ARTIGOS DIVERSOS III

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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 01, 2018 7:40 pm

Todos somos culpados; todos somos necessitados desta aprendizagem.
Se fosse de outro modo, já estaríamos em mundos mais felizes.
Deus não precisa impedir este estado de coisas.
As suas leis são sábias, perfeitas, assertivas, tudo prevêem e a tudo provêem.
O progresso é um imperativo; é Lei.
Ninguém foge, apenas dependendo de nós, alcançá-lo mais rapidamente, pelo amor, ou de forma mais lenta, impulsionados pela dor.
Evidentemente, se o quisesse, poderia acelerar o processo.
Mas, reflictamos:
Qual seria o nosso mérito?
Que merecimento e que condições teríamos para habitar mundos felizes se não nos desprendêssemos do egoísmo e do orgulho, em suma, se não nos ajustássemos verdadeiramente às leis de Amor do Pai, únicas que nos hão de conduzir à verdadeira felicidade dos justos?
Por isso, não desanimemos.
Foi o próprio Jesus quem nos prometeu consolo:
“1. Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30); (O Evangelho segundo O Espiritismo, Capítulo VI, O Cristo Consolador.)

Qual é, afinal, o jugo leve de que fala o Cristo?
O seu exemplo, os seus ensinamentos, as leis do Pai que veio pôr ao nosso alcance.
Ele é o Mestre, veio trazer a luz que ilumina o nosso caminho e, com ele, devemos animar-nos a trabalhar pela paz no mundo.
De que modo?
Começando por trabalhar a paz dentro de nós, a paz em nosso redor, sendo exemplo e testemunho vivo num mundo tão carecido de iluminação e de orientação.
A hora não é de cruzar os braços.
Compreender e aceitar não é resignar-mo-nos perante o mal.
Jesus amou e perdoou os pecadores mas nunca deixou de recriminar o mal.
Sigamos o caminho que Ele nos aponta e confiemos.
O barco em que navegamos, a Terra, não está à deriva.
Tem Jesus ao leme.
A prova disso é o Espiritismo, o Consolador Prometido por Jesus.
Os tempos são duros.
Por isso, tal como o Espírito de Verdade nos exortou:
“Espíritas, amai-vos e instruí-vos”.
Nisto encontraremos a força que nos auxiliará a manter e aprofundar a Fé.

Oremos pelo povo da Síria, para que, ajudados pela Espiritualidade Superior, vejam a onda de destruição e horror cessar, e possam seguir, rumo ao progresso, em liberdade e respeito pela sua dignidade.

Maria de Lurdes Duarte reside em Alvarenga, Arouca, Portugal.

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Na “dimensão espiritual”

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 02, 2018 9:45 am

por Nubor Orlando Facure

A Doutrina Espírita acrescenta a “dimensão espiritual” no entendimento da natureza humana, ressaltando a sua complexidade.
Reunimos aqui, aleatoriamente, algumas das suas lições.
O corpo físico é vestimenta transitória que dá, ao Espírito, instrumento para se manifestar no mundo em que vivemos.
Reencarnando em vidas sucessivas, temos oportunidade de renovar experiências, redimir faltas, reavaliar acertos e erros e projectarmos compromissos futuros.
Nada ocorre por acaso, Deus é criador e seus prepostos orientam nossos destinos.
Estamos todos inseridos no projecto de progresso incessante que nos elevará ao nível de Espíritos Superiores.
O “princípio inteligente” com o qual inauguramos a vida percorreu as diversas escalas evolutivas se empenhando na aquisição de reflexos, de instintos, de automatismo e de racionalidade até atingir a condição humana que desfrutamos hoje.
A evolução da mente sugestionou e dirigiu as necessidades da evolução do corpo.
A Espiritualidade Superior introduziu as mudanças necessárias para o sucesso do projecto humano realizando intervenções nos dois planos da vida.
Nossos talentos ou aptidões para o bem ou para o mal são frutos do nosso próprio mérito.
A perseverança aprimora o artista, o estudo constrói o génio, a serenidade modela o santo, persistir no vício estaciona, prejudicar o próximo escraviza à falta cometida, fugir da lição adia a corrigenda.
Tanto a aparência que cada um de nós revela, como o ambiente que a vida nos localiza, são situações momentâneas, adequadas às nossas necessidades.
Um lavrador que se exaure na terra pode estar vivendo a lição da simplicidade e da paciência.
Um político em evidência pode estar experimentando o compromisso do poder.
Um líder religioso pode estar aprendendo a perseverança na fé.
A família que nos acompanha, com dedicação ou com dificuldades e exigências, representa créditos ou protecção, contas a pagar ou correcções a aceitar em nós mesmos.
Somos expressões parciais e acanhadas das múltiplas vivências que já experimentamos em outras existências.
Talentos valiosos e deficiências diversas estão, frequentemente, imersos na lei de esquecimento transitório que nos protege.
Na reencarnação, a misericórdia divina nos favorece a bênção do recomeço ignorando nosso passado de culpas.
Para a Doutrina Espírita, não cabe qualquer ideia de superioridade de raça, de género, de profissão ou de prestígio social.
O que nos credencia é o bem que fizermos ao próximo e a transformação para melhor que acrescentarmos a nós mesmos.
Cada criança acumula a somatória das personalidades que desenvolveu no transcurso de milénios e a inocência dos primeiros anos é oportunidade de redireccionar comportamentos, transformar sentimentos e adquirir novos valores.
Pais e irmãos, profissão e casamento, fortunas e privilégios são empréstimos transitórios que exigirão prestação de contas.
“A vida nos dará o que buscarmos e nos cobrará o que recebermos.”
“A genética sinaliza, mas não realiza o que for do nosso compromisso.”
Na verdade, “somos herdeiros de nós mesmos”, é nosso passado que nos representa no palco da vida.
Nem genes nem sobrenomes serão passaportes para livrar-nos de sentimento de culpa, de tempo perdido ou de perdão que recusamos dar.
Nossas dificuldades reflectem nossas necessidades e com o esforço de hoje é que garantimos a recompensa de amanhã.
A Ciência oficial ainda não se deu conta da “dimensão espiritual” e o quanto ela interage em nossas vidas.
Aqueles que enterramos nas últimas despedidas do túmulo permanecem vivos e compartilham connosco uma intimidade que não suspeitamos.
Nossa fisiologia sensorial não tem sensibilidade para registar suas presenças, mas nossa actividade mental irradia no mesmo espectro de sintonia.
Compartilhamos com eles o mesmo universo de ondas mentais.
Vivemos permanentemente como emissores e receptores projectando e recebendo todos os pensamentos que vibram com os mesmos objectivos que os nossos.
Parentes e amigos, inimigos e adversários, companheiros no bem e comparsas no crime se associam aos nossos propósitos.
Suas vozes ressoam em nossos pensamentos, suas sugestões induzem nossas escolhas, sua protecção nos ajuda a superar as dificuldades e sua perturbação nos retém no desespero.
Comungamos com os “mortos” mais frequentemente que com os “vivos”.
“Vivemos com uma nuvem de testemunhas”, no dizer de Paulo (Hebreus 12:12) e somos responsáveis por essa “parceria consentida” que nos sustenta para o bem ou para a ignorância.

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Lembrai-vos do “Tio Pedro”

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 02, 2018 8:42 pm

por Marcelo Henrique Pereira e Marcus Vinicius de Azevedo Braga

A escolinha do Professor Raimundo é um programa televisivo que atravessa gerações.
Estreou em 1957 na televisão, somando mais de 60 anos, entre interrupções, na batuta do saudoso Chico Anysio, e mais recentemente sendo conduzido por seu filho.
Dos emblemáticos personagens, destaca-se o engravatado Pedro Pedreira, vivido por Francisco Milani anteriormente, e agora pelo actor Marcos Ricca, ambos em notáveis interpretações.
Trata-se, Pedro Pedreira, de um chato de galocha, que pergunta sobre tudo, duvida, pede evidências.
Sempre levanta as controvérsias, lembrando aquelas pessoas de nossa convivência que terminam por não serem queridas no meio social.
“Pedra noventa, só enfrenta quem aguenta”; “Não me venha com chorumelas”; “Me convença”; “Há controvérsias!”; “Quero provas!”, “A informação está incorrecta, imprecisa e improvável, vamos simplificar, pois não quero que digam que sou intransigente.
Sempre há uma possibilidade de diálogo.
Ténue, mas há!”.
Conhecidos bordões desse céptico personagem, que tinha o questionamento como sua marca, em relação a afirmativas da história consideradas de conhecimento e aceitação geral.
Um crítico mordaz do senso comum!
Ressalvados os extremos, em tempos de profusão de informações desenfreada pelo fenómeno da internet, cá entre nós, precisamos ter um pouco do "Tio Pedro" em nós, em especial diante de tudo o que ouvimos e lemos por aí no que se refere ao assunto “Espiritismo”.
Vemo-nos, comummente, em circunstâncias nas quais ficamos envergonhados de perguntar, de questionar, de sermos tachados de chatos e acabamos aceitando tudo, sem cerimónia ou chorumelas.
Será que devemos ser mesmo assim? Será que esse é o “comportamento” que o Espiritismo, herdado do “Tio Rivail”, enquanto doutrina racional e livre, nos provoca?
A famosa fé raciocinada tem sido vivenciada, ou virou mais um bordão vazio e que não reflecte as nossas práticas?
Estamos sendo coniventes com uma visão que criminaliza a opinião e o debate em função de verdades postas?
Perguntas relevantes...
O facto é que quando agimos alimentando a fé cega, na verdade só não deixamos os questionamentos aflorarem, mas eles estão lá, em nossas operosas mentes de Espíritos imortais.
Isso mesmo, no silêncio de nossas mentes ou na quietude – nem sempre silenciosa, face a murmúrios ou resmungos, ou expressões pálidas de descontentamento, quase faciais, exclusivamente – continuamos a fazer as nossas perquirições, questionamentos e, até, contestações em relação ao que ouvimos (ou vemos), não é mesmo?
Sim, porque a nossa mente “borbulha” e não para de “funcionar”.
Estamos sempre, como diz um velho amigo, “matutando as ideias”.
E nestas ruminações mentais, vamos construindo a fundamentação de nossas ideologias e filosofias – as quais, nem sempre ou em todas as situações, talvez, até, nunca, ficam “transparentes” aos transeuntes de nossas estradas, quando preferimos o silêncio de não questionar.
Nesse sentido, uma crença arraigada no argumento de autoridade, no porta-voz como transmissor de credibilidade da mensagem, tratando os questionamentos como pecaminosos, às vezes por mera deferência ao emissor, encarnado ou desencarnado, é uma postura que difere em muito da abordagem apontada por Allan Kardec, em especial em “O Livro dos Médiuns”, e que somente oculta e torna clandestinas as verdades, em um modelo que já conhecemos de outras religiões, de forma sobre essência, de medo e de dogmas, e que a história demonstrou que não teve êxito.
Voltando ao nosso Pedro Pedreira, deixando de lado o estereótipo que ele – provocativamente pelo enredo dos programas – assume, todos nós deveríamos, na ambiência espírita e fora dela, sermos um pouco “pedra no sapato” em relação ao que se nos é apresentado como “teoria”, “regra” ou “verdade”.
Analisar argumentos e trazer para o debate salutar e respeitoso, como forma de aprendizado e crescimento, na herança da maiêutica socrática e falando de nossa seara, na raiz das conferências espíritas de Allan Kardec na obra “O que é o Espiritismo”.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 02, 2018 8:42 pm

Uma dose razoável de espírito contestador e criterioso no ambiente espírita, amparado na lógica e na fundamentação, não deve ser combatido e rechaçado.
Pelo contrário! Essa postura de diálogo, participação e discussão é que nos dá força como movimento, diante das realidades que se apresentam, estimulando o surgimento de evidências que sejam consideradas as controvérsias e que a máxima kardequiana “É melhor rejeitar dez verdades do que aceitar uma mentira” seja aplicada efectivamente em nossa realidade.
Mas, para isso, é preciso dessacralizar médiuns, autores, livros...
Faz-se necessário não se ofender diante de ponderações e questionamentos.
De Kardec não lembramos o nome de cabeça de algum dos medianeiros que colaborou com a obra da codificação.
O “Tio Rivail” valorizava o conceito e o confrontava com a lógica, bem como com outros tempos e lugares. O modelo de fonte mediúnica confiável irrestritamente fere essa visão e pode nos conduzir a caminhos tortuosos.
De toda sorte, os Pedreiras estão por aí...
Sempre estiveram.
Alguns ainda em “gérmen”, outros um pouco acanhados e muitos, creia-me, começam a aparecer, a despontar.
Um senso comum de que as “ambiências” espíritas estão ficando complicadas, pois o pessoal “anda” muito contestador, deve servir de alerta para nossa postura diante desse mundo do conhecimento, no qual existe uma geração que ascende e que não se contenta mais com as verdades pasteurizadas, o que não difere muito do tempo no qual surgiu o Espiritismo.
Ser Pedro Pedreira no ambiente espírita não pode também ser um valor absoluto, dado que, para estabelecer diálogos produtivos, de mútuo aprendizado e trabalho, devemos compactuar a desconfiança com o bom senso, para fugir de um “engessamento” desnecessário, castrador e minimizador dos potenciais humanos e espirituais, na visão da virtude no caminho do meio.
Lembrai-vos do “Tio Pedro” diante das coisas que surgem na tela do computador, ou na roda de conversas, na palestra ou nas páginas do livro.
Mas, é importante mitigar o aspecto “chato”, intransigente desse personagem, buscando, na contrariedade verbal que se opõe a certas “verdades”, obrar a “desconstrução”, para, por fim, executar a “reconstrução”, chegando a sínteses razoáveis.
A chamada dialéctica, que na sua raiz tem a ideia de diálogo, de respeito aos saberes e de crescimento mútuo.

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Presença do maniqueísmo em alguns segmentos cristãos actuais

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 03, 2018 10:02 am

por José Reis Chaves

O maniqueísmo é uma religião fundada por Maniqueu na antiga Pérsia e que deixou algumas influências em correntes religiosas de algumas religiões.
O seu princípio filosófico admite dois deuses, um do bem chamado de Mazda, e outro do mal a que foi dado o nome de Ariman.
Como os dois princípios do bem e do mal existem, de facto, e estão presentes na filosofia e na moral de todas as crenças, o maniqueísmo, apesar de sua incompatibilidade com o monoteísmo, deixou sentimentos de natureza religiosa muito fortes nas pessoas, embora isso aconteça de um modo silencioso, por ser frontalmente contra a filosofia e a teologia judaico-cristãs muito fortes de um Deus único.
Antes de sua conversão ao cristianismo, santo Agostinho foi um adepto do maniqueísmo, o que, sem dúvida, é um grande aval para a importância da filosofia dessa crença, pois esse santo católico é mundialmente reconhecido na História Universal, principalmente do Ocidente, como um grande génio da inteligência e da intelectualidade.
Os leitores, por mais uma vez, já depararam com o que vamos dizer:
Fizeram com o diabo uma confusão dos diabos. Diabo, “diabolôs” em grego, é um símbolo do mal ou de um Espírito mau.
Em hebraico, com o mesmo significado, é “satan”, do que se originou satanás.
Já Lúcifer, que em grego é “eosforo” e em latim é “lucis ferre” é o porta-luz, que quer dizer alegoricamente inteligência, portanto, não é também Espírito.
E tanto pode ser porta-luz do bem, como do mal, ou seja, a favor de Cristo ou contra Cristo, pois a inteligência tem livre-arbítrio.
Já demónio, “daimon” em grego, no Novo Testamento da Bíblia, é espírito humano ou alma e não outra categoria de Espírito.
Trata-se, pois, de um irmão nosso, podendo ser mau (atrasado) ou bom (adiantado) e até um santo, conforme seu nível de evolução.
Até Jesus evoluiu para se tornar o Jesus Cristo.
“E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos que lhe obedecem” (Hebreus 5: 9).
Quando se diz que uma pessoa tem um satanás ou um diabo nela significa que ela está com um adversário, um mal ou pecado, podendo ser também um Espírito que, neste caso, é um demónio, e como já dissemos, é um “daimon” (no plural “daimones”), que é um espírito humano, que deve, pois, ser tratado com caridade, com preces em favor dele e dialogando com ele, como fez Jesus com o espírito chamado “Legião” (Marcos 5: 9) e como fazem também os espíritas.
Como se sabe, por muito respeito a Jeová, os judeus tinham medo de dizer o nome dele, evitando, pois, falar essa palavra Jeová.
Os maniqueístas não respeitavam apenas o seu deus do bem Mazda, mas também o seu deus do mal Ariman, este, de certo modo, equivalente ao diabo ou satanás do cristianismo.
Pois bem, há cristãos, hoje, principalmente, os nossos irmãos evangélicos e carismáticos católicos, que têm medo de falar as palavras diabo e satanás, o que não deixa de ser também certo medo deles por esses nomes e mesmo respeito a eles.
E isso acontece também com relação aos chamados demónios (almas humanas), os quais, como já dissemos, são para os cristãos, a que nos referimos, como que sinónimos do deus do mal do maniqueísmo, ou seja, o Ariman, fazendo realmente com todos esses nomes uma confusão dos diabos!

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Orientações de um grande génio

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 03, 2018 8:47 pm

por Rodinei Moura

"Busque antes ser uma pessoa de valor a ser uma pessoa de sucesso."
(Albert Einstein)

Esta citação deste grande génio da Física, que tantas contribuições deixou à humanidade, vem no mesmo sentido das lições da doutrina dos Espíritos, que nos esclarece que mais vale, para nossa evolução espiritual, ser um sapateiro digno a um médico mercenário, por exemplo.
É verdade que o Espiritismo não trabalha amedrontando mentes, mas esclarecendo consciências.
O conhecimento, por sua vez, liberta-nos das atitudes que geram sofrimento.
Este, finalmente, é uma ferramenta divina para nos trazer de volta ao caminho da luz.
Através destes esclarecimentos vamos entendendo que mais importante que títulos e fama, que por ventura passamos ter, o que nos ilumina a jornada é a luz que acendemos em torno de nossos irmãos de jornada em dificuldade.
Nem tanto a quantidade, mas a qualidade e o desinteresse do que fazemos.
A busca por tornar mais suave a dor de nossos companheiros de jornada.
O interesse por ser útil e tornar nosso planeta um lugar melhor para se viver.
O incessante comprometimento em dar ao mundo algo de positivo e nobre e não a preocupação de receber e acumular.
A literatura espírita é rica em histórias de personagens famosos da história humana que chegaram ao plano espiritual sem luz alguma, muito embora se julgassem importantes, mas que na verdade não produziram nada ou quase nada de bom, de útil à humanidade, e por isso mesmo sofreram grandes frustrações e até mesmo grandes constrangimentos, sendo humilhados por Espíritos que julgavam inferiores, e que de facto se compraziam nos prazeres mais grosseiros da existência humana.
Mas faltava, aos julgadores, moralidade.
(Vide o livro Voltei, O Nosso Lar.)

Além de outros que achavam que a riqueza que aqui juntaram tinha a mesma capacidade de lhes proporcionar boas posições também no mundo espiritual.
Mas lá vale mais a riqueza que distribuímos aqui.
As alegrias que distribuímos, as lágrimas que secamos.
As orientações edificantes que ofertamos.
Por isso, sempre que tivermos que escolher entre o sucesso pessoal a qualquer preço, e o anonimato da utilidade efectiva, lembremo-nos das palavras de Jesus:
"De nada adianta ganhar o mundo e perder a si mesmo”.

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Quando chegamos ao plano espiritual, pensamos algo em comum

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 04, 2018 9:59 am

Se eu soubesse que a vida real não era na matéria… se eu soubesse que a realidade não é de sofrimento, mas de paz e liberdade… se eu soubesse que nada que existia na matéria é permanente, que lá é tudo passageiro, eu não teria brigado no trânsito, batido nos meus filhos, me apegado a tantas coisas efémeras…

Ah se eu soubesse…. teria ajudado muito mais gente, teria me enriquecido com amor e luz, teria deixado de lado esses problemas pequenininhos, teria feito caridade aos necessitados, teria deixado o amor fluir, teria me atirado no bem sem nenhuma preocupação, teria sido mais humilde, teria vivido em paz…

Ah se eu soubesse… teria passado mais tempo com aqueles que amo, teria me preocupado menos, teria tido mais paciência, teria me soltado mais, me desprendido mais, teria vivido mais livre, de forma mais espontânea, mais natural, teria visto o lado bom de tudo, teria valorizado as coisas simples da vida.

Ah se eu soubesse… se soubesse que a vida na Terra vai e vem, que tudo se esvai, que nada é permanente, que não existe algo fixo, imutável.
Se eu soubesse que tudo começa e termina, que os relacionamentos começam e terminam, que a dor lateja e depois vem o alívio.

Ah se eu soubesse… se soubesse que os arrogantes sobem, ficam no topo e caem por si mesmos; caem pelo seu próprio castelo de cartas da ilusão que criaram.
Se eu soubesse que os ricos podem se tornar pobres de espírito, e que os pobres podem ser muito ricos de espírito.
Se soubesse que as diferenças sociais se extinguem, que na morte todos somos filhos do universo, que a fome é saciada, que a sede é aliviada, que a violência só traz mais violência, que os injustiçados são compensados, que os perdidos sempre se encontram, e quem está demasiadamente seguro de si acaba se perdendo.

Ah se eu soubesse… que a vida espiritual é a vida real, que as mágoas corroem o espírito, que a cobiça gera insatisfação, que a lisonja só cria humilhação, que a preguiça gera estagnação.
Se eu soubesse que o medo é sempre maior do que a mente engendrou eu teria me arriscado mais, teria ousado, teria tido a coragem de ser o que eu sou, teria retirado essa máscara que encobria minha verdade, teria desatado o compromisso com o logro, com a burla, teria assumido minha integridade sem divisões, sem fragmentos.

Ah se eu soubesse… não teria cortejado o sucesso, não teria me atirado ao poço fundo, vazio e solitário da avidez, não teria me enganado de que, ao atingir o topo, a descida é o único caminho.
Se eu soubesse que o mundo é uma doce miragem eu rejeitaria a pueril busca pela sensualidade.
Largaria com afinco os prazeres e vícios da juventude.
Se soubesse que tudo muda e nada se encerra, teria posto de lado as moléstias da nostalgia.
Ah se eu soubesse, teria menos pressa, olharia mais para a vida, veria mais o nascer do dia, comeria com calma o pão de cada manhã, teria plantado uma árvore, corrido no jardim, deitado no chão e rolado na grama.
Teria mergulhado e me perdido no tempo, solto em reflexões sobre os mistérios da vida.
Teria me desimpedido de auto-cobranças, teria me aceitado como sou e aceitado o milagre da vida como ele é.

Ah se eu soubesse… que o mar espiritual é infinito de bênçãos, não teria digladiado por um copo de água ao lado do grandioso oceano da plenitude.
Teria deixado todas as quimeras de lado, e vivido mais a vida, a existência, o cosmos, a liberdade, o eterno presente e a eterna aurora.
Ah se eu soubesse… teria renunciado aos hábitos arraigados, as discussões estéreis, a especulação teórica.
Se eu soubesse, teria permanecido mais na natureza, observando os pássaros, molhando as mãos no rio, sentindo o vento, me aquecendo ao sol da manhã, sujado as mãos na lama e sentido o frescor da chuva.
Se eu soubesse que sou um ser em desenvolvimento na essência inesgotável e eterna da vida, teria sido infinitamente mais livre e feliz.

Autor: Hugo Lapa

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A culpa e a reencarnação, um paradigma da ciência

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jul 04, 2018 8:34 pm

“A culpa deve ser superada mediante acções positivas, reabilitadoras, que resultarão dos pensamentos íntimos enobrecedores.” - Joanna de Ângelis.
O problema da culpa tem chamado a atenção dos estudiosos da psicologia, da medicina e até mesmo da religião.
Algumas religiões até usam a culpa como ferramenta de punição de seus seguidores, mas o Espiritismo vem, através da reencarnação, abrir um novo paradigma sobre culpa, mostrando que somos o que semeamos e o que estamos trabalhando dentro de nós para a nossa melhoria dentro dos ensinos de Jesus.
Tivemos inúmeras vidas onde o poder transitório, a moeda farta, nos permitia uma posição superior aos demais, mas com as reencarnações voltávamos à arena terrena em deploráveis situações para o devido resgate, como nos ensina Emmanuel: “regressamos ao mundo em corpos dilacerados ou deprimidos, exibindo as estranhas enfermidades ou as gravosas obsessões que criamos para nós mesmos, a estampar na apresentação pessoal a soma deplorável de nossos desequilíbrios”.
Gravado no profundo do nosso psiquismo, temos a culpa dilacerando o nosso ser, muitas vezes não permitindo uma vida saudável por formarmos verdadeiras prisões dentro de nós.
Alguns arquétipos deformados de visão mais profunda da vida que não permite um equilíbrio nosso para viver de forma saudável.
A psicologia tradicional, muitas das vezes, enxerga a culpa dentro de um aspecto científico, unicamente de fixação metal, desequilíbrio e problemas apenas quotidianos e momentâneos.
Necessário, para a Psicologia, de algo mais profundo para as suas análises.
A reencarnação quando for aceita nos meios científicos vai revolucionar todos os conceitos da medicina, psicologia, e também da religião, pois até mesmo entre os espíritas, há quem duvide da reencarnação.
Somente assim o estudo profundo da culpa terá uma base sólida que permitirá se lograr êxito nos seus tratamentos.
A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade e não há sequer qualquer razão científica para a considerar melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia, da religião, da arte ou da poesia (Santos, 1985/86, p. 13-14.)
O grande pensador Giordano Bruno relativizou a importância da Igreja na salvação da alma, pregando uma inte­rioridade relacional com a divindade, o que levou ao desfecho de sua morte.
Durante o julga­mento que o condenou, proferiu as seguintes palavras:
“Uma vez que a alma não pode ser encontrada sem o corpo, e, todavia, não é corpo, pode estar neste ou naquele corpo e passar de corpo em corpo” – (Giordano, 1592).
Giordano Bruno se auto-denominava “um cidadão e servo do mundo, um filho do Pai Sol e da Mãe Terra”, tendo sido pro­cessado durante sua vida monástica, o que o levou a fugir em 1578 para a Itália, onde continuou questionando.
O porquê de a Psicologia oficial não lidar com a reencarnação deve-se à acção do Imperador Justiniano, no ano de 533 d.C., de conclamar o Concílio de Constantinopla, convidando apenas os bispos do Oriente (não reencarnacionistas), e decretando que reencarnação não existe, influenciado por sua esposa Teodora, ex-cortesã, filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio que, para libertar-se de seu passa­do, mandou matar antigas colegas e, para não sofrer as consequências dessa ordem cruel em outra vida, como preconiza a lei de causa e efeito, empenhou-se em suprimir a magnífica Doutrina da Reencarnação.
Ian Stevenson foi o mais notável pesquisador da reencarnação no séc. XX.
Reunindo mais de 2000 casos de lembran­ças de vidas passadas, analisou aspectos psico-biológicos para comprovação da reen­carnação.
Segundo Goswami (2005), Stevenson também correlacionou certas fobias a vidas passadas.
Por fim, vamos ver Emmanuel nos ensinando como nos libertar da culpa:
A perfeita justiça, porém, nunca se expressa sem a Perfeita Misericórdia, abre-nos a todos, sem excepção, o serviço do Bem, que podemos abraçar na altura e na quantidade que desejarmos, com o recurso infalível de resgate e reajuste, burilamento e ascensão.
Atendamos às boas obras quanto nos seja possível.
Cada migalha de bem que faças é luz contigo, clareando os que amas.
E assim é porque, de conformidade com as Leis Divinas, o aperfeiçoamento em nós mesmos depende de nós.
Podemos ver assim que culpa todos nós temos, mas precisamos nos conscientizar de que estamos nessa vida como aprendizes no processo de evolução.
Viver, amar, trabalhar, perdoar, estudar, são possibilidades que todos nós temos para nos libertar da culpa e evoluir para um ser pleno em busca da felicidade maior.
Por fim, podemos ver que no campo religioso ou científico a reencarnação ainda é contestada por muitos, mas ela é uma realidade inquestionável e que responde a todas as nossas inquietações de vida, explicando o problema do ser e da dor. A culpa, resultado de nossa psique muitas vezes desequilibrada, deve ser banida de nosso Espírito, pois Deus nos ama e deseja que todos sejamos felizes.
Vamos trabalhar para a nossa transformação com a eliminação da culpa, bem como todo sentimento que nos faz sofrer e nos impede de evoluir, para ver a vida de forma plena dentro de toda a sua grandiosidade.
Como nos mostra Joanna de Ângelis:
...” não permitas enfraquecer no ânimo; enquanto te encontras no corpo físico, reabastece-te nos colóquios com Deus através do pensamento edificante que podes cultivar em qualquer situação.
Culpa, nunca!”...
Que Jesus continue nos abençoando hoje e sempre.

Wagner Ideali

Referências:
Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo.
Santos, B. S. Um discurso sobre as ciên­cias. Texto versão ampliada da Oração de Sapiência proferida na abertura solene das aulas na Universidade de Coimbra no ano letivo de 1985/86.
Prophet, E. C. Reencarnação: o elo perdido do Cristianismo. 6ª. Ed. Nova Era: 2003.
Arribas, C. G. Afinal, o Espiritismo é reli­gião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira. Dissertação. USP: São Paulo, 2008.
Goswami, A. A física da alma. São Paulo: Aleph, 2005.
Franco, Divaldo. Rejubila-te em Deus. Espírito Joanna de Ângelis.

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O principal cuidado que se deve ter com quem está morrendo...

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 05, 2018 11:08 am

(Os meses finais de quem está desencarnando)

A jornada na Terra sempre chega ao fim.
Algumas vezes é necessário que o processo da velhice, doença e morte seja acompanhada de perto por alguém.
Esta pessoa pode ser você, que terá a responsabilidade de garantir o respeito, a dignidade e o conforto físico de seu parente amado.
Acredito eu que não exista gesto mais nobre de amor.
Tenho a certeza que também não existe momento mais oportuno para o aprendizado e para a vivência espiritual.
Muitas pessoas sentem-se desconfortáveis frente à morte.
Mas, acredite, para o espírito é um momento belo e grandioso.
Este texto tem a missão de desmistificar a morte, facilitar sua vida ao lado da pessoa que se prepara para partir e te ajudar a viver plenamente o amor que existe dentro de você (sem medo e sem receio).

"A separação da alma e do corpo é dolorosa?
— Não; o corpo, frequentemente, sofre mais durante a vida que no momento da morte; neste, a alma nada sente.
Os sofrimentos que às vezes se provam no momento da morte são um prazer para o Espírito, que vê chegar o fim do seu exílio.

No momento da morte, a alma tem, às vezes, uma aspiração ou êxtase, que lhe faz entrever o mundo para o qual regressa?
— A alma sente, muitas vezes, que se quebram os liames que a prendem ao corpo, e então emprega todos os seus esforços para os romper de uma vez.
Já parcialmente separada da matéria, vê o futuro desenrolar-se ante ela e goza por antecipação do estado de Espírito."
Ajudar alguém nos últimos meses ou anos é uma das maiores responsabilidades que alguém pode ter.
Sob certos aspectos é bem mais difícil que criar uma criança.
A criança colecciona conquistas, o idoso ou o doente colecciona dificuldades.
Mas, porém, virão conquistas; conquistas para o espírito e para o amadurecimento pessoal.
Nesta fase os grandes ganhos não são exteriores, são interiores.
Tenha claro esta realidade:
há muito aprendizado nos últimos anos de vida.
E mais, são alguns dos aprendizados mais importantes para o futuro do espírito.
Uma criança nasce e aprende a falar e a andar.
São ganhos que parecem grandes, mas que se perdem com o falecimento.
Já os aprendizados dos últimos anos são realmente centrais para o espírito.
Por exemplo: uma pessoa muito orgulhosa, ao se ver necessitada de ajuda, descobriu na humildade a paz que lhe faltou por toda a vida.
Ela dizia:
"Meu Deus, porque não aprendi a viver assim antes?"
Não aprendeu antes, mas aprendeu quando as limitações físicas se fizeram mais fortes.
Alguém poderia dizer; "antes tarde do que nunca".
Quem conhece a vida espiritual sabe que NUNCA é tarde para esta transformação positiva.
Esta transformação será muito importante por décadas e séculos.
Por isto, não fique tão triste com as perdas que acompanham a velhice e as doenças.
São oportunidades únicas.
São oportunidades importantíssimas.
Primeiro porque "tira de cima da pessoa" o peso da sociedade.
A sociedade é uma prisão brutal para grande parte das pessoas.
Somos orgulhosos, esta é a verdade.
São raríssimos os seres humanos que não são orgulhosos.
A doença e as limitações da idade jogam por terra grande parte das vaidades, orgulho e desejo de ser aceito (os místicos dizem: tudo desaba).
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 05, 2018 11:08 am

É um choque que coloca o ego da pessoa lá embaixo; algumas até deprimem.
Mas, a queda do ego é a porta aberta para a emersão do que é realmente importante para o espírito.
São biliões de pessoas que tem na velhice e nas doenças as últimas oportunidades para realizar seu progresso espiritual.
Importante: aprenda a olhar para a pessoa amada como um espírito que dá os últimos passos e que tem as últimas oportunidades de realizar conquistas nesta vida (nesta encarnação).
O corpo perde, mas o espírito pode ganhar.
O corpo vai finalizar, mas a vida espiritual ainda é longa.
Por isto, tranquilize-se com as perdas.
Tenha serenidade para acompanhar estas perdas.
Cuide com carinho, mas treine-se para o desligamento.
Aceite cada passo que a natureza der; traga conforto e use sempre um diálogo espiritualizado para facilitar o entendimento e a superação das dificuldades.
Treine com a mensagem de Jesus:
"seja feita a Sua vontade".
Nada é perda, tudo é transformação.
Tenha paciência, porque você é apenas alguém que acompanha uma trajectória que é muito pessoal e especial - a trajectória do seu ente querido até a libertação do corpo.
Veja a morte como saudade para quem fica e liberdade para quem vai.
É uma libertação, porque chegará um momento em que os aprendizados serão pequenos; este é o momento de voltar para a vida espiritual.
As pessoas tem medo da morte, porque não confiam de facto na realidade espiritual.
A morte é dar um salto de confiança rumo a um novo nascimento, desta vez para a vida sem o corpo físico.
A morte "bem morrida" é uma morte repleta de confiança.
É caminhar para o que o corpo desconhece com a confiança de que ali está o melhor para si mesmo.
A morte é, na imensa maioria das vezes, o melhor que a pessoa pode esperar.
Mesmo uma mãe que deixa seus filhos pequenos deve se soltar e entrar em confiança:
"este é o melhor caminho".
Estamos treinados para perceber a morte como ruim, como triste, como sofrimento.
Dizemos do morto: "coitado!"
Esta ideia é fruto de uma concepção errada.
Do outro lado há, muitas vezes, uma festa.
É chegada a hora, o melhor está acontecendo, existem reencontros - porque não seria festa?

"O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que morreram antes dele?
— Sim, segundo a afeição que tenham mantido reciprocamente.
Quase sempre eles o vêm receber na sua volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a se libertar das faixas da matéria.
Vê também a muitos que havia perdido de vista durante a passagem pela Terra; vê os que estão na erraticidade, bem como os que se encontram encarnados, que vai visitar."

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos
Autor: Regis Mesquita
Fonte: http://www.nascervariasvezes.com

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Observações sobre a eutanásia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 05, 2018 8:37 pm

por Anselmo Ferreira Vasconcelos

A perspectiva de enfrentar uma morte dolorosa representa algo extremamente assustador para a maior parte das pessoas.
Na verdade, simplesmente lidar com a ideia da morte já constitui um desafio considerável para muitos, o que dirá, então, sob tais circunstâncias?
Todavia, todos nós haveremos de passar por esse momento cedo ou tarde.
Faz parte da nossa condição evolutiva e não há outro jeito a não ser nos prepararmos.
Afinal, a máquina orgânica tem os seus limites e, como tal, abrigará os nossos Espíritos pelo tempo necessário à conclusão dos nossos compromissos com a espiritualidade, desde que não antecipemos o processo por meios ilegítimos.
Infelizmente, longe ainda estamos de tratar desse tema no mundo com a devida clareza e seriedade.
Padecemos da falta de entendimento – não por falta de material a respeito, cabe ressaltar - acerca da eternidade, do imperativo da evolução espiritual, das leis universais, enfim.
Por isso, enfrentar a dor reparadora é algo absolutamente inaceitável em certos contextos, assim como para um número expressivo de pensadores da condição humana.
Mas precisamos reflectir seriamente sobre as implicações daí advindas, de modo a adquirir uma compreensão precisa em relação ao assunto.
Na estreita lógica actual, na qual a eutanásia tem tido papel preponderante, o que importa é simplesmente “diminuir o sofrimento” e “abreviar a dor” por meio da “morte com dignidade”, sem falar no “testamento vital”.
Como essa concepção simplesmente despreza a realidade do Espírito, as soluções por ela preconizadas são imediatistas e superficiais.
Afinal de contas, os propositores dessa corrente não conseguem divisar a variável concernente à imortalidade da alma e, por isso, a sua terapêutica é perniciosa para as reais necessidades do Espírito encarnado.
Ao incentivar os desenganados pela medicina tradicional para que optem por esse caminho tempestuoso, estão desconsiderando potenciais avanços nessa área que podem ocorrer a qualquer momento, a própria capacidade de resistência (desconhecida) do corpo do paciente, os recursos da fé, da misericórdia divina (quase sempre esquecidos) e a necessidade espiritual do paciente.
Em outras palavras, a medicina tradicional “vende” tal terapia como a alternativa menos dolorosa, quando poderia alterar radicalmente o seu enfoque e esclarecer o paciente que, ao aceitar a doença e os tratamentos pertinentes, obterá uma grande conquista espiritual – libertadora de males mais profundos que os que se observam no seu fragilizado veículo físico.
Infelizmente, a medicina humana – por não ser holística, e limitada em seu escopo – está muito longe de integrar essa abrangente proposição.
Por outro lado, cumpre recordar que a espiritualidade maior tem sido altamente generosa na elucidação do assunto.
Mensagens pródigas em conhecimento e esclarecimento têm sido dadas à humanidade desde a fundação do Espiritismo – abençoado recurso divino concedido à humanidade.
Por exemplo, a questão nº 106 da obra O Consolador, do Espírito Emmanuel (psicografia de Francisco Cândido Xavier) é, nesse particular, muito contundente:
“A eutanásia é um bem, nos casos de moléstia incurável?
O homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja.
A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito da vida imortal.
Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas transcendentes das necessidades do Espírito”.
Reforçando esse entendimento, a questão nº 953 formulada por Allan Kardec em O Livro dos Espíritos também esclarece:
953. Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente sua morte?
“É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jul 05, 2018 8:38 pm

E quem poderá estar certo de que, mau grado às aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?”
a) — Concebe-se que, nas circunstâncias ordinárias, o suicídio seja condenável; mas, estamos figurando o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada de alguns instantes.
“É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.”
b) — Quais, nesse caso, as consequências de tal acto?
“Uma expiação proporcionada, como sempre, à gravidade da falta, de acordo com as circunstâncias.”
Note que os maiorais da espiritualidade não deixam qualquer réstia de dúvida a respeito de como devemos proceder em tal situação.
É evidente que para uma pessoa desenganada a opção de abrir mão dos recursos menos dolorosos e teoricamente convenientes pode sinalizar – pelo menos para os que não enxergam as questões transcendentais aí implícitas – um comportamento tipicamente masoquista.
Em contraste, Emmanuel pondera, na obra Escrínio de Luz (psicografia de Francisco Cândido Xavier), que “Dores, aflições, provas e desencantos representam o material educativo do templo em que nos asilamos, à procura de fortaleza moral e de créditos imprescindíveis à continuidade de nossa viagem para Deus”.
O prezado benfeitor espiritual recomenda ainda que caminhemos adiante e regozijemo-nos com o sofrimento que nos proporciona o ensejo para o devido ajustamento de contas perante Deus.
De nossa parte, se o companheiro(a) que lê o modesto artigo enfrenta ou tem alguém do seu círculo que esteja enfrentando tais agruras, bem como se vê diante do dilema aqui discutido, receba a nossa sincera solidariedade e vibração de força e esperança para a hora que passa sob as bênçãos do Senhor.
Nesse sentido, recorro uma vez mais ao Espírito Emmanuel, que observa com extrema acuidade, no livro Religião dos Espíritos (psicografia de Francisco Cândido Xavier), que “Ante o catre da enfermidade mais insidiosa e mais dura, brilha o socorro da Infinita Bondade facilitando, a quem deve, a conquista da quitação.
Por isso mesmo, nas próprias moléstias reconhecidamente obscuras para a diagnose terrestre, fulgem lições cujo termo é preciso esperar, a fim de que o homem lhes não perca a essência divina”.
Capitular na hora do testemunho adiará o referido ajuste que poderá, assim, acontecer no futuro sob condições ainda mais penosas.
Desse modo, a visão espírita, aqui rapidamente comentada, demanda - reconheço cabalmente - uma enorme coragem moral raramente observável nos dias actuais.
Em contrapartida, a recompensa também é significativa.

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Não existe morte na Obra Divina

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 06, 2018 10:14 am

por Altamirando Carneiro

"Na verdade, na verdade, vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto." (João, 12: 24)
Possibilita-nos Jesus com esta passagem, falar sobre um dos fenómenos que, embora natural, é um dos maiores enigmas para a Humanidade: a morte.
Se não morrer continuará inalterado, mas se morrer dará muito trigo, afinal, como pode algo que morreu transformar-se em muito?
Para compreender, temos que rever nossos conceitos sobre a morte.
Para muitos, este fenómeno já está inteiramente resolvido com a aceitação da lei da reencarnação, mas, para outros, a morte é a ausência da vida, do movimento e da acção, uma dimensão em que, quando nela se entra, não mais se retorna.
Para outros ainda, é enigma amedrontador.
Só em pensar na morte, perdem a alegria de viver.
Para Jesus, a morte é antes e acima de tudo um fenómeno que permite que se produza muito através da transformação.
Pensemos então um pouco sobre todos estes conceitos.
Olhemos o corpo físico. Nem mesmo ele morre verdadeiramente, pois os átomos que o compõem voltam em toda a sua plenitude para a Natureza, não se perdendo um átomo sequer.
Também disse Jesus que o grão perderá a sua condição de ser vivente, pois se multiplicará em muitos.
O que na verdade ele quis dizer é que quando alguém aproveita bem a vida, deixando de viver para si somente e passando a viver sob os preceitos cristãos, fazendo bem a sua parte, seus frutos serão multiplicados por muitos, e será agradecido com os dons da vida abundante.
É como se tivesse morrido um pouco para si, vivendo muito mais para os outros.
Somente o entendimento da lei da reencarnação nos permite desvendar os segredos da vida.
Morremos e nascemos no corpo físico tantas vezes quantas se fizerem necessárias para que a renovação se faça em nós.
Não basta vivermos.
É preciso que a cada nova oportunidade façamos nascer novos e melhores dons.
E que a renovação se faça a cada instante, para que a única morte, verdadeiramente necessária, seja a do homem velho que ainda existe no nosso íntimo.
Caminhamos rumo à luz, galgando degrau a degrau, num esforço contínuo.
Qualquer desvio deste rumo acarretará experiências duras, mas necessárias.
Se tínhamos dificuldade em perdoar, hoje devemos fazê-lo, ainda que com algum esforço, pois só assim estaremos mais perto de ser agentes da paz.
Se somos ainda indiferentes à indigência devemos compreender que a dor de um é dever para o outro, e que a indiferença nos torna responsáveis pelo bem que deixamos de fazer.
Não existe morte na Obra Divina.
Os seres que pensamos mortos, apenas vivem em dimensão diferente.
Tudo o que Deus fez, o fez pleno de vida e de acção.
Como Espíritos, os seres inteligentes da criação, nossa marcha para Deus, como observa André Luiz em Acção e Reacção - livro psicografado por Francisco Cândido Xavier (FEB), capítulo 19 -, pode ser comparada a uma marcha divina, onde o bem constitui sinal de passagem livre à vida superior e o mal significa sentença de interdição, obrigando-nos a paradas mais ou menos difíceis de reajuste.

Transformemo-nos pelo amor.

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O Espiritismo responde

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jul 06, 2018 9:01 pm

por Astolfo O. de Oliveira Filho

A leitora Celia Regina de Almeida Pinheiro, em mensagem publicada na secção de Cartas desta edição, escreveu-nos o seguinte:
Boa tarde. Primeiramente meus parabéns pela revista; sou leitora assídua.
Gostaria de saber, à luz da Doutrina Espírita, qual o parecer a respeito de tantas mortes em nosso País, especialmente no Rio de Janeiro.

Situação de guerra a meu ver.
Faz tempo que as perguntas mais frequentes que nos chegam dizem respeito à questão da violência, que não é privilégio apenas do Rio de Janeiro.
Afinal (perguntam-nos sempre), por que a violência é algo ainda tão marcante em nosso mundo?
Em um ligeiro retrospecto, certamente poucos ignoram que ela e seus subprodutos – guerras, sequestros, assassínios, latrocínios, execuções – estiveram presentes em todas as épocas da Humanidade.
A Bíblia disso nos dá conta revelando até mesmo os conflitos em que Moisés teria tomado parte, facto que se repetiria com o rei Saul e até com Davi, autor da maioria dos salmos que se eternizaram nas páginas do Antigo Testamento.
As guerras que fizeram expandir o Império Romano; as Cruzadas, de triste memória; a Inquisição; as guerras napoleónicas; o longo período da escravatura em inúmeros países, algo que somente cessou na segunda metade do século 19; os inúmeros conflitos entre países europeus; as guerras mundiais de 1914 e 1939; a guerra da Coreia; a guerra do Vietname; os conflitos entre árabes e judeus – eis uma reduzida lista que é suficiente para mostrar que o estado de beligerância, violência e criminalidade não é um fenómeno moderno e tem, portanto, raízes muito mais profundas do que à primeira vista imaginamos.
Algum tempo atrás, respondendo a outra leitora que nos consultou exactamente sobre a questão da violência, foi-lhe dito que, segundo pensamos, a violência que reina na sociedade terrena contra as pessoas em geral, sejam crianças, jovens ou adultos, decorre da condição geral de atraso que caracteriza o mundo em que vivemos.
A Terra é, como sabemos, um planeta muito jovem e, devido a isso, não passou ainda do segundo nível da escala evolutiva aplicável aos planetas, pois nada mais é do que um singelo mundo de provas e expiações.
Abaixo dela, somente estão os chamados mundos primitivos, em que as almas iniciam sua romagem evolutiva em busca da perfeição.
Para entender o nível evolutivo dos Espíritos que vivem em nosso mundo, vejamos o que Santo Agostinho (Espírito) escreveu no ano de 1862:
“(...) nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação.
As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contacto com Espíritos mais adiantados.
Vêm depois as raças semi-civilizadas, constituídas desses mesmos os Espíritos em via de progresso.
São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos.
Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos, na Terra; já estiveram noutros mundos, donde foram excluídos em consequência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons.
Tiveram de ser degredados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram.
Daí vem que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes.
Por isso mesmo, para essas raças é que de mais amargor se revestem os infortúnios da vida.
É porque há nelas mais sensibilidade, sendo, portanto, mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III, item 14.)
Cerca de 85 anos depois da mensagem acima, a situação do planeta pouco mudou, como podemos conferir à vista da informação abaixo transcrita, constante do livro Voltei, de Irmão Jacob, obra psicografada em 1947 pelo médium Francisco Cândido Xavier:
“Vivendo encarnados no Planeta quase dois biliões de individualidades humanas, esclareceu o benfeitor que mais de um bilião é constituído por Espíritos semi-civilizados ou bárbaros e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passam de seiscentos milhões, divididas pelas várias famílias continentais.
Torna-se fácil, portanto, avaliar a extensão do serviço regenerativo além do túmulo, considerando-se que homem algum se transforma instantaneamente.” (Voltei, de Irmão Jacob.)
Em face das informações acima, é fácil compreender por que o nosso planeta continua a ser, e o será por longo tempo, um mundo de provas e expiações, constituindo a violência e a criminalidade tão somente reflexos dessa condição e do estágio evolutivo em que nós, os terráqueos, ainda nos encontramos.
*
Sobre os temas violência, crime e delinquência, sugerimos à leitora que leia os textos abaixo indicados, todos publicados nesta revista, que é possível acessar clicando nos respectivos links:
- editorial 73
- editorial 83
- editorial 188
- editorial 210
- artigo de José Lucas

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Livre-arbítrio

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 07, 2018 10:23 am

por Bruno Abreu

Livre-arbítrio ou livre-alvedrio são expressões que denotam a vontade livre de escolha, as decisões livres.
O livre-arbítrio é a capacidade de escolha pela vontade humana.
Todos nós vivemos com a sensação de que somos livres e fazemos as nossas escolhas ao longo do percurso terreno.
Parece-nos que desde que nascemos até ao desencarne foi uma sucessão de escolhas de nossa parte.
Na pergunta nº. 122 d' O Livro dos Espíritos, a Espiritualidade superior diz-nos que O livre-arbítrio é desenvolvido à medida que se adquire consciência de quem somos, caso contrário as nossas acções derivam de tendências e não livre-arbítrio, como podemos ler nas linhas seguintes.

122. Como podem os Espíritos, na sua origem, quando ainda não têm a consciência de si mesmos, ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal?
Há neles um princípio, uma tendência qualquer que os leve mais para um lado do que para o outro?

– O livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo.
A escolha com liberdade tem como origem a vontade própria do Espírito.
Estando fora dele a causa da sua decisão, esta deriva de influências às quais desejou obedecer.

Será que andamos um pouco iludidos acerca do Livre-arbítrio?
Ou será que o exercemos?
Se não o exercemos, por que e quem nos priva de nosso direito dado por Deus?

Reparem que a resposta nos diz que o Livre-arbítrio tem como origem a vontade do Espírito, mas que por vezes as influências terrenas, que nos movem, levam-nos à anulação da vontade do Espírito e a um caminho impulsivo por parte do ser terreno, perdendo assim o livre-arbítrio.
Interessante, não?
Esta resposta diz-nos claramente que quando somos movidos por desejos e emoções terrenas, não existe o Livre-arbítrio.

Quando nos deparamos com uma situação e reagimos instantaneamente, isso é uma reacção ou uma acção?
Parece-me a mim que em toda a reacção está afastada a hipótese de escolha, apenas reagimos.
Temos o caso da raiva, alguém faz ou diz algo que me sinto ofendido, dentro de mim cresce o impulso da raiva e respondo com agressividade.
Perante um caso destes é fácil vermos que fomos atrás de uma reacção sem qualquer ponderação, logo, não se deu a escolha.
Podemos mesmo dizer que nem surgiu nenhuma oportunidade de escolher, não colocamos sequer essa hipótese.
Se na raiva podemos ver isso claramente, em outras situações funciona de uma forma mais subtil.
Durante a nossa vida nós vamos registando tudo o que nos acontece, as respostas que damos às situações, e, inclusive, as consequências das nossas escolhas.
Em cada situação que ocorre, nós vamos a esse banco de dados a que chamamos de memória, percorremos as situações idênticas do passado e reagimos.
Este processo dá-se em milésimos de segundos, leva em consideração quem somos, e tudo o que aprendemos no passado.

Por que digo reagimos e não agimos?
Quando nos deparamos com algo, nossa mente diz-nos “faz assim”, e repete o passado, não me parece que haja uma escolha, apenas uma repetição do passado, daí nós termos imensas dificuldades em lidar com as coisas e principalmente alterá-las.
Esta forma de processamento está tão entranhada em nós que levamos a nossa vida de forma automatizada, diminuindo o nosso livre-arbítrio, embora pensemos que o temos por nos parecer que escolhemos.

Então, como se dá o Livre-arbítrio?
Ao deparar-me com a situação, tenho que ganhar tempo entre esta e a decisão mental.
Ajuda muito ao rever com o que me deparo passo a passo.
Não só o movimento externo mas também o movimento interno, ou seja, o que sucedeu em meu interior e para onde minha mente me leva.
Se necessário, posso utilizar novos personagens na história.
Antes de analisarmos temos que ter uma boa visão do sucedido, isto é o mais importante.
A minha visão sobre o Livre-arbítrio é esta, é como um direito a adquirir.
Não o temos quando funcionamos de forma automatizada mentalmente.
É necessário desabrocharmos a desconfiança sobre nosso próprio ser, e olharmos para ele e sua forma de processamento mental sempre com vontade de vermos o seu real funcionamento.´

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Motivar a gratidão

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jul 07, 2018 8:39 pm

por Eugênia Pickina

A inteligência da criança observa amando e não com indiferença – isso é o que faz ver o invisível.
Maria Montessori

Responsável pela coesão social, porque enseja a reciprocidade nas relações humanas, a gratidão estimula respostas das pessoas às acções altruístas.
À medida que a vida são alegrias e também deveres, repito aos pais e a qualquer um que se ocupe de cuidar de uma criança: é importante motivar já na infância a atitude da gratidão.
Por considerar a gratidão um aspecto expressivo na própria constituição da moralidade, a verdade é que, para os nossos filhos, independente das nossas acções (boas ou más), para realizar a auto-educação, eles se orientam pelo o que nós fazemos, dificilmente pelo o que nós dizemos.
Logo, aquela conhecidíssima questão: é possível ensinar a gratidão?
Com relação à gratidão no desenvolvimento infantil, podemos sim, e com boa vontade, incentivar nosso filho a agradecer pelo dia que começa, pelos momentos felizes que enriquecem e alegram a nossa existência:
um sábado de sol para brincar livre, a sombra de uma majestosa árvore no pátio da escola, jogar bola no parque durante a tarde no domingo, quarta-feira – e um pedaço de bolo caseiro na lancheira!
O exercício frequente da gratidão ajuda a criança assimilar que o mundo é um lugar bom para viver e, dessa forma, ela tem mais chance de integrar a gratidão ao seu comportamento quotidiano, crescendo menos sujeita ao hábito de julgar, maldizer, condenar…
Ninguém obriga ninguém a ser grato, mas se pontuamos diante de nossos filhos o que nos faz viver e conviver mais equilibrados, mais saudáveis, reconhecendo o valor das pessoas e do mundo que nos cerca, revelamos a eles, desde pequenos, a força positiva da gratidão.
Crianças que experimentam regularmente a gratidão, crescem mais satisfeitas, mais resilientes, mais felizes.
Por isso, para a saúde do seu filho, insista, por exemplo, no uso da expressão mágica “muito obrigado”, incentivando-o a dizer “muito obrigado, mãe, por fazer o meu jantar”; “muito obrigada, pai, por descascar minha laranja”, “muito obrigado, pai e mãe, por me levarem para passear no parque” etc.
São atitudes aparentemente simples, mas que gradativamente se incorporarão ao comportamento da criança, promovendo reciprocidade, gentileza, senso de cooperação.
Quando eu era criança, gostava muito de visitar os meus avós.
Eles moravam numa fazendinha – ali reses pastando tranquilas, pessegueiros e lentamente um pinheiro a querer furar o céu.
Encantava-me passar o dia a brincar livre, nadar no riozinho, recolher os ovos das galinhas, comer pão com geleia caseiros, ouvir minha avó desfiando histórias à beira do fogão, o chimarrão na mesa – enchendo-nos de susto, beleza e amor. E esse dia era sempre tão especial que simplesmente me fazia correr em direcção aos meus avós para abraçá-los agradecida, uma dificuldade o instante da despedida.
Essa convivência rica, permeada por doces visões, impregnava o meu ser e me ajudava experimentar uma semana na qual eu me sentia simplesmente mais alegre, mais corajosa, mais feliz.

Bem sei que no decorrer da vida é essencial gratidão e entusiasmo à manutenção do bem-estar, da vitalidade.
Por isso, a gente deve buscar viver nutrido diariamente por um sentimento de gratidão por tudo o que nos cerca, os sapatos, o pão, pessoas amáveis, hortênsias festivas, a face de Nosso Senhor.
Atenção, estamos no século XXI. No mundo da infância, o aprendizado da gratidão continua vital à formação do ser humano e do cidadão responsável, solidário e feliz...

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Chico Xavier e crimes ocultos

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 08, 2018 11:06 am

por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Durante toda a década de 90, vivi experiência gratificante em contacto com detentos da Cadeia Pública de Capivari.
Ciente dos benefícios que a Lei concede ao prisioneiro trabalhador — ganho por produção, desempenho da função em ambiente fora do cárcere e redução da pena de um dia para cada três trabalhados —, repassei aos reeducandos o serviço de encadernação de dezenas de livros editados pela EME.
Além da terceirização de parte da produção aos reclusos, promovemos, dentro da cadeia pública, palestras com alguns dos nossos autores, diálogos com os reclusos no “galpão do sol” ou nas suas próprias celas.
Muitos deles, após cumprimento da pena, contaram com carta de referência da Editora EME, que lhes garantiu retorno à vida profissional e familiar, evitando assim que, ao enfrentarem a sociedade, não caíssem outra vez nas malhas do crime.
Ao vê-los hoje integrados à vida social no pleno exercício da sua cidadania, sinto-me recompensado por haver tomado aquela decisão.
Como dizia o médium Chico Xavier, a única diferença entre nós e os condenados é que eles foram descobertos em seus crimes, e os nossos ainda estão ocultos, porque ainda não foram desvendados.
Numa entrevista a um jornal, o médium contou que, antes de ficar doente, estivera por duas vezes em visita à Penitenciária de São Paulo, onde os livros espíritas entravam em grande quantidade.
“A Directoria da Casa pediu àqueles que quisessem ouvir a prece e a palestra que se inscrevessem.
Surpresa:
542 se inscreveram”, contou o médium.
Um desses 542 detentos procurou o médium e lamentou que na Cadeia todos fossem identificados por números.
O preso número 3, o preso 414 etc.
“Isso dá muito desgosto”, falou o preso.
Ao que Chico respondeu:
— Meu filho, quem de nós hoje que não é tratado por número?
É número de RG, do CIC, do telefone, não sei de mais o quê...
Nós ainda estamos com mais números que você.
Só que agora estamos na cela ambulante, e vocês estão na fixa.
Os presos riram muito.
E o velho mineiro, com aquele coração amoroso, arrematou:
“Há muita gente boa presa.
Nós temos de compreender a situação deles...”
Em tom bem-humorado, completou em seguida:
“Foi um encontro tão agradável que tive vontade de passar férias na cadeia.
Não para ficar descansando, mas para conversar toda noite com os que pudessem conversar, mesmo na cela, porque lá há Espíritos brilhantes, maravilhosos”.
Um jornalista jovem que acompanhava o evento indagou do médium:
- Você que tem sensibilidade de conversar e ver os Espíritos, porventura, pode dizer se está vendo os Espíritos obsessores ao lado deles?
Chico com o carinho de sempre respondeu:
– Não, meu amigo.
Eles já conseguiram o que desejavam, o encarceramento de suas vítimas.
Entretanto, noto aqui, ao lado dos reeducandos, pais amorosos e amigos espirituais trazendo alento e luz confortadora, estimulando-os à renovação e à liberação do mal em seus corações.
E nestes tempos de informação rápida, notamos que grande parcela da população tem sua mentalidade envenenada pelo crime e outra parcela vivendo com medo.
E, por isso, 46% já pedem a pena de morte no Brasil, segundo pesquisas da CNI/Ibope, publicada na revista IstoÉ, edição 2.503.
Na internet, a campanha “Dez motivos para ser a favor, ou dez para ser contra a pena de morte” vem recebendo adesões dos dois lados.
E você, de que lado está?
Para mim, a condenação extrema não resolve e não é a solução.
Porque simplesmente transferimos, para o mundo espiritual, alguém que já era doente ou revoltado com um motivo a mais para se desequilibrar, o homicídio legalizado pelo Estado.
O problema é complexo, de difícil solução.
Mas um caminho sempre esteve aberto, o da sabedoria e do amor.
Escola, educação, distribuição de renda e profissionalização dos reeducandos, esse deve ser o futuro.
Como bem assinalou o médium Chico Xavier, nas prisões estão os que foram descobertos em seus crimes.
Do lado de fora estão, “ainda libertos”, muitos indivíduos (empresários, políticos, latifundiários e mesmo homens e mulheres comuns) que abdicaram da prática do bem, da honestidade, da ética e da fraternidade.

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é editor da Editora EME

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É difícil definir amigo

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 08, 2018 8:33 pm

Amigo é quem lhe dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que lhe faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez e não é egoísta para não querer compartilhar o que aprendeu.
É aquele que ajuda e não espera retorno, porque sabe que o acto de compartilhar um instante qualquer já o realimenta e satisfaz.
Amigo é quem entende seu sentimento porque já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.
Um amigo é compreensão para o seu cansaço e complemento para as suas reticências.
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir de vez em quando, sua sede de inovar sempre.
É, ao mesmo tempo, espelho que o reflecte e óleo derramado sobre suas águas agitadas.
O amigo se compadece pelos seus erros e vibra com o seu sucesso.
É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais o seu sorriso.
Amigo é aquele que toca suas feridas com mãos de veludo; acompanha suas vitórias com euforia e faz piada para amenizar seus problemas.
Amigo é aquele que sente medo, dor, náusea, cólica e chora com você.
E, se pudesse, sofreria no seu lugar.
Um amigo sabe que viver é ter história para contar.
É quem sorri para você sem motivo aparente, sofre com seu sofrimento e é o padrinho natural dos seus filhos.
É aquele que encontra para você aquilo que nem você sabia que buscava.
Amigo é quem lhe envia cartas, esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens electrónicas emocionadas.
É aquele que o ouve ao telefone mesmo quando a ligação parece caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se estivesse olhando em seus olhos.
Amigo é aquele que entende o que seus olhos dizem, sem precisar de palavras.
É aquele que adivinha seus desejos, seus disfarces, suas alegrias e percebe seus medos.
Amigo é quem aguarda pacientemente que surja aquele brilho no seu olhar e se entusiasma quando o vê surgir.
É quem tem sempre uma palavra sob medida quando seus olhos se cobrem de lágrimas.
E é também aquele que sabe quando você está lutando para sufocá-las na garganta.
Amigo é como lua nova, é como a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores, que cabem todas na sua íris.
Amigo é verdade e razão, sonho e sentimento...
Amigo é aquele que lhe diz:
Eu amo você, sem qualquer medo de má interpretação.
Enfim, amigo é quem ama você e ponto final.
* * *
As doações de amizade pura enriquecem os companheiros de jornada.
Quando outras emoções se enfraquecem no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada das pessoas que se estimam.
Ter amizade é ter coração que ama e esclarece, que compreende e perdoa, nas horas mais amargas da vida.
Por tudo isso, estendamos os benditos recursos da amizade real onde a discórdia tenta espalhar o escuro domínio que lhe é próprio.

Blog Espiritismo Na Rede, baseado no texto de Marcelo Batalha, e no verbete Amizade, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

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Considerações sobre trabalhos e trabalhadores da casa espírita

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 09, 2018 10:53 am

por Édo Mariani

Segundo aprendemos com Kardec, o Espiritismo, além de representar o Consolador, é também doutrina libertadora; mas, para que possa nos beneficiar proporcionando a solução para os nossos problemas físicos, espirituais, mentais, sociais e tantos outros, é necessário COMPREENDÊ-LO.
É evidente que, para compreendê-lo, é necessário estudá-lo.
Em O Livro dos Médiuns, item 334, aprendemos:
“O Espiritismo, ainda nos dias actuais, é apreciado de maneiras diversas e muito pouco compreendido na sua essência por grande número de adeptos, para oferecer condições suficientes de união geral entre os seus membros (...).
Colocando os factos acima dos princípios, uma simples divergência, na maneira de considerá-los, provocaria a divisão. (...)
A benevolência recíproca, reinando entre eles, afasta todo constrangimento e retraimento originados da susceptibilidade, do orgulho que se irrita com a menor contradição, do egoísmo que só se interessa por si.
Uma sociedade em que esses sentimentos dominassem, onde os membros se reunissem com o fim de se instruírem e não com a esperança de ver apenas novidades ou para fazer prevalecer a sua opinião, seria não somente, viável, mas também indissolúvel”.
J. Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec” na feliz adjectivação, de Francisco Cândido Xavier, corrobora com o Mestre Lionês, afirmando em seu livro “Curso Dinâmico de Espiritismo, O Grande Desconhecido”:
“O Espiritismo nascido ontem, nos meados do século passado, é hoje o Grande Desconhecido dos que o aprovam e o louvam e dos que o atacam e criticam”.
Por essas transcrições da lavra de dois baluartes do conhecimento do Espiritismo, vimos que, para ser trabalhador espírita, em qualquer de suas áreas de actuação, é necessário estudar para conhecê-lo para poder vivenciá-lo no quotidiano e especialmente na sua actuação em trabalhos na Casa Espírita.
Assim sendo, além de conhecer e entender o Espiritismo, segundo deduzimos, é indispensável que o ambiente das Casas Espíritas seja de afectividade, alteridade, respeito de uns para com os demais, formando um bloco construído sobre a rocha, na feliz expressão de Jesus.
É necessário criar-se cursos de estudos doutrinários, para que a doutrina seja melhor conhecida entre todos os colaboradores da Casa, nas mais variadas áreas de trabalho.
Os colaboradores devem ser preparados para produzirem o melhor de si, colocando em prática, nas suas actividades, os conhecimentos amealhados nos estudos previamente elaborados, sem animosidade de uns para com os outros.
Só assim estaremos preparados para atender os que procuram a Casa Espírita, aflitos e desesperados de toda ordem.
O programa de trabalho organizado para alcançar esse objectivo deve visar exclusivamente ao atendimento de tais necessidades, pois, se num mesmo programa colocar-se diversos objectivos a serem alcançados a um só tempo, estar-se-á oportunizando o desinteresse dos assistidos, dos trabalhadores e por conseguinte falta e resultado.
Assim, sem ideias preconcebidas, e assumindo a responsabilidade de trabalhadores amigos da Casa Espírita, usando o diálogo amistoso para solução de divergências entre todos, estaremos vivenciando as recomendações de Kardec, transcritas acima.
O cliente que busca a Casa Espírita para ser esclarecido, já no primeiro atendimento, deve ser informado sobre o programa de trabalho que se lhe está sendo ofertado para o seu benefício.
Necessário também informar que este trabalho desenvolvido pelos trabalhadores encarnados e pelos Espíritos responsáveis pelo tratamento oferecido, buscando solução para as suas carências, será realizado com amor, dedicação e carinho; para o sucesso desse objectivo, há também uma parte que lhe cabe ser cumprida:
a de estudar para compreender os ensinamentos espíritas e deles fazer o uso adequado em sua vida, dispondo-se às mudanças necessárias em seus pensamentos, atitudes, intenções, desejos e tudo o mais que sentir que lhe está sendo prejudicial, com perseverança, confiança e sem pressa, pois é devagar e com paciência que se alcançará as melhorias desejadas.
É difícil ser espírita, afirmam os iniciantes. Concordamos que as dificuldades estão no despreparo para seguir os caminhos traçados por Jesus, quando recomenda abandonar a estrada larga e aceitar a estrada estreita, porque larga é a porta da “perdição” e estreita a da “salvação”.
Na questão 909 de O Livro dos Espíritos, Kardec questiona os colaboradores da obra da codificação:
“Poderia o homem, pelos seus esforços, vencer suas más inclinações?”
Responderam:
“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes.
O que lhe falta é a vontade.
Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”.
Entende-se, dessa forma, que não é tão difícil ser espírita.
O que se precisa é de boa vontade e fazer pequenos esforços, visando ao aproveitamento da oportunidade que nos foi concedida por Deus, nesta existência.
Aproveitemos, portanto, a presente existência, caros amigos e irmãos.
Façamos a parte que nos cabe, valorizando o aprendizado oferecido pela abençoada doutrina espírita.

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Uma árvore chamada família

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 09, 2018 8:45 pm

por Claudia Gelernter

Já virou motivo de piada a pesquisa que muitos psicólogos realizam sobre a história familiar do analisando.
A famosa frase “fale-me mais sobre sua infância” está presente até mesmo em programas de humor, porém, ela encerra muito mais que uma simples curiosidade:
trata-se da certeza que o profissional tem de que a fase infantil guarda os alicerces psíquicos de muitos dos sinais e sintomas emocionais e comportamentais das fases posteriores.
Compreender as bases psíquicas do paciente (nesta encarnação), a forma como ele absorveu as heranças emocionais dos antepassados, os movimentos existenciais de seus familiares pode nos ajudar na escolha dos caminhos terapêuticos.
Quando nos damos conta sobre os scripts que se repetem na vida da pessoa, podemos ter uma ideia de seus pactos na fase infantil, o lugar que precisou escolher na configuração familiar e os papéis que “preferiu” (inconscientemente) desempenhar ao longo dos anos.
Portanto, quando estudamos as relações familiares, estamos buscando nos debruçar sobre questões fundamentais do existir humano, já que é nela - na família - que encontraremos muitas das ferramentas tanto para uma vida pacificada e produtiva, como para um existir cheio de angústias, sabotagens e fracassos.
Nesta trilha de raciocínio, chamaremos de “pais nutritivos” aqueles que conseguem grafar nos corações de seus filhos lições e mensagens que os tornam fortes quando diante dos revezes, mansos diante das ofensas, corajosos diante dos desafios, sábios diante das possibilidades, previdentes diante dos enganos, ativos diante das injustiças e amorosos diante dos sofrimentos.
São os que auxiliam os filhos a encontrarem dentro de seus corações o que de mais sagrado carregam - o aspecto divino que está em todas as almas -, seja ele nas questões materiais (no reconhecimento de seus talentos, que podem e devem ser usados pelo bem próprio e do mundo); sociais (na compreensão das questões inter-pessoais, sobre a maneira de se relacionarem com os outros etc.); psíquicos (sobre a percepção do próprio mundo emocional, a forma como enxergam a si e as demandas da vida) e espirituais (ajudando-os a perceber a existência de algo além do mundo material, para que consigam uma conexão com o sagrado).
Um filho com pais nutritivos possui maiores chances de se tornar uma pessoa inteira, empoderada, forte, com boa auto-estima e empatia nas diversas questões da vida e do mundo.
Se adicionarmos, a este saber, o paradigma da reencarnação, compreenderemos que, para alguns, a presença destes pais nem sempre será o suficiente para o seu desenvolvimento pleno, já que muitas travas podem ter sido construídas em vidas anteriores, porém é facto que as sementes de amor lançadas jamais serão desperdiçadas, podendo e devendo eclodir, posteriormente.
Nossa dificuldade maior tem sido encontrar famílias com este perfil…
Muitos ainda mantêm a ideia de que a questão mais importante para os filhos é de ordem material, deixando outros aspectos para segundo, terceiro ou mesmo último plano, quando não renegam totalmente algum aspecto da existência, deixando de focar em qualquer questão relacionada ao tema.
São os que dedicam quase que a totalidade do tempo para os ganhos materiais, gastando boa parte do que recebem com escolas, roupas de marca, babás, cursos etc., dividem o tempo dos filhos na agenda com foco na aprendizagem dos conteúdos formais, com algumas brechas para o brincar, mas sem se darem conta da importância das questões de espiritualidade, dos diálogos produtivos, da auto-percepção emocional etc.
Pior, ainda, quando usam de agressividade e desleixo durante o processo educacional dos filhos, privando-os de afecto, acolhimento, amor…
Daí a pergunta que sempre surge:
Mas, o que posso fazer com o que fizeram comigo?
Dizem que um filósofo francês (Sartre) teria dito que isso não importa, mas sim o que nós faremos com o que fizeram connosco.
Já eu digo que importa fazermos algo com o que nos foi feito, mas sempre dentro do campo psíquico.
Ou seja, teremos de ressignificar aquilo que nos caiu mal, o que nos deixou abalados, que nos fez perceber o mundo e a nós mesmos de maneira distorcida.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 09, 2018 8:45 pm

Devemos fazer um escaneamento na alma, ir em busca das feridas que ali existem e que nos engessam a evolução.
Você pode estar se perguntando:
“Como saber quais são minhas feridas?”
É simples. Toda lembrança que te causa dor, que produz algum sentimento difícil, como tristeza, raiva, mágoa etc. é sintoma de ferida não curada.
Sinal de que a alma ainda não elaborou algumas experiências do passado.
Sempre que alguma memória evocar algum destes sentimentos, merecerá uma atenção especial, portanto.
E o caminho de cura para tais feridas passa pela esquina da compreensão, rumo ao perdão.
Precisamos compreender que nossos pais são culpados que não têm culpa.
Também eles herdaram conteúdos emocionais que trazem referências transgeracionais…
Nossos avós herdaram de seus pais, nossos bisavós, e assim por diante.
E o que temos visto com frequência é que os pais já são modelos melhorados, quando comparados com as gerações anteriores.
Para facilitar ainda mais este processo de auto-cura, imagine-os ainda crianças, com seus medos, desamparos, dores… e terá melhores condições para perdoá-los.
Outro ponto que não posso deixar de dizer é que, por mais existam dificuldades nas pessoas que compõem uma família, praticamente em 100% delas encontramos vários pontos positivos, que devem ser acessados por nossas mentes e corações.
Nem só de problemas vive uma alma, embora exista uma tendência real de ancoragem no negativo da experiência.
Só o dom da vida já é uma enorme bênção, que deve ser valorizada dentro de seu peso e medida reais.
Se estamos aqui neste planeta, logicamente é porque nossos ancestrais conseguiram vencer inúmeros desafios.
Vários factores me trouxeram até aqui, no dia de hoje, para que eu conseguisse escrever este texto que você está lendo.
Um dos primeiros diz respeito à força dos meus antepassados.
Não deram cabo da própria vida - ao menos os que possuem ligação directa com minha existência, na árvore da família.
Aliás, deram conta de situações muito mais escabrosas que as que eu enfrento!
Minha mãe, que já tinha quatro outros filhos, não desistiu de me receber, tampouco meu pai. Enfim, força familiar não me falta.
Temos muito que reconhecer, já que andamos, comemos, corremos, aprendemos, nos encantamos… tudo isso graças ao empenho dos que vieram antes.
Usando de uma analogia que me parece bastante eficaz, comparo a família com uma grande árvore. Ora estamos na posição dos frutos (quando somos os filhos, ainda dependentes dos pais), dos galhos (quando somos pais e já montamos um lar), do tronco (quando nos tornamos avós, mas nossos antepassados já partiram) ou das raízes (quando já não estamos mais vivos, tampouco aqueles que nos antecederam).
Por este motivo, não raro, peço aos que me procuram que primeiramente investiguem em seus porões da alma se ainda existem ali feridas não curadas com relação aos familiares.
Se algo for encontrado, deverá ser sanado. Porque só quando encontramos um lugar bom para tudo o que vivemos, para a grande árvore da nossa família, dentro dos nossos corações, podemos seguir adiante, mais fortes e confiantes.
Se o fruto crê na força da árvore de onde foi gerado, certamente carregará em si a certeza de possuir forças diante da vida.
Dentro de cada revés, existe um bem.
Dentro de cada dificuldade, uma lição. Precisamos encontrá-los.
Precisamos reconhecer de onde vem a força que habita em nossas almas, no que se refere à vida na Terra.
Sim, levo em conta uma força maior, espiritual, macro, que nos abastece as almas, provinda das emanações do Criador e de seus trabalhadores celestiais, porém me refiro aqui a este grupo selecto de Espíritos que se reuniu na Terra, formando aquilo a que chamamos família.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jul 09, 2018 8:45 pm

Quando na posição "frutos", compreendemos que muito da seiva da vida física e emocional nos chega através dos galhos, que se abastecem nos troncos, que sugam das raízes suas forças.
É ali, nas nossas raízes mais profundas, que encontraremos histórias fantásticas de superação.
Assim sendo, vale dizer que é verdade que uma árvore, para cumprir com seu papel na vida, precisará produzir bons frutos, mesmo que alguns não sejam os melhores possíveis, porém ela não se abastecerá nos frutos, mas em suas raízes.
O que isso quer dizer?
Pais que colocam no ombro dos filhos a responsabilidade de fazê-los alegres, completos e pacificados cometem erro.
Aos pais cabe dar a vida, a manutenção dela, orientações e amor.
Filhos precisam fazer o melhor com o que recebem, mas para a formação de suas próprias árvores familiares, não para sustentar o campo emocional dos pais.
Quando imputamos aos filhos o dever de nos completarem as almas, de cumprirem com nossas expectativas, jogamos neles um peso que dificilmente darão conta de carregar.
Frutos são produzidos para o mundo, não para fortalecer a árvore.
Daí a importância de tomarmos o lugar que nos compete na família.
Também filhos não são orientadores dos pais.
Tampouco podem definir regras da casa deles, ou de suas vidas.
Quando cada qual ocupa o lugar que lhe corresponde na árvore da família, a vida flui, forte e bela.
Aos que vêm antes, respeitamos e amamos.
Somos gratos. Na força deles, nos abastecemos.
Aos que nascem, depois, damos a vida, cuidamos e orientamos.
Quando as árvores dos filhos se formam, celebramos.
E nenhum fruto, galho, tronco ou raiz deverá ser retirado de seu lugar.
Todos têm o direito de pertencimento!
***
Da árvore onde nasci, trago força. Encontrei-me com o fruto de outra árvore forte.
Formamos uma nova, que já frutificou.
De suas raízes, escutamos nossos antepassados, entoando o sagrado canto da vida.
E Deus connosco está.

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CONSOLO APÓS A MORTE, FACTO QUE O SER HUMANO TEM MUITA DIFICULDADE EM ACEITAR.

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 10, 2018 10:46 am

O sofrimento dessas pessoas pela “perda” de alguém que muito amam parece não ter fim.
Por esse motivo, decidi escrever alguns dos principais pontos a respeito da vida após a morte.
Essas informações podem ajudar algumas pessoas a enfrentarem com fé e resignação a passagem de pessoas muito queridas.
O primeiro ponto que todos devem entender para se consolarem com a partida de uma pessoa que amamos é a verdade de que a morte, absolutamente, não existe.
É preciso que todos saibam que a morte é apenas uma passagem, uma transição de um estado a outro de existência.
A morte nada mais é do que a perda do corpo físico.
Descartamos o invólucro carnal e passamos a existir apenas numa dimensão mais subtil de realidade.
Aquilo que somos lá no fundo e que não depende do corpo físico para existir se conserva e vai ao plano espiritual.
A morte é apenas uma mudança de vibração.
Costumo comparar a morte a uma espécie de viagem que nossos entes queridos e amigos fizeram.
Uma viagem para um lugar distante que nós ainda não podemos ir.
Um dia, é certo que vamos encontrar as pessoas falecidas que muito amamos e ninguém deve duvidar disso.
Por mais que as impressões materiais possam nos fazer crer que a vida se encerra com a morte, é certo que a vida continua sempre, em muitos níveis, fases, planos e estados da existência universal.
O segundo ponto fala da ausência de sentido caso a morte fosse o fim de tudo.
Isso significa que se a alma humana se encerrasse definitivamente com a morte, a vida não teria nenhum sentido.
Imagine que vivemos apenas um segundo da eternidade e morremos, para nunca mais voltar, nunca mais existir.
Qual seria o sentido da vida se assim fosse?
Seria melhor que abraçássemos logo esse fim absoluto, que seria nosso destino inexorável, do que permanecer na Terra apenas para gozar nossa condição material.
Portanto, se acreditamos que a vida tem um sentido, jamais podemos aceitar a ideia do fim absoluto do ser.
Por outro lado, se a morte representasse a extinção completa de nosso ser, de nossa vida, do nosso eu, essa morte seria o único fim absoluto de alguma coisa em toda a natureza e universo.
Isso porque nada que é natural morre de facto, mas ocorre apenas uma mudança de forma.
A flor que morre renasce como adubo da terra; a semente que morre no solo nasce como planta; a lagarta morre como lagarta e nasce a borboleta.
Como diz Lavoisier, “Nada se perde, tudo se transforma”.
Tudo aquilo que morre, renasce em outra forma.
Essa é uma lei natural que também vale para a alma humana.
O espírito também morre como forma para depois aderir a outra forma.
Como dissemos em um de nossos escritos, morremos no plano físico, para renascer no plano espiritual, da mesma forma que o sol “morre” no horizonte num ponto da Terra e “nasce” no outro lado do mundo.
Portanto, não há morte… há sempre continuidade da vida.
O terceiro ponto nos informa que a morte existe no nascimento e o nascimento existe na morte e que ambos são parte de um mesmo ciclo da alma.
Da mesma forma que a morte de uma pessoa é motivo de lágrimas e saudade para aqueles que permanecem no plano físico, aqueles que permanecem no plano espiritual também sofrem e sentem saudades de nós quando nascemos no plano físico.
O contrário também ocorre: quando uma alma nasce na Terra, ela é recebida com alegria e festa.
Da mesma forma, quando a alma morre no plano físico, ela é recebida com alegria e festa no plano espiritual.
Portanto, assim como não há motivo para tristeza quando uma alma nasce, também não há motivo para tristeza quando ela morre, pois muitos espíritos que a amam ficam muito felizes com sua chegada ao plano espiritual.
Aqui reside outro aspecto importante da morte…
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 10, 2018 10:47 am

Sempre acontece da alma que acabou de desencarnar ser recebida no plano espiritual pelos seus entes queridos espirituais, que o recebem com todo o amor e carinho.
As pesquisas com “experiências de quase morte” confirmam de forma clara esse ponto.
Esses espíritos foram pessoas que a alma amou, ama e conviveu ao longo de sua existência terrena e ao longo de muitas vidas passadas.
Por esse motivo, não há qualquer razão para sofrimento, posto que, quando desencarnamos, as pessoas que desencarnaram antes de nós estarão lá para nos receber e regozijar-se com nossa chegada à pátria espiritual.
Pessoas que acreditamos termos “perdido” aparecerão nesse sublime momento de nossa chegada ao plano espiritual e nos receberão com todo o amor e carinho.
O quarto ponto fala sobre a possibilidade da alma ficar presa a Terra e nos fazer muito mal.
Já falamos sobre isso em outro texto, portanto, não nos alongaremos nesse assunto.
O que as pessoas precisam saber é que não devem ficar prendendo mentalmente um espírito junto delas, pois nesse caso, ela pode se tornar o que no espiritualismo se chama de um “espírito preso a Terra” e gerar muito mal aos encarnados e a si próprio.
É muito comum que uma alma recém desencarnada fique presa a nós por conta de nosso apego.
Quando isso ocorre, ela pode sugar nossas energias, assim como nos transmitir toda a sua tristeza, confusão e até fazer com que fiquemos doentes e deprimidos.
É necessário permitir que a alma ascenda ao plano espiritual e não fique aprisionada na matéria.
Portanto, uma forma eficaz de diminuir nossa dor é permitir a partida do espírito que pode ter ficado preso a Terra.
Em outro texto de nossa autoria ensinamos uma técnica que permite ao encarnado encaminhar o recém desencarnado ao plano espiritual.
O nome da técnica é “Encaminhando Espíritos”.
Ela pode ser encontrada no blog de Hugo Lapa.
Pessoas que realizaram essa técnica relataram sentirem-se aliviadas e mais tranquilas após sua realização.
Isso se deve ao facto que o desencarnado já não está mais conosco, nos transmitindo sua tristeza e pesar.
O quinto ponto, e muito importante, é que a morte nos ajuda a dissolver os apegos que temos diante de algumas pessoas.
Se uma pessoa não consegue viver a sua vida após a morte de outra pessoa, significa que ela se apoiava emocionalmente no outro, o outro era seu sustento psicológico, seu alimento emocional, e ninguém pode ficar dependente assim de outra pessoa.
Por exemplo, quando um filho morre e uma mãe não consegue dar continuidade a sua vida, significa que essa mãe era totalmente dependente do seu filho no sentido emocional.
Ela estava presa a esse apego e essa dependência emocional do filho.
Mas o desenvolvimento espiritual pressupõe o fim de todos os apegos, o fim de qualquer dependência emocional.
Pressupõe que sejamos capazes de viver sem nos apoiar no outro, sem descontar no outro nossas carências, sem usar o outro como nosso alimento emocional.
Por isso, Deus leva momentaneamente as pessoas que amamos a fim de nos libertar desse apego ao outro.
Não vamos confundir amor com apego.
O amor mais puro, real, não é apegado, não nos faz estar viciados no outro, necessitando de sua presença conosco.
O amor incondicional é aquele que existe mesmo quando a pessoa amada está longe e, mesmo sentindo saudade, aceitamos de bom grado essa condição, pois não estamos presos ao outro.
Portanto, conseguem lidar melhor com a morte aqueles que não cultivam nenhum apego.
Ao contrário, aqueles que estão muito apegados, praticamente não conseguem mais seguirem suas vidas sem o outro.
É preciso amar sem posses, sem se anular pelo outro, sem fazer do outro nossa vida.
Dessa forma, a passagem se torna muito menos dolorosa e não nos prejudica.
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Ave sem Ninho

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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jul 10, 2018 10:47 am

O sexto ponto nos mostra que nenhuma vida pode ser interrompida antes da hora, como as ilusões do mundo podem nos fazer supor.
Vejo muitas mães dizendo que “perderam” seu filho “antes da hora” e que ele ainda tinha muito para viver nessa vida não fosse a causa de sua morte, como um homicídio, um acidente de carro, uma doença que o acometeu, dentre outras causas de sua morte.
Queremos declarar aqui a verdade de que ninguém morre antes da hora. Em primeiro lugar, é certo que não há interrupção da vida, posto que a vida sempre continua e jamais se extingue.
Em segundo lugar, essa “interrupção” não foi algo que ocorreu ao acaso, por acidente ou pela força das circunstâncias, mas precisava acontecer.
Isso porque quando uma alma desencarna, sua missão na Terra já se completou.
Mesmo quando uma pessoa é assassinada, ela só desencarnou porque sua hora chegou, caso contrário, o assassino não conseguiria seu intento e algo daria errado.
Uma alma só deixa a Terra quando não precisa mais ficar aqui, pois já passou por todas as provas e expiações que necessitava e já cumpriu sua missão.
Portanto, mesmo um jovem de 15 anos que foi assassinado, não teve sua vida interrompida pelo assassino.
Ele foi embora porque Deus permitiu que ele se libertasse da matéria após o término de sua missão e das provas que precisava suportar para evoluir espiritualmente.
Seu tempo terrestre se esgotou e nada mais havia para ele fazer na Terra.
Esse é um ponto bem difícil das pessoas compreenderem, mas é verdadeiro e também consolador.
Aqueles que tomam consciência de que as pessoas apenas desencarnam quando terminaram suas tarefas terrenas para a vida presente, são mais resignadas e não cultivam dúvida ou raiva de certos acontecimentos que consideramos como a causa da morte.
Por outro lado, mesmo pessoas mais jovens, até crianças nos primeiros anos, têm uma missão a cumprir e são úteis ao desenvolvimento espiritual de uma família e em alguns casos até mesmo da colectividade.
É o caso de crianças em tenra idade que são violentadas e assassinadas.
As almas que passam por essas tragédias, que tocam a sociedade, podem ser espíritos missionários que vêm nos ensinar a importância do amor, do perdão e vem sensibilizar a todos de que é urgente uma transformação em nível global.
O sétimo ponto e um dos mais importantes é o fato de que a morte nos mostra o quanto esse mundo é transitório, efémero e ilusório.
O ser humano sempre procurou negar a morte, pelo simples facto de que ele é muito apegado ao mundo e seus prazeres.
Acreditamos que nós vamos viver eternamente nesse mundo, que o outro vai ficar connosco até a velhice e acabamos esquecendo da imprevisibilidade da morte.
Temos a ilusão de que a morte ocorre com os outros, mas nunca connosco.
Queremos acreditar que vamos viver 100 anos e que nossa família nunca vai morrer.
Essa crença inconsciente vem do irremediável apego que temos diante do mundo das formas, da matéria e dos prazeres.
A morte é um instrumento que Deus se serve para ir dissolvendo aos poucos dentro de nós esse apego a matéria e as ilusões do mundo.
Por outro lado, a morte nos dá uma noção de que não há tempo a perder, de que tudo que devemos realizar, precisamos fazer imediatamente, sem desvios e sem atraso.
Portanto, a morte serve para nos mostrar que essa vida aqui é somente uma passagem e que estamos apenas temporariamente revestidos de matéria.
De outro modo, uma pessoa que amamos pode ir embora a qualquer momento e isso é que nos move a dar-lhe o devido valor, a perdoar, a aproveitar sua estada connosco e trata-la com amor e carinho.
Ninguém deve permitir que a raiva, as disputas de ego, a soberba, as contrariedades, as rixas pequenas e os problemas passageiros sejam causas de brigas, pois o outro pode ir embora mais rápido do que esperamos e a culpa de te-lo maltratado e não lhe dar valor pode nos torturar por anos.
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