Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:19 pm

Ele se auto-denomina inimigo dos espíritas, entretanto, assim o faz por revolta.
Sua inconformação é não ter sido o centro de tal revelação.
Aliás, essa é uma das "mágoas" mais profundas dos comandantes das organizações da maldade.
A história por ele contada no discurso desta noite nada mais é que uma história para convencer aqueles infelizes membros que o seguem cegamente.
Seus verdadeiros propósitos são mais hostis do que hegemónicos em relação à seara.
Faz seus seguidores acreditar que estão trabalhando por um ideal verdadeiro em nome de Jesus.
Na verdade, pretende exterminar toda a organização da doutrina em terras brasileiras.
Quando ele diz que seus maiorais prenderam o Codificador, de facto, estão treinando alguns habilidosos mistificadores clonados que vão trabalhar para enganar espíritas daqui e de lá.
Mancomunados com dragões do Vale do Poder, fazem de tudo para ludibriar.
Poderá conquistar a cadeira maior da organização da maldade, caso consiga destruir a proliferação do Espiritismo no Brasil.
A catedral dos abades dominicanos espíritas é apenas uma das iniciativas por ele comandadas no intuito de sangrar de intolerância a comunidade espírita.
Pesará sobre o movimento espírita uma vibração de rigidez e intransigência que patrocinará muita dor e desistência, conflito e escassez, confusão e desentendimento.
Enquanto homens sinceros nas fileiras da proposta unificadora trabalham com esperança em dias de união e fraternidade, uma fatia de irmãos descuidados tem sintonizado com os propósitos desta estranha sociedade "espírita".
Essa é a Lei.
No fundo, enquanto muitos podem fazer uma análise na qual só encontram perturbação e desordem em tais ocorrências, de nossa parte, nas esferas mais conscientes da vida, entendemos que nada poderia ser de outra forma.
É a nossa família que criou laços e compromissos, recebendo de volta o fruto amargo da própria sementeira.
Torquemada é nosso irmão em franca loucura.
Nós, que procuramos ser úteis fora do corpo, apenas temos uma visão mais dilatada das razões de nossos reencontros, e os irmãos na carne, semeadores da gleba espírita, nada mais são que aprendizes nas suas disposições sinceras de recomeço ante os milénios de trevas nas trilhas da conduta e das escolhas.
Dias sombrios aguardam a comunidade espírita, caso não pratiquemos muita oração e jejum.
Recebemos de Mais Alto apelos de urgência e acção.
Nossa tarefa é retirar o diamante do lodo.
Nada de severidade ou cobrança.
As ordens dos Planos Maiores são de misericórdia incondicional.
Quando o professor terminou sua fala, eu me encontrava literalmente, engasgada.
A emoção tomou-me por completo.
Com muito esforço retomei o curso do raciocínio e indaguei:
— Professor, enquanto o ouço, tenho a sensação de vagar no tempo.
Invade-me um forte sentimento de gratidão e reconhecimento por sua pessoa.
Sou-lhe uma devedora.
— Somos devedores do Cristo, dona Modesta.
O que melhor pudermos oferecer uns aos outros em nome do amor legítimo é apenas oportunidade e bênção da existência em favor de nós mesmos.
— O que será do nosso movimento, professor?
— Aquilo que dele fizerem os homens.
— Fracassaremos?
— Essa possibilidade não é de todo descartada.
Ao final do século, teremos completado mais uma etapa de setenta anos no planeamento do Espírito Verdade para o progresso das ideias espíritas no mundo.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:19 pm

Os efeitos dos acontecimentos de agora se prolongarão para daqui a cinquenta ou sessenta anos.
— E Matias, vai sarar?
— Ele ficará aqui por um tempo.
Cornélius já havia me feito esta solicitação.
Creio ter chegado o instante.
Aqui, em nosso humilde posto de socorro, ele encontrará motivações diferentes para servir no plano físico, intensificando seu desejo de renascer.
— Então ele realmente... -e deixei o professor continuar a frase, tomada pela dúvida.
— Sim, ele voltará ao corpo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
— O senhor, naturalmente, deve saber de nossos laços.
Esta notícia me deixa um tanto saudosa.
Causa-me uma sensação de separação.
— O tempo une quem se liberta, dona Modesta.
Fique tranquila.
Nossos destinos estão de tal forma entrelaçados que dificilmente nos separaremos nos próximos duzentos anos.
O encontro com professor Cícero foi repleto de ensinamentos e especial para o meu coração.
Matias passou, desde então, a manter presença contínua naquele posto em tarefas socorristas ao lado do professor.
Há quem imagine que revelar aspectos sombrios da vida é uma iniciativa aterrorizante.
Entretanto, Jesus, em Sua Boa Nova evangélica, jamais descuidou de citar esta relação entre luz e trevas, assim como Ele jamais deixou órfãos os filhos das sombras.
Como trabalhar pela luz na humanidade terrena sem antes iluminar as faces mais sombrias do planeta?
Existe amor nos pântanos. Há quem ame nos infernos da vida.
O tempo e a maturidade ensinaram-me que viemos de locais similares à catedral erguida por Tomás.
Julgamo-nos muitas vezes um grupo de eleitos pela luz, todavia, desconhecemos nossos elos consistentes com as trevas.
Essa é nossa verdadeira família espiritual.
O abismo, por assim dizer, é o outro lado da face moral de nossa trajectória espiritual.
Reencarnamos, mas trazemos o abismo dentro de nós em forma de impulsos, tendências, sentimentos e intenções.
Aqueles frágeis corações sob o domínio dos abades dominicanos surgiram de uma proposta ferina dos dragões que, ao descobrirem, no iniciar século XX, a acção do Mais Alto trazendo para reencarnar no Brasil aquelas criaturas aprisionadas no Vale do Poder, deliberaram então oferecer carta de alforria em troca de serviços.
Foi assim que milhares de cristãos falidos, aprisionados nas furnas do Vale do Poder, ingressaram nas frentes da catedral de Torquemada, em terras uberabenses.
Uma vez descoberto o movimento de transporte da árvore evangélica, os dragões criaram as "missões cristãs".
Obtendo "sucesso" durante a reencarnação, regressariam com promoções e "liberdade" para fazer o que quisessem.
Foi nesse ambiente espiritual enfermiço que os pioneiros de nossa comunidade doutrinária, homens muito bem-intencionados, mas ingénuos, cometeram um dos mais clamorosos equívocos pela instauração do cristianismo restaurado.
Em suas origens, a inspirada proposta de unificação adoptou o velho desvio religioso de unir homens por conceitos, e não por sentimentos, unir por ideias institucionalizadas e não por valores morais.
Unir casas e não fomentar relações fraternas.
Nessa acção pelo bem do Espiritismo, as relações humanas foram desprezadas.
Amor pelo Espiritismo, desprezo pelo próximo.
Uma incoerência de todos os segmentos religiosos nascidos na Terra em nome do Cristo.
Tivemos, portanto, um vício de origem ou uma origem viciada.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:19 pm

Nessa conjuntura moral uniram-se e reuniram-se as sociedades espíritas de ambas as esferas de vida criando metamorfoses infinitas nas fileiras do Espiritismo brasileiro.
Por não atender aos nossos objectivos neste texto, evitamos os detalhes sobre a carnificina que se tornou a catedral dos abades, na qual até fogueira para queimar pessoas em praça pública foram reactivadas, sob as ordens de Tomás.
O grupo liderado por Torquemada era co-responsável pelas agruras daqueles anos no seio do movimento espírita.
Entretanto, assumamos com humildade, a causa estava em cada um de nós.
A acção dos abades nada mais era que uma soma de interesses, os deles e os nossos.
Aquelas seis entidades ao lado de Torquemada, durante o discurso, eram os autores dos ataques a irmão H., a Atílio e a muitos outros devotados da causa que alimentavam a simplicidade de coração ao invés do verniz do destaque.
A maior revolta de Torquemada era Chico Xavier e sua obra mediúnica, que ele tentou por todos os meios possíveis exterminar, criando as mais geniosas maquinações para humilhar e atormentar a vida de Chico.
Alguns anos depois da convocação do inquisidor naquela catedral, os benfeitores maiores agiram em favor de sua reencarnação5.
O que será de nós senão nos informarmos melhor sobre o mapa de acção dos mentores do mal no mundo?
Que utilidade terá para a Obra Eterna do Cristo a clausura?
Quais benefícios estenderemos para o futuro das sociedades, adoptando a conduta pudica?
Espíritas, meus irmãos queridos, perguntemo-nos a cada dia:
somos um fermento que leveda a massa?
Temos criado um movimento religioso exclusivista, com discurso na salvação, ou estamos usando o poder de renovação das ideias espíritas para construir uma sociedade melhor?
As sociedades "espíritas" na erraticidade cresceram em número e características.
A catedral de Torquemada foi apenas o início de um novelo de acontecimentos.
Qual é a natureza de nossas acções perante o mundo:
religiosismo ou educação libertadora?
A vinda do Cristo à Terra foi como um farol de luz resplandecente, cujo propósito foi nos mostrar a extensão das trevas nas quais vivemos.
Ele passou e, depois Dele, vivemos um incómodo infindável perante a própria consciência.
Seu Evangelho funciona como um espelho a nos revelar, continuamente, as sombras interiores, ao mesmo tempo que nos conclama a despertar Deus na intimidade.
Por que nos surpreender com a catedral de Tomás quando, na verdade, ela é apenas o reflexo de nosso orgulho doentio que nos aprisiona no exclusivismo, na inveja, na vaidade e na arrogância?
Conhecendo melhor nossas trevas, motivamos para o serviço do bem.
Revelando as sombras é natural que trabalhemos ainda mais pela luz.
Sigamos avante na certeza de que esquadrinhar os pátios da loucura humana nos dolorosos fossos de amargura nos infernos nada mais é que descobrir os efeitos possíveis de nossas doenças morais milenares.
Em vez de nos apavorar ou preocupar, ocupemo-nos em estudar nossos laços comuns.
Decerto, isso em muito nos auxiliará no maior dos objectivos:
o desenvolvimento de nosso potencial de luz e talentos entregues pelo Pai para nossa ascensão.
A misericórdia jamais nos faltará até que tenhamos, um dia, os recursos defensivos na própria alma.
Entretanto, um pouco mais é esperado dos trabalhadores da última hora.
Pelo menos se espera que admitamos no coração o quanto existe de nós nessas sociedades das sombras e o quanto delas ainda está vivo em de nós.

45 Rómulo Joviano - chefe de Francisco Cândido Xavier para o qual trabalhava no Ministério da Agricultura.
46 Nota da editora - bula editada pelo papa Gregório IX, em 20 de abril de 1233.
Marca o início da Inquisição.
47 Em 1881, os padres dominicanos se estabeleceram em Uberaba realizando sua catequese na Igreja de Santa Rita que se tornou pequena para tantos fiéis.
Os ritos sagrados são transferidos para a imponente Igreja de São Domingos, inaugurada em 1904.
1 Mensagem extraída do livro A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Editora FEB.
2 Nota da editora -Esses acontecimentos se dão na década de cinquenta, época em que os computadores estavam surgindo.
3 Vide nota de rodapé 2.
4 Cardeal Francisco Jimenez Cisneros -nascido em 1436, foi fundador da universidade de Alcalá de Henares, em Toledo, Espanha -a primeira universidade renascentista, moderada, humanista e universal.
5 Para mais detalhes, leia as obras Sob as Cinzas do Tempo e Do Outro Lado do Espelho, psicografadas pelo médium Carlos Baccelli, de autoria espiritual de Inácio Ferreira, Editora LEEPP.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:20 pm

Capítulo 14 - O Resgate de Irmão Ferreira, O Cangaceiro do Cristo
"Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento."
- Lucas 15:7.

Passaram-se mais de dez anos desde que Matias fora socorrido no Hospital Esperança.
Nossos vínculos reencarnatórios ficaram nítidos nos vários encontros e reencontros nas noites de emancipação pelo sono.
O Hospital Esperança tornou-se a casa protectora de nossos ideais de melhoria e ascensão.
Chegamos, por vezes inúmeras, a consultar em conjunto as fichas reencarnatórias de ambos no hospital.
Tivemos acesso aos mais minuciosos registros de tempos longínquos, e ficavam sempre mais claros quantos laços em comum nos uniam, fora e dentro da matéria carnal.
Quem era Inácio Ferreira e por que nosso coração estava todo voltado ao sanatório.
O que sempre me perguntei ficava mais claro nesse tempo.
Consegui, de forma mais lúcida, a percepção do quanto também eu fazia parte do transporte da árvore evangélica.
Enfim, agora estava mais consciente da extensão de minhas próprias necessidades e das razões que nos uniam a tantas pessoas em Uberaba e no Hospital Esperança.
Minhas ligações com o Vale do Poder eram mais estreitas que se podia imaginar.
Matias, depois de anos em tratamento, iniciou, pelos idos de 1955, suas primeiras actividades de labor mais independente na condução de equipes socorristas.
Desde a sua presença na conversa com doutor Odilon, e depois em estágios com o professor Cícero, assumiu compromissos diários na equipe de Cornélius, que fazia nossa defesa junto às actividades do sanatório em Uberaba.
Embora ainda se mostrasse frágil psicologicamente, guardava mais disposição emocional.
Tinha, ainda, os traços psicológicos de Carlos IX, frágil e confuso.
Sua força mental, no entanto, obedecia a velhas experiências de líder activo e viril que fora em séculos anteriores na escalada das reencarnações.
Pediu seu perdão legítimo ao meu coração, em razão das perseguições descabidas ao sanatório e a mim.
Tratava-me agora com o carinho de um filho disposto ao recomeço.
Quando tinha ímpetos de buscar nossa convivência incestuosa de outros tempos, continha-os.
Passou, para isso, em diversos tratamentos psicoterapêuticos sob tutela do doutor Bezerra.
Por reconhecimento do quanto foi beneficiado, tornou-se, espontaneamente, um protector de nossa casa, conquanto sempre assumisse sua condição de aprendiz e necessitado.
Devido aos vínculos afectivos, passei a perceber a presença de Eurípedes sempre acompanhado de Matias, qual fosse seu serviçal incondicional.
O carinho de Matias para com o benfeitor era justificado pelo socorro prestado anos antes.
Os anos se passaram pródigos em trabalho e aprendizado.
Certa noite, participamos de uma actividade que não poderia deixar de mencionar, na qual Matias deixava clara sua nova condição de cooperador actuante nas fileiras do bem.
Saímos do corpo físico e rumamos ao Hospital Esperança.
Inácio já se encontrava por lá.
Nos portais de saída, inúmeras equipes se organizavam para as tarefas nocturnas.
Apesar do grande contingente de trabalhadores, o ambiente estava calmo.
Pouca luz no ambiente.
Camas de alumínio recordando as salas de autópsia corporal na Terra estavam preparadas e asseadas.
Havia farto material higiénico em pequenas bandejas ao lado de cada uma delas.
Passavam de duzentas acomodações.
Enquanto nos dirigíamos à nossa equipe, observei uma sudorese e taquicardia intensa.
Sentia a gravidade do que me esperava.
Algumas equipes se aprontavam com vestes especiais de cor verde claro, bem similar às usadas nas câmaras de cirurgia no mundo físico.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:20 pm

Odores diversos de medicações, padiolas, aparatos.
Parecia que os grupos se preparavam para uma grande batalha.
Em um dos cantos do imenso salão, avistei Matias, Clarisse, Cornélius e doutor Bezerra, que me chamou com gesto amigável.
Excedendo em minha conduta, dei-lhe um abraço incontido e fui recebida com carinho pelo amorável benfeitor.
Em certo momento, Matias chamou-me até um armário, abriu-o e perguntou-me:
— Essas vestes lhe trazem alguma recordação, dona Modesta?
Busquei na memória algo que sabia conhecer e respondi:
— São vestes de dragões graduados.
— Exactamente.
São os paramentos dos justiceiros.
— Por que as guarda?
Você vai usá-las?
— A tarefa desta hora exige cautela nos detalhes.
O local que vamos entrar é tomado por dragões empedernidos.
— Posso saber aonde iremos?
— Resgatar um coração querido nos lagos de enxofre do Vale do Poder.
— Alguém conhecido?
— Há um coração querido em penúrias nos regimes infernais de escravidão.
É irmão Ferreira, o Rei do Cangaço!
— O famoso...
— Sim, ele mesmo!
— Como ele se encontra?
— Uma trama traidora, própria desses sítios de dor, fez com que o encarcerassem.
E muito rapidamente vem perdendo a consciência a caminho do ovoidismo, na condição de um vibrião.
— De ovóides já ouvi falar, e os vibriões, o que são?
— Vibrião é o nome usado no vale para criaturas com larga soma de culpa consciencial.
São largadas em açudes fétidos, únicos locais onde conseguem uma réstia de vida, até que seja decidido como serão usados.
São vigiados e mantidos lá por longo tempo.
Habitualmente, são manipulados para acções de vampirismo nos planos enfermiços dos comandantes do mal junto aos encarnados.
Não tendo nenhuma capacidade de reacção, servem como predadores inconscientes.
— Ele foi tão mau assim?
É verdade o que dele falavam?
— Maldade circunstancial desse mundo de provas e expiações.
É um espírito cansado do mal.
Chamamos esse processo de saturação psíquica.
Ele não é mau por opção.
Pelo contrário, só não sabe como materializar o bem que gostaria.
Sua condição, portanto, não é muito diversa da nossa.
Suas intenções são pela justiça e pelo amor.
Espíritos como ele, destemidos e com tanto tempo em regiões abissais, amealharam extenso cabedal de vivência.
Urge resgatá-los para o serviço de aprimoramento.
Depois serão discípulos corajosos do Cristo.
— Compreendo - falei sensibilizada pela clareza com que Matias me esclareceu.
Ficava nítida sua melhora em todos os aspectos.
Já passava de meia-noite quando partimos.
Um deslocamento rápido e chegamos a um lugar escuro.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:20 pm

Respirávamos com dificuldade.
Doutor Bezerra pediu-nos a oração e solicitou um instante de concentração.
Uivos e urros estridentes podiam ser ouvidos a distância.
O cheiro de enxofre exalava, agravando ainda mais a absorção de oxigénio.
Andávamos devagar e vimos Clarisse vindo em direcção contrária, acompanhada de Isabel de Aragão.
Cumprimentamo-nos em voz baixa e nos separamos.
Por um lado, fomos Matias, doutor Bezerra e eu.
Os demais seguiram na direcção oposta.
Avistei, então, o açude.
Era um lugar pútrido.
Aves de estranho formato faziam voos rasantes sobre aquele líquido efervescente, o odor era sufocante.
Matias ensinou-me uma técnica e melhorei minha respiração.
De repente, vi raios e trovões na outra ponta do lago.
Percebi que eram provocados por nossa equipe, que se tornou visível ante o clarão das rajadas de luz.
Notei que muitos vigias correram para o local, desguarnecendo o ponto em que nos encontrávamos.
Ocultávamo-nos atrás de uma pedra repleta de gumes e lodo repugnante.
Doutor Bezerra, com uma voz paternal e meiga, ordenou:
— Mantenham-se no clima da coragem e da confiança em Jesus!
Podem se aproximar do local.
Doutor Bezerra, por meio de um fenómeno de ordem mental desapareceu aos nossos olhos.
Tornou-se invisível.
Matias convidou-me e seguimos juntos.
Começamos a nos deslocar na direcção do açude.
Gritos estridentes e melancólicos machucavam meus tímpanos.
Vinham carregados de angústia e dor.
Eram vozes humanas intercaladas com grunhidos.
Em alguns lugares, o líquido mexia à semelhança do que ocorre nas pescarias, quando da presença de um cardume.
Andávamos cautelosamente rente às margens.
Uma névoa amarelada fumegava a alguns centímetros do solo.
Inesperadamente, um braço saiu de dentro e agarrou-me o pé.
Desejei gritar, mas apenas olhei para Matias, que levou o indicador ao nariz pedindo silêncio.
Recordei a cena que vivi nos campos de concentração da Alemanha e, repentinamente, a mão escorregadia soltou-me, deixando uma porção de substância aquecida e esverdeada em meu pé.
Passei a experimentar contracções abdominais seguidas de vómitos.
Percebi pela vidência que doutor Bezerra espalmou a mão direita sobre minha cabeça, aliviando-me.
Seguimos adiante.
Matias procurava alguém.
Um homem alto e paramentado surgiu à nossa frente:
— Alto lá! Que querem por aqui?
— Não me conhece, Zenon? -disse Matias com intimidade.
— Matias! Seu crápula!
Que bom que voltou!
— É sempre bom rever os amigos, Zenon!
Após algumas palavras pouco éticas que traduziam a "alegria" do vigia, ele indagou:
— E esses? São seus amigos?
— São.
— Por onde você andou?
Ouvi contar muitas mentiras sobre você.
— Estou no trabalho, como sempre.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:20 pm

Em meio à conversa dos dois, na outra ponta do açude, novos raios de intensidade maior chamaram a atenção de Zenon.
Ele perguntou:
— A equipe dos raios na outra margem está com você?
— Sim!
O vigia tomou de um apito pendurado no pescoço autorizando a visita.
— E o que te traz aqui, velho justiceiro?
— Negócios!
— Não vá me dizer que tem alguém que te interessa nesta latrina.
— Tem!
— Procura alguma vadia?
— Não se trata disso, Zenon.
— Quem se interessaria por esses restos de gente senão os seguidores do famigerado Jesus?
Porventura se tornou religioso, Matias? -e deu uma irónica gargalhada.
— Zenon, sem lengalenga.
Vamos negociar ou não?
— Depende! - e deu outra desagradável gargalhada.
Ouvi dizer que você debandou!
Será que agora seus negócios envolvem...
Matias, não o deixou completar a frase.
— Com essas vestes de dragão que estou usando, você tem coragem de acreditar nisso? - Matias falou com voz firme, quase ordenando.
— Não sei! -titubeou o infeliz.
— Só espero que não tenhamos de rinhar.
— Isso não, Matias. Não foi...
— Mas parece ser o que você quer! Ou não?
— Espere aí, Matias, vamos com calma.
Vejo que continua o mesmo!
O que você quer levar?
Pode escolher, se algo lhe agrada nesse monte de estrume, leve!
— Não terá problemas com os "superiores"?
— Problema?! Eles nem perdem tempo com essa traça aqui.
Os açudes de preferência deles ficam distantes, como você deve saber.
— Não mudaram muito o gosto, não é mesmo?
— Nem um pouco -e fez um sinal de desprezo aos seus "superiores".
— Em que ponto do açude está Ferreira?
— O velho bandoleiro?
— Ele mesmo.
— Que vai fazer com aquele verme traidor?
Vingança particular?
— Isso é problema meu.
— Tudo bem! Tudo bem! Sem rinha.
Terei alguma recompensa?
Qual o negócio?
— Tenho informações de Zara, sua filha.
— Zara? -a informação de Matias despertou enorme interesse em Zenon e também em mim.
— Veja esta foto -e tirou do bolso o retrato de uma jovem.
Ela está com dezoito anos no corpo, na cidade de Florianópolis.
Passo-lhe depois o endereço, caso me ajude no que preciso.
— É ela ou quer abusar de mim?
— Tenho informação segura.
Confie em mim. Seu velho amigo não te decepcionará.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:21 pm

— Veja aquela pedra de ponta aguda - e apontou para um local no meio do lago.
Lá costuma ficar o Ferreira.
Agora me dê a foto.
— Tome-a, é toda sua.
E respeite minha acompanhante enquanto o procuro.
Não acreditei no que vi.
Matias mergulhou naquele poço nauseante.
Desapareceu.
O vigia, depois disso, calado e soturno, olhava-me com desconfiança, fazendo uma carantonha de dar medo.
Não conseguia fixar-lhe no olhar.
Estava muito apreensiva com todas as ocorrências.
Sem a presença de Matias senti-me insegura.
Entretanto, podia sentir a mão de doutor Bezerra, que permanecia invisível aos olhos e presente no campo mental.
Zenon, um tanto inconveniente, não perdeu a ocasião:
— A senhora é mulher de Matias?
— Não. Sou mãe dele -falei com firmeza na voz.
— Tão conservada! -e me deu um olhar lascivo de cima abaixo.
A senhora parece ser boa nisso!
— Boa em que, Zenon? -disse sem tirar os olhos do açude lamacento.
— Tem olhos de serpente!
Daria uma óptima companheira-vigia aqui no lago.
— Companheira para que, Zenon?
— Sinto-me muito sozinho nesta tarefa.
Quem sabe não desejaria vir aqui passar as noites e...
— Cale a boca, vigia!
Pensa que sou tola? -ríspida e directa, desconcertei o homem.
— Não quis ofender!
É que poucas mulheres aparecem por aqui, e...
— Equivoca-se quanto a mim.
Mantenha sua tarefa e eu a minha.
Aproveite para pensar em sua filha, que precisa muito de você.
Zenon sossegou a língua ante minha determinação e rispidez.
Passaram-se cinco minutos até que a outra parcela de nosso grupo chegou andando até onde estávamos.
Estavam Inácio, Cornélius, Clarisse e alguns auxiliares.
Subitamente, quando todos estavam reunidos, faltando apenas Matias e Isabel, doutor Bezerra ficou novamente visível a todos.
— Então é o velho Bezerra que está por trás desta visita?
Eu sabia que Matias tinha debandado!
— Matias lhe trouxe notícias de Zara, e nós a socorremos ainda hoje -expressou doutor Bezerra, procurando um curso útil para o encontro.
— Alegro-me por isso. O que sabem sobre ela?
— Ela se chama Rosália no novo corpo.
Estará em Uberaba logo pela manhã.
Vai se internar no sanatório espírita de dona Modesta.
— Sanatório? A tal Modesta dos espíritas?
Aquela louca de Uberaba?
Não acredito! Qual a razão?
— Rosália está envolvida com criminosos confessos.
— Está louca?
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:21 pm

— A caminho disso, caso nada façamos.
— Vou procurar por ela agora mesmo.
Não preciso de vocês.
Tenho meus contactos.
— Calma, meu bom Zenon!
Você poderá ser muito útil.
— O velho golpe do "venha para o meu lado", não é "doutor"?
— Quando foi que te enganei, meu filho?
Zenon emudeceu e repentinamente vimos o líquido viscoso do açude se agitar perto de nós.
Num salto, Matias saiu daquele lamaçal trazendo nos braços um trapo humano.
Os padioleiros aproximaram-se e começaram a limpar as narinas daquele homem magérrimo, escalpelado pelos componentes químicos daquele líquido efervescente.
Sem veste e com pele totalmente acinzentada, nem sequer abriu os olhos.
Balbuciava sons estranhos e sem sentido.
Era irmão Ferreira.
— Tarefa cumprida! -disse Matias.
— Cumprida, não, seu traidor de uma figa!
Disse para mim que não tinha debandado!
— Eu não lhe devo satisfações, Zenon!
— Na minha área você me deve tudo.
— E Zara não significa tudo para você?
Eu não vim aqui sem algo de seu interesse.
Sei como funciona o "negócio".
— Como saberei se essa tal Rosália é mesmo Zara?
— Tome o endereço, Zenon.
Certifique-se você mesmo.
— Se não for ela, juro que os denuncio...
Todos saíram sem nenhum incidente digno de nota.
Matias, no entanto, pediu ao amorável Bezerra para ficarmos um pouco mais, ele e eu.
Zenon foi cumprir sua rotina, apreensivo com as informações.
Matias, então, me disse:
— Olhe bem, dona Modesta!
Agache-se aqui comigo à beira do açude.
— Sim, Matias.
— Pegue um pouco dessa substância pútrida, feche os olhos, esfregue-a nos braços e depois a aproxime das narinas.
Nada poderia ser tão real.
Imagens claras se formavam no meu campo mental.
Abri os olhos para espantá-las. Tudo em vão!
Estavam vivas e em movimento à minha frente, como uma nuvem contendo ao centro as cenas de meu passado.
Via-me na mesma condição da criatura recém-resgatada dos lagos fétidos.
Tive medo.
Comecei a perder o controle.
Lembrei-me das crises durante a passagem pelos vales.
Repentinamente, Matias bateu fortes palmas sobre minha cabeça, seguidas vezes, e voltei a mim.
Regressamos ao hospital.
Já passava das duas horas da madrugada.
Amigos carinhosos cuidaram de meu regresso para perto do corpo, em favor do descanso físico.
Novas e imorredouras lições se arquivavam em minha alma.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 01, 2018 9:21 pm

Capítulo 15 - Os Laços entre o Templo de Luxor e o Hospital Esperança
"E, vendo isso, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo:
Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador.
E, de igual modo, de Tiago e João, filho de Zebedeu, que eram companheiros de Simão.
E disse Jesus a Simão:
Não temas; de agora em diante serás pescador de homens."
-Lucas 5: 8 e 10.

O resgate de irmão Ferreira foi a última acção colectiva da qual participou Matias, porque alguns meses depois chegavam notícias novas.
Em uma noite de actividades fora do corpo, ele veio me confidenciar:
— Dona Modesta, tenho boas notícias!
— Quais são, Matias?
— Fui avalizado para o renascimento.
— Que bela notícia, meu filho!
Vejo que a vida vai nos trocar de posição.
Eu estou quase vindo para cá, e você vai regressar.
— Como será isso, dona Modesta?
Como ficará a protecção ao sanatório?
— Matias, desocupe sua mente.
Não ficaremos à míngua em uma tarefa que não nos pertence. Acalme-se.
— Eu sinto um misto de alegria e medo.
Cornélius, marcou uma entrevista para amanhã cedo a fim de me relatar pormenores meu projecto de reencarnação.
— Tenho certeza de que você receberá todo o preparo necessário.
Agradeça a Deus pela bênção do recomeço.
Matias mostrava-se muito apreensivo.
Sabia que o corpo seria a única alternativa para aliviar-se das tormentas mentais que o assaltavam periodicamente.
Porém, o desafio de vencer a si próprio, o perturbava.
No dia seguinte, nas dependências do Hospital Esperança, Cornélius o aguardava para a entrevista.
O seareiro de Jesus, tão logo chegou Matias, disse-lhe:
— Reencarnar, meu filho, é o mesmo que se submeter-se a uma cirurgia de risco.
Sem ela, no entanto, nossas chances de manter a saúde são escassas ou, até, inexistentes.
— A sensação que trago comigo é como se fosse entrar para um lugar no qual estarei sozinho, sem ninguém para ouvir ou pedir amparo.
Sinto-me como se fosse para uma prisão.
— Se pensarmos no agora, de modo imediato, realmente você não tem ninguém para o recomeço, a não ser os pais.
Não se esqueça de que o tempo, o novo lugar e as novas companhias, trarão perspectivas inimagináveis e ricas de esperança.
Você terá professores, vizinhos, escola...
— A propósito, Cornélius, meu bom amigo, eu posso saber algo sobre quem serão meus pais?
— Essa é uma das principais razões de marcar essa entrevista, meu bom amigo.
Fazem-se necessários alguns esclarecimentos para sua melhor orientação emocional e mental.
Seus futuros pais são duas pessoas comuns.
Trabalhadores honestos em seus deveres. São pais neutros.
— Pais neutros?! - expressou Matias em dúvida.
— Eles não guardam elos pretéritos, portanto, há possibilidades de serem ou não tecidos laços afectivos consistentes para o futuro.
— Por que foram escolhidos pais neutros?
— Para sua segurança.
Com eles, aumentam as chances de que as experiências da dependência emocional ou dos abusos afectivos não venham a fazer parte do histórico de sua educação.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 8:59 pm

Isso terá uma influência decisiva em favor de seu reerguimento consciencial.
— Em que sentido?
— Na construção da sua autonomia, da sua capacidade pessoal em identificar as reais necessidades conscienciais em detrimento das escolhas alheias.
As relações com larga carga emocional poderiam constituir prejuízos à sua estrutura mental, em face da fragilidade de suas recém-findadas vivências corporais em regime de enfermidades psíquicas.
As relações familiares na Terra, conquanto tenham progredido sob o enfoque da protecção social e na consolidação de laços afectivos abnegados e valorosos, com raras excepções educam para o exercício da singularidade.
Quase sempre são tecidas com os fios da expectativa exacerbada, gerando controle, posse e sofrimento.
As famílias do futuro terão concepções mais nobres acerca do ato de educar e amar, não confundindo educação com desrespeito à individualidade ou o amor com possessividade.
A grande maioria das relações familiares, mesmo enriquecidas de afecto e bondade, ainda palmilha os lamentáveis caminhos do egoísmo, que constrói algemas de ciúme e prisões de apego no recesso dos lares.
— Compreendo. Serei amado?
— Seus pais farão o melhor possível.
Sua tarefa, no entanto, ao longo da primeira metade de seu trajecto reencarnatório, está planeada para dar sem ter, fazer sem medir obstáculos.
Não te faltará o necessário, o básico, esteja convicto disto.
— Sinto-me como se fosse morrer, Cornélius.
Não fossem o carinho e as orientações recebidas de vocês, no Hospital Esperança, e meu estado íntimo, ainda carente, grita para não voltar à matéria.
— Você estará muito ligado a nós, meu caro Matias.
Mais do que imagina.
— Como?
— Eurípedes recebeu a incumbência superior de formar um plantel de médiuns com intuitos específicos junto a algumas comunidades religiosas.
Sua reencarnação, amigo, integrando essa multidão de homens e mulheres, obedece a essa iniciativa de levar uma luz que retalie o preconceito e engrandeça as fileiras religiosas com o espírito renovador da liberdade e da fraternidade legítima.
— Serei médium?
— Será.
— Em Uberaba?
— Não, Matias.
Será médium na comunidade espírita em cidade próspera.
Manterá seus laços connosco no decorrer da caminhada e terá uma tarefa árdua.
— Posso saber algo a respeito da tarefa que me aguarda como médium?
— As vozes dos céus querem falar com os homens.
Núcleos religiosos diversos, incluindo a seara espírita, na qual abundam os médiuns, recebem manifestações no intuito de ampliar a visão dos homens acerca das paisagens da vida espiritual.
Observa-se na Terra, nesses últimos anos, desde a Segunda Guerra, que as sociedades se organizam para largas passadas no progresso.
Um sopro de humanismo tomará conta de todas as nações nos próximos cinquenta anos.
Apronta-se uma ampla mudança social na virada do século.
Os padrões mais conservadores sofrerão lufadas impiedosas nos hábitos, conceitos e ideias.
A ciência avançará, a religião reexaminará suas teorias, a escola repensará seus métodos.
Novas e mais adequadas noções vão orientar as relações sociais no futuro, a partir dessa próxima década de 1960.
Nesse cadinho transformador, surgirá a necessidade de referências seguras sobre como se conduzir sem se perder no emaranhado dos conflitos.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 8:59 pm

A religião terá papel muito valoroso nesse tempo.
O Espiritismo, como alavanca social, cooperará com a noção ampliada da imortalidade.
Para isso, a comunidade que se inspira nos princípios doutrinários deverá dispor de uma noção plural, a fim de que possam se estabelecer pontes com todos os ramos do conhecimento humano.
No caso dos médiuns espíritas, na virada do milénio compete-lhes dissecar o mundo dos espíritos com noções mais exactas do que aguarda o homem no trajecto da Terra para cá.
Conscientes de que o conjunto das almas renascidas no seio da comunidade carrega larga soma de dogmatismo no pensamento e sectarismo nas atitudes, será imperioso romper com conceitos estagnados.
— Mas eu tenho condições de ajudar nessa missão?
— Quem não tem condições de ajudar, meu caro irmão, quando o coração se apaixona pelo bem?
— Sendo um pedido superior feito ao benfeitor Eurípedes, fico intrigado com a ideia de fazer parte disso.
— Deus conta com todos.
— Eu sei.
— É natural que você se sinta temeroso.
Entretanto, o aval para tarefas específicas não dispensa o socorro preciso e a força necessária.
As mudanças sociais planejadas para o planeta nos próximos cinquenta anos são decisivas para o futuro da humanidade.
Os cuidadores do orbe deliberaram transformações inadiáveis.
Veio do templo de Luxor a tarefa a ti designada.
— Luxor?
— Será que nunca ouviu nada sobre Luxor aqui no hospital?
— Muitas vezes.
Nunca, porém, me interessei pelos detalhes.
— Pois chega o momento de aprofundar teus conhecimentos.
Luxor, um dos mais importantes templos da margem oriental do Nilo, é uma das antenas transceptoras de energia e contacto entre nosso planeta e os orbes de onde se originaram as raízes das raças humanas.
Seu tutor é Seraphis Bey, cuja missão é ser o orientador das religiões humanas.
Uma alma com larga soma de bagagem reencarnatória.
Os laços entre Eurípedes Barsanulfo e Seraphis Bey transcendem o tempo terreno.
Desde o início da construção do Hospital Esperança, sob tutela de Agostinho de Hipona, João Evangelista e outros tutores, veio de Luxor o aval para erguer mais esta tenda de amor para iluminar as furnas da maldade e cooperar com a expansão do bem em nossa casa planetária.
— Seria Luxor um posto avançado do Cristo?
— Sem dúvida.
A humanidade conta com esses plantéis de serviço activo e consagrado ao bem em todos os continentes.
Postos de abastecimento com funções muito específicas e bem próximas do solo terreno.
Digamos que são eles os vigias maiores do planeta, sem os quais talvez já não mais houvessem vida entre nós.
— Como funciona um caso como o meu?
O mestre de Luxor tem algum documento no qual está incluído meu nome?
— Irmão querido, vamos mais longe.
O nome de cada habitante da Terra está na "mesa" de Jesus.
A educação religiosa deficiente talhou noções muito distantes da extensão da misericórdia divina.
Há mais interesse pelos habitantes terrenos nos planos superiores do que se pode imaginar.
— Eu realmente me surpreendo com a grandeza da bondade do Mais Alto.
— Como avançar sem isso, Matias?
— Sim, é verdade.
Sem o estímulo da luz, não daria conta de minhas sombras pessoais.
Entretanto, chego a asilar um sentimento de dúvida sobre tamanha expressão de bondade do Mais Alto.
— Essa é a lei.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:00 pm

Há uma organização do bem muito mais completa, sábia e amorosa que se pode imaginar neste planeta.
Quem se espanta com a organização da maldade nem de longe imagina o que fazem e podem os semeadores do bem.
Não há uma frente de serviço nos continentes humanos sem assistência, disciplina e amor.
Você talvez não imagine, mas veio de Seraphis a autorização para erguer os sanatórios espíritas para tratamento da loucura, que se organizaram em pleno início do século XX no Brasil, assim como ocorreu com o Hospital Espírita de Porto Alegre, o Hospital Américo Bairral, em Itapira, e diversos outros pelo país.
Com funções sociais divergentes do sistema público, primavam pelo carácter humanista e espiritual.
A loucura colectiva pesava muito sobre o campo energético da Terra naquele tempo, criando a poderosa corrente magnética da guerra que viria a espocar em duas etapas, em 1917 e, mais tarde, em 1945.
Seria necessário dilatar o número das reencarnações depois de um longo caminho de desatinos no Velho Mundo, desde a Idade Média, que continuava criando reflexos até aos primeiros tempos do século XX em ambas as esferas da vida.
Era como uma panela de pressão.
Era necessário abrir um canal para desobstruir os "tumores vibratórios" que se adensavam.
Na mesma ordem, os Centros Espíritas, com as reuniões socorristas, prestaram enorme contribuição, acolhendo sofredores de todo jaez.
Em todos os recantos foram tomadas providências preventivas contra as grandes guerras e todos os morticínios do século.
Não fossem tais medidas, a humanidade estaria dizimada.
Nunca faltou ordem, preparo e trabalho nas hostes mais elevadas na hierarquia espiritual da Terra.
Luxor é, por assim dizer, a fonte energética abundante e poderosa que protege a nossa casa planetária contra o campo energético da magia negra e das forças dementais criadas pela maldade no intuito de escravizar e destruir.
É o centro essencial da queima do poder destrutivo.
Seraphis é o magíster do raio branco, mantenedor da saúde e da ordem, da disciplina e da pureza.
Todos os servidores activos nas mais diversas colónias e cidades, postos e plantéis de acção no bem encontram nesse pólo fecundante as vibrações indispensáveis ao suporte, reposição e aplicação de forças sadias e curativas.
— Poderia visitar esse lugar antes de meu renascimento perguntou Matias, com certa amargura na voz.
— Torna-se necessário que conheças Luxor, meu caro irmão.
— Conhecerei Seraphis?
— Talvez amigo. Talvez!
— Quando será?
— Breve, muito breve.
Na próxima caravana de limpeza astral incluiremos seu nome.
— O que são tais caravanas?
— São actividades desenvolvidas por um dos departamentos do hospital que se incumbe de conduzir grupos de médiuns encarnados, em desdobramento, para a limpeza dos corpos energéticos profundos.
Em Luxor, no templo de Karnak, a engenharia sideral dos deportados construiu, ao longo de milénios, um dos mais avançados postos de magia e tecnologia na erradicação dos efeitos da doença e da prática predatória do vampirismo sombrio.
Quando homens na Terra, em luta pela construção interior dos valores nobres, ou mesmo em condições excepcionais, não apresentam as expressões da melhora moral, são levados para os leitos de recuperação através de operações que transcendem os mais vastos conhecimentos da sabedoria humana.
Cirurgias em corpos mentais, desobstrução de canais entre a matéria densa e o corpo mental superior, transplante de chacras, transfusão de fluido mental mediúnico para o exercício temporário de mediunidade, limpeza e protecção do corpo mental inferior, destruição de núcleos sustentadores de ideoplastia das reencarnações anteriores, acção no mapa genético do corpo mental superior para supressão de doenças, injecção de antídotos para os sete grupos dementais de doenças da Terra, enfim, são muitas as iniciativas da medicina imagística de Luxor e seus ascencionados.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:00 pm

Você passará por uma cirurgia de integração do inconsciente e terá aplicação do elemental fogo em seu mapa genético.
— Integração do inconsciente?
— Para almas como nós, que trafegamos da insanidade para a recuperação da consciência lúcida, tal medida se torna fundamental no estágio de vida que você vai experimentar na matéria.
A doença mental, no seu caso, vai entrar na fase de conclusão.
Já será a oitava reencarnação em que a perturbação mental lhe acarreta dores sem conta.
As três últimas foram recuperativas, embora seus fracassos conscienciais.
Se você se conduzir com acerto na sua actual reencarnação com o uso correto da mediunidade, sairá com sua sanidade retomada em nível de saúde e libertação das velhas angústias que ainda o atormentam.
Para que tenhas chances mínimas de êxito, a mediunidade te será conferida como medida de cautela e misericórdia, que será como um escafandro seguro para que possas fazer as necessárias incursões no mar de seu inconsciente sem perturbações de vulto.
Em seu favor, serão fortalecidas as defesas de seu corpo mental superior no elemental sadio correspondente à chama prânica, isto é, o fogo astral, com larga capacidade de eliminar automaticamente a matéria mental da angústia e da depressão, limpando todo o campo energético de bacilos, crostas de infecção e quaisquer componentes agressivos ao equilíbrio da sua ecologia energética sistémica.
— Você falou que em Luxor são tratados sete grupos dementais de doenças.
— Sim. Ao longo da trajectória da maldade organizada no mundo, os cientistas das trevas criaram dementais artificiais para a destruição do planeta.
O plano era manter toda a humanidade em cativeiro fora da matéria e desonrar os planos de Cristo, como você já sabe.
Para isso, foram criando grupos de desordens, ora provocadas por bacilos, ora por vírus ou outra forma de contágio.
Nos últimos 3.000 mil anos, conseguiram inseminar do astral para o corpo físico as mais grotescas formas de patologia, que, a rigor, são classificadas, por eles, em sete grupos principais.
O câncer é uma delas.
— Somente doentes como eu, em etapa de fechamento, podem submeter-se a experiências desse porte?
— Se tal iniciativa fosse conferida a quem estivesse em fase inicial de desarmonia mental, certamente seria uma porta aberta para a loucura declarada.
Não será exagero dizer que os médiuns, especialmente aqui na Terra, em sua maioria, quanto mais ostensivos, mais indícios de terem trafegado pela prova da loucura.
Tendo o inconsciente invadido pela perturbação em estágios enfermiços de remorsos e dor, o espírito, paulatinamente, vai desenvolvendo resistência e poder mental, quesitos indispensáveis para possuir forças mediúnicas activas e sensibilidade para níveis diferenciados de energia.
— É bem o meu caso, Cornélius.
— O nosso, meu irmão! O nosso!
Aliás, das experiências que conheço de reencarnação de corações que serviram aos dragões, desconheço uma que não tenha regressado como médium.
— Temos muito que esquecer.
É uma tormenta mental.
É meu único alento ao pensar que regressarei à carne.
— Você triunfará, Matias.
Sua alma anseia ardentemente o bem.
Isso basta para um bom recomeço.
Apenas não nutra ilusões de vitória fácil ou êxito pleno.
A acomodação e o perfeccionismo afastam-nos do esforço imprescindível.
Além disso, conte com seus anos de serviço nesta casa, que aliviaram, sobremaneira, seu campo psíquico.
— Isto é uma verdade!
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:00 pm

Sinto-me muito melhor diante da sensação de arrependimento e fracasso.
Essa limpeza energética de médiuns só pode ser feita em Luxor?
— Não, Matias.
Mas lá, por agora, ainda é insubstituível.
— Quer dizer que o homem reencarnado que for a Luxor passará por essas experiências psíquicas?
— Os médiuns na matéria poderão perceber nuanças da Luxor astral.
Os demais sentirão a aura contagiante do lugar.
Porém, prepare seu coração para uma vivência inesquecível.
Penetrar a Luxor dos antepassados egípcios é uma experiência surpreendente para nós, fora do corpo físico.
O benfeitor Eurípedes trabalha arduamente para conseguir implantar aqui em nossa casa de amor, até o ano de 1970, uma réplica da câmara de limpeza dos magos de Karnak, a exemplo da réplica da Casa do Caminho que existe na entrada do hospital.6
Dessa forma, com o tempo, as limpezas astralinas nos médiuns poderão ser feitas aqui mesmo com uso de matéria produzida em Luxor, que será teletransportada.
A conversa entre Cornélius e Matias se repetiu por longos meses.
Matias necessitou de muito arrimo para seu retorno à matéria.
A última cena que tenho em minha recordação mental, antes de seu regresso ao corpo físico, foi o abraço terno e filial de Clarisse, que lhe segurava as mãos diante do pranto incontido do reencarnante.
No dia seguinte, Matias entrou em hipnose profunda ligado ao novo corpo em formação.
Irmão Ferreira, presente neste momento, não conseguiu conter a emoção, mesmo com sua típica rudez.
Guardava enorme gratidão pelos esforços do mergulhador Matias em seu resgate.
O sanatório, em Uberaba, passou a receber vigília de irmão Ferreira em substituição a Matias e seu grupo, a partir de 1960.
No dia 8 de agosto de 1964 eu também deixei a matéria, exactamente no dia de São Domingos de Gusmão7, espírito que ainda hoje luta para se desenvencilhar de suas experiências na comunidade dos dragões.

6 NOTA DO MÉDIUM: mais detalhes podem ser lidos na obra Lírios de Esperança, de Ermance Dufaux, Editora Dufaux.
7 Nota da editora: vide informações de Irmão X, através do médium Francisco Cândido Xavier, na obra Reportagens do Além Túmulo, capítulo Amarguras de um santo.
Luxor e o Hospital Esperança, até os dias de hoje, fazem parte de uma rede solidária de misericórdia e bondade que se estende pelo planeta no serviço incansável de reerguer almas para o bem de todos.
Uma fraternidade astralina que ultrapassa qualquer conceito concebido na vida terrena sobre segurança, protecção e actividade socorrista.
Graças a essa frente de benesses, o mundo avança, pouco a pouco, para melhores destinos, garimpando diamantes atolados no lodo da maldade e da ignorância.
A exemplo do que afiançou Jesus a Pedro:
"Não temas; de agora em diante serás pescador de homens", em Lucas, capítulo 5, versículo 8 e 10, os planos de Deus são de salvação e amparo, visando à glória do trabalho e da redenção colectiva.
Graças a essa luz de esperança emanada de Luxor, Matias regressou ao corpo como Demétrius, o médium dos ensinos de Clarisse no GEF - Grupo Espírita Fraternidade.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:01 pm

Capítulo 16 - Regressando à História do Médium Demétrius e as Novas Alternativas na Medicina Energética
"O homem que sofre assemelha-se a um devedor de avultada soma, a quem o credor diz:
"Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, quitar-te-ei do restante e ficarás livre; se o não fizeres, atormentar-te-ei, até que pagues a última parcela."
Não se sentiria feliz o devedor por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve?
Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?"

-O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 12, item 5

Após contar a longa história dos dragões para as equipes ainda presentes durante aquela semana de lições junto ao GEF todos estavam muito pensativos sobre a teia das reencarnações e sua influência sobre a vida de cada um de nós.
Passamos cinco dias envolvidos no clima astral do GEF, contando, discutindo e recontando lances da história das legiões da maldade e os laços que guardamos com todas elas.
Aqueles caravaneiros, agora mais bem esclarecidos sobre as lutas de Demétrius e do GEF, guardavam maior soma de compreensão e bondade.
Demétrius passou a ser visto como um exemplo de coragem e persistência.
Suas mágoas e fragilidades tomaram novas perspectivas aos olhos dos mais rigorosos.
Não havia agora quem, entre os grupos visitantes, lhe endereçasse um olhar de reprimenda, embora ainda mantivessem muitas dúvidas justas e também alguns preconceitos.
Foram dias muito proveitosos de estudo e trabalho.
Centenas de perguntas e muitos debates foram levados a efeito ao longo de novos acontecimentos que se desenrolaram após o evento de congraçamento promovido pelo GEF.
Preparamos um dia de despedidas antes do retorno de todos aqueles grupos de desencarnados aos seus ambientes de trabalho em diversas cidades e estados brasileiros.
Na ocasião, trouxemos Demétrius ao Hospital Esperança, a fim de que pudessem, os aprendizes, senti-lo mais de perto de nossa faixa de acção.
Era uma sexta-feira, por volta das vinte e três horas.
Demétrius, em desdobramento, chegou acompanhado por Clarisse.
Logo que me viu, abraçou-me ternamente como uma criança, e lhe falei:
— Demétrius, atendendo a vários pedidos, quero apresentar-lhe o grupo de amigos que nestes últimos dias visitam o GEF com intuitos de aprendizado.
Sentindo-se um tanto inibido, cumprimentou a todos, dizendo:
— Sejam bem-vindos, amigos queridos.
Espero que possam ter aprendido algo de útil.
Creio que não é novidade para vocês as lutas que temos passado no grupo, mas confio em dona Modesta, porque se ela lhes permitiu a presença em momento de tanta desarmonia entre nós, no plano físico, deve haver um motivo sadio.
Todos olhavam para Demétrius com admiração.
Nem ele podia imaginar a natureza dos sentimentos que povoavam os corações presentes.
Quem lhe havia, dias antes, endereçado olhares de repreensão e julgamento por sua condição enfermiça, agora alimentava a nobreza do respeito e da complacência ao recebê-lo pessoalmente.
O médium recebia abraços de legítimo reconhecimento de todos refazendo-lhe as energias ante as lutas terrenas.
— Sim, Demétrius - expressei procurando descontraí-lo.
Durante esses dias, após o evento, estivemos estudando assuntos relacionados à nossa trajectória reencarnatória e à natureza dos ímpetos que ainda carregamos, mesmo tendo o pensamento iluminado com os ensinos benfazejos do Espiritismo cristão.
— Então, devo ter lhe dado motivos de sobra para falarem de mim - falou em tom de humor, provocando risos em todos.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:01 pm

— Sim, meu filho.
É verdade que não podemos negar.
Fomos além, eu contei sua história recente junto às fileiras dos dragões.
— Nossa! É mesmo, dona Modesta!
Então acho bom ir saindo de fininho... -repetiu Demétrius com bom humor.
— Nada disso, meu filho.
Trouxemos você até aqui para que possa responder a algumas perguntas que os nossos irmãos querem te formular.
— Muito bem!
Se eu puder ajudar, estou à disposição.
Ninguém tirava o olhar do médium.
Foi uma experiência verdadeira e emocionalmente muito forte para todos.
Para quebrar um pouco aquele clima, que logo poderia raiar para o campo da vaidade, dirigi-me ao grupo pedindo que se sentissem à vontade para fazer suas colocações.
Apenas solicitei que focassem aspectos da história do médium no âmbito da mediunidade, preferencialmente.
Um senhor tomou a palavra.
— Demétrius, é um prazer estarmos juntos e tão próximos.
— A alegria é minha.
— Chamo-me Juarez, sou da cidade de Palme-lo.
E na matéria exerci a função de dirigente.
Passei mais de vinte longos anos em serviços assistenciais com médiuns curadores.
Percebo como essa faceta da mediunidade vem sendo abortada das fileiras espíritas e, no entanto, vocês no GEF pagam um alto preço por tentar resgatá-la.
Quero dar meu incentivo aos esforços de vocês.
Continuem firmes, porque eu sei o quanto é importante esse tipo de tarefa, meu irmão.
— Temos feito com carinho a nossa tarefa de assistência mediúnica, mas nós mesmos, no plano físico, guardamos dúvidas angustiantes sobre o que estamos fazendo.
— Por que Demétrius? - indagou Juarez.
— Porque depois de longo tempo nos educando para controlar nossas manifestações mediúnicas, agora somos convocados a um novo género de tarefas que não sabemos como ajuizar sobre seu formato ideal.
Não fossem o apoio que temos recebido dos amigos espirituais e os resultados em favor do próximo, encarnado e desencarnado, já teríamos desistido.
— O que você considera mais difícil nesta actividade?
— A dor que sentimos ao ter de assistir dores tão profundas pertinentes aos irmãos do submundo astral.
— Os médiuns sofrem muito!
— Demais! É algo que não dá para descrever.
Além disso, é preciso convir que a assistência a essas criaturas não pode ser concedida em reuniões padronizadas, conforme fomos orientados nas bases da doutrina sob o aspecto da prática em si mesmo.
É aí que somos convocados ao discernimento.
— Mas isso não significa romper com o padrão doutrinário?
— Significa romper com os modelos habituais e experimentar novas formas de fazer essa relação com o mundo espiritual.
Isso é um desafio para nós.
É daí que nasce a angústia de saber os limites entre os excessos e o necessário.
Percebendo o rumo que tomava a conversa, outro senhor indagou:
— Vejo que vocês usam apometria nos trabalhos, mas isso não é Espiritismo! -falou em tom respeitoso.
— Confesso ao senhor que não sei se o que usamos é ou não apometria.
Só posso dizer que é algo não convencional para uma necessidade não convencional.
Segundo fomos orientados, o serviço socorrista da mediunidade no movimento espírita tomou a direcção da acomodação.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:01 pm

Criaram-se cadeados dogmáticos que entravam a espontaneidade dos médiuns e não se formam grupos de investigação para dialogar com o mundo espiritual.
Professor Cícero Pereira costuma chamar as nossas reuniões de laboratório de investigação fraterna. Eu gosto disso, porque acho que é isso que fazemos.
Fazemos caridade, fazemos pesquisa.
Para isso, precisamos experimentar, testar, conhecer novas alternativas.
O mais importante é que não nos distanciemos do amor.
Eu, sinceramente, não sei se o que usamos é apometria.
Creio que vai muito além.
Talvez a dona Modesta queira dizer algo.
— Sim, eu quero.
A apometria merece uma análise mais respeitosa por parte dos espíritas.
Conceitos que foram exarados por trabalhadores respeitáveis da seara desvalorizando a técnica não passam de manifestações de preconceitos que todos ainda carregamos no roteiro de nossa própria evangelização.
Nos dias atuais existem necessidades novas que clamam por novas medidas de solução.
A chamada fluidoterapia espírita, composta da aplicação do passe, da água fluida e da desobsessão, continua extremamente actualizada como recurso terapêutico indispensável na recuperação das dores humanas.
Todavia, quem acredite que somente com ela poderemos actuar satisfatoriamente nos casos graves e complexos que têm surgido na sociedade actual está, no mínimo, querendo fazer uma cirurgia do coração tendo em mãos apenas uma maca e uma pequena pinça.
— A senhora deve estar brincando! -falou uma dama com ar de preconceito.
— Por que brincando?
— No decorrer destes dias prestei muita atenção em tudo o que a senhora nos contou sobre os dragões e sinceramente...
— Diga o que pensa, minha senhora!
— Eu não estou acreditando em muita coisa por aqui.
— Pois veja bem! Se nem desencarnada a senhora consegue enxergar o que está claro, que mais teremos que fazer para a senhora acreditar?
— Eu passei uma encarnação inteira usando passes e água fluidificada e não me consta um caso sem solução.
— Pois bem!
O que a senhora chama de solução?
— Todos melhoraram.
— A senhora acompanhou algum caso de perto, ou apenas tem fé em que melhoraram?
— Eu tenho certeza de que Deus não falta a ninguém.
— Essa certeza eu também tenho, mas a pergunta é:
a senhora viu o resultado da técnica?
— Isso não é tarefa nossa.
Ficar anotando o bem que fazemos é descaridade.
— Descaridade, minha irmã, é não ter a coragem de saber se o que estamos dando ao próximo é realmente o que ele precisa, ou ainda, se é o nosso melhor que podemos dar.
— O que a senhora quer dizer, dona Modesta?
— Eu não quero dizer nada, eu estou afirmando.
— Afirmando?!
— Afirmando que juntamente com a fé temos de usar a inteligência para saber se a nossa fé é fanatismo ou lucidez.
— A senhora, então, acredita que ao usar a terapêutica espírita podemos ser fanáticos?
— Não só acredito, como é o que tenho constatado com frequência.
Existe muita fé no meio espírita que não passa de falta de juízo e acomodação em rituais.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:01 pm

— A senhora está querendo me ofender?
— A senhora acha que estou?
— Eu quem fiz a pergunta.
— Pois bem, ouça, então, minha resposta.
Eu não quero ofender a ninguém, mas parece que seguir a Jesus, de verdade, ofende muita gente.
Os irmãos aqui no GEF, entre eles o médium que nos visita, estão tendo a coragem de experimentar novos métodos, e o que têm recebido?
Desprezo, ataques e perseguição.
E por quê?
Simplesmente porque não seguem convenções.
Em vez de nos ocuparmos em diminuir ou aumentar o valor das técnicas, deveríamos observar com mais cuidado o preceito de amarmos uns aos outros, independentemente de condições.
Apesar do preconceito de organizações e de algumas "estrelas" do Espiritismo, a apometria é uma técnica séria e completamente embasada nos preceitos de nosso Mestre Jesus.
-Eu não concordo com isso, dona Modesta.
— A senhora já fez alguma pesquisa sobre a técnica aqui no mundo espiritual?
— Não, senhora.
— Já visitou grupos que aplicam a técnica para avaliar a natureza dos sentimentos e os resultados obtidos?
— Não, senhora.
— Já perguntou aos seus tutores, aqui no além, sobre o assunto?
— Não senhora.
— Gostaria de tomar todas essas iniciativas?
-Não, senhora!
— Então, minha irmã, não me resta alternativa a não ser reconhecer sua ignorância e indisposição com relação ao assunto.
Sendo assim, sugiro que se mantenha em silêncio e permita que outros formulem suas questões, porque suas observações são fruto do seu próprio preconceito.
Como não poderia ser diferente, ela se calou a contragosto.
Era mais uma dessas dirigentes que nunca foram contestadas como deveriam no plano físico, por achar que todos são obrigados a concordar com seus pontos de vista.
Após o silêncio que se estabeleceu, um cavalheiro se dirigiu a Demétrius.
-Senhor Demétrius, permita-me uma questão.
Ouvimos sua história por meio dos relatos de dona Maria Modesto Cravo.
Eu gostaria de saber se o trabalho com o submundo astral não interfere nocivamente em seu campo psíquico, sendo que, depois de várias existências, o senhor lutou com a doença mental.
Como se sente em relação a essas interferências?
— Não é fácil, meu irmão!
Para realizar o trabalho de socorro às furnas dos abismos, por lidar com o psiquismo adoecido desses locais, via de regra, os médiuns também adoecem mentalmente até adquirirem resistência e habilidade de defesa.
Daí o cuidado com a sanidade dos socorristas.
Parece-me que uma das condições é possuir uma larga resistência mental a pressões.
O contacto com tais locais nos faz sentir estados desconhecidos e indecifráveis.
A dor destes lugares é tão intensa que pode mesmo nos fazer sentir não humanos ou mesmo extinguir, temporariamente, por completo, o sentimento de nosso coração.
Se o médium em tarefas comuns de socorro aos desencarnados passa por alterações significativas no seu psiquismo, nem queira saber das transformações operadas em nível de submundo astral.
Não fossem as aparelhagens e técnicas desenvolvidas pelos amigos espirituais que nos assessoram, não teríamos a menor chance de sanidade na prestação de socorro a tais entidades.
— O senhor aprendeu também a se defender desses ataques?
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 02, 2018 9:01 pm

— Sim. Em parte nós somos adestrados nessa iniciativa.
Nesse sentido, a apometria nos oferece fundamentos e leis bastante elásticos para o uso de mecanismos de protecção contra a magia e os implantes que, cada dia mais, se diversificam.
— Implantes? -mostrou-se surpreso o cavalheiro.
— São pequenos aparelhos da biotecnologia das trevas cujo propósito é adoecer e maltratar nosso corpos físico e os corpos energéticos.
— Demétrius! -chamou em alta voz um homem maduro que estava bem atrás no grupo.
— Pois não!
— Você disse que sabe se defender, então por que teve de chegar cercado por cangaceiros ao evento promovido por seu grupo?
Perdoe-me a sinceridade, mas conheço muitos apometras e os acho muito arrogantes na aplicação da técnica.
— Meu amigo, ai de mim se não fosse a protecção dos cangaceiros naqueles dias, porque mesmo usando tudo que sei, adoeci de verdade nos braços da mágoa.
Quanto à sua visão sobre os apometras, não posso contestar.
Eles são, quase sempre, velhos magos no uso das forças mentais e vários ainda não se educaram nos roteiros do Evangelho de Jesus.
Sem generalizações, eu realmente já ouvi coisas muito fantasiosas e destituídas de total fundamento, uma expressão de megalomania e orgulho.
Isso, porém, nada tem a ver com apometria enquanto conteúdo e técnica ou com as conquistas dos grupos sérios e dispostos a pesquisar com lógica e amor a natureza de seus experimentos.
O que dona Modesta tem me ensinado sobre o assunto é que a técnica, desacompanhada de moralização e domínio interior, é instrumento perigoso na mão de quem não sabe manejar.
— E para os grupos à luz da Doutrina Espírita -entrei no assunto -, essa moralização é testemunhada na rede dos relacionamentos.
Onde há afecto e respeito mútuo, há protecção natural e defesa satisfatória.
Não é, Demétrius?
— Sim, dona Modesta.
E nós, no GEF, infelizmente não temos tirado boas notas neste quesito.
— Qual de nós tem boas notas em convivência, meu filho?
— Eu sei, dona Modesta.
Notei a tristeza do médium e mudei o assunto.
A conversa ainda durou mais alguns minutos.
Demétrius tinha outros afazeres em suas necessidades pessoais.
Saímos, pois, ambos, em busca de alguns acertos relativos às actividades mediúnicas programadas para as próximas semanas e Clarisse ainda ficaria mais algum tempo com os nossos visitantes para responder-lhes algumas questões.
Após as despedidas ao médium, o diálogo continuou.
Durante todo o evento do GEF, e mesmo naquela semana de visitações, a benfeitora Clarisse estava absorvida por suas responsabilidades.
Ciente de que nossos visitantes iriam partir, reservou-lhes alguns instantes de prosa educativa, que posteriormente tomei conhecimento para minhas anotações.
Foi ela quem instigou a conversa:
— Amigos, creio ter sido uma semana de muitas lições.
Quando regressarem ao convívio de suas actividades, recordem sempre da compaixão como virtude essencial a quaisquer propósitos de serviço e convivência.
Sem misericórdia nas atitudes, tombaremos nos julgamentos arrogantes e na maledicência destruidora.
O afecto cristão é um estado interior de amor incondicional.
Brota das profundezas da alma e derrama sua energia benfazeja mantendo-nos no clima da compreensão e do optimismo, da aceitação e da pacificação.
Sob a luz da misericórdia, a advertência é embalada na doçura.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 7:59 pm

Sob a luz da misericórdia, o erro alheio é avaliado como lição para o futuro.
Sob a luz da misericórdia, a tolerância ganha a armadura da afectividade.
Sem misericórdia a convivência padece.
Ela é a alma das relações construtivas porque estimula a concórdia.
E sem concórdia, amigos, a técnica se torna instrumento perigoso em mãos sem perícia para manejá-lo.
Fiquem à vontade para nosso diálogo.
— Clarisse, desde que a vi no evento promovido pelo GEF, desejei esse momento de convívio -falou uma jovem.
— Fico feliz por isso, amiga querida.
— Eu gostaria de saber se os dragões continuam reencarnando e como se sentem no mundo físico.
— Eles continuam reencarnando, sim.
Em levas maiores até do que há cinquenta anos e com traços mais específicos.
A realidade mudou bastante em relação ao tempo da história contada a vocês por dona Modesta.
Muitos espíritos têm regressado ao corpo físico com enorme sentimento de inutilidade e tristeza.
São quase sempre resquícios da dolorosa angústia que viveram nos dramas da erraticidade.
Trazem em comum, depois de algum ajustamento mental, dificuldade de conviver em grupo e acentuado personalismo devido à agressividade das hipnoses dirigidas ao ego, alimentando um profundo sentimento de inutilidade e desprezo social.
Alguns traços adquiridos na vida mental nos submundos astrais nos interessam para o exame dessa hora.
São eles: a morte psicológica pelo remorso geratriz de auto obsessão, o processo de hipnose exploradora por meio da expansão do inconsciente primitivo (regressão a estágios primários da evolução), o monoideísmo ou cristalização, a insónia induzida pelos processos de fragilização da lucidez, os pavores da vampirização pela sucção de energia vital, as sevícias do prazer, a perda da noção de tempo, o traumatismo decorrente da convivência inóspita e anti-social.
No corpo físico, tais desajustes ganham expressões enfermiças, como:
neuroses e psicoses, desvalorização pessoal, ostracismo, alucinações, estado de apatia, pesadelos nocturnos, negação do corpo, inadequação social, sons terrificantes na acústica da memória, odores desagradáveis e inexplicáveis, asfixia da angústia, fantasias de vingança, sono de fuga, bloqueio sinestésico, estado contínuo de desassossego, poliqueixosos que tombam na hipocondria e, em alguns casos, o suinismo, a dificuldade com o prazer sexual e outros efeitos.
Milhões de almas saindo desse quadro de dores da erraticidade trazem cenários novos para a medicina sanitária do mundo. Um novo espectro de doenças convoca a ingentes desafios de pesquisa.
Micro-organismos alojados no psiquismo ganham expressões de vida quando em contacto com a matéria por meio de metamorfoses múltiplas, criando vírus, bacilos e bactérias ainda não catalogados pela ciência actual.
— A doença mental seria um traço comum de todos eles?
— Raramente tombam na doença mental clássica.
Trazem quadros de doenças variadas, que desafiam a psiquiatria do mundo, porque, devido ao seu poder mental, necessariamente não entram em dissociação ou fragmentação mental que poderia levá-los aos quadros conhecidos da esquizofrenia e das psicoses diversas.
São portadores de doenças mentais que poderíamos classificar como "loucura controlada".
Por isso, quase sempre são médiuns, a fim de que tenham uma mobilidade maior no trânsito do inconsciente para o superconsciente, e vice-versa, sem maiores prejuízos à sua estrutura de sanidade, cujo ego, muito fortalecido, faz o papel de um eixo defensivo.
Entretanto, o uso desordenado dessa concessão pode levá-los à total perda de controle da vida mental, encerrando-os nas provas da perturbação da conduta.
— Clarisse, posso perguntar? -levantou-se a mesma senhora que fez os questionamentos sobre apometria.
— Claro que sim!
— Você acredita que o médium Demétrius dará conta da prova diante de um passado tão complicado?
— Temos farta esperança nisso, amiga querida.
— Eu confesso, depois da história contada por dona Modesta, que entendo melhor porque ele ainda experimenta sentimentos tão confusos e anti-evangélicos, todavia, não consigo acreditar, diante de suas obsessões em relação ao passado, que desse jeito vá se livrar de seus perseguidores.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 7:59 pm

— E por que não, amiga?
— Por uma questão de sintonia.
— Sua colocação seria correta se não fosse a extensão da misericórdia celeste, que nunca nos abandona e tem meios infindáveis de realizar o bem onde o mal tenta se afirmar.
Demétrius não fugirá à lei inderrogável da sintonia.
Suas obsessões são construções de outrora que encontram ressonância em sua intimidade.
A lei divina, porém, estabelece que o amor cubra uma multidão de pecados.
Por isso, depois de mais de duas décadas devotando-se ao bem alheio e disciplinando suas forças na arte da melhoria pessoal, ele se fez alvo de atenções prestimosas de nosso plano.
Sua bravura em se superar e, sobretudo, sua persistência independente de condições foram avais de créditos decisivos para sua caminhada através da obsessão controlada, isto é, a interferência protectora que alivia as pressões e permite maior liberdade para agir e transformar.
Demétrius tem se pautado pela higiene mental e pelo esforço auto-educativo, construindo valores que, por mérito próprio, defendem sua sanidade e seu equilíbrio mental.
Nessas condições, tornou-se receptivo ao escudo psíquico, uma armadura em forma de fino anel desenvolvida em planos superiores e colocada em volta do centro coronário, no perispírito, que lhe garante maior poder de resistência às forças sombrias que procuram envolvê-lo.
Nosso medianeiro tem o escudo psíquico formado.
Não é mais virtuoso, nem o preferido, nem o melhor, mas adquiriu uma protecção espontânea, fruto de suas refregas, que lhe permite a condição da armadura de Deus, o poder mental.
Isso o isenta de tornar o fenómeno mediúnico apenas um pasto de alívio de dores, mas elevá-lo à condição de canal de educação e libertação de almas, e, ainda, permite trabalhar com o animismo construtivo, dando vazão somente aos seus valores e tendo maior condição de filtragem, evitando o emergir de seus conflitos e problemas durante o transe.
Costumamos chamar esse aporte de limpeza de área astral ou ainda, imunidade psíquica conferida.
A imunidade natural dos campos psíquicos dos médiuns se conquista por quatro factores:
persistência no autoconhecimento (domínio sobre si mesmo), desapego da imagem personalista (filtragem mediúnica fluente), desenvolvimento de valores morais nobres (facilitação da sintonia elevada), vivência mental apurada (resistência e força mental).
Compreendeu? -indagou Clarisse.
— Compreendi em parte, mas ainda me salta à mente a seguinte questão:
para um homem que está no mal há tanto tempo, bastam duas décadas para resolver seus problemas íntimos?
— Talvez a amiga não tenha entendido apenas uma questão.
Obsessão controlada não significa obsessão resolvida.
Significa trégua para trabalhar mais.
Ela pode ser gradativa, apesar de controlada, quando os incursos na trama não buscam a erradicação das causas de sintonia e perturbação.
Podemos controlar a acção dos espíritos, mas os efeitos da obsessão são com cada um, no reino de sua consciência.
Para Demétrius que apenas inicia sua redenção consciencial, quanto para nós outros, semelhante recurso é uma motivação adicional que tem sido recebida por ele como reforço para servir mais.
Para os planos mais altos, o arrependimento sincero de uma alma, comprovado por acções exemplares, tem enorme repercussão e valor.
É como uma plantinha que tivesse se recuperado em terreno inóspito e necessitasse de todo o apoio possível para continuar a crescer e florescer.
O médium Demétrius é visto pelos planos maiores como um doente em convalescença, exigindo todo tipo de apoio que não o exonere do seu esforço pessoal de ascensão.
Essa "virada da evolução", sair do mal para o bem, é um período de muita dor e fragilidade.
Mais que nunca, o Mais Alto tende a estimular quem nele se encontra, ciente dos desafios que ainda terá de superar pela sua própria recuperação.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 7:59 pm

— Clarisse -solicitou atenção um dirigente de casa espírita.
— Pois não!
— Existem casos de obsessão controlada em grupos?
Por exemplo, uma casa espírita poderia estar em obsessão colectiva e ter a protecção deste anel psíquico?
— Amigo querido, é claro que sim!
Em casos colectivos, obsessão controlada significa o aval de uma alma nobre em favor da sustentação do ideal mantido por uma organização.
Somente casas que se abrem para o amor colectivo possibilitam essa iniciativa.
Duas posturas são fundamentais:
desprendimento da obra e capacidade de inclusão.
É uma intercessão da misericórdia divina na justiça, por conta dos serviços de amor
— Deduzo, então, de sua resposta, que existem Centros Espíritas em obsessão colectiva, estou certo?
— Uma obsessão se torna colectiva quando envolve um conjunto de pessoas que defendem uma mesma ideia em regime de coacção por desencarnados.
— Não seria mais difícil enganar várias pessoas do que uma só?
— É verdade. A obsessão colectiva se faz pouco a pouco.
Raros casos acontecem de sobressalto.
Para se enganar um grupo inteiro, é necessário que existam algumas ideias pilares que vão constituir as bases dessa obsessão.
Por isso, a obsessão colectiva se instala com mais facilidade onde não haja clima para reavaliar ideias e coragem para romper com tradições.
Em outras palavras, onde o preconceito estaciona existe um campo para a desarmonia obsessiva.
Preconceito é o apego apaixonado a convicções pessoais.
É a zona de conforto adoptada pela mente para transitar com relativa segurança.
O que sai desse limite é ameaçador, impuro, descartável.
O preconceito enrijece a inteligência e sufoca os sentimentos, adornando-se com formalismos que nada mais são que a projecção daquilo que alimenta.
Nesse sentido, lamentavelmente, como vimos na própria história contada nesses dias por dona Modesta, os dragões incendiaram a comunidade espírita com as chamas do preconceito, estabelecendo padrões e conceitos engessados.
A rigidez intelectual quase sempre esconde uma frustração emotiva.
Por detrás dos preconceitos, habitualmente, se asilam as mais enfermiças doenças emocionais.
E assim fica fácil dominar, sem destruir.
Tomar conta, sem exterminar.
Como vimos na história de Matias, a ideia das falanges do mal não é acabar com os Centros Espíritas, mas afogá-los na mordacidade e na acomodação doentia.
Por isso, a ideia actual de unidade na comunidade espírita, pautada em ideias, e não em sentimentos, é um erro grave que tem conduzido milhares de agremiações espíritas a destinos perigosos.
— Mas ainda neste caso o centro não fica desamparado, não é mesmo?
— Vejo em sua tela mental que o senhor se preocupa com a casa espírita que deixou no mundo físico, correto?
— Sim, Clarisse.
Preocupo-me porque venho descobrindo com muita dor e aflição, durante essa semana de visita ao GEF, que fui muito descuidado em assuntos de unificação e mediunidade.
— Jamais falta amparo, meu irmão, mesmo para os grupos mais rigorosos.
Fique tranquilo quanto a isso.
Entretanto, grupos assim nem sempre se fazem alvo das concessões que poderiam lograr, caso mantivessem postura diversa.
Por essa razão, mesmo com as lutas da convivência, o GEF é alvo de uma assistência especial.
Nossos irmãos, lamentavelmente, estão em litígio, mas são corajosos, abertos, dispostos a testar os limites convencionais.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 8:00 pm

Em verdade, examinamos o litígio deste grupo como prova de honestidade emocional.
Não conseguem se entender não por interesse pessoal, e sim por pura falta de habilidade interpessoal.
Eles não escondem o que pensam, não elegem uma unidade, um padrão a seguir.
Ao contrário de muitos grupos que, quando alguém questiona ou tem uma acção diferente, é tachado de obsediado ou perturbado.
O GEF não está isento de uma obsessão colectiva.
Aliás, as relações em conflito também são vasto campo de obsessão.
No entanto, os "mentores intelectuais" das obsessões do grupo constituem um campo de experiência que dependerá de quesitos pertinentes a cada individualidade.
Nesse terreno os encarnados serão compelidos ao cadinho educativo dos pendores e à edificação dos valores nobres para a solução definitiva de seus problemas de companhia espiritual.
Controle sobre obsessão, para nós, significa parceria solidária e consciente, e não medida facilitadora para livrá-los de lições necessárias.
Esse princípio divino está bem ilustrado por Jesus na passagem do senhor compassivo, que pode ser lida no Evangelho de Lucas, capítulo sete, versículo quarenta e um e seguintes.
Obsessão controlada só é possível para quem ama o bem colectivo, e a permissão de controle só é facultada a quem age com alegria e desinteresse pessoal, porfiando a trilha do sacrifício.
A conversa prosseguia rica de ensinos quando, repentinamente, um chamado de urgência do benfeitor Cornélius foi dirigido a Clarisse em um aparelho próximo no posto de enfermagem.
— Clarisse!
— Sim, sou eu.
— Minha filha, convoque todas as nossas equipes de socorro e prepare-as para descer à Terra.
— Chegou o dia?
— Sim, vai ser amanhã o ataque dos dragões...
Era uma madrugada de dezembro de 2008 e todos fomos convocados a rumar para a Faixa de Gaza, onde se iniciaria um novo episódio de insanidade sob patrocínio das falanges do submundo.
O bem precisava agir rápido para evitar que a sombra não tomasse a mente dos ignorantes a serviço da maldade, porque mesmo confusos e alucinados, sob severa coacção de mentes perversas, cada coração ali presente era como um diamante no lodo, que não perde, em tempo algum, sua característica insofismável de filho de Deus.
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Re: Os Dragões - Maria Modesto Cravo / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 03, 2018 8:00 pm

Apêndice
Entrevista do médium Wanderley Oliveira com a autora espiritual

Dona Modesta, o que aconteceu com Matias?
Está na luta educativa para vencer suas velhas tendências.

Ele está sofrendo?
Está trabalhando.
A senhora não quer falar sobre isso?
Prefiro que falemos do Matias que está dentro de cada um de nós.
Por que faiar tanto de trevas nos livros mediúnicos mais recentes?
Por que devassar as sombras do inferno significa resgatar a parcela mais desconhecida de nós mesmos.

Pode me explicar melhor?
As raízes de nossos sentimentos mais arraigados na sombra íntima tiveram origem nesses pátios de dor e loucura.
A relação com esse universo pouco conhecido não só nos levará a mensurar melhor a amplitude da erraticidade, mas, sobretudo, a desvendar com mais clareza quem somos nós próprios.
A estrutura tenebrosa de fora é apenas um reflexo da construção milenar do inconsciente da humanidade. Os vales da maldade e suas manifestações destrutivas nada mais são que uma imagem das sombras interiores, que guardam largo ascendente no psiquismo humano.
O entorno do inferno é o retrato fiel da vida mental do planeta.
A dor que campeia por fora resulta da aflição íntima do ser diante de suas próprias escolhas egoísticas.
Conhecer e reconhecer os ardis das legiões da cultura maligna deve servir apenas para nortear a natureza dos nossos esforços em promover uma célere campanha educativa por nossa melhoria moral.
Conhecendo as artimanhas das trevas, compete-nos maior soma de devoção na aplicação da medicação apropriada.
Aprendendo os roteiros da maldade calculada, espera-nos o desafio de disseminar e educar o homem na construção das defesas interiores.

A senhora não acha que conhecer essa cultura das trevas nos leva a movimentar poderes que ainda não sabemos como usar?
Depende da intenção.
Minha recomendação aos servidores das tarefas junto aos campos sombrios do submundo circunscreve-se a recomendar cautela com o orgulho, que pode incendiar a mente com pensamentos de grandeza.
Descuidar dessa iniciativa diante da clareza com a qual o mundo dos espíritos libertos da matéria vos orienta, poderá trazer de volta os mais nocivos vícios das filosóficas iniciáticas de outrora.
Entender o que se passa por fora sem foco na educação interior pode constituir distracção obsediante nas fileiras santificadas do Espiritismo com espíritos.
Mensurar como nossas raízes interiores são capazes de se alongar aos reinos da inferioridade será a grande ceifa de luz de quantos se entrincheirarem nas equipes missionárias dos serviços de implantação da Nova Era.
A mais elementar magia que precisamos aprender é a que diz respeito ao mundo íntimo.
Se aprendermos a movimentar energias por fora sem saber como lidar com as forças de dentro, na certa, será prejuízo e distracção, obsessão e tormenta.
Falemos em alquimia da mente, alquimia dos sentimentos.
Nisso reside a magia da redenção consciencial.
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