Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 08, 2018 8:13 pm

— Não intenciono diminuir.
A excelência desse Nobre Guia se manterá para a eternidade.
Ele próprio, todavia, nunca assumiu, assim como seu medianeiro, a condição popularizada de infalibilidade.
Se encontrar por aqui com André Luiz, verá que ele mesmo gostaria de complementar seus apontamentos, alguns deles actualizados pela ciência.
Suas percepções, irmão querido, ainda estão marcadas pela natural influência de acanhadas percepções da cultura terrena.
Os livros desse mensageiro são como capítulos bem escritos no "grande livro da verdade".
Muitos capítulos lhes antecedem e vários outros o sucederão.
Teremos a quinta, a sétima, a milionésima revelação e ainda haverá o que ser revelado.
Quanto a questionar médiuns e os frutos de sua lavra, é questão credora, igualmente, de muitas considerações.
Nesse campo, infelizmente, ora os homens têm sido ingratos e anti fraternos, ora idólatras e crentes demais.
— Com o conteúdo desses livros, temos material para quatro reencarnações ou mais; então que ideia é essa de enviar mais novidades mediúnicas?
Com qual finalidade? - falou o líder já com certo grau de irritabilidade.
— Sem dúvida, essa série mediúnica será material para muitas encarnações, se estivermos falando do fundo moral que as compõem.
Entretanto, meu companheiro, referente a novidades e revelações, André Luiz ainda tem, ele próprio, muito a dizer em acréscimo ao que já escreveu.
Parece-nos, infelizmente, que os médiuns se sentem indignos de sua companhia.
Eis um dos problemas muito explorados pelas trevas.
Os núcleos do amor cristão no planeta precisam tomar consciência dessa ocorrência.
Urge rasgar véus...
— Estaria, porventura, afirmando que existem outros médiuns em condições de receber André Luiz pela mediunidade?
— E por que não?
Não só André Luiz, mas todo o céu está à procura da Terra.
É de se lamentar a crença difundida entre os médiuns espíritas sobre a distância na qual se encontram os Bons Espíritos.
Mais sofrível ainda é o conceito que possuem sobre mentores espirituais e espíritos superiores, como se fossem almas eleitas e infalíveis, vestidas de túnicas brilhantes, com linguagem empolada, as quais só seriam vistas, sentidas ou entendidas quando os médiuns vencessem todos os seus vícios e se tornassem criaturas impolutas.
Os opositores desencarnados não conseguiram impedir a difusão das ideias doutrinárias, todavia, causaram-lhe extrema deturpação, atrasando, sobremaneira, o alcance da maioridade do Espiritismo e a maturidade dos espíritas.
É de todos os tempos essa cultura de inferioridade.
Muito agrada aos líderes da perversidade a ideia de que o Cristo e seus enviados estejam muito distantes das nossas necessidades, inalcançáveis por criaturas como nós...
Com essa cultura da indignidade, atingiram alvos fundamentais...
Evidentemente, será mais difícil a André Luiz obter os resultados excepcionais através do médium que não saiba conjugar os verbos servir e aprender, acrescidos da atitude do sacrifício.
O problema não é a suposta distância na qual estejam os Espíritos Sublimes em relação aos homens, e sim a atitude enfermiça de apatia que preferem manter os homens relativamente aos Espíritos Sublimes.
Eis a razão de se rasgar o véu e apresentar, aos nossos parceiros de causa, o mundo espiritual despido de inverdades alimentadas pela obsessão da ignorância e do preconceito que ainda carregam.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 08, 2018 8:13 pm

Urge levar-lhes a mensagem de que as esferas de vida imediatas à morte não são tão diversas quanto se imagina, na qual os efeitos de nossas acções se prolongam natural e claramente em regime de continuidade.
Bilhões de almas de nosso plano vivem como se na Terra estivessem.
Ainda há muito a ser dito sobre essa interacção inter-dimensional.
— E difícil acreditar que seja dessa maneira.
Prefiro não ouvir mais nada.
Não foi nada disso que aprendi nos livros idóneos da doutrina...
Gostaria de me retirar da reunião, Ermance! Posso?
— O meu irmão é livre para retornar ao seu quarto.
Seria melhor ficar e acompanhar o desfecho de nosso encontro.
Depois falaremos em particular. Faz parte de seu novo aprendizado.
— Não sei se devo continuar a escutar essas inovações, pois tenho minhas próprias visões.
Minha formação doutrinária não condiz com essa linha excessivamente inovadora.
Depois de servir ao Espiritismo por tantos anos, já começo a me decepcionar com o ato da morte.
Desde quando cheguei aqui, nada é como esperava - externou o dirigente com um mal súbito.
Amiga, não sei se quero aprender, ouvindo o que não me agrada!
Creio não merecer isso depois de tanta luta no corpo.
— Sim, compreendo seu desgosto!
Para corações como Marcondes, é muito constrangedor despir-se de preconceitos enraizados no mundo físico, simplesmente em razão de não se adequar ao dinamismo da troca e da abertura mental para reciclar as concepções e posturas.
Ele foi um bom homem, no entanto, descuidou da edificação do reino espiritual em seu sentimento, restringindo-se a volume de informações cerebrais, o que lhe dificulta a adaptação após o desencarne.
Elegeu o conhecimento como sinónimo de autoridade e, em verdade, mesmo dizendo ouvir a todos, preferiu sempre seus pontos de vista pessoais.
A morte, no entanto, convida-o a ter de ouvir o que deve, por não querer ouvir o que precisava quando na vida corporal...
Refeito o mal estar, que quase se instalou entre todos, Professor Cícero continuou sua explanação.
— Também tive meus desacertos e compreendo sua indisposição, amigo querido.
Faça um esforço para superar, pois quanto mais rápido se lançar a esse trabalho, menos doloroso se tornará o processo da desilusão.
E digo mais: bom que sua desilusão comece aqui entre amigos, porque, no meu caso...
Aqui no Hospital, cada contacto, cada encontro fraterno, cada ocasião se tornará um convite de elevação ao qual a alma não tem como resistir.
Agora que nos libertamos da carne, falta libertarmo-nos de nós mesmos...
O meu relato não é uma inovação.
São factos e vivências.
O amigo terá chance de presenciar com os próprios olhos.
Necessário deixar claro que, quando falo em rasgar o véu, falo de meus próprios fracassos os, quais poderiam ter sido evitados, caso tivesse noções mais claras sobre as célebres questões:
"De onde viemos?
Para onde vamos?
O que fazemos no corpo?".
Procurando aprender um pouco mais, assim apresentou-se Anita, experiente trabalhadora da oratória:
— Estou aqui há menos de duas semanas.
Meu trespasse foi muito doloroso em razão da doença lenta e progressiva.
Sinto-me como se tivesse renascido depois da morte, e, mesmo com tão pouco tempo nesse Outro Lado, já percebi muita coisa que jamais ouvi dizer através dos livros mediúnicos.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 08, 2018 8:13 pm

Fico deveras entusiasmada com a iniciativa de levar aos confrades no corpo informações novas sobre os factos presenciados na vida extrafísica.
— Fico feliz com sua contribuição, Anita! - atalhou o professor.
Nossa tarefa, contudo, não pode circunscrever-se ao mero ato de fazer revelações sobre o que vemos ou a forma como vivemos nesse Outro Lado da existência.
Os espíritas, nesse sentido, já estão, demasiadamente, enriquecidos de notícias.
A revelação deve ser poderosa ferramenta que os auxilie a mensurar os resultados de nossas escolhas e condutas para além das percepções sensoriais.
Sabe-se muito sobre o que ocorre por fora em matéria de morte.
Agora é necessário tecer maiores considerações sobre seus efeitos em nossa intimidade.
Quando o explanador terminou de falar, Marcondes, imediatamente, levantou-se da cadeira e disse, inconformado:
— Para mim, chega!
Com licença.
Não quero ouvir tanto sofisma.
Tem que estar havendo algum problema com vocês.
Isso não é Espiritismo, é "achismo", pontos de vista transgressores da pureza doutrinária - e saiu furioso da sala.
Logo após a saída de nosso irmão, outro facto inusitado veio da parte de experiente líder espírita, cujo trespasse havia se dado há alguns dias.
Assim expressou-se Selena, líder influente em Minas Gerais:
— Perdoem-me, tenho que falar, senão vou explodir!
Estou muito decepcionada com tudo que presenciei aqui.
Acreditei que a morte me livraria desse mau humor de alguns espíritas de topete.
Minha mente está muito confusa e não gostaria de escutar mais nada.
Chego a pensar se não foi uma grande ilusão ser espírita.
Com licença, tenho que repousar.
Outros encontros que fizemos com várias pequenas equipes de recém-desencarnados trouxeram farto material para pensar.
Presenciamos muitos comportamentos agressivos e arrogantes, e, poucas vezes, algumas expressões de alegria e cooperação com a tarefa em curso; entretanto, nada constituía obstáculo ou aflição para nós.
Era uma rotina nos inúmeros serviços de adaptação e aprimoramento.
Em verdade, tais ocasiões revestiam-se de valores para todos e, para alguns, era o início de um despertamento longo e doloroso.
Ouvir a palavra daqueles que chegavam ao nosso plano, ainda tomados pelas ilusões mundanas, revestia-se do valoroso aprendizado de contextualizar nossa linguagem de espíritos à linguagem dos homens, dando o colorido mais próximo da realidade terrena quando nos serviços da escrita mediúnica.
Ante as reacções de Marcondes e Selena, a fala fraterna de Eurípedes exarada na noite anterior ecoava em nossas reminiscências.
Quanto a ser feito pela criação de pólos genuinamente cristãos de serviço e amor!
Quanto a realizar para definirmos nossas relações de concórdia em torno do amor a Deus e a prática do bem!
Nossos irmãos seriam convidados a encontros particulares para o dia posterior.

21 A referida palestra está contida na obra Seara Bendita- Editora Dufaux.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 08, 2018 8:14 pm

05 - Primeiras Entrevistas
"O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes urna comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece"
(Um Espírito protector: Bordéus, 1863.) O Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo IX. item 9.

Logo pela manhã, no dia seguinte, solicitamos a presença de Marcondes em nossa sala.
Ao chegar, o dirigente cumprimentou-nos:
— Bom dia!
— Como está, Marcondes? - externou o professor com amabilidade.
— Estou confuso e insatisfeito!
— Por qual razão? - indagou o professor.
Tem algo a ver com a reunião de ontem?
— Não só por isso.
Tenho sido tratado como se algo grave houvesse ocorrido comigo.
Medicações, repousos, pouca actividade.
De facto, passo por uma zonzeira inexplicável.
Os incómodos da doença pela qual desencarnei não cessaram integralmente, mas exigirão tantos cuidados médicos?
— É temporário!
Trata-se de adaptação gradativa.
—Já são três semanas e nada!
— Têm lhe faltado carinho e atenção por parte de nossos colaboradores?
— Não.
— Então!... Do que se queixar?
— Não queria ser tão paparicado assim, queria mesmo é trabalhar.
Quando poderei usar minha experiência doutrinária?
— Qual experiência, Marcondes?
— O senhor tem informações sobre minha bagagem com doutrinação de espíritos?
— Sei que foi muito dedicado.
— Pois saiba que tenho quarenta e cinco anos de vivência!
Espero com isso merecer dar continuidade a meus ofícios nesse plano - expressou-se com evidente prepotência.
— O que gostaria de fazer com sua bagagem? - indagou o professor, habituado a utilizar desse expediente devido aos efeitos psicológicos positivos sobre o recém-desencarnado.
— Ingressar nos abismos e conhecer de perto essas criaturas que sempre doutrinei.
Poder continuar a libertá-las dessas regiões infelizes.
— Muito nobre seu anseio.
Creio, porém, que, antes disso, terá longos estágios.
— Estágios?!
Gostaria de partir agora mesmo para os abismos e trabalhar.
Afinal de contas, quarenta e cinco anos não são quarenta e cinco dias!
— Marcondes, costumamos usar a simbologia de uma árvore para explicar a questão dos atendimentos aos sofredores desencarnados.
A copa da árvore trata-se dos espíritos tombados pela culpa, comandados pelos exploradores espirituais.
Os galhos e o tronco são os hipnotizadores e dominadores de todo porte, organizadores de falanges e grupos do mal.
As raízes são a origem da maldade no mundo, os corações endurecidos pela perversidade.
— Lutei com todos eles durante essas décadas!
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Ago 08, 2018 8:14 pm

— Equívoco de sua parte, Marcondes!
— Equívoco? - indagou contrariado.
— Você sequer atingiu a copa da árvore.
Nunca esteve com nenhum espírito dos abismos.
Pelo menos na doutrinação...
— O senhor deve estar caçoando, Professor Cícero.
Não é esse o seu nome?
— Sim, é esse mesmo o meu nome e não estou caçoando, estou afirmando.
Você ainda vai conhecer alguém no Hospital que realmente caçoa - olhamo-nos, o professor e nós, por saber a quem referíamos...
— Com base em que faz essas afirmações?
Quem teria autoridade para afirmar isso sobre minha tarefa exercida com amor?
— Seu tutor espiritual.
— Meu tutor?!
— Veja com seus próprios olhos nas anotações contidas aqui nesta ficha de suas tarefas doutrinárias.
O professor passou às mãos do dirigente para que ele mesmo pudesse lê-las.
— Não posso acreditar nisso! - exclamou depois de breve leitura.
— É a pura verdade!
Devolva-me a ficha, por favor.
— Que mentor é esse que nem se dignou a se apresentar depois de vários dias por aqui?
Qualquer um poderia ter feito essas anotações.
Tudo muito estranho para mim...
Por que não me lembro do passado?
Conforme o que aprendi nos livros, ao largar o corpo, passaria por uma regressão!
Quando ocorrerá?
— Você teve. Apenas não se lembra.
Sofre de amnésia intermitente.
— Tenho esquecido muitas coisas realmente.
— Será assim por mais alguns dias.
Bem, vamos encerrando nossa entrevista!
Nosso tempo esgotou por hoje!
— Mas eu ainda tenho infinitas questões a tratar!
Muitas dúvidas.
Por que só agora me chamam para uma entrevista?
— Lamento, Marcondes.
Nossas entrevistas não excedem a dez minutos.
Você será encaminhado à ala específica sob os cuidados de excelente cooperador.
Começará amanhã bem cedo.
Suas dúvidas devem ser encaminhadas a ele.
Tomaremos as providências.
O dirigente não manifestou entusiasmo com nossa atitude.
Saiu taciturno e sem despedir-se.
Selena, que já aguardava lá fora, entrou sorridente.
— Olá, Ermance!
Como vai, professor?
— Vejo que está feliz, Selena!
— Estou começando a gostar desse lugar.
Pude sentir, nessa manhã, uma incomparável sensação de liberdade do corpo físico.
— Boa notícia, querida amiga!
O nosso irmão Cícero vai conduzir sua primeira entrevista.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:19 pm

— Que alegria poder estar com o senhor!
Em Minas Gerais, seu nome é sempre lembrado.
— Felicita-me a lembrança - externou sempre humilde.
Quer nos falar sobre sua trajectória espírita?
— Com prazer!
Presidi o Centro Espírita Paulo e Estêvão por mais de três décadas com muita devoção.
Para falar a verdade, não assumi essa missão por vontade própria.
Ninguém queria se empenhar quanto exigia a tarefa.
— Que avaliação tem você de sua participação nesses trinta anos?
— Muito positiva.
Realizamos muito.
No início, foi bastante tumultuado, até percebermos que nosso problema era a mediunidade.
Tomamos algumas medidas corajosas, e o resultado vocês devem conhecer.
— Como você acredita que ficará a instituição agora, depois de sua passagem?
— O senhor tocou em um ponto que me preocupa.
Meu pensamento é assaltado por ideias que desconheço a origem.
Sinto-me insegura em relação ao que ocorrerá por lá.
Angélica, meu braço direito na tarefa, é uma mulher muito depressiva e temerosa.
Certamente será minha substituta na directoria, no entanto, apesar de tê-la orientado, não sei o que poderá ocorrer.
— Você gostaria de presenciar a reunião de directoria que ocorrerá dentro de algumas semanas na qual decidirão o futuro do centro?
— Adoraria! Será que suporto?
Ainda tenho algumas dores no peito.
O senhor sabe...
O coração me demitiu da matéria...
Será possível, professor, essa alegria?
— E por que não?
Sua liberdade mental permite-lhe tal ensejo sem maiores dificuldades.
Quanto às dores, creio que haverá tratamento para seu caso.
— Se assim é... não vejo a hora!
— Ficamos então combinados, minha filha.
Vamos avisá-la na hora adequada.
Tomaremos as providências para a visitação.
— E o movimento espírita, Selena?
— Nem me fale em movimento, professor!
Afastei deliberadamente nossa casa das querelas da unificação.
— Por quê?
— Muita falsidade e pouca utilidade.
Quando paramos de nos envolver com essas questões administrativas de movimento, nossa casa passou a produzir mais e todos ficamos mais gratificados pelo trabalho.
— Compreendo seus motivos.
Teremos tempo para mais detalhes oportunamente.
— Esse assunto não me encanta nem um pouco!
— Quero aproveitar para me desculpar com vocês dois.
Ontem fiquei muito chateada com aquela reunião.
Como disse, tenho aversão a esses "espíritas topetudos" que acham que podem controlar tudo.
Jamais imaginei que os encontraria depois da morte.
Deparei-me com o "tal senhor" - referiu-se a Marcondes - aí fora, e sequer me cumprimentou.
— Essa a razão de nossas discussões, Selena.
Rasgar véus significa deixar mais claro aos homens os acontecimentos que cercam a morte.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:19 pm

Analisar as lutas que carregamos para cá.
— Tenho me deparado com muitas surpresas neste Hospital.
Começo a compreender a razão de notícias detalhadas ao mundo físico sobre a situação dos espíritas depois da morte.
— Muito bem! Por hoje é só.
Apresente-se bem cedo, amanhã, em sua nova ala de serviços preparatórios.
— Obrigada, professor.
Obrigada, Ermance.
Sinto-me muito bem entre vocês!
— A alegria é nossa, minha filha.
Jesus a abençoe nos novos passos.
Selena e Marcondes seguiam a trajectória da grande maioria nos serviços de adaptação.
Novas e mais profundas experiências os aguardavam.
A nova ala de serviços seria-lhes um ponto de partida a vastas novidades e aprendizado.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:19 pm

06 - Encontro com Inácio Ferreira
"Os Espíritos que connosco simpatizam atuam em cumprimento demissão?
Não raro, desempenham missão temporária; porém, as mais das vezes, são apenas atraídos pela identidade de pensamentos e sentimentos, assim para o bem como para o mal”'

O Livro dos Espíritos, questão 513.

Ambos dirigentes chegaram na hora prevista, acompanhados dos auxiliares de suas respectivas alas.
Ao se avistarem, destacou-se nítida indisposição de Selena em relação a Marcondes.
Ambos compartilhariam a tutela do mesmo orientador.
Era um consultório simples e bem arejado, com largas janelas, das quais se viam exuberantes flamboyans nos jardins bem cuidados do sanatório.
Professor Cícero, que aguardava na ante-sala, convidou-os:
— Venham!
Quero lhes apresentar o Doutor Inácio Ferreira.
— Aquele de Uberaba? - perguntou Selena espontaneamente.
— E ele mesmo.
— Vejo que temos muitos mineiros no Hospital! - referiu Selena às origens do professor.
— Mais do que você imagina!...
Batemos à porta e fomos atendidos pelo coordenador daquela ala.
— Doutor Inácio, estes são os novos estudantes.
— Alegria em recebê-los.
Já os aguardava.
Venham, vamos nos acomodar!
Assentamos em algumas poltronas dispostas em círculo.
— Meu nome é Inácio Ferreira.
Na prática, sou chamado por Doutor Inácio.
Temos, sob nossa responsabilidade, essa ala destinada a médiuns e doentes de natureza psíquica.
Estive lendo a ficha dos amigos e, se desejarem fazer algum questionamento...
— Eu quero - respondeu Marcondes antes que Doutor Inácio terminasse sua fala.
— Fique à vontade!
— O que faço neste Hospital?
Não deveria estar em alguma colónia em tarefa? - expressou com severidade e rancor.
— Aqui é um sanatório, companheiro!
— Eu sei disso.
— Se o senhor sabe, então deveria saber também a razão de sua presença aqui - utilizou-se o médico uberabense da franqueza como recurso educativo.
— Ninguém me notificou nada até este momento.
Como poderia saber?
— E fácil deduzir.
Um sanatório!
O que é um sanatório, Marcondes, senão um local para recuperar a sanidade?
Aqui todos estão em recuperação da saúde mental - o paciente não gostou do que ouviu.
Selena observava o diálogo com certo constrangimento.
O professor e nós, habituados a semelhante cena, mantínhamos na certeza de que se aproximava um momento delicado.
— Recuperando de quê, Doutor Inácio?
Porventura me confundem aqui com algum doente da cabeça?!
— O senhor irá descobrir por si mesmo.
— O senhor quer me ofender?
— Por enquanto, não.
— Mas, não é o senhor que é médico aqui?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:20 pm

— Até que me demitam!...
— Então, por que não falar o que ocorre?
Que espécie de médico é o senhor?
— Façamos dessa forma:
eu vou lhe fazer algumas perguntas no intuito de auxiliá-lo.
— Está bem! Comece.
— Como o senhor se sente em relação à sua experiência reencarnatória?
— Como um vitorioso.
Cumpri minha missão.
— Qual missão?
— Suportei médiuns indisciplinados, espíritos renitentes e cooperadores vacilantes durante mais de quatro décadas.
— Em seu trajecto, ao longo desse tempo, aconteceu muita rotatividade em suas actividades?
— Sempre! Sabe como são as pessoas, não é mesmo?!
Houve muita deserção.
— Sei! E a que o senhor atribui esse giro contínuo de trabalhadores e tantas deserções?
— Pura falta de vigilância.
— E se eu lhe dissesse que muitos deles, em verdade, não o suportavam?!
Vai acreditar em mim?
— Absolutamente, não!
— Não é o que consta em sua ficha.
— Esta ficha novamente?! - e olhou com desagrado para o professor que acompanhava o diálogo.
— Aqui constam várias anotações sobre resultados infelizes de suas atitudes arrogantes, afastando excelentes trabalhadores.
__Arrogância?! Então ser convicto e determinado é ser arrogante?!
Era só o que me faltava!
Até no plano espiritual vou ter pendengas e críticas!
— Quer ler as anotações de seu mentor?
— Quem é essa criatura que sequer apresenta-se pessoalmente para falar o que pensa sobre mim?!
Que mentor é esse?
Será que esse mentor ignorado não anotou nada de bom sobre mim? - o dirigente mostrava-se visivelmente alterado.
— Claro, Marcondes!
Claro que sim!
Existem muitos valores destacados em sua folha espiritual.
— Por que então esse enfoque pessimista?
—Mudemos um pouco o assunto!
Fale-me algo sobre sua família e sua vida privada.
— Família?
Vida privada?
— Lembra-se de Eulália?
— Mas... Isso é um interrogatório policial, ou... que é isso?
Quero... - e alterou-se por completo.
Quando desejava continuar a extravasar, Marcondes teve uma crise de vertigem.
Tão forte, a ponto de tombar no chão em súbito desmaio.
Doutor Inácio e o professor ajoelharam para levantá-lo e o recostar no sofá.
Pedimos agilidade por parte dos enfermeiros no posto de atendimento em sala contígua.
Com rapidez, foi levado para o núcleo de urgência.
As entrevistas foram interrompidas.
Selena voltou ao seu aposento.
Os demais, destinamos a acompanhar o caso.
O episódio era esperado por nós a qualquer instante.
Portanto deliberamos algumas medidas já previamente acertadas no bloco cirúrgico.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:20 pm

07 - Delicada Cirurgia
"Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte.
'Pode ser de algumas horas, corno também de muitos meses e até de muitos anos.
Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imediatamente aposição em que se encontram"

O Livro dos Espíritos, questão 165.

A acção eficiente dos enfermeiros durante o transporte de Marcondes não o poupou de dores acerbas.
Embora em estado de inconsciência passageira, ele se contorcia na maça, a caminho do centro de urgência, recordando os quadros comuns de parto eminente nos hospitais terrenos.
Atravessamos vários corredores até chegarmos à sala cirúrgica.
Empapado em suor e exsudando um odor desagradável, foi completamente despido e acomodado na mesa de operações.
Doutor Inácio convocou a presença de Dona Maria Modesto Cravo ao bloco.
Ele próprio tomaria as medidas de socorro e amparo, em posse de instrumentais avançados, guardando certa similaridade de funções com as pinças e fórceps terrenos.
Dona Modesta entrou na sala de forma discreta, já devidamente informada sobre o caso, e oramos em conjunto.
Tomamos as vestes adequadas ao momento, e Marcondes foi literalmente anestesiado.
Doutor Inácio colocou a médium uberabense, Dona Modesta, com as mãos estendidas sobre a genitália do paciente.
Orientada a tocar a bexiga, ouvimos um sonido como se algo vivo se movimentasse por baixo da pele do paciente.
As mãos da medianeira funcionavam como se fossem potentes aspiradores de sucção.
Serviço lento e de muita concentração.
Enquanto isso, Doutor Inácio esquadrinhava com profunda atenção a medida em curso.
Após dez minutos, uma coloração arroxeada formou-se em torno das mãos de Dona Modesta.
Uma mutação energética desenvolvia-se com rapidez a ponto de dar liquidez àquela matéria, que começa a escorrer pelas virilhas de Marcondes como uma cera aquecida.
A médium acentuou seu poder clarividente e informou que foi um sucesso a operação.
Os auxiliares atentos limpavam-no com incomparável zelo e respeito.
Subitamente, observamos a formação de um enorme inchaço à altura da bexiga urinária.
Doutor Inácio assentou Dona Modesta em cadeira próxima para recuperar o desgaste, enquanto nós aplicávamos passes dispersivos em sua aura.
Oramos novamente em conjunto, suplicando o amor paternal em favor de nosso irmão.
O silêncio era quase absoluto no bloco operatório.
O inchaço atingiu vasta proporção.
Com habilidade e demonstrando segurança, foram chamadas duas integrantes da equipe que traziam um recipiente qual um pequeno berço, na proporção de uma caixa de sapatos.
Era uma "incubadora móvel".
Então assistimos a um fenómeno singular.
Seria belo não fosse a causa geradora.
Com pequeno e certeiro corte na altura da bexiga, como procedesse a uma cesariana, foi cuspido uma forma ovóide para as mãos de Doutor Inácio, como se Marcondes a desalojasse de suas entranhas por ato inconsciente.
Era do tamanho e formato de um abacate e de cheiro repugnante.
Uma matéria viscosa com coloração esverdeada envolvia todo aquele ser.
Para quem olha, torna-se difícil acreditar que um ser humano encontra-se naquelas condições.
Imediatamente acomodada na incubadora, a criatura de aspecto repulsivo foi levada com atitude maternal e sagrada pelas companheiras das alas do subsolo do Hospital.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:20 pm

Olhamos para Dona Modesta, que deixava escapar algumas lágrimas de alegria.
Ela sempre diz que, apesar da dramaticidade da cena, Deus é tão bom que nos faz sentir como se estivéssemos em uma sala de partos, dando vida e luz a almas que se iludiram no cadinho das provas.
É um parto para a vida, para o recomeço.
O paciente não dava mostras de consciência.
Sangrava intensamente.
Doutor Inácio tomava as medidas para estancar a hemorragia que, além do líquido, expelia formas de vida não inteligente em condição larvária.
Aparelhos de cauterização com recursos naturais e passes de sopro foram usados durante alguns minutos.
Logo se constatava que a organização perispirítica de Marcondes, através do automatismo adquirido nos milénios, cessava o processo de expurgar aquilo que não serviria mais ao desiderato da evolução.
Ao todo, a operação durou sessenta minutos.
Agradecemos em prece. Logo após, o dirigente, ainda sem consciência, foi transferido para a "ala restrita" dos pavilhões inferiores no subsolo.
Doutor Inácio aparentava exaustão, entretanto sua verve peculiar ainda pronunciava-se com uma ou outra pitada de humor para com todos.
Somente depois de três horas, aproximadamente, nos informaram de que nosso irmão havia recobrado os sentidos.
A pedido de Doutor Inácio, fomos à ala restrita.
Passando pelo corredor repleto de casos iguais ou mais graves, ouvíamos os gritos de dor lancinante.
Quando chegamos, o paciente acabara de balbuciar a primeira palavra.
— Que aconteceu? - falou com dificuldade e lentidão.
Quanta dor! Quem é o senhor?
— Aquiete-se Marcondes.
Você acabou de passar por uma delicada intervenção cirúrgica - manifestou Doutor Inácio.
— Cirurgia?
— Isso mesmo! Fique tranquilo.
Tivemos sucesso integral.
Essa é Rosângela, a enfermeira que vai cuidar de você - e apresentou a jovem cristã, devota às fileiras das igrejas evangélicas na Terra.
— E essa dor?
Não vai passar?
— Vai ser assim por algumas horas.
Mas tenha certeza de que não será como a dor que teve no corpo físico.
— Corpo físico? Então eu já morri? - o estado de confusão do paciente era imenso.
— Depois falamos. Procure se aquietar.
Saímos e deixamos o paciente a cargo de Rosângela e alguns médicos da ala restrita.
A ala restrita do Hospital Esperança abriga casos gravíssimos de almas com extremo apego às sensações físicas, ou recém-resgatadas de vales e regiões abismais.
São três andares de subsolo que chegam a estabelecer elos muitos próximos com as vibrações terrenas.
São maças e alojamentos adequados a casos de delírios e estados mentais de desequilíbrio intenso.
A atmosfera ambiente, até mesmo para os trabalhadores do nosocómio, é de mais difícil absorção.
As luzes são apropriadas aos casos em tratamento.
Cada ambiente é devidamente acústico, face aos gritos ou gemidos em altos brados, que tornaria impossível o êxito da recuperação; é também arejado o suficiente para impedir as conhecidas contaminações viróticas que ocorrem com frequência nesses estágios de dor.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:20 pm

Após mais algumas horas, em plena noite, Doutor Inácio é chamado pelo interfone na sua mesa:
— Doutor Inácio!
É Rosângela quem fala!
Marcondes iniciou um intenso processo de purgação pela região do umbigo.
Devemos utilizar os aparelhos de absorção induzida?
— Rosângela, o que dizem os médicos da ala?
— Eles aconselharam esperar mais algum tempo, no entanto, Marcondes está com as lembranças do passado em estado muito acentuado.
Não pára de pronunciar o nome Eulália e já esteve em várias fases de sua vida pregressa.
— Tem febre?
— Muita.
— E o odor?
— O senhor quer saber se atingiu o "estágio-enxofre"?
Rosângela era detentora de excepcional capacidade olfactiva e havia feito cursos sobre como reconhecer os estágios de recuperação de tais casos através do odor.
— Isso mesmo!
— Começo a sentir, junto aos líquidos em expulsão, um início de mutação gasosa para o enxofre.
— Então tome as providências imediatamente.
Peça aos nossos companheiros para provocarem a drenagem e, em seguida, aplicarem elevada dose de "morfina homeopática".
— Está bem, Doutor Inácio.
Logo retorno com outras notícias.
Passadas dezasseis horas da cirurgia, ele apresentou os primeiros sinais de estabilidade.
Dormiu sossegado por longo tempo.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:20 pm

08 - Novas Motivações
"Sois chamados a estarem contado com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes"
Um Espírito protector: (Bordéus, 1863.)

O Evangelho Segundo Espiritismo, capítulo XVI, item 10.
Dois dias depois, Marcondes encontrava-se lúcido.
Não carecia de cuidados especiais.
Rosângela já não estava mais ao seu lado.
Doutor Inácio passou para uma avaliação de rotina e, como de hábito, cumprimentou jocosamente:
— Olá, Marcondes! Vejo que sobreviveu!
— O senhor é...
Doutor Inácio?! - recordou ainda com certa dificuldade.
— Sim, sou eu mesmo em carne e osso, digo, em espírito!
— O que aconteceu comigo, Doutor Inácio?
Por que me encontro nessa sala sozinho? Porventura meu câncer não acabou?
— Calma! Vamos por etapa. Não é bem isso.
Digamos que a causa do câncer continuava! - e apontou com o indicador a região genital do paciente com várias suturas.
— Mas como pode?
Não deixamos as doenças no corpo quando desencarnamos?
— Nem sempre é assim, amigo!
Eu mesmo tive um terrível enfisema e estou tossindo até hoje.
E veja que já morri há mais de quinze anos.22
Como sempre, em tom de humor, o médico uberabense alegrava Marcondes com sua fala descontraída.
— Mas o corpo não é um "mata-borrão" como ensina a doutrina?
— O que os espíritas não sabem é que o perispírito é mais mata-borrão que o próprio corpo.
Tem até morte por aqui.
— Doutor Inácio!
— Certamente o senhor não acredita, não é mesmo?
— Não li nada a respeito nos livros espíritas.
— Ah, os livros espíritas!
Sempre os livros espíritas!
— O que há de errado com eles?
— Não é com eles o problema!
Os espíritas estão transformando-os em "bíblias sagradas" como se possuíssem a última palavra em matéria de Verdade.
— Tenho opinião divergente à do senhor!
A perspicácia do médico era ilimitada.
Divergir significa interessar-se pelo tema.
Ele percebia a atracção do paciente para o diálogo e via nisso uma terapia.
Já o vimos dialogar horas a fio com alguns pacientes que se entretêm com a prosa e esquecem suas dores.
Divagar, entreter com assuntos nobres, em algumas situações, tornava-se terapêutico.
— Os livros são óptimos, mas as interpretações dos espíritas, com raras excepções, rastejam no religiosismo.
Estão sacralizando livros que deveriam ser estudados, meditados e pesquisados.
Chamo isso de "dogmatismo psíquico", uma doença incrustada na cabeça da maioria de nós que peregrinamos pelo igrejismo.
— O que o senhor acha, por exemplo, de André Luiz?
Marcondes lembrou-se da reunião que participara dias antes no Hospital e desejava voltar ao assunto.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:21 pm

— André Luiz é uma contribuição ímpar.
E você Marcondes, o que pensa de André Luiz?
— Não existe nada melhor para mim!
Queria mesmo saber se poderei ler a sua obra aqui na vida espiritual.
— Aqui você terá acesso a livros bem mais completos e reveladores.
— Imagino que devam ser livros bem fiéis à pureza doutrinária, certo?
— Achei que você estava melhorando! - disse caçoando o médico.
— Bem que me disseram que acharia alguém que adora caçoar por aqui!...
— Minha vida é caçoar e refestelar com as diferenças de todos nós!
Não se espante!
— O senhor ainda não me respondeu sobre a pureza doutrinária!...
— Marcondes, você não está mais no seu mundo espírita imaginário, gestado pelas estreitas concepções dos cinco sentidos.
Isto aqui é realidade e não o que a pureza doutrinária lhe ensinou.
Os problemas dos companheiros de ideal com o livro espírita começam exactamente neste tema.
O que é puro?
O que é Verdade?
Quem a pode decretar?
Quais os limites da sensatez em matéria de filosofia da imortalidade?
Amigo, vou lhe dizer uma verdade sobre a Verdade:
os espíritas estão doentes de soberba ao imaginarem que sabem tudo sobre vida espiritual.
— Começo a perceber, Doutor Inácio!
Começo a perceber!
Nisso concordamos... - expressou Marcondes, demonstrando alegria.
—Você tem noções de quantas semanas se encontra no Hospital?
— Pouco mais de quatro semanas em meus cálculos. Estou certo?
— Sim, está!
Quanta diferença o senhor presenciou nessas paragens que nunca leu nos livros doutrinários?
— Nem sei como responder.
Tudo é bem diferente do que imaginei.
Quando olho meu corpo e vejo estes curativos, este odor...
Esta sala, a sua conversa, este Hospital, aquela reunião de debates e outras tantas coisas, começo a pensar que não sabia nada sobre vida imortal.
— Bom sinal Marcondes! Bom sinal!
— Doutor Inácio, posso ser franco?!
— Admiro pessoas francas!
— É que passam algumas ideias pela minha cabeça e...
— Fale logo, homem, porque senão vou ler seu pensamento!
— Tem hora que o senhor me deixa dúvidas sobre seu comportamento.
— Em que sentido?
— Nunca conheci um espírita tão franco.
— O senhor quer dizer mal-educado e irónico.
Não se acanhe de falar!
— Confundo-o com um mentor, ou... , ou um...
— Um capeta?! - expressou-se o psiquiatra com seu irremediável bom humor.
— E! E isso mesmo!
— Não tenha dúvidas que sou!
Digamos que sou um "bom capeta"!...
— Jamais imaginei um espírita com suas características!
— O que faz o senhor pensar que sou espírita?
— E não é?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Ago 09, 2018 8:21 pm

— Não! Na minha avaliação sincera, nunca me vi plenamente espírita.
— Então o que o senhor é?
— Alguém à procura de si mesmo.
Um sujeito "meio-louco"!
Marcondes sorriu prazerosamente, embora com muita limitação.
— Agora vou me retirar.
Volto assim que puder para jogarmos uma conversa fora!
— Antes de ir, uma última pergunta, por que gosta tanto das pessoas francas?
— É muito fácil gostar de pessoas iguais à gente. Entendeu?
— Acho que sim!
Obrigado Doutor Inácio!
— Agradecer é um óptimo sintoma de melhora.
Gostei da atitude.
Por isso vou lhe dar um "prémio".
— Prémio?
—Estarei liberando visitações para você a partir de amanhã. Até!
— Até!
Antes de deixar a ala, o psiquiatra prescreveu algumas medidas junto aos atendentes no posto.
A dor modificara, sensivelmente, o coração do doutrinador.
E por um desses caminhos singulares da vida, Doutor Inácio, com seu temperamento ímpar, despertava-lhe um sentimento de admiração.
Novas motivações começavam a tomar conta de suas emoções.
A gratidão e admiração pelas diferenças alheias constituem excelente quesito de avanço para as criaturas habituadas à arrogância.
Marcondes iniciou sua educação emocional sem ter noção abrangente do que significou aquele momento espontâneo de interesse pelas palavras do médico.

22 Inácio Ferreira de Oliveira desencarnou em 27 de setembro de 1988.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:30 pm

09 - Ao encontro de si mesmo
"Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos.
As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado”

Santo Agostinho - O Livro dos Espíritos, questão 919/a.

Com pouco mais de quarenta e oito horas após a cirurgia, a cicatrização era completa.
Seu estado de ânimo era dos melhores.
Reunimo-nos ao professor para visitá-lo.
Convidamos Selena para nos acompanhar.
O episódio do desmaio havia lhe despertado compaixão em relação ao nosso irmão.
Ao longo dos corredores, nas alas restritas, a dirigente mostrou-se assustada e compadecida pelas dores que presenciava.
Solicitamos a ela que entregasse alguns lírios ao convalescente, em nome de Eurípedes.
Com carinho, ela os ofertou nestes termos:
— Senhor Marcondes, como tem passado?
— Estou bem.
Desculpe-me, mas não me recordo quem seja a senhora!
— Sou Selena, uma amiga.
Já estivemos juntos em reuniões nesta casa.
— Perdoe-me não ter a lembrança.
Ainda estou um pouco confuso.
__ Não se preocupe!
Tenho aqui este ramalhete de lírios, um presente do Senhor Eurípedes, que lhe entrego em nome do professor e de Ermance.
— Eurípedes? Barsanulfo?...
— Ele mesmo!
O dirigente acolheu as flores ao peito, sensibilizado.
Por sua vez, o professor provocou o diálogo.
— Amigo, como está se sentindo?
— Estou me sentido leve como uma pluma e muito emotivo.
É como se tivesse me livrado de enorme pressão interna.
Não me lembro de ter experimentado este estado íntimo quando na Terra.
Começo a me sentir muito só neste quarto.
Gostaria de sair desta ala.
Andar, conhecer melhor o Hospital.
Chega de doença!
— Estamos providenciando algumas medidas nesse sentido.
Fique tranquilo.
— Quando poderei saber com mais detalhes o que aconteceu comigo, professor?
Doutor Inácio disse-me algo sobre a causa do câncer...
— Você passou por uma cirurgia de extirpação.
— Seria um tumor?
— Não é bem isso.
Era a causa matriz de sua enfermidade na próstata.
— Foi bem-sucedida a cirurgia?
— Graças ao exímio cirurgião, tivemos excelentes resultados.
— Quem terá sido esse hábil cirurgião?
— Filmamos nossas cirurgias com fins terapêuticos e educacionais.
Tenho permissão para disponibilizá-la ao seu conhecimento.
Gostaria?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:31 pm

— Agora mesmo! Seria possível?
— Então, vamos lá!
O professor ligou o sistema de vídeo.
— Apenas peço sua permissão para que Selena acompanhe, já que nós outros estivemos presentes ao ato cirúrgico.
— Não vejo nenhum problema!
Marcondes e todos nós assistimos às cenas atentamente.
Selena demonstrou pavor ao ver as mãos arroxeadas de Dona Modesta.
Quando foi feita a cisão, ambos impressionaram-se, sobremaneira.
Finda a amostragem, a mente do dirigente fervilhava de indagações.
Todavia, preferiu o velho hábito de opinar sem conhecer para defender-se do sentimento de vergonha:
— Não imaginei que as doutrinações pudessem causar semelhante enfermidade!
Acho trágico e injusto, após tantos anos de devoção, ter sido prejudicado dessa forma.
Agradeço por me livrarem desse terrível mal.
— Rectifique sua visão, caro irmão! - falou o professor com firmeza.
Ter respostas para tudo é um hábito enfermiço de graves proporções.
Aprenda a dizer "não sei" e a perguntar com humildade e desejo de aprender.
Absolutamente isso não foi resultado do trabalho de amor aos desencarnados.
— Que mais poderia provocar o alojamento desse ser indesejável em minhas entranhas?!
— Nada lhe ocorre na lembrança?
— Não!
Ao responder, Marcondes passou rapidamente o olhar por todos nós.
Era perceptível que havia recordado algo grave.
Com astúcia psicológica, o professor pediu licença a nós e à Selena, a fim de travar um diálogo íntimo com o paciente.
Retiramo-nos da sala para algumas visitações na ala.
O doutrinador estava sendo estimulado a tratar de lutas muito árduas e íntimas.
— Seja franco, caro amigo - insistiu Cícero Pereira - você se encontra no mundo da Verdade.
Chega o instante de olhar-te sem as mascaras enfermiças que costumamos usar para ocultar nossos conflitos.
Extirpe de si mesmo o sentimento de vergonha e fale sobre seus segredos sem medo.
Tenha disposição de trazer à tona as mais secretas revelações de sua vida a bem de sua própria paz.
Sua permanência neste leito é sintoma de carência.
— Desculpe professor, mas os assuntos pessoais me dizem respeito e não pretendo e nem posso dividir com qualquer pessoa.
Desculpe-me!
— Marcondes, o mal que guardamos na vida íntima jamais é assunto pessoal, e sim conta colectiva onerosa que tentamos pagar sozinhos tão somente em razão da imagem soberba que construímos sobre nós mesmos.
O orgulho tem o poder de enlouquecer-nos a tal ponto, que imaginamos ser melhor a dor do segredo, que o alívio da sinceridade e do auto perdão.
Fique sabendo, porém, que nosso papel nesta casa correctiva não se restringe à alegria de fazermo-nos amigos uns dos outros.
Compete-nos o papel de educadores
da alma junto ao extenso leque de necessidades de quantos aqui se aportam como enfermos.
Sendo assim, se necessário for, contarei eu mesmo o que relata sua ficha reencarnatória, conquanto a partir de então seus méritos fiquem diminuídos ante o convite à libertação.
— Porventura, estará me ameaçando, professor?
— Seu entendimento, meu filho, está turvado pelas lutas e vícios humanos.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:31 pm

Na minha posição, não posso mais lhe permitir avançar em direcção ao velho homem manipulador e prepotente.
Se, na sua cegueira, a minha palavra fraterna representa uma ameaça, então se considere intimado a dizer a verdade.
— Isso é demais.
Jamais imaginei ser tratado dessa forma e...
Quando se preparava para continuar sua defesa, o professor falou com determinação:
— Conte-me sobre Eulália e pare de se defender!
Liberte-se dessa culpa, meu irmão!
— O que o senhor sabe sobre Eulália?
— Tudo.
— Então por que me pergunta?
— Para que você mesmo descubra a extensão dos reflexos de seus actos em si mesmo.
— Certamente o espírito que chamam de meu mentor anotou isso também na minha ficha!
— Fez parte de seu aprendizado terreno.
— Vocês realmente adoram mostrar as nossas faltas por essas paragens.
— Para quem passou a vida inteira tentando fugir!...
Nada mais justo!
— Eu não quero falar sobre o assunto.
Onde fica meu livre-arbítrio?
— Seu livre-arbítrio foi caçado, meu filho, desde o momento que a insanidade formalizada tomou conta de sua vida.
Para os que conheceram as verdades espíritas, espera-se o tributo da autenticidade e da honestidade consigo mesmo, sem os quais, dificilmente a criatura conseguirá vencer o velho hábito da ilusão.
E a ilusão nada mais é que loucura.
— O senhor me chama de louco?
— Qual de nós não o é?
Deixar de seguir o bem e o dever é a maior loucura do homem.
— Pois fique sabendo que me recuso a falar.
— Marcondes, se eu sair desta porta para fora, só retornarei aqui depois de dois dias.
Tenho dezenas de casos graves a acompanhar ainda hoje.
Sua vida mental, extremamente sensível como se encontra, ficará como uma chaleira prestes a explodir.
Mais algumas horas, caso você não a alivie, tenho péssimas previsões para seu quadro, que começa a se estabilizar graças a medidas a que você mesmo acabou de assistir no vídeo.
Saia desse circuito enquanto é tempo e encoraje-se a dizer o que não gostaria.
É para seu próprio bem.
As medidas exteriores só terão valor se optar por cuidar de suas feridas interiores.
— O senhor está me forçando!
Isso é um desrespeito!
É muita pressão! Tenho medo de dizer...
— Por que o medo?
— Que farão comigo quando eu confessar?
— Nada, amigo! Absolutamente nada será feito por nós.
O trabalho é todo seu.
Experimente livrar-se dessa culpa que o atormenta.
Fale, Marcondes!
— Está bem! Está bem! - manifestou irritado.
Chega de pressão, eu não aguento mais!
Isto é pior do que a culpa que sinto!
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:31 pm

— Fale!
— Eulália foi minha amante.
Minha mulher preferida!
Está satisfeito com a confissão?
— Sou seu amigo e não confessor.
Tranquilize-se - disse o professor com humildade - não há razões para ofensa.
— Não há razões?!
O senhor...
Quando Marcondes preparava uma nova ofensa, o benfeitor cortou sua fala e revelou:
— O ovóide que você viu na fita veio dela, meu filho!
— O ovóide veio dela?...
De Eulália?
— Sim, veio.
— Pelo amor de Deus!
Vamos parar por aqui!
O professor, notando o desejo de fuga da conversa, teceu algumas considerações sobre o caso para despertar interesse. Envolvendo-o afectivamente através das informações, acalmou o paciente que, por fim, curioso, mas ainda muito constrangido, solicitou:
— Se assim deve ser, explique-me com detalhes!
— O sentimento de culpa forma um campo vibratório dinâmico e receptivo na criatura.
As acções que colidem com nossa consciência, especialmente aquelas que são praticadas em milénios de repetição, consolidam os "tumores energéticos" na vida mental que irradiam por todo o corpo físico e perispiritual em forma de ondas potentes de atracção e retenção.
Semelhante teor de energias desenvolve o sistema ecológico vibracional do homem, agasalhando formas de vida correspondente à natureza de suas emissões.
A análise microscópica do corpo humano revela biliões de seres vivendo em regime de coabitação, um autêntico ecossistema na massa corporal.
Bactérias e fungos, vírus e milhares de microorganismos trabalham incessantemente formando uma extensa fauna e flora celulares.
O perispírito, igualmente, é um sistema organizado que reflecte a vida mental da criatura.
Eulália carrega várias formas ovóides em seu útero que a ela renderam o câncer fulminante.
A origem das provas de Eulália está em vidas pregressas, nas sucessivas e impiedosas atitudes abortistas.
— Mas como essa coisa passou para mim, professor?
— Não trate como coisa uma alma humana nessas condições meu filho!
Os ovóides, a despeito de sua condição repugnante, são seres que um dia amaram e foram amados.
A negação da culpa adoptada para nos defender dos efeitos de nossos erros, cria abscessos energéticos.
Você os agasalhou no sistema genital em razão da Sublime Lei Universal de solidariedade.
— Mas eu não pedi isso.
Muito injusto!
Não fiz nada por mal!
— Não precisa pedir.
É cláusula da Lei Natural.
O homem é o único animal pensante, portanto com capacidade de escolher.
Sua escolha, porém, implica igualmente responsabilidade pelos seus actos.
Pode optar pela vida livre ou pelos regimes de escravidão, jungindo-se aos processos retardatários do sofrimento para crescer.
Ao decidir-se pelos caminhos em desacordo com a Lei Divina, está automaticamente assumindo para si os efeitos naturais de seu arbítrio.
Mesmo nos caminhos inferiores da leviandade ou do mal, pulsam os Estatutos da Cooperação Iniludível e da evolução em sinergia.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:31 pm

Cada criatura, por deliberação consciente ou por injunções decorrentes de sua insanidade, vive em regime de troca e apoio, submetendo-se aos imperativos da natureza.
— Por que não me livrei disso... quer dizer... dessa criatura... com a morte?
— A morte nem sempre é alforria.
Muitos morrem, mas não desencarnam.
Permanecem com as lutas do corpo.
Tudo depende de como vivemos a vida para que a morte seja luz e paz em nossos caminhos.
Que são os ovóides e outras tantas expressões teratológicas de vida, senão irmãos nossos que perderam temporariamente a razão e a consciência?
Quem são os corações achincalhados pela zoantropia nos pátios infernais, senão almas sensíveis que tombaram na culpa?
Quais movimentos obedecem às formas vivas não inteligentes acomodadas ao corpo material, senão à atracção para evolução à qual, igualmente, encontram-se submissas?
Só mesmo a soberba humana poderia imaginar uma caminhada livre de semelhantes desígnios do crescimento.
Evidentemente, o homem, único depositário do pensamento contínuo, é convidado a outro género de caminhada, conquanto ainda posicione-se como quem prefere os percalços do instinto, atraindo um contingente de dores voluntárias para si.
— De que me valeram mais de quatro décadas devotadas à causa espírita?
Que sentimento de arrependimento o meu!
Então sou um falido?!
Era essa a conclusão a que o senhor queria que eu chegasse?
Qual o tamanho de minha queda?
— Marcondes! Marcondes!
Trajectória igual à sua é rara entre nós.
Pouco mais de um mês para se libertar de efeitos que costumam exigir séculos de reparação...
Você já começa a registrar uma profunda alteração na sensibilidade.
O ovóide, em seu caso, era uma manifestação viva do "tumor emocional da prepotência e da culpa", um factor de obstrução do afecto.
Devido a créditos auferidos no serviço do bem, chegou seu instante de libertação dessa prova voluntária.
Existem muitos casos que renascem com o ovóide implantado.
— Foi uma prova voluntária?
— Exactamente.
Para Eulália, era um programa previamente acertado para o renascimento.
Para você, foi um ónus adicional.
Naturalmente obedecendo à lei da causalidade...
— Causalidade?...
— Você também tem seus laços com a história de Eulália, conquanto dispusesse de outras alternativas de quitação e não as utilizou.
— Portanto o câncer que me vitimou foi um suicídio?
— Quase isso!
Devido aos seus trabalhos de amor, conseguimos prolongar sua vida até o tempo previsto de sua partida.
Contudo, seus últimos vinte anos tão sofridos com a doença poderiam ser evitados, caso sua escolha fosse outra.
— Afinal!
Sou um falido ou um vitorioso?!
— Que você acha?
— Não sei, professor!
Sinceramente não sei de mais nada!
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:31 pm

— É assim mesmo, meu bom amigo!
Quase sempre, ao ultrapassarmos os portais da morte, mesmo guardando extenso conhecimento espiritual, sentimo-nos sem respostas, sem referências.
Somente o tempo responderá a essa indagação.
O trabalho e o estudo lhe ensinarão a aferir melhor as subtilezas do templo sagrado de sua consciência.
Por agora, acredite que sua situação não é das piores.
Apenas isso.
— Ajude-me a entender melhor minha dúvida, por caridade.
— Meu filho, não existe falência, existe resultado, efeito...
Sob análise de seu projecto reencarnatório, pode-se afirmar que houve desvio, tamanha a extensão das oportunidades que desperdiçou ou não soube aproveitar.
Sob o enfoque das Leis Divinas, avançou, considerando o passado torpe pertinente à grande maioria de nós.
Em síntese, evitou quanto pôde o mal do qual se encontrava avisado, mas não criou todo o bem que poderia.
Eis o problema: pura negligência!
Frequentemente, os dramas do arrependimento tardio são adquiridos nas sendas infelizes da negligência e da indiferença aos deveres conscienciais.
Optamos em aceitar os encantadores convites do desejo inferior em detrimento da oportunidade redentora da superação.
— Estou me sentindo envergonhado!
— Bom começo!
Porém não fique nisso.
Há muito que fazer pela sua recuperação.
Quem converte a vergonha do remorso em humildade, aprende a sentir-se pequeno sem punir-se.
Olhe os lírios que Eurípedes lhe endereçou - e apontou para a cabeceira da cama.
Nestas flores, há uma mensagem de esperança do apóstolo para sua caminhada.
— Qual é a mensagem, professor Cícero?
— Eurípedes foi chamado por Maria, a Mãe Santíssima, para uma tarefa inigualável em todos os tempos da humanidade.
A tarefa de colher os lírios que florescem em pleno pântano. Socorrer os cristãos falidos de todos os segmentos.
Ao erguer essa Obra de Amor, o Mensageiro da Esperança recebeu uma outorga do Espírito Verdade.
Os que conheceram a mensagem de Jesus e não conseguiram, ou desejaram ser fiéis aos ditames de sua consciência, são as almas mais aliciadas pelos mandatários da perversidade.
Utilizando-se dos dramas emocionais da culpa e do desamor a si mesmo, esses vilipendiadores da paz alheia os aprisionam e flagelam sem piedade.
A mensagem de nosso director é iluminar a vida com esperança em quaisquer condições.
— O senhor me orientará?
— Você está sob responsabilidade de Inácio Ferreira nesta casa.
Ele será seu tutor temporário.
— Doutor Inácio! Quem diria!
Como quero agradecer-lhe pela cirurgia.
Com que carinho me tratou!
Ele esteve aqui e nada mencionou sobre o fato de ser o cirurgião.
Que humildade!
— Amanhã ele virá vê-lo.
— Professor, perdoe-me minha intransigência! Perdoe-me...
Encontro-me confuso...
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Ave sem Ninho

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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:32 pm

Marcondes não resistiu ao volume das informações e à ternura de Cícero Pereira, deixando escorrer algumas lágrimas.
— Acalme-se! O choro far-lhe-á enorme bem.
Assuma sua condição de paciente em tratamento e tudo ficará bem.
— O senhor conhece Eulália? - falou o dirigente um pouco refeito em sua fragilidade.
— Eulália está aqui no Hospital.
Quando sair desta ala, certamente os passos de vocês se cruzarão novamente.
— Ela sabe que estou aqui?
— Acompanhou tudo pelos vitrais da sala cirúrgica; orando a Jesus para que pudesse, fora da sala, receber em seus braços a pequenina incubadora com aquele ser desprovido e deformado.
O dirigente não suportou a notícia.
Mãos aos olhos, teve prolongada crise emocional.
Seu pranto, seguido de suspiros de dor, banhava-lhe a alma em novas esperanças.
Disse em voz alta e sofrida sobre o quanto se arrependia.
Vez por outra, retirava as mãos com as quais tentava segurar as lágrimas e olhava o professor que lhe afagava a cabeça.
Por fim, ele se abraçou ao seu tutor como uma criança, rendendo-se ao perdão e ao sossego íntimo.
Após algum tempo, no intuito de recompor o companheiro, disse o professor:
— Posso chamar novamente nossas companheiras Ermance e Selena para o diálogo?
— Sim, sim! - e limpou suas lágrimas com um lenço ofertado por Cícero Pereira.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:32 pm

10 - Os Ovóides
"Quais os sofrimentos maiores a que os Espíritos maus se vêem sujeitos?
Não há descrição possível das torturas morais que constituem a punição de certos crimes.
Mesmo o que as sofre teria dificuldade em vos dar delas uma ideia.
Indubitavelmente, porém, a mais horrível consiste em pensarem que estão condenados sem remissão"

O Livro dos Espíritos, questão 973.

Fomos, então, convidadas a regressar ao quarto.
Percebendo-lhe os olhos marejados, a fim de não sermos indelicadas, Selena pronunciou:
— Irmão Cícero, gostaria de fazer algumas questões sobre o vídeo da cirurgia, desde que não cause constrangimento.
Posso?
— Estamos em visita de amor e aprendizado, minha irmã, fique à vontade!
Não se preocupem com Marcondes.
Em verdade, seu estado é sintoma de melhora.
Nesta casa de amor, as lutas uns dos outros são lições vivas para a caminhada de todos.
Não se acanhe em indagar.
Quanto mais, melhor!
— Enquanto fazíamos as visitas na ala, Ermance explicava-me detalhes da história espiritual do nosso querido companheiro.
Também tive minhas histórias afectivas... e...
— Seja bem clara, Selena! - interveio o professor.
Nós quatro, nessa singela reunião, formamos a escola espontânea da vida.
Não será justo com a Misericórdia Celeste, tão abundante connosco, adiarmos mais as lições de que necessitamos.
Basta a fuga que empreendemos enquanto na carne.
— Não sei se serei inconveniente...
Posso utilizar a história de Marcondes para minhas indagações?
— Marcondes, responda você mesmo.
— Só agora começo a perceber a natureza de minhas faltas e o bem que me faz colocá-las sob a luz da Verdade.
Creio, Selena, que suas indagações ajudarão aos meus raciocínios ainda intimidados pelo remorso.
— Embora não conheça, o nome Eulália calou-me fundo na alma...
Se perguntar sobre ela, não te causará incómodo?
— São as perguntas de que mais anseio saber nesta hora - respondeu o dirigente algo entristecido e saudoso.
— Qual a situação espiritual de Eulália neste drama vivido pelos nossos irmãos, professor?
— Eulália foi uma abortista repetente.
Adquiriu contas extensas nas questões afectivas, em inúmeras vivências levianas.
Com esse comportamento, adoptado em sucessivas oportunidades corporais, consorciou-se com as falanges desencarnadas da devassidão no mundo - pregadores da alucinação dos prazeres em detrimento das alegrias da alma.
Foi uma fria destruidora de lares.
Não acreditava nos laços de família, uma vez que sua história, a essa época,
foi vivida nos tristes cenários da Veneza das cortesãs, no ano 1315.
Na sucessão dos actos tresloucados, exauriu suas forças ao longo do trajecto, passando a colher os frutos de suas malfadadas decisões.
Foi na França, no ano de 1574, que ela atolou-se em lamentável história de devassidão.
Preparada para renascer, depois de resgatada das malhas obsessivas de impiedosos vampiros, receberia vínculos do coração cruelmente lesados pela sua insânia.
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:32 pm

Corações que caminhavam para os labirintos sombrios da deformação perispiritual, depois de séculos no ódio desenfreado.
— Eulália os receberia como filhos? - indagou Selena tomada pela curiosidade.
— Ela receberia oito laços afectivos que tomavam o caminho da ovoidização, conquanto, guardando ainda algum lampejo de consciência.
Todos seriam creditados à sua maternidade para reerguimento moral pelo acolhimento afectivo.
— Ela conseguiu? - Indagou novamente Selena.
— Infelizmente, não!
Abortou a todos.
Diante da resposta, Selena teve um mau súbito como se a história lhe calasse fundo à alma.
— Está tudo bem, Selena?
— Sim! O assunto me toca profundamente...
E só isso!
— Tome um pouco de água.
Selena suspirou para continuar, quando Marcondes exclamou:
— O senhor disse que foi nessa época a sua grande queda!...
— A Lei tem códigos inderrogáveis.
O circuito de forças gerado pela maldade tem vida específica.
Eulália, nessa época chamada Condensa Isabelle Pyrré, de família nobre na corte francesa, trazia a marca psíquica da mulher de muitos crimes ocultos.
Sua constituição perispiritual adaptou-se vibratoriamente ao campo de "forças de retracção", ou seja, uma teia psíquica na qual são capazes de pernoitar longamente os efeitos de suas atitudes irresponsáveis.
Foi assim que os oito filhos expulsos se agregaram ao seu psiquismo em regime de vampirismo espontâneo.
Passaram a viver nove almas em um só corpo...
— Professor! - interrompeu Selena - mas e a interferência dos espíritos amigos?!
— Como disse, Eulália era repetente obstinada.
E da Lei que, depois de todos os recursos da Bondade, cada alma seja entregue às suas obras, em regime expiatório sob sanção da dor correctiva.
— Isabelle desencarnou nessas condições?
— Ao longo desse "condomínio psíquico", seus desafectos entraram automaticamente em processo de ovoidização depois dos abortos.
Tudo era previsível segundo os técnicos da reencarnação.
Ou reencarnavam, ou se acoplavam à mãe.
Um quadro expiatório cujos limites estavam todos superados, em razão do descaso contumaz do coração leviano de Isabelle.
Ela passou para a vida dos espíritos, carregando em si os efeitos desastrosos de suas decisões.
Socorrida e amparada novamente, já é seu terceiro retorno nessas condições.
Teve oito ovóides alojados em seu útero até a pregressa experiência como Eulália.
— Mas, professor! - exclamou Marcondes - é possível?
Tenho dificuldades em assimilar essas ocorrências.
— Por qual motivo?
— Parecem-me injustas!
— Somente quando estamos prontos para olhar o passado e analisar a trilha sanguinária do mundo, da qual raríssimos de nós escapamos, poderemos entender as razões de semelhantes tragédias da caminhada.
O que falta ao homem espírita é visão sistémica, processual.
Desconhecendo detalhes da trajectória de Eulália espírito, fica difícil compreender o resultado infeliz de suas atitudes.
A Lei Natural é a mesma em qualquer circunstância.
Não lhe passa na mente o sentido divino dessa experiência?
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Re: Lírios de Esperança- Ermance Dufaux / Vanderley Pereira

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Ago 10, 2018 8:32 pm

— Nem imagino! - respondeu Marcondes com sinceridade.
— Eulália abriga, na sua intimidade, oito almas dilaceradas pela maldade.
Não lhe ocorre que, nessa condição desditosa, ela é a mãe em regime de expiação?
Não lhe passa pela mente a ideia de que o ventre de nossa irmã é visto pela Celeste Misericórdia como uma "acolhedora incubadora defensiva"?
Que seria desses oito enfermos se estivessem à solta nas mãos criminosas dos vampiros inteligentes?
Que seria da própria mãe na mão dos génios da maldade?
A situação de Eulália é a da "sanção correctiva".
Dor-resgate, dor-evolução.
Suas enfermidades dolorosas foram freios contra a loucura desenfreada.
Suas energias físicas foram mantas psíquicas para os filhos implantados.
É a lei de solidariedade em níveis inferiores.
A cada qual, segundo suas obras.23
Eulália, foi gerada em tumultuada gravidez.
Aos três anos de idade, apresentou a primeira anomalia, um corrimento com constituição sanguínea.
Aos seis, seu abdómen era tomado por inchaços intermitentes.
Raramente, ela conseguia se ausentar do corpo com facilidade para o sono refazente.
Aos nove, teve seu primeiro ciclo menstrual, anovulatório.
Aos onze, teve um quadro semelhante a uma gravidez tubária, porem sem relacionamentos sexuais, experiência que se repetiu - formas teratológicas eram geradas sem cópula.
Cistos e miomas, rins e vesículas alterados em seu funcionamento.
E, por fim. o câncer destruidor.
Todo esse rol de dores foi alvo das mais diversas formas de abrandamento em favor de nossa irmã.
Entretanto, a dor sentimento, aquela que retumbava na sua intimidade consciencial, constituía prova da qual nenhum de nós tinha o direito de interferir.
De longe, as dores físicas poderiam ser comparadas aos gládios de depressão e solidão vividos por Eulália.
Já imaginou o que significa para uma mulher sentir a desesperadora sede afectiva de acalentar um rebento e não consegui-lo?
Nossa irmã, em razão de seu quadro, carregava mais grave prova.
Sentia que tinha os filhos no próprio ventre, embora não soubesse explicar a raiz de tal emoção.
Em face disso, psiquiatras eminentes catalogaram-na como candidata a psicoses graves.
Seus sonhos eram povoados de crianças que lhe achincalhavam o corpo com magotes dilacerantes.
Acordava com insónia persistente, acariciando o abdómen como se estivesse grávida para, depois de alguns segundos, despertar completamente da miragem e entregar-se à tristeza.
Vezes sem conta, ouvia sonidos e silvos, acreditando-se louca.
Eram expressões sonoras das formas desumanizadas que portava em si própria.
Marcondes ouvia a tudo como se fosse narrada sua própria história.
Ensimesmado, com o olhar fixo no professor, parecia distante no tempo.
Repentinamente, tomado de muita emoção expressou:
— Aquele ser que saiu de mim é meu filho!
— Marcondes, está tudo bem? - perguntou o professor.
— Vejo cenas na minha mente.
Uma mulher parisiense muito bela.
É Isabelle Pyrré. Meu Deus!
Que nitidez de visões!
Nunca experimentei algo assim!
Ela é linda! Ela e linda!
Que saudades, professor!...
Num átimo, professor Cícero pediu-lhe que fechasse os olhos e colocou a mão direita no centro frontal de Marcondes, como fizesse leve massagem no sentido horário.
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