem.
São de estatura elevada e corpo atlético.
Alguns chegam a medir, em estado habitual até dois metros e cinquenta.
Seu estado mental transmitia uma incómoda sensação de vazio, de não existir.
Como se houvesse um buraco no lugar do coração.
O sentimento mais conhecido que tinha como referência era a tristeza, entretanto, havia algo pior ainda.
Era algo que imobilizava, estimulava a vontade de deitar eternamente.
Os pensamentos, desencontrados e sem nexo, não completavam nenhum raciocínio.
Definir esse quadro como loucura seria incompleto.
Como fossem abundantes gotas de suor, escorria ao longo da cabeça uma matéria nauseante de cor verde-lodo derramando-se sobre os lençóis da maca.
Era a matéria da loucura sem referências, os fluidos da perturbação e da desarmonia consciencial.
Propositadamente, Clarisse orientou-me a investigar detalhes da situação externa e interna de Matias.
Logo a seguir, passei a descrição a Inácio e a outros amigos que conduziam a reunião.
— Modesta, pergunte ao senhor Eurípedes o que podemos fazer ponderou Inácio.
— Ele me diz que estão preparando Matias para o diálogo.
Eu sairei do corpo e você conduz com firmeza.
Ajude-me a não permitir a incorporação total, pois ele está muito fraco.
Qualquer agitação lhe fará mal.
Fora da matéria, Clarisse, com carinho, aproximou-me do doente, assentei em uma cadeira e encostamos testa a testa.
Ele tomou um choque e começou a recobrar a consciência com percepção do ambiente físico.
O contacto com meu corpo perispiritual restabelecia algumas de suas funções.
— Quem são vocês? -indagou.
— Somos amigos! -respondeu Inácio.
— Ah, então veja se não é o doutor da loucura! -expressou com dificuldade.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 19, 2018 8:15 pm

— Sou Inácio Ferreira, do Sanatório Espírita de Uberaba.
— Eu sei quem é você, maldito!
Um louco com pose de sadio!
— Não posso contestar, Matias!
— Então sabe com quem está falando?
— Claro que sei.
— Onde está a megera da minha mãe?
A tal Modesta, que de modesta só tem o nome!
Uma falsa que tem vergonha do próprio filho.
— Você fala por ela.
— É uma mentira!
— Você fala por ela.
— Deve ser um sonho.
Que medicação me aplicou, doutor de...
Onde está minha mãe?
Onde está a Modesta? -falou aos berros.
Acha que também estou louco, não é seu verme?
Quero falar com ela agora.
Quero dizer-lhe umas verdades.
Ai! Que é isso!
Que dor é essa na cabeça... - Matias sentiu um mal súbito ao tentar se levantar da maca.
— Matias, você está muito machucado e fraco.
Procure fazer o mínimo de esforço.
Quem sabe pode conversar comigo?!
Temos quase a mesma idade.
Fale-me de você.
Posso lhe fazer uma pergunta? -Inácio, como de costume, conversava com a entidade como se falasse com um encarnado, modo típico de conduzir suas actividades espirituais.
Você é doutor e eu o que sou?
Um camponês infeliz e agora sem o que fazer.
Nem mesmo no inferno me querem por lá.
Não consigo mais ser um dragão.
— Por que você nos ataca no sanatório?
Foi alguém que mandou?
Que lhe fizemos de pior?
— Doutorzinho de nada!
Acaso não sabe sobre a Modesta?
— Quem te disse que ela é sua mãe?
— Eu tenho certeza de que é.
— Não é! A história é muito diferente do que você imagina ou contaram.
Nós sabemos quem é seu pai e mãe verdadeiros.
— É mesmo, doutorzinho!
Será o senhor o meu pai? Será?!
— Está perdendo seu tempo, Matias!
Modesta e eu sabemos bem sobre a sua vida.
Vida que, diga-se de passagem, foi muito cruel com você, mas ninguém passa por dores sem motivo.
— Eu fui um ingénuo, doutor!
Uma criança-ninguém.
Abandonado pela vida, pelos pais, pela sorte.
Só mesmo o demónio lembrou-se de mim.
Deu-me "sossego".
Aplacou minha dor.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Out 19, 2018 8:15 pm

— Ilusão, Matias! Pura ilusão!
Veja seu estado! Animalizou-se.
— Isso o assusta doutor!
Acaso acha que seus loucos deste sanatório ao sair do corpo são mais estéticos?
— Você tem razão!
Não discuto os meus loucos, mas você.
— Por que se preocupa comigo?
Acaso está com culpas, doutor?
Será um pai arrependido que largou o filho?
É essa sua culpa, seu desertor?
— Engano seu, Matias.
Só lhe quero bem pelo ideal que abracei junto ao Espiritismo-cristão.
— Esse ódio que sinto pela minha mãe...
Ai, se Deus me ouve aplaca meu ser...
Eu não quero existir, mate-me, Deus, por favor, ou então deixe-me acabar com ela!
Matias silenciou por um minuto.
Alterando sua fisionomia e remexendo-se de forma inquieta, continuou sua fala.
— Minha mãe, eu te amo e te odeio a um só tempo!
Matias entrou em uma convulsão profunda e perdeu os sentidos novamente.
— Modesta! -chamou-me Inácio.
Volte à matéria.
Está me ouvindo?
— Estou sim, Inácio! -exclamei aos prantos.
— Tenha calma, Modesta, tome o lenço!
Após alguns instantes de refazimento e usando a imposição de mãos sobre a cabeça, conforme orientações recebidas de Eurípedes, eu estava melhor, embora ainda muito emotiva.
A comunicação mediúnica breve pareceu-me uma eternidade.
— Que aconteceu durante o transe, Modesta?
— Comecei a entender a razão de Matias pensar que sou sua mãe.
Vi cenas de um tempo histórico.
— Podemos saber mais detalhes?
— Creio que não serei eu quem vai esclarecer.
E, alterando a fisionomia e a voz, com naturalidade, passei a psicofonar Eurípedes Barsanulfo.
— "Meus filhos paz e esperança na alma!
Na vida nada é improviso.
A semeadura obedece à ordem natural.
Primeiro o plantio.
Depois a colheita.
Eis o instante de revelações inadiáveis.
Desde a vinda do Cristo à Terra, o inferno regurgita seus últimos estertores.
Ainda assim, a faina do mal é patente, grotesca.
Mesmo na agonia, não desistem de dominar.
Após a crucificação do Senhor, iniciou-se o aprisionamento da mensagem do Evangelho nas celas do dogmatismo e da formalidade.
O pai do mal, representando legiões de famanazes da crueldade, decretou o período das trevas no mundo.
A Idade Média, nascida com o declínio do Império Romano, inaugurou uma fase de mil anos de escuridão nos roteiros espirituais do planeta.
A ordem era não permitir o renascimento na carne.
Processos tecnológicos avançadíssimos e ignorados no mundo físico até hoje foram desenvolvidos no intuito de criar a "não vida".
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:57 pm

Com uma população reencarnada em números perfeitamente controláveis, as legiões da maldade estabeleceram o tempo negro da humanidade.
Controle total no intuito de revidar a vinda de Jesus ao solo terreno.
Primeiro manietaram-lhe a mensagem nas masmorras da instituição formalizada e dogmática.
Em seguida, fincaram alicerces para o domínio cultural, mental e espiritual.
As algemas da culpa nunca foram tão insufladas.
Com esse sentimento construíram o mais amplo cárcere de todos os tempos na psicosfera da velha Europa, mantendo almas escravas na erraticidade e evitando o reencarne.
Pátios de dor e loucura avolumaram-se consideravelmente em nosso plano.
Dante Alighieri chegou a ponto de mapear o inferno em suas nocturnas incursões.
Não é sem razão conhecida como o período das trevas essa faixa cronológica da história terrena.
Bilhões de almas cativas e sob controle ferrenho das falanges perversas.
O pai do mal chegou a decretar sua vitória quando o papado oficializou a inquisição em pleno século XII.
Jesus, entretanto, programava um novo tempo.
A Renascença, a Reforma, o Iluminismo, a extinção do teocentrismo foram alguns dos movimentos culturais e políticos que arejaram o ambiente sufocante da Idade Média.
Mais tarde, o Espiritismo, a ciência e a renovação da ideia de Deus no mundo viriam detonar a Era Nova, na qual o Cristo, em contraposição aos prognósticos mais sombrios, deixava claro o Seu governo amoroso e sábio.
Os últimos quinhentos anos do planeta podem ser considerados a fase do escoadouro.
Uma dilatada infecção no ecossistema da Terra está sendo drenada para a matéria.
O renascimento em massa.
Com a chegada da indústria, o homem amplia seu campo de conforto e cuidados.
O século XX será o tempo da limpeza, a reencarnação será o antibiótico contra as velhas doenças morais encasteladas nos pátios da maldade.
A culpa assumiu forma física e chamou-se loucura, infelicidade, vazio, obsessão, malformações, tumor, escabiose psíquica, carmas de vários teores.
Fazemos parte deste cenário de lutas e dores.
Aguardam-nos momentos decisivos na caminhada espiritual.
Preparamo-nos no presente criando o futuro.
E esse futuro, para nós, chegou.
Somos um grupo enorme de almas que assumiram graves compromissos com a mensagem cristã.
A França do século XVI foi o palco do primeiro passo em direcção ao remorso para milhões de seres.
A chegada de Matias a essa casa é o início de um trabalho que vai durar pelo menos dois séculos de intenso labor pelo bem.
O destino deste grupo é resgate e educação, em face das responsabilidades assumidas outrora.
O Sanatório Espírita de Uberaba é o embrião de uma quitação da insana Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, em Paris.
Nossa equipe trabalhará pelo erguimento de nossas próprias consciências à luz do Evangelho.
Matias é um espírito retirado dos charcos mais miseráveis do submundo debaixo de um lampejo de arrependimento.
Reencarna quase louco na família Valois que foi o eixo sob o qual toda a trama de perversidade tomou conta de Paris naquela noite.
Adoptou o nome de Carlos.
Os Valois ensandecidos com o poder arquitectaram a referida tragédia religiosa em fins da Idade Média.
De lá para cá, o mesmo grupo de vínculos vem tecendo sua fieira espiritual para o recomeço.
Pouco a pouco se reúnem almas que ontem se comprometeram com sádicos planos contra a mensagem do amor.
Esse foi o fim de uma curva de declínio de um grande número de corações pertencentes às hostes dos dragões.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:57 pm

Grupo esse que, pelo menos há mil e quinhentos anos, perpetra a maldade nos mais conhecidos episódios de sangue da história, depois da passagem do Mestre de Nazaré.
Assim se encontra quase toda a população do planeta.
O século XX será o tempo do escoadouro de dores.
Pesa na psicosfera uma nuvem densa por demais para que a chuva da misericórdia celeste alcance os homens tanto quanto necessitam.
É necessário extingui-la.
Uma hecatombe de proporções gigantescas avizinha-se nos próximos dez anos17.
Em 1945 teremos o aceleramento da deportação, inevitavelmente.
É necessário explodir essa pesada carapaça vibratória que perturba o ambiente terreno.
Um influente líder da raça ariana será responsável por catalisar um dique por onde vai desaguar a mais sórdida onda vibracional da maldade.
Lei de destruição.
A guerra é a indigestão da humanidade que necessita se livrar do mal-estar pelo vómito da maldade.
Orem com fervor pelo planeta.
Nos escombros da destruição, mais uma vez renascerá a fénix da esperança e da bondade.
A guerra será uma explosão necessária para fazer ruir todos os "limites mentais" dos continentes, em ambas as esferas da vida.
Vocês assistirão ao eclodir de uma era de alucinação.
Depois da senectude do domínio silencioso e subtil, virá o escândalo, a maldade declarada, o vício público.
A inversão de valores parecerá uma realidade.
Até mesmo os ambientes espíritas sofrerão o contágio do orgulho e da arrogância humana.
Penetramos naqueles acontecimentos previstos pelo Senhor em Mateus, capítulo 24, no sermão profético.
A história espiritual renovou-se depois do Espiritismo.
Sob meus ombros assenta-se grave responsabilidade depositada pelo Espírito Verdade desde meu desenlace, em 1918:
cuidar da limpeza da psicosfera do submundo, concluir o transporte da árvore do Evangelho e erguer o Hospital Esperança.
O Senhor concedeu-me para isso oitenta anos, para que, depois, conclua o serviço iniciado novamente no corpo ao raiar do novo milénio.
Vamos transferir Matias esta noite para o hospital.
Ele sucumbiu ante a fragilidade que decorre do arrependimento.
Seus caminhos se entrelaçam com os dele.
A partir de agora, faremos trabalhos nocturnos frequentes com os médiuns.
Mister o desprendimento mais consciente no intuito de arquivar os planos de nossa esfera.
Um médium renovará os caminhos da Doutrina Espírita nesta terra abençoada das Minas Gerais. Seus informes já começam a se espalhar. Fiquem atentos!
Sintam-se à vontade para suas considerações."
Nossos diálogos habituais com o benfeitor eram pura espontaneidade e humor.
Inácio nunca perdia a ocasião para indagar, e diante da deixa do senhor Eurípedes, externou:
— Há alguma razão para essa fixação de Matias em dona Modesta?
— Doutor Inácio, tudo obedece ao conhecido princípio de que nada ocorre por acaso.
— Na minha concepção, espíritos do porte dos Valois já não estariam nem mesmo no planeta!
— A história dos Valois é um enredo de renovação, conquanto as loucuras ainda praticadas em nome da justiça e da religião.
— Quer dizer que, mesmo fazendo o que fizeram, estavam melhorando?
— Cansavam-se do mal.
Ninguém salta da maldade para a benevolência de improviso.
Com os graves compromissos assumidos, respondem pela morte de 100.000 pessoas, aproximadamente, na desdita de São Bartolomeu.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:57 pm

A Casa de Valois, com raras excepções, é um retrato da interferência espiritual nos processos reencarnatórios sob controle das falanges organizadas que investem contra o bem.
— O senhor disse que os últimos quinhentos anos foram uma etapa de remorso no mundo.
— Psiquicamente é esse o estágio do planeta.
Culpa, frustração, insatisfação e abandono.
São as feridas psicológicas inevitáveis de um orbe cuja função é a de um centro correctivo para espíritos rebeldes, que assim agem por não desejarem reconhecer sua fragilidade e impotência.
— Nesse século então reencarnarão somente espíritos em estado de culpa?
— Uma esmagadora maioria estará situada nesse foco mental.
Na primeira metade do século, por uma questão de necessidade do planeta, teremos programas colectivos de saneamento psíquico por meio de hecatombes.
Uma delas foi a Primeira Guerra Mundial de 1914.
Nos últimos cinquenta anos deste século, graças a esse saneamento, regressarão as almas em expiações afectivas com um grau acentuado de remorso nas amargas vivências da perturbação mental e da obsessão.
— Teremos espíritas nessa condição?
— Certamente.
Recordemos aqui algo necessário.
Inácio, nesse tempo, tinha seus trinta janeiros aproximados.
Tinha questões no campo mental que, de longe, se igualam ao doutor Inácio dos dias atuais.
Feita a ressalva histórica, certamente ele me repreenderá por tentar biografá-lo.
— O senhor falou sobre seus compromissos com o Espírito Verdade.
O que significa essa expressão transporte da árvore evangélica7.19
— É a mudança de milhões de almas estacionadas no psiquismo do Velho Mundo que são trazidas para reencarnar aqui no Brasil.
Todos são comprometidos com o Evangelho e guardam severas lutas conscienciais.
— Para encerrar nossa conversa, queria dizer que algo me preocupa.
— Diga, meu irmão.
— Modesta e eu estávamos na Noite de São Bartolomeu7
O sanatório é um resgate?
— Como disse, nada ocorre por acaso.
Hora de revelações.
Compramos juntos nossos compromissos.
Oportunamente trataremos com clareza desse assunto.
O sanatório é uma promissória avalizada pelo amor de muitos espíritos elevados, entre eles Agostinho de Hipona e João Evangelista, os mesmos avalistas do Hospital Esperança.
Só o amor legítimo resgata, doutor Inácio!
Outros integrantes do grupo dirigiram pedidos particulares a Eurípedes.
Poucos nutriam o espírito de pesquisa, educação, orientação para a vida e propostas de trabalho.
O benfeitor não se esquivava de nenhuma solicitação, entretanto, suas respostas repletas de sabedoria solicitavam de nós a parcela de esforço no empenho do bem maior.
Ele também sabia ser discreto e educativo.
Para mim, a notícia dos esclarecimentos nocturnos pelo desdobramento fora um alívio.
Tinha também minha sede de aprender e, na condição de médium inconsciente, nem sempre poderia prevalecer da parceria que ansiava.
Dessa data em diante, pelos idos de 1936 até o fim de minha reencarnação, em 8 de agosto de 1964, tive uma natural expansão das faculdades mediúnicas, ante os desafios que aguardavam.
Vidência e desdobramento intensificaram-se.
Meu vínculo com Matias ficou mais claro.
Ainda assim, preferi a reserva, a discrição, aguardaria maior clareza de dados, embora Inácio não me dava folga com sua índole de incansável curiosidade, que nessa época começava a se manifestar nos assuntos espirituais...
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:57 pm

O dia repleto de fortes emoções deixou-me exausta.
Os benefícios auferidos na reunião não foram suficientes para me desligar do aprendizado especial.
Deitei-me, mas o pensamento se fixava em Matias.
Repreendia-me por gastar tanta energia com isso, sendo que ali mesmo, ao meu lado, estava um filho querido da minha carne.
Nessa época, Erasmo contava onze anos de idade.19
Pensava nas revelações e cogitava:
"Se Matias é quem eu imagino, então eu seria sua mãe?
A mente dava voltas e, sob a força do cansaço, adormeci e despertei fora do corpo com doutor Bezerra de Menezes ao lado de minha cama.
— Minha filha, Jesus te abençoe!
— Doutor Bezerra! -exclamei como uma criança abandonada.
— Como se sente, filha?
— Estou confusa, insegura.
O senhor deve saber o que aconteceu no sanatório.
— Fui informado.
São os testemunhos necessários que chegam.
— Darei conta, doutor Bezerra?
— Deus não coloca fardo mais pesado que os ombros possam suportar.
Venha! Eurípedes a espera, minha filha.
Fizemos um deslocamento rápido pela volitação e, em segundos, estávamos no Hospital Esperança.
Nesse tempo, o hospital ainda era um pequeno casebre com vários corredores que serviam de enfermarias improvisadas.
Quando avistamos Eurípedes, fomos em sua direcção.
Deixando-nos a sós, doutor Bezerra partiu para outros afazeres.
— Dona Modesta, que noite de bênçãos! -externou o amigo querido.
— O senhor deve saber que me encontro atordoada com tudo.
— Reacção previsível.
— Matias está aqui?
— Naquela ala -apontou o benfeitor para um saguão reservado.
— Poderei estar com ele?
— Vamos até lá.
Minha primeira surpresa foi ver que o Matias que descrevi pela vidência não era uma pequena parcela do que via agora.
Os detalhes que consegui filtrar pela mediunidade, quando no corpo, ampliavam-se na visão real à minha frente.
O quadro era bem mais grave e digno de piedade.
O odor era insuportável.
As feridas espalhavam-se por todo o corpo.
A forma vista inicialmente era ainda mais animalizada.
Senti-me muito indisposta só de olhar.
Uma intensa ânsia de vómito fez com que Eurípedes me afastasse pelo braço até um pequeno sofá.
— Respire fundo, dona Modesta.
— Eu não acredito no que vejo -manifestei tomada por náusea quase incontrolável.
— Os dragões são assustadores.
Ninguém pode negar!
Todavia, em essência, por dentro dessa forma repulsiva está um coração querido ao nosso.
Um familiar pelo qual o tempo não destruiu os laços de afecto.
Espíritos como Matias habitam as camadas profundas da psicosfera terrena.
Nossa tarefa, dona Modesta, é oferecermo-nos na condição de operários fiéis no serviço inadiável de recuperação dos pátios de dor e loucura colectiva.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:57 pm

Jesus tem Seu olhar compassivo voltado para essa classe de deserdados do bem.
— Se não consigo sequer olhar para um ser dessa espécie, como poderei ajudar?
— Em verdade, não temos muita escolha, dona Modesta.
A vida bate à nossa porta com contas atrasadas.
Deus nos confere o básico, o restante vem por acréscimo de Sua bondade e extensa misericórdia.
O Hospital Esperança que brota como uma acolhedora casa de amor tem seus alicerces no Sanatório Espírita de Uberaba.
Os fios invisíveis dos compromissos espirituais nos unem com o passado de atrocidades da história da Terra, e até mesmo de outros orbes20.
— Os serviços socorristas aos dragões pela mediunidade continuarão em nossas sessões no sanatório?
— É o que esperamos.
— Temos elos com essa falange?
— Muitos laços, minha irmã!
Muitos laços...
— A respeito de sua fala, senhor Eurípedes, posso saber qual a minha relação com a Noite de São Bartolomeu?
O benfeitor preparava-se para responder quando foi chamado às pressas.
Deslocamo-nos rapidamente até a enfermaria.
Matias entrara em convulsão.
Expelia sucos gástricos pela boca e, literalmente, evacuava uma massa pelos poros com cheiro de enxofre.
Pusemos máscaras adequadas e fiquei assistindo ao socorro.
Dizia ele, em estado semi-consciente:
— Catarina, sua devassidão vai terminar.
Eu sei que está aqui! -sua fala e o nome citado permitiram-me identificar a voz dos sonhos que tive na noite anterior.
— Matias abra os olhos!
Abra os olhos! - dizia Eurípedes estalando os dedos sobre as pálpebras do doente.
— Eu estou vendo.
— Vendo o que, Matias?
— A sanguinária e malvada vai me matar.
É veneno que ela me deu...
Após essa frase, ele entrou em uma crise sem precedentes.
Sedativos potentes foram aplicados no alto da cabeça e via intravenosa.
Depois de alguns minutos ele se acalmou.
Enfermeiros prestativos faziam o asseio contínuo.
Meu coração partia ao ver tanta dor.
Seus pulsos e tornozelos estavam presos por coleiras de couro rígido.
As contorções cessaram, e Matias adormeceu extenuado.
— Por quanto tempo ficará assim? -perguntei chocada.
— Algumas horas.
Os dragões são portadores de incomparável poder mental.
Sedá-los é algo muito complexo.
Tivemos de descobrir pontos estratégicos na cabeça para esse fim.
— Senti como se ele dirigisse sua fala a mim.
— Por que, dona Modesta?
— As cenas de um sonho brotaram instantaneamente em minha tela mental.
Muito fogo, assassinatos.
Via Paris em chamas.
Estou dividida entre a curiosidade e a dor.
— Compreendo sua angústia, minha irmã.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:58 pm

Creio que o esclarecimento, neste momento torna-se indispensável.
Em uma hora teremos aqui no hospital um singelo curso sobre serviços socorristas para o qual vou conduzi-la.
Nesse encontro muitos horizontes se ampliarão ante os desafios que nos aguardam.
— Poderei participar mesmo sem conhecimento?
— Conhecimento nesse caso não se torna essencial.
Todos os convidados estão na mesma condição.
Prevalece o desejo intenso de ser útil e a coragem para vencer as barreiras dos conceitos ortodoxos.
Deixamos Matias entregue aos dedicados auxiliares e nos dirigimos para um pátio no Hospital Esperança, cujo nome, no futuro, seria o Pavilhão Judas Iscariotes21.

16 Nota da editora - A palavra Nadi vem da raiz nad, do sânscrito, que significa canaleta, córrego, ou fluxo do nada, e é o canal pelo qual circula o prana pelo corpo.
17 Nota da editora - neste momento da narrativa corre o ano de 1936.
Lembramos que a Segunda Guerra teve início no ano de 1939 e sem fim em 1945.
18 Mais tarde, em 1938, Irmão X psicografaria, por intermédio de Francisco Cândido Xavier, o livro "Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho", no qual a expressão "transporte da árvore evangélica" foi cunhada pelo autor espiritual da obra.
19 Erasmo Carlos, último filho de Maria Modesto Cravo nasceu em 1925
20 No tempo cronológico do romance, ainda não havia surgido a obra A Caminho da Luz, do autor espiritual Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.
O assunto, porém, já havia sido explicado pelo benfeitor e não constituía uma novidade na vida extrafísica.
21 Nota da editora -mais informações no capítulo 18 do livro Lírios de Esperança, de Ermance Dufaux, da Editora Dufaux.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:58 pm

Capítulo 4 - Conferencia de Isabel de Aragão sobre a Maldade Organizada
"Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?"
"Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir.
Cada coisa tem seu tempo.
Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora.
Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar."

-O Livro dos Espíritos — questão 801.

Eram quase duas horas da madrugada.
Fui recebida com cortesia por Clarisse e apresentada a outros convidados.
Fizemos um círculo e nos assentamos para o início do conclave.
Ao todo, estavam presentes cerca de cem convidados que militavam nas vivências da mediunidade no corpo físico, na seara espírita.
Clarisse fez a abertura com comovente prece.
Em seguida, apresentou-se e falou:
— É uma alegria recebê-los para este encontro.
Isabel de Aragão, a rainha santa de Portugal, será nossa condutora nesta noite.
Ela versará sobre sua experiência com os abismos, prestando-nos informações fundamentais pelo bem das tarefas ora desenvolvidas pelos irmãos na carne.
Temos conhecimento da ficha de cada um de vocês que iniciam as actividades no futuro Pavilhão Judas Iscariotes, no qual também somos cooperadoras sob a tutela de Bezerra de Menezes.
Sem delongas, façamos breve leitura e passemos a palavra para a benfeitora.
Foi lida e comentada brevemente a questão 801, de O Livro dos Espíritos que diz:
"Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?"
"Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir.
Cada coisa tem seu tempo.
Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora.
Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.
Após a reflexão inicial, Isabel levantou-se serenamente na primeira fileira de cadeiras e assim se pronunciou a instrutora:
— "Que Jesus nos guarde na esperança!
Meu nome é Isabel de Aragão, trabalhadora desta casa de amor desde seus primórdios.
O objectivo que nos reúne é trocar informações sobre uma das mais delicadas acções na erraticidade:
o resgate nas furnas do mal organizado.
Faremos nosso encontro com bastante informalidade.
Adoptaremos a ocasião para uma conversa aberta já que todos somos estudantes e candidatos a servir e aprender.
Dúvidas serão muito bem-vindas.
Gostaria de apresentar Cornélius, que muito tem contribuído nessas oportunidades com seu conhecimento e experiência -e apontou para um homem jovem assentado à sua frente.
A maioria de vocês -e dirigiu-se a todos nós, o grupo dos convidados - está incursa nas vivências com a dor dos desencarnados nas frentes de serviço mediúnico.
O êxito de tais tarefas implica noções mais claras acerca das realidades ignoradas pelo homem na matéria sobre a organização social dos abismos.
Seus caminhos convergem para acções dessa natureza, tomando por base que foram todos matriculados nos serviços abençoados do Pavilhão Judas Iscariotes nesta casa de amor.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:58 pm

Os livros mediúnicos se multiplicam no mundo físico e ampliam a percepção dos homens sobre os princípios universais esquadrinhados pelo Espiritismo.
A inestimável contribuição dessa literatura, no entanto, não furtará o servidor espírita de uma interpretação isenta dos apelos à comodidade insuflada pelos interesses pessoais, podendo conduzir a sofismas gravíssimos no futuro.
A tese das interferências trevosas -expressão usada actualmente no plano físico -sobre os esforços dos que foram agraciados com a luz espírita vem gerando uma cultura perigosa nesta década de 30.
Começam a florescer algumas fantasias de perseguição espiritual sob o adubo de inconsistentes concepções distantes da lógica e do bom senso.
Já se confundem doenças morais com experiências psíquicas.
Nisso reside a comodidade do homem ao destacar a acção dos espíritos no intuito de isentar-se da responsabilidade que lhe compete na educação de sua vida psíquica e emocional.
Quanto mais força emprestarem às chamadas trevas, mais capacidade de acção encontrará os denominados "oponentes da causa", em razão da postura psicológica dos discípulos encarnados.
De facto, as organizações do mal nunca tiveram tanta "liberdade" como agora.
Mal sabem nossos irmãos espíritas que isso ocorre em razão da descrença vigente entre aqueles que lideram semelhantes movimentos.
Descrença que patrocina a traição e o revanchismo, a pusilanimidade disfarçada e a hipocrisia.
Faltam-lhes, mais que nunca, a unidade e a convicção.
Estão frágeis, sabem que perderam o que consideram a grande guerra.
Tentarão de tudo nesses próximos cem anos no intuito de alcançarem o insano objectivo que os inspirou ao longo de milénios, isto é, dominar a Terra.
As seis próximas décadas até a virada do milénio serão de muita dor e reajuste, devido aos agonizantes estertores do mal neste planeta.
Um terrível movimento de violência assolará o Velho Mundo dentro de alguns anos22.
Os componentes da maldade organizada se tornarão, nesses próximos sessenta anos, os campeões da acção na tentativa de reverter sua real condição de derrotados da convicção.
Agem disciplinadamente, embora no desespero silencioso.
Sabem, sem admitirem semelhante verdade, que os continentes mesmo parecendo um turbilhão de desordem, são gerenciados por Cristo que, pouco a pouco, século a século, avança legitimando a paz e o amor entre as nações.
No que tange ao movimento doutrinário em torno das ideias espíritas, encontramo-nos no alvorecer do segundo período de setenta anos dentro do roteiro que lhe foi planeado pelo Espírito Verdade.
Essa etapa será decisiva para instaurar os princípios do Espiritismo com respeitabilidade entre a sociedade.
Sua difusão tomará amplitude ainda não existente na humanidade terrestre.
O missionário do livro mediúnico já se apresenta com esperanças gloriosas na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais.
Seu nome é Francisco Cândido Xavier, uma alma querida de meu coração.
Por suas mãos abençoadas, os alicerces de uma cultura espírita-cristã e humanitária será polo benfazejo das mais ricas lições cristãs, assentadas em exemplos de vida do próprio médium.
Os destinos do Espiritismo em terras brasileiras será uma clareira para o recomeço de milhões de almas do tronco espiritual judaico-cristão.
A literatura mediúnica será uma linfa cristalina para essas almas sedentas de Verdade que regressam, nesse momento, ao corpo físico, através do movimento denominado transporte da árvore evangélica, assunto que, inclusive, será alvo de interesse dos orientadores por intermédio desse nobre missionário da mediunidade.
Que fique clara nossa primeira assertiva nesta noite.
Não existe responsabilidade unilateral no processo de influência mental entre os mundos físico e espiritual.
Existe interacção, compartilhamento de aspirações e desejos.
Não existe domínio sem aceitação, nem pressão sem sintonia.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:58 pm

É totalmente injustificável a crença na força do mal sem escolha íntima e posicionamento mental propício, sendo declarada invigilância dos discípulos espíritas o destaque, que começa a assolar a sementeira, com visões pessimistas e chavões que servem de ligação com as forças inferiores.
Muitos estereótipos são criados, tais como: obsessores, inimigos espirituais, adversários da causa, encosto indesejável, opositores desencarnados do sistema, falanges trevosas, forças contrárias, espíritos do mal.
Até mesmo nós, aqui na erraticidade, temos nos valido de tais expressões por uma questão de comunicação com vocês no plano físico, embora não traduzam o mesmo sentido que toma conta de quantos regressam do corpo para cá.
Os chamados espíritos do mal são familiares queridos cujo tempo interrompeu nossos laços de amor.
Somente com uma visão límpida de quem somos, livres das ilusões, verdadeiramente alicerçaremos condições íntimas no melhor proveito das oportunidades de crescimento na vida corporal ou fora dela.
Essa visão, evidentemente, será o resultado da aplicação das directrizes do Evangelho no reino sagrado do coração.
Somente com sentimento educado ampliaremos as chances de realizar o mergulho consciente nas profundezas de nós mesmos.
E esse mergulho solicita-nos a coragem de conhecer nossas raízes espirituais, que se acham mais entrelaçadas com os "génios do mal" do que imaginamos.
Necessário esquadrinhar os matizes da vida no submundo astral, a fim de ficar claro que, consciente ou inconscientemente, por deliberação própria nas raias da maldade declarada ou por escravização, todos nós, de alguma forma, temos elos com as acções da maldade organizada, conquanto isso não signifique impotência para escolher os caminhos na direcção do bem e da luz.
Os chamados vales da imundície e da maldade são extensões da família terrena, a parcela mais adoecida da humanidade.
Em tese, representam o lado mais frágil de todos nós.
Ansiando por tempos novos no orbe, preparemo-nos para o socorro a esses filhos da amargura.
A melhora espiritual do planeta depende dessa tarefa ingente.
Se o mundo espiritual influencia o mundo físico, de igual forma a sociedade terrena determina efeitos similares na psicosfera da crosta.
O homem cativo no corpo de carne não guarda consciência da movimentação activa da vida invisível que o cerca.
Da mesma forma, esmagadora maioria dos desencarnados não é capaz de mensurar o quanto são dirigidos pelas forças provenientes da Terra.
Porque existem seres com grande capacidade mental fora da matéria escolhendo o caminho de biliões de almas foi que Deus permitiu a presença dos médiuns na humanidade, a fim de espelharem com nitidez o dinamismo permanente que orienta o ecossistema universal, em todas as esferas de vida por meio da unidade e do progresso.
O mal é um efeito dessa interacção inter-dimensional.
Dimensão física e espiritual em perfeita sinergia.
Jamais poderemos cogitar de soluções definitivas para os dramas capitais da sociedade terrena sem a incursão salvadora nas raízes espirituais que alimentam as mais sórdidas ideias e sustentam a malícia nos sentimentos.
Não existirá regeneração sem renovação do submundo astral no qual estão plantadas as raízes da maldade, que alonga seus frutos indigestos como uma hera sobre a face do orbe.
A humanidade é composta de um grupo de almas cuja etapa evolutiva é marcada pela recente desvinculação do mal e da ignorância, nos quais, deliberadamente, muitos ainda permanecem.
Com raríssimas excepções, encontramos corações que aprenderam a edificar o bem no limite do que podem.
Egressos da brutalidade, apenas começamos a galgar etapas significativas com destino ao esplendor da regeneração.
A cultura e o progresso social estabelecem horizontes vitoriosos para a implantação da saúde e do direito, da educação e da tecnologia que destinarão as sociedades a um amanhã mais feliz.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 20, 2018 7:59 pm

Nesse conceito global é imperioso avaliar a posição do espírito-espírita sem a lente da ilusão.
Primitivismo, raciocínio, moralização e espiritualização são as estradas pelas quais peregrinam os habitantes terrenos.
Recém-saídos da barbárie, palmilhamos os primeiros passos em direcção à civilidade.
Se o planeta há 3.500 anos atrás ainda não conhecia um cânone completo de justiça, como esperar a angelitude em tão curto tempo?
Desde a enxertia dos capelinos até o presente são passados aproximadamente 40.000 anos.
Os capelinos, para aqueles ainda não afeiçoados ao tema, são os espíritos transportados de outro planeta na condição de degredados, falidos consciencial mente.
Embora no atraso moral, vieram cooperar com o progresso da Terra, já que desenvolveram sobejamente a inteligência.
A noção de justiça no orbe, mesmo nos grupos mais educados, ainda se encontra corrompida pelo interesse pessoal.
Incluem-se nesses grupos muitos servidores propensos ao bem, ainda escravos dos reflexos perniciosos do egoísmo subtil, por fugas inteligentes na direcção de vantagens particulares.
A colectividade doutrinária espírita não está fora desse contexto evolutivo.
A hierarquia e o dogmatismo são alguns desses monstros mentais elegidos pelo homem em séculos de personalismo.
Com a hierarquia busca segurança e sensação de vitória.
Com o dogmatismo ilude-se a si mesmo acerca daquilo que lhe convém acreditar e fazer a gosto de seus pontos de vista.
Compete-nos edificar uma visão mais profunda sobre a velha questão filosófica: de onde viemos?
Por que renascemos?
Para onde vamos?
Somente tomando consciência da nossa origem perceberemos que as trevas ou adversários são expressões de nós mesmos, frutos de nós próprios.
Queiramos ou não, viemos desses sítios de dor e buscamos a luz.
As forças contrárias que nos perseguem são extensões de nossa família espiritual.
E somente quem se escraviza na vertigem de superioridade pode-se imaginar tão distante da condição dessas almas feridas e carentes de amor e orientação.
Não somos atacados pelas trevas, viemos dela.
Comungamos com ela.
Sendo assim, justo que sejamos procurados.
Bom será mensurar, quanto antes, a abrangência dessa verdade na erradicação das miragens de grandeza.
Do contrário, o inferno reclamará nossa permanência em regime de moradia e dor por longo tempo em suas paragens.
Eis a razão de ampliarmos a visão sobre o tema negligência.
Para almas comprometidas como os trabalhadores espíritas, quaisquer deslizes tomarão proporções indesejáveis na colheita obrigatória nos recessos da consciência."
Minha mente dava voos inimagináveis.
A fala da benfeitora penetrava minha alma como um instrumento cirúrgico doloroso, porém benfazejo.
Suas palavras pareciam estar gravadas em minha vida profunda como se não fossem novas.
Despertava algo que o tempo talvez tivesse apagado, mas agora renascia com pujante vivacidade.
Ela continuou:
— "Embora a maldade já existisse nas almas transmigradas para o planeta em tempos imemoriais, vamos detectar a presença do mal na Terra como organização social a partir 10.000 anos atrás.
Lúcifer, o génio do mal, um coração extremamente vinculado a Jesus, estabeleceu o litígio inicial representando milhões de almas insatisfeitas com as consequências do exílio em outro orbe.
Dominado pela soberba que os expulsou das oportunidades de crescimento em mundos distantes, tomou como bandeira a prepotência de empunhar armas contra o Condutor da Terra, a fim de disputar, em sua arrogância sem limites, por quem ela seria dominada e controlada.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:52 pm

Eis o motivo de uma história política, moral e espiritual que se arrasta há milénios.
Tal enredo parece simples, entretanto, por agora, é o que posso lhes dizer na aquisição de noções mais nítidas acerca dos desafios que vos esperam nas tarefas junto à carne.
A estratégia para tal insanidade é manter a humanidade na ignorância espiritual.
A inteligência ilimitada desse espírito, que carrega experiência ímpar sobre o destino de multidões, traçou um plano nefando de explorar as próprias fraquezas humanas para retê-la na inferioridade.
O fundamento basilar desse plano consiste em colocar o instinto como núcleo estratégico do atraso.
Convencer o homem da Terra que não vale a pena mudar de reino, subir o degrau do instinto para a razão.
O prazer e a vida, nessa concepção decadente e astuta, residem em se manter na retaguarda dos cinco sentidos com total expressão dos interesses pessoais.
Ações marcantes dessa organização da maldade no mundo podem ser verificadas aproximadamente 1.500 anos antes da vinda do Cristo por ocasião da implantação da noção da justiça divina no mundo, por meio do primeiro código ético enviado pela mediunidade do Mais Alto para a humanidade -os Dez Mandamentos.
A justiça é a leira fértil para que as sementes viçosas do amor frutifiquem em bênçãos infinitas.
A maldade usou toda sua cota de energia para impedir a vinda de Moisés e a difusão dos Dez Mandamentos para os povos.
Criaram, nesse tempo, a Casta dos Justiceiros dentro de uma concepção cruel de justiça feita com as próprias mãos, conseguindo alterar significativa parcela do bem que a Lei Divina poderia ter fermentado nas sociedades daquele tempo.
O símbolo inspirador dessas falanges, fartas de perversidade, é o dragão, um retrato animalizado da força e do poder que essas criaturas adoecidas trazem no imo de si mesmas.
A figura lendária do dragão surgiu nas crenças mais primitivas que se tem notícia como uma insígnia de poder.
Uma simbologia que lhes traduz o estado íntimo e seus propósitos.
Sentiam-se répteis pela condição do exílio, entretanto, criaram as asas do poder e o fogo da crueldade, expressos na figura do dragão, para manifestarem sua revolta e rebeldia ante a condição em que foram colocados em um planeta prisional.
Eram répteis, mas podiam voar.
Querem distinção em relação aos aborígenes da Terra, considerados um atraso na evolução por parte deles.
Eram fracassados, mas podiam destruir.
A despeito do clima de guerra, a justiça estimula uma relação ética entre os homens que passam a obedecer a leis e a educar seus sentimentos a partir de uma referência social criadora de limites.
Era o progresso lento, porém gradativo.
Com o olho por olho, dente por dente nascia a ética do medo criando regras morais ao instinto de defesa humano.
A Lei do Pai, independentemente da loucura de Seus filhos, cumpre-se intimorata.
E os litigantes que eram atraídos para atacar os focos de honestidade e equilíbrio nas acções humanas terminavam sucumbindo, muitos deles, ao talante da força do bem e renascendo no povo hebreu decantando a velha imagem bíblica do paraíso, uma expressão arquetípica da colectividade exilada de outro mundo.
O paraíso perdido passou de geração a geração.
Muitos voltaram a seus mundos de origem, entre eles Capela.
Aqueles que permaneceram formaram séquitos.
Dentre os espíritos exilados, o povo hebreu é o mais exclusivista e crente.
Cultores da raça pura e do monoteísmo.
Sempre tentaram não se misturar nas mutações étnicas.
Não foi por outra razão que Jesus escolheu a árvore de David para nascer.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:52 pm

Foi assim estruturada a linhagem psíquica dos espíritos do Cristo - almas exiladas de seu mundo original, vinculadas ao coração de Jesus, e que formaram o tronco judaico-cristão, com perfil moral de acendrado orgulho centrado na ideia do Deus único.
Os dragões justiceiros, como se denominam em suas hostes, fundaram, a esse tempo, a primeira das sete cidades da maldade na psicosfera terrena.
Chamada de Cidade do Poder está situada no psiquismo do Velho Mundo, nas portas da psicosfera da Palestina, a antessala do Oriente Médio.
Actualmente sua extensão territorial atinge todo o planeta.
A parcela urbanizada dessa comunidade se encontra na crosta, sendo regida pelas mesmas leis que orientam a vida planetária em vigoroso regime de simbiose; e tem seus vales periféricos a se estender pelas mais abissais regiões da erraticidade, em plena conexão de objectivos e vibrações.
O lugar mais conhecido e onde se praticam as mais infelizes formas de maldade chama-se Vale do Poder, um cinturão psíquico que circula a sub-crosta da Terra, onde vegeta uma semi-civilização que onera a economia vibratória do orbe.
Para maiores minúcias sobre esse tema, passarei a palavra a Cornélius."
A rainha santa de Aragão, Isabel, levantou-se por detrás do companheiro e colocou as mãos em seus ombros, esclarecendo:
— "Nosso companheiro tem larga vivência no Vale do Poder e nos trará alguns dados importantes."
Com certa dose de inibição, Cornélius iniciou sua explanação.
— "Amigos, que fique clara minha condição de espírito em refazimento e recomeço.
Não estou aqui para ensinar, pois carrego muitas lutas a vencer e logo estarei na carne para reajuste.
Estou no Hospital Esperança graças a Eurípedes Barsanulfo, que me salvou da condição de aprisionado depois de falir como dragão justiceiro.
A lei que rege essas paragens é a justiça dos prémios e da exclusão, roteiros da recompensa ou castigo."
Estabeleceu-se entre nós, os ouvintes, um clima de curiosidade febricitante por ouvir um ex-dragão.
Ouvir uma criatura que serviu às hostes do mal, a princípio, não nos deixou confortáveis.
Alguns preconceitos assaltaram a todos nós.
Como nada podíamos fazer, trocamos olhares de estranheza e passamos a ouvi-lo.
— "Fui coroado dragão e servi a essas hordas por muito tempo, em várias passagens entre uma e outra encarnação.
Falarei do que sei no intuito de colaborar.
A extensão desse ambiente chamado Cidade do Poder vai desde o solo sangrento da Palestina até os mais recônditos e sombrios vales da África, onde se situa um dos pontos mais antigos de exílio no planeta, o Egipto.
Após a história da crueldade em torno da mensagem do Cristo, nos últimos dois milénios os países europeus estenderam esse cinturão da maldade, que hoje tem seus apêndices por todo o orbe, conquanto seu ponto nuclear de irradiação continue sendo a massa psíquica sob o solo de Israel espraiando-se por todo o Oriente Médio.
O mar Mediterrâneo é o endereço de inúmeras bases dessa arquitectura engenhosa e bem planejada.
Calcula-se, actualmente, na Cidade do Poder a população de 45 a 50 milhões de habitantes.
Um percentual de setenta por cento se encontra nos vales da miséria, sem capacidade de auto-gerência ou a caminho da hipnose total.
O estudo dessa triste realidade, fruto da hediondez, nem de longe nos enseja mensurar seus reflexos sobre o psiquismo da Terra ao longo de milénios.
Construções sórdidas que imitam as edificações e ideais de genialidade da Cidade do Poder espalham-se por todos os cantos, adquirindo contornos específicos conforme os interesses de cada região.
Foram sendo criados núcleos tão avançados na sub-crosta que muitos adeptos dessas organizações preferiam não regressar ao corpo, acomodando-se às vantagens interesseiras desses locais.
Os dragões pensam que a Terra lhes pertence.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:52 pm

Infelizmente, é o que eu mesmo pensava até há pouco tempo, quando fazia parte desse grupo de hipnotizados.
Uma extrema prepotência estimulada por processos de convivência com esses lugares e por induções infelizes pelas quais também passei.
Até universidades foram criadas nessas plagas.
Técnicas eficazes de domínio mental são exercidas como forma de reter seus escravos.
Tudo começou, como disse dona Isabel, com Lúcifer e uma multidão de insatisfeitos degredados de outros orbes.
Eles contribuíram com o progresso da Terra e se achavam injustiçados com os resultados espirituais de suas atitudes, queriam privilégios.
A Casta dos Justiceiros, pouco a pouco, aperfeiçoou-se e surgiram os dragões legionários, os dragões justiceiros e os dragões conselheiros, ordem que se mantém até hoje.
Nessa hierarquia, os dragões legionários são os generais.
Alguns deles não reencarnam há pelo menos 5.000 anos, cumprindo com os mais altos postos da ordem.
Temos os dragões justiceiros ou ministros.
E temos os dragões aspirantes, que são os conselheiros.
Cada ministro chefia mil conselheiros ou dragões aspirantes, graduando-se, assim, ao posto de legionário.
Existem mil cargos desse nível, totalizando 1 milhão de dragões legionários - governantes da Cidade do Poder.
Chama-se de dragão soberano ou legionário soberano quem chefia esse milhão de dragões.
É, por assim dizer, o comandante da Cidade do Poder.
Mais conhecido como Lúcifer, um título de reconhecimento e grandeza perante a casta em homenagem ao dragão-mor que deu origem à casta.
São extremamente rígidos nesse processo hierárquico.
Se perderem um componente, logo o substituem.
E as graduações -raras ocorrem principalmente em razão das reencarnações em "missões especiais" na Terra ou por traições que redundam em castigos inenarráveis.
Como temos sete cidades principais desse porte, calcula-se um número em torno de 7 milhões de almas nos alicerces da maldade organizada dos dias atuais.
São as sete maiores e mais antigas que patrocinam o mal na Terra.
Não são as únicas existentes.
Nesse jogo do poder entre as sete facções, Lúcifer, como hábil manipulador, manteve as rédeas dos dragões legionários, que até hoje são seus escudeiros fiéis, ocupando cargos de destaque em cada uma das cidades.
Se ocorre vaga no cargo, logo promovem outro, e nunca ultrapassam essa marca.
Cada local, conforme sua função, adopta terminologias próprias.
Por exemplo, na cidade do prazer, os justiceiros são chamados de servos de Baco ou dragões da luxúria.
Pelo menos 300 milhões de mentes estão envolvidas com esses sete sítios da loucura hierarquizada, divididos entre mandantes e comandados, espíritos conscientes e inconscientes de seu processo espiritual.
Cada qual conta com uma governadoria, conforme suas características específicas, dentro dos objectivos nefandos a que atendem23.
Egipto Antigo, Cruzadas, Templários, Inquisição, Noite de São Bartolomeu formam alguns dos reflexos das trevas sob tutela dos dragões abismais, que cada dia mais buscam possuir as rédeas da Terra em suas mãos.
Os justiceiros são os mesmos soldados de deus da Idade Média cujo objectivo era defender a mensagem do Cristo.
Todavia, a maldade é frágil e instável.
As hordas que ergueram a polis do mal começaram a digladiar entre si.
Podem ser disciplinados, mas não sabem ser éticos.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:53 pm

A vinda do Cristo ao mundo foi a segunda grande derrota na concepção dos asseclas de Lúcifer.
Fragilizados por não conseguirem impedir a vinda de Jesus, criaram cisões e se enfraqueceram.
O próprio Mestre enfrentou Lúcifer no deserto por quarenta dias e noites.
Essa batalha de que os homens nem sequer imaginam as nuances mudou o destino de toda a humanidade24.
Acordos e iniciativas foram feitos nessa oportunidade para postergar estratégias nefandas de assenhoreamento da mensagem do Cristo.
Ainda assim, a política aprisionou a religião pura no catre da ignorância espiritual e substituiu os valores da simplicidade pelo personalismo desenfreado.
Surgiu uma igreja que em nada remete à mensagem de amor e libertação trazida por Jesus.
As cisões em tais hostes da maldade renderam mais seis cidades que, de alguma forma, por razões de interesse, mantiveram alguns laços em comum para atingir o objectivo maior de hegemonia do orbe.
Assim, dentro da mesma plataforma de exploração da inferioridade moral dos homens, nos últimos 15.000 anos, surgiu, em sete linhas distintas, o poderio da maldade descentralizada na seguinte ordem cronológica: o poder, cujo núcleo é o apego e a arrogância.
O prazer, envolvendo as ilusões da fisiologia carnal.
A vaidade, explorando o individualismo.
A violência, voltada para vampirizar pela agressividade e pelo ódio.
A mentira, insuflando a hipocrisia nas intenções.
A descrença, fragilizando a fé nos corações e criando a sensação de abandono e impotência.
A doença, incendiando o corpo de dor.
Juntas, formam a causa moral de todos os males do planeta em todos os tempos e latitudes.
Será infrutífero nesse encontro detalhar as formas que a criatividade perversa encontrou para desenvolver recursos para expansão do mal.
Assinalemos, ainda, que essa é a faceta do mal organizado, e não todo o mal existente na psicosfera do planeta.
As metamorfoses decorrentes desses sete ramos iniciais da maldade organizada constituem um estudo antropológico, que somente nas esferas mais elevadas do planeta se encontram informações precisas acerca de elos perdidos no tempo.
Daí surgiram correntes, vales, associações, regimes e os mais diversos grupos avessos ao bem maior.
Em síntese, a humanidade, após a vinda do Cristo, entrou na idade das trevas.
A ausência de Sua luz em nossas atitudes levou o planeta ao declínio, à desídia.
Sua mensagem ganhou descrédito sob a lâmina da política interesseira.
A politicagem criou o desvio do Evangelho.
Desde o início da idade medieval até a Renascença, foram mil anos de escuridão, dor e martírio.
A partir dos ares novos trazidos no século XVI, foi que a humanidade retomou seu curso em direcção ao seu progresso espiritual.
Os últimos 500 anos da história humana foram resultados de importantes intervenções do Mais Alto na preparação dos caminhos para a regeneração.

22 Segunda Guerra Mundial
23 Esse número, segundo dona Modesta, cresceu pelo menos dez vezes até a virada do milénio e continua ascendente.
24 "E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás.
E vivia entre as feras, e os anjos o serviam." -Marcos, 1:12
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:53 pm

Capítulo 5 - Os Dragões e suas ligações com a Comunidade Espírita
"O que pode um Espírito fazer com um indivíduo, podem-no muitos Espíritos com muitos indivíduos simultaneamente e dar à obsessão carácter epidémico.
Uma nuvem de maus Espíritos invade uma localidade e aí se manifestam de diversas maneiras.
Foi uma epidemia desse género que se abateu sobre a Judeia ao tempo do Cristo.
Ora, o Cristo, pela sua imensa superioridade moral, tinha sobre os demónios ou maus Espíritos tal autoridade, que bastava lhes ordenasse que se retirassem para que eles o fizessem e, para isso, não empregava fórmulas nem gestos ou sinais."

Obras Póstumas -Primeira Parte. Manifestação dos Espíritos -item 60

— Creio que meus irmãos se depararam com muitas novidades - falou Clarisse com naturalidade.
Somos insignificantes aprendizes da realidade universal.
Encontramo-nos aqui no intuito de reunir forças, conhecimento e disposição de servir aos projectos novos no cumprimento de determinações do Mais Alto para esse fim de milénio.
Sintam-se à vontade para suas questões.
Estávamos todos estarrecidos com o que acabáramos de ouvir e ver.
A impressão reinante era de falta de referência sobre o que dizer ou perguntar.
Uns olhavam Cornélius com curiosidade, outros olhavam as fotos estampadas.
Um mundo novo se abrira aos nossos olhos.
Desconhecíamos tais informações na literatura clássica da doutrina, que constituía nosso manancial de orientação.
Dellane, Denis, Bozanno, Aksakof, Kardec e Flamarion eram alguns de nossos referenciais nesse tempo.
Como ninguém nada perguntou, criei coragem para iniciar o debate.
Com as ideias um tanto desconcertadas, expus:
— Para quem dirijo as perguntas, Clarisse?
— Para Isabel ou Cornélius.
Fique isso a critério de vocês.
Importa que externem suas dúvidas.
Quanto mais tratarmos dos detalhes, maior chance de regressarem ao corpo com lembranças mais nítidas do nosso conclave.
— Dona Isabel, permita-me um aparte! -externei com respeito.
— Seja bem-vinda, dona Modesta -expressou a interlocutora, como se me conhecesse.
— A senhora me conhece?
— Minha irmã, vastos compromissos espirituais unem os caminhos de todos nós aqui presentes.
A obra redentora erguida por sua família em Uberaba é reconhecida em nosso plano como extensão do Hospital Esperança.
É natural que somente agora os tutores que a orientam, anseiem por despertá-la para noções mais largas dos desafios que nos aguardam.
A fala de Isabel de Aragão me surpreendeu e também todos os presentes demonstraram curiosidade com a referência ao nosso labor em Uberaba.
— Confesso não ter clareza sobre o que a senhora quer dizer.
Realmente, sinto-me neste encontro como alguém que está prestes a passar por decisivo testemunho.
Minha alma está tomada por curiosidade.
Eu mesma não sei como o assunto discorrido nessa noite pode me interessar tanto, sendo que em minha memória consciente não tenho registos do tema.
— Dona Modesta e demais irmãos presentes, na verdade nosso encontro é apenas um recobrar de velhas experiências.
Todos nesse salão estamos mais comprometidos com a vida no submundo do que podemos supor.
O corpo físico abafa a natureza dessa realidade.
Ao trazê-los aqui, objectivamos a formação de frentes mais lúcidas de serviço activo no plano físico.
Portanto, permitam suas expressões mais naturais acerca do tema discorrido.
Dessa forma estaremos iniciando uma etapa de preparo que perdurará por décadas.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:54 pm

— Dona Isabel, tenho uma pergunta.
Olhamos todos curiosos para um canto da sala, e qual não foi minha surpresa!
A pergunta dirigida a Isabel foi formulada por Langerton25, médium que, futuramente, despontaria em Petrópolis, município de Uberaba nesse tempo, como um excelente receitista.
A surpresa de todos devia-se ao facto de, nessa época, ele ainda se apresentar como uma criança em suas feições, conquanto maduro no modo de pensar.
— Fique à vontade meu irmão!
— Pode nos esclarecer sobre esse segundo período de setenta anos a que se referiu a senhora?
— O Espiritismo, assim como toda realização pelo progresso colectivo na humanidade, foi alvo de um planeamento muito bem estruturado, visando a objectivos nobres.
Supor que as ideias espíritas, tão universais quanto são, ficassem circunscritas a uma comunidade seria fadá-las ao insucesso.
Nesse projecto, os Tutores da Vida Maior conceberam três períodos para desenvolvimento e absorção e amadurecimento das verdades espíritas no mundo.
A primeira etapa, desde o surgimento das obras kardequianas é o tempo da formação de referências que estabelecerão a identidade filosófica e psicológica da Doutrina Espírita.
Na segunda etapa, momento que desponta nesta década de trinta, será o tempo da consolidação da doutrina nas fileiras sociais do mundo como um caminho de paz e libertação.
Para isso, sua difusão por meio do livro mediúnico será a consagração dos princípios espíritas.
Teremos, ainda, coincidindo com a virada do milénio, o terceiro período de setenta anos, cuja proposta é a maioridade das ideias espíritas.
Nesse tempo já estarão reencarnando os espíritas de segunda vez, com um senso moral mais desenvolvido, tornando-se referências morais sólidas no campo da atitude e da acção genuinamente cristã.
Serão os arejadores dos princípios espíritas que penetrarão todas as áreas do conhecimento humano, deixando claro que o avanço do materialismo colide com a proposta de melhoria da humanidade, e criarão pontes saudáveis e indispensáveis entre a cultura espírita e a diversidade da cultura do mundo.
Em tal tempo ficará claro que o Espiritismo, enquanto um corpo de ideias, não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões.
— A senhora pode, então, nos esclarecer o motivo de aqui nos encontrarmos?
Até onde tomar conhecimento do que acabamos de ouvir tem algo a ver com esse plano dos espíritos superiores?
— Langerton, irmão querido -disse Isabel com ternura -, o período que atravessamos é de extrema delicadeza.
Precisarei contar um pouco de história para clarear esse enfoque.
A história da migração das almas que planearam o mal na Terra acontece há aproximadamente 40.000 anos.
Quatro troncos principais definiram caracteres raciais, quais sejam:
os egípcios, os indo-europeus, os hebreus e os indianos.
Para compreender o ponto essencial desse segundo período das ideias espíritas no mundo, temos de recorrer aos caracteres morais do tronco judaico-cristão - a classe mais orgulhosa dentre as quatro ramificações.
Extremamente aferrados ao costume de serem os mais preparados para entender a vontade divina.
A propósito, eram os únicos monoteístas entre os grupos exilados.
Com essa natureza moral acentuadamente rigorista em assuntos da divindade, tornaram-se uma classe exclusivista.
A índole rebelde e hermética patrocina até hoje a crença judaica, aguardando um Senhor que os colocará no lugar que julgam merecer diante da humanidade terrena.
Renascidos em outros segmentos que aceitam Jesus como Mestre, partiram para o outro extremo da escala do orgulho humano de suporem ser os donos da verdade absoluta.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:54 pm

Por sua vez, a família indo-europeia, era o grupo dos capelinos mais revoltados com o exílio. Odeiam a figura de Jesus.
Acusam o Mestre de não lhes cumprir a promessa de amparo em um local de recomeço onde pudessem reinar com seu conhecimento.
É a classe que mais domínio mental possui dentre os exilados.
Por essa razão, recobraram com mais rapidez e fidelidade os detalhes da migração e como ela aconteceu.
Foi desse ramo que surgiram os dragões.
Uma das mais antigas propostas dos dragões, que são egressos principalmente do tronco indo-europeu entre os exilados de Capela, é exactamente a escravidão das almas mais crentes em Jesus, isto é, o tronco judaico-cristão ou a casa de Israel.
Em conluio com espíritos do tronco egípcio e indiano dos capelinos, patrocinaram desatinos contra os amantes do Cristo.
O objectivo é exactamente humilhar os seguidores de Jesus ou todos aqueles que Nele depositam a esperança do Messias Salvador.
Iniciativas que fazem parte de um conjunto de técnicas revanchistas à proliferação da mensagem do amor no mundo.
Fique claro que, mesmo antes da vinda do Mestre, tais disputas já existiam na erraticidade, alastrando uma história que não começou nesta casa planetária.
Ao longo de todas as épocas, vamos assistir a inúmeros episódios históricos que são repetições desse cenário moral entre grupos de almas rivais no campo religioso e político.
Em todos eles a tónica é a justiça fria e aplicada com rigor.
A escravidão no Egipto, narrada pela história obedeceu a iniciativas desse quilate.
No Império Romano as algemas foram novamente colocadas no povo judeu.
A Idade Média, foi um longo período de escravidão dessas almas no mundo espiritual no intuito de fazerem uma raça dominada.
A prisão de Lúcifer, como era conhecida, foi resultado de mil anos da história humana em plena idade das trevas.
Os dragões, logo após a queda do Império Romano, fundaram a mais ampla penitenciária de todos os tempos sob a crosta do Velho Mundo chamada Vale do Poder, um local de escravização sem precedentes na história da Terra, uma sombra tenebrosa da Cidade do Poder.
Tudo isso como atitude de revanche em razão da detenção de um séquito de legionários soberanos vinculados ao poder romano.
Uma classe de luciferianos -como também eram conhecidos os dragões legionários -foi detida pelas forças protectoras do orbe, que impediram os seus planos nefandos de domínio da Terra.
Isso causou ira aos milhões de seguidores que, receosos de regressar ao corpo, e sob comando da falange draconiana, resolveram digladiar com o Cristo, humilhando seus seguidores e sua mensagem no mundo.
Basta lançar um olhar para a idade medieval e teremos uma noção do que aconteceu nesse sentido.
No iniciar da Idade Média, cumpriu-se o que está no Apocalipse capítulo 20, versículos 1 a 3, 7 e 8 que narra:
"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão.
Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e satanás, e amarrou-o por mil anos.
E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem.
E depois importa que seja solto por um pouco de tempo." (...)
"E acabando os mil anos, satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra (...)"
Foram realmente mil anos de idade de trevas.
Pavor e atrocidades.
Até que no século XV, graças à nova intervenção de Jesus no roteiro de aperfeiçoamento do planeta, a história humana iniciou um trajecto de glórias sem precedentes.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:54 pm

As falanges da dominação, surpreendidas com medidas de renovação cultural, política e religiosa, tiveram uma demanda extraordinariamente absorvente, o que trouxe em consequência um afrouxamento na vigília secular sobre o Vale do Poder.
Com o tempo, o "novo império", como era chamado tal região de prisões, em alusão ao Império Romano desfalecido, foi se rompendo e as reencarnações progressivamente sendo viabilizadas.
Tudo isso trouxe um inusitado processo ao ecossistema psíquico do mundo entre as duas humanidades, carnal e espiritual.
Como narra o Apocalipse:
"E acabando os mil anos, satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra (...)"
A equipe de luciferianos aprisionada foi libertada igualmente.
Claro que já não tinham as mesmas possibilidades de poder e respeito.
Precisavam acompanhar o que seria o futuro do orbe.
Sentir que a promessa se cumpria.
Mas, como diz o texto bíblico, isso ocorreria por pouco tempo.
Iniciou-se um novo degredo e muitos desses foram os primeiros a ser novamente recambiados a outros orbes.
Como resquício de toda essa história, milhões de almas amantes do Cristo ainda permaneceram nas celas infectas do Vale do Poder no psiquismo do Velho Mundo.
Influentes e com grande cabedal intelectivo acerca da mensagem do Evangelho, estiveram à frente dos movimentos religiosos mais expressivos desse tempo, conquanto saibamos os desatinos por eles cometidos em nome de Jesus.
Eram os adeptos preferenciais dos dragões para ser aprisionados.
No regime de cativeiro, em razão de suas culpas e deslizes, esses corações eram líderes natos no grupo da casa de Israel.
Foram vigiados com segurança máxima.
A libertação dessa massa de interesses em torno da mensagem cristã tornou-se estritamente necessária em face dos novos compromissos do Consolador.
Em todos os tempos da humanidade, os missionários escalados por Cristo sempre contaram com grupos que, de alguma forma, encontravam em suas grandiosas missões a razão de viver, isto é, com suas tarefas eram os pioneiros de novos tempos para quantos ansiavam destinos novos.
O Consolador prometido não poderia ser apenas uma pérola cultivada por expoentes do exemplo e da grandeza espiritual.
Se o Senhor veio exactamente para os doentes, em tais corações culpados e sedentos do Cristo a mensagem cristã iluminada pela clareza dos fundamentos espíritas, encontraria ressonância e motivação para novos dias em direcção à paz consciencial.
Além do mais, espíritos com esse nível de conhecimento não aceitariam uma doutrina que não lhes correspondesse à lógica e à bagagem intelectiva.
O movimento de libertação desses bolsões de almas afeiçoadas ao Evangelho e carentes de redenção consciencial foi denominado como transporte da árvore evangélica.
Regressam ao seio da comunidade espírita brasileira.
O mesmo tronco espiritual.
Vários galhos conforme experiências grupais.
Folhas diversas devido à natureza individual.
Sob a tutela dos missionários do exemplo moral, como Bezerra de Menezes, estão construindo a maior comunidade inspirada nas ideias universalistas do Espiritismo em terras brasileiras.
Para doentes graves, o remédio eficaz.
A missão espiritual inicialmente conferida à Palestina foi transferida para o solo virgem do Brasil.
Mais uma das medidas tomadas pelo Condutor do planeta.
O mensageiro do Cristo, Helil26, um dos expoentes espirituais das questões sociais da Terra, foi incumbido por Jesus de preparar esse transporte de esperança.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:55 pm

No século XV, foram tomadas as primeiras medidas.
A descoberta, a organização política, a miscigenação étnica e, posteriormente, no virar do século XIX, as sementes da nova doutrina em terras brasileiras.
Helil é um dos arquitectos de todo o planeamento dessa transmigração de Capela.
Foi o espírito que sempre representou Jesus perante o espírito aflito e angustiado dos exilados.
Espírito de larga envergadura moral, já reencarnou algumas vezes na Terra.
Muito afeiçoado ao povo ariano desde o exílio.
Cada raça teve um representante de larga envergadura espiritual que lhes tutela os caminhos.
João Evangelista, o discípulo amado do Cristo, é o guia da Casa de Israel.
As reuniões mediúnicas serviram de plantéis abençoados de socorro a esses corações endurecidos pelo orgulho.
Os serviços socorristas que implementamos desde o iniciar deste século com os precursores da doutrina no Brasil são medicações indispensáveis.
Portanto, os últimos quinhentos anos foram tempos decisivos na história espiritual do planeta, objectivando a inauguração das sendas da regeneração.
O poderio dos dragões e o exclusivismo dos espíritos amantes do Cristo pertencentes ao grupo da Casa de Israel estavam com o tempo marcado.
Se a Idade Média constituiu uma infecção generalizada no organismo social, foi no século XV que tivemos o alvorecer da profilaxia para tanta degeneração.
Os píncaros da loucura na política francesa na Casa de Valois, mediante a malfadada Noite de São Bartolomeu, foi o estopim espiritual de medidas reclamadas pela sociedade no silêncio da amargura e da insatisfação perante a tirania e a maldade calculadas.
Renasceram missionários do progresso em todas as estâncias no intuito de conduzir as aspirações humanas em direcção ao ideal da liberdade, fraternidade e igualdade entre povos.
O mesmo grupo, portanto, que desde a Palestina aguardava o Messias em carruagens de fogo, regressa agora mais intensamente comprometido espiritualmente nos ambientes da doutrina.
Cansados de si mesmos e oprimidos pelos danos às suas próprias consciências.
Os integrantes da Casa de Israel formam a vaidosa aristocracia espiritual, enquanto os arianos manifestam o arrogante orgulho de raça.
A altivez de um lado e a violência de outro, nesses dois grupos, respondem pelos mais sanguinários episódios da história humana.
Desde Roma até os focos atuais, que logo serão conhecidos na Alemanha, passando pelos desatinos das Cruzadas, ora na política interesseira, ora na religião de fachada, especialmente no ocidente, são todas etnias refractárias em aceitar o amor como caminho de redenção.
Assim que Isabel encerrou sua resposta, Langerton trouxe nova questão.
— E qual nosso papel, volto a perguntar?
—Os dragões querem de volta seus prisioneiros.
Uma parcela da saga obsessiva entre a Casa de Israel e os arianos se estende ao seio da comunidade espírita.
Um caso complexo de obsessão colectiva.
O surgimento da doutrina na França foi considerado por eles como a cartada final.
Como bons estrategistas, concluíram que seria inevitável uma mudança radical.
Planeiam mandar, nas próximas décadas, legiões de serviçais para o corpo físico e incendiar o mundo com violência e maldade.
Como última tentativa de hegemonia, o velho receio do regresso à carne é avaliado por eles como "ato heróico e missionário".
Em relação aos espíritas, arquitectam a exploração de velhas fragilidades armazenadas no psiquismo carregado de culpas e nos costumes morais aferrados ao orgulho.
— Podemos ter conhecimento de como agirão?
— Temos acessado as regiões subcrostais com esse propósito interferiu Cornélius.
Querem repetir a táctica aplicada ao Evangelho nos tempos do Cristo, ou seja, aprisionar a ideia espírita com os cadeados do dogmatismo e da institucionalização.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 21, 2018 7:55 pm

A criação de um elitismo cultural e administrativo.
Pretendem explorar a milenar tendência do ramo judaico-cristão de ser os proprietários da verdade.
Pelo visto, não anseiam destruir a doutrina, mas menosprezá-la, encarcerá-la nos destrutivos domínios do religiosismo estéril, piegas.
Com o dogmatismo, o homem se abstém do raciocínio, e com a institucionalização cria o padrão.
Se isso ocorrer, nas próximas décadas teremos um novo Catolicismo dentro da comunidade espírita, regado por ideias reducionistas sobre a proposta universal da doutrina e, o mais grave, com atitudes distantes do amor e da fraternidade.
O estado romano agiu com as artimanhas da política alegando protecção aos princípios do Evangelho sendo que, na verdade, articulou-se a velha táctica:
"se não podemos com o inimigo, tornemo-nos amigos dele".
Sob a insígnia de protecção, fizeram enxertos que extinguiram a sublimidade da proposta evangélica na mensagem do cristianismo primitivo.
Nos dias de hoje, a mesma táctica será usada.
Protecção aos princípios da doutrina.
Um novo nome surgirá: pureza doutrinária.
Desta vez o estado romano está desencarnado.
Os verdadeiros inimigos estão aqui, em nosso plano, usando das fragilidades psíquicas dos seguidores do Espiritismo e da mensagem do Cristo. Não podendo exterminar, confundem.
Criarão o certo e o errado.
O certo seria quem anda em conformidade e o errado quem se atreve a fazer algo diverso.
Jogam "cristãos" contra "cristãos".
Que táctica melhor e mais económica poderia existir?
Os próprios espíritas se agredirão para defender uma linha filosófica de pensamento.
Tomarão o texto de Kardec como uma nova bíblia, como se ali a doutrina estivesse pronta e acabada, quando o próprio codificador deixou seus apontamentos como o marco inicial de uma interminável investigação em assuntos da alma.
A base kardequiana com toda sua riqueza e seriedade é apenas uma convocação para a continuidade das pesquisas e das descobertas sobre o universo infinito da imortalidade.
Entretanto, o forte dogmatismo incrustado no campo mental vai estabelecer directrizes de fidelidade aos princípios doutrinários que, de alguma forma, vão recriar a acomodação do imobilismo mental, e serão eleitos "novos sacramentos", ou seja, pontos intocáveis e inquestionáveis no Espiritismo.
— Meu Deus! -exclamei naturalmente.
Não consigo imaginar que o clima de concórdia e trabalho que hoje nos une possa se desviar para essa tragédia moral.
— Dona Modesta -retomou a palavra Isabel de Aragão -não se impressione.
Existem possibilidades enormes de isso ocorrer.
É mesmo previsível que ocorra, não constituindo um desvio, e sim um obstáculo a mais para o progresso da doutrina.
Foram preparados muitos homens para organizar socialmente o Espiritismo no solo brasileiro.
As bases de um movimento de unificação são fontes inspiradoras do Mais Alto.
Evidentemente, esse ideal ficará prejudicado pelos possíveis excessos na forma de pensar e agir.
Eis a razão de nosso encontro nesta hora.
Neste segundo período do planeamento do Espírito Verdade no qual adentramos, serão pedidas, de todos nós, medidas definitivas em favor de um processo histórico harmonioso, tanto quanto possível, aos destinos traçados pelo Espírito Verdade.
Somos todos atraídos para as blandícies do Evangelho.
Mesmo estando na árdua tarefa de correcção espiritual ou ainda atolados nos pântanos das falanges perversas, não passamos de almas em busca de redenção consciencial.
O amor é o único remédio capaz de nos salvar dessa condição moral.
Somos uma família com laços intensos no tempo.
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