ARTIGOS DIVERSOS III

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Magnetismo pessoal

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 24, 2018 11:11 am

Cada criatura humana é um magneto que caminha pela Terra.
A Terra em si mesma é um grande corpo magnético.
Mas, cada criatura humana é um corpo magnético sobre outro corpo magnético.
Cada qual de nós carrega a sua capacidade magnética, e essa capacidade magnética é assim chamada pelo poder de atrair que cada um de nós detém.
Essa experiência o ser humano alcançou, graças a essas experiências remotas que vimos trazendo ao longo da evolução dos seres, dos mundos, dos planetas, desde quando o átomo é dotado de uma capacidade de atrair as partículas ao seu redor, desde que o núcleo atómico se tornou responsável por atrair a sua volta a nuvem de eléctrons, até a criatura que atrai a sua volta um conjunto de pessoas.
Ao longo da História da Humanidade, em toda e qualquer sociedade, desde que os grupos humanos deixaram de ser grupos anómicos, sem coordenação, sem regulação, para se tornar grupos sociais, nunca mais encontramos um desses grupos que não tivesse uma liderança.
As criaturas humanas, de uma maneira ou de outra, exigem alguém que as conduza, um líder, e nunca houve falta desses líderes em toda e qualquer sociedade da Terra.
Houve um período em que as comunidades planetárias, as comunidades humanas entendiam que a virtude do conhecimento, a virtude da moralidade, a virtude da sabedoria estaria com os idosos, os anciães.
E surgiu na Terra a chamada aristocracia dos patriarcas, dos anciães.
Acreditava a criatura humana que, quanto mais velha fosse a pessoa, maior a soma de suas experiências, maior a gama de suas experiências, melhor o poder de dirigir outras criaturas.
De certo modo é verdade.
Quanto mais vivida seja a pessoa, mais experiências ela carrega e, com essas experiências, terá mais chance de abordar os outros, de orientar os outros, uma vez que se orienta a si mesma.
No entanto, na medida em que o tempo foi passando, essas aristocracias e, particularmente, essa aristocracia dos patriarcas ou do patriarcado, foi cedendo lugar a outras porque se os anciães tinham experiência, maturidade, não tinham força física.
E as comunidades precisavam de alguém que tivesse força física para as defender.
Surgiu a aristocracia da força bruta.
E, nessa aristocracia da força bruta, os líderes que, a princípio, defendiam as comunidades que os houveram convidado, atraído e solicitado sua ajuda e seu socorro, passaram a dominar essas comunidades, a se atribuir poderes que não lhes haviam sido dados e depois a transferi-los para seus herdeiros, filhos, irmãos, sobrinhos, etc.
Naturalmente, a aristocracia da força bruta, que foi mais uma liderança pela Terra, foi cedendo lugar à aristocracia do nascimento, o nome que a pessoa detinha; a aristocracia do poder económico, o dinheiro que a pessoa detinha; à aristocracia do intelecto:
quanto mais o indivíduo soubesse, maiores poderes teria, até chegarmos à necessidade de uma aristocracia que, de facto, conduzisse bem os homens pela Terra.
Já que precisamos instintivamente, pela nossa natureza social, de uma liderança, por que não uma liderança que pudesse nos orientar intelectualmente?
Uma liderança que, ao mesmo tempo, nos pudesse conduzir em níveis morais?
Sentimos, por isso, a importância de que, ao longo dos tempos da Terra, possamos encontrar, possamos desenvolver, possamos ter uma aristocracia de poder intelectual e de poder moral.
Uma aristocracia intelecto-moral.
Essa certamente nos dará possibilidades de desenvolver os campos mais diversos de nossa vida.
Essa liderança, essa aristocracia nos permitirá desenvolver nosso potencial intelectual, nosso saber, nosso conhecimento, mas também nos ensinará a dar boa vazão a esse saber, a esse conhecimento; nos ensinará a trabalhar tais conhecimentos que tenhamos para o bem.
E a nossa aristocracia intelecto-moral, a nossa liderança intelecto-moral nos endereçará para a felicidade.
Essa felicidade naturalmente terá muito a ver com o esforço que tenhamos feito por conquistá-la.
Como falamos, cada qual de nós é um magneto que se desenvolve, que se move na Terra, sobre o planeta, que também é um gigantesco corpo magnético.
É por isso que os analistas e psicanalistas de várias idades do mundo, desde o século XIX, vêm nos trazendo com Freud, com Adler, com Gustav Jung, essas noções de que cada qual de nós carrega em si o chamado “it”, ou se quisermos, um magnetismo pessoal.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 24, 2018 11:11 am

Não é à toa que vemos pessoas capazes de atrair para o seu redor um contingente imenso de outros indivíduos, que se sente bem junto delas, que acata as suas determinações.
Encontramos diversos indivíduos espalhados mundo afora, que afugentam as pessoas do seu redor, que ninguém suporta estar ao seu lado, mesmo a sua família, mesmo as pessoas que lhes deveriam ser mais próximas.
E a que se deve isso?
A princípio, podemos cogitar desse nosso magnetismo pessoal.
Liberamos determinadas energias, se quisermos dizer assim, liberamos de nós determinados fluidos, que fazem com que as criaturas sintonizadas com os mesmos ideais nossos tenham vontade de se aproximar.
Elas não sabem porque, mas sabem que alguma coisa em nós as atrai.
Por outro lado, liberamos de nós determinadas substâncias psíquicas que impõem aos outros um afastamento de nós.
Criaturas que até gostariam de estar ao nosso lado, não sabem explicar bem porquê mas, alguma coisa lhes impõe fugir de nós: nosso magnetismo pessoal.
Quanto mais sejamos criaturas egoístas, personalistas, individualistas, a tendência é que se aproximem de nós as pessoas de mesmo matiz psicológico, de mesmo teor idealístico, e passamos a compor os grupos, os bandos, passamos a compor as falanges.
De acordo com a inclinação dos nossos sentimentos, atraímos indivíduos com inclinações similares.
O mundo fala, por exemplo, que Hitler matou a seis milhões de judeus, que Hitler fomentou isso, fomentou aquilo.
Não discutimos a tragédia que o carácter de Adolf Hitler impôs ao mundo ocidental.
No entanto, ele não fez isso sozinho.
Ele fez isso com dezenas e centenas de oficiais, de homens comuns, mulheres comuns da sociedade que, com ele, com suas ideias compactuavam.
Vejamos o magnetismo de Hitler, capaz de reunir, depois daquele célebre encontro na cervejaria de Munique, aquele contingente enorme de criaturas que o aplaudiu, até deparar-se com a tragédia que ele fomentou no solo europeu e no mundo.
Mas, ao mesmo tempo, notamos indivíduos como Gandhi, com sua fala mansa e firme, com seu carácter de não querer fazer uma guerra contra a violência, porque ele afirmava que qualquer movimento contra a violência teria que ser violento também.
Ele promoveu um movimento pela não violência de qualquer teor.
Reuniu ao seu redor toda a Índia.
Os seus jejuns se tornaram famosos, porque com esses jejuns ele promovia a religação dos seus irmãos, da Índia, do Paquistão, que surgiu depois.
Gandhi foi esse líder excepcional, com sua energia, e até hoje, depois da sua morte em 1946, Gandhi é para nós esse ícone da liberdade, atraindo em torno do seu nome legiões de criaturas de boa vontade, de homens e mulheres que prezam a liberdade.
Mas, de todos os seres que passaram pela Terra, o magnetismo pessoal mais atraente foi o de Jesus de Nazaré.
Nada obstante, nós não conseguimos entendê-Lo.
Ele era tão especial que não conseguimos compreendê-Lo.
Mas Ele, pacientíssimo, nos disse:
Quando Eu for erguido no madeiro atrairei todos os homens a Mim.
E foi somente depois da Sua crucificação que passamos a nos interessar por Ele.
No entanto, quando na Terra, onde estava?
Estava cercado pelas multidões de famintos, famintos de comida, famintos de amor, famintos de paz, famintos de esperança, famintos de Deus.
Esse Deus que Jesus Cristo exprimiu tão bem com a Sua vivência, e espalhou tão bem entre nós, com o Seu luminoso e formidável magnetismo pessoal.

Raul Teixeira

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"Joana D'Arc a Reencarnação de Judas Iscariotes"

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 24, 2018 8:31 pm

Todos nós sabemos sobre as historias das vidas de Judas Iscariotes e de Joana D’arc, por isso que não vou estender sobre a historias de ambos que tem o mesmo espírito.
Depois do ato de suicido de Judas Iscariotes, e tendo passado pouco tempo no vale dos suicidas, ele estando com o espírito profundamente perturbado e enlouquecido, recebeu a visita de Jesus, que permaneceu três dias ao seu lado até que ele adormecesse; só depois desse gesto de amor e de perdão é que Jesus apareceu materializado a Maria Madalena, segundo o Evangelho de João (20: 11 a 18).
Judas obteve a oportunidade de reencarnar diversas vezes na Terra e a sua última reencarnação foi como Joana D'arc, a sua última prova, para resgatar seus débitos para com a sua própria consciência, e se tornar um espírito livre.
Como Joana D'Arc, aos 13 anos de idade começou a ter visões de São Miguel que falava-lhe sobre umas novas aparições, que seria as de Santa Catarina e Santa Margarida que viriam em nome de Deus para cumprirem uma missão, e dar as ordens a Joana D'arc para liderar a França na Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, como já sabemos.
Depois da vitória da França, Joana foi injustamente condenada por bruxaria, heresia e por blasfémia, por receber tais mensagens, assim considerada bruxa ela foi levada pela Inquisição, onde queimou e sofreu seus últimos instantes na Terra.
Ao desencarnar ela se encontrou com Santa Catarina e Santa Margarida, que lhe disseram que Jesus estava pela sua espera há muito tempo.
A seguir coloco a conversa que o consagrado escritor Humberto de Campos teve com Judas Iscariotes em Jerusalém, às margens do Jordão, a conversa foi sobre a condenação de Jesus, é uma entrevista esclarecedora, ditada a Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, em 19 de abril de 1935.
Este texto é do livro "Crónicas de Além-Túmulo".
Leiamo-la:
Nas margens caladas do Jordão, não longe talvez do lugar sagrado, onde o Precursor baptizou Jesus Cristo, divisei um homem sentado sobre uma pedra.
De sua expressão fisionómica irradiava-se uma simpatia cativante.
- Sabe quem é este? - murmurou alguém aos meus ouvidos. - Este é Judas.
- Judas?!...
- Sim. Os espíritos apreciam, às vezes, não obstante o progresso que já alcançaram, volver atrás, visitando os sítios onde se engrandeceram ou prevaricaram, sentindo-se momentaneamente transportados aos tempos idos.
Então mergulham o pensamento no passado, regressando ao presente, dispostos ao heroísmo necessário do futuro.
Judas costuma vir a Terra, nos dias em que se comemora a Paixão de Nosso Senhor, meditando nos seus actos de antanho...
Aquela figura de homem magnetizava-me.
Eu não estou ainda livre da curiosidade do repórter, mas entre as minhas maldades de pecador e a perfeição de Judas existia um abismo.
O meu atrevimento, porém, e a santa humildade do seu coração ligaram-se para que eu o atravessasse, procurando ouvi-lo.
- O senhor é, de facto, o ex-filho de Iscariotes? - perguntei.
- Sim, sou Judas - respondeu aquele homem triste, enxugando uma lágrima nas dobras de sua longa túnica.
Como o Jeremias, das Lamentações, contemplo às vezes esta Jerusalém arruinada, meditando no juízo dos homens transitórios...
- E uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?
- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e as tricas políticas que acima dos meus actos predominaram na nefanda crucificação.
Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galileia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus.
Sempre a mesma história.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 24, 2018 8:31 pm

O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra.
Jesus estava entre essas forças antagónicas com a sua pureza imaculada.
Ora, eu era um dos apaixonados pelas ideias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador.
Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória.
Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder, já que, no seu manto e pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade.
Planeei então uma revolta surda como se projecta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado.
O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que, aliás, apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo.
Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos.
- E chegou a salvar-se pelo arrependimento?
- Não. Não consegui.
O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores.
Depois da minha morte trágica, submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta.
Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus, e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado.
Vítima da felonia e da traição, deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...
- E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.
- Sim... estou recapitulando os factos como se passaram.
E agora, irmanado com Ele, que se acha no seu luminoso Reino das Alturas que ainda não é deste mundo, sinto nestas estradas o sinal de seus divinos passos.
Vejo-O ainda na cruz entregando a Deus o seu destino...
Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe...
Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor...
Olho complacentemente os que me acusam sem reflectir se podem atirar a primeira pedra...
Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de infortúnio.
Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.
Quanto ao Divino Mestre - continuou Judas com os seus prantos - infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque, se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado...
- É verdade - concluí - e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-LO.
Judas afastou-se tomando a direcção do Santo Sepulcro e eu, confundido nas sombras invisíveis para o mundo, vi que no céu brilhavam algumas estrelas sobre as nuvens pardacentas e tristes, enquanto o Jordão rolava na sua quietude como um lençol de águas mortas, procurando um mar morto.

Jardim-Espirita.blogspot.

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"Na Espiritualidade"

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 25, 2018 10:33 am

A Chegada de Judas ao Umbral e o seu resgate por Jesus
[...] A região era sombria.
Embora se sentisse algum calor, nem uma só réstia de Sol atravessava a espessa neblina que envolvia todo aquele charco, sustentando-se um clima de penumbra e de dor.
Judas se arrastava pelo solo.
A região hostil surpreendia, por serpentes em todos os lados.
Sedento, sulcando a própria pele com suas unhas pontiagudas, o filho de Iscariotes sentia-se vivo, muito vivo, com a intensidade de dores sobre-humanas a atormentá-lo.
- Quero morrer!
Quero morrer! - gritava, quase enlouquecido.
Atirava-se contra a escassa vegetação, aprofundando-se em lamaçais medonhos, estraçalhando-se e martirizando se, sem que pudesse impor-se aos gritos de sua consciência.
Revia, na imaginação, Jesus, a quem trairá.
Caía por terra, e chorava, e gritava desolado.
De repente, sentiu-se eriçado.
Um que de temor o possuía, enquanto ouvia um crescente rumor, como se feras mil houvessem escapado de jaulas, vindo todas na sua direcção.
Onde estaria?
Súbito, rompendo pelo local em que remoia o seu desencanto, já que o suicídio não lhe impusera um fim - surgem criaturas de aparência monstruosa.
Cabelos eriçados, caiu diante de terrível carantonha.
- Você é Judas, o traidor? – indagou a estranha criatura.
Judas tremia, aterrorizado.
Ele é Judas, o traidor! Gritou a turba.
- Quem... Quem são vocês?! - irrompeu Judas.
- Quem somos nós? – gargalhavam muitos, sem piedade.
Então não nos reconhece, traidor?!
Quem somos nós?!
O que estava mais próximo afirmou, sarcástico:
- Você nos conhece, Judas!
Um dia você esteve próximo de nós, na terra dos gerasenos, quando um homem que frequentava as sepulturas saltou enlouquecido, junto de seu Mestre, Jesus!
- Aquele homem - ensaiou Judas - gritava por entre os sepulcros!
O infeliz visitante confirmou.
- Estávamos a dominá-lo!
Estávamos atormentá-Io!
Judas, suando, sofrendo, a tudo ouvia.
- Nesse dia - prosseguiu o assustado visitante -, o seu Mestre Jesus conversou connosco!
Como nenhum outro antes fizera, Ele nos dirigiu a atenção, perguntando-nos qual era o nosso nome!
E, após uma pausa, o filho das trevas assegurou:
- Ninguém, antes d'Ele, interessou-se em ouvir-nos e, igualmente, nenhum outro, antes d'Ele, interessou-se em saber quem éramos, qual o nosso nome!
Judas emudecera!
- Respondemos, a seu Mestre, que nosso nome era Legião, porque éramos e somos muitos!
E, persuadidos pelo poder de seu Mestre, abandonamos o infeliz, que nos servia de instrumento!
- E você, Judas - gritou um, dentre os muitos da legião de Espíritos das Sombras -, traiu a confiança daquele homem a quem até nós, os filhos da Dor e das Sombras, respeitamos!
Houve como que um movimento de retirada.
Judas, aturdido, gritou:
-Levem-me com vocês!
Levem-me, seja para onde for!
Criou-se um silêncio ainda maior.
- Não! - negou-se o estranho visitante.
Não podemos levar você connosco, porque, embora a traição, você não é um dos nossos.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 25, 2018 10:34 am

E, talvez, não seja um daqueles que servem ao Nazareno.
Talvez não seja de ninguém, por ser escarnecimento do mundo!
Gargalhadas estouraram!
E o mesmo rumor surdo, que anunciara a chegada da Legião, se erguia, com as Sombras a tomarem distância daquele sítio de amargura e arrependimento.
Judas estava novamente só!
O discípulo confundido caíra em choro convulsivo!
Judas soluçava, convulsivo!
A dor quase o enlouquecia, enquanto ele buscava o fim.
O fim, contudo, não existe para o Espírito, criação eterna do Pai Celestial!
O discípulo infiel sentia-se cego!
Palpava à sua volta, qual se densa noite lhe recobrisse os olhos e uma chuva ácida lhe atormentasse o corpo, fustigando-o, continuamente.
Sentiu que uma mão lhe tocava o ombro.
(...)- O que tanto o atormenta, Judas?
- Não sabe... de minha desdita?
Não sabe o que fiz?
Sabe o meu nome ... e parece não saber quem eu sou!
Um breve silêncio.
- Sei que você é filho da dor!
- Não ... apenas isso!
Sou aquele que traiu o Senhor, entregando-o ao sacrifício da cruz ...
Vendido por trinta moedas de prata ...
- Mas, aquele Senhor não lhe falou de perdão?
Não lhe ensinou ele, que se deve perdoar aos inimigos?
E, assim ensinando, não lhe disse que se deve perdoar aos amigos confundidos?
Judas silenciou, reflectindo.
- Afaste-se de mim, senhor!
Não importa quem seja você!
Não importa que, pela sua voz, eu ouça o falar de meu pai e os aconselhamentos de minha mãe!
E, acusando-se, impiedosamente, anunciou:
- Quem errar, como eu errei, não tem perdão!
O visitante sentou-se ao lado de Judas.
-' Reaja, filho! Lembre-se do Amor do Pai Celestial!
Judas estremeceu, ao novo toque em seu ombro!
- Sei das consequências de minhas ambições! - afirmou Judas, num tom de infinda tristeza.
Não sei por qual motivo, senti-me arrastado ao Calvário e vi, uma a uma, todas as cenas de dor que com a minha traição determinei para aquele que foi o meu Mestre e Senhor!
O visitante colocou a cabeça de Judas em seu regaço.
- Se tudo você viu, ouviu, também, ouviu quando ele se voltou ao Pai Celestial, suplicando:
"Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem!"
- Isso ouvi...
Mas, eu bem sabia do mal que praticava!'
Passando as mãos, sobre a fronte de Judas, o visitante buscava reerguer-lhe o ânimo.
- Não me conforte! - protestou Judas.
Que não tenho perdão!
E o visitante, colocando a sua mão sobre os olhos de Judas, disse-lhe:
- Abra seus olhos, Judas!
Judas, num esforço, abriu os olhos.
De pronto os fechou, aterrorizado.
- Veja-me, Judas! Nada tema!
Se roguei ao Pai perdão para todos, a mim me caberia vir Encontrá-lo, trazendo-lhe o meu beijo de carinho e amizade e todo o meu perdão!
E, em soluços, Judas sentiu-se abraçado por Jesus!

Fonte: Livro Judas Iscariotes - Roque Jacintho.

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Semana Santa - Sob a visão Espírita!

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 25, 2018 8:54 pm

Vale a pena ler!

"Todo ano, a cena se repete.
Chega a época dos feriados católicos da chamada “Semana Santa” e surgem as questões:
1. Como o Espiritismo encara a Páscoa; Sexta-feira Santa”?;
2. Qual o procedimento do espírita no chamado “Sábado de aleluia” e “Domingo de Páscoa”?;
3. Como fica a questão do “Senhor Morto”?

Sabe que chego a surpreender-me com as perguntas.
Não quando surgem de novatos na Doutrina, mas quando surgem de velhos espíritas, condicionados ao hábito católico, que aliás, respeitamos muito.
É importante destacar isso:
o respeito que devemos às práticas católicas nesta época, desde à chamada época, por nossos irmãos denominada de quaresma, até às lembranças históricas, na maioria das cidades revividas, do sacrifício e ressurgimento de Jesus.
Só que embora o respeito devido, nada temos com isso no sentido das práticas relacionadas com a data.
São práticas religiosas merecedoras de apreço e respeito, mas distantes da prática espírita.
É claro que há todo o contexto histórico da questão, os hábitos milenares enraizados na mente popular, o condicionamento com datas e lembranças e a obrigação católica de adesão a tais práticas.
Para a Doutrina Espírita, não há a chamada “Semana Santa”, nem tão pouco o “Sábado de aleluia” ou o “Domingo de Páscoa” (embora nossas crianças não consigam ficar sem o chocolate, pela forte influência da mídia no consumismo aproveitador da data) ou o “Senhor Morto”.
Trata-se de feriado e prática católica e portanto, não existem razões para adesão de qualquer tipo ou argumento a tais práticas.
É absolutamente incoerente com a prática espírita o desejar de “Feliz Páscoa!”, a comemoração de Páscoa em Centros Espíritas ou mesmo alteração da programação espírita nos Centros, em virtude de tais feriados católicos.
E vejo a preocupação de expositores ou articulistas em abordar a questão, por força da data…
Não há porque fazer-se programas de rádio específicos sobre o assunto, palestras sobre o tema ou publicar artigos em jornais só porque estamos na referida data.
É óbvio que ao longo do ano, vez por outra, abordaremos a questão para esclarecimento ou estudo, mas sem prender-se à pressão e força da data.
Há uma influência católica muito intensa sobre a mente popular, com hábitos enraizados, a ponto de termos somente feriados católicos no Brasil, advindos de uma época de dominação católica sobre o país, realidade bem diferente da que se vive hoje.
E os espíritas, afinados com outra proposta, a do Cristo Vivo, não têm porque apegar-se ou preocupar-se com tais questões.
Respeitemos nossos irmãos católicos, mas deixemo-los agir como queiram, sem o stress de esgotar explicações.
Nossa Doutrina é livre e deve ser praticada livremente, sem qualquer tipo de vinculação com outras práticas.
Com isso, ninguém está a desrespeitar o sacrifício do Mestre em prol da Humanidade.
Preferimos sim ficar com seus exemplos, inclusive o da imortalidade, do que ficar a reviver a tragédia a que foi levado pela precipitação humana.
Inclusive temos o dever de transmitir às novas gerações a violência da malhação do Judas, prática destoante do perdão recomendado pelo Mestre, verdadeiro absurdo mantido por mera tradição, também incoerente com a prática espírita.
A mesma situação ocorre quando na chamada quaresma de nossos irmãos católicos, espíritas ficam preocupados em comer ou não comer carne, ou preocupados se isto pode ou não.
Ora, ou somos espíritas ou não somos!
Compara-se isso a indagar se no Carnaval os Centros devem ou não abrir as portas, em virtude do pesado clima que se forma???!!!…
A Doutrina Espírita nada tem a ver com isso.
São práticas de outras religiões, que repetimos respeitamos muito, mas não adoptamos, sendo absolutamente incoerente com o espírita e prática dos Centros Espíritas, qualquer influência que modifique sua programação ou proposta de vida.
Esta abordagem está direccionada aos espíritas.
Se algum irmão católico nos ler, esperamos nos compreenda o objectivo de argumentação da questão, internamente, para os próprios espíritas.
Nada a opor ou qualquer atitude de crítica a práticas que julgamos extremamente importantes no entendimento católico e para as quais direccionamos nosso maior respeito e apreço.
Vemos com ternura a dedicação e a profunda fé católica que se mostram com toda sua força durante os feriados da chamada Semana Santa e é claro, nas demais actividades brasileiras que o Catolicismo desenvolve.
O objectivo da abordagem é direccionado aos espíritas que ainda guardam dúvidas sobre as três questões apresentadas no início do artigo.
O Espiritismo encara a chamada Sexta-feira Santa como uma Sexta-feira normal, como todas as outras, embora reconhecendo a importância dela para os católicos.
Também indica que não há procedimento algum para os dias desses feriados.
E não há porque preocupar-se com o Senhor Morto, pois que Jesus vive e trabalha em prol da Humanidade.
E aqui, transcrevemos trecho do capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no subtítulo VERDADEIRA PUREZA, MÃOS NÃO LAVADAS (página 117 – 107ª edição IDE):
“O objectivo da religião é conduzir o homem a Deus; ora, o homem não chega a Deus senão quando está perfeito; portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atinge seu objectivo; (…)
A crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede que se cometam homicídios, adultérios, espoliações, calúnias e de fazer mal ao próximo em que quer que seja.
Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem.
Não basta, pois, ter as aparências da pureza, é preciso antes de tudo ter a pureza de coração”.
Não pensem os leitores que extraímos o trecho pensando nas práticas católicas em questão.
Não! Pensamos em nós mesmos, os espíritas, que tantas vezes nos perdemos em ilusões, acreditando cegamente na assistência dos espíritos benfeitores, mas agindo com hipocrisia, fanatismo e pasmem, superstição …. quando não conhecemos devidamente os objectivos da Doutrina Espírita, que são, em última análise, a melhora moral do homem."

Fonte: http://www.institutochicoxavier.org.br/semana-santa-visao-…/

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Alzheimer e as causas espirituais

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 26, 2018 10:55 am

Em entrevista para a TV Mundo Maior, o psicólogo e pesquisador espírita, Ildo Rosa expõe sua opinião acerca do Alzheimer na visão espírita.
Ildo Rosa — A doutrina espírita tem uma coisa muito bacana, que ela não vem demonizar as coisas; e quando nós falamos em doença, a primeira ideia que nos vem à cabeça é combater a doença, não necessariamente compreender a doença.
Aí a gente pensa “o que que seria o Alzheimer”, que não fosse você está numa casa toda iluminada e, de repente, você vai apagando cada cómodo… apagando, apagando, apagando… normalmente as pessoas que vão para esse diagnóstico começam a esquecer coisas que fizeram os valores que cultivaram que ao longo da vida.
Foram se dando conta que a colheita era muito pesada, muito desagradável.
Então, as pessoas começam a fazer um esforço muito grande para tentar esquecer.
Uma das coisas muito comuns e frequentes no consultório as pessoas dizerem:
como que eu faço para esquecer tal coisa?
Essa “tal coisa” se tornou um dado biográfico como que eu faço para esquecer que eu pratiquei um aborto? que eu não respeitei meu pai, minha mãe? que eu extrapolei numa empresa e dei um golpe aqui e acolá?
E a maturidade faz você pensar sobre tudo isso.
E o Alzheimer é um esforço que a pessoa faz para ir apagando esses registos que por não saber lidar com eles por não se perdoar, ela vai por esse caminho.
Nós nunca Pensamos a doença como algo que nos convida a reflectir e elaborar sobre como nós estamos vivendo.
Vale a pena a gente estar se monitorando… para onde vão seus pensamentos? o que é que efectivamente eles constroem? em que faixa de frequência vibratória você se situa?
Porque quando você pega e um desses caminhos normalmente é difícil a gente aguentar o que nós mesmos produzimos.
Conhece aquela fala do Evangelho: “a semeadura é livre, porém a colheita é obrigatória”.
E às vezes a gente lança algumas sementes, que na hora da colheita nós não temos a mesma dignidade para administrar.
E a doutrina vem dizer isso para gente:
toda e qualquer doença ela só tem uma única função na sua vida, te reeducar.
E, não muito raro, as pessoas com Alzheimer são pessoas que tem o exercício da autoridade de uma forma muito dura, com pessoas que passaram pela vida de uma maneira muito assim, sabe “ou é do meu jeito ou não brinco mais”.

A visão espírita do Alzheimer — Um aprendizado para além da vida:
Ildo Rosa — Ele não vai retomar aqueles hábitos que tinha e não vai ter mais o domínio que tinha; não vai mais jogar xadrez como jogava antes; mas você pode ir ajudando como a gente faz com uma criança.
Os médicos vão dizer: a partir de tal etapa o quadro vai se agravar!
Se agravar para nós, que somos os cuidadores.
Para a pessoa [com Alzheimer], não.
Quanto menos memória, menos sofrimento.
Para nós que temos a memória ainda muito activa, parece um sofrimento muito grande, mas para o paciente não, pois ele não tem mais esse senso crítico.
Se a gente se a gente aceita as regras da vida nada dói.
Eu costumo sempre dizer assim: nenhum de nós sofre pela causa todos nós sofremos pela interpretação.
Então interpretamos o Mal de Alzheimer como mau! [entre outras doenças], Mal de Parkinson, mal de não sei das quantas…
Por que a medicina codifica assim.
E aí eu tenho um amigo espiritual que nos fala assim:
o “mal” é um bem mal interpretado.
Então, o Mal de Alzheimer é um bem mal interpretado.
Porque o que importa é o aprendizado que o espírito vai fazer e não as provas pelas quais ele passa.

Fonte: Ildo Rosa

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Autismo, família e quotidiano…

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 26, 2018 8:38 pm

por Eugénia Pickina

Prometi. Quem sabe eu consiga pedir licença ao leitor para divagar, embora sem contrariar o discurso da Razão?
Assim começa um escritinho diferente:
Era uma vez um meninozinho, de olhos castanhos, igual a tantos outros, que vivia no seu mundo de faz de conta, silêncio!
Até o dia em que anunciaram aos seus pais que todas essas coisas que as crianças normais fazem ele dificilmente conseguiria fazer...
Passado o temor inicial, pais, por favor, muito amor, avisou o dedicado doutor.
E assim aconteceu.
Que outra função tem o amor?
Os pais acolheram o meninozinho, cativando-lhe, espelho adentro, desejos simples.
O meninozinho então cresceu silencioso e respeitado, sem sofrer os golpes contra os quais é inútil lutar.
Pois no autismo uma das soluções nunca tem a ver com cura, mas sim com o facto de que na casa de um autista todo mundo é convocado a aprender um modo diferente de ver e perceber o mundo.
E é justamente aqui que se abre a esperança nos vivos…

Introdução – Pais e familiares de uma criança autista estão diariamente expostos a testes e desafios, que geram impactos abruptos, ou às vezes dolorosos, no destino familiar, principalmente porque são convocados a conviver com um transtorno global de desenvolvimento que a todos afecta inevitavelmente no ambiente doméstico.
Estudos e literatura diversa que tratam do autismo apontam que para os pais o nascimento de um filho autista é uma experiência difícil, marcada pela angústia da descoberta de que o filho desejado é, na realidade, um filho autista.
Ou seja, principalmente com o choque da notícia do diagnóstico, os pais vivenciam a dor da perda do filho idealizado e, ao mesmo tempo, são chamados gradualmente a entender e ajustar-se ao nascimento de um filho diferente.
À medida que uma criança autista será autista enquanto viver, depois de um período de luto (simbólico), dor e perplexidades, o envolvimento parental no geral adquire uma condição determinante:
os pais se tornam parceiros na vida da criança autista.
Indiscutivelmente, o autismo gera crises e desequilíbrios na dinâmica familiar.
Reivindica aceitação, adaptação e cooperação por parte de todos os membros da casa em relação ao indivíduo autista.
Na realidade, caso consideremos a família como um sistema, aquelas com maior funcionalidade antes de a criança autista nascer (ou lhes ser anunciado o diagnóstico de autismo) inclinam-se a responder melhor à nova demanda imposta pelo autismo do que as famílias cuja funcionalidade já estava comprometida.
Por isso, e com frequência, a ocorrência de divórcios ou de famílias que se desarticulam em face das dificuldades de sua criança autista.
Além disso, pais que cuidam de um filho autista relatam muitas memórias associadas à solidão e à exclusão social – a independer da situação sócio-económica.
De todos os modos, a participação das famílias nas conquistas quotidianas de seus filhos com autismo é um factor determinante.
Em vez de ilusão ou desesperança, pais que se informam, buscam apoio social e se unem na divisão dos cuidados são (mais) capazes de nutrir esperanças conscientes e, em consequência, fazer investimentos no desenvolvimento do filho autista a fim de que ele possa, no futuro, tornar-se uma pessoa mais autónoma possível.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 26, 2018 8:39 pm

Depoimento de um pai – Abel S. é pai de Rafael, 16 anos, diagnosticado como portador da Síndrome de Asperger.

Abel concedeu-nos a entrevista abaixo:
Fale-nos sobre como se deu o diagnóstico médico.
Izabel teve um aborto antes que o Rafael nascesse.
Desconfiamos que houve uma tentativa frustrada, anterior, de retorno.
Há uns dois anos sonhei com Rafael em sua versão "reencarnação original".
Eu e ele estávamos brincando em um chapéu de palha, numa espécie de parque e, de repente, começo a observá-lo.
Ele tinha aquela cabeça gigante dos portadores de hidrocefalia e as pernas bem fininhas.
Eu o abracei e acordei chorando, grato por Deus ter-nos dado a oportunidade de tê-lo connosco em melhores condições!
Soubemos, por um médium, que ele fora médico holandês há alguns séculos, e teria abusado da inteligência sob a nossa complacência.
Quanto ao diagnóstico inicial, ocorreu por observação nossa.
Rafael era inquieto, não falava e tinha a cabeça estranhamente torta, além de uma expressão de criança torturada, infeliz.
Começamos a levá-lo aos médicos quando ele tinha uns três anos e meio, mais ou menos.
Fizemos, inicialmente, testes fonoaudiológicos, que deram negativo.
Daí, buscamos um profissional que pudesse atendê-lo na rede estadual de saúde.
Não havia nenhum médico especializado à época.
Iniciamos com um médico militar, em trânsito pela cidade, que passou para ele os primeiros medicamentos, que não deram certo.
Pouco depois, no mesmo local, indicaram-nos a doutora Tárcia, psiquiatra, hoje professora na universidade federal, que trabalhava no CAPS e se predispôs a nos ajudar.
Ela havia desenvolvido, na ausência de neurologistas infantis, um protocolo próprio para cuidar de pacientes como o Rafael e tinha casos de sucesso já catalogados.
Nessa época, com quatro anos, ele começou a tomar carbamazepina e neuleptil (um anti-convulsionante e um ansiolítico).
O facto é que a doutora Tárcia nos deu muita segurança por ter um "plano de voo" muito seguro.
Ela sabia para onde estava conduzindo o tratamento e foi, assim, descrevendo antecipadamente as fases por que ele iria passar e as conquistas paulatinas que alcançaria.
Foi assim que os prognósticos se mostravam sempre positivos, pois tinham por base outras crianças, nas mesmas condições, que haviam amadurecido emocional e fisicamente, com os medicamentos.
Nos laudos dados por ela, nunca fechou o diagnóstico, deixando-o inconcluso, para não haver rotulamento precoce, com consequências negativas.
Aos seis anos e meio, Rafael começou a falar, embora com dificuldade.
Esse atraso global de desenvolvimento, conforme aprendemos lendo sobre o assunto, foi aos poucos sendo vencido.
O mais interessante foi que ele criou, ao vivo, todas as noções de convivência com o mundo exterior – físico e humano.
Por isso perguntava se era para rir de algumas situações que ele não sabia distinguir se eram "risíveis", entre outros exemplos.
Desde muito cedo, os familiares e amigos trataram de nos alertar quanto às "doenças" do Rafael.
As mais cotadas eram o autismo, a surdez e a hiperactividade, casada esta com o déficit de atenção.

Como passou a ser a rotina da família?
Sofremos desde cedo o isolamento, pois sair com ele e frequentar eventos era sinónimo de preocupação e muitos cuidados, quase sempre insuficientes para "controlá-lo".
Com o isolamento, passamos a nos fechar em casa para cuidar dele.
Durante muito tempo o chamamos de "pequeno selvagem".
Ele não sentia dor quando se machucava, conseguia andar descalço na rua de casa, ainda não asfaltada, pulava o portão e fugia.
Não fazia contacto visual, não ia no colo de ninguém, o que sobrecarregava principalmente a mãe.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 26, 2018 8:40 pm

Rafael apegou-se aos seus irmãos?
Sim. Ele chorava muito quando um dos irmãos se ausentava de casa, principalmente os mais próximos dele por idade, a Ana Clara e o Gabriel (18 e 20 anos, respectivamente).
Só se sentia seguro e tranquilo quando todos estavam em casa.
Os irmãos o acolheram e o ajudaram a se desenvolver, contribuindo imensamente na maturação da linguagem e outros aspectos cognitivos e afectivos, a ponto de hoje pouquíssimas pessoas conseguirem fazer o diagnóstico do Rafael, que aos 11 anos foi classificado, oficialmente, como portador da Síndrome de Asperger.
Raquel, a irmã mais velha, hoje com 24 anos, foi uma segunda mãe (a Tata) para o Rafael.

A mãe se sentiu sobrecarregada?
Largou a profissão para se dedicar à criança?

Izabel conciliou o trabalho junto à nossa pequena empresa enquanto suas condições físicas e emocionais permitiram.
O facto de ter lúpus e fibromialgia complicou um pouco sua vida profissional.
Hoje tornou-se costureira e voltou para a casa e seus cuidados, definitivamente, sob orientação médica.

Como foram os anos escolares?
Desde os primeiros anos de escola, a orientação da doutora Tárcia foi que a escola seria, principalmente, um espaço de convivência, de socialização; que ele não poderia ficar obrigado a ir e, se não conseguisse, que ficasse apenas parte do tempo das aulas.
Assim aconteceu durante muitos anos.
Somente no quinto ano, por ter-se identificado imensamente com a professora, passou a ficar o tempo todo nas aulas; antes íamos buscá-lo depois do intervalo.
Estudou por muito pouco tempo em duas escolas particulares (sofreu bullying, não houve inclusão).
Alfabetizou-se por conta própria, no Kumon.
Na escola pública municipal, onde estudou até o quinto ano, enganava os professores por sua capacidade de "interpretar símbolos" e "fazer correlações", o que equivalia à prática de leitura.
Fazia provas orais e saía-se bem.
Nas escolas municipais e depois estaduais (duas de cada), ele foi bem aceito.
Adaptou-se bem a partir da segunda escola municipal, Pedro Batalha, onde existe "sala de recursos" para alunos especiais, além de treinamento para os professores.
Há cuidadores em todas as salas em que haja alunos "especiais" ou "incluídos".
O seu processo de amadurecimento, conforme os prognósticos da doutora Tárcia, tem-se cumprido, pouco a pouco.
Ela vaticinou que ele chegaria à Universidade, tal como outras crianças sob seus cuidados.
Hoje, na véspera de fazer 16 anos [Rafael completou 16 anos no dia 23 de março], ele está no 9º ano e é um dos melhores alunos da sala.
Conseguiu, na escola, ao longo destes anos, fazer laços com professores e colegas.

Como é o Rafael adolescente?
Rafael tem atualmente poucos amigos fora do círculo familiar.
Ele não gosta de sair.
Diz ser um "coelho" e o que lhe interessa é a "sua toca".
Só vai ao shopping, por exemplo, quando vamos ao cinema ou à livraria.
Não consegue ficar muito tempo, porém.
Nos últimos tempos tem questionado a razão de ser obrigado a frequentar as aulas da evangelização, já que fazemos o Evangelho no Lar, conforme a prática tradicional das famílias espíritas.
O jogo e a internet têm um papel muito importante em sua vida.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 26, 2018 8:41 pm

A conselho da médica, que afirmara que o jogo o ajudaria a amadurecer em muitos aspectos, fomos permitindo, aos poucos, que ele tivesse acesso a eles no computador e nos consoles.
Hoje, ele é um entendido em consoles e jogos, principalmente da Nintendo.
Tem um grau elevadíssimo de conhecimento sobre o que gosta.
Como o monitoramos sempre, ele aprendeu a fazer escolhas estéticas e éticas, não tendo até hoje atingido os jogos violentos ou de adultos (pornográficos e afins).
É fã do Mario e do Sonic, entre outros personagens.

Quais, em relação ao Rafael, os sonhos e esperanças da família?
Pela sua afinidade com a tecnologia, é nosso plano ajudá-lo a se preparar para se tornar um profissional nessa área (reparo e instalação de softwares em computadores, a princípio).
Temos trabalhado para que alcance autonomia mais ampla e possa morar a sós, nos próximos anos, se ele o desejar.
No momento, diz que não sairá de casa e que cuidará de sua mãe...
Nunca o deixamos totalmente ocioso.
Buscamos, também, fazê-lo variar suas ocupações de lazer, fazendo-o revezar entre jogar, assistir séries ou desenhos, desenhar e brincar de Lego.
Sabe-se que cada casal enfrenta o autismo ao seu modo.

Vocês ficaram mais unidos?
Sim. Definitivamente, o Rafael unia imensamente nossa família, pois tornou-se um centro de atenção por longos anos.
Até hoje cuidamos dele, embora não inspire mais cuidados, como antes.

Algum conselho para os pais que têm um filho ou uma filha autista?
O conselho que podemos dar é nunca perder a esperança, pois há muitos meios terapêuticos, hoje, à disposição, mesmo que não tenhamos muitos recursos financeiros (como foi o nosso caso, sempre recorrendo ao serviço público).
Outro é: não acreditem em "tratamentos milagrosos", pois a cura de nossos males físicos e emocionais é, em grande parte, o "amor em família", a boa convivência ao longo dos anos.

Notas da Autora:
1 - Outras informações acerca do caso Rafael o leitor pode obter escrevendo para o seguinte endereço: Abel S. - albergueamigo@gmail.com
2 - Para se inteirar sobre o autismo, uma fonte indicada é a Associação de Amigos do Autista – www.ama.org.br
3 - Cada família enfrenta o autismo de uma maneira própria.
E a criança autista tem um nível de actividade invulgar, que reclama atenção e supervisão constantes, pois são indivíduos com sérios problemas de comunicação e de interacção.
Há, desse modo, os períodos críticos de transição pelos quais passam todas as famílias: a) ao receber o diagnóstico; b) durante os anos escolares; c) adolescência; d) idade adulta.
4 - Cf. Rodríguez, Juan Danilo.
Terapia Holística Alliyana. BA: Editora Leal, 2015 – leitura rica e muito apropriada para quem tem um filho autista ou cuida de uma pessoa com autismo – professores, terapeutas, médicos, parentes e/ou amigos de pessoa com autismo.
O médico Juan Danilo Rodríguez tem no Brasil o apoio de Divaldo Franco na divulgação do método Alliyana.

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Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela sabedoria divina

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 27, 2018 9:47 am

por Paula Kloser

Ane Mirele Gonçalves (foto), natural de Santo André, estado de São Paulo, reside na Suíça desde 2012.
Formada em Economia, trabalha na área financeira de uma empresa de produtos agrícolas.
Casada há 6 anos e espírita desde 2006, ela nos fala na presente entrevista, entre outros assuntos, sobre sua iniciação no Espiritismo e suas actividades actuais nas lides espíritas.

Quando, e em que circunstâncias, você teve seu primeiro contacto com a Doutrina Espírita?
Eu nasci num lar espiritualista, onde se falava de Deus, de Jesus, de Espiritismo e, naturalmente, de mediunidade.
No entanto, meu primeiro contacto com a Doutrina Espírita foi em 2006 quando, sentindo a necessidade de frequentar algum lugar para estudar o Espiritismo, conheci um centro espírita perto da minha casa.
Frequentei esse centro até vir para a Suíça em 2012.

Qual é, no momento, sua actividade no âmbito espírita?
Sou palestrante e dirigente de um Centro Espírita na Basileia, no bairro de Alschwil, o CEEABEM – Centro de Estudos Espíritas Adolfo Bezerra de Menezes.
Colaboro também como directora do departamento de comunicação e divulgação da FESUISSE – Federação Espírita Suíça.

Qual dos três vértices da Doutrina Espírita - Ciência, Filosofia e Religião - que mais a atrai e por quê?
De uma forma geral, gosto dos três aspectos da Doutrina Espírita, mas o que mais me tem atraído na actualidade é a parte filosófica.
Tenho-me dedicado mais ao estudo da Série Psicológica da Joanna de Ângelis, que me tem ajudado a compreender melhor a forma como o ser humano age e interage com seus conflitos, buscando libertar-se para conquistar mais paz e bem-estar diante das diversas situações do nosso quotidiano.
Aprendemos com a Benfeitora a olhar a vida por um outro ângulo, superando a culpa dos nossos erros do passado e trabalhando incessantemente para resolver os conflitos que tiram nossa paz e nossa saúde.
Aprendemos também que, dependendo da forma como encaramos um problema, podemos ter um amadurecimento psicológico que beneficia a nós mesmos e os que convivem connosco.
Unindo a psicologia aos ensinamentos de Jesus, Joanna de Ângelis nos traz formas práticas de vencermos nossos problemas, despertarmos nossa consciência e buscarmos nossa felicidade.
Estudar suas obras tem sido uma alegria para nosso grupo e somos profundamente gratos a essa Veneranda Benfeitora pelos seus ensinamentos.

Houve algum facto marcante em sua vivência espírita?
Quando cheguei à Suíça em 2012, tive a oportunidade de estudar intensivamente a doutrina com vários grupos espíritas daqui, com o seu Godinho – Jorge Godinho Nery, actual presidente da Federação Espírita Brasileira.
Para mim foi um marco na forma de estudar a doutrina espírita e entender a parte moral e os ensinamentos de Jesus.
Foram dois anos intensos e transformadores na minha vida.

Como dirigente de uma casa espírita na Suíça, quais são os desafios de levar o evangelho do Cristo à luz da Doutrina Espírita aos corações dos europeus?
Acredito que levar o Evangelho do Cristo aos corações dos europeus é um trabalho paulatino que nos pede muita paciência e perseverança.
De forma geral, muitos grupos espíritas na Suíça alemã são compostos por brasileiros e portugueses e poucos suíços.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 27, 2018 9:48 am

Temos que nos esforçar para oferecer actividades na língua local, palestras que mostrem a Doutrina de forma simples e elucidativa e não nos incomodarmos com a quantidade de europeus interessados.
Acredito que cada casa espírita viverá uma realidade diferente dentro de um contexto específico.
Mas acima de tudo, acredito ser importante o exemplo, quando nos esforçamos  para vivenciar os ensinamentos de Jesus.
Muitas vezes, isso gera questionamentos nos europeus, e quando perguntados, podemos falar da Doutrina Espírita, do Cristianismo, e de diversos ensinamentos, numa conversa fraterna e informal, na qual somos questionados sobre nossas crenças e sobre a forma como percebemos a vida.
Eu, particularmente, experiencio muito essa divulgação informal e muitas vezes o consolo a corações que ainda não desejam frequentar algum grupo de estudo ou templo religioso.

Quais são as perspectivas e planos para o ano de 2018 para o movimento espírita suíço?
Nós encerramos o ano de 2017 com o 1° Congresso Espírita na Suíça, que foi um evento maravilhoso.
Contamos com a presença de nossos queridos Divaldo Franco, Jorge Godinho, Alberto Almeida, Charles Kempf e Sandra Borba.
Nos reenergizamos para iniciar este ano de 2018 com muito trabalho e alegria de servir.
Este ano temos duas casas espíritas comemorando aniversário:
O AFFA - Associação Filosófica Francisco de Assis comemora 25 anos de existência em Zurique e vai celebrar com um evento com a presença de Alberto Almeida e Sandra Borba no mês de julho.
O CEEAK - Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec comemora 20 anos de existência em agosto.
Temos também programado para este ano o 1° Encontro de Pais e Educadores, com a Lucia Moysés, Cintia Vieira e Cláudia Werdine e para o segundo semestre a preparação para Palestrantes Espíritas em novembro.
Além de diversas palestras e seminários que estão sendo programados pelas federativas e centros espíritas.

Como você pensa que os espíritas europeus, através das casas espíritas, podem contribuir neste momento em que a Europa passa por uma fase de tanta xenofobia devida à questão dos refugiados?
Com preces, vibrações e actos de fraternidade e caridade, sempre que possível.
Cada país tem sua realidade em relação a esse assunto, e cada um vai disponibilizar maneiras diferentes de sermos úteis.
Que possamos saber aproveitar essas oportunidade, estendendo a mão ao próximo que necessita de tanto amparo num momento como este, seja através do voluntariado em programas que os governos e associações ofereçam ou através de projectos que visem dar esse amparo.
Mas que principalmente, não sejamos nós aqueles que rejeitam e discriminam, mas sim aqueles que estejam sempre dispostos a estender uma mão fraternal.

Ane, imagine que você se encontrasse hoje com Jesus.
Que gostaria de dizer a ele?
Faria algum pedido especial?

Agradeceria profundamente por ter conhecido esta Doutrina maravilhosa que nos esclarece, consola e fortalece a fé!
Pediria força e coragem para todos nós, para que possamos seguir sempre em frente buscando melhorar-nos e vivenciar Seu Evangelho de Amor.
E, por fim, pediria pela Sua misericórdia infinita a todos os que sofrem em nosso planeta.

Deixe-nos uma frase, uma palavra, ou um pensamento, que traduza o  valor que a Doutrina Espírita tem em sua vida.
(...) diante do acesso aos mais altos valores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela sabedoria divina.
Jesus, a porta. Kardec, a chave.(Emmanuel)

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AFINAL O QUE VEM A SER UM “MÉDIUM FRACASSADO”?

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jun 27, 2018 8:19 pm

A Mediunidade Fracassada é aquela que não respeitou as leis da educação dos sentimentos, onde o Médium não impôs a si mesmo a disciplina conveniente ao equilíbrio das suas faculdades.
Perdemos sempre muitas oportunidades, e é nessa perda constante que sentimos anseios de melhorar.
É nosso dever procurarmos todas as directrizes que nos levam ao aprimoramento dos nossos dons.
No entanto, é bom que fujamos dos extremos, pois eles nos fazem sofrer as consequências do desequilíbrio.
A vida não nos pede sacrifícios nem esforços que não sejam compatíveis com as nossas forças.
Compete a todos os médiuns lutarem sempre para melhorar, porque o fracasso de uma vida requer outra com maiores fardos e jugos.
A mediunidade é uma porta de misericórdia que os céus nos abrem, é uma lavoura que o Senhor nos oferta para que possamos trabalhar, é um terreno esperando a sementeira que deve passar pelas nossas mãos.
Os Espíritos directores dos trabalhos na Terra, sob a égide de Jesus, empenham-se na reencarnação de centenas de médiuns, de todos os valores, de modo que eles possam ressarcir seus compromissos com a vida, usando suas faculdades em favor da harmonia espiritual de seus corações.
Podemos andar muitas milhas com firmeza por muito tempo.
No entanto, um pequeno desnível do terreno pode nos fazer cair e, por vezes, há demora em levantarmos.
O “orai e vigiai” do Evangelho deve ser observado em todos os momentos, para que possamos adquirir segurança nos nossos passos.
Um palito de fósforo pode incendiar uma cidade toda.
Uma pequena nuvem pode fazer sombra em grande região, impedindo o sol de clarear.
Pequenos pensamentos inferiores que surgem em nossa mente podem avolumar-se, crescer, transformar-se em realidade e prejudicar a nossa vida.
Porém, quando ocorre o contrário, aproveitamos o tempo.
E tudo de pequeno que tem o cunho da verdade também cresce e se agiganta, proporcionando-nos um bem-estar indizível.
De uma minúscula semente, pode nascer uma ciclópica árvore, que produz toneladas de frutos.
Assim é a nossa vida espiritual:
uma lavoura onde o Espírito é o semeador.
Quando ele não se esquece de obedecer às leis naturais do progresso e do bem, nunca lhe faltam as bênçãos da recompensa, que vêm pelas trilhas da afinidade.
O médium fracassado é aquele que desanimou na vida ou aquele que usou as faculdades que Deus lhe deu vendendo as suas possibilidades espirituais, interessando-se mais pelo ouro do que pela própria vida.
Caminha, por isso, para o tribunal da consciência, onde será condenado pelas suas acções impensadas.
Converte o seu tesouro em lama, na qual irá viver, pela lei da compensação.
Devemos nos despojar da usura, da maledicência, do orgulho, do egoísmo, da vaidade e da prepotência, para não sermos escravos da inferioridade, prisão que pode nos levar ao desinteresse pela vida.
A actividade mediúnica é capaz de nos salvar, quando a usamos na fertilidade do amor.
Devemos conservar o interesse de usar a nossa mediunidade, dentro da filosofia que Jesus nos ensinou, dando com uma mão sem que a outra saiba.
O médium esmorecido está à beira do fracasso.
E o médium fracassado fica estagnado por tempo indeterminado, até que a sua consciência reaja ou até que a dor o convide a corrigir-se o que, às vezes, ocorre através de processos drásticos engendrados pela natureza, quando não nos educamos nos moldes da disciplina.
Os médiuns de hoje não podem se desculpar, alegando que não foram avisados.
As escolas são inúmeras por todos os lados e talvez estejam dentro do próprio lar.
A literatura é imensa, em convite permanente.
Os companheiros espalhados por toda parte convidam, a quem espera, para o trabalho da caridade e para o exercício do amor.
Se estás no caminho do fracasso, meu irmão, abre os olhos e muda de ideia, mudando de caminho.
Procura o Cristo, que com Ele acertarás.
Depende de ti a decisão. O preço do fracasso é a dor e inumeráveis infortúnios, que irão mostrar não ser compensadora a reincidência no erro.
Não queiras vencer por fora, porque o nosso trabalho é por dentro.
A tua desilusão, se este é o teu caso, é porque estás sendo guiado por cegos.
Quando a verdade se manifesta interiormente em nosso coração, encontraremos a verdade no exterior.
Atende ao convite da doutrina dos Espíritos, disseminada em todo o mundo, para mudar as tuas ideias, se elas ainda forem inadequadas ao bem comum.
Atende ao chamado dos benfeitores da humanidade, conhecendo as suas vidas.
Apura os ouvidos para a fala de Jesus, que nos pede para segui-Lo.
Seguir Jesus é reformar os sentimentos na qualidade de amar, como Ele amou.
Verás e veremos, que todos os nossos fracassos anteriores se transformarão em glória, norteando-nos para a libertação e ensinando-nos os processos de amar com mais facilidade e, certamente, com muita alegria.
O médium fracassado, quando conhecer Jesus, passará a ser médium iluminado.

*Extraído de MAIA, João Nunes. Segurança Mediúnica / pelo Espírito Miramez. 22. ed. Belo Horizonte: Fonte Viva, 2011.

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AS MOLÉSTIAS PROLONGADAS

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 28, 2018 10:02 am

Nas enfermidades prolongadas, existiria, para determinados espíritos, certo beneplácito quanto aos angustiantes momentos no purgatório carnal?
De certa forma, essas horas de ansiedade para a libertação são realizadas por entidades responsáveis directamente ligadas aos trâmites da desencarnação, mas segundo a disposição espiritual de cada um, desencarnante.

Vejamos o que padre Hipólito esclarece quanto ao assunto a André Luiz, pelo lápis do médium Chico Xavier no livro: Obreiros da Vida Eterna:
“Os que se aproximam da desencarnação, nas moléstias prolongadas, comummente se ausentam do corpo, em acção quase mecânica”.
De facto com os dias em maçantes agonias quanto ao restabelecimento de determinados moribundos em fase terminal, muitos familiares vão aos poucos cedendo aos imperativos do cansaço.
Desta forma, fica mais fácil da Espiritualidade agir quanto ao desligamento carnal do parente em vigília.
Os servidores da Casa Transitória, trariam os espíritos de Albina, Adelaide, Dimas, Fábio e Cavalcante que iriam desencarnar por seus intermédios.
E naquela noite, reuniriam todos nesta residência nos planos espirituais.
Cada uma dessas personagens citadas neste capítulo que iriam novamente se envolver nos decessos da morte tinha impressões variadas quanto à religiosidade de cada uma.
Neste desligamento temporário através do fenómeno natural do sono e a caminho da Casa Transitória, um sentia estar chegando ao céu; outra em Marte; e mais outro, não estava preparado ainda por não ter recebido o Viático católico.
Cada um tinha em si expressões de religiosidades que os auxiliariam naqueles momentos anteriores aos desligamentos finais.

Diante do exposto por mim colocado, vamos fortalecer esse meu pensamento através da intervenção de Jerónimo, que elucidaria algumas dúvidas de um dos componentes do grupo:
“O plano impressivo da mente grava as imagens dos preconceitos e dogmas religiosos com singular consistência”.

Diante de tal assertiva, devemos convir que todo desenlace natural se verificaria com certa cautela em que em nenhum momento poderia ser brusco, ocasionando assim, transtornos emocionais.
Devemos considerar que não será essa ou aquela religião que nos ditará a nossa sorte em planos mais superiores que o nosso se não estivermos com as mãos calejadas pelo trabalho fraterno.
A sementeira do bem pelo esforço voluntário não é tarefa fácil como pensam muitos.
Demandam horas de renúncia que não é qualquer um que se deixará levar pelo prazer do suor derramado.
A morte, tem “cartas na manga” para cada um que vem desligar-se do mundo em seus braços.
A consciência ditará normas de merecimento segundo o que tivermos semeado enquanto envolvido num corpo físico.
O Céu e o Inferno estão dentro de cada um de nós e, assim sendo, seremos atraídos para um ou para outro, segundo as nossas obras.

Concorda comigo, Leitor Amigo?

Autor: Aécio Emmanuel César

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O Espiritismo responde

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 28, 2018 7:55 pm

por Astolfo O. de Oliveira Filho

O leitor Roberto T., em mensagem publicada na secção de Cartas desta edição, enviou à revista o seguinte questionamento:
O livre-arbítrio de uma pessoa pode interferir no livre-arbítrio de outra?
Por exemplo:
pode uma pessoa, que deveria viver até os 80 anos, morrer em virtude de um atropelamento causado por um estado de embriaguez de outra pessoa que, nesse caso, fez mau uso de sua liberdade de acção?
Ou então, se era "destino" da primeira pessoa desencarnar naquele momento, então o infractor nada mais seria que um "instrumento divino" para se cumprir tal episódio, não devendo ser imputado a ele nenhuma culpa ou responsabilidade?
O livre-arbítrio é apanágio da criatura humana.
Trata-se da faculdade que tem o indivíduo de determinar sua própria conduta, ou seja, a liberdade que tem de, entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras.
Exceptuado o caso de alienação mental, nada nos coage nos momentos de decisões próprias, daí ser correcto afirmar que somos responsáveis pelos nossos actos e construtores do nosso destino.
Respondendo assim à pergunta inicial, podemos dizer, com base nos ensinamentos espíritas, que uma pessoa pode prejudicar, magoar, ferir e até matar outra pessoa, mas não pode interferir no seu livre-arbítrio, visto que esse atributo é conquista inalienável do ser humano.
A criatura humana exercita o livre-arbítrio a todo momento, seja quando cede a uma tentação, seja quando a ela resiste.
Há, no entanto, um instante em nossa vida que o exercício do livre-arbítrio se verifica de forma mais completa.
Esse momento é o que precede a reencarnação, quando se elabora a programação reencarnatória daquele que prepara sua volta ao plano corpóreo.
Escolhendo tal família, certo meio social, a pessoa sabe de antemão quais são as provações que a aguardam e compreende, igualmente, a necessidade dessas provações para desenvolver suas qualidades, curar seus defeitos, despir-se de seus preconceitos e vícios.
Essas provações podem, evidentemente, ser consequência de um passado nefasto, que é preciso reparar, e ela as aceita com resignação e confiança.
Aprendemos com a doutrina espírita que é estreita a correlação entre livre-arbítrio e responsabilidade.
Se agirmos mal, deveremos arcar com as consequências.
Se agimos bem, os louros da vitória nos pertencem.
Quem provoca de forma irresponsável um acidente que leva alguém à morte ou à invalidez, deverá responder por isso perante a Lei divina, mesmo quando o momento da morte naquelas circunstâncias fizer parte da programação da pessoa vitimada.
É a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade.
Sem ela, não seria ele mais que um autómato, um joguete das forças ambientes.
O questionamento feito pelo leitor fere também, indirectamente, duas questões importantes já examinadas nesta revista: o acaso e as mortes causadas por terceiros.

Sobre ambos os assuntos sugerimos ao leitor que acesse a secção O Espiritismo responde das edições abaixo mencionadas:
edição 103 – sobre o acaso: https://goo.gl/76ePgE
edição 511 – sobre mortes acidentais: https://goo.gl/XVjFrB

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O próximo mais próximo

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 29, 2018 10:43 am

Claudio Viana Silveira

O próximo a quem precisamos prestar imediata assistência é sempre a pessoa que se encontra mais perto de nós.
(Emmanuel.)

Numa das páginas evangélicas mais lindas (a parábola do Bom Samaritano), o Mestre das Misericórdias nos lembra quem é o nosso próximo mais próximo:
Esposa, marido, filhos, irmãos, via de regra, constituem-se o nosso próximo mais próximo.
Mesmo depois de 25, 30, 50 anos de proximidade, quando filhos, naturalmente, seguem destinos, o cônjuge torna-se o próximo preferencial; dificuldades, mormente físicas, tomam-nos conta.
Amiúde, em convivência no trabalho, estudo, recreação, actividade física… sempre haverá aquele próximo mais próximo, muitas vezes carente de um sorriso, bom dia, boa tarde, olá!…
É a simpatia roubando espaços à indiferença!
Nesta vida, como sempre, obedecemos e temos ascendências:
nosso mais próximo, então, será o superior ou o subordinado.
Saber tratar um malfeitor poderá indicar-lhe o bom rumo.
Com a proximidade, o mau pode ficar ‘menos pior’; e o bom, melhor ainda!
Quando adoecemos, o vizinho do lado torna-se o parente mais próximo; ele nos conduzirá aos primeiros socorros.
E a recíproca é verdadeira!
Já a neutralidade emperra a evolução:
nem avançamos na direcção do bem; e não contribuímos com a progressão do próximo…
* * *
Mas voltemos ao início de nossa modesta filosofia sobre o mais próximo: a família!
E percebamos o detalhe dos votos proferidos perante o juiz, sacerdote; perante nós mesmos.
Qual o significado de “na saúde e na doença… amando-nos, respeitando-nos, até que a morte nos separe”?
Renovarmos, amiúde, tais ‘promessas’ é termos a consciência da responsabilidade perante o próximo mais próximo.
Esse próximo poderá estar tão ferido e necessitado que precisará de nossos óleos, ataduras, talas, denários, boa vontade, “importar-se”, anonimato…
Tal como aconteceu com o assaltado da parábola do Bom Samaritano, contada pelo Mestre.

(Sintonia: Xavier, Francisco Cândido, Fonte Viva, ditado por Emmanuel, Cap. 126: Ajudemos sempre; 1ª edição da FEB.)

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Inquisição no século XXI?

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 29, 2018 8:56 pm

Advogada e médium!
José Lucas

A notícia está lá bem escarrapachada, no jornal “Diário de Notícias” (Portugal), do dia 28 de Fevereiro de 2018, em artigo assinado por Paula Freitas Ferreira, na versão online:
“Advogada que diz falar com os mortos, quis saber se actividades eram incompatíveis”.
Depois de ter esfregado bem os olhos, várias vezes, depois de ter relido várias vezes, consciencializei-me de que estava a ler mesmo isso.
O referido artigo continuava:
“Uma advogada que afirma ‘falar com o Além’ desde os 9 anos, e que é ‘detentora de vários cursos esotéricos e holísticos’, pediu um Parecer à Ordem dos Advogados (OA), para saber se pode continuar a exercer a advocacia em simultâneo com a prática holística.
O pedido, enviado para o Conselho Regional de Coimbra, recebeu resposta positiva a 11 de janeiro”.
Esta advogada, como milhares de outras pessoas (agricultores, professores, militares, magistrados etc….), é possuidora de um sexto sentido, de uma percepção extras-sensorial.
Até aqui tudo bem, pois esta característica, este sexto sentido, é orgânico, neutro, independe das convicções de cada um, das ideologias políticas de cada um, entre outras opções.
Apesar da coragem revelada pela dita advogada, ao afirmar-se publicamente como médium, sinto um mal-estar que me faz recuar aos tempos da Santa Inquisição, onde a Igreja decidia quem ia para a fogueira ou não, quem era herege ou não.
Em pleno século XXI, uma advogada tem de pedir um parecer à sua Ordem profissional para se defender profissionalmente?
Com que direito uma Ordem profissional dá um parecer sobre as convicções espirituais, políticas, clubísticas ou outras de índole íntima de um ser humano?
É tão inverossímil esta atitude, como por exemplo a Ordem dar um parecer sobre a compatibilidade ou não do exercício da advocacia com o falar, cheirar, tactear, ver, ouvir.
Parece estúpido, não parece?
Pois é, não só parece estúpido, como é estúpido…
Vivemos numa democracia, onde a Constituição da República Portuguesa consagra os direitos, deveres e garantias dos cidadãos, no entanto, no dia a dia os cidadãos têm de ter atitudes típicas dum Estado Islâmico?
O que se passa em Portugal?
Tive conhecimento de constrangimentos de pessoa amiga, da área da medicina, que é “perseguida, pressionada” no seu trabalho, por, além da sua profissão, na sua consciência, ser espírita.
Os espíritas continuam a ser perseguidos e discriminados em Portugal, em pleno século XXI, a começar pelo Estado…
Tive conhecimento de um amigo que usa um pseudónimo nas suas actividades espíritas, com receio de ser despedido de uma instituição estatal.
Tive conhecimento de um frequentador do Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, que eu frequento, que deixou de o frequentar pois o seu patrão (de uma corrente religiosa que não suporta o Espiritismo) ameaçou-o de que, se continuasse a ir ao centro espírita, seria despedido.
Vivemos num país supostamente do 1º mundo, com uma mentalidade do tempo da Santa Inquisição, onde os Espíritas (para quem ainda não houve 25 de Abril de 1974, pois o Estado ainda não devolveu todos os bens confiscados no tempo da ditadura e entregues à Casa Pia), em pleno século XXI, têm de se expor, têm de ter mil e um cuidados no seu quotidiano, por uma questão de liberdade de consciência, de expressão, de escolha da sua espiritualidade, consignada na Constituição da República Portuguesa?
Felizmente a situação é diferente de há 2 mil anos, quando os cristãos eram atirados aos leões, nas arenas dos circos romanos.
Se não faz sentido nenhum uma advogada (ou outro profissional qualquer) pedir um parecer de compatibilidade com a sua opção de ateu, católico, budista, espírita, agnóstico etc., menos sentido faz uma Ordem profissional dar um parecer positivo ou negativo, pois que o único parecer deveria ter sido “Não temos o poder de dar um parecer sobre questões de consciência individual”.
Já agora, se alguém souber onde se vende “bom senso”, seja em pó ou noutro estado qualquer, diga-me por favor, para enviar à Ordem dos Advogados, em Portugal…
Por falar em incompatibilidades, cada vez penso mais que as alterações climáticas no planeta Terra estão a dar cabo da nossa moleirinha e são incompatíveis com a normalidade!!!
Valha-nos Deus…

P.S. – No artigo diz-se que “o culto desses conhecimentos configura uma religião - o Espiritismo".
Aqui fica uma correcção:
O Espiritismo não é mais uma religião, mais uma seita, mas uma doutrina filosófica de consequências morais (in “O que é o Espiritismo”, Allan Kardec).

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A DIFERENÇA ENTRE EPILEPSIA E MEDIUNIDADE

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 30, 2018 12:13 pm

Este é importante capítulo da Neuropatologia que merece acurada atenção, particularmente dos estudiosos do Espiritismo, tendo em vista a parecença das síndromes epilépticas com as disposições medianímicas, no transe provocado pelas Entidades sofredoras ou perniciosas.
Muito frequentemente, diante de alguém acometido pela epilepsia, assevera-se que se trata de mediunidade a desenvolver» qual se a faculdade mediúnica fora uma expressão patológica da personalidade alienada.
Graças à disposição simplista de alguns companheiros pouco esclarecidos, faz-se que os pacientes enxameiem pelas salas mediúnicas, sem qualquer preparação moral e mental para os elevados tentames do intercâmbio espiritual.
Não obstante suas causas reais e remotas estejam no Espírito que ressarce débitos, há factores orgânicos que expressam as causas actuais e próximas, nas quais se fundamentam os estudiosos para conhecer e tratar a epilepsia com maior segurança, através dos anti-convulsivos”.
Prosseguindo em suas elucidações, Bezerra assevera ser necessário que primeiro o paciente se predisponha à renovação íntima, ao esclarecimento, à educação espiritual, a fim de que se conscientize das responsabilizadas que deve assumir, dando início ao tratamento que melhor lhe convém.
Miranda indaga se realmente ocorrem obsessões cruéis produzindo aparentes estados epilépticos, sendo prestamente esclarecido pelo sempre querido Dr. Bezerra:
“- Indubitavelmente há processos perniciosos de obsessão, que fazem lembrar crises epilépticas, tal a similitude da manifestação.
No caso, porém, em pauta, o hóspede perturbador exterioriza a personalidade de forma característica, através da psicofonia atormentada, diferindo da epilepsia genuína.
Nesta, após a convulsão vem o coma; naquela, à crise sucede o transe, no qual o obsessor, nosso infeliz irmão perseguidor, se manifesta.
Ocorrência mais comum dá-se quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então, com carácter misto.
Conveniente, nesse como noutros casos, cuidar-se de examinar as síndromes das enfermidades psiquiátricas, a fim de as não confundir com os sintomas da mediunidade, no período inicial da manifestação, quando o médium se encontra atormentado”.
O nobre Instrutor, em seguida, recomenda evitar generalizações, não adoptando uma atitude simplista.
Também ressalta os benefícios do tratamento fluidoterápico.
Concluímos, portanto, que a diferença básica entre uma crise epiléptica genuína e um transe mediúnico provocado por um Espírito obsessor é que, naquela, após as convulsões a pessoa fica inconsciente por alguns momentos, não fala nada e, nesta, o Espírito manifesta-se realmente, em geral, fazendo ameaças, falando do seu ódio, de sua vingança, etc.

Suely Caldas Schubert

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A fascinação como sintoma da evolução

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 30, 2018 9:40 pm

“Nem tudo o que luz é ouro, nem tudo que é feio é mau, quem não tem o que fazer, vá fazer colher de pau” (provérbio)[1].
A palavra fascinação geralmente é utilizada para falar de sedução ou de atracção.
Por sua vez, o termo atrair quer dizer puxar para si e também fascinar ou seduzir.
Já temos aí uma ideia a respeito do que ocorre connosco quando nos sentimos fascinados.
Vamos de um pensamento para outro repassando-os vezes incontáveis, ficando cada vez mais enredados nas mesmas ideias.
O Livro dos Médiuns aponta a fascinação[2] como uma das formas clássicas de obsessão, explicando que “trata-se de uma ilusão criada directamente pelo Espírito no pensamento do médium”, deixando claro uma interferência de fora para dentro, distorcendo os caminhos da mente.
No sentido psicológico quando uma pessoa está fascinada, trata-se de uma admiração, encantamento, êxtase, um interesse desmedido por uma pessoa ou pelo objecto de fascinação.
Pode ser pela sua aparência física, traços, cor da pele, inteligência e outras características, como também por qualidades ou perfil da personalidade que ela apresente.
Mas, por quê nos sentimos fascinados?
Temos alguma responsabilidade nisso?
Não há dúvida de que somos responsáveis pela nossa fascinação. Sócrates pode ter sido implacável com a afirmação “o que não temos, o que não somos, o que nos falta, eis os objectos do desejo e do amor”,[3]porém traz sobre a consciência de cada um a responsabilidade e a consequência dos nossos actos.
Se sofremos pelo que nos falta, disso resulta que vamos querer aquilo que não possuímos.
Incomoda muito perceber que alguém possui o que nos falta.
Por isso, queremos para nós também o que vemos no outro.
Procurando fazer uma síntese do que nos explica o Livro dos Médiuns e o que a Psicologia nos ensina a respeito do comportamento humano, quando ficamos fascinados ou atraídos por algo ou alguém, quer dizer que estamos vulneráveis e desejosos para suprir a falta da qualidade que vemos na outra pessoa e que nos causa fascinação.
Entendendo as consequências da fascinação na dimensão espiritual, podemos dizer que, sem grande esforço por parte dos espíritos que nos assediam, será fácil causar a influência, uma vez que, emocionalmente já estamos sensibilizados e nos tornamos frágeis por ideias que nos fazem querer os objectos de desejo.
É isso que chamamos de estar propenso, predisposto ou inclinado a fazer alguma coisa.
Então quer dizer que somos imaturos como crianças, queremos justamente o que não temos?
Não é tão simples assim.
O que nos falta, é exactamente o que nos atrai impulsionando-nos para a frente.
Podemos dizer que vivemos perseguindo satisfazer pequenas ilusões.
Enquanto vivemos, sofremos e nos esforçamos buscando realizar e esperar conquistas nas nossas vidas, temos oportunidades para que as verdadeiras transformações íntimas possam acontecer nessa trajectória.
Progredir é legítimo e harmoniza-se com a lei natural do progresso[4].
Por exemplo, quando você faz um enorme esforço para adquirir um bem muito desejado através de um plano de pagamento a prestações, está ao mesmo tempo, correndo atrás de uma ilusão, porque os bens materiais não vão embora connosco, e passando por experiências que ajudam a moldar e aprimorar o Espírito.
Afinal de contas é preciso paciência, tenacidade, honestidade e outras qualidades para que sejamos capazes de manter as nossas dívidas em dia e desfrutar do conforto e alegria proporcionada pelos bens adquiridos visando satisfazer nossas ambições.
Muitas coisas que desejamos possuir são apenas meios para o nosso aprimoramento.
O que nos modifica não é o que conquistamos mas é a luta e perseverança em chegar ao objectivo.
Sendo práticos e menos filosóficos, por quê somos possuídos pelas ilusões?
Antes de mais nada é uma coisa muito fácil de deixar acontecer.
É confortável sentir-se e deixar-se atrair.
Atende aos desejos, à imaginação, à criatividade, à fantasia e uma enorme demanda de satisfação de necessidades e prazer que possuímos.
O ser humano é propenso ao prazer das recompensas.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 30, 2018 9:41 pm

Sentimo-nos atraídos e cedemos muito fácil às tentações.
Nisso pautamos a nossa vida.
Como apanhar laranjas no pomar quando nem o dono e nem o seu cão de guarda estão por perto.
Atraentes e atraídos somos todos.
São forças que se complementam dentro de nós compondo a nossa maneira de ser e de agir.
Uma pseudo felicidade nos invade todas as vezes que encontramos afinidades com as pessoas.
Sentimo-nos interessados e facilmente atraídos para ouvir dizer que estamos certos, aprovados na maneira de pensar e até mesmo queridos e amados.
Na realidade, o ser humano é o mais carente de todos os seres.
Pesa sobre os humanos porém, a inteligência, maior que dos animais, como atribuição ética, a realidade do viver consciente das suas carências.
Essa condição de seres éticos, atrai também a angústia e a ansiedade que, muitas vezes, podem nos causar culpas e dúvidas surgidas das nossas acções.
Mas é conflituoso gostar e não poder fazer...
Além disso causa muitas culpas...
Conflituoso é mesmo.
Quanto às culpas é a nossa herança do que aprendemos a respeito de que quem erra merece ser castigado, em certos casos eternamente.
Esta compreensão perde a validade com a Doutrina Espírita.
Não há inferno futuro, a não ser o que já está presente nas culpas pelo que ainda não realizamos conforme o que nós mesmos achamos certo e justo.
Já falamos do ser ético que somos.
Daí nos tornamos ansiosos e angustiados.
O Espírito vivente que se aperfeiçoa sempre, é, por assim dizer, em escala reduzida, um exemplo prático das Leis de Deus em funcionamento.
Para sermos sábios, buscamos ser virtuosos.
Assim promovemos em nossas vidas a ordem, a harmonia e o equilíbrio.
A virtude também é uma purificação[5], através da qual o ser humano, esse Espírito em desenvolvimento, aprende a desprender-se do corpo, com tudo o que ele tem de terreno, da condição de matéria densa que se transforma, para estar em busca do Sumo Bem, através da prática das virtudes como a coisa mais preciosa que podemos fazer.
Estamos assim, ao buscar a virtude, imitando Deus para conseguir assimilar Deus em nossa compreensão da trajectória eterna da vida.
Ser virtuoso é a necessidade que o Espírito humano tem de manutenção e desenvolvimento.
O Espírito não se torna virtuoso e pronto.
A virtude[6] tem que surgir como história desse Ser.
É a condição virtuosa do ser humano que vai fazer de nós seres excelentes, isto é, os Espíritos que, uma vez criados simples e ignorantes, cumprem a sua finalidade de serem perfeitos.
Para Aristóteles a virtude[7] deve ser adquirida e duradoura e, enquanto vivemos nesta dimensão planetária, buscando o equilíbrio, cumprimos a condição de humanização.
Saímos da condição de hominídeos, isto é, de projectos de homens e mulheres, para atingir a humanização.
A virtude pois, é uma disposição adquirida de fazer o bem.
É o esforço para se portar bem.
Esses esforços constituem os nossos valores morais.
Pode ser explicada como uma disposição de coração, de natureza ou de carácter de uma pessoa.
Um provérbio, para terminar no mesmo tom que começamos, diz assim “ainda que enterrem a verdade, não sepultem a virtude”[8].Enéas

Martim Canhadas

[1] Esta forma de provérbio é de Mário Lamenza. Equivale a “nem tudo que reluz é ouro” e “as aparências enganam”. Citado no Dicionário de Provérbios e Curiosidades, de R. Magalhães Júnior, Edit. Cultrix, São Paulo, 1964.
[2] Livro dos Médiuns, Capítulo XXIII – Da Obsessão.
[3] Citado em Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Comte-Sponville, André, capítulo 18 – O Amor, Edit. Martins Fontes, 1999, São Paulo.
[4] Ver Livro dos Espíritos, Livro Terceiro – As Leis Morais, Capítulo VIII
[5] Citado em O que é Ética, de Álvaro L. M. Valls, Edit. Brasiliense’, Coleção Primeiros Passos, nº 177, 13ª reimpressão, ano 2000, São Paulo.
[6] As reflexões sobre a virtude estão fundamentadas na obra de André Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Edit. Martins Fontes, São Paulo, 1999.
[7] In Medio Stat Virtus, tradução latina do conceito de Aristóteles, que significa: A virtude está no meio, isto é, está no meio-termo, e não nos extremos. Citado no Dicionário de Provérbios e Curiosidades, de R. Magalhães Júnior, Edit. Cultrix, São Paulo, 1964.
[8] Provérbio citado no Dicionário de Provérbios, Adágios, Ditados, Máximas, Aforismos e Frases Feitas, compilado por Maria Alice Moreira dos Santos, Porto Editora Ltd, Porto, Portugal, 2000

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O espírito deseja, o perispírito vibra e o corpo experimenta

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 01, 2018 9:59 am

Jorge Hessen

Pesquisadores da divisão de doenças digestivas do Mount Sinai Medical Center, em Nova York, nos Estados Unidos, encontraram um “novo órgão” do corpo humano.
A descoberta só foi possível porque eles utilizaram um novo equipamento, uma nova versão do endoscópio, mangueira com uma câmara na ponta que permite analisar o sistema digestivo.
Para Neil Theise, professor em patologia e um dos responsáveis pela pesquisa, existe uma unidade e singularidade de estrutura ou de função do fluido intersticial, que compõe 20% do líquido do corpo.
Esse fluido intersticial circunda as partes do corpo que se movem, como a pele ou o pulmão.
O pesquisador jamais questiona como o fluido intersticial (densa camada de tecido conjuntivo) sobrevive a tanto stress sem se romper.
Agora se sabe que não são tecidos conectivos densos; eles são distensíveis e compressíveis espaços cheios de fluido.
Isso pode inclusive ajudar a explicar como o câncer se espalha pelo corpo”, segundo Theise. [1]
Os espíritas sabem que a nossa carcaça biológica é o espelho do corpo perispiritual.
Para que futuramente a ciência avalie melhor a mecânica e a natureza do corpo humano, necessitará estudar mais profundamente a estrutura funcional do perispírito, como matriz gerenciadora das funções do corpo físico.
O perispírito não tem sido estudado actualmente por ausência de instrumentos e equipamentos de laboratório mais possantes.
A ciência académica ainda está muito distante de conhecer e melhor entender a estrutura de funcionamento do psicossoma.
A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projecta no corpo perispiritual e, depois, no corpo físico.
Em outras palavras: quando o espírito deseja, o psicossoma vibra e o corpo experimenta.
Nessa linha de raciocínio concluímos que o processo imunológico, que neutraliza o desenvolvimento de doenças (inclusive o câncer), é resultante do trabalho permanente no bem e na prática da solidariedade, da fraternidade e do perdão irrestrito, atributos estes do espírito imortal.
Alguns embriogenistas actuais "desconfiam" da existência desse princípio e tentam, de alguma forma, comprovar essa desafiadora "matriz gerenciadora" no mecanismo da geração orgânica. Ensinam os benfeitores espirituais que o psicossoma tem função organogênica.
Destarte, permite a formação do próprio organismo e funciona em harmonia com os códigos genéticos.
Por essa razão, na sua ausência, o processo de fecundação seria uma composição orgânica sem forma definida (amorfa).
O espírito, através do perispírito, "influencia o citoplasma (sede das forças fisiopsicossomáticas), juntamente com as funções endocrínicas, por estar fixado no sistema nervoso central e enraizado intrinsecamente no sangue, sendo o modelador definitivo da célula". [2]
Sabe-se que se forem colocados fragmentos de tecidos orgânicos da epiderme ou do cérebro numa porção de soro em temperatura ideal, o fragmento acusa uma intensa vida.
Depois de algumas horas, os produtos da excreta intoxicam o soro, impedindo, com isso, o desenvolvimento celular. Renovando o soro, as células crescem novamente.
Porém, sem o governo mental, através do perispírito, em nada ficam sequer parecidas com as suas irmãs em funções orgânicas. [3]
A nossa realidade mento-espiritual gera o impulso criador que se projecta no corpo psicossomático e, depois, no arcabouço físico.
Em outras palavras, quando o espírito quer, o períspirito amolda e o corpo é formado de conformidade com o molde perispiritual.

Referências bibliográficas:
[1] Disponível em https://br.yahoo.com/financas/noticias/medicos-encontram-novo-orgao... acesso 28 de março de 2018
[2] XAVIER, Francisco Cândido & VIEIRA Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002
[3] As células tomam aspectos diferentes conforme a natureza das organizações a que servem e a inteligência, influenciando o citoplasma, obriga as células ao trabalho de que necessita para expressar-se, trabalho este que, à custa de repetições quase infinitas, se torna perfeitamente automático para as unidades celulares que se renovam, de maneira incessante, na execução das tarefas que a vida lhes assinala.

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Os conflitos na Síria, à luz da Doutrina Espírita

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 01, 2018 7:40 pm

por Maria de Lurdes Duarte

Há alguns dias atrás, tendo entre mãos a obra “Raio-X do Livro Espírita”, que me encontro, de momento, a estudar, dei com a seguinte afirmação:
“Reflicto também que Jesus está no leme e, por isso, o grande barco que é o planeta Terra — abençoada escola — não está à deriva, muito menos ao sabor dos ventos globalizantes.
Navegando no mar de provas e expiações, é natural que as tempestades (consumismo, crises sociais, políticas e financeiras) açoitem os passageiros de todas as classes”.
De repente, senti-me bastante grata ao autor da obra, Eurípedes Kühl, porque me dei conta de como estava precisada dessa chamada de atenção, tão premente, face aos graves acontecimentos da actualidade.
Refiro-me, concretamente, aos conflitos na Síria, que diariamente nos entram em casa pelos meios de comunicação social, e cujos horrores nos invadem os sentidos e a alma.
É certo que guerras e rumores de guerras sempre os tivemos.
O século XX, em particular, foi palco de duas grandes guerras que se estenderam pelo mundo e em que assistimos às maiores atrocidades e atropelos aos direitos humanos.
Depois dessas, muitas outras, em determinados pontos do planeta, disseminaram destruição, fome, doença, mostrando, enfim, o quanto a humanidade terrena ainda se encontra presa aos interesses mesquinhos do egoísmo e do orgulho.
Mas nunca como hoje fomos tocados, de uma maneira tão forte, pela dor e o sofrimento que a estes conflitos estão associados.
Isso deve-se, a meu ver, a dois factores.
Por um lado, os meios actuais que permitem, cada vez mais, aos repórteres, estarem presentes nos cenários de guerra, colhendo imagens e transmitindo-as em tempo real, graças às mais avançadas tecnologias, para os quatro cantos do planeta.
Por outro lado, a nossa sensibilidade, apurada ao longo do caminho evolutivo que temos vindo a percorrer, vai-nos permitindo perceber e assimilar a dor dos outros, mesmo dos que não conhecemos e se encontram distantes de nós, de uma forma que antes não acontecia.
Ou seja, não somos os mesmos que fomos em épocas anteriores.
Ou, explicando-me melhor, embora sejamos as mesmas individualidades, já alguma coisa certamente aprendemos, graças às oportunidades com que Deus, na Sua infinita misericórdia nunca nos faltou.
Desse modo, as atrocidades em que, quantas vezes, participamos outrora, hoje causam-nos espanto e horror.
Já não nos parece compatível tanto desrespeito, tanta desumanidade, tanta insensibilidade perante o sofrimento de um povo, numa época de tão grandes avanços civilizacionais.
Isto porque evoluímos.
E se assim é… demos graças a Deus que tantas oportunidades nos concede, através de todas as reencarnações, que não são mais do que repetição das lições abençoadas nesta escola da vida que é o ambiente terreno.
Mas, voltando à análise da situação em causa, fácil nos é perceber que, muito naturalmente, o Mundo se encontra faminto, não só de consolo, mas também de esclarecimento.
Um esclarecimento que sustente a Fé, já que, nos dias de hoje, já não basta a fé cega, dogmática; só uma fé raciocinada, esclarecida, tem sustentabilidade e encaminha o Homem para Deus.
É neste ponto que temos todas as razões para nos sentirmos abençoados pela luz que a Doutrina Espírita nos proporciona.
Vejamos, então, o que nos diz a este respeito a Codificação.

No capítulo VI de O Livro dos Espíritos, Lei de Destruição, mais especificamente sobre as guerras, encontramos as seguintes questões postas por Kardec, seguidas das respectivas respostas dos Espíritos:
“742. Qual é a causa que leva o homem à guerra?
- Predominância da natureza animal sobre a espiritual e satisfação das paixões.
No estado de barbárie os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um estado normal.
À medida que o homem progride ela se torna menos frequente, porque ele evita as suas causas e quando ela se faz necessária ele sabe adicionar-lhe humanidade.
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Re: ARTIGOS DIVERSOS III

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jul 01, 2018 7:40 pm

743. A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
- Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Então, todos os povos serão irmãos.”

E, mais adiante, sobre o destino dos culpados, Kardec pergunta:
“745. Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito?”
Ao que os Espíritos respondem:
“- Esse é o verdadeiro culpado e necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer a sua ambição”.

Das respostas dos Espíritos, facilmente se depreende que todo o efeito tem uma causa e que toda a causa terá, a seu tempo, e sobre a supervisão divina, o seu devido efeito.
Isso, como em tudo na lei de Deus, aplica-se também à guerra e aos seus causadores.
Nada acontece por acaso e nada acontece ao acaso. É a Lei.
Mas, por que ainda hoje continuamos a sofrer e a presenciar tais atrocidades em que os abusos parecem não ter limites?
Por que Deus, em sua divina sabedoria e misericórdia não se apieda do sofrimento humano e permite este estado de coisas?
Por que não afasta de vez da Terra aqueles que só oferecem entraves à felicidade alheia e ao progresso geral?
Talvez sejam estas algumas das questões postas por aqueles que buscam compreender e não encontram solução a contento.
O Evangelho segundo O Espiritismo oferece-nos as respostas a estas interrogações, proporcionando-nos a Luz que não devemos pôr debaixo do alqueire e constituindo-se o Consolador Prometido por Jesus.
Se não, vejamos.
No capítulo III, Há Muitas Moradas Na Casa De Meu Pai, encontramos o seguinte esclarecimento do Codificador, a propósito das maldades e paixões inferiores com que deparamos na Terra:
“Consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres.
Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correcção os que não praticaram crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correcção, são lugares de delícias”.

Mas, mais adiante, o Espírito Santo Agostinho assevera, deixando claro que este estado de coisas não será para sempre:
“19. O progresso é uma das leis da natureza.
Todos os seres da Criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere.
A própria destruição, que parece, para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta ao nada.
(…) A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado.
Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador.
Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará”.
As ideias expressas nesta afirmação de Santo Agostinho ajustam-se sobremaneira aos tempos a que assistimos na actualidade.
Ao passar por este processo de transição planetária, muitos Espíritos estão tendo as suas últimas oportunidades de reajuste, porque Deus a ninguém falta com a Sua misericórdia.
Vítimas, algozes, observadores, todos nós estamos passando por este processo de expiação das nossas culpas e prova de aptidão para fazer parte da Terra nessa nova fase de mundo de regeneração.
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Ave sem Ninho

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