Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:08 pm

A liberdade sexual pregada sem ética nem responsabilidade, desde os tempos pós-repressão, nos últimos quarenta anos do século XX, desembocou em muita amargura e tristeza em muitos corações, que perceberam o vazio provocado pelo prazer sem afecto.
Entretanto, socialmente, tais condutas fizeram uma reciclagem nos conceitos, provocaram uma discussão mais cristalina sobre o tema.
A Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis forçaram a mudança de hábitos.
O preconceito, pouco a pouco, vem sendo eliminado em relação às mais diversas diferenças na manifestação da preferência sexual e afectiva.
- E com isso - completou Maristela - as pessoas se sentem mais à vontade para assumir sua característica?
- Assumir é fácil.
Difícil é escolher como aplicá-la bem, ou seja, como fazer para dignificar nossas inclinações.
- É o meu caso.
- Por isso terá, primeiro, de escolher.
- Que medo, dona Modesta!
Que medo de escolher errado!
- Daí a importância de você participar de nosso Instituto de Educação da Sexualidade aqui no Hospital Esperança.
- Confesso que tenho medo de saber, de verdade, o que quero.
- O Instituto vai auxiliá-la a definir seus caminhos.
- Jamais imaginei a possibilidade de que esse tipo de assunto seria considerado com tanta seriedade aqui no plano espiritual.
- E por que não seria?
Não faz parte da caminhada humana na Terra?
- Quando encarnada, consegui me manter no que considerava rectidão.
Agora, longe dos meus afectos, é como se tivesse feito uma longa viagem na qual fui obrigada a me desnudar, a ser quem sou.
Distante dos laços consanguíneos, é como se me sentisse descompromissada de continuar ocultando este meu lado.
- É uma das vantagens da morte para quem tem paz na consciência.
Dar destino digno àquilo que ainda não conseguiu resolver dentro de si mesmo.
E o que você, Maristela, gostaria de viver nesta área? Já pensou nisso?
- Ai, dona Modesta! De novo?
Essas perguntas me constrangem!
- Acha que Espíritos não fazem sexo?
- Pelo menos o que aprendemos, quando no plano físico, seria algo bem diferente.
- Mas não com menos prazer e gratificação afectiva.
Do contrário, seria um salto na evolução, e isso atenta contra o equilíbrio.
Salto podemos ter na postura, mas não na eliminação de mecanismos que ainda sejam importantes ao nosso crescimento e aprendizado nos roteiros da evolução afectiva.
- Pelo menos aqui no Hospital eu nunca vi nada, embora já tenha ouvido algumas coisas...
E... juro que não acreditei!
- Engano seu, Maristela!
- E existem também pares do mesmo sexo?
- Temos uma classe inteira no Instituto para tratar e orientar os assuntos nesse terreno.
- Só para mulheres?
- Ou só para homens.
- A senhora estaria me propondo...
- Propondo não, sugerindo que integre esse grupo o quanto antes.
E...
- Com certeza, você não só terá alívio, tratamento e, quem sabe, chegará a uma definição.
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Ave sem Ninho

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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:08 pm

- Todos alunos possuem o mesmo problema que eu?
- Problema?
Você vê sua inclinação como um problema?
- E não é?
- Depende, minha filha. Depende.
- De que, dona Modesta?
- Da vivência da sexualidade com dignidade.
A condição sexual, no actual estágio das experiências terrenas, não é o que edifica a felicidade do Espírito em sua evolução.
No entanto, a forma como se conduz em um relacionamento é que faz a diferença.
- Se eu tivesse escolhido alguém do mesmo sexo, isso não me levaria a ter perturbações aqui?
- Você já esteve aqui com alguém que viveu sua homossexualidade na Terra?
- Ainda não.
- É o que terá de sobra para onde vou te encaminhar.
- E como estão essas pessoas? Perturbadas?
- Você mesma verá.
Os quadros são diversos.
Tenho certeza de que muito aprenderá sobre sexo e amor.
Com o tempo, seu conceito se renovará e vai perceber que a conduta de respeito e fidelidade, carinho e amparo na relação a dois é o factor determinante de nosso equilíbrio.
A inclinação sexual é transitória e tipifica-se conforme o novelo de vivências do Espírito no transcorrer de suas várias vidas carnais.
- Se eu tivesse vivido minhas inclinações, poderia ter me livrado deste estado íntimo de desgosto e infelicidade com a sexualidade?
- Você se afastou de tais vivências optando pelo casamento, mas caso não optasse e se permitisse fruir com amor e responsabilidade, haveria enormes chances de êxito.
- Mesmo casada?
- O adultério não traz paz, minha filha.
- Por que não tive alguém para me esclarecer sobre isso no mundo físico?!
- Você não daria ouvidos, e ainda diria que a pessoa estaria louca.
- É capaz!
- Eu diria: sem dúvida!
- Por que a senhora tem tanta certeza sobre isso?
- Porque cada pessoa tem sua história, seu momento, sua caminhada.
Seu momento está prestes a chegar.
O casamento na Terra foi um adiamento educativo.
Inevitavelmente, seu instante de ajuste neste sector está perto.
A partilha afectiva-sexual faz parte da felicidade humana.
Com orientação e paz na alma, talvez você perceba dignidade e fonte de progresso em seus atractivos sexuais para com pessoa do mesmo sexo ou, quem sabe, poderá definitivamente ajustar seu psiquismo aos moldes da sua recente experiência no corpo feminino.
- Ah, dona Modesta!
Que alegria a senhora me traz com suas palavras.
Ao mesmo tempo, ainda me sinto muito insegura para quaisquer iniciativas.
- Respeite-se.
Um mundo novo de reflexões se abrirá aos seus olhos no Instituto de Educação da Sexualidade.
Lá, você terá técnicas e preparação adequadas para saber como tratar os conflitos, compreender os mecanismos profundos da expressão do masculino e do feminino no psiquismo humano e, sobretudo, aprenderá como limpar o peso dos preconceitos que esmagam enorme percentual de chances de sermos mais autênticos e responsáveis em assuntos da sexualidade.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:08 pm

Com tais lições, você conquistará a sábia condição mental enunciada por Paulo aos romanos e perceberá claramente a profundidade do ensino do apóstolo:
nada é impuro, a não ser para quem o tem como impuro.
- Espero, mesmo, que isso aconteça.
Não dou mais conta de ser quem faço de conta que sou.
- O pior não é ser quem fazemos de conta que somos, e sim negar o que somos.
- Eu quero agradecer-lhe do fundo da alma.
- Não seja por isso, filha.
Qual de nós é autoridade em tais assuntos, não é mesmo?
Já foi enunciado pelo Mestre: atire a primeira pedra.
- Posso lhe beijar as mãos?
- Claro, minha filha.
Maristela pegou as mãos da educadora com os olhos marejados, e beijou-as com incontida ternura e carinho, dizendo:
- Quero a sua bênção para que eu me liberte desta tormenta, seja feliz e faça alguém feliz!
- Você a tem!
Que a mãe santíssima de Nazaré a proteja.
Depois deste episódio, que acabou se tornando público, pelo menos metade de nosso grupo de estudos matriculou-se nas turmas do educandário de sexualidade do Hospital Esperança.
Só mesmo lá pude compreender a profundidade do que significa a inspirada colocação de Paulo de Tarso:
"Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda".
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

Capítulo 11 - Os Cordões Energéticos e a Depressão por Parasitismo
"Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta" - Mateus, 5:23 e 24.

Na continuidade de nossas tardes de estudos com dona Modesta, acerca dos acontecimentos no Grupo X, as actividades foram abertas com novos questionamentos.
- Professora Modesta, um aparte, por favor! expressou um senhor muito educadamente.
- Pois não, Antero!
- Tenho três dúvidas ainda não manifestadas.
- Exponha-as, por gentileza.
- Acompanhando com atenção o caso do Grupo X, passou-me pela mente uma dúvida.
Ana, com seu ponto de vista acerca das vivências mediúnicas do grupo, não estaria correta em sua defesa? Se existe um quadro espiritual de mistificação, ela não está defendendo a pura verdade?
- Você se refere à questão da salvação de Lúcifer?
- Sim, exactamente!
- Ana está correta na ideia e desajustada na forma.
Está fiel ao que, de facto, vem acontecendo.
Há uma interpretação distorcida da realidade nos serviços socorristas no Grupo X.
Entretanto, a forma que ela escolheu para resolver o assunto é causa geradora de mais tormenta e conflito.
Ana pretende convencer a todos de fora para dentro, por meio da artimanha da palavra e criando perigosas articulações no grupo para atingir seus objectivos.
Sabe que a determinação de Calisto e a fidelidade de Antonino ao dirigente serão duros obstáculos a transpor para chegar aonde ela acredita que os trabalhos devam chegar.
Aí reside a raiz de inúmeros conflitos nos conjuntos espíritas.
Ninguém é convencido de fora para dentro.
A formação de uma equipe demanda o heroísmo de se abrir mão dos pontos de vista, buscando consenso.
Mas, na verdade, o que quase sempre tem acontecido é que uns ficam aguardando que os outros façam, enquanto cada um de nós continuamos a pensar como pensamos, sem a mínima disposição à renúncia.
Ana está sendo coerente com a realidade.
Apenas escolheu um caminho improdutivo para alcançar o objectivo.
Grupo algum será convencido daquilo que não consegue ou não tem base para acreditar.
Como sempre, tem faltado a arte do diálogo, da discussão cristalina.
Não o diálogo que se assenta em pontos doutrinários, mas aquele no qual, sob a luz meridiana do Evangelho aplicado, nos colocamos com todas nossas particularidades, tornando possível analisar o lado oculto de nossas relações.
Por que nossa irmã não convocou o grupo a uma conversa?
Será porque preferiu não enfrentar Calisto?
Ou será que prefere defender sua própria segurança?
O diálogo, quando alcançado em clima de disponibilidade para novas ideias, permite acordos, posturas novas e alternativas para solucionar os desafios.
Para a análise da realidade, ela é a que melhor representa a verdade neste momento.
Todavia, sob as lentes do Evangelho, sua postura guarda semelhança com o ensino da escolha de Judas.
Ele amava Jesus, a Verdade, e o vendeu pela conduta invigilante, típica do homem imaturo que acreditava que o reino dos céus pode ser implantado de fora para dentro.
Nutrido das melhores intenções, derrapou na armadilha da soberba.
- Armadilha! - expressou novamente o mesmo cavalheiro.
É sobre este assunto a minha segunda pergunta.
Aquelas espirais que ontem presenciamos são iniciativas da semi-civilização?
- A espiral que envolveu Ana é um recurso de magia realizado por parte de vampiros experientes.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

Sobem do subsolo em direcção aos alvos sem que vejamos seus autores, que se encontram nas profundezas.
Há detalhes nos serviços de ontem à noite que vocês, ainda iniciantes em tal aprendizado, não puderam visualizar e, para os quais, propositadamente, não lhes chamamos a atenção.
Na esquina da rua do Grupo X estava Jerónimo, um mago mexicano da descrença e da culpa.
Um coração muito sagaz que localiza, em mente, os pontos para os quais devem se deslocar as espirais.
É um controle exercido a distância por criaturas muito poderosas.
Com isso, tornam nossa tarefa de auxílio um tanto mais complexa.
O Grupo X, a partir de hoje, em razão da postura de nossos irmãos, candidata-se a ser sitiado, ou seja, ser tomado por forças inferiores, como muitos grupos já se encontram.
As "bocas" que alguns de vocês puderam perceber aos pés de Ana são entidades oportunistas enviadas pelos vampiros para sugar a energia da dirigente.
Jerónimo sabe bem dos episódios culposos de Ana, e os explora com veemência, fortalecendo a descrença e enfraquecendo os ideais nobres da companheira.
O feiticeiro Jerónimo pertence ao Vale da Mentira, cujos serviços são associados aos dragões do Vale do Poder.
A isso se referia Stefan em suas preocupações sobre quem viria depois dele.
Cada semana que passa, na medida em que os irmãos do Grupo X engrossam os conflitos, mais capacidade de acção é oferecida aos adversários da tarefa.
- Está claro, Antero?
- Muito claro, professora! Mas ainda trago uma última questão.
- Fique à vontade - respondeu dona Modesta com serenidade.
- O que pensa o médium Antonino de tudo isso?
Ele acredita ou não na questão do salvamento de Lúcifer?
- Antonino está confuso.
Sabe que necessita de correctivos e melhoria, contudo, as vivências atuais lhe trazem insegurança.
Luta entre a fé que sempre teve e o desejo honesto de se adequar às novas lições que vem recebendo.
É um coração muito disposto à educação.
Diante de tantos sobressaltos e inquietude grupal, tem se tornado gradativamente impermeável às orientações e repreensões alheias, mais por dúvida e defesa pessoal que por personalismo.
É nesse aspecto que vemos o impositivo da aplicação evangélica na conduta.
Nenhum mago ou técnica das sombras causaria os danos ali constatados se os irmãos de grupo nutrissem o alimento essencial da fraternidade.
Pior que quaisquer ingerências da semi-civilização é a teia vibratória de inimizade formada no Grupo X.
A partir de ontem, infelizmente, o Grupo X passou a integrar a lista das casas espíritas que correm o risco de estar sitiadas por parte de grupos da maldade intencional de nosso plano de vida.
Temos trabalhado muito pelo desenvolvimento do afecto neste grupo.
Somente ingerindo a dose certa desta medicação poderão adquirir resistência às duras enfermidades morais que os aguardam.
Como seria de esperar, devido às lutas interiores com a velha doença do orgulho, nossos amigos na carne desviam-se do receituário.
Ana descrê. Calisto crê demais.
Antonino está confuso.
Nenhum dos três admite a soberba de seus pontos de vista.
A primeira está correta no que pondera.
O segundo interpreta com exagero o que vê.
E o terceiro é impotente para ajuizar sobre o que fazer.
São mentes acostumadas a se manter fiéis às suas crenças.
Tal fidelidade, entretanto, alcança facilmente uma das mais vis emoções de nossa esteira evolutiva, a arrogância.
E esta, por sua vez, patrocina a intolerância, a falsidade, o ciúme, a disputa e a falta de fraternidade.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

A arrogância é a arma cruel que extermina sem piedade a expressão da misericórdia e da bondade nas relações.
É neste clima que o grupo está sendo bombardeado pelos adversários, cujo objectivo central é enfraquecê-los na experiência espiritual ora iniciada.
Os trabalhadores do Grupo X bateram à porta do inferno, e o inferno lhes respondeu dizendo que os querem em retirada.
Está satisfeito, Antero?
- Completamente, professora!
Completamente!
- Gostaria de aproveitar a presença de nosso José Mario - expressou a benfeitora, surpreendendo-me -, que vem fazendo anotações para destiná-las ao mundo físico, e registar alguns quesitos imprescindíveis ao entendimento do tema obsessão colectiva pela qual passa o Grupo X.
O que acham da ideia?
Após a aprovação geral e com atenção redobrada, tomei meu caderno de apontamentos e passamos a ouvir dona Modesta, que iniciou um tema de rara magnitude.
- O Livro dos Espíritos, na questão 388, assevera:
"Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis.
O magnetismo é o piloto desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor".
E, de facto, as pesquisas que são realizadas em nosso plano deixam clara tal afirmativa.
Os laços energéticos que circulam nossa vida mental assemelham-se a imensurável oceano de ondas no qual nos achamos mergulhados.
Respiramos no halo energético colectivo o campo energético que mais se afina com a natureza de nossas emissões.
O homem iluminado com o pensamento espírita, no mundo físico, ao estudar a obsessão, verifica a importância superlativa da influência dos desencarnados sobre os encarnados, ignorando que as obsessões de encarnados sobre encarnados sobrepõem, em muito, os resultados infelizes desse consórcio de forças exploradoras de uns sobre os outros.
O magnetismo pessoal é capaz de criar elos que influenciam, mais do que imaginamos, o campo vibratório com quem tenhamos construído os chamados cordões energéticos.
Os cordões são fios mento-electromagnéticos nascidos do teor subtil das forças afectivas do espírito.
Por eles nos mantemos imantados uns aos outros conforme o teor das relações que criamos no cadinho das relações humanas.
A rigor, na Terra, a maioria dos cordões é tecida por energias sugadoras decorrentes, principalmente, da mágoa, da inveja, da soberba, da culpa e do medo, construindo elos de dependência, abuso, poder e desrespeito mediante relações destrutivas.
A base de quaisquer desses sentimentos que sustentam os cordões é uma emoção primária fundamental para o equilíbrio do ser humano: a raiva.
A força da emoção de raiva é um preservativo na evolução humana.
É uma emoção primária de defesa.
Não sabendo lidar com esse instinto defensivo, permitimos as mais variadas lesões no campo emotivo.
Grande maioria das pessoas contém a raiva que sente sem saber como extravasá-la de modo sadio, criando, assim, no cosmo energético um acúmulo que não permite a transmutação.
Essa transmutação poderia se dar de várias maneiras, conforme a personalidade de cada um.
Uns apenas expressariam sua raiva, outros a transformariam em crueldade, e outros poderiam canalizá-la por um processo terapêutico.
Os caminhos são infinitos, sendo que retê-la ou represa-la seria o caminho mais indesejável.
A raiva é uma defesa contra nossa não aceitação da realidade.
Analisada como instinto natural foi colocada no homem para o bem e leva-nos a vencer a acomodação, evitando a injustiça e a passividade diante da vida.
Por outro lado, avaliada em seus aspectos doentios, pode ser a base da revolta e da rebeldia.
Costuma manifestar-se de três modos:
a mágoa, a neurose de controle e a tristeza.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

Uma pessoa magoada é alguém que sentiu raiva de ser lesada e não soube o que fazer com o conjunto de seus sentimentos diante desse facto, tornando-se indefesa.
A raiva guardada inevitavelmente transforma-se em mágoa, porque não foi transmutada.
Diante da raiva, as pessoas confusas e com baixo conhecimento do seu mundo emotivo reagem com extrema necessidade de controlar ou manifestam tristeza e apatia.
O resultado de tais metamorfoses nas relações humanas é a construção dos cordões energéticos que prendem criaturas a criaturas, pais a filhos, esposas a maridos, chefes a subordinados, explorados a exploradores, países a colónias, regendo as chamadas relações colonizadoras de possessividade.
O homem na Terra, mesmo os adeptos do Espiritismo, ainda não acordou para a influência determinante de tal realidade.
Enquanto muitos encarnados procuram seus obsessores do lado de cá, mal sabem que, na maioria das vezes, a obsessão mora em sua própria casa ou está bem ao seu lado.
Temos atendido muitos casos, e eles aumentam a cada dia, de cordões energéticos que não têm sequer um espírito desencarnado pesando sobre a estrutura dos conflitos e problemas que atingem muitos grupos no mundo físico.
No caso do Grupo X, além das lutas com grupos de espíritos, temos claramente a influência desses cordões energéticos entre eles, que, em muitas situações, perturbam mais que seus próprios inimigos espirituais.
Esse tema precisa mesmo de maior exame, se quisermos entender o que sentimos e aprender a nos defender de tais influências.
Sintam-se à vontade para trazer suas questões.
- Dona Modesta, porventura, o que prende Stefan a Antonino era um cordão energético?
- As algemas que você viu são uma tecnologia, mas a que você não viu é um cordão.
- Existem cordões do passado reencarnatório que se perpetuam?
- Por eles, o homem se mantém sempre ligado a tudo aquilo que criou, esteja onde estiver.
Não é por outra razão que muitas pessoas renascem e crescem em um determinado ambiente e depois vão em busca de sua sementeira em lugares distantes e, quase sempre, completamente desconectados daquilo que seus familiares lhes proporcionaram.
Por eles, temos de retorno aquilo que semeamos.
- É por meio dos cordões que se cumpre o carma?
- Depende do conceito de carma que você está considerando!
- A lei de retorno.
- Ainda não entendi seu conceito, José Mario!
- Carma não é ter de volta aquilo que fizemos?
- E...
- E pagar as contas que devemos?
- Bom! Essa parte de seu conceito precisa de uma reciclagem - expressou dona Modesta sorridente.
- Sobre que aspecto, dona Modesta? - indaguei curioso.
- Essa ideia de pagar contas tem feito muito mal aos conceitos consoladores do Espiritismo.
Prefiro entender carma como a lei de retorno que nos conclama a agir, e não como algo que lembre condenação.
O carma só nos condena, em verdade, a uma coisa: a agir para sair dele.
Essa é a proposta do carma.
Ê uma atitude proactiva, e não submissão ou passividade preguiçosa.
Por conta dessa noção estanque de lei de causa e efeito, inúmeros adeptos da doutrina recebem, com doentia postura, as dores da vida.
Colocam-se, muitos deles, como vítimas a caminho da angelitude através do sofrimento de que são alvo, carregando por dentro a revolta, a mágoa e a perturbação a caminho dos despenhadeiros do ódio silencioso.
Dizendo pagar contas, muitos aceitam abusos de filhos, maridos, esposas e familiares, a pretexto de "coisas que fizeram no passado".
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

Sem uma consciência lúcida do que lhes acontece, atribuem a reencarnações passadas toda a infelicidade que suportam a duras penas, sem a menor disposição de examinar os erros e desvios do presente.
Em síntese, tal mecanismo psíquico termina por constituir uma fuga lastimável fundamentada em teses doutrinárias de frágil bom senso.
Eu mesma tenho constatado, com frequência, nos atendimentos a irmãos nossos de ideal, que muitos deles em queixas sistemáticas contra familiares, vizinhos, colegas de trabalho e afectos, alegando serem provas rudes e duras de suportar que retornam de outras reencarnações para cobrá-los pelo que fizeram.
Enquanto analisam suas dores sob a perspectiva de um passado que não conhecem, furtam-se a avaliar os descuidos do presente que, por si sós, são mais que suficientes para provocar todo o conjunto de conflitos e pressões que sofrem com seus pares e, sobre os quais poderiam, caso quisessem, instaurar uma análise sadia no intuito de erradicar suas provas.
Como assevera O Livro dos Espíritos:
"Entre os seres pensantes há ligação que ainda não conheceis".
É necessário considerar, meu caro José Mario, que essas ligações não se rompem com a morte e, mesmo quando não integram o conjunto dos desafios programados pelo espírito antes de seu regresso à matéria, podem ser retomadas a qualquer momento, devido ao livre-arbítrio e à força dos acontecimentos.
- Quer dizer, então, que os cordões energéticos unem as pessoas na busca do que organizam em seu projecto reencarnatório?
- E unem, também, naquilo que não foi projectado.
Aliás, isso hoje é o mais comum.
O homem na Terra raramente se mantém dentro dos trilhos de sua programação.
Estima-se, no Departamento de Planeamento, aqui no Hospital, que 70% das pessoas cumprem com 20% do que planearam; 23% conseguem atingir aproximadamente 50% do que precisavam; 5% conseguem se desviar completamente do que organizaram para suas reencarnações e 2% atingem a condição de completistas.
- Criamos mais laços ocasionais que laços programados? - participou Juliano, que se mantinha em atencioso silêncio.
- É o que mais ocorre em planetas de provas e expiações.
- E como ficam esses laços ocasionais?
Podem se transformar em provas para o futuro?
- Depende - respondeu dona Modesta, provocando nosso raciocínio.
- Depende de quê? - retomei a conversa.
- De como tais laços são encerrados.
A vida de relações é construída por ciclos.
Estar ao lado de alguém em provas significa estar matriculado em curso de aprendizado cujo propósito sagrado é resolver, dentro de nós, as motivações que nos levaram ao encontro de tais provas no relacionamento.
Tomemos como exemplo pais que receberam filhos que são espíritos viciados em drogas antes mesmo de nascer.
Pode ser uma prova programada, embora também possa não ser, porque há lares que formam filhos que se tornam viciados pelo desamor, pelo mau exemplo ou pela miséria afectiva.
Entretanto, tomemos como sendo algo que foi planeado.
Qual natureza de aprendizado passará um pai ou uma mãe com essa dura prova de ver seu filho acabar-se no vício?
Pais nessa condição são testados ao extremo na sua capacidade de amar.
Haverão de ter muita coragem, paciência e humildade para conseguir suportar a prova e algo fazer por seus filhos, ainda que seja apenas para remediar os efeitos indesejáveis provocados pela destruidora e cruel cadeia de males da drogadição.
O nível de desapego de ideais e sonhos para pais nessa condição é dramático, porque eles são testados intensamente com a ingratidão dos filhos.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:09 pm

Dores tão acerbas servem para matar velhas ilusões, fortalecer a capacidade de resistir e estimular a ruptura com a concha egoística de velhos e enraizados preconceitos.
Caso a prova seja encerrada com essa conquista, os pais podem romper com suas ligações com tais assuntos e se promoverem a condições morais exemplares.
É o caso de muitos deles, que fundam organizações para ajudar outros filhos e pais em condições semelhantes.
- E no casamento?
É assim também? - indagou Maristela, que carregava graves conflitos com o assunto.
- O encerramento de ciclos é assim em qualquer prova.
A criatura que decide se modificar, inevitavelmente, transforma seus elos e suas provas.
- E se eu entendi bem - prosseguiu Maristela -, encerramento não significa separação?
- Nem sempre, embora a separação possa ser o caminho que a vida impõe diante de encerramentos cujo futuro não acena com a menor possibilidade de crescimento para as pessoas envolvidas.
A separação, seja pela morte, pelo término de profissões, casamentos ou quaisquer relações, pode ser benéfica e necessária em muitos casos.
Mas nem sempre é indício de rompimento dos cordões energéticos.
- Compreendo! - exclamou Maristela.
- Algo mais sobre os cordões?
- No Grupo X existem esses cordões energéticos? - indaguei.
- Mais do que podem supor!
- E seriam do passado ou da actualidade?
- Óptima questão, José Mario!
O Grupo X ilustra bem o que vem acontecendo com a esmagadora maioria das comunidades na Terra, desde o grupo familiar até as nações.
Vou tomar como exemplo o caso que envolve a dupla Antonino e Ana.
Vocês já foram informados do que ela sente pelo médium?
- Certa feita, fazendo uma visita a seu lar com amigos aqui do Hospital, tive a oportunidade de presenciar os devaneios afectivos de Ana em relação a Antonino informou Maristela.
- Exactamente!
No caso de ambos, os laços são velhos grilhões energéticos que os aproximam.
Conquanto Antonino não tenha permitido o afecto tresloucado e oculto que consome o coração de Ana, ele,
como médium, sente-se entorpecido e sensível ao movimento activo dos cordões da dirigente.
- Na noite em que estivemos no lar de Ana, ao sair do corpo, ela procurava por Antonino.
Depois de um dia de brigas com o marido, que enveredava pelo alcoolismo, ela, mais do que nunca, estava disposta a se entregar afectivamente ao médium - pontuou Maristela.
- Não foram poucas as noites em que isso aconteceu.
De um lado, a mulher carente e desorientada e, de outro, o médium confuso e indefeso.
Quando no corpo, Ana transformava sua paixão em ódio e indiferença.
Quando no corpo, Antonino não sabia definir o que sentia por Ana.
Um misto de mágoa e sentimentos louváveis que se alternavam deixava-o atormentado, em conflito com o que desejava sentir de mais nobre.
É a luta do espírito entre a intenção legítima de amar e os velhos hábitos ainda não superados.
É por meio dos cordões que se processa esse intercâmbio de sensações e sentimentos.
Os cordões energéticos de ambos antecedem esta vida corporal, todavia, a teia vibratória tecida no Grupo X vai muito além.
Outros integrantes também guardam velhos e doentios cordões.
No entanto, o que nos chama a atenção é que a maioria deles está fortalecendo fios magnéticos pela conduta actual de invigilância.
A raiva está na base deste episódio.
A arrogância e o orgulho na equipe estão estimulando a pior parte de cada um, criando conexões sombrias entre eles.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Out 13, 2018 8:10 pm

Diante dos factos, todas as metamorfoses da raiva agravam os acontecimentos.
Uns se magoam e perdem força para continuar.
Outros intensificam a necessidade de controle com o objectivo de tomar conta dos factos.
E quase todos são abatidos pelo clima da tristeza com o inesperado.
É o que Calderaro chama de obsessão moral, também denominada obsessão pacífica, porque mantém todas as portas abertas para o acesso dos maus espíritos.
Costuma, inclusive, haver uma negação colectiva dos sentimentos no intuito de esconder o grau de sofrimento que essa situação causa a cada um.
Somente quando se expressam com altos níveis de raiva por falas impulsivas e agressivas, como as que presenciamos, é que se inicia outro estágio mais avançado da obsessão colectiva, que Calderaro chama de obsessão mental.
Nesse clima emocional, a obsessão dos desencarnados avança à vontade, a ponto de poder criar o sitiamento ou o domínio total sobre o grupo.
O resultado final de quem se mantém fixado na sombra dos outros é a descrença.
É assim que se encontra o Grupo X, a caminho da descrença em tudo, especialmente uns nos outros.
- Quem olha o Grupo X de fora nem imagina o que se passa nas reentrâncias dos corações de seus condutores! - exclamei com piedade.
- É isso mesmo, José Mario.
Eles ainda conseguem ser cordiais, fraternos e cumprem com seus
deveres nas tarefas para com os de fora.
Ninguém é capaz de supor o que lá acontece e, se alguém mencionasse, não acreditaria.
Esse tem sido o quadro de muitos e muitos grupos doutrinários.
Uma peleja nas relações.
- Mas isso não é o que a senhora mesmo nos ensinou, em certa ocasião, ao dizer que os conflitos fazem parte do aprendizado dos seguidores de Jesus?
- É verdade, meu amigo.
Quanto a isso, nenhuma surpresa.
O que não é desejável é a negação ou fazer vistas grossas para os acontecimentos, fingindo uma fraternidade que não existe e recheando os corredores de fofoca, que toma o lugar do diálogo honesto e educativo.
O que faz o conflito intoxicar é a soberba e a prepotência que derivam da arrogância.
- E como a arrogância e a soberba costumam intoxicar os conflitos?
- Um dos modos é pela via de noções insensatas fundamentadas nos princípios da doutrina.
Assim como a ideia de carma que acabamos de mencionar.
Outras vezes, e isso costuma ser mais comum pelo descuido de todos nós, é a intolerância nas atitudes que incendeia nossas emoções a caminho da invigilância.
Nossa incapacidade de aceitar a diferença alheia é algo assombroso.
A fixação nas limitações uns dos outros faz com que o conflito de ideias se transforme em um espaço de disputas.
E onde a disputa aparece, o clima de fraternidade desaparece.
- Então, essa questão dos cordões é muito comum nos grupos espíritas? - indagou Juliano, como se reflectisse em algo muito profundo sobre o tema.
- Não só nos grupos espíritas, Juliano - respondeu, afavelmente, dona Modesta.
Quaisquer ambientes onde haja a presença de relações humanas, lá teremos os cordões energéticos em maior ou menor intensidade.
- O que determina essa intensidade, dona Modesta?
- Juliano, são muitos os factores, mas, inegavelmente, é pelo sentimento que os cordões ganham vida, natureza, cor, cheiro, som, movimento e consistência.
- As pessoas ficam amarradas umas nas outras, se é que o termo é correto?
- O termo é apropriado, sim.
As pessoas, por meio dos cordões, aprisionam ou se alimentam de energias que sugam ou nutrem o cosmo fluídico dos diversos corpos que possuímos.
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Ave sem Ninho

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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:51 pm

As ligações são mantidas chacra a chacra, de conformidade com o tema que liga as criaturas envolvidas.
Se o assunto é a mágoa, o centro de força de imantação é o cardíaco.
Se a questão envolve ódio, o chacra mais atacado é o solar.
Se o assunto é ciúme e possessividade, o chacra de vinculação é o genésico.
Em cada caso, isso varia.
A rigor, quando mantidos longamente e retroalimentados por atitudes insanas, esse cordão é o canal de inúmeras doenças que a medicina dos homens nem sequer desconfia das causas subtis.
Dessa forma, em alguns casos de pessoas magoadas, sob pressão da possessividade de alguém, podem desenvolver diabetes e diversas dermatites.
Em outros, alguém que sustente o ódio por alguém que o feriu, ou é odiado por alguém que tenha ferido, pode avançar para variados processos degenerativos, incluindo alguns carcinomas mais conhecidos.
O campo da medicina energética não pode prescindir de estudar tal tema.
Alguns sintomas corriqueiros no mundo moderno têm como causa os cordões energéticos, tais como:
cansaço injustificável, adoçam do medo como estilo de vida, culpa intensa e estressante, alterações no sistema endócrino, ansiedade desproporcional, angústia com lugares e pessoas, náuseas, inflamação de tendões, enxaquecas crónicas, impotência sexual e até quadros severos de câncer.
Sem presença alguma de espíritos desencarnados, os mais variados episódios de transtorno físico, emocional e mental podem ter causa nos cordões.
É muito comum pessoas ligadas por essa teia vibratória desenvolverem sintomas, doenças, sentimentos e sensações semelhantes ou passar por alguma ocorrência que assegure a influência de uma sobre a outra.
Verifica-se que algumas pessoas já aprenderam a auscultar seus sintomas, sabendo prever quando alguém com quem não simpatizam vai aparecer para cobrar algo ou desgastá-las com alguma provocação.
Outras vezes, determinadas pessoas muito submissas aos progenitores, mesmo à distância, sofrem desesperadamente as angústias dos lares paternais sem saber detalhes do que lá acontece.
A expressão popular "corpo fechado" pode ser bem compreendida à luz das bases espíritas.
Significa ter os centros de forças defendidos do mal alheio.
Não saber ou não querer se defender dos ataques vibratórios que nos circundam, significa ter o "corpo aberto".
- Poderíamos compreender os cordões como magia?
- Que é a magia, senão a manipulação de energias!
Entretanto, para usar essa designação na sua real definição, teríamos de acrescentar um quesito imprescindível, a intenção.
Pessoas existem que sabem ser capazes de prender outras aos seus propósitos, e disso abusam, chegando a buscar a manipulação de recursos de feitiços encomendados para garantir sua loucura dominadora ou atender a seus interesses mais mesquinhos.
Temos, assim, um capítulo adicional no terreno dos cordões energéticos, que são os laços que podemos criar com alguém por meio da intenção deplorável.
- Há espíritos que participam disso?
- Há criaturas que sabem muito bem a técnica de amarração por meio da magia desde os velhos tempos da Babilónia.
- Mas só pode pegar em pessoas que tenham medo ou acreditem nisso, não é?
- Não, Juliano!
Não é bem assim!
Vejamos, a esse respeito, a fala oportuna do codificador, Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 555:
"O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenómenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação.
O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice".
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:51 pm

Devemos nos acautelar para que o conhecimento espírita não simplifique exageradamente assuntos que são bem complexos.
Muitos companheiros de ideal, apoiados em informações doutrinárias, alegam não existir o feitiço, acrescendo que somente quem sintoniza pelo pensamento ou tem medo dessas questões é que pode ser atingido.
Não é bem assim.
O pensamento é verdadeiramente um escudo.
Os sentimentos, porém, é que permitem o ciclo dos feitiços, e sobre essa parte da vida interior muito pouco controle e conhecimento detemos para nos imunizar das investidas sombrias que cercam nossos passos.
Outros irmãos alegam que bastam a oração e a fé.
Tivéssemos tanta fé assim, e eu endossaria tal tese!
Orássemos correctamente, e eu apoiaria a ideia!
São recursos que ainda não desenvolvemos suficientemente para serem escudos protectores de nossas vidas.
A magia, em seu sentido mais profundo, intencional, ou mesmo aqueia que acontece naturalmente em razão das nossas mazelas, que criam elos de destruição e dor, é um movimento diário nos campos subtis da alma, podendo perdurar por anos e milénios, dependendo do contexto em que é gerada.
Se não fosse a misericórdia divina e a sua ostensiva acção em nosso favor, nos faltaria o essencial para viver.
- Então seria correto definir o cordões energéticos como magia?
- A magia de todos os dias.
A magia que flui de nossos desatinos.
A magia que cumpre os desígnios da lei que estabelece a cada um segundo suas obras.
A magia que cria a aura individual de nossos passos e a aura colectiva das comunidades.
O Grupo X respira nesse clima sufocante, na teia de suas próprias criações.
- Com isso, não podem confundir o que é mediúnico com o que é anímico?
- Com espantosa frequência!
- Meu Deus! - expressou Juliano, como se tivesse descoberto uma novidade.
- A raiva, base emocional dos cordões, é o alicerce das relações entre nossos irmãos.
Onde a arrogância comparece, o sentimento de injustiça é despertado.
E com essa sensação de lesão pessoal brota o conflito íntimo e, posteriormente, o conflito relacional.
A propósito, ele é o estado mental responsável por uma das doenças energéticas mais presentes na vida terrena: a depressão por parasitismo.
É o estado mental de desorganização, um choque de forças do subconsciente com o consciente sob a tutela do self ou super-consciente.
Esse estado, que caracteriza a esmagadora maioria das criaturas no planeta, gera matéria astral.
Essa matéria do conflito é mensurável, tem cor, cheiro, peso específico.
É uma colónia bacteriana de largo poder destruidor.
É como uma infecção a purgar ininterruptamente sobre o cosmo vibratório dos corpos, ao mesmo tempo, gera um movimento inflamatório, uma pressão sobre todo o conjunto energético, provocando acções desencadeantes de doenças físicas recorrentes.
Sob sua acção desorganizadora, a anatomia dos chacras sofre múltiplas alterações, subtraindo a capacidade normal de absorção, metamorfose e transmutação das forças que actuam sobre a vida mental do ser.
Alguns sintomas verificáveis desse quadro são:
confusão mental, falta de vitalidade física, angústia, ansiedade intermitente, tristeza crescente, insónia, diminuição da libido e outros.
Os chacras mais afectados são o coronário, o cardíaco e o solar, cujas desarmonias ocorrem na vida mental, nas emoções e no campo energético, respectivamente.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:51 pm

Chamamos de depressão por parasitismo porque, depois de consolidado o habitat energético, diversas formas vivas etéricas se agregam ao ecossistema em formação, tornando-se predadores em regime de vampirismo, retroalimentando a cadeia de efeitos desastrosos para a vida corporal do homem terreno.
Estudando os cordões energéticos e os fenómenos magnéticos que circulam em nossa vida, ficam evidentes duas conclusões: a primeira é que se torna completamente dispensável a presença de obsessores fora da matéria para que se processem as obsessões.
A segunda é que a medicina sanitarista do mundo jamais fará progressos preventivos e curativos caso não se abra para estudar a fenomenologia vibracional.
Consciente dos laços que se estabelecem entre familiares, grupo no qual os cordões mais se sublimam ou mais adoecem, nosso Mestre enunciou, em Marcos, capítulo 10, versículos 29 e 30:
"Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do Evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna".
Em outra ocasião, propondo que não criemos cordões os quais já estamos maduros para evitar, Ele alertou em Mateus, capítulo 10, versículo 14:
"E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
Para que não nos prendêssemos a grilhões energéticos que tornam nossa vida uma tormenta mental, Ele recomendou, em Lucas, capítulo 6, versículo 29:
"Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses".
E para ficar mais claro ainda o quanto o assunto não é novidade, Allan Kardec ocupou-se em indagar os Sábios Condutores, na questão 406 de O Livro dos Espíritos:
Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem actos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação?
"De que absolutamente não cogitam, dizes.
Que sabes a tal respeito?
Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu, como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre o em que eles pensam.
Demais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências".
Não vivemos isolados.
Sempre haverá cordões energéticos.
A criação deles não é um capítulo à parte na Lei Natural de Sociedade.
Vivemos neste oceano energético e nele buscamos o alimento conforme a natureza de nossas qualidades ou mazelas.
O fluido cósmico universal, a alma do Criador, é o campo energético do amor e da elevação para que tenhamos sempre vida e consciência a caminho do progresso incessante.
A criação dos cordões de amor será a garantia de libertação, paz e avanço na evolução.
Compreenderam?
- Sim - respondi pensativo, em nome do grupo.
Naquele dia, ao anoitecer, recolhi-me aos meus aposentos meditando nas histórias de vida e dor que tive ensejo de conhecer.
Desfilaram por minha mente Benevides, Stefan, o médium Antonino e tantos outros.
Trazia cada história para minha própria experiência de vida, reconhecendo a extensão de minhas necessidades espirituais e nutrindo uma sensibilidade incontida para com as lutas de todos eles.
Naquele instante, tamanha era minha emoção que
quase me levantei para ir às alas no subsolo abraçar ternamente a Benevides.
Agradecer-lhe por fazer parte da minha vida.
Quando recordei seu estado, não consegui conter as lágrimas.
Ficava evidente o quanto dona Modesta e toda a equipe do Hospital Esperança tinham razão ao defenderem, com tanta constância, a importância da misericórdia em nossas relações.
Ela sempre me dizia:
"Sem tolerância, não nos suportaremos.
Sem misericórdia, não nos amaremos de verdade".
Adormeci pensando em Benevides, Stefan e Antonino.
Ficava cada vez mais claro, para mim, por que os benfeitores maiores devotavam tanto amor a todos.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:52 pm

Capítulo 12 - Os Laços da Comunidade Espírita com os Dragões
"Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo"
- I João, 2: 9 e 10.

A desarmonia no Grupo X, depois de agravados os conflitos entre Calisto, Ana e Antonino, teve efeito epidémico no transcorrer das semanas.
O contágio foi inevitável.
Raríssimas acções ou condutas da parte dos irmãos na carne contribuíam para minimizar as chamas alarmantes da discórdia que tomava conta das relações.
Os adversários mais sagazes, os dragões, sob tutela do mago Jerónimo, avançavam palmo a palmo no campo mental do conjunto.
A tal ponto chegaram que foram exigidas de nossa esfera medidas de contenção e defesa especiais na protecção da casa.
Ainda assim, por não podermos contar com o suporte suficiente por parte dos companheiros encarnados, algumas vezes tivemos de assistir à acção nefasta dos adversários sem nada mais poder realizar que não a prece nutrida na esperança e a confiança na acção da misericórdia celeste.
As obsessões progrediam.
Nossos irmãos confundiam, cada dia mais, a coragem de servir fora dos padrões convencionais com a falta do bom senso.
Um clima inamistoso de disputa destruía as forças magnéticas, estiolando a guarda espiritual do Centro Espírita.
Enquanto estavam absorvidos nas querelas da convivência, distraíam-se quanto às defesas que deveriam erguer em favor de trabalho tão complexo e arriscado com os génios enfermiços das sombras.
Desavisados, tiveram a galhardia de experimentar novos modelos de aprendizado, mas não se precaveram em relação aos possíveis percalços de quem vai trilhar caminhos menos conhecidos.
Cada dia mais, nos sectores de amparo emergencial do Hospital Esperança, o Grupo X era alvo de nossas cogitações acerca das necessidades apresentadas, sendo classificado como caso grave que exigia medidas de vulto.
Imaginei que a presença de Stefan na vida de Antonino e as espirais de vampirismo sobre Ana fossem os mais sérios acontecimentos nos episódios em foco, entretanto, quanto mais o tempo passava, mais dilatava minha visão sobre a multiplicidade de detalhes da obsessão que atingia todo o grupo.
Antonino sofria larga pressão para abandonar o barco das lutas junto à equipe.
Seu coração sincero encontrava-se aos frangalhos, pois jamais imaginou viver tão dilacerante conflito emocional.
Confuso e pressionado pela inteligência de magos que lhe conheciam de longa data no Vale do Poder, atolou-se em exaustivo quadro depressivo.
Perdera de todo a motivação com a tarefa e, por muito pouco, não permitiu desfalecer no ideal de espiritualização.
Arrastava-se nas actividades, agravando ainda mais a sequência infeliz de acções perturbadoras.
Estava instalada irremediavelmente a obsessão colectiva, o sitiamento sem impedimentos.
Foi, então, que comecei um novo capítulo nas minhas vivências espirituais.
Até mesmo para mim, fora da matéria, foi difícil acreditar em certos fatos que presenciei.
Portanto, na condição de narrador, reservo meu irrestrito respeito ao sagrado direito da dúvida dos irmãos que vão ler minhas linhas logo adiante.
Um emissário do Vale do Poder, em uma noite após as tarefas, procurou-nos à porta do Grupo X.
Era um homem de terno, calvo, negro e muito bem apresentado, que recordava um profissional da advocacia.
Com voz grave e em tom de formalidade excessiva, disse:
- Senhora Modesta, permita-me um minuto de seu precioso tempo?
- Pois não, doutor Darius - respondeu dona Modesta, com serenidade na fala, embora se mostrasse desgastada pelas refregas do dia de serviço.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:52 pm

- A senhora sabe que a causa está perdida.
- Não existe causa perdida, meu caro doutor.
- Não vamos filosofar agora, não é mesmo?
Posso notar-lhe o cansaço e não estou para digressões.
- Concordo. O que o senhor deseja?
- Antonino fora do grupo.
- A troco de quê?
- Devolvemos o centro para sua felicidade e gozo.
- Querem a semente que plantamos?
- Data vénia, plantaram uma má semente, minha senhora!
- Plantamos a semente do Cristo, meu irmão.
- Por favor, sem sermões.
Ainda tenho vinte visitas para fazer esta noite.
Aqui a senhora tem todos os termos do acordo - e ele entregou uma pasta fina com algumas folhas de papel com impecável digitação.
- Está bem, doutor Darius, faremos uma leitura atenta.
De acordo com a lei que temos um tempo.
- Quanto quiserem, mas sem pedidos de afrouxamento.
A casa é nossa.
Meus clientes foram agredidos no direito de reclusão.
Agora vocês respondam pelo que fizeram.
Não foram e não serão convidados às profundezas do Vale, o lugar tem propriedade.
Desrespeitaram todas as nossas leis e princípios.
Sendo assim, com o sitiamento iminente neste espaço de rezadores sem atitude, impetramos acção litigiosa.
- Sem afrouxamento haverá mais dor, meu irmão!
- E mais domínio da parte interessada.
Portanto, quem decide o futuro são vocês.
Este grupelho de hipócritas tem dívidas.
Quem deve tem de pagar!
- Volte ao seu posto, doutor Darius.
Precisamos reflectir na proposta que Deus lhes permite por misericórdia - respondeu dona Modesta, não escondendo sua exaustão.
O homem se retirou com um sorriso irónico no rosto e fiquei embasbacado com o que ouvi e vi.
Não acreditei.
Ainda cheguei a pensar que pudesse se tratar de algo diferente do que estava imaginando.
Regressamos ao Hospital Esperança.
Em nenhuma ocasião, havia presenciado o mutismo na equipe de socorro.
Aquela noite foi diferente.
Nada nos restava, a não ser nos refazer.
No dia posterior, bem cedo, dona Modesta convocou todos os servidores das equipes emergenciais a uma reunião extra.
- Amigos, entramos em fase decisiva no Grupo X, após meses de lutas ingentes.
A narrativa de Mateus, capítulo 24, versículo 15 é simbólica para nosso instante de aferição, quando Judas respondeu aos astutos perseguidores de Jesus:
"Que quereis dar, e eu vo-lo entregarei?
E eles lhe pesaram trinta moedas de prata".
Em todos os tempos, o Evangelho do Cristo foi cercado pelos mais traiçoeiros acordos de facções.
Até Jesus foi convocado a tal mister, quando esteve por quarenta dias e noites no deserto, em duelo com o génio do mal que lhe queria testar.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:52 pm

Ali foram selados acordos inimagináveis por parte das Equipes Celestiais do Cristo para com os destinos da humanidade, e que determinaram, acentuadamente, a história dos últimos dois mil anos sobre a Terra, incluindo a fulminante obsessão de Judas, o grande visionário do Cristo.
Acima, porém, de todos os acordos, reina a luz soberana da justiça.
Deus, em Sua magnitude, não exclui do inferno o direito que estabelece leis, conforme os ditames da consciência de seus habitantes.
A maldade calculada é a inteligência mal conduzida.
Nem por isso deixa de talhar seus códigos de ética e conduta, alicerçados conforme o teor dos interesses colectivos das regiões purgatoriais.
O serviço redentor da regeneração nos pátios enfermiços da semi-civilização não exclui a dura realidade dos acordos.
Em muitos deles, somos obrigados a aceitar as cláusulas visando a um futuro melhor para todos.
Sei que entre vocês, particularmente os que se agregaram mais recentemente aos nossos labores de amparo, existe uma natural preocupação com o acontecido.
De fato, há motivos para isso, considerando a dor e o peso causticante das provas emocionais que cada um vem atravessando neste momento.
Entretanto, avaliemos por outro prisma.
Enquanto nossos irmãos na carne derramam lágrimas de sensibilidade, mais uma vez nos encontramos diante da possibilidade de penetrar nas mais recônditas prisões do Vale em busca da libertação de muitos.
Reza os termos do acordo que eles oferecem mais de uma centena de vândalos aprisionados, como é a praxe, em troca da "libertação" do Grupo X.
A condição é a retirada de Antonino.
Sei o que passa na mente de muitos aqui presentes.
A queda de Antonino é bem cotada nas esferas inferiores diante das bênçãos generosas que sua mediunidade tem levado ao mundo físico.
Nós faremos o acordo.
É a determinação de Eurípedes.
Nossas estratégias de acção tomarão novos rumos a partir de hoje mesmo.
Conquanto pareça o fim, quero apaziguar os corações dos menos experientes.
Tudo é renovação.
A lei do submundo não é um apêndice na evolução da Terra.
Integra em regime de mutação lenta todo o processo de ascensão do planeta.
Ainda que os irmãos tenham seu ponto de vista na disputa e no domínio, nada ocorre sem a permissão divina e, mesmo os rumos que podem parecer uma desventura, tornar-se-ão brevemente uma fonte cristalina de luz pelo bem da nobre causa a que nos devotamos.
Entre nós estavam doutor Inácio, Cornelius e a equipe de aprendizes do atendimento emergencial aos Centros Espíritas, na qual eu me encontrava matriculado.
Ao todo contávamos sessenta presentes.
Alguns dos presentes representavam outras equipes com o mesmo objectivo.
Trabalhadores experientes que vieram aprender e somar com a ocorrência em curso.
Dona Modesta, tranquila e confiante, disse:
- Sintam-se à vontade para expor suas dúvidas ou propostas de acção.
Juliano indagou:
- Estou um pouco apreensivo, dona Modesta.
- Por quê?
- Tomou-me uma sensação de derrotismo desde ontem, quando da presença daquele advogado.
- Faz parte da vibração do doutor Darius este clima.
É uma estratégia de quem quer vencer uma batalha representando as sombras:
espalhar o vírus contagiante do pessimismo.
- É o fim, dona Modesta?
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:52 pm

- Não, Juliano! Da óptica do bem, é apenas uma página que se vira para iniciar um novo ciclo.
- O que será do Grupo X? E Antonino?
O acordo tem por objectivo a queda do médium?
- Não, meu filho, não é isso.
As legiões das sombras não são ignorantes como acreditam alguns.
Homens e mulheres muito inteligentes, lúcidos racionalmente, estão a serviços das hostes directoras de tais círculos organizados.
Há quem imagine as organizações inferiores compostas apenas de criaturas mutiladas e assustadoras ou, ainda, em locais escuros e sujos.
Essa é apenas uma faceta das regiões que cercam as edificações urbanas.
Tribunais, hospitais, laboratórios, escolas e todos os instrumentos sociais do progresso estão presentes em tais localidades, que se estruturam como centros avançados da inteligência.
Os adversários do Grupo X não querem a queda.
Reconhecem o valor moral e a persistência heróica de todos os seus componentes.
Eles buscam a mais velha táctica de enfraquecimento dos serviços do bem.
Uma equação matemática simples que tem sido a fórmula das guerras mais cruéis de toda a história humana: fragmentar para isolar.
Eles sabem que nossos companheiros vão continuar e não querem queda, querem isolamento.
Aliás, existe larga possibilidade de que Antonino, fora do grupo, seja um modelo de resistência.
O Grupo X, por sua vez, constituir-se-á uma escola bendita de orientação.
- Onde o problema, dona Modesta?
Qual o objectivo das trevas?
- O problema?!
O grande problema, meu filho, é o que fica de tudo que aconteceu.
Jesus chamou doze cooperadores porque Ele
próprio teria outro destino solitário, o calvário.
Ele saiu de cena para que o grupo apostólico tivesse sua oportunidade.
A proposta de Jesus é dividir para multiplicar.
Mais cedo ou mais tarde, seria inevitável um novo caminho para Antonino, para Ana, para Calisto e para muitos outros que se encontram agregados ao Grupo X.
Mas ainda não é a hora.
O que o acordo traz como efeito indesejável é o momento infeliz de nossos irmãos.
O conflito naquela casa gerou a mágoa, a inimizade, a dor da culpa, os julgamentos prepotentes, a disputa infrutífera, o descrédito ao afecto sincero, o vexame do mau exemplo, a obsessão desnecessária, o estímulo aos maus sentimentos e outros tantos desastres morais e espirituais.
Há quem se preocupe ou tenha a mente fixa na separação, como se isso constituísse, por si só, um grave problema.
Isso em nada nos preocupa.
Lamentamos apenas que seja tão precipitada, em momento tão inoportuno e de forma tão fragilizada.
Diz um velho ditado mineiro que "mourão junto não faz cerca".
De facto, é isso que algumas vezes pode emperrar o serviço.
Muita ideia, muitos pontos de vista e pouca concórdia, muita bagagem doutrinária e pouca produtividade
nos serviços da seara.
Longe de nós qualquer manifestação contrária aos labores de equipe, o mais poderoso diluente do personalismo e da vaidade.
Serviço de equipe, entretanto, exige desprendimento, respeito ao limite pessoal, harmonia e amplo desejo de ser útil ao ideal.
Nossos irmãos estão transgredindo todos os elementos da saudável composição na formação de conjuntos homogéneos.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:52 pm

Desta forma, tornam-se mourões agregados que não permitem os espaços necessários para instalação da cerca da concórdia para proteger o objectivo comum.
Não existe concórdia sem afecto aplicado, e afecto aplicado é resultado da educação e da motivação natural de quem confia e se entrega.
A separação, neste instante, significa que cada um seguirá seu caminho.
As possibilidades de contacto fraterno e apoio mútuo são reduzidas ou, como na maioria dos casos, anuladas por completo, implantando a velha táctica do isolamento no movimento espírita.
Grupos que não se falam, grupos que não se amam, grupos que disputam, grupos que não se apoiam.
A separação sempre será desejável, mas não como resultado de conflito, e sim como multiplicação do campo de trabalho por meio de anseios nobres.
O objectivo do tempo da maioridade do Espiritismo é a atitude da soma nas diferenças, do encontro fraternal em regime de solidariedade.
Grupos se apoiando, conquanto pensem e ajam diversamente.
Uma rede de amparo, várias frentes de serviço activo com as quais cada um pode contar nos instantes do testemunho.
A saída de Antonino agora significa a manutenção dos pontos de vista antes, durante e depois da cisão.
Com isso, todos perdem.
Alguns companheiros que chegaram ao Hospital Esperança, depois de uma pródiga reencarnação prestada ao ideal, continuam contando sua versão pessoal das tragédias da desunião, colocando-se como quem nada fez para que as situações corressem ao sabor das cizânias.
Muitos deles, na verdade, foram os arquitectos das separações e, em suas ilusões, não enxergam com lealdade tal descuido.
Culpam a todos e não enxergam a própria parcela de desacertos.
Contam suas histórias lembrando fatos acontecidos há mais de meio século, ainda nutridos por mágoas e ressentimentos, que serviram de motivações para a disputa silenciosa na qual estagiam inúmeros grupos espíritas.
Histórias que só sobrevivem em suas lembranças, porque dentro das próprias casas por eles dirigidas quase ninguém conhece a novela mental que alimentam relativamente aos acontecimentos infelizes nos quais foram protagonistas.
E o que fica de tudo isso?
Eis a pergunta que deverá ser feita nos dias vindouros.
Compreendeu?
- Sim, dona Modesta.
Creio que compreendi.
Seria uma separação que inviabiliza estender as mãos uns aos outros no futuro.
Uma divisão que subtrai e não multiplica.
- Exactamente, Juliano.
Divide e subtrai.
- Antonino, nesse caso, ficará desprotegido fora do grupo?
- O médium isolado corre sempre o risco de tombar nas armadilhas da descrença e da lisonja, se estiver à procura do destaque e da glória pessoal.
É imperativo reconhecer que não é isso o que busca Antonino, conquanto ninguém no Grupo X veja de outra forma, a não ser Calisto.
- O que procura Antonino, dona Modesta?
Se não é o personalismo que o motiva, o que poderia levá-lo a abandonar a esfera da segurança?
- Autonomia.
- Mas... - antes que completasse, emendou a benfeitora.
- Autonomia é muito diferente de vaidade.
Muitos a querem em busca de aplausos e gratificações passageiras, e, nesse caso, autonomia é sinónimo de personalismo.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:53 pm

Nosso irmão, entretanto está em busca do direito de responder por seus talentos espirituais, por suas decisões e por suas obras.
- E o grupo lhe nega esse direito?
- Mais por imaturidade que por intenção.
Neste clima em que se encontram as relações no Grupo X, temos de admitir que uns para os outros se tornaram um ónus emocional.
Nessa circunstância, o que foi projectado para ser um campo bendito de crescimento e educação espiritual alcança a condição de ambiente espoliador de forças.
Uma malha de exaustão que reflecte a obstinação insensata e despropositada das sombras que ainda carregamos por dentro.
- O que não consigo entender, de forma alguma, é por que ele não busca esta autonomia sem abandonar a própria equipe.
- Antonino não conseguirá o que procura por lá, porque o conceito alimentado na própria equipe, acerca de suas aspirações honestas, é visto como indesejável opção para a vitrine da vaidade, um julgamento que lhe tem sido pesado demais diante de suas legítimas intenções.
Como se trata de uma alma frágil no que tange à sua independência, esse se torna um ambiente perturbador para ele.
- E como o médium recebe esse julgamento?
- Com sofrimento. Muito sofrimento.
Além disso, com muita insegurança.
Debate-se entre suas aspirações sinceras e os roteiros defendidos pelos companheiros.
E agora, depois dos recentes episódios, no plano físico e aqui na vida espiritual, os rumos foram selados definitivamente.
Sedento por fazer minha pergunta, indaguei:
- O que significa aceitar este acordo, dona Modesta?
- Significa entregar Antonino a si mesmo, às suas próprias decisões.
- E deixá-lo desamparado?
- Desamparado, jamais!
Apenas não interferiremos de modo condutivo.
- Quem são estes cem vândalos que fazem parte do acordo?
- São prisioneiros em seus poços de infelicidade.
Desordeiros e enfermos mentais cumprindo pena nos calabouços infernais.
- E o que será feito dessas criaturas.
Por que as oferecem assim, como fosse um "escambo de almas?
- Só Deus sabe, meu filho!
Eis os ossos do ofício de trabalhar no submundo!
A princípio serão tratadas.
Suas histórias serão levantadas e faremos o melhor encaminhamento possível, conforme suas necessidades.
- Em que estado eles se encontram?
- No pior possível.
Mutiladas por castigos, com aparelhos de contenção mental, outros hebetados.
São casos graves que interessam em muito na limpeza das regiões astrais abaixo da crosta terrena.
Para nós significam mais trabalho e devoção.
Para Jesus, são os lírios de esperança.
Serão nossos tutelados.
- Perdoe-me se faço uma análise descaridosa! Haverá uma troca de um grupo espírita por cem prisioneiros?
- Não fazemos trocas, José Mario.
Aproveitamos oportunidades de fazer o bem.
- A senhora já passou por alguma dessas experiências?
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 14, 2018 6:53 pm

- Muitas.
- Em que resulta esse comércio de almas, se é que assim posso chamar?
- A expressão é correcta, José Mario.
Não se aflija por usá-la.
Pelo menos para a semi-civilização, é com este carácter que, diariamente, acontece.
Para nós, é ocasião de resgate.
Nas muitas ocasiões em que aceitamos tais acordos, sempre tivemos a felicidade de constatar que nos pântanos da maldade também existem amor, arrependimento e desejo de mudar.
- E os dragões cumprem com o prometido?
- Quase sempre!
- A senhora é quem vai selar os termos do acordo, isto é, alguém assinará a papelada do acordo, ou não existe isso por aqui?
- Cornelius será nosso interlocutor.
É alguém mais vivido em relações públicas com as organizações da maldade.
Ele pode melhor responder sobre o tema.
Atento ao diálogo que transcorria, manifestou-se o servidor, ficando de pé e olhando para todos com desvelado carinho:
- Para entender os acordos que envolvem a possibilidade de sitiamento do Centro Espírita, precisamos conhecer algumas informações sobre a saga dos Espíritos que reencarnaram como espíritas.
Seria impossível a existência de tais acordos se não existisse uma história de laços que vinculam populações de ambas as esferas de vida em compromissos muito estreitos na fieira do tempo.
Não se chega a esse ponto sem lastros reencarnatórios muito consolidados.
O poder de penetração das sombras é inversamente proporcional à capacidade de reflectir a luz de cada um de nós.
Imaginemos um vale sombrio onde os raios do sol estejam impedidos de penetrar.
Quanto menos chances de reflexão da luz, mais sombras se adensarão em volta.
Todavia, se no fundo deste vale colocarmos uma superfície polida, um espelho límpido, por exemplo, que tenha sua face voltada para a direcção do astro-rei e lhe receba os raios, lá nas profundezas veremos algo brilhando e disseminando em volta o reflexo da luz solar.
Essa é a condição espiritual de considerável parcela de almas que reencarnaram sob a tutela dos raios consoladores do Espiritismo.
Corações que afundaram nas trevas da inconsequência e terminaram nos braços da vingança e da maldade intencional.
Filhos de Deus com potenciais luminosos na órbita da inteligência, carentes de valores que os defendam de si mesmos.
A história espiritual de expressiva parcela de Espíritos que regressaram à colectividade espírita é uma saga de quedas e tropeços.
Jesus, porém, o Zelador Infatigável de nossas necessidades, trata-nos como os lírios de esperança nos pântanos do fracasso.
Não é sem razão que Allan Kardec traçou os paralelos e as congruências morais, filosóficas e culturais nesta óptica, quando, no capítulo 1 de O Evangelho Segundo o Espiritismo descreve as relações entre Moisés, Jesus e o Espiritismo, ou seja, justiça, amor e verdade.
Existe, de facto, uma íntima sintonia entre as três fases do pensamento cristão, porque o grupo espiritual envolvido na deportação foi o mesmo que, ao longo de todo este trajecto, construiu toda a ideia cristã na história humana.
As hostes do mal na Terra guardam íntima relação com a senda de lutas do tronco judaico-cristão.
As primeiras colectividades da maldade na Terra foram registradas há aproximadamente dez mil anos.
A insurreição de Lúcifer, como foi baptizada a reacção organizada à vinda do Cristo na humanidade, é um movimento encabeçado por um coração querido de Jesus, que não teve a humildade suficiente para aceitar os desígnios da deportação.
Antes dessas primeiras colectividades, Lúcifer recobrou de forma mais nítida as recordações da extradição de Capela, o orbe de onde foram retirados milhões de espíritos em razão de sua renitência no mal.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 15, 2018 8:10 pm

O objectivo primordial da oposição foi impedir a vinda de Jesus.
Para isso, trabalharam sem cessar.
O raciocínio que vigorava nas mentes empedernidas era o seguinte:
já que Ele nos confinou em lugar tão obscuro e infeliz, nós tomaremos conta da Terra, ela será nossa.
Mostraremos a Jesus que não necessitamos de Sua complacência e que sua Lei é uma mentira.
A Terra será nossa e faremos reinar aqui o valor do egoísmo, única estrada capaz de trazer a verdadeira felicidade pessoal.
O amor é um equívoco.
O primeiro grupo a se estabelecer nessas bases foi o Vale do Poder, a mais antiga organização da maldade na história terrena.
Seus comandantes autodenominaram-se dragões.
O dragão era um símbolo usado em Capela que expressava força e poder.
Escolheram tal simbologia estribada no seguinte pensamento:
se Jesus nos colocou como a serpente rastejante do paraíso, criaremos asas e faremos fogo, assumindo nossa verdadeira condição de seres poderosos, capazes de voar além da imaginação e queimar com crueldade as mais mentirosas expressões da lei do amor.
Dotados de larga experiência militar e política, desenharam uma hierarquia que copiava velhos modelos de gerenciamento usados em seu planeta de origem.
Todos os episódios da história do tronco judaico-cristão, conhecida nos apontamentos humanos, reflectem os movimentos de bastidor, nas faixas fora da matéria, que foram perpetrados pelas colectividades que se insurgiram em regime de rebeldia assumida contra Jesus e Sua doutrina.
A própria história da Boa Nova, cujos registros chegaram aos nossos dias, está recheada de factos marcantes acerca dessa guerra ignorada pelo homem comum.
Obsessões gravíssimas se instalaram em torno dos passos do Senhor como sinais da inferioridade moral das hostes da maldade na tentativa de humilhar todos os Seus seguidores.
A Idade Média, porém, foi o apogeu da loucura das trevas, um jogo de interesses sem precedentes, desde a partida do Cristo pela crucificação.
Defendiam os mentores intelectuais do poder organizado:
Jesus perdeu e se foi, abandonando seu rebanho.
Resta-nos fazer a obra que começamos.
Vamos exterminar a imagem do Cristo neste planeta.
A Idade Média foi o tempo das Cruzadas na erraticidade inferior.
Não somente a história visível pôde registrar navios e templos em chamas, mas, igualmente, nos recônditos das mais frias celas da sub-crosta, mais abaixo ainda das faixas conhecidas do umbral e dos abismos, formou-se uma semi-civilização.
Homens e mulheres aprisionados nas mais cruéis condições, que deixariam os campos de Auschwitz, na Alemanha, distantes da condição de desumanidade aplicada a esses pátios da psicosfera terrena.
Formou-se ali, naquela região sombria, o recrutamento do mal.
As formas mais terríveis de convencimento e aliciamento, a colonização da raça pura.
Nos últimos dois mil anos, milhões de criaturas que diziam servir a Jesus nos roteiros do cristianismo foram aliciados para tais locais de dor e ultraje.
Comprometidos pelos descaminhos morais da hipocrisia e da desonra, usando o nome de Jesus Cristo na religião organizada, traziam em suas próprias consciências o decreto que os obrigava a integrar as fileiras da maldade, caso desejassem a "liberdade" das penitenciárias infectas e ordinárias que foram edificadas no inferno pintado por Dante Alighieri, em A Divina Comédia.
Alguns, até que se convencessem da cultura nefanda advogada pela sociedade da maldade, rebelavam-se com base em títulos que de nada lhes serviam na hierarquia das sombras.
Padres, pastores, papas, cardeais, reis, príncipes, filósofos, políticos e toda uma coorte de orgulhosos ostentada sem nenhum valor ante os chamados profundos da consciência na vida espiritual.
Foi com base na culpa e no medo que trancafiaram uma enorme falange de almas falidas nos roteiros do Evangelho.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 15, 2018 8:10 pm

O intuito era muito claro:
atacar a mensagem do Cristo, já que ela não traz a felicidade nem a paz prometida.
Um processo de justiça para cobrar de Jesus a promessa do reino dos céus.
Com este jargão, e ainda utilizando de habilidades hipnóticas aplicadas com esmero, arregimentaram diversas consciências para a colonização do pensamento.
As prisões da sub-crosta encontravam-se abarrotadas ao fim da Idade Média.
Enquanto isso, movimentos de saneamento pelo futuro da humanidade eram preparados nas esferas da Vida Maior.
Em tempo algum, os dramas da miséria moral e os pântanos da maldade ficaram à mercê da crueldade e da soberania da ignorância.
Foi por esta razão que os Instrutores Planetários trabalharam nos últimos quinhentos anos a noção de humanismo no seio das comunidades, a fim de recuperar a lucidez mental para a realidade na qual o homem deveria se inserir na condição de um ser em progresso contínuo e em busca de ascensão espiritual.
Desde o renascimento cultural, que declinou o término da Idade Média até o desenvolvimento da tecnologia avançada no século XX, fluíram de Mais Alto as mais tocantes e inquebrantáveis noções para a educação e o avanço na escala da evolução do pensamento e da moral.
Junto com tais noções de vanguarda, reencarnaram os vanguardeiros da expansão.
Homens e mulheres deram sua vida por um futuro melhor para as nações.
Se na humanidade palpável tivemos tanta transformação visando às mudanças necessárias no tempo certo, que dizer sobre tais quadros de alteração nos bastidores da vida espiritual!
O surgimento abençoado do Espiritismo no mundo foi precedido de batalhas decisivas no delicado sector da religião, que interliga os planos de vida na psicosfera da Terra.
No tempo em que as forças militares das sombras concentravam largo poder
de ataque aos círculos europeus, onde se localizava, naquele tempo, o núcleo irradiador da cultura e da política, nos fins do século XIX, uma investida sem precedentes foi realizada na libertação de almas encarceradas nos calabouços da semi-civilização.
Um dos principais focos salvacionistas foi concentrado na alforria dos cristãos abatidos pela falência espiritual.
Milhões de corações que careciam da reencarnação imediata.
Mentes sofridas pelas lembranças do erro, porém, muitas delas sinceras e detentoras de largas habilidades intelectuais.
Milhares desses corações assolados pela dor consciencial, depois de breve preparo moral, foram recambiados para o renascimento no corpo carnal, distante do psiquismo enfermiço da velha civilização.
Regressaram ao Brasil, a maioria nas fileiras do cristianismo.
Milhares deles encontraram no Espiritismo o novo seio acolhedor na recuperação de suas forças.
Tocados pela mensagem do Evangelho, retornaram esperançosos por novas lições na regeneração de si mesmos.
Não foi sem razão que a doutrina teve talhado seu carácter acentuadamente focado no Evangelho.
Nascia o Espiritismo-cristão forjado na têmpera religiosa de multidões famintas do amor e da paz interior.
Exceptuando raríssimos companheiros que tiveram desígnios previamente planejados no cumprimento de missões colectivas específicas, por intermédio da mediunidade e na consolidação de uma comunidade fraterna em torno dos ideais da doutrina.
A primeira leva de almas que regressaram como espíritas levou consigo a terna confiança no amparo pela aquisição de sua redenção consciencial.
Evidentemente, pela lucidez mental, da qual muitos eram detentores, ao lado da sagrada oportunidade de melhoria, levaram impressos na recordação a mensagem do trabalho e da caridade como chaves libertadoras para seus roteiros de salvação.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 15, 2018 8:10 pm

Cooperariam, mesmo sem possuir autoridade moral, na edificação das primeiras construções físicas e culturais do movimento em torno dos ideais do Espiritismo.
Conscientes das lutas que enfrentariam consigo mesmos, rogaram protecção extrema.
Cuidados especiais em nome da Misericórdia Celeste.
Junto com a esperança de vitória, retornaram manietados ao passado inglorioso.
Como desafio maior, deveriam superar o mais ameaçador de seus vícios:
o de possuir a propriedade da verdade.
Sob intenso medo, reencarnaram em condições que lhes permitiriam adesão às sagradas fileiras do serviço espírita.
Cientes do destino dado aos ex-encarcerados, os dragões cerraram seus esforços contra o avanço do ideário espírita no Brasil.
Mutilar a esperança de melhora dos idealistas por meio de ataques aos Centros Espíritas, essa era a táctica.
Uma luta que dura mais de um século.
Mediante tais informes, é fácil concluir que aqueles a quem chamamos adversários são extensões de nós mesmos.
Criaturas que se firmaram naquilo em que acreditam.
Os dragões são um retrato fiel da nossa condição moral, guardada uma única diferença que jamais poderemos olvidar:
nós desistimos do mal, eles não.
Nós queremos o bem, conquanto ainda não o consigamos realizar tanto quanto gostaríamos.
Ainda assim, nossos irmãos são nossa família espiritual que ficou.
O Vale do
Poder, que hoje constitui o mais respeitado espaço organizado da maldade no mundo, nada mais é que o reflexo sombrio da humanidade.
Determina a Lei Divina que integremos essa sombra aos processos de regeneração e aprimoramento.
Exterminar jamais.
Transformar é o imperativo.
Não teremos paz na Terra enquanto não cuidarmos dessa plantação, na qual, cada um de nós, deixou sua semente de contribuição.
Seria despropositado afirmar que todo aquele que se torna espírita se encontra inserido nesse contexto de explicações do destino do tronco judaico-cristão.
Todavia, tais almas que levaram sobre os ombros o peso dos compromissos libertadores podem ser claramente reconhecidas entre os formadores de opinião e cultura no movimento espírita.
A inteligência e a capacidade realizadora são seus traços fundamentais.
Líderes natos, detentores de fácil domínio na comunicação, comprometidos espontaneamente com as tarefas, essas são as linhas de conduta pelas quais podemos identificá-los no plano físico.
Os integrantes do Grupo X assim como diversos militantes da seara espírita, regressaram ao corpo na segunda metade no século XX.
Fazem parte da segunda leva de almas recambiadas em condições íntimas muito similares às da primeira, porém guardando outro género de compromisso perante a colectividade doutrinária.
Seguindo as etapas muito bem definidas por doutor Bezerra de Menezes, que avalizou tais reencarnações, essa segunda leva ocorre exactamente no segundo período de setenta anos nos destinos do Consolador Prometido, cujo desafio é imprimir o arejamento das ideias e das práticas que, inevitavelmente, sofreram influência dos traços religiosistas que foram e ainda são intensamente sufocados pelo dogmatismo, pelo preconceito e pelo sectarismo.
Contra esses corações que regressaram, os ataques do Vale do Poder tornaram-se ainda mais cruéis e impiedosos.
Nossos irmãos no Grupo X são muito visados por esse motivo.
É uma das células promissoras que se formaram com objectivo saneador.
Desde as primeiras refregas infringidas pelos dragões, eles nunca tiveram por alvo destruir as casas, mas humilhar o ideal.
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 15, 2018 8:11 pm

Não queriam portas fechadas onde o povo pudesse se consolar e esclarecer.
O ardil é mais nocivo, mais subtil.
O grande objectivo é paralisar, imprimir marcha lenta e convencional.
Nada melhor, para isso, que explorar a mais velha armadilha de nosso mundo íntimo, o orgulho.
Incensando nossas vaidades, a ilusão faz o restante.
Sentindo-se como criaturas especiais, repetindo hábitos no terreno do privilégio, extensa faixa de almas que retornaram nos primeiros momentos da doutrina permitiu-se o encanto com o institucionalismo dominante.
As mensagens abençoadas que foram encaminhadas ao Grupo X sobre esse assunto, por doutor Bezerra, activaram em nossos irmãos o ideal da humanização.
Trabalhar para que a seara, acima de tarefas e estudos, tenha como tesouro principal as relações fraternas e mais afectuosas.
Esse ideal que a casa de nossos irmãos começou a defender, especialmente por meio de frentes de serviço dedicadas às incursões no submundo astral, despertaram a ira do Vale do Poder.
Para obterem maiores pesquisas e detalhes desta história, que apenas sintetizei a título de conversa, vocês serão, oportunamente, autorizados a consultar as bibliotecas do Hospital Esperança.
No sector de antropologia espiritual da Terra encontrarão farta pesquisa obtida ao longo de décadas de estudo e vivência, sob orientação de nobres instrutores.
Os acordos surgem exactamente em razão dos laços que foram tecidos.
Ana, Calisto, Antonino, Stefan, doutor Darius e toda uma comunidade que se liga pelos compromissos de outrora ainda não se encontram livres do passado de insucessos morais e espirituais.
Razão pela qual, em muitas ocasiões,
suas relações são regidas por invasões, desrespeito, domínio, obsessões e, também, acordos.
Espero ter sido claro, embora reconheça que a síntese que nos exige o momento pode ter furtado a possibilidade de uma compreensão mais apurada.
- De forma alguma, Cornelius - falei sem hesitar -, acredito que esteja tudo muito claro.
Observando em silêncio absoluto nossa reunião, doutor Inácio Ferreira fazia um gesto repetitivo de passar a mão direita no cabelo.
Intrigado com o silêncio atípico do médico, resolvi instigá-lo.
- Doutor, o que deu no senhor hoje?
Tão quieto assim! Não vai dizer nada?
E, como era peculiar em sua personalidade ímpar, ele simplesmente, querendo nos dar alguma lição sobre tudo que fora ministrado naquela hora, nos disse surpreendentemente:
- Há algo que está me preocupando mais do que essa conversa.
- E o que é, doutor?
- Estou pensando no sabor da sopa que quero tomar hoje à noite!
Entre sorrisos e com a alma repleta de novas informações, fomos convidados cada qual a seguir seu caminho em busca dos deveres diários que nos aguardavam.
Dona Modesta, mãe atenta e educadora eficiente, não nos deixou órfãos.
Cornelius deixou clara a lógica das uniões entre as comunidades que se buscavam por interesse e necessidade.
E doutor Inácio. Ah! O doutor Inácio!
Ele, com meia dúzia de palavras ditas no mais refinado estilo dos bons mineiros, simplesmente conseguiu, com sua didáctica, infundir-me uma confiança sem precedentes, porque o pavor e o medo em situações como aquela somente prejudicariam nossos esforços.
Talvez pensar em uma boa sopa, em alguns momentos, descontraindo nosso estado mental, seja muito oportuno.
A sopa da confiança que infunde coragem e nos fortalece para a boa luta.
Doutor Inácio, sem dúvida, é um filósofo da vida!
Agora ficava mais clara, para mim, a assertiva de João, em sua primeira epístola, capítulo 2, versículos 9 e 10:
"Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo".
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Re: Quem Perdoa Liberta - José Mario / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 15, 2018 8:11 pm

Capítulo 13 - A Psicologia dos Dragões: Desconfiar Uns dos Outros
"E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?" - Mateus, 7:3.

As informações trazidas sobre a sociedade dos dragões aguçou-me o interesse de aprendizado.
Depois de devidamente autorizado, fui compulsar os documentos na biblioteca do Hospital.
Queria avidamente conhecer detalhes daqueles seres.
Como viviam, como se alimentavam, qual sua aparência, quais seus sentimentos, qual futuro os aguardava.
Passava horas lendo e relendo os apontamentos organizados em livros de história e ciência.
Fotos, vídeos e uma farta colecção de implementos davam ares de um pequeno museu consagrado aos irmãos do Vale do Poder.
Em tudo percebia o respeito e o amor dos escritores, pesquisadores e coleccionadores em relação aos dragões.
Apetrechos e tecnologia usada por dragões que foram resgatados atiçavam ainda mais minhas reflexões.
Em cada peça que tocava através das vitrines hermeticamente vedadas, sentia os mais diversos tipos de emoção, ainda ignoradas ao meu autoconhecimento.
Era como se aqueles aparelhos e bens pessoais tivessem vida.
A psicometria, ou capacidade de ler as informações pelas mãos, dava-me possibilidade de experimentar, no campo mental, a vivência de algumas cenas.
Algumas delas chegaram a me assustar.
Em cada exposição havia um número que nos permitia consultar no computador a origem de sua história.
Cheguei a um canto no qual estavam dispostos livros, folhas escritas, cartilhas e pergaminhos.
Deparei-me com um livro chamado Porta Larga, o Caminho da Perdição Humana.
Dotado de uma força magnética incomum, puxava meu olhar como um ímã.
Queria passar adiante e conhecer outras peças da exposição, mas é como se um visco me mantivesse preso àquela pequena vitrine.
Não conseguindo superar o ímpeto, coloquei a mão sobre o vidro.
Páginas escritas à mão saltaram-me no campo mental.
Eram passadas com rapidez incomparável, como um filme acelerado.
Apesar disso, conseguia entender todo o conteúdo.
Algumas palavras foram escritas em cor vermelha.
No entanto, em uma das páginas havia um gráfico.
Como se desse uma ordem involuntária, parei o livro naquele ponto.
Olhava para aquele gráfico com atenção redobrada.
Não me era estranho.
Onde o teria visto?
Com um pouco de esforço, recordei uma das noites de sessão mediúnica no Grupo X, na qual o médium Antonino desenhou no papel, sob inspiração de digna benfeitora de nossa equipe, uma réplica perfeita do que via agora.
O tema central do livro era a arrogância, que na perícia intelectual de seu autor é a porta larga da humanidade para uma nova "queda dos anjos", ou um novo exílio.
O gráfico em forma de círculo era uma antítese do bem, cujo núcleo era a rebeldia humana acerca das provas do viver.
Uma autêntica monografia sobre como explorar as imperfeições humanas para atingir a colonização do pensamento humano.
Dizia os informes que a "obra-prima" trouxe as mais expressivas graduações ao seu escritor.
Recebera o título de dragão por mérito aos serviços prestados à comunidade.
Seu autor ocupou o mais célebre cargo na corte francesa pertencente ao reinado da Casa de Valois.
Condecorado com honras militares no Vale do Poder foi aceito, novamente, sua adesão à ordem draconiana depois de uma grave "falência", segundo a concepção dos dragões quando reencarnado nos roteiros da política francesa.
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