Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 8:00 pm

Vemos muitas pessoas que não conseguem ler livros cujo conteúdo versa sobre as trevas.
Nesse sentido, a senhora teria algo a dizer sobre Os Dragões, o trabalho que terminamos há pouco tempo?

Nossa reflexão nesta obra é apenas uma pequena fresta para que o homem, iluminado com o conhecimento espírita, perceba a natureza de nossos desafios e compromissos com as esferas subcrostais.
Falamos menos das trevas de fora que daquelas que trazemos por dentro.
Para quem deseja implantar a luz e o bem, é no mínimo uma obrigação conhecer nossos laços com as comunidades dos dragões.
Para quem se interessa em estudar tais assuntos, a senhora teria alguma sugestão?
A minha sugestão é que tenham coragem de tratar os temas necessários sem as melifluidades típicas de quem está muito preocupado com a opinião pública ou com a pureza dos princípios espiritas.

O que a senhora me diria sobre a previsão feita no livro Os Dragões acerca dos descuidos do movimento espírita na década de 40 e seus reflexos nos dias actuais?
Que os tarefeiros e idealistas da unificação alcançaram êxito no objectivo da unidade de pensamento em torno dos princípios da doutrina.
Trabalho meritório e indiscutivelmente favorável à expansão do Espiritismo.
Falta-nos agora, a todos nós espíritas, trabalharmos arduamente pela unidade no terreno dos sentimentos.
Sem isso, a unificação se manterá restrita ao conceito estagnado de padrão religioso inspirador de sectarismo, exclusão e anti fraternidade.
O melhor conceito de fidelidade ao Espiritismo continua sendo o exemplo, a atitude.
Convenhamos: neste assunto estamos acentuadamente carentes.

Como conceituar unidade dos sentimentos?
Assim como adoptamos uma linguagem para intercambiar conceitos culturais e intelectivos, urge construir também uma linguagem que permita uma comunicação mais afectuosa, autêntica e desprovida de tendências sectaristas nas relações entre nós, que seguimos os ideais da doutrina.
Somente o verniz da educação social de fachada, por meio de tratamentos polidos, não garantirá a fraternidade.
Unidade dos sentimentos significa maior consciência emocional, isto é, o desenvolvimento de noções mais lúcidas sobre vários assuntos da relação humana que se tornam os promotores do revanchismo e da indiferença.

Quais seriam esses pontos promotores de revanchismo e indiferença?
Todos aqueles que se escondem por trás das atitudes que apenas sustentam a aparência de bondade.

Pode nos dar alguns exemplos?
O julgamento que fazemos quando alguém não concorda connosco é um bom exemplo.
Não aprendemos a discordar sem gostar menos.
Habitualmente, riscamos de nossa atenção as pessoas que nos questionam ou não concordam connosco.
A maledicência que espalhamos a título de corrigir situações e pessoas.
Um dos lugares em que a ilusão mais se exterioriza é na língua.
Denegrimos outrem com ares de sabedoria e bondade, buscando convencer pessoas acerca de nossos pontos de vista sobre alguém ou algum acontecimento.
Não conseguimos sustentar bons sentimentos quando alguém age fora das crenças e dos padrões a que nos acomodamos, inclusive padrões e crenças sustentadas com conteúdo espírita.
É de impressionar, nesse sentido, o desprezo íntimo nutrido por muitos homens de bem em relação a pessoas ou organizações que não se alinham com sua forma de trabalhar ou de pensar.
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Ave sem Ninho

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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 8:00 pm

Que sugestão mais urgente nos daria sobre esse assunto?
Que se inicie uma campanha pelas atitudes de amor.
Sem isso, continuaremos digladiando em pontos de vista totalmente sem utilidade para nossa paz.

Como fazer isso, dona Modesta?
Colocando como prioridade a palavra educação, o traço fundamental do terceiro período de setenta anos do planeamento superior, elaborado pelo Espírito Verdade para alcançarmos a maioridade do Espiritismo.
Sem educação emocional, a comunidade espírita se manterá no enfermiço cativeiro dos preconceitos, das cizânias e do vazio interior.
Entretanto, esta é uma atitude que pedirá coragem de quem decida vivenciá-la.

Por que coragem?
É preciso coragem para se desenvencilhar do atraente trono da imagem que fazemos de nós mesmos.
Será preciso muita coragem para assumirmos, perante nós mesmos, o que verdadeiramente sentimos pelos outros.
Depois disso, ainda precisaremos de coragem para saber o que fazer com o que sentimos.
E ainda, mais adiante, precisaremos de coragem para ter atitude de amor incondicional.
Sem atitude de amor incondicional, não teremos unidade nos sentimentos, a verdadeira trilha da unificação com Jesus.
Quem não tiver muita coragem para abraçar com afecto os diferentes e acolhê-los como irmãos de caminhada, com lutas iguais às nossas mesmas, não estará nesse espírito da unidade cristã.
A ilusão da verdade pessoal, infelizmente, impedirá muitos oradores, médiuns, dirigentes, escritores e comunicadores da doutrina, que foram consagrados pela comunidade espírita, de acordar para essa realidade, a pretexto de zelar pela pureza dos princípios da nossa abençoada doutrina.

Que equívoco!

§.§.§- Ave sem Ninho
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Ave sem Ninho

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