ARTIGOS DIVERSOS III

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 14, 2018 7:52 pm

MEDIUNIDADE...

“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium.
Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo.
Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.

(Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).

Assim, conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contacto com o Mundo Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo.
Desta forma, ao fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso protector/mentor espiritual, entramos em contacto com as usinas de força da Vida Maior.
Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que recebemos a influência dos espíritos superiores.
E, pela questão da sintonia vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos.

"O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas ideias e inclinações". Allan Kardec.
Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”.
(Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)

Posto isso, os principais tipos de mediunidade são:
.de efeitos físicos:
Este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos - que têm consciência dos fenómenos por eles produzidos - e os involuntários ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenoménicas sem que o saibam.

.dos médiuns sensitivos ou impressionáveis:
são pessoas susceptíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão.
Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal subtileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade.

.médiuns audientes ou clariaudientes:
Neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos.
O fenómeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo.
Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva.
Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os espíritos.

.médiuns videntes ou clarividentes:
São dotados da faculdade de ver os espíritos.
Cabe salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

.médiuns psicofónicos:
Neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 14, 2018 7:53 pm

.médiuns de cura:
Este género de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação.
Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo.
Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel.
Porém, quem examina cuidadosamente o fenómeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa.
A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico.
No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso.
Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo.
A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação.

.médiuns mecânicos:
Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa, da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma acção directamente exercida pelo Espírito sobre esses objectos.
A cesta se agita por vezes com tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da assistência para nelas bater.
Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um sentimento afectuoso.
O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium; frequentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si.
Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar.
Pode, pois, o Espírito exprimir directamente suas ideias, quer movimentando um objecto a que a mão do médium serve de simples ponto de apoio, quer accionando a própria mão.
Quando actua directamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último.
Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba.
Nesta circunstância, o que caracteriza o fenómeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve.
Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos.
E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

.médiuns intuitivos: 180.
A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado.
O Espírito livre, neste caso, não actua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia.
Actua sobre a alma, com a qual se identifica.
A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis.
Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar.
Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jun 14, 2018 7:53 pm

Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite.
Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento.
E o que se chama médium intuitivo.
Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium.
Efectivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente.
Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à ideia que antecipadamente se formara.
Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium.
O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete.
Este, de facto, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro.
Tal precisamente o papel do médium intuitivo.

.médiuns semi-mecânicos: 181.
No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo.
O médium semi-mecânico participa de ambos esses géneros.
Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam.
No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o.
Estes últimos médiuns são os mais numerosos

.médiuns inspirados: 182.
Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados.
Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido.
A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último género.
A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir.
Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar.
Sob esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha seus Espíritos protectores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos salutares ideias.
Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém deixaria de recorrer com frequência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer.
Que cada um, pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito frequentemente se admirará das ideias que lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor.
Se nenhuma ideia surge, é que é preciso esperar.
A prova de que a ideia que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal ideia lhe existira na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão para que ela se não manifestasse à vontade.
Quem não é cego nada mais precisa fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser.
Do mesmo modo, aquele que possui ideias próprias tem-nas sempre à disposição.
Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo.
Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras.
Nesses momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as ideias abundam, sob um impulso involuntário e quase febril.
Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo.

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty O semear tende ao infinito...

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 15, 2018 9:55 am

por Lívia Maria Ribeiro Leme Anunciação

Jesus Cristo, ao nos ensinar por parábolas, nos traz profundas reflexões na Parábola do Semeador (Mt 13:3-9; Mc 4:3-9; Lc 8:4-8).
Allan Kardec, no Livro “O Céu e o Inferno”, logo no capítulo I, quando faz apontamentos sobre “O porvir e o nada” menciona que “pela crença do nada o homem concentra, forçosamente, todos os seus pensamentos na vida presente”.
Quando a semente cai pelo caminho e os pássaros a comem, Jesus nos fala da fugacidade, da semeadura sem consciência espiritual, da semeadura material, aquela necessidade que o homem possui e que passa tão rapidamente que não traz senão a satisfação momentânea sem construção salutar alguma.
Kardec aponta para esse olhar egoísta em que o homem pensa somente em si, sendo o egoísmo um obstáculo para a evolução moral.
O homem de facto evolui, cada um a seu tempo, entretanto, quanto mais obscuro o envoltório ocular e das percepções, mais morosa é a caminhada, ocorrendo assim entraves nesta jornada.
As sementes são largadas, jogadas ao léu, mas sem a colheita.
O coração se enche de orgulho e devasta aquela existência.
A vivência do Espírito se torna incrédula.
De uma forma simplista, leiga e ausente do conhecimento da espiritualidade, a humanidade nasceria então isenta de qualquer responsabilidade perante o mundo em que vive.
Todo o conhecimento científico e apropriação da cultura é condicionado aos processos educacionais implícitos em cada realidade.
Entretanto, nós espíritas, sabemos da bagagem do Espírito e compreendemos que ao nascermos nesta existência boa parte da semeadura foi realizada em existências anteriores e se estende ao infinito em um continuum.
Vejamos a análise pela lei de causa e efeito.
Se a semente é plantada na rocha, na pedra, sem semeadura e sem cuidados, certamente a germinação está prejudicada.
Quantos de nós, por diversos momentos, plantamos essa semente na pedra, por palavras proferidas e colocadas em momentos inoportunos, com pensamentos depreciativos e destrutivos?
Certamente, o efeito disso é a morte da semente plantada.
É o fracasso da vida, pois a semente é o elemento divino do porvir.
Um exemplo: o olhar materializado para as coisas do mundo, sem a influência do conhecimento da espiritualidade conduz a uma cegueira espiritual, obscurecendo as luzes da verdadeira vida e leva o Espírito ao sono profundo da ignorância.
A semente nada mais é que nosso coração.
Cada um tem sua história, mas o coração fértil envolto e regado pela Luz Divina supõe trabalho com aprendizagens, ora dolorosas ora ditosas.
É um misto de vivências que nos constroem em busca da evolução espiritual constante.

Quando Jesus nos chama a atenção para a semeadura, Ele nos coloca como responsáveis pela nossa existência e a lei do livre-arbítrio regula, então, esta semeadura, e a vivência no Evangelho é o solo fértil para germinar as sementes plantadas pelas nossas experiências.
Assim, ora depuramos as tendências, ora adquirimos novos débitos e ora internalizamos virtudes que se cristalizam em nossa consciência.
Enfim, nossa evolução espiritual tende ao infinito.

Lívia Maria Ribeiro Leme Anunciação reside em Bauru (SP).

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty Cristianismo, esperança sublime

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 15, 2018 8:08 pm

por Maria De La Concepción Parada

Jesus é o mais notável Ser da humanidade.
Sua vida e obra são as mais comentadas dentre todas as que já passaram pela civilização através dos tempos.
Na Terra, foi demonstração sublime de amor puro e desinteressado que se deu a conhecer.
O Ser Divino, o filho mais próximo de Deus, revestiu-se do corpo da matéria por amor e viveu entre os encarnados cumprindo com sabedoria a missão para a qual veio ao mundo físico.
Vivendo em uma época em que predominava a ignorância em forma de sombra individual e colectiva, qual ocorre nestes dias, embora em menor escala, Jesus cindiu o lado escuro da sociedade e das criaturas, iluminando as consciências com a proposta de libertação pelo conhecimento da verdade e integração nos postulados soberanos do amor.
Incompreendido, assediado pela astúcia e perversidade, perseguido, jamais se deixou vencer ou descuidar-se do objectivo para o qual veio, conseguindo perturbar os adversários inclementes com respostas sóbrias e lúcidas calcadas no reino de Deus cujas fronteiras se ampliavam, agasalhando todos os seres humanos sedentos de justiça, famintos de paz, carentes de amor.
Jesus pregou, orou e curou.
Incansável em Suas demonstrações de fé revelou a vida futura, respeitando e compreendendo o grau de adiantamento dos povos, no dever sagrado de desvendar o véu que encobria a verdade.
Mas, devido a esse adiantamento ser ainda pequeno naquela época, poucos o compreenderam e, ainda hoje, muitos não conseguem assimilar Suas palavras para não ter de reformular seu coração para o bem e aceitar o próximo como legítimo irmão.
O Mestre, no campo supremo das últimas horas terrestres, mostrava-se absoluto senhor de si, ensinando-nos a sublime identificação com os propósitos de Deus como o mais avançado recurso de domínio próprio.
Sabendo de tudo que iria acontecer, que era chegada a Sua hora, apossou-se D’Ele um desejo ardente de estar com o Pai. Suas palavras se tornavam cada vez mais doces e ternas.
Seu semblante resplandecia como jamais os discípulos o tinham visto.
A claridade brilhante que o transfigurava irradiava-se à sua volta.
Os discípulos observavam fascinados o Mestre, atentos para não deixar escapar nenhuma de suas palavras.
Contudo, ainda não conseguiam entender a verdadeira dimensão do que estava acontecendo.
Sentiam que Jesus lhes falava de Sua pátria de luz e que queria transmitir-lhes algo que pudesse enriquecer suas pobres vidas.
Nenhum deles ousava interrompê-lo.
Então, num magnífico elo de amor, intercede por Si, por eles e por nós.
Ele sabia que diante dos acontecimentos que estavam por vir, ficariam inseguros, temerosos, pois se Ele, Jesus, o escolhido por Deus, tinha sido incompreendido, o que iria acontecer com eles, seus seguidores?
Certamente, naquele momento, todos iriam se sentir fracos e desamparados.
Necessitava, pois, encorajá-los não somente com palavras, mas com o seu imenso amor, prevenindo-os das dificuldades pelas quais iriam passar após a Sua partida.
Na verdade Jesus estava anunciando sacrifícios e sofrimentos, não somente para eles, mas para todos que estivessem dispostos a seguir Seus ensinamentos.
Entretanto, deixava claro que apesar das dificuldades nunca estariam sós; jamais lhes faltaria o amparo, a consolação, suplicando ao Pai que os santificasse na condição humana.
Anunciava sacrifícios e sofrimentos, mas nunca estariam órfãos.
Seriam convocados a interrogatórios humilhantes, contudo, não lhes faltaria inspiração.
Seguiriam atribulados, mas não angustiados; perseguidos, mas nunca desamparados.
Receberiam golpes e decepções, mas não lhes seriam negadas a esperança e o conforto.
Sofreriam flagelos no mundo, no entanto, suas dores abasteceriam os celeiros da graça e da consolação dos aflitos.
O Senhor não prometeu aos companheiros senão continuado esforço contra as sombras até a vitória final do bem.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jun 15, 2018 8:08 pm

Por isso, o discípulo do Evangelho não deve esperar repouso quando o Mestre continua absorvido no espírito de serviço.
Ele não veio nos livrar das faltas, mas ensinar-nos o caminho para superá-las.
Não veio tomar sobre seus ombros os encargos de nossas transgressões, mas indicar-nos por meio das palavras edificantes dos Evangelhos como aprimorar nossas qualidades e aproximar-nos da perfeição possível.
É impossível aguardar em Cristo um doador de vida fácil. Ninguém se aproxime dele sem o desejo sincero de aprender a melhorar-se.
Se o Cristianismo é esperança sublime, amor celeste e fé restauradora é também sacrifício e aperfeiçoamento incessante.
De nada vale partirmos do planeta se ainda nossos males não foram exterminados convenientemente.
Podemos trocar de residência, mas a mudança é quase nada se nossas feridas nos acompanharem.
Somos discípulos de Jesus e sabemos que todo aquele que serve o Senhor será forte candidato a habitar mundos melhores.
Muitas são as moradas do Pai e um dia poderemos fazer parte delas.
Mundos melhores a esperar por nós, mas para que possamos habitá-los, teremos que passar por transformações e nenhuma delas ocorrerá sem sacrifícios e com alguns momentos de desajustes.
Depois do Sermão do Cenáculo, os apóstolos ficaram encarregados de preparar as gerações, ainda que houvesse muito a ser dito.
O Espírito da Verdade ficaria encarregado dessa missão e os benfeitores invisíveis estariam sempre com todos que quisessem receber os ensinamentos.
E é por isso que a Doutrina Espírita, na condição de Evangelho Redivivo, traça orientação clara e segura que nos traz esperança e consolo e, principalmente, a nos guiar, educando nossos sentimentos de solidariedade, fraternidade, para que sejamos um, em sintonia com os desígnios do Supremo Senhor.
Tantos séculos após a morte do Cristo, legiões de Espíritos permanecem ensinando aos seus irmãos da Terra a Lei de progresso, realizando a promessa de Jesus, restaurando a Sua doutrina.
O Espiritismo dá-nos a chave do Evangelho, trazendo moral superior definitiva, espalhando a verdade sobre os povos para que ninguém a possa destruir.
Não é mais um homem, não é mais um grupo de apóstolos que se encarrega de fazê-la conhecida da humanidade.
As vozes dos Espíritos proclamam-na sobre todos os pontos do mundo. Assim, a moral espírita edifica-se sobre os testemunhos de milhões de almas em todos os lugares, através dos médiuns que vêm revelar a vida além-túmulo, desvendando suas sensações, alegrias e dor.
Quando a mediunidade avança com o Evangelho, harmonizando-se com ele na plenitude do seu ideal, abre-se então como uma flor que vai despertando, transformando, perfumando onde quer que esteja, educando suas forças, disciplinando todos os impulsos na ordem divina de amar.
No Evangelho de Mateus, capítulo dez, versículo trinta e oito, Jesus nos diz:
“E quem não tomar a sua cruz, e não seguir após mim, não é digno de mim”.
Seguir os passos do Mestre requer renúncia, dedicação, entrega e esforço.
Assim sendo, cada um de nós deve estar ciente da sua tarefa no mundo, tomando a sua cruz, carregando-a com amor incondicional, para que dessa maneira possamos superar os desafios, renovando-nos espiritualmente.
Nenhum de nós procure destaque injustificável.
Na direcção ou na subalternidade, basta-nos o privilégio de cumprir o dever que a vida nos assinala, discernindo e elucidando, auxiliando e amparando sempre.
O coração motor da vida trabalha oculto, e Deus, que é para nós o Anónimo Divino, palpita em cada ser sem jamais individualizar-se na luz do bem.

Bibliografia:
HENRIQUES, Sonia Tozzi – ditado pelo Espírito Luiz Ricardo – Sob a luz do Evangelho – Editora Panorama – São Paulo / SP - 2002 – página 9.
DENIS, Léon – Depois da Morte – 28ª edição – Editora FEB – Brasília /DF – 2008 – páginas 240 e 314.

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty O perigo da idolatria espírita

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:36 am

Por enquanto pertencemos a uma época instável e compomos, no geral, uma sociedade instável.
Porém, ser moderno não é apenas estar vivendo actualmente (2013), mas também procurar compreender o que denuncia nosso Zeitgeist, ou seja, tentar discernir os ecos do plano invisível que guiam os padrões do existir no plano visível – e, portanto, os comportamentos sociais não são apenas “eventos externos”, eventos da esfera privado-público, mas também “internos” e como ocorrências ou factos da alma.
Por isso somos obrigados a tornar conscientes motivos e/ou convicções que no geral estão a orientar nossas vidas para que possamos viver “menos” às cegas, mais conscientes em relação a nós mesmos, nossos deveres, tarefas, compromissos e para que não sejamos escravos da biografia alheia.
É facto que as pessoas na Antiguidade tinham por hábito cultuar deuses.
Não sem razão, Jung perguntou para onde foram os deuses depois que deixaram o Olimpo, e ele mesmo adivinhou que tinham ido para o plexo solar.
Mais tarde, quando os homens descartaram as catedrais medievais – e o culto a reis e papas –, o mesmo Jung escreveu numa carta que eles, os ocidentais, despencaram no abismo do Si-mesmo.
Em consequência, embora a diversidade de facetas da experiência moderna, uma há que chama a atenção, porquanto hoje (como no passado) os homens estão a cultuar deuses, mas estes agora estão metamorfoseados de líderes políticos, actores, jogadores de futebol, celebridades em geral e, no contexto espírita, celebridades espíritas!
Sem alarde, sabemos, através de estudos e pesquisas sérias, que grande parte da população mundial sofre nos tempos de agora, em maior ou menor grau, da síndrome do culto à personalidade.
Além disso, os adolescentes, insinuam os estudos dedicados ao tema, são os mais susceptíveis ao transtorno.
Mas particularmente observo muitos adultos preocupados com o ídolo...
Compreendo o respeito que se tenha a pessoas pela admiração que elas nos provocam quando realizam (e/ou realizaram) acções (obras) que nos afectam ou cativam em profundidade por qualquer razão ou motivo sensato.
É humano e um belo tributo à pessoa, que terá seu nome inscrito na história de um povo, de uma comunidade, e, no nosso caso, nos registos espíritas...
Mas a meu ver isso basta. A idolatria não dá certo.
Cada um de nós pode, de tempos em tempos, regredir através de um padrão que polariza uma pessoa (no caso uma personalidade pública), tornando-se prisioneiro da arte de idolatrar.
E o mínimo então que temos a fazer diante do risco das grandes forças regressivas dentro de nós, muito ligadas talvez ao antigo hábito de idolatrar ‘deuses ou bezerro de ouro’, é procurar retomar a consciência e se ater à prudente observação do poeta persa Rumi:
“cada homem veio ao mundo para realizar um trabalho particular e esse é o seu propósito”.
Quer dizer, mesmo “ele” [o ídolo] está fadado à realização de um trabalho particular e é um ser humano como qualquer outro.
Assim somos gratos a Francisco Cândido Xavier por sua fecunda mediunidade dedicada aos livros, por seus exemplos de consolo, caridade e humildade.
Igualmente, sem olvidar que, segundo o próprio Jung, a coisa mais desastrosa sobre o inconsciente é que ele é inconsciente, somos gratos aos livros que alargaram nosso entendimento sobre o mundo interior, rigorosamente escritos pelo competente Espírito Joanna de Ângelis, e através da mediunidade de Divaldo Franco, cuja obra de assistência e de divulgação do Espiritismo pelo mundo é vasta e por si mesma denuncia o belo “trabalho particular” desse homem, trabalhador de Jesus.
Mas condutas que, no meio espírita, extrapolem o justo reconhecimento aos trabalhadores espíritas, infelizmente fazem aliança com o equívoco da idolatria.
E creio que nenhum trabalhador espírita sério e mesmo Divaldo Franco mereçam ser alvos disso.
Com ênfase, muito menos Divaldo Franco (1) e no instante do seu crepúsculo...
Tenho certeza de que ele, se pudesse, apenas pediria para ser reconhecido como um trabalhador que de forma luminosa completou sua tarefa e que honra a Obra de Jesus.
Então, espíritas, por que dar vazão à síndrome do culto à personalidade e, em consequência, a esses excessos que observamos na mídia espírita, quando há registos de reportagens ou escritos de qualquer natureza carregados de expressões superlativas e/ou adulações?
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 10:37 am

A discrição e humildade são sempre sinais de maturidade espiritual e essenciais para um existir equilibrado.
Como aprendizes da desistência da necessidade egoica de identificação/comparação, isto é, a atitude de estar ligado àquele que não sou,mas do qual dependo para ser quem sou, o culto à personalidade é sempre algo que urge ser rectificado e evitado, principalmente no contexto espírita (e aqui me refiro especialmente aos responsáveis pela imprensa espírita), pois somos convocados a procurar nos precaver contra maneiras vicárias de viver.
Sabemos que Jesus é o modelo de todas as virtudes.
E quando em sua passagem se reconheceu Mestre (Professor), recusou o qualificativo de bom, afirmando que somente o Pai merecia esse adjectivo.
Uma clara prova de humildade e também uma atitude veementemente pedagógica contra o culto à personalidade.
Por fim, em julho deste ano, Papa Francisco pediu a remoção de uma estátua que o retrata, e que fora colocada nos jardins da Catedral Metropolitana de Buenos Aires.
Ele, segundo o jornal Clarín, pediu a um padre da capital argentina:
“tirem a minha estátua de Buenos Aires, sou contrário ao culto à personalidade”.
Assim como o Deus espírita não é um ídolo, “mas aquela realidade que, como dizia Descartes, está na consciência do homem como a marca do artista na sua obra” (Herculano Pires), tratemos pessoas e trabalhadores espíritas (2) como nossos irmãos (alguns mais experientes e, por isso, bem-sucedidos em suas tarefas e projectos), mas não como ídolos; afinal, o único modelo, e para todos nós, é Jesus, nosso Mestre e irmão mais velho, como bem esclareceu Francisco de Assis.

(1) E que fique claro o objectivo deste escrito:
o problema não é “Divaldo Franco”, trabalhador honesto e autor de uma obra dedicada à causa do Cristo bela e decente, mas sim os “divaldianos”.
Meus professores diziam sempre que o problema dificilmente reside no “autor da obra”, mas no geral o “factor de complicação” está nos seguidores (pensemos aqui em Marx e os marxistas; em Kant e os kantianos; em Lacan e os lacanianos etc.).
Com excepções, é claro, muitos seguidores correm o risco do fanatismo.
E isso diz respeito também a uma das facetas da idolatria, e que pode mascarar-se como ideologia etc.

(2) O culto à personalidade espírita é um desserviço à divulgação da Doutrina, especialmente com o advento da Internet e mesmo das redes sociais.
Poderíamos então evitar cultuar espíritas, estejam eles vivos ou mortos (vida além da vida).
Senão corremos o risco, principalmente no Brasil, de observamos um “Espiritismo” polarizado nas figuras de “Chico e Divaldo” e isso não é saudável, pois muitos outros contribuíram e contribuem para a difusão desta Doutrina luminosa.
E penso que nós temos o dever de analisar as coisas de maneira serena e compreensiva, mas é preciso dar nosso testemunho sempre.
E o Espiritismo, como uma Doutrina evolutiva, não pode por ingenuidade/imaturidade anuir com a idolatria.
Fiquemos, pois, com um só Modelo: Jesus.

EUGÊNIA PICKINA

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty As várias mortes em uma vida

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 8:59 pm

Não há mal que por bem não venha."
(Ditado espanhol.)

O que é vida, sob o ponto de vista terreno?
Vida é tudo aquilo que acontece entre o nascer e o morrer do corpo físico:
eventos físicos, sociais, psíquicos ou espirituais que ocorrem ao longo de uma existência na Terra.
Tudo o que nos acontece de bom, ruim ou neutro tem, como objectivo principal, nossa evolução.
(Recordando que muitas vezes aquilo que julgamos como mau é, em verdade, algo bom e vice-versa).

Diz a Lei que devemos nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre.
Portanto, não existe a possibilidade de retrocedermos na caminhada, tampouco de desistirmos no caminho.
Não conseguimos nos destruir, não existe a possibilidade da inexistência.
Sobreviveremos a tudo.
O que temos é o direito de decidir se sofreremos mais ou menos durante este rico e maravilhoso percurso.
E, dentro deste processo chamado vida, vamos presenciando um desfilar de mortes, em todas as fases vividas.
Finalizações de etapas, de ciclos, perdas de entes queridos, mudanças de cidades, de amizades, de trabalho, alterações no corpo, na situação social, nos planos, na forma de ver o mundo, nos sonhos.
Muitas mortes, muitas dores e lamentos.
A Lei da Impermanência, mostrando-nos o inevitável, porque necessário.
Porém, quando conseguimos reconhecer que os fechamentos não são para nos destruir, mas para nos fortalecer, automaticamente o sofrimento acaba, dando lugar à aceitação e à gratidão.
Deixamos de lado as reclamações, as revoltas, os muxoxos e nos focamos no que deve ser realizado por aqui.
Eis a maturidade que devemos buscar.

RENASCER PARA CRESCER EM ESPÍRITO
Quando decidimos pela reencarnação, morre temporariamente para nós a realidade suprema e absoluta: nossa vivência espiritual.
Somos Espíritos, portanto nossa dimensão natural é a do mundo dos Espíritos.
É lá que podemos ser o nosso eu real, desprovido de máscaras ou necessidades materiais.
Conseguimos nossa relativa liberdade, muitas vezes com magnifica ampliação de consciência, podendo focar nossa atenção em factos e situações realmente relevantes, além de nos dedicarmos a assuntos de maior necessidade.
Por certo não deve ser fácil decidir pela reencarnação, embora seja esta decisão inevitável, quando precisamos aprender determinadas experiências relacionais e planetárias.
Mas a verdade é que o medo do fracasso pode surgir no cenário, causando grande angústia ao Ser reencarnante.
Vemos, ainda, o luto com relação àquilo que deixaremos para trás - o que chamamos de luto antecipatório.
No livro Nosso Lar, do Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, no capítulo 47, o médico carioca nos conta que Dona Laura, uma grande trabalhadora daquela cidade espiritual, na véspera de retornar ao Plano Físico, encontrava-se ansiosa, séria, acabrunhada.
Sentia enorme receio de retornar, tendo em vista as possibilidades porvindouras.
Não que ela fosse viver um plano de enormes problemas, mas sabia das dificuldades que enfrentamos na Terra, do quanto precisamos batalhar para alcançarmos a paz necessária para atravessar as dificuldades que a vida se nos apresenta.
Foi quando Ministro Genésio, um dos convidados para a festa de despedida dela, em tom firme, falou ao seu coração preocupado:
"... precisamos confiar na Protecção Divina e em nós mesmos.
O manancial da Providência é inesgotável.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 9:00 pm

É preciso quebrar os óculos escuros que nos apresentam a paisagem física como exílio amargurado.
Não pense em possibilidades de fracasso; mentalize, sim, as probabilidades de êxito”.
Podemos destacar aqui sobre a necessidade de mentalizar, de focar o positivo da experiência.
Do quanto precisamos confiar na dinâmica da Vida, na protecção e direccionamento positivo que ela proporciona, sempre.
Quando nossas crenças mais profundas ditam o fracasso, impossível o sucesso.
É preciso desenvolver uma visão real, consistente e coerente com a realidade da Vida, que traz o bem sempre, mesmo que sob o disfarce de algo mau.
Após longo diálogo, Dona Laura encheu-se de coragem e força e tornou a se alegrar diante das oportunidades que surgiriam em sua empreitada na Terra.
O luto foi elaborado.
Aceitou a necessidade de sua reencarnação com tranquilidade e boa energia.

SER CRIANÇA PARA ABSORVER
Assim como ela, quando renascemos precisamos, inevitavelmente, obedecer a Leis Naturais, relativas ao desenvolvimento físico e psicológico, oriundo do mundo material.
O corpo infantil vai crescendo e, com ele, os processos mentais vão ficando cada vez mais complexos, muita vez carregados de imputs nem sempre positivos.
A perda relativa da memória espiritual nos permite estar mais livres para as novas aprendizagens.
Interferimos menos, questionamos menos, aprendemos mais.
Por outro lado, este momento é de extrema delicadeza e vulnerabilidade.
Se os adultos não se atentam para a psicologia infantil, se não observam as necessidades de aprendizagem positiva de uma criança, para além das questões intelectuais, acabam por contaminar o Espírito reencarnante com estímulos deletérios, capazes de comprometer toda a caminhada do Ser.
Com frequência pergunto às pessoas se elas acreditam ser mais importante ter um filho ou dirigir um carro.
Pergunta esta que certa vez fizeram para mim e que me encheu de estranheza.
Então me dizem:
“Claro que é mais importante ter e educar um filho!”.
Diante da óbvia resposta, torno a fazer nova pergunta:
“Então, por que será que para guiar um carro nos preparamos tanto, com leituras, aulas e testes, enquanto que, para ter um filho, a maior parte das pessoas somente realiza sexo?”
Leituras sobre a psicologia infantil, sobre formas de educar, sobre as variadas pedagogias disponíveis são de suma importância!
Encontros, trocas e pesquisas, também!
Eu, como Psicóloga, ficaria imensamente feliz se um jovem casal me procurasse para discutir questões relacionadas a estes temas, antes do nascimento do primeiro filho.
Esta seria uma medida inteligente.
Mais que isso - uma acção verdadeiramente amorosa, comprometida, responsável.
E, ainda dentro da temática “morte", Ser criança é também ver morrer na alma, aos poucos, a leveza interior.
Com o passar dos anos, os pequenos vão tendo contacto com dificuldades e desafios e aprendendo que os adultos nem sempre são confiáveis e correctos.
Aprende com a mentira; existe mesmo no meio infantil que para ser amado é preciso bem mais que apenas ser um filho, mas que é preciso corresponder a muitas expectativas, nem sempre possíveis para ela.

ADOLESCÊNCIA: A PERDA DA INFÂNCIA E O MEDO DO MUNDO ADULTO
Os anos vão passando e, se ainda encarnados, vamos vivenciando mudanças significativas.
Das naturais, relativas ao físico, a perda do corpo infantil gera angústias no adolescente.
O tamanho, as formas, tudo gera estranheza.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 9:00 pm

Muitas vezes ele nem consegue se dar conta do espaço que ocupa no ambiente, resvalando nos móveis e cantos, machucando-se.
Outra perda significativa diz respeito à sua ligação com os pais.
Aqueles que pareciam ser os super-heróis perfeitos e verdadeiros passam a ser questionados.
Discussões podem ocorrer; o jovem busca sua própria identidade, que deve ser diferente da dos pais.
Existe grande conflito interno, com questionamentos variados, que vão desde questões de quotidiano até filosóficos.
O adolescente vive um luto dos pais idealizados que devem ser substituídos por figuras mais reais, falíveis.
E isso gera angústias.
Outro luto vivido pelo adolescente é o relacionado à própria identidade.
Ele não sabe quem é ao certo.
Memórias de tendências desenvolvidas em outras vidas, até então retidas no banco do inconsciente, passam a tomar espaço no psiquismo, o que por vezes causa conflitos naqueles com quem convive, assim como nele próprio.
Junto a tudo isso, dependendo de suas vivências, do clima de seu lar, das frases que escuta e dos actos que percebe à sua volta, este adolescente pode sentir grande receio de adentrar no mundo adulto, por lhe parecer opressor, injusto e caótico demais.
Filhos que vêem seus pais brigando com frequência ou com conflitos no campo profissional tendem a apresentar dificuldades nos relacionamentos e nas escolhas necessárias.
Além disso, podem tentar “segurar" a vida, infantilizando ou evitando responsabilidades por longos períodos.
Vale dizer que, em todos os casos, o diálogo franco, a escuta amorosa e a orientação segura devem permear as relações entre pais e filhos, para que estas crises, comuns nesta fase, sejam superadas com certa tranquilidade.

O MUNDO ADULTO, SUAS CRISES E SUPERAÇÕES
Viktor Frankl, famoso psiquiatra vienense, criador da Logoterapia, e sobrevivente de um campo de concentração, dizia que "quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando não é favorável, devemos transformá-la, e, quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos”.
Complemento a ideia dizendo que, se isso não ocorrer, podemos adoecer.
Todo aquele que se nega a aceitar o que não pode ser modificado, enrijece diante da vida, estaciona no caos, se enclausura na negação, deixando de observar múltiplas bênçãos que bailam bem ao lado, convidando-o para a fartura da existência.
São os mimados da Terra, que pensam ter reencarnado apenas para usufruir, se divertir e descansar. Ledo engano!
A Vida nos mostra (quando nos dispomos a observá-la) que em todo lugar existe trabalho, esforço e cooperação.
Desde os menores seres até os mais desenvolvidos, todos precisamos uns dos outros, num rico entrelaçar de existências, formando uma rede sagrada a que também podemos chamar de Deus, já que é Ele o Criador de tudo o que existe.
Jesus, quando questionado sobre o porquê de trabalhar aos sábados, desrespeitando a Lei Judaica que prega o descanso no shabat (dia de sábado), responde de forma clara e objectiva:
“Meu Pai trabalha até hoje e eu também!”.
E podemos chamar de trabalho tudo aquilo que realizamos dentro e fora de nós com o firme propósito de nos melhorarmos, assim como ao mundo.
Justamente por este motivo que chamamos de “trabalho de luto” o processo de elaboração no qual o enlutado precisa cumprir determinadas metas, esforçando-se para aceitar a morte, a finalização de algo, trabalhando a dor advinda da perda de forma madura, ajustando-se ao ambiente, transferindo o amor dedicado até então para outras experiências, pessoas ou causas.
É assim que vemos pessoas que perderam seus parentes mais significativos conseguindo superar a dor mais intensa dedicando seu tempo e doando amor a outras pessoas ou abraçando nobres causas sociais ou mesmo ambientais.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jun 16, 2018 9:01 pm

Porque o amor é a fonte primeva de nossa saúde, paz e felicidade.
Afinal, somos filhos do amor.
Ele é nossa matéria-prima, podemos assim dizer.
Por todo lado podemos perceber que situações, coisas e seres começam, se mantêm e depois acabam, dando lugar a novas experiências e formas de vida.
E assim também se dá connosco, claro!
Na fase adulta já é esperado que consigamos trabalhar o desapego com mais maturidade.
Aliás, tendo em vista que tudo é impermanente, deveríamos nos educar para a morte, para os fechamentos desde pequenos, sendo orientados pelos adultos a respeito.
Isso facilitaria muito, nos protegendo de problemas emocionais e físicos nas fases posteriores.
Infelizmente, por enquanto, em nossa sociedade existe uma ditadura da felicidade que nega a realidade do fim.
E quando ele teima em aparecer, nos desesperamos, sem aceitar o inevitável.

VELHICE, A PERDA DA IDENTIDADE PROFISSIONAL E A PRÓPRIA MORTE A SER TRABALHADA
E, seguindo pelas trilhas da existência, quando atingimos a última fase desta encarnação, se bem aproveitamos as experiências vividas, já estamos aptos a trabalhar algumas outras perdas, ainda necessárias.
Uma delas diz respeito à nossa identidade profissional.
Deixamos de ser engenheiros, professores e comerciantes para recebermos o título de aposentados.
E, em nossa sociedade, isso tem um peso elevado, capaz de fazer sofrer diversas pessoas que construíram a própria existência principalmente sob as bases da profissão escolhida.
Além disso, os idosos passam a ser vistos como um fardo a ser carregado, um peso para os familiares desatentos e egoístas, que se esquecem rapidamente de todos os benefícios recebidos.
De forma mais ampla, no nível social, deixam de ter voz, passam desapercebidos, apesar das múltiplas contribuições que possam ter realizado, ao longo dos anos.
E, já tendo passado por inúmeras perdas significativas, eis que será preciso trabalhar a própria desencarnação, o seu desapego total com as coisas deste mundo.
Aqueles que conseguem encontrar o sentido de suas existências, utilizando os talentos concedidos de forma útil, responsável e amorosa, conseguem trabalhar este desafio de forma mais tranquila.
São aqueles que se despedem serenamente deste mundo, contentes pelo que aqui realizaram, certos de que cumpriram suas missões de alguma maneira, deixando boas marcas por onde caminharam.
As várias mortes em uma vida são necessárias.
Sem elas, não há crescimento, não existem novas aprendizagens.
São estas mortes que nos impulsionam ao novo, com suas ricas oportunidades.
Sábios aqueles que compreendem, aceitam, confiam e são gratos às finalizações.
São os herdeiros da paz.
Pois que vivem a vida, mesmo diante da morte, em harmonia íntima, com o mundo e com Deus.

Por fim, devemos lutar pela morte suprema, a mais relevante de todas:
a do homem velho que ainda habita em nós, com seus vícios e complicações, dando lugar ao novo homem, virtuoso, consciente, plenamente feliz.

CLAUDIA GELERNTER

§.§.§- Ave sem Ninho
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ARTIGOS DIVERSOS III Empty Comportamento do espírita no velório

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:40 am

Recentemente, fomos a um velório e nos vimos constrangidos a ouvir um "pastor", pregando a insustentável tese da unicidade das existências.
Aliás, assunto inoportuno para a ocasião.
O religioso, sempre com a bíblia de folhas desgastadas debaixo do braço, humedecido de suor, certamente, foi convidado a falar sobre o tema por solicitação da família do desencarnante.
Detalhe: tais parentes "crentes", do "morto", sabiam que espíritas estariam presentes no local.
Ao revés, poderiam ter aproveitado a oportunidade do sepultamento para orar ou discorrer, sem afectação, sobre a imortalidade da alma (como ensinou Jesus) e sobre o valor da existência humana.
Porém, infelizmente, para esses cristãos, narcotizados pela ideia de "salvação" e que pensam poder comprar a "felicidade eterna" através dos dez por cento "doados" para a igreja, "a morte ainda exprime realidade quase totalmente incompreendida na Terra". (1)
Em outra ocasião, fui informado, por uma grande amiga, líder espírita no DF, de que um irmão, também espírita conhecido na cidade, solicitara-lhe um espaço no salão de palestras, para velar um corpo (o desencarnado era endinheirado). Velório (2), no centro espírita? Rimos, eu e ela, muito embora, lamentando o triste episódio.
É óbvio que a solicitação do imaturo confrade lhe fora negado.
Velórios! Eis o nosso tema.
Essa celebração se desviou, e muito, do sentido religioso, pois, acima das emoções justificáveis, por parte dos parentes e amigos, ostenta-se um funeral por despesas excessivas com flores, santinhos, escapulários, velas [o uso de velas não tem valia para o espírita, pois só imprime um aspecto mais lúgubre à morte] etc., etc.
A eventual preocupação com a conservação dos túmulos, que, normalmente, só são lembrados no dia consagrado aos mortos, no mês de novembro, responde por um protocolo social, também, extravagante.
Não devemos converter as necrópoles vazias em "salas de visita do além", qual recorda o escritor Richard Simonetti, (3) até porque há locais mais indicados para expressarmos o nosso sentimento aos que já desencarnaram.
Não aprovamos, nem reprovamos, intransigentemente, as homenagens fúnebres, em memória de alguém, pois, "são justas e de bom exemplo". (4)
Todavia, a Doutrina Espírita revela que o desejo de perpetuar a lembrança que as pessoas deixam de si, nos imponentes mausoléus, vem do derradeiro ato de orgulho.
"A sumptuosidade dos monumentos fúnebres, determinada por parentes que desejam honrar a memória do falecido, e não por este, ainda faz parte do orgulho dos parentes, que querem honrar-se a si mesmos. Nem sempre é pelo morto que se fazem todas essas demonstrações, mas por amor-próprio, por consideração ao mundo e para exibição de riqueza."(5)
Devemos sempre dispensar, nos funerais, as honrarias materiais exageradas e as encenações, pois, considerando que "nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo" (6), urge que lhe enviemos cargas mentais favoráveis de bênçãos e de paz, através da oração sincera, principalmente, nos últimos momentos que antecedem ao enterramento ou à cremação.
Oferenda de coroas e flores deve transformar-se "em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário". (7)
Pasmem! Já, até, inventaram o velório virtual (visualização a distância) das cerimonias fúnebres de entes queridos e o encaminhamento de condolências via e-mail.
Salas de velório foram equipadas com câmaras que permitem, em tempo real, uma visão geral do público e da pessoa que está sendo velada.
Nesses casos, parentes e amigos podem enviar as mensagens de condolências para a família por meio de um link por site que oferece técnicas de preparação de corpos como a tanatopraxia (8) e a necro-maquilhagem, além de produtos como, urnas, mantos, vestuário etc.
Sobre isso, sabemos que, quando comparecemos a um velório, cumprimos sagrado dever de solidariedade, oferecendo conforto à família.
"Infelizmente, tendemos a fazê-lo pela metade, com a presença física, ignorando o que poderíamos definir por compostura espiritual, a exprimir-se no respeito pelo ambiente e no empenho de ajudar o morto." (9)
Analisemos o facto recente de desencarnação do cantor e actor, Michael Jackson.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:41 am

Mais de meio milhão de admiradores, de todo o mundo, solicitaram entradas para o serviço fúnebre de seu corpo, agendado para os próximos dias.
O nosso irmão, "rei do pop", certamente, está na mais atroz penúria na dimensão póstuma, devido à tresloucada emanação de energias mentais desfavoráveis dos "fãs".
Em razão disso, admitimos que, nesse caso, felizes são os obscuros indigentes, porque são velados nas câmaras dos institutos médico-legais, posto que o velório e o sepultamento são, quase sempre, mais um motivo de sofrimento para o desencarnante.
É óbvio que as preces, pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra, têm por fim, não apenas, proporcionar-lhes uma prova de simpatia, mas, sobretudo, ajudá-los a se libertarem das ligações terrenas, abreviando a perturbação que, normalmente, ocorre após a separação do corpo, e tornando mais tranquilo o seu despertar. (10)
No caso em tela, os idólatras transmitem emoções angustiantes em face da saudade, razão pela qual suas súplicas desconexas têm alcance limitado.
Imaginemos a situação desconfortante do Espírito, ainda ligado ao corpo, mergulhado num oceano de vibrações heterogéneas emitidas por pessoas, em nome da admiração, mas agem como indisciplinados espectadores a dificultar a tarefa de diligente equipe de socorro, no esforço por retirar um ferido dos escombros de uma casa que desabou.
"Contribuição" lamentável, essa!
"Preso à residência temporária, transformada em ruína pela morte, o desencarnante, em estado de inconsciência, recebe o impacto dessas vibrações desajustantes que o atingem penosamente, particularmente as de carácter pessoal.
Como se vivesse terrível pesadelo, ele quer despertar, luta por readquirir o domínio do corpo, quedando-se angustiado e aflito." (11)
São muitos os que, a título de se despedirem do "defunto", fazem do cemitério uma extensão a mais do barzinho da esquina, discutindo assuntos triviais como política, negócios e futebol – quando, não, coisas piores.
Isso, obviamente, tornará mais penosa a travessia entre os dois mundos.
Mais do que nunca, o desencarnado precisa de vibrações de harmonia, que só se formam através da prece sincera e de ondas mentais positivas.
Em o livro Conduta Espírita, o Espírito André Luiz adverte: "proceder correctamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte.
O companheiro recém-desencarnado pede, sem palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se". (12)
É importante expulsar de nós "quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecermos". (13)
Até porque a "solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana". (14)
Lamentavelmente, "poucos se dão ao trabalho sequer de reduzir o volume da voz, numa zoeira incrível, principalmente ao aproximar-se o horário do sepultamento, quando o recinto acolhe maior número de pessoas". (15)
Temos motivos de sobra para o comedimento.
Por isso, cultivemos o silêncio, conversando, se necessário, em voz baixa, de forma edificante.
Falemos no morto com discrição, evitando pressioná-lo com lembranças e emoções passíveis de perturbá-lo, principalmente, se forem trágicas as circunstâncias do seu falecimento.
Oremos muito em seu benefício, porque morre-se como se vive.
Se não conseguirmos manter semelhante comportamento, melhor será que nos retiremos do ambiente, evitando engrossar o barulhento coro de vozes e vibrações desrespeitosas, que tanto atormentam o desencarnado, quanto aos que lá comparecem com objectivos nobres de captar energias dos planos superiores, do foco causal, em favor do próximo que parte para outra dimensão.
É oportuno também explicar ao amigo leitor que a perturbação que se segue à morte nada tem de, insuportavelmente, dolorosa para o justo, aquele que esteve na Terra, sintonizado com o bem.
Todavia, para os que viveram presos ao egoísmo, escravos dos vícios e ambições mundanas, a morte é uma noite, cheia de horrores, ansiedades e angústias, apesar de essa perturbação ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 10:41 am

Em algumas pessoas, ela é de curtíssima duração, quase imperceptível, e nada tem de dolorosa - poderia ser comparada como um leve despertar.
No entanto, para outras, o estado de perturbação pode durar muitos anos, até séculos, e pode configurar um quadro de sofrimento severo, com angústia e temores acerbos.
Alguns Espíritos mergulham em sono profundo e, nesse estado, ficam durante um tempo muito variável. "O conhecimento que nos tiver sido possível adquirir das condições da vida futura exerce grande influência em nossos últimos momentos; dá-nos mais segurança; abrevia a separação da alma." (16)
O equilíbrio mental dos familiares, ante o desencarne, será de fundamental importância na recuperação do Espírito.
Pensamentos de revolta e desespero o atingem como dardos mentais de dor e angústia, dificultando a sua recuperação.
A atitude inconformista da família pode criar "teias de retenção", prendendo o Espírito ao seu corpo.
É natural que muitos chorem na hora da morte, porém, contendo o desespero.
É mister que nos resignemos diante desse fenómeno natural da vida, ainda que, por vezes, inesperado, vendo, nisso, a manifestação da Sábia Vontade que nos comanda os destinos.
Em verdade, as lágrimas podem, até, aliviar-nos o coração, entretanto, a atitude do espírita deve ser de compreensão e oração.
O dia que tivermos certeza de que o que enterramos não é este ou aquele ser, mas um corpo que serviu para a valorização existencial de alguém que amamos, e que esse alguém estará sempre presente em nossa memória, pois que, experimentamos, apenas, um intervalo momentâneo, se comparado à eternidade, nosso comportamento será outro, muito mais harmonioso com esse fenómeno biológico, a que denominamos "morte".
JORGE HESSEN

Referências bibliográficas:
(1) VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed. FEB, 1999.
(2) Segundo Aulete: "Vigília a defunto". Acto de velar com outros um morto; de passar a noite em claro onde se encontra exposto um morto.
(3). Disponível em http://comunidadeespirita.com.br/Imortalidade/quemtemmedo/estranho%20culto.htm
(4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Perg. 824.)
(5) idem, Pergs. 823 e 823a.
(6) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed. FEB, 1999.
(7) idem.
(8) Nos dias de hoje essa denominação representa a prática de uma técnica, já desenvolvida há muitos anos em outros países, utilizando meios modernos para a preparação de corpos humanos, vitimados das mais variadas formas de óbitos.
Corresponde à aplicação correta de produtos químicos em corpos falecidos, visando à desinfecção e o retardamento do processo biológico de decomposição, permitindo a apresentação dos mesmos em condições surpreendentemente melhores para o velório.
(9) SIMONETTI Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João, 1995.
(10) ESE – cap. XXVIII, it 59.
(11)______Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João,1995.
(12) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, RJ: Ed FEB, 1999.
(13) idem.
(14) idem.
(15)______ Richard. Quem tem medo da morte?, 22ª edição, São Paulo: Gráfica São João, 1995.
(16) DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, RJ: Ed. FEB, 1993.

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty Agonia das Religiões

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 8:29 pm

As Religiões estão morrendo.
Este é um dos factos marcantes do nosso tempo, mais precisamente do Século XX.
O poder das Religiões não é mais religioso, mas simplesmente económico, político e social.
As igrejas se esvaziam, os seminários se fecham, a vocação sacerdotal desaparece, o clero de todas elas recorre no mundo inteiro aos mais variados expedientes para manter seus rebanhos, fazendo-lhes concessões perigosas.
Mas todos os expedientes mostram-se incapazes de restabelecer o prestígio e o poder religiosos, servindo apenas de remendos de pano novo em roupa velha, segundo a expressão evangélica.
Começam então a aparecer os sucedâneos, milhares de seitas forjadas por videntes e profetas da última hora, na maioria leigos que se apresentam como missionários, traumaturgos populares, místicos improvisados e de olhos mais voltados para os bens terrenos do que para os tesouros do Reino dos Céus.
Esses bastardos do espírito, que pululam por toda parte, caracterizam o fenómeno sócio-cultural da morte das Religiões.
O facto é bem conhecido dos que estudam a Sociologia da Cultura.
Quando um sistema institucional esvazia-se no tempo, tragado na voragem das mudanças culturais, os aproveitadores invadem os domínios abandonados e socorrem a seu modo os órfãos em desespero.
As grandes revoluções políticas e sociais mostram-nos como as tiranetes do populacho assumem as funções dos nobres decaídos, substituindo a autoridade tradicional pelo mandonismo dos clãs ressuscitados.
Podemos aplicar ao caso uma paródia da explicação metafísica do horror ao vácuo, dizendo que as sociedades têm horror ao caos e preenchem a falta de autoridade legítima (ou pelo menos legitimada) pelo autoritarismo dos sátrapas.
Esse evidente sintoma de agonia das instituições tradicionais está presente em toda a área religiosa do nosso tempo.
É o carisma das fases de mudança.
Não há dúvida, portanto, de que as Religiões agonizam.
E o responsável por esse fato alarmante, como sempre, é a própria vítima, que, pela imprevisão, pelo abuso do poder, pelo apego às comodidades institucionais, deixou-se levar na ilusão de sua indestrutibilidade.
As próprias Religiões cavaram a sua ruína no desenrolar do processo histórico.
Acomodadas em sua superioridade, confiantes no privilégio de sua origem e natureza sobrenaturais, recusaram-se a integrar-se na cultura natural, marginalizando-se a si mesmas.
A evolução cultural alargou progressivamente o fosso entre a Cultura e a Religião, tornando irreversível a situação das instituições religiosas.
Assim, dialeticamente, o conceito arbitrário do sobrenatural, que era o fundamento de sua segurança, tornou-se o motivo de sua decadência.
No Ocidente, os primeiros sinais da crise religiosa contemporânea surgiram em plena Idade Média, com o episódio trágico-romântico de Aberlardo, prenunciando a Idade da Razão. Essa nova fase, que se iniciou com o Renascimento, traria a revolução cartesiana, Rousseau, Chaumette e o Culto da Razão na Revolução, e posteriormente Augusto Comte e a Religião da Humanidade.
No ano da morte de Augusto Comte, em 1857, Denizard Rivail iniciaria na França o movimento da Fé Racional.
Assim, a França, que centralizava o processo cultural no Mundo Moderno, apresenta uma sequência de tentativas para a integração da Religião no sistema cultural em desenvolvimento, sempre rejeitadas pela soberania eclesiástica apoiada no conceito do sobrenatural.
Paralelamente aos movimentos renascentistas da França, desencadeou-se na Alemanha, no Século XVI, o movimento da Reforma, iniciado por Lutero.
No Oriente a reacção às religiões tradicionais foi mais lenta e tardia, menos precisa e definida, com menores consequências, que só se acentuaram no Século XIX.
Nem por isso deixou de produzir efeitos que se intensificaram no decorrer desse século até o presente sob influências ocidentais.
Na Rússia, sob a inspiração francesa de Rousseau, Tolstoi promoveu a revolução religiosa do Século XIX, na linha luterana de volta ao Cristianismo Primitivo, fazendo uma nova tradução dos Evangelhos em sentido místico-racional.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 8:30 pm

Todos esses movimentos revelam a insatisfação cultural no tocante à soberania das Religiões, fundada no conceito do sobrenatural, que as mantinham desligadas do processo cultural.
Ainda no Século XIX a obra de Renan, na França, assinalava a tendência do espírito francês, no plano da História do Cristianismo, no sentido de estabelecer a verdade sobre os primórdios da Religião dominante e retirá-la do campo suspeito do sobrenatural.
Temos, nesse esboço de um vasto panorama histórico, a visão objectiva dos processos que vinham preparando, desde os fins do milénio medieval, a derrocada das Religiões.
Em nosso século, o desenvolvimento acelerado das Ciências, a laicização do Estado e da Educação, a desagregação da família, a expansão cultural e a rápida modificação dos costumes e do sistema de vida pelo impacto da Tecnologia – abrangendo praticamente todo o mundo – fortaleceram a concepção pragmática e materialista, dando o golpe de misericórdia no sobrenatural e nos sistemas religiosos que nele se apoiam.
A etiologia da decadência das Religiões torna-se palpável.
Seria simples tolice querer negá-la.
Não obstante, o sentimento religioso do homem não foi aniquilado.
Pelo contrário, ele subsiste e vem sendo considerado, particularmente nos países da área dominada pelo Marxismo, como um resíduo do passado que terá de desaparecer totalmente com o avanço irresistível da cultura.
A própria URSS, que se desmandou em campanhas violentas contra a Religião, viu-se obrigada a fazer concessões significativas ao chamado ópio do povo.
Nos Estados Unidos o Pragmatismo de William James e o Instrumentalismo de John Dewey temperaram a situação permitindo uma espécie de trégua na qual, segundo Rhine, as concepções antípodas do homem – a religiosa e a científica – podem encontrar-se ao pé do leito de um moribundo sem estardalhaço.
Mas as atrocidades da II Guerra Mundial geraram na Alemanha um movimento de reforma radical das Teologias tradicionais, que se projectou nos Estados Unidos e vem penetrando subtilmente em toda a América, através de traduções de livros dos novos teólogos, que anunciam a morte de Deus e pregam a novidade do Cristianismo Ateu.
Os teólogos mais uma vez se enganam.
A teoria da Morte de Deus, que eles procuram inutilmente explicar como um acontecimento actual, do nosso tempo, nunca se verificou nem pode verificar-se.
Deus não é um ser nem é mortal, porque é o Ser Absoluto, o Bem, segundo Platão, a Ideia Suprema de que derivam todas as ideias e, portanto, todas as coisas e todos os seres.
Os teólogos da chamada Teologia Radical da Morte de Deus, e seus companheiros de outros ramos teológicos subsequentes, sofrem de um processo de alucinação por transferência.
Quem está morrendo não é Deus, são eles mesmos e suas Teologias, eles e as Religiões formalistas e dogmáticas.
A concepção nova de Deus, que nasce dos escombros da concepção antropomórfica do passado, é a de uma Inteligência Cósmica que preside a toda a realidade possível.
Os cosmonautas soviéticos, depois de umas voltas ao redor do grão de areia da Terra, declaram eufóricos que Deus não existe, pois não tiveram o prazer de encontrá-lo nos microscópicos subúrbios do nosso planeta.
Fizeram como o estudante de Eça de Queiroz, em A Cidade, que, para provar a inexistência de Deus, tirou o seu relógio-patacão do bolso do colete, diante de colegas, e deu o prazo de alguns minutos para que Deus o fulminasse.
Como não foi fulminado, declarou que estava provada a inexistência de Deus e guardou o patacão no bolso.
Essas piadas servem apenas para mostrar-nos o estado de ignorância em que ainda nos encontramos; e para provar, isso sim, que estamos mortos em nossa estupidez diante da grandeza do Cosmos.
Dizer que Deus morreu é como dizer que a vida se extinguiu.
O facto de estarmos vivos e fazermos essa afirmação já prova o contrário.
Os teólogos radicais são tão radicais que não admitem a única explicação possível para a sua teoria da Morte de Deus.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 8:30 pm

Essa explicação seria a de que o Deus convencional das religiões morreu, com a ideia hoje inaceitável.
Mas eles se opõem a isso e dão explicações que ninguém pode entender, pois só entendemos o que é racional.
O problema é mais sério do que pensam os teólogos, que fazem piada dizendo colocar o Cristo provisoriamente no lugar de Deus, do que resulta o Cristianismo Ateu, última novidade das Religiões no Século XX.
Apesar de tudo isso, verifica-se que o que eles pretendem é colocar o problema da existência de Deus em termos mais acessíveis à razão.
Essa pretensão coincide com os objectivos do pensamento francês, na sequência histórica mencionada acima.
É pena que esses teólogos actuais não tenham a facilidade de expressão e a lucidez que caracterizam o pensamento francês.
Se entre eles houvesse um teólogo gaulês, certamente lhes explicaria que o conceito celta de Deus devia satisfazê-los.
Os celtas, que eram um povo monoteísta como os hebreus e viveram na Antiguidade, poderiam corrigir os teólogos actuais e dar lições de lógica às Religiões em agonia.
Foram considerados bárbaros e sofreram na pele a barbárie dos civilizados romanos, mas Aristóteles afirmou que eles eram o único povo filósofo do mundo.
De todo o exposto parece evidente que a agonia actual das religiões nada tem a ver com a Religião.
Sim, porque a Religião é uma das características fundamentais da natureza humana.
Parodiando a teoria aristotélica do animal político, podemos dizer que o homem é um animal religioso.
A falsa teoria do espanto do mundo como origem da Religião, que até mesmo Van Der Leuw ainda sustenta, não pode manter-se em pé diante da prova antropológica de que nunca existiu no mundo um povo ateu, desde os homens da caverna até os nossos dias.
A ideia de Deus é inata no homem, como Descartes afirmou, depois de encontrá-la no fundo misterioso do cógito.
É uma ideia evidente por si mesma e indispensável à compreensão de nós mesmos e do mundo.
Certas pessoas opiniáticas, muito ciosas de si mesmas, costumam dizer que Deus não existe porque ninguém pôde provar a sua existência.
A própria Ciência ensina que a causa se prova pelo efeito.
Basta-nos olhar uma flor ou um grão de areia para sabermos que Deus precisa existir, que existe necessariamente.
O que não podemos aceitar é o Deus das religiões, porque esse Deus – ilógico e absurdo, como dizia Aristides Lobo – pertence a um passado remoto em que a humanidade necessitava dele.
A essência da Religião constitui-se de apenas um núcleo e uma partícula, como o átomo de hidrogénio.
O núcleo é a ideia de Deus e a partícula o sentimento religioso.
A Religião verdadeira, que jamais agonizou e nunca morre, tem nesse átomo simples e puro a sua raiz simbólica.
Mas, para que a Religião possa desempenhar livremente o seu papel fundamental na evolução humana, é necessário que a reintegremos na Cultura Geral, como uma de suas áreas mais importantes.
Para livrar o Conhecimento da dispersão produzida pelas especializações científicas, foi necessário criar-se a Filosofia da Ciência.
Para livrar a Religião da pulverização sectária é indispensável libertá-la do formalismo dogmático, do profissionalismo religioso, do fanatismo igrejeiro.
A agonia das religiões é determinada pela asfixia das estruturas antiquadas, do irracionalismo baseado no conceito do sobrenatural e da Revelação Divina.
Os dois tipos de religião analisados por Bergson, o social e o individual, devem fundir-se na síntese da Religião do Homem, que ressalta historicamente das aspirações francesas e mereceu do poeta bengali Rabindranath Tagore um estudo lúcido e lírico.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jun 17, 2018 8:31 pm

O Conhecimento é um todo, é global.
Teoria e prática são verso e reverso de um mesmo processo.
O homo sapiens e o homo faber são uma e a mesma coisa: o homem.
As especializações são simples formas de divisão do trabalho, de acordo com as diferenciações de tendências individuais.
Ciência e Técnica, Filosofia e Moral, Metafísica e Religião são apenas divisões metodológicas do campo do Saber, formas disciplinares do pensamento e da acção.
A Era da Comunicação de Massa, que segundo Mcluhan fez da Terra uma aldeia global, estourou o mundo chinês do passado, de muralhas e mandarinatos.
A dicotomia kantiana, que negou a impossibilidade do conhecimento extra-sensorial, foi superada pelas conquistas físicas e psicológicas de hoje.
O sobrenatural mudou de nome, é apenas o natural desconhecido que a investigação científica vai rapidamente integrando no Conhecimento Global da realidade una.
Temos de adaptar-nos às condições novas e às novas dimensões do homem e do mundo.
As próprias igrejas estão abrindo as portas dos conventos e dos mosteiros para não morrerem asfixiadas.
As Ciências rompem com o passado, a Filosofia se livra dos sistemas para enfrentar com desenvoltura a problemática do pensamento, os tabus são esmigalhados pelo homem novo, os mestres e gurus se fazem discípulos da única fonte real de sabedoria que é a Natureza. O sacerdócio é uma espécie em extinção.
Os teólogos foram confundidos por Deus, que não quis entregar-se em suas mãos inábeis.
Se quisermos salvar a Religião, nesse maremoto das transformações que afligem os passadistas, façamos urgentemente a liquidação das religiões em agonia e mandemos os seus artigos de fé, seus ícones e suas medalhas para o Museu do Homem, como simples testemunhos de um tempo morto.
Tudo isso é aflitivo para os espíritos rotineiros e acomodatícios, como a mensagem cristã era escândalo para os judeus e espanto para gregos e romanos.
Mas os espíritos flexíveis, corajosos, lúcidos, empenhados na busca da Verdade – essa relação directa do pensamento com o real – não se atemorizam, antes se rejubilam com a libertação do homem.
Esta é a verdade flagrante do momento que vivemos:
o homem se liberta de seus temores, da ilusão de sua fragilidade existencial, do confinamento planetário, do embuste e da hipocrisia, para viver a vida como ela é, na plenitude das suas potencialidades corporais e espirituais.

O homem se emancipa e toma consciência da sua natureza cósmica.
Diante dele está o futuro sem limite, a imortalidade dinâmica e demonstrável que se opõe ao conceito limitado da imortalidade estática e hipotética.
Sua herança não é o pecado nem a morte, mas a vida em nova dimensão.

Herculano Pires

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty Resistência dos médiuns

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:57 am

Qualquer condutor de electricidade, por melhor que seja, opõe uma resistência (faz uma oposição) à passagem da corrente.
Essa resistência é medida em “ohms”, e há leis estabelecidas para medi-la: o comprimento do fio, sua grossura, a temperatura e o material de que é construído.

Assim, a resistência será maior: a) se o fio for mais comprido; b) se o fio for mais fino; c) se a temperatura for mais elevada, e vice-versa.
Quanto ao material, um exemplo:
o ferro opõe 6 vezes mais resistência que o cobre.

Na corrente alternada, a resistência da bobina tem um nome especial, é a impedância.
O fio se opõe muito mais à corrente alternada que à corrente directa.
Isto porque, na corrente directa os electrons simplesmente atravessam o fio de um lado para outro, então a resistência é uma constante.
Já na corrente alternada, os próprios eléctrons do fio são agitados, num campo magnético que “varia” continuamente; e essa variação do campo magnético “sufoca” e diminui a corrente, em sua intensidade.

Resistência dos médiuns
No facto mediúnico observamos com frequência tanto a “resistência” quanto a “impedância” dos médiuns.
A resistência é oposta às comunicações telepáticas que lhes chegam.
Sentado a uma mesa de “trabalhos”, com a “bateria” boa, o médium sente os sinais eléctricos que lhe chegam à mente, e “resiste”, nada manifestando, por causa do temor de que esses sinais não venham de fora, mas de dentro dele mesmo.
Isto é, que não seja a comunicação de um “espírito” desencarnado, mas apenas de “seu espírito” encarnado.
Em outras palavras: teme, que não seja uma “comunicação”, mas simplesmente um caso de “animismo”.
Numa sessão bem orientada, o que se quer é “coisa boa”, não importando a “fonte” de onde provenha.
Se a comunicação é boa, sensata, lógica, construtiva, que importa se vem de um “espírito” encarnado ou desencarnado?
Se nada vale a comunicação, deve ser rejeitada, venha ela de uma ou de outra fonte.
A “razão” é que deve ter a última palavra.
Mas além dessa resistência à corrente directa, e que geralmente é “consciente”, existe também a “impedância”, ou seja, a resistência quase sempre “inconsciente” à passagem da corrente.
O médium não faz de propósito:
ao contrário, conscientemente se coloca “à disposição”.
Mas sem querer e sem saber, não deixa que seus órgãos especializados vibrem suficientemente para permitir a electrificação do fio.
E a comunicação não se dá.
Pode ser que essa resistência (ou melhor, impedância) seja resultado de factores estranhos:
a questão do “material” que lhe constitui o corpo físico e que torna difícil a “electrificação”.
Se, por exemplo, se trata de uma pessoa frígida e indiferente, haverá muito mais dificuldade do que com uma pessoa sensível e amorosa, sobretudo se estiver “apaixonada”.
Assim o comprimento do fio:
se a comunicação é feita de longa distância, é mais dificilmente recebida.
Se a temperatura da sala é quente, a comunicabilidade é mais imperfeita.
E também a temperatura do corpo do médium influi.
Tanto assim que os melhores médiuns registam baixa temperatura do corpo, além de baixa pressão sanguínea:
é típica do médium a hipotensão.
Outro factor de impedância é a “variação do campo magnético”, isto é, quando a “corrente mediúnica” está fraca ou insegura: quando seus componentes se distraem com facilidade.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 9:58 am

Quando há elementos fracos, diminuindo a capacidade da bateria.
Um acumulador pifado inutiliza a bateria:
uma pessoa distraída “quebra” a corrente.
Conforme estamos vendo, um curso de electrónica, mesmo simples e elementar, esclarece e explica os fenómenos cientificamente, sem necessidade de recorrer a “sobrenaturalismo” para os fenómenos mediúnicos, que são NATURAIS e se efectuam em diversos planos:
no plano material (electricidade), no plano emocional (arte), no plano intelectual (mediunidade), no plano espiritual (inspiração).
a) As resistências, ligadas de seguida, se somam.
Por isso, quanto mais numerosos forem os descrentes de má vontade, numa reunião, menos possibilidade há de se obterem comunicações.

b) Ao resistir à corrente, o fio pode ficar “ao rubro” (por exemplo, no ferro de engomar).
É a razão de o médium que resiste à comunicação quase sempre sentir mal-estar, que persiste mesmo depois da reunião.

c) Quanto mais aquecido o fio, maior sua resistência à corrente.
Daí serem mais difíceis as comunicações em ambientes quentes e abafados.

d) A resistência depende do material de que o fio é construído (o ferro é seis vezes mais resistente,que o cobre).
Em vista disso é que se aconselha aos médiuns não se alimentarem excessivamente, nem ingerirem álcool, nem carne em demasia, para que oponham menor resistência às comunicações.

Carlos Torres Pastorino

Blog Espiritismo Na Rede baseado em texto do livro Técnicas da Mediunidade

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty Como os espíritos obsessores sugam a energia vital de encarnados

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 8:49 pm

A simbiose prejudicial é conhecida como parasitose mental.
Esse processo é tão antigo como o próprio homem.
Após a morte, os espíritos continuam a disputar afeição e riquezas com os que permanecem na carne ou arruam empreitadas de vingança e violência contra eles.
Na parasitose mental temos o vampirismo.
Por esse processo, os desencarnados sugam a vitalidade dos encarnados, podendo determinar nos hospedeiros doenças das mais variadas e até mesmo a morte prematura.
Para o mundo espiritual, “vampiro é toda entidade ociosa que se vale indebitamente das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens”.
O médico desencarnado Dias da Cruz lembra que “toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou inerte que se rende às sugestões inferiores que a exploram sem defensiva”.
E explica a técnica utilizada pelos espíritos vampirizadores, situando-a nos processos de hipnose.
Por acção do hipnotizador, o fluido magnético derrama-se no campo mental do paciente voluntário, que lhe obedece o comando.
Uma vez neutralizada a vontade do sujeito, as células nervosas estarão subjugadas à invasão dessa força.
Os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, utilizam esse processo na cultura do vampirismo.

SUGANDO AS ENERGIAS
Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade, sugando-lhes as energias, tomam conta de suas zonas motoras e sensoriais, inclusive os centros cerebrais (linguagem e sensibilidade, memória e percepção), dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano.
Criam, assim, doenças fantasmas de todos os tipos, mas causam também degeneração dos tecidos orgânicos, estabelecendo a instalação de doenças reais que persistem até a morte.
Entre essas doenças, Dias da Cruz afirma que “podemos encontrar desde a neurastenia até a loucura complexa e do distúrbio gástrico à raríssima afemia estudada por Broca”.

Relaciona ainda outras moléstias:
“pelo ímã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de conduzi-lo à escabiose e à ulceração, à dipsomania e à loucura, à cirrose e aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos vícios que corroem a vida moral.
Através do próprio pensamento desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como são as psicoses de angústia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinquência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veículo orgânico processos patogénicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte”.
Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz se refere a um caso interessante de um homem desencarnado e uma mulher encarnada que vivem em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro.
Ela busca ajuda na sessão do trabalho desobsessivo realizado por um centro espírita e, com o concurso de entidades abnegadas, consegue o afastamento momentâneo do espírito obsessor.
Bastou, porém, que o espírito fosse retirado para que ela o fosse procurar, reclamando sua presença.
Há muitos casos em que o encarnado julga querer o reajustamento, porém, no íntimo, alimenta-se dos fluidos doentios do companheiro desencarnado e se apega a ele instintivamente.
Em Obreiros da Vida Eterna, André Luiz descreve cenas de vampirismo em uma enfermaria de hospital.
“Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os”, afirma.
E confessa que os quadros lhe traziam grande mal-estar.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jun 18, 2018 8:50 pm

VAMPIRISMO COM REPERCUSSÕES ORGÂNICAS
Na possessão, temos um grau mais avançado de actuação do espírito obsessor, constrangendo de forma quase absoluta a ação do obsediado.
Kardec a compreendeu como “uma substituição, posto que parcial, de um espírito errante a um encarnado”.
Como se trata de um grau mais avançado de vampirismo, as patologias orgânicas estão sempre presentes.
Dentro desse item de vampirismo com repercussões orgânicas, destacamos os casos de epilepsia e obsessão, como por exemplo no livro Nos Domínios da Mediunidade, caso Pedro.
Analisando essa casuística, constatamos que a possessão tem características e mecanismos diversos.
No caso Pedro-Camilo, instalou-se ao longo de 20 anos sob a actuação de um único obsessor.
Durante esse período, o quimismo espiritual ou a fisiologia do perispírito se desequilibrou e, consequentemente, desencadeou distúrbios orgânicos, entre os quais a ameaça de amolecimento cerebral.
No caso Margarida, estabeleceu-se mais efectivamente em dez dias, com organização técnica competente e actuação de uma falange composta de, aproximadamente, 60 obsessores, entre os quais dois hipnotizadores e dezenas de parasitas ovóides, decretando a falência orgânica quase total em virtude do controle do sistema endócrino, da pressão sanguínea e de funções importantes da economia orgânica.

INFECÇÕES FLUÍDICAS
Da mesma maneira como existem infecções orgânicas, acontecem também as fluídicas, resultantes do desequilíbrio mental.
O instrutor Aniceto, em conversa com André Luiz, argumenta que “se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente, temos a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma, em identidade de circunstâncias.
Desse modo, na esfera das criaturas desprevenidas de recursos espirituais, tanto adoecem corpos como almas”.
Os homens não têm preparo quase nenhum para a vida espiritual.
Em geral, não têm á mínima ideia de que “a cólera, a intemperança, os desvarios do sexo e as viciações de vários matizes formam criações inferiores que afectam profundamente a vida íntima”.
E cada uma dessas viciações da personalidade produz as larvas mentais que lhe são consequentes, contaminando o meio ambiente onde quer que o responsável pela sua produção circule ou estagie.
Elas não têm forma esférica, nem são do tipo bastonete, como as bactérias biológicas, mas formam colónias densas e terríveis.
E tal qual acontece no plano físico, o contágio também pode se verificar na esfera psíquica.
Na condição de parasitismo mental, as larvas servem de alimento habitual, porque são portadoras de vigoroso magnetismo animal.
Para nutrir-se desse alimento, bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância ainda encarnados como erva daninha aos galhos das árvores e sugar-lhes a substância vital.

SUBSTÂNCIAS PARA DOMINAR O PENSAMENTO
Dentro do estudo a que nos propomos, temos de considerar também a produção dos espíritos inferiores desencarnados.
As ´substâncias” destrutivas produzidas dentro do quimismo que lhes é próprio atingem os pontos vulneráveis de suas vítimas.
Esses produtos, conhecidos como simpatinas e aglutininas mentais, têm a propriedade de modificar a essência do pensamento dos encarnados, que vertem contínuos dos fulcros energéticos dó tálamo, no diencéfalo.
Esse ajuste entre desencarnados e encarnados é feito automaticamente, em absoluto primitivismo nas linhas da natureza.
Os obsessores tomam conta dos neurónios do hipotálamo, “acentuando a dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das excitações e produzindo nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático”.
Temos aí um intrincado processo de vampirismo, que leva as vítimas ao medo, à guerra nervosa, alterando-lhes a mente e o corpo.
É possível compreender, assim, os casos de possessos relatados nos Evangelhos, que se curaram de doenças físicas quando os espíritos inferiores que os subjugavam foram retirados pela acção curadora de nosso mestre Jesus ou dos apóstolos.
Por enquanto, os médicos estão às voltas com a extensa variedade de microorganismos patogénicos que devem combater diuturnamente.
Mas, no futuro, “a medicina da alma absorverá a medicina do corpo.
Poderemos, na actualidade da Terra, fornecer tratamento ao organismo de carne.
Semelhante tarefa dignifica a missão do consolo, da instrução e do alivio, mas no que concerne à cura real, somos forçados a reconhecer que esta pertence exclusivamente ao homem-espírito”.

Marlene Rossi Severino Nobre

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ARTIGOS DIVERSOS III Empty O Desencarne de Chico Xavier Visto do Mundo Espiritual

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 19, 2018 10:14 am

(…) No Mundo Espiritual, nosso irmão Lilito Chaves veio ao nosso encontro e anunciou o que, desde algum tempo, aguardávamos com expectativa: a desencarnação do médium Francisco Cândido Xavier, o nosso estimado Chico.
O acontecimento nos impunha rápidas mudanças de planos, improvisamos uma excursão à Crosta para saudar aquele que, após cumprir com êxito a sua missão, retornava à Pátria de origem.
Assim, sem maiores delongas, Odilon, Paulino e eu, juntando-nos a uma plêiade de companheiros uberabenses desencarnados, rumamos para Uberaba no começo da noite daquele domingo, dia 30 de junho.
A caminho, impressionava-nos o número de grupos espirituais, procedentes de localidades diversas, do Brasil e do Exterior, que se movimentavam com a mesma finalidade.
Todos estávamos profundamente emocionados e, mais comovidos ficamos quando, estacionando nas vizinhanças do “Grupo Espírita da Prece”, onde estava sendo realizado o velório, com o corpo exposto à visitação pública, observamos uma faixa de luz resplandecente, que, pairando sobre a humilde casa de trabalho do médium, a ligava às Esferas Superiores, às quais não tínhamos acesso.
Conversando connosco, Odilon observou:
— Embora, evidentemente, já desligado do corpo, nosso Chico, em espírito, ainda não se ausentou da atmosfera terrestre; os Benfeitores Espirituais que, durante 75 anos, com ele serviram à Causa do Evangelho, estarão, com certeza, à espera de ordens superiores para conduzi-lo a Região Mais Alta…
De nossa parte, permaneçamos em oração, buscando reter connosco as lições deste raro momento.
Aproximando-nos quanto possível, notamos a formação de duas filas imensas, constituídas de irmãos encarnados e desencarnados, que reverenciavam o companheiro recém-liberto do jugo opressor da matéria:
eram espíritos, no corpo e fora dele, extremamente gratos a tudo que haviam recebido de suas mãos, a vida inteira dedicadas à Caridade, na mais fiel vivência do “amai-vos uns aos outros”.
Mães e pais que, por ele haviam sido consolados em suas dores; filhos e filhas que puderam reatar o diálogo com os progenitores saudosos, escrevendo-lhes comoventes páginas do Outro Lado da Vida; famílias desvalidas com as quais repartira o pão; doentes que confortara agonizantes em seus leitos; religiosos de todas as crenças que, respeitosos, lhe agradeciam o esforço sobre-humano em prol da fé na imortalidade da alma…
Não registamos nas imediações, é bom que se diga, um só espírito que ousasse se aproximar com intenções infelizes.
Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas, formavam um halo de luz protector que tudo iluminava num raio de cinco quilómetros; porém essa luz amarelo-brilhante contrastava com a faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento.
A cena era grandiosa demais para ser descrita e desafiaria a inspiração do mais exímio génio da pintura que tentasse retratá-la.
Uma música suave, cujos acordes eu desconhecia, ecoava entre nós, sem que pudéssemos identificar de onde provinha, como se invisível coral de vozes infantis, volitando no espaço, tivesse sido treinado para aquela hora.
Espíritos mais simples que passavam rente comentavam:
— “Este é um dos últimos…
Não sabemos quando a Terra será beneficiada novamente por um espírito de tal envergadura”;
“Este, de facto, procurava viver o que pregava”
“Quem nos valerá agora?”;
“Durante muitos anos, ele matou a fome da minha família…
Lembro-me de que, certa vez, desesperado, com a ideia de suicídio na cabeça, eu o procurei e a minha vida mudou”;
“Os seus livros me inspiraram a ser o que fui, livrando-me de uma existência medíocre”;
“Quando minha avó morreu, foi ele quem pagou seu enterro, pois, à época, éramos totalmente desprovidos de recursos”;
“Fundei minha casa espírita sob a orientação de Chico Xavier, que recebeu para mim uma mensagem de incentivo e de apoio”;
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jun 19, 2018 10:15 am

“Comigo, foi diferente:
eu estava doente, desenganado pela Medicina, ele me receitou um remédio de Homeopatia e fiquei bom”…
Os caravaneiros não cessavam de chegar, todos portando flâmulas e faixas com dizeres luminosos; creio sinceramente que, em nosso Plano, jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo, após finda a sua tarefa no mundo; com excepção do Cristo e de um ou outro luminar da Espiritualidade, ninguém houvera feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier.
Com dificuldade, logrando adentrar o recinto do “Grupo Espírita da Prece”, reparamos que uma comissão de nobres espíritos, dispostos em semi-círculo, todos trajando vestes luminescentes, permanecia, quanto nós mesmos, em expectativa. Odilon sussurrou-me ao ouvido:
— Inácio, estas são as entidades que trabalharam com ele na chamada “Colecção de André Luiz”; são os Mentores das obras que o nosso André reportou para o mundo, no desdobramento do Pentateuco Kardequiano:
Clarêncio, Aniceto, Calderaro, Áulus e tantos outros…
— E aqueles que estão imediatamente atrás? — indaguei.
— São alguns representantes da família do médium e amigos fiéis de longa data.
— E onde estão Emmanuel, nosso Dr. Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo?
Porventura, ainda não chegaram?…
— Devem estar — respondeu — cuidando da organização…
Ao lado do seu corpo inerte, nosso Chico, segundo a visão que tive, me parecia uma criança ressonando, tranquila, no colo de um anjo transfigurado em mulher, fazendo-me recordar, de imediato, a imagem de “Pietà”, a famosa escultura de Michelangelo.
— Quem é ela? — perguntei.
— Trata-se de D. Cidália, a sua segunda mãe…
— E D. Maria João de Deus?…
— Ao que estou informado — esclareceu Odilon —, encontra-se reencarnada no seio da própria família.
— E seu pai, o Sr. João Cândido?
— Está em processo de reencarnação, seguindo os passos da primeira esposa.
Adiantando-se, nosso Lilito indagou:
— Odilon, na sua opinião, por que o Chico está parecendo uma criança?
— Ele necessita se refazer, pois o seu desgaste, como não ignoramos, foi muito grande, mormente nos últimos anos da vida física; nosso Chico carece de se desligar completamente...
— Perderá, no entanto, a consciência de si?
— É evidente que não.
O seu verdadeiro despertar acontecerá gradativamente, à medida que se recupere da luta sem tréguas que travou…
Aliás, a Espiritualidade Superior, nos últimos três anos, vinha trabalhando para que a sua transição ocorresse sem traumas, tanto para a imensa família espírita, que o venera, quanto para ele próprio.
Inúmeras caravanas e representações continuavam chegando, formando extensas filas, que se postavam paralelas às filas organizadas pelos nossos irmãos encarnados, a comparecerem ao velório para render a Chico Xavier merecidas homenagens.
Dezenas e dezenas de jovens formavam grupos especiais que vinham recebê-lo no limiar da Nova Vida, gratos por ter sido ele o seu instrumento de consolo aos familiares na Terra, quando se viram compelidos à desencarnação…
A tarefa de Chico Xavier — explicou Odilon, emocionado — não tem fronteiras; raras vezes, a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio mediúnico…
No entanto a força que o sustentava nas dificuldades vinha de Cima, pois, caso contrário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encarnados e desencarnados, se opõem ao Evangelho.
Chico, por assim dizer, ocultou-se espiritualmente em um corpo franzino e deu início ao seu trabalho, sem que praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, já havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o “Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua profícua e excelente actividade psicográfica…
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