Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:42 am

Qual a actividade doutrinária que poderíamos considerar como sendo a mais importante na casa espírita?
R — Sem dúvida, a actividade mais importante na casa espírita é a do estudo metódico e sistematizado da Doutrina.
O centro espírita que abre as suas portas, sem privilegiar o estudo em suas reuniões, já começa cometendo sério equívoco que, mais cedo ou mais tarde, lhe acarretará desagradáveis problemas.
Todas as actividades do grupo espírita devem, se necessário, ser sacrificadas pela do estudo, que, de facto, se tomará o suporte doutrinário de todas as tarefas que venham a ser esquematizadas.
As pessoas que procurarem a casa espírita, para dela se valerem em suas necessidades imediatas, recorrendo à prece e ao passe, à desobsessão e à carta mediúnica de um ente querido desencarnado, devem encontrar por mensagem maior, capaz de modificar-lhes a Vida, a mensagem esclarecedora da Doutrina!
Não olvidemos que, em verdade, o centro espírita necessita ser considerado em sua feição de escola da alma e, neste sentido, dentro dele, todos devem se posicionar na condição de meros aprendizes.
Não há médium algum que possa se furtar à indispensável permuta de experiências com os companheiros, afirmando que os espíritos lhe ensinam, em particular, tudo quanto precisa saber...
Se o médium realmente pode dispensar os companheiros encarnados em seu aprendizado, os companheiros encarnados dele não podem prescindir, e o médium que se furta à participação nos estudos da casa, revela o seu desinteresse pelo progresso do grupo.
O templo espírita que não oferece aos seus frequentadores a oportunidade do estudo não é sério, porque não encara o Espiritismo com seriedade e porque não se empenha na formação de colaboradores conscientes e responsáveis.

Como proceder o médium para que a faculdade mediúnica da clarividência ou a da clariaudiência se lhe desenvolva?
R — As faculdades mediúnicas da clarividência e da clariaudiência, estão entre as mais espontâneas das faculdades passíveis de desenvolvimento.
O medianeiro não deve se decidir a desenvolver esta ou àquela faculdade; deve, antes, se interessar no cultivo da possibilidade mediúnica que, naturalmente, se lhe manifeste.
Quem, por exemplo, não tiver a faculdade da vidência, em vão desejará actuar na condição de médium clarividente.
O mesmo raciocínio é válido para a clariaudiência, a psicografia e as demais faculdades medianímicas, exceptuando-se, evidentemente, a condição de médium passista, posto que a possibilidade de doar de si em favor de alguém é inerente a todas as criaturas.
O candidato à vidência e à clariaudiência que força em si o desabrochar dessas faculdades corre o risco de sobreexcitar a própria imaginação, e, ainda, não lhe faltarão os espíritos levianos que poderão induzi-lo a lamentáveis processos de fascinação.
Nenhum médium vidente tem o poder de ver os espíritos quando assim o deseje e nem de ouvi-los o clariaudiente quando assim o delibere...
É facto que a atenção do medianeiro voltada para este ou para aquele fenómeno que esteja protagonizando pode dar-lhe contornos de melhor clareza e traços de maior autenticidade; todavia, se a vontade de ver e ouvir os espíritos é importante no médium portador destas faculdades, de forma alguma é condição determinante em nenhuma delas.
Aliás, o ver e o ouvir os espíritos sem discernimento, têm sido, no campo da obsessão, uma das causas mais frequentes.
É preferível que, ao invés de dedicar-se à visão e à audição dos espíritos, o medianeiro aguce os seus sentidos para que, além de perceber a presença de Deus em toda parte, consiga registar-lhe a palavra através da insofismável voz da consciência.
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Ave sem Ninho

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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:43 am

Um médium pode cooperar no aprimoramento mediúnico de outro?
R — É evidente que sim; aliás, os medianeiros mais experimentados têm o dever de cooperar na iniciação mediúnica dos neófitos que se lhe fizerem discípulos.
No entanto, infelizmente, o que de hábito se vê é o médium mais antigo com injustificável ciúme do companheiro que desponta...
Os profetas, sob a inspiração divina, quando pressentiam próximo o instante da partida, auxiliavam outros no desenvolvimento dos dons que lhes diziam respeito, a fim de que o serviço da fé não sofresse solução de continuidade.
No segundo livro de Reis, capítulo 2, versículo 9, encontramos o curioso registro que nos convida à reflexão.
“Elias disse a Eliseu:
‘Pede o que queres que eu faça por ti antes de ser arrebatado da tua presença’.
E Eliseu respondeu:
‘Que me seja dada uma dupla porção do teu espírito!" Adiante, no mesmo capítulo das referidas anotações, no versículo 15 encontraremos:
“Os irmãos profetas viram-no a distância e disseram:
‘O espírito de Elias repousa sobre Eliseu!’”
Na segunda epístola de Paulo a Timóteo, no capítulo 1, versículo 6, poderemos ler:
“Por este motivo, eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos”.
Nos tempos primitivos do Cristianismo, o costume da imposição das mãos era, inclusive, utilizado para despertar os dons carismáticos dos que, evidentemente, revelavam os sinais de sua presença em si.
Não se justifica a conduta do médium que teme a competição dos companheiros, pois, afinal, na Doutrina Espírita estamos a serviço de uma causa muito maior que a de nós mesmos.
Tanto quanto possível, os medianeiros mais vividos no trato com a mediunidade são chamados a orientar, esclarecer e incentivar os médiuns novatos que se mostrem dignos de confiança, desprendidos de si mesmos e devotados ao ideal da Terceira Revelação..

Em uma sessão mediúnica, o médium pode acumular funções, como, por exemplo, dirigir a reunião, doutrinar e receber espíritos?
R — Não é conveniente que o médium se sobrecarregue em uma reunião mediúnica, absorvendo responsabilidades que devem ser divididas com outros.
É claro que se o médium for o companheiro mais experimentado do grupo, lhe cabe o supervisionamento das tarefas a cargo de terceiros, até que estes se revelem suficientemente amadurecidos e entrosados na equipe de actividades espirituais.
Em uma sessão mediúnica, o médium deve funcionar exclusivamente como médium, delegando poderes de direcção e descentralizando decisões.
Não há ainda necessidade que o dirigente de uma reunião de desobsessão, por exemplo, incorpore para doutrinar esta ou aquela entidade que nela se faça presente através de outro medianeiro. Os conhecimentos doutrinários hauridos no estudo da Doutrina, ser-lhe-ão mais que suficientes para que sustente o diálogo com os desencarnados.
O verdadeiro líder é aquele que sabe preparar os integrantes do grupo, inclusive para a eventualidade de, por motivo de força maior, ter que se afastar das actividades por um tempo mais ou menos longo.
Existem grupos espíritas em que o médium é quem sempre detém a última palavra, quais infalíveis oráculos que reclamassem para si atitudes de constante reverência.
Sem dúvida, o médium é um companheiro respeitável, no entanto mais respeitável se toma na medida em que sabe promover os integrantes da equipe de serviços espirituais da casa, impessoalizando-se no esforço que todos, igualmente, precisam despender na obra do Evangelho!
O medianeiro que estima mobilizar atenções evidencia o personalismo que, inutilmente, procura disfarçar e, neste sentido, não apenas o médium, mas todo e qualquer dirigente espírita carece de rever a sua posição à frente do grupo que deveria dirigir de forma mais democrática e cristã.
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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:43 am

Qual a importância dos médiuns para a Doutrina Espírita? Deve-se trabalhar no sentido da formação de novos medianeiros?
R — Os médiuns são importantes para a Doutrina Espírita na medida em que, através deles, é que o Mundo Espiritual consegue se fazer mais presente na Terra, chamando a atenção do homem para as realidades da vida de Além-Túmulo.
Os espíritos, em não mais estando atrelados às opiniões dos homens comprometidos com interesses pessoais, falam, sem rodeios e preconceitos, neles combatendo a estranha hipnose provocada pelo imediatismo...
Enquanto o Cristianismo dos primeiros séculos contou com a bênção do intercâmbio com os planos da Vida Superior, ele não se comprometeu com formalismos de quaisquer natureza e não contemporizou com a ilusão do poder.
A formação de médiuns conscientes é de suma importância para o Espiritismo, de vez que a Revelação não deve concentrar-se em um número reduzido de medianeiros externando a opinião de alguns poucos espíritos...
Allan Kardec, na tarefa ingente da Codificação, procurou ouvir o maior número possível de desencarnados, convicto de que a Verdade não é privilégio absoluto de quem quer que seja e a ninguém pertence de modo exclusivo.
Indispensável, pois, que novos medianeiros surjam no contexto da Doutrina Espírita, possibilitando contacto com outras inteligências desencarnadas, colhendo-lhes o depoimento nas experiências que têm vivenciado na vida além da morte.
Os homens, infelizmente, podem estar sujeitos às conveniências sociais de seu tempo, até mesmo para garantir o pão que lhes possibilita a sobrevivência, todavia os espíritos esclarecidos e emancipados não titubeiam diante no que é preciso ser dito...
E, portanto, tarefa das mais nobilitantes formar médiuns à luz dos postulados espíritas, incentivando-os no trabalho de continuar trazendo à Terra as revelações gradativas do Mundo Espiritual, dentro do dinamismo natural da Terceira Revelação, evitando, outrossim, que a concentração de actividades em suas mãos os induza a indesejável personalismo com pretensões de infalibilidade.

Como o médium deve proceder diante de certos comunicados que receba contendo revelações concernentes às mais diversas áreas do conhecimento?
R — Com cautela, de forma alguma crendo na infalibilidade de tais comunicados.
A opinião dos espíritos pode nada ter de definitiva, porquanto o conhecimento das entidades que habitualmente se comunicam com os homens na Terra é limitado.
Os espíritos pseudo-sábios pululam no Mundo Espiritual e, não raro, para que tenham as suas palavras acatadas pelos homens desavisados estimam impressioná-los com bombásticas revelações.
Tudo que o medianeiro receba de Além-Túmulo necessita ser passado pelo crivo da razão.
Allan Kardec escreveu que o Espiritismo não tem a pretensão da palavra definitiva sobre este ou aquele assunto...
Evidenciando o seu extremo bom senso, afirmou ainda que, se a Ciência viesse, de futuro, a comprovar equívoco em um dos pontos em que a Doutrina se alicerça, ela deveria, sobre esse ponto, rever o seu posicionamento, corrigindo-se e continuando fiel à Verdade.
Infelizmente, porém, é comum que, idolatrando-se a si mesmos, muitos medianeiros defendam de uma forma irredutível os comunicados espirituais que aconteçam por seu intermédio, mesmo quando veiculem as mais absurdas teorias.
Os espíritos pseudo-sábios demonstram certa preferência para assuntos de ordem científica...
Quase nada conhecem do tema que escolhem para os seus diálogos com os homens, mas querem se fazer respeitados pela seriedade do assunto que abordam, prevalecendo-se, ainda, da ignorância da maioria das pessoas nas questões de teor científico a que estamos referindo-nos.
Comunicados confusos, de pouca clareza, constituídos de palavras empoladas, inacessíveis ao raciocínio comum devem, no mínimo, ser recebidos com reserva e submetidos à análise de companheiros mais experimentados no trato com a Doutrina.
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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:43 am

Todos os habitantes do mundo Espiritual poderiam comunicar-se com os homens na Terra?
R — Poderiam; no entanto poucos estão em condições de fazê-lo com o proveito necessário.
Alguns espíritos, em desencarnando, de certa forma se desligam dos problemas que os afligiam no mundo, distanciam-se para outras regiões da Vida Mais Alta, reencontram antigos companheiros, com os quais possuíam laços afectivos mais estreitos ou, então, descem a níveis de perturbação que os impedem de contactar com aqueles que deixaram nas retaguardas da experiência física...
Outros, em sendo logo esquecidos pelos seus, igualmente os esquecem,
prosseguindo em suas experiências evolutivas em contacto com outros habitantes do Invisível, atendendo às necessidades de progresso que lhes dizem respeito...
Muitos permanecem cativos da psicosfera gravitacional do planeta —deixaram o corpo, mas não conseguiram deixar de vivenciar nas sensações da matéria; rebelam-se com a sua condição de vida no Além-Túmulo e peregrinam no mundo, à procura de culpados pela sua situação; transformam-se em obsessores, muitas vezes gratuitos, das almas invigilantes, associando-se-lhes ao psiquismo na condição de comensais que lhes parasitam a mente e lhes vampirizam as energias...
Raros são os espíritos que entram em contacto com os homens, conscientes do que estão fazendo...
Apenas os mais esclarecidos, os que já têm uma visão mais dilatada da Vida, em suas múltiplas dimensões, continuam preocupados com os encarnados e, na medida do possível, voltam para auxiliá-los, valendo-se dos medianeiros que se dispõem à auxiliá-los em semelhante mister.
Ainda precisamos destacar as entidades que, embora desejando fazê-lo, não o sabem, ou não encontram recursos para se evidenciarem junto àqueles que desejam se revelar, com o propósito de dizer-lhes que não desapareceram e que, de facto, a vida depois da morte é uma realidade que não pode ser ignorada.

Por que muitos comunicados de além-Túmulo deixam a desejar?
R — Às vezes, uma carta deixa a desejar, um telefonema deixa a desejar, uma conversa deixa a desejar...
Os espíritos não são seres miraculosos—são apenas homens sem o corpo e que, não raro, continuam tão limitados e omissos quanto o foram no mundo.
Por outro lado, os medianeiros são igualmente instrumentos imperfeitos; por mais boa vontade revelem no serviço do intercâmbio espiritual, não conseguem superar as suas deficiências e limitações na condição de médiuns...
Juntando-se os problemas do espírito, as suas dificuldades para expressar-se de uma dimensão a outra, com os problemas do médium, que são de toda ordem, é natural que muitos comunicados de Além-Túmulo deixem a desejar, às vezes suscitando mais dúvida que certeza...
O médium em acção é uma espécie de “radar ultra-sensível” — tudo o que acontece à sua volta, a menor perturbação psicológica e emocional, consegue afectá-lo para pior, provocando-lhe descargas electromagnéticas em todo o corpo e dificultando-lhe, sobremodo, a sintonia.
E, depois, precisamos ainda considerar que, no ato do fenómeno, ou, por outra, no justo momento do intercâmbio, o médium, não raro, se sente assediado pelo fantasma da dúvida, e receia estar protagonizando um embuste, uma mistificação, ou o que quer que o valha, cortando, ele mesmo, o contacto com a Esfera Espiritual e truncando a manifestação do espírito.
Indispensável pensar que a mediunidade ainda está em seus primórdios na Terra; apesar de todos os avanços neste sentido, ainda há muito para ser feito,
como há muito para ser feito no campo da tecnologia mais avançada — sempre se trabalhará no sentido de conseguir-se som e imagem mais nítidos!...
É claro que precisamos continuar esmerando-nos, dos dois lados da Vida, no sentido de encurtar distância entre os homens e os espíritos, todavia carecemos também usar de tolerância para com os obstáculos existentes nos dois lados da Vida, para que, finalmente, tenhamos, pela mediunidade, o contacto ideal entre vivos e mortos.
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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:44 am

O médium deve recuar diante da incompreensão dos companheiros que, seguidamente, apontam Talhas em sua conduta mediúnica?
R — Não, mas deve estar atento às observações que lhe são feitas, porquanto aqueles que nos criticam nem sempre estão destituídos da razão.
Não raro, o Plano Espiritual se vale dos lábios dos companheiros menos compromissados afectivamente connosco para advertir-nos...
É certo que, em muitas críticas, a inveja e o ciúme se manifestam, objectivando denegrir gratuitamente o esforço alheio, mas, repetimos, o médium sob a mira dos adversários não deverá desconsiderar toda a repreensão que lhe for dirigida, porquanto semelhante providência poderá imunizá-lo contra a fascinação a respeito de si mesmo, fazendo-o recordar-se, estranhamente embora, de sua fragilidade humana.
Os críticos contumazes são importantes na vida do medianeiro bem intencionado—são eles que o auxiliam a manter-se vigilante e que o incentivam ao aprimoramento.
O médium que recue diante das críticas, desprezando-as com superioridade, além de demonstrar que a elas faz jus, revela não estar preparado para o exercício da me- dignidade, que, sobretudo, é um exercício de paciência.
Os companheiros críticos são, ainda, uma espécie de “alavanca”, impulsionando no cumprimento do dever o médium que deseja provar aos outros que está sendo alvo de injustiças e inverdades a seu respeito, ganhando forças na superação de si mesmo e realizando o que, caso não fosse molestado, não realizaria.
Reconhecendo que a crítica que lhe for endereçada tem a sua razão de ser, colocando-lhe o personalismo e as reais mazelas a descoberto, o medianeiro trabalhará no sentido de revertê-la e, trabalhando, realizará a obra do Senhor...
Diríamos, mais, que o médium com o qual ninguém se preocupa, nem os homens na Terra e nem as Trevas, se exporá ao risco do comodismo, não produzindo, na condição de médium, tudo que para produzir carece de submeter-se à acção do atrito.

Qual é, no mundo Espiritual, a sensação do médium que fracassa na Terra?
R — O médium que deserta aos compromissos assumidos experimenta, nas dimensões da Vida Maior, certo desapontamento consigo mesmo, uma sensação de vazio pelo tempo perdido que nada consegue preencher...
Em um golpe de vista, percebe que menosprezou os dons espirituais na existência física, permutando-os pelos transitórios valores que cada vez mais o afastaram da inadiável construção de si mesmo...
Lamenta os equívocos cometidos, ansiando, inutilmente, pela retomada da tarefa que só Deus sabe quando poderá acontecer, observando-se, diante das almas redimidas pelo esforço e pelo sacrifício, na condição de espírito envergonhado dos talentos que não soube valorizar...
Em qualquer parte em que esteja, sentir-se-á, nas regiões do Infinito, em débito para com a Providência Divina, desapontando os Benfeitores Espirituais que permaneceram, no Além-Túmulo, na melhor expectativa a seu respeito, no que se refere à importante tarefa da espiritualização das criaturas...
Em muitos deles, os medianeiros, o remorso será tal, que chegará a perturbar-lhes as faculdades, tomando-os cativos das inteligências nocivas, que os utilizarão de acordo com as suas conveniências, em dolorosos processos de hipnose e vampirização...
Quando reconhecem os seus erros, os médiuns aos quais nos referimos predispõem-se, de imediato, a demorados esforços de reajuste, submetendo-se às mais humildes tarefas nas regiões espirituais de sofrimento; todavia, quando procuram por culpados para a sua irresponsabilidade, não assumindo eles mesmo as consequências de sua incúria, então, inclusive, poderão, de futuro, renascer no mundo como portadores de certos distúrbios neurológicos de difícil tratamento.
Haja o que houver, que o tarefeiro da mediunidade não se afaste de suas obrigações, seguindo adiante com o fardo que representa, na Terra, a sua melhor oportunidade de ascensão.
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Re: Mediunidade - Perguntas e Respostas - Odilon Fernandes /Carlos A. Baccelli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 15, 2018 10:44 am

Por quais indícios o médium reconhecerá que está sendo chamado à tarefa da mediunidade?
R — Todo medianeiro em que a mediunidade se apresente de maneira mais ou menos ostensiva, está sendo chamado a exercê-la com Jesus, colocando-se à disposição dos seus Emissários na tarefa de espiritualização da Humanidade.
Todavia o médium cujo chamamento se fez há de sentir, em seu íntimo, inequívoco comprometimento com o ideal espírita, no anseio quase que incontido de doar-se às actividades do bem, superando as barreiras que naturalmente se lhe apresentem, na tentativa de impedi-lo de caminharei médium com tarefe definida na Doutrina Espírita é aquele que experimenta o desejo de ser útil, registando o inarticulado e inconfundível apelo da consciência que o impulsiona, diuturnamente, ao adestramento mediúnico que o habilitará ao cumprimento do dever.
Infelizmente, a maioria dos sensitivos não se esmeram no cultivo da mediunidade, desincumbindo-se de suas obrigações espirituais como quem estivesse atendendo a incomoda obrigação, sem a alegria espontânea que deve caracterizar o medianeiro a serviço do Evangelho.
Todos os médiuns são chamados a crescer na lida com a mediunidade, destacando-se nas actividades do bem; no entanto raros são os que aproveitam a oportunidade, dando ao talento recebido a devido valor...
Médiuns existem que, apesar de chamados, não se escolhem pelo esforço e pela boa vontade, pela perseverança e pelo interesse que as coisas espirituais deveriam merecer-lhes.
Alguns poucos superam as expectativas do Mundo Espiritual, tal o devotamento com que se consagram ao labor, no entanto a maioria frustra essas mesmas expectativas pelo descaso com que trata a questão da mediunidade, colocando o seu exercício, em sua lista de prioridades, quase que por derradeiro.
Em suma, o médium chamado à tarefa da mediunidade com Jesus sempre o haverá de saber; se o ignorar, estará ignorando-o voluntariamente!...

Em Espiritismo, existe hierarquia de médiuns: médiuns maiores, médiuns menores?
Um médium poderá suceder outro?
Qual o médium que desfruta de maior prestígio?

R — Não, em Espiritismo não existe qualquer tipo de hierarquia.
Todos os médiuns fazem parte de uma engrenagem, cada qual na condição de peça importante do seu funcionamento.
Ninguém sucede alguém em qualquer sector das actividades humanas, mormente naquelas de ordem espiritual.
A mensagem de cada um é particularíssima e não há quem possa substituir a quem quer que seja na tarefa que desenvolve com as características que lhe são inerentes.
O médium que, sem dúvida, desfruta de maior prestígio é aquele que, consoante as palavras do Senhor, procura mais servir, apequenando-se diante dos homens.
A mediunidade é incompatível com qualquer tipo de pretensão à superioridade, porquanto os espíritos sérios não endossam o trabalho de quem esteja à busca de autopromoção.
Identificamos os muitos Apóstolos que mais se destacaram no labor do Evangelho, no entanto os que desconhecemos, nos primeiros dias do Cristianismo no mundo, os que permaneceram no anonimato, sacrificando-se pelo ideal que abraçaram, foram muito mais numerosos e, muitos deles, maiores que os primeiros...
Todavia os seus nomes não foram registrados pela História.
Existem companheiros médiuns que, quase em completo anonimato, desempenham importante actividade espiritual, lutando nas trincheiras da fé, na defesa da implantação do Reino de Deus sobre a face da Terra...
Que nenhum medianeiro, portanto, se preocupe com questões concernentes à sucessão deste ou daquele companheiro que se haja destacado pelo seu devotamento à causa da mediunidade; antes, procure desempenhar, da melhor forma possível, a tarefa que lhe foi concedida por acréscimo da Misericórdia Divina.

§.§.§- Ave sem Ninho
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