Casos de Reencarnação

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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 27, 2012 10:00 pm

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Sua mãe parece ter-se distraído com sua tarefa e então de repente notou que Nimalkanthi não estava mais ali.

O irmão que podia falar não pôde dizer aonde ela teria ido.
A mãe de Nimalkanthi avisou a todos, uma busca foi feita, e o corpo de Nimalkanthi foi retirado do rio.

É pouco provável que o irmão tolo a tenha empurrado para dentro do rio, mas todas as três crianças estavam brincando por ali no momento em que ela despareceu.

Parece provável que ela tenha se desequilibrado e escorregado ou caído no rio;
ela não sabia nadar.

A afirmação de Thusitha de que o irmão doente a empurrara permanece, assim, sem verificação, e provavelmente é incorrecta.

Todavia, o irmão pode tê-la empurrado de brincadeira pouco antes de que ela se afogasse acidentalmente.

Duas das declarações verificáveis de Thusitha eram definitivamente incorrectas.

Ela disse que seu pai da vida anterior era calvo, mas o pai de Nimalkanthi (por nós entrevistado) era exactamente o oposto.

Disse que seu nome era Rathu Herath, mas ele se chamava Dharmadasa.

Havia, entretanto, dois homens calvos na família – o avô materno e um tio por parte de mãe da menina – e Nimalkanthi os encontrava com frequência.

Ademais, uma moça que se casou com um primo, com quem ela se encontrava de tempos em tempos, se chamava Herath (não Rathu Herath).

Desta forma, poder-se-ia argumentar que as lembranças de Thusitha incluem algumas confusões com os homens adultos de sua família, mas não queremos enfatizar esta explicação.

Outra afirmação da menina estava incorrecta na vida de Nimalkanthi, mas não para o período que se seguiu a sua morte.

Ela disse que tinha irmãs (mas não disse quantas).
Nimalkanthi teve uma irmã, e aproximadamente 18 meses após sua morte, sua mãe deu à luz a outra menina.

No que toca às possibilidades de conhecimento prévio entre as famílias, estamos convictos de que não tiveram nenhum.

A família anterior da menina nunca havia mesmo ouvido falar de Thusitha quando nós os encontramos pela primeira vez.

O pai de Nimalkanthi nunca havia estado em Payagala;
ele passara por esta cidade apenas quando estava a caminho de uma cidade maior, Kalutara, também na costa oeste do Sri Lanka.

A família de Thusitha nunca fôra a Kataragama para verificar suas afirmações.

Gunadasa Silva disse que pretendia fazê-lo, mas que por vários motivos – a maioria ligada às necessidades de seu trabalho – ele nunca tivera ocasião para tal.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 28, 2012 10:37 pm

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Nos anos de 1980-81 Gunadasa Silva havia ido “com muita frequência”a Kataragama.

Apenas em uma das viagens, Gunaseeli, sua esposa, grávida de dois meses de Thusitha, o acompanhara.

Gunadasa se banhou no rio como é de costume entre os peregrinos e comprou flores nas bancas próximas de Kiri Vehera.

Ele não se lembrava do nome – se ele algum dia o soube – do vendedor de quem ele comprou a maioria das flores nesta ocasião.

Deste modo, ele havia ido a Kataragama depois da morte de Nimalkanthi, mas deixara de ir até lá antes do nascimento de Thusitha.

Esta, incidentalmente, disse que vira seu pai em Kataragama, uma referência de sua parte a uma presumida existência como desencarnada entre a morte de Nimalkanthi e seu próprio nascimento.¹

Fizemos uma espécie de pesquisa em Kataragama a respeito da ocorrência de casos de afogamento no rio.

O distrito policial possuía registos disponíveis apenas dos anos de 1985 a 87.
Houve um afogamento em 1985, nenhum em 1986 e um (até Outubro) em 1987.

O delegado de Kataragama falecera em 1986 e seus registos não estavam disponíveis.

O delegado da cidade vizinha, Tissamaharama, que o estava substituindo em Kataragama por quase um ano (desde sua morte), não possuía números exactos de casos de afogamento no rio;
entretanto, ele calculava que havia a ocorrência de um caso para cada dois anos, na maioria entre peregrinos.


¹ A maioria das crianças que afirmam se lembrar de vidas anteriores não dizem nada a respeito de factos após a morte na vida anterior e antes de seu nascimento.

Lembranças de uma existência como desencarnada são especialmente raras nos casos ocorridos no Sri Lanka.

O caso de Disna Samarasinghe (Stevenson, 1977) é excepcional.

Quando as crianças fazem comentários a respeito de tais experiências “intermediárias”, elas frequentemente incluem a explicação da criança de como ela veio a nascer em sua família actual, e não em alguma outra.

O registador de nascimentos e óbitos em Kataragama não guardava os registos além de cada ano, ao fim do qual estes eram enviados para um departamento do governo (kachcheri) da maior área administrativa mais próxima.

Os registos não eram classificados de acordo com as causas do óbito.
A registadora disse que não havia ocorrido afogamentos até 1987 (em desacordo com os registos policiais).

Ela estimava que duas crianças afogavam no rio a cada ano, um índice muito mais alto do que outras fontes sugeriam.

Havia 20 bancas de vendedores de flores em cada lado da larga avenida que leva até o Buddhist stupa (Kin Vehera) em Kataragama.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 28, 2012 10:37 pm

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No dia em que perguntamos, uma banca estava fechada, mas perguntamos aos vendedores de todas as outras bancas se algum membro de suas famílias era tolo e se algum deles havia se afogado.

A família de um vendedor possuía um primo que era tolo;
nenhuma outra família (excepto a de Nimalkanthi) possuía algum membro assim.

Nenhuma família, com a excepção da de Nimalkanthi perdera um de seus membros por afogamento.

Comentário: Apesar da falha de Thusitha em suas declarações sobre quaisquer nomes próprios (à excepção do nome da cidade, Kataragama), não temos dúvida de que identificamos a única família a que suas declarações podem se referir.

O simples facto de que seu pai (anterior) possuía uma banca de flores próxima ao Kin Vehera em Kataragama, restringe imediatamente as possibilidades para cerca de 20 famílias.

Entre estas, apenas uma possuía tanto um filho que era tolo como uma filha que se afogara no rio.

Os vários outros detalhes citados por Thusitha dificilmente seriam necessários para reforçar a veracidade do facto de que aquela era a família que correspondia às declarações de Thusitha, embora tais detalhes forneçam confirmação adicional.

O Caso de Iranga Jayakody

Iranga Jayakody nasceu em Uragasmanhandiya, Sri Lanka, em 29 de Junho de 1981.
Seus pais eram M.H.P. Jayakody e sua mulher, Nimali.
O pai de Iranga era professor e astrólogo.

Ela era a sétima e a mais nova dos filhos, e também a única filha na família.
Uragasmanhandiya é uma pequena vila
(população estimada em 1987: 3.100).

Quando Iranga tinha entre três e quatro anos de idade ela começou a falar sobre uma vida anterior que ela disse ter vivido em Elpitiya, uma pequena cidade (população estimada em 1987: 6.200) localizada a cerca de 15 km de Uragasmanhandiya.

Sua família tinha vizinhos, entre os quais um vinha de um lugar chamado Matugama, e Iranga parece ter querido falar pela primeira vez sobre a vida anterior quando ouviu seu vizinho se referir a Matugama.

Ela então disse que havia tido (na vida anterior) uma mãe que vinha de Matugama.

Depois disto, ela foi gradualmente fazendo muitas declarações concernentes à vida que ela afirmava se recordar.

Tais declarações incluiam detalhes de fatos na vida da família, descrições da casa onde moravam e seus arredores, e a descrição de uma loja onde se vendiam bananas, da qual seu pai anterior era proprietário.

Disse que possuía três irmãs, uma das quais, casada.
Disse que estudava em uma escola que era muito maior que sua escola actual.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 28, 2012 10:38 pm

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Naquela escola ela usava um uniforme branco, mas mudava de roupa quando chegava em casa e estudava.

Ela citou apenas um nome pessoal (que permanece sem verificação) e apenas um nome de lugar além de Elpitiya.

Este era Matugama, a cidade de onde sua mãe (anterior) vinha.
Ela não mencionou como morrera na vida anterior.

Iranga também demonstrava várias particularidades em seu comportamento que eram incomuns em sua família e que posteriormente se acreditava corresponder ao comportamento que a subsequentemente identificada personalidade anterior costumava apresentar, ou que poderia ser apropriado a ela.

O mais notável destes comportamentos era um extremo pudor em relação a qualquer exposição de seu corpo, principalmente os seios, que permitiu serem vistos pela primeira vez somente aos três anos de idade.

Em Dezembro de 1985, T.J. descobriu o caso.

No mesmo mês ele visitou Iranga e seus pais e registou uma lista de 18 afirmações feitas por ela a respeito da vida anterior lembradas por seus pais.

Em Fevereiro de 1986 Iranga foi até Elpitiya com sua família para uma cerimónia de casamento, e ali ela apontou para uma estrada e disse que era o caminho para sua casa anterior.

Entretanto, seus pais não tiveram tempo e nem interesse em investigar o assunto, e trouxeram Iranga de volta para casa, algo desapontada.

Em Julho de 1986, T.J. foi até Elpitiya, e de sua lista de declarações feitas por Iranga, ele provisoriamente identificou uma família que correspondesse àqueles dados.

Ele o conseguiu perguntando entre os vendedores de bananas se algum havia perdido uma filha em idade escolar.

T.J. entrevistou quatro dos membros da família e verificou todas com excepção de duas das afirmações que tinha registado com os pais de Iranga.

Os pais da família haviam morrido, e seus informantes eram irmãos e irmãs da candidata a personalidade anterior.

Em 11 de Agosto de 1986, G.S. e T.J. entrevistaram os pais de Iranga novamente e registraram mais 25 declarações que não haviam sido registadas antes por T.J.
(e que provavelmente não lhe haviam sido ditas antes).

Eles então foram até Elpitiya e entrevistaram um membro (Podi Haminie) da família que T.J. imaginara ser a família anterior.

Esta família havia perdido uma filha, Punchihamie, que falecera em 5 de Maio de 1950, aos 13 anos.

Punchihamie estivera doente por um ano ou mais antes de sua morte e ficara paralisada do lado esquerdo do corpo.

Os médicos em Colombo diagnosticaram um tumor cerebral e propuseram uma operação, mas ela foi levada para casa e ali faleceu.
(Nós ainda estamos incertos se a família recusara a operação ou se os médicos consideraram o tumor inoperável quando o diagnosticaram pela primeira vez.)

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 29, 2012 10:34 pm

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Em uma entrevista posterior com a irmã mais nova de Punchihamie, Podi Haminie, G.S. verificou quase todas as afirmações de Iranga.

No dia seguinte, (12 de Agosto de 1986) G.S. e T.J. levaram Iranga e seus pais a Elpitiya a fim de ver se ela poderia reconhecer pessoas e lugares nesta cidade.

Iranga pareceu reconhecer a velha estrada ou caminho da rodovia para a casa de Punchihamie
(então não muito usada, pois uma nova e maior estrada dava acesso mais fácil até a casa).

Entretanto, na casa ela não reconheceu claramente (ou mesmo vagamente) qualquer pessoa ou objecto que eram familiares a Punchihamie.

Ela parecia sentir-se à vontade na (para ela) estranha situação, mas não familiarizada com esta de uma forma específica.

Na terceira etapa da investigação, I.S., G.S. e T.J visitaram ambas as famílias em 3 e 4 de Novembro de 1986.

Foi então dada atenção especial à verificação das declarações de Iranga e às possibilidades de contacto normal entre as famílias referidas.

Para as verificações entrevistamos novamente duas das irmãs de Punchihamie, Podi Haminie e Emalinnona.

Em Outubro de 1987, tivemos outra entrevista com a mãe de Iranga, e visitamos também uma vez mais a cidade de Elpitiya, principalmente para dererminar o número e a localização dos vendedores de bananas.

T.J. e G.S. haviam registrado (antes das duas famílias se encontrarem) 43 declarações que os pais de Iranga disseram que esta havia feito sobre a vida anterior.

Dentre estas, duas eram incorrectas e três não verificáveis ou duvidosas.
Uma outra declaração não estava literalmente correcta, mas poderia ser considerada correcta a partir da perspectiva de uma criança do Sri Lanka.

Iranga dissera que sua irmã mais nova possuía uma bicicleta.
Isto não era verdade em relação à verdadeira irmã mais nova de Punchihamie, Podi Haminie.

No entanto, a filha de um vizinho tinha uma bicicleta e Podi Haminie brincava com esta.
Além disto, a menina vizinha, era chamada na família de Punchihamie (um costume dos asiáticos) de “irmã mais nova”.

A eliminação destas seis declarações incorrectas, não verificáveis ou duvidosas deixou 37 outras, todas verdadeiras para Punchihamie.

Algumas delas poderiam se aplicar a muitas vilas no Sri Lanka.
Seriam verdadeiras, por exemplo, as referências de Iranga a uma trepadeira de Jasmim e árvores típicas da região na casa.

Porém, muitas outras declarações tinham uma aplicabilidade muito mais restrita, e apesar de que nenhuma destas fossem decisivas, em seu conjunto elas nos convenciam de que Iranga estava falando sobre a vida de Punchihamie e de nenhuma outra.

Agora descreveremos a mais importante das declarações de Iranga, que, a nosso ver, especificava a família e a pessoa de quem ela estava falando.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 29, 2012 10:35 pm

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Começamos com o facto de que Elpitiya é uma pequena cidade com apenas duas ruas principais, que são ambas continuações de rodovias através da cidade.

Encontramos seis butiques (como são chamadas as pequenas lojas no Sri Lanka) que vendiam bananas e descobrimos três outras que anteriormente o faziam, mas que haviam abandonado este negócio.

Estas estavam entre cerca de 100 butiques ao longo das estradas principais.

A escolha entre os donos destas poucas butiques tornou-se bem mais restrita pelo facto de que o dono havia se casado com uma mulher de Matugama e tivera quatro filhas, dentre as quais uma era casada.

Posteriormente, Iranga disse que a família vivia em uma casa ao longo de uma estrada que passava por uma floresta com árvores de canela e árvores-da-goma-elástica, e esta casa era próxima da butique e também do templo;
a casa tinha paredes vermelhas e uma cozinha com teto de palha;

um poço da família tinha sido destruído pela chuva, mas esta possuía ainda dois outros poços, um para beber água e limpeza, e outro para banho.


Iranga, além de mencionar que frequentava uma grande escola na qual usava um uniforme branco, e que se trocava ao chegar em casa, disse também que frequentava o catecismo budista aos domingos.

Ela tinha brincos de ouro, presente de seu pai e usava o cabelo partido ao meio.

Ela era a filha do meio e tinha uma irmã mais nova.
Todos estes detalhes eram correctos para Punchihamie e sua família.

Iranga referiu-se correctamente a várias das características da butique e da casa que existiram na época em que Punchihamie era viva, mas que depois foram modificadas.

Por exemplo, a butique onde se vendiam bananas tinha tido um teto de folhas de côco, mas depois o teto foi trocado por um de telhas.

As paredes da casa eram vermelhas, mas foram depois pintadas de branco.
A cozinha possuía um teto de palha, que foi também substituído por telhas.

Iremos em seguida mencionar e brevemente discutir três das declarações de Iranga que são não verificáveis ou duvidosas.

Ela se referiu a alguém de nome Wijepala.

Ninguém na família de Punchihamie pôde localizar com exatidão uma pessoa com este nome, embora Podi Haminie tenha achado que este poderia ter sido o nome de um empregado da butique de bananas.

Iranga também se referiu a sua irmã mais velha e sua mãe indo para o hospital e retornando com uma “irmã mais nova´’.
O facto é que durante a vida de Punchihamie tanto sua mãe como sua irmã mais velha haviam dado à luz a meninas.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 29, 2012 10:35 pm

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Estes bebés teriam sido tratados por Punchihamie como “irmãs mais novas’’.
É possível que Iranga tenha fundido as lembranças destes dois nascimentos.
Iranga disse que fôra até as feiras da vila com sua mãe.

Esta afirmação é correcta, mas ela também disse que (em uma ocasião) ela não conseguia encontrar sua mãe na feira e então se via na presente família.

Quando perguntamos a Podi Haminie se Punchihamie já se havia perdido em alguma feira, ela não se recordava de tal acontecimento.

Ela então se lembrou (mas não com certeza) de que Punchihamie fôra até uma feira sozinha e ali se sentira mal.

Este foi o início da moléstia de que ela posteriormente viera a falecer.
No entanto, a irmã mais velha de Punchihamie, Emalinnona, lembrou-se de que ela se sentira mal pela primeira vez na escola, quando desmaiou.

Os membros das duas famílias referentes ao caso não se conheciam antes do caso se desenvolver.

A mãe de Iranga disse que sua família não tinha qualquer ligação com Elpitiya;
eles faziam suas compras em Uragasmanhandiya, mas o pai de Iranga havia visitado alguns pacientes no hospital de Elpitiya, e às vezes fazia breves paradas em Elpitiya quando a caminho de outras cidades para as quais viajava de ónibus.

Ademais, a família de Iranga havia ido a um casamento em Elpitiya, então eles, evidentemente, possuíam alguns conhecidos lá.

Isto não significa que eles conheciam ou sabiam algo a respeito da família de Punchihamie, e parece extremamente improvável que isto ocorresse.

Que eles não conheciam a família de Punchihamie parece ainda mais evidente, quando estavam em Elpitiya para o casamento, por sua indiferença ao esforço de Iranga para mostrar-lhes o caminho para a casa onde ela dissera ter vivido na vida anterior.

Se eles tivessem reconhecido a estrada como um lugar em que alguém que eles conheciam vivia, eles se recordariam disto depois.

O pai de Punchihamie possuía um parente em Uragasmanhandiya, e ia até lá às vezes para visitá-lo.

Além disto, havia um monge muito conhecido em Uragasmanhandiya, que tinha a fama de curador, e pessoas doentes eram às vezes levadas até ele para isto.

A família de Punchihamie a levara a este monge algumas semanas apenas antes desta falecer.
(Nesta época a família de Iranga estava ainda vivendo em Ampurai, a grande distância dali, ao leste do Sri Lanka.)

A irmã mais nova de Punchihamie, ao saber sobre Iranga, teve grande vontade de conhecê-la, e se esta soubesse sobre Iranga e sua família antes de termos promovido o encontro das duas famílias, ela certamente teria ido a Uragasmanhandiya para encontrá-los.

Perguntamos ao pai de Iranga se, quando os dois grupos familiares se encontraram, eles descobriram se possuíam amigos em comum ou outras ligações e a resposta foi negativa.

Deve ter havido ocasiões em que eles estiveram no mesmo lugar e ao mesmo tempo em Elpitiya, tais como nas paradas de ónibus ou no hospital, mas isto não significa que eles se conhecessem ou já tivessem se encontrado formalmente.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 30, 2012 9:52 pm

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Em resumo, nossas investigações mostraram que cada família possuía alguns conhecidos ou parentes na comunidade da outra família e uma visitara a comunidade da outra, mas estamos satisfeitos de que estas não se conheciam antes do caso se desenvolver.

Comentário: Muitas das declarações de Iranga tomadas uma a uma poderiam se aplicar a um grande número de famílias em Elpitiya.

Entre os vendedores de bananas primeiramente entrevistados por T.J., somente dois haviam perdido suas filhas.

Entretanto, um destes havia perdido duas filhas antes da idade escolar e Iranga havia falado sobre ir à escola, como o fazia Punchihamie, a filha do outro comerciante.

A identificação é ainda mais específica com muitas das outras afirmações de Iranga.

Quando acrescentamos detalhe após detalhe, a aplicabilidade colectiva de todas as suas declarações a outras pessoas se torna rigorosamente reduzida, ate que se torna clara que Iranga estava falando sobre a vida de Punchihamie e de ninguém mais.

O Caso de Subashini Gunasekera

Subashini Gunasekera nasceu no hospital de Madampe, Sri Lanka, em 13 de Janeiro de 1980.

Seus pais eram M.G.M. Gunasekera e sua esposa, Podi Menike.
Ambos eram professores.

Subashini era sua segunda filha menina e a quarta (e mais nova) entre os filhos.

Antes do nascimento de Subashini, a família vivia em Kuliyapitiya, que é uma pequena cidade (população em 1987:
aproximadamente 5.000) na área centro-oeste do Sri Lanka, cerca de 35km da costa oeste.
De automóvel esta fica a 75km a oeste e ligeiramente ao norte de Kandy.

Quando Subashini tinha cerca de três anos de idade, ela começou a falar sobre a vida anterior.

Ela disse que havia “ficado presa’’quando um monte caiu sobre sua casa e que este facto havia ocorrido em Sinhapitiya, Gampola.

Subashini deu alguns detalhes sobre a família anterior, inclusive de que possuía um irmão mais velho, uma irmã mais velha, e um irmão e uma irmã mais novos.

Ela se referiu a alguém de nome Vasini que estava onde ela vivia, mas ela não disse quem era Vasini;
ela também não disse qual era seu nome na vida anterior.

Gradualmente, ela mencionou outros detalhes, tais como que sua família trabalhava em uma plantação de chá, onde sua mãe e seu irmão colhiam as folhas de chá e onde eles tiveram um vazamento de água que não pôde ser totalmente fechado.

Disse que quando o monte começou a cair, este fazia um som como ‘Gudu, Gudu’.

Sua mãe, disse ela, a chamou e pediu-lhe para pegar uma tocha (lanterna) e sair para ver se o monte estava caindo sobre a casa.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 30, 2012 9:53 pm

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Subashini disse que então ficara ‘presa’ e viera para sua família (actual) com a lanterna.

Gampola se situa nas áreas montanhosas do Sri Lanka, a cerca de 20 km ao sul e ligeiramente a oeste de Kandy, e portanto, cerca de 95 km (de automóvel) de Kuliyapitiya.

Sinhapitiya é também uma pequena cidade (população em 1987: aproximadamente 5.000), a cerca de 1 km ao sul de Gampola.

A mãe de Subashini possuía parentes próximos em vilas na área de Gampola.
Uma irmã mais velha vivia a 10km de Gampola e um irmão mais velho a 15 km desta.

Ela e seu mairdo visitavam estes parentes ao menos uma vez por ano.

Podi Menike ouviu falar sobre um desabamento em Sinhapitiya em 1977, logo depois de ter ocorrido, mas ela não soube de detalhes a respeito deste e não leu reportagens no jornal sobre isto.

Ela não deve ter falado no assunto com seu marido, porque M.G.M.Gunasekera disse que não ficara sabendo nada sobre este desabamento até Subashini começar a falar sobre um.

Quando Subashini tinha cerca de três anos de idade, seus pais foram a um casamento na região de Gampola e Subashini os acompanhou.

Seu pai contou a seus parentes sobre suas declarações a respeito de uma vida anterior.

O cunhado de Podi Menike lembrou-se de que alguns anos antes havia ocorrido um desabamento de terra em Sinhapitiya com algumas vítimas fatais.

Procurando saber mais sobre a veracidade das afirmações de Subashini, seu pai levou-a pela estrada até a fazenda de plantação de folhas de chá, onde lhe disseram que o desabamento havia ocorrido.

Entretanto, Subashini ficou assustada, gritou e recusou-se a prosseguir, dizendo que estava com medo de ficar “presa”.
M.G.M., então, foi embora e não encontrou nenhuma das famílias que perderam alguns de seus membros no desabamento.

Subsequentemente, ele escreveu para o irmão mais velho de sua esposa e lhe pediu-lhe que investigasse o caso em busca de mais detalhes.

Seu cunhado verificou que havia ocorrido algumas mortes de trabalhadores no desabamento, que as mortes incluíam membros de uma família cingalesa que vivia em “linhas” (como dissera Subashini), e que um filho da família estava trabalhando em uma loja em Gampola.

Este foi o resumo de tudo que M.G.M. havia verificado antes de entrarmos em contacto com eles.
Ele parecia ter perdido o interesse no caso, posto que interrompera suas investigações.

T.J. descobriu o caso no final de 1983, e visitou Subashini e sua família pela primeira vez em 24 de Novembro de 83.

Nesta época Subashini ainda não completara quatro anos, e como ela ainda estivesse falando sobre a vida anterior, T.J. registou dez declarações directamente dela.
(Outros membros de sua família confirmaram que ela já havia mencionado estes detalhes antes.)

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 30, 2012 9:53 pm

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T.J. enviou-nos a lista das declarações de Subashini.

Ele também enviou uma fotocópia de uma reportagem de jornal sobre um desabamento em Sinhapitiya que foi publicado em 25 de Outubro de 1977 (três dias após o facto), no “Ceylon Daily Mirror”.

(Esta incluía uma foto de uma caixa contendo os corpos de algumas das vítimas soterradas no desabamento.)

Aqui faremos uma breve digressão para descrever o desabamento.

Nossa informação sobre este foi obtida principalmente por membros sobreviventes de uma das famílias cujas casas foram destruídas, de um de seus vizinhos e do proprietário/administrador (I.B. Herath) da fazenda de plantação de chá onde o desabamento ocorreu.

A notícia do jornal mencionada acima (e outra que obtivemos posteriormente) também forneceu-nos informações, bem como uma cópia do inquérito que examinamos.

O desabamento ocorreu em uma alta montanha perto dos limites mais altos da grande fazenda de plantação de folhas de chá. Uma forte chuva estava caindo e no início da noite – estimativas de horário variam entre 7:30 e 8:30 – a terra com pesadas pedras acima de uma linha de casas de trabalhadores começou a cair e rapidamente cobriu completamente as casas com seus moradores.

A retirada de todos os corpos demorou alguns dias.
Um informante disse que 17 pessoas haviam morrido, mas o proprietário da fazenda disse que o número de mortos era 28.

Todos eles viviam em uma linha de pequenas casas (chamadas “linhas”) onde os trabalhadores das plantações moravam.
Como já era noite, muitos dos moradores estavam em casa quando o desabamento ocorreu.

Retornando a nossa investigação sobre o caso, durante os anos de 1984-85, fizemos pouco trabalho de campo no Sri Lanka, e somente depois de Maio de 1986 retomamos o trabalho neste caso.

Neste mês, G.S. esteve duas vezes em Sinhapitiya.

A primeira pessoa que encontrou foi I.B. Herath, o proprietário da fazenda, que conseguiu para G.S. um encontro com um membro sobrevivente de uma das famílias que sofreram o desabamento.

Este homem era H.G. Piyasena, e ele verificou a precisão da maioria das afirmações de Subashini como correspondentes à vida de sua irmã mais nova, Devi Mallika, a qual juntamente com quatro outros membros da família, inclusive seus pais, haviam morrido no desabamento de terra em 22 de Outubro de 1977.

H.G. Piyasena não estava em casa naquele momento, e desta forma, conseguira escapar;
assim ele não pôde verificar a declaração de Subashini de que quando o desabamento começou, sua mãe lhe pedira para pegar uma lanterna e ver se a montanha estava caindo.

Na próxima etapa de nossa investigação (Agosto-Setembro de 1986), G.S. entrevistou ambos os pais de Subashini e registou mais 22 ítens adicionais sobre sua vida anterior.

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Casos de Reencarnação - Página 6 Empty Re: Casos de Reencarnação

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 01, 2012 9:59 pm

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Ele então providenciou para que Subashini e seus pais fossem com ele e T.J. para Sinhapitiya, onde eles encontrariam membros da família de Devi Mallika, na casa do proprietário da fazenda.

Ali Subashini reconheceu H.G. Piyasena, chamando-o de “irmão mais velho”mas não reconheceu Mallika, a irmã mais velha de Devi Mallika e um vizinho da família, R.W. K. Banda, que conhecia bem Devi Mallika.

(O reconhecimento de Subashini de H.G. Piyasena foi prejudicado, porque ele saiu de trás do grupo e colocou-se diante de Subashini;
G.S. então perguntou-lhe: “Quem é este?” Assim, apesar que que ela não tivesse qualquer sinal verbal para sua identidade, ela pode ter inferido de que ele era um irmão mais velho da família.
)

Na ocasião deste encontro, G.S. percorreu a lista completa das declarações registadas de Subashini, que agora continha 32 ítens.

Em sua opinião, todas, à excepção de sete destes ítens eram correctos em relação à vida de Devi Mallika.

O irmão e a irmã mais velhos de Devi Mallika forneceram a maioria das verificações, mas R.W.K. Banda também contribuiu com algumas informações.

O grupo, que consistia da família de Subashini, G.S. e T.J. foi de carro até a estrada que levava até os níveis mais altos da fazenda referida.

Eles alcançaram o lugar onde Subashini havia antes reagido com medo, fazendo seu pai trazê-la de volta.

Nesta segunda oportunidade – três anos e meio mais tarde – ela não mostrou qualquer sinal de medo;
ela também não pareceu reconhecer nenhum lugar ao longo do caminho.

O carro não podia chegar até o lugar do desabamento e o grupo retornou.
Em Novembro de 1986, I.S., G.S. e T.J. encontraram Subashini e seus pais em Kuliyapitiya.

Nós abordamos alguns dos principais aspectos do caso novamente e descobrimos mais sobre os parentes de Podi Menike que viviam em vilas próximas a Sinhapitiya.

Então nos dirigimos a Sinhapitiya (perto de Gampola) e ali continuamos a investigação.

Era importante para nós examinarmos o lugar do desabamento por nós mesmos.
Para isto foi necessário subir cerca de 4 km de onde o jeep da fazenda nos deixara.

No local do desabamento e em uma montanha vizinha encontramos novamente o irmão mais velho de Devi Mallika, H.G. Piyasena, e sua irmã, Mallika.

H.G. Piyasena levou-nos ao local do desabamento.
Uma abundante vegetação havia coberto completamente a área e não restara nenhum traço da linha destruída de casas.

Entretanto, H.G. Piyasena mostrou-nos os lugares de alguns detalhes que Subashini mencionara.
Ao examinarmos o terreno íngreme, pudemos facilmente imaginar como o desabamento havia ocorrido.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 01, 2012 9:59 pm

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Nós também vimos algumas das típicas linhas residenciais onde trabalhadores da fazenda viviam e tivemos uma vívida impressão da extrema pobreza das famílias residentes nessas pequenas e sujas casas.

Neste caso, muito mais do que na maioria dos casos no Sri Lanka, as duas famílias estavam muito distantes uma da outra, em seu status sócio-económico.

Em Gampola nós examinamos e copiamos parte do inquérito sobre as mortes ocorridas naquele desabamento.

Em Outubro de 1987 fizemos outra entrevista com os pais de Subashini e fomos novamente até a área de Gampola.

Nesta ocasião encontamos e entrevistamos a irmã de Podi Menike, seu cunhado e seu irmão.
Também obtivemos informação adicional sobre a ocorrência de desabamentos com mortes na área de Sinhapitiya.

Mencionamos acima que todas, excepto sete das afirmaçõe de Subashini eram correctas para a vida de Devi Mallika.
Estas sete eram declarações incorrectas ou não verificáveis;
pensamos que cinco destas merecem breve menção e discussão.

Duas delas eram as declarações mencionadas antes refererentes à mãe anterior ter pedido a ela que pegasse a lanterna e visse se a montanha estava caindo sobre a casa.

Por falta de testemunha ocular, estas permanecessem sem verificação, mas plausíveis.

A casa não possuía eletricidade e a família usava lanternas à noite;
também, Devi Mallika era a mais velha das três ciranças na casa naquele momento, e assim, a mais provável de ter sido mandada pela mãe para ver o que estava acontecendo.

Também não nos foi possível verificar uma referência que Subashini fizera a um irmão mais velho que fôra em casa rapidamente antes do desabamento e então saíra outra vez para jantar em outro lugar.

Um dos irmãos mais velhos de Devi Mallika, Chandrasena, tinha ido a sua casa naquela hora.

Então ele saiu de casa depois que seu pai lhe pedira para chamar outro irmão mais velho para vir vê-lo;
Chandrasena então escapou de ser morto no acidente.

Ele não havia saído de casa, até onde pudemos saber, porque seu jantar não estava pronto;
mas é possível que Subashini possua uma lembrança algo confusa deste irmão mais velho.
(Nós ainda não pudemos localizá-lo).

Subashini também se referiu a um “tio” que era severo, e que não foi identificado.

É possível que ela estivesse se referindo a R.W.K. Banda, o vizinho mencionado anteriormente.

Devi Mallika pode tê-lo tratado, como de costume no Sri Lanka, como um “tio”.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 01, 2012 9:59 pm

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Ele fazia parte da força policial, e Devi Mallika pode ter associado sua ocupação com sua severidade, e portanto, ter pensado que era severo.

Além disso, apesar do facto de que este era amigável e mesmo afetuoso com ela, ele às vezes a aborrecia com sua rigorosidade.

A quinta declaração deste grupo pode talvez ser explicada como um exemplo de confusão entre duas palavras cingalesas muito parecidas.

Subashini havia dito – ou seu irmão mais velho pensou que ela dissera – que a casa anterior possuía uma cachoeira em seus arredores.

Isto não confere com a verdade, mas havia um córrego perto desta casa.

A palavra cingalesa para córrego é ala, e para cachoeira é dialla, daí a possibilidade de uma confusão.
(Discutiremos a seguir um oitavo ítem, um nome citado por Subashini, que é inexacto, embora o tenhamos como correcto.)

Subashini usava algumas palavras e frases que não eram comuns em sua família, mas apropriados para a vida de que ela parecia estar se recordando.

Por exemplo, ela se referia a seu pai anterior pela palavra típica no sul do país, Thatha, ao passo que se referia a seu pai actual como Apachie, usando a palavra comum entre os Kandianos (norte do país).

Devi Mallika chamava seu pai de Thatha.
Ao se referir à série de casas chamadas linhas, nas quais os trabalhadores de fazendas produtoras de chá viviam ela dizia line kamera e lime.

Ambos os termos são usados por estes moradores para se referir a tal.
(A palavra lime [neste contexto] pode ser um tipo de fusão de line kamera ou isto pode derivar da palavra Tâmil* layam, que significa estábulo.)

Nós descreveremos em seguida o raciocínio que seguimos para decidir que Subashini estava falando sobre a vida de Devi Mallika e não de outra pessoa.

Subashini havia mencionado “a montanha caindo” (uma referência óbvia a um desabamento), e ela disse que era de Sinhapitiya, Gampola.

De I.B. Herath, que vivera em Sinhapitiya toda sua vida (tendo então 36 anos), de repórteres de jornal da região sul de Kandy, e de dois anciãos do povo, a quem entrevistamos, nós apuramos que por 25 anos antes e provavelmente por muito mais, houve apenas um grande desabamento com vítimas fatais em Sinhapitiya, o de 22 de Outubro de 1977.

Neste acidente, entretanto, Devi Mallika foi uma dos talvez 28 mortos, e temos de mostrar como pudemos determinar que Subashini estava falando sobre sua vida e não de alguma outra pessoa morta no mesmo desabamento.

* Tâmil é um idioma falado por uma raça de indivíduos que vive em regiões do Sul da Índia e Sri Lanka.

Ocorre que embora houvessem cerca de oito casas na linhas destruídas no desabamento, todas à excepção de uma eram ocupadas por tâmils.²

Subahini havia deixado claro que sua família era cingalesa.

Ela falara sobre tâmils vivendo nas linhas, então um de seus irmãos a a aborreceu com a possibilidade de que ela fosse tâmil.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 02, 2012 9:43 pm

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Isto deixou-a muito irritada, o que não ocorreria se ela estivesse se lembrando da vida de uma tâmil.

Um outro indício para este detalhe veio da declaração de Subashini de que havia um Templo Budista perto de sua casa.

A maioria dos cingaleses é budista, embora haja também cristãos.
Tâmils são quase sempre hindus.

Subashini estava desta forma se referindo à única família cingalesa que vivia na linha residencial coberta pelo desabamento.

Nesta família, havia 11 filhos, apesar de que nem todos estavam residindo na casa na época do acidente.

De facto, apenas as três crianças mais novas – duas meninas e um menino – estavam na casa com seus pais na hora do desabamento.
Todos foram mortos.

Subashini falou do pai e da mãe anterior e fez (correctas) observações descritivas sobre eles, tal como a de que seu pai anterior tinha uma grande barriga, e sua mãe era maior do que sua mãe actual.

Algumas de suas outras observações, como referências a um vestido azul e uma pipa (ambos objetos que pertenciam a Devi Mallika), apontavam também claramente para a vida de uma criança do sexo feminino, e não de um adulto.

Devi Mallika era a mais velha das três crianças mortas na ocorrência e a única entre estes que poderia dizer, como o fêz Subashini, que possuía um irmão e uma irmã mais novos.

Ela mencionou também o nome de Vasini, não como dela mesma na vida anterior, mas como o de uma menina que era talvez um membro da família.

Pensamos que o nome “Vasini” era uma lembrança modificada do nome do animal de estimação da irmã mais nova de Devi Mallika, o bebê da família, que tinha um ano e meio na época do acidente.

O nome deste bebê era Chandrakanthie, mas o nome de seu bichinho era Vasanthie;
este nome é muito próximo de Vasini.

Não temos dúvida, portanto, de que Subashini estava falando da vida de Devi Mallika e de ninguém mais.
Devi Mallika tinha em torno de sete anos de idade quando morreu.³

Além de suas declarações sobre a vida anterior, que deram indícios para a posterior identificação da personalidade anterior, Subashini fez outras observações e mostrou um comportamento compatível com a vida de uma família pobre que vive em uma fazenda de plantação de folhas de chá.

² Durante séculos os cingaleses foram cultivadores independentes e não gostavam de se tornar empregados de outras pessoas.

Por este motivo, os donos de plantações de folhas de chá do século 19 trouxeram tâmils da Índia para trabalhar nas fazendas produtoras em regiões montanhosas.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 02, 2012 9:43 pm

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Mesmo actualmente, tâmils são os principais trabalhadores nestas fazendas e é algo incomum encontrar cingaleses entre eles.

³ Obtivemos estimativas da idade de Devi Mallika na ocorrência do desabamento, que variava muito entre menos de três anos e meio e mais de sete anos de idade.

(Um dos registos do delegado afirmava que ela tinha quatro anos, mas esta informação pode ter derivado de um vizinho pouco informado sobre a família;
outro de seus registos afirmava que ela tinha sete anos e continha uma observação de que estes dados vinham de sua irmã mais velha.
)

Adoptamos a idade de sete anos para ela, com o que a irmã mais velha de Devi Mallika, Mallika e o vizinho da família, R.W.K. Banda concordaram.

Ela pôde descrever folhagens de chá, as quais ela nunca poderia ter visto na área onde sua famíla atual vivia;
esta possui uma vegetação muito diferente daquela da região de Gampola.

Ela comentou que seu irmão mais novo ganhara mais leite do que ela, o que indicava uma vida na pobreza, como o indicava o de tomar com seu chá somente uma pequena quantidade de açúcar na palma de sua mão, a qual ela lambia.
(A irmã mais velha, Mallika, disse que esta era uma prática em sua família porque eles podiam comprar apenas muito pouco açúcar.)

Devi Mallika tinha um carinho especial por seu pai e dormia com ele com mais frequência do que com sua mãe. Subashini, igualmente, preferia dormir com o pai.

Ela também possuía uma acentuada fobia de trovões e relâmpagos;
as outras crianças da família não tinham esta fobia.

Para concluir o relato do caso de Subashini, iremos mencionar novamente os parentes da mãe de Subashini, Podi Menike, que vivia em vilas na periferia de Gampola.

A família de Devi Mallika tinha parentes em duas vilas desta área, e ela fôra levada até lá. É possível que após sua morte, alguns de seus familiares estivessem nesta área quando os pais de Subashini também estivessem.

Poder-se-ia supor que os pais de Subashini ou a própria tenha ouvido os parentes de Devi Mallika falndo sobre o desabamento de 1977.

Se isto ocorreu, a ocasião não teria sido social devido à grande disparidade do status social entre as duas famílias.

Além disto, não acreditamos que Subashini ou seus pais pudessem ter assimilado 25 detalhes correctos sobre uma família estranha, sem que seus pais se lembrassem depois ao menos de alguns destes.

A família de Devi Mallika não tinha qualquer contacto ou relacionamento em Kuliyapitiya, e podemos com toda certeza excluir a possibilidade de que Subashini e sua família pudessem ficar sabendo de Devi Mallika na área em que viviam.

Comentário: Este caso requer menos comentário do que os precedentes.
O indivíduo disse que se lembrava de um desabamento que foi o único a ocorrer no lugar citado.

Forneceu detalhes sobre uma família e sobre uma filha desta família que poderiam aplicar-se a somente uma pessoa, a menina que havia perecido em um desabamento.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 02, 2012 9:43 pm

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Sumário das Declarações feitas pelos Três Indivíduos

Resumimos no Quadro 1 as declarações feitas por cada indivíduo, e determinamos a percentagem das declarações verificáveis que estavam correctas.

Apesar de não termos conduzido uma examinação sistemática da precisão das afirmações das crianças em casos deste tipo, acreditamos que outros indivíduos, cujos casos investigamos, mostraram semelhantes níveis de precisão.

Devemos enfatizar, entretanto, que a identificação de uma pessoa falecida correspondente às declarações de uma criança depende mais da especificidade das afirmações do que de sua quantidade.

Algumas declarações específicas com aplicabilidade restrita, tais como nomes próprios, podem ser suficientes para uma identificação correcta, quando muitas afirmações de grande aplicabilidade não o podem.

Discussão

Antes de discutirmos o significado particular dos três casos aqui relatados, queremos colocá-los no contexto maior de investigações de casos deste tipo.

Entre os aproximadamente 180 casos que investigamos no Sri Lanka, estes três casos estão entre os mais fortes na evidência que proporcionam de algum processo paranormal.

No entanto, alguns outros casos são tão significativos como estes três, ou ainda mais.

Pensamos que os leitores podem avaliar melhor o peso destes casos estudando relatos de alguns deles juntos – certamente mais do que apenas três – e esperamos que o presente trabalho estimule a leitores não familiarizados com tais casos a examinar alguns de nossos outros relatos deles e uma visão geral desta pesquisa que I.S. publicou (Stevenson, 1987).

Nenhum dos três indivíduos destes casos disse o nome da pessoa de cuja vida eles pareciam se recordar.

Na verdade, como ocorre quase sempre entre indivíduos cingaleses, eles mencionavam poucos nomes pessoais de qualquer tipo 4 .

Entretanto, todos eles mencionaram os nomes dos lugares onde a vida anterior ocorrera, e todos deram detalhes específicos adicionais de modo que fosse possível identificar uma pessoa falecida – em cada caso outra criança – cuja vida e morte correspondesse às declarações do indivíduo.

Um ponto importante é se – dada a falha das crianças de mencionar nomes pessoais – suas afirmações poderiam ter-se aplicado igualmente bem a outra criança falecida.

Pensamos que não, mas tentamos fornecer detalhe suficiente de modo que outros leitores possam formar sua opinião própria sobre o assunto.

4 Em sua interação diária com os outros – mesmo dentro de suas famílias – o povo cingalês não usa muito nomes pessoais ao conversar entre si.

Um de nós obteve em outros lugares mais observações sobre este hábito, que é quase uma fobia ao uso de nomes pessoais (Stevenson, 1977).

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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 03, 2012 9:37 pm

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Qualquer que seja sua origem, a relutância em usá-los provavelmente tem um embasamento para a infrequência com que os indivíduos dos casos no Sri Lanka incluem tais nomes em suas declarações sobre as vidas anteriores de que parecem lembrar.

Um segundo ponto igualmente importante é se os indivíduos podem de alguma forma ter obtido a informação correta que apresentaram por meios comuns, e pensamos ter mostrado que nestes casos isto é extremamente improvável quando não impossível.

Sentimo-nos garantidos, portanto ao concluir que os indivíduos destes três casos obtiveram todos conhecimento detalhado sobre uma determinada pessoa falecida por algum processo paranormal.

Durante os quase 30 anos que passaram desde que a investigação sistemática destes casos começou, uma variedade de interpretações para eles tem sido aventada, tanto por nós como por outras pessoas que leram nossos relatos.

As principais interpretações são:
fraude, criptomnésia, distorção não-intencional das lembranças da parte dos informantes (paramnésia), percepção extra-sensorial da parte do indivíduo, possessão e reencarnação.

Não iremos rever os argumentos contra e a favor de cada uma destas interpretações.

Os leitores interessados podem estudar discussões completas sobre eles em outras fontes (Stevenson, 1966/1974, 1975, 1987).

Basta-nos dizer aqui que embora cada uma das interpretações que são alternativas à reencarnação possam ser correctas para alguns casos, todas, excepto uma, falha ao ser aplicada à maioria dos casos.

A interpretação excepcional, entretanto, é extremamente difícil de ser excluída.

Referimo-nos à paramnésia, que significa que, sem estar consciente de que tenham agido assim, os informantes das famílias referidas em um caso tenham suas lembranças tão confusas sobre o que o indivíduo disse e o que era verdade sobre a pessoa falecida que tenham viciado o caso.

Tal possibilidade tem-se tornado mais elaborada no que podemos chamar de interpretação sóciopsicológica dos casos.

Segundo esta, em uma cultura que possua a crença na reencarnação, uma criança que parece falar sobre uma vida anterior será encorajada a dizer mais.

O que esta diz leva seus pais de alguma forma a encontrar outra família cujos membros venham a acreditar que a criança esteja falando sobre uma pessoa falecida de sua família.

As duas famílias trocam informações sobre detalhes, e terminam por atribuir ao indivíduo muito mais conhecimento sobre a identificada pessoa falecida do que ele realmente possuía.

Chari (1962,1987) tem sido um expoente particularmente articulado e antigo desta interpretação. Brody (1979) fez uma sucinta bem como justa exposição da mesma.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 03, 2012 9:37 pm

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Por reconhecermos a plausibilidade da interpretação sóciopsicológica, pelo menos para alguns casos, atribuímos grande importância aos casos do presente grupo:
aqueles em que alguém (nós mesmos, de preferência) faça um registo escrito das declarações do indivíduo antes que estas sejam verificadas.

Como mencionado em nossa Introdução, os três casos presentes pertencem a um ainda reduzido grupo de 24 casos.

Contudo, nosso recente sucesso em encontrar os presentes casos nos encoraja a pensar que podemos encontrar outros casos deste tipo.

A investigação destes casos deve auxiliar consideravelmente na redução do número de possíveis interpretações de casos sugestivos de reencarnação.

Conclusões

Nos três casos de crianças (no Sri Lanka) que afirmavam lembrar-se de vidas anteriores, foram feitos registos escritos das declarações da criança antes das mesmas serem verificadas.

Foi possível em cada caso, encontrar uma família que havia perdido um de seus membros, cuja vida correspondia às declarações do indivíduo.

Tais declarações, como um conjunto, eram suficientemente específicas, de modo que não poderiam ter correspondido à vida de qualquer outra pessoa.

Acreditamos que excluímos a transmissão por vias normais das informações correctas aos indivíduos e que estes obtiveram as informações correctas que apresentaram sobre a referida pessoa falecida por algum processo paranormal.

Referências Bibliográficas

Barker, D.R., & Pasricha, S.K. (1979). Reincarnation cases in Fatehabad: A systematic Survey in North India. Journal of Asian and African Studies, 14, 231-240.

Brody, E. B. (1979). Review of Cases of the reincarnation type. Volume II. Ten cases in Sri Lanka. By Ian Stevenson. Charlottesville: University Press of Virginia, 1977. Journal of Nervous and Mental Disease, 167, 769-774.

Chari, C.T.K. (1962). Paramnesia and reincarnation. Proceedings of the Society for Psychical Research, 53, 264-286.
Chari, C.T.K. (1987). Correspondence. Journal of the Society for Psychical Research, 54, 226-228.

Cook, E.W., Pasricha, S., Samararatne, G., U Win Maung, & Stevenson, I. (1983). A review and analysis of “unsolved” cases of the reincarnation type. II. Comparison of features of solved and unsolved cases. Journal of the American Society for Psychical Research, 77, 115-135.

Obeyesekere, G. (1981). Medusa’s hair. Chicago: University of Chicago Press.
Pasricha, S.K., & Stevenson, I. (1987). Indian cases of the reincarnation type two generations apart. Journal of the Society for Psychical Research, 54, 239-246

Stevenson, I. (1974). Twenty cases suggestive of reincarnation. Charlottesville: University Press of Virginia (2nd rev. ed.). (First published in Proceedings of the American Society for Psychical Research, 26, 1-362, 1966.)

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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 03, 2012 9:37 pm

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Stevenson, I. (1975). Cases of the reincarnation type. I. Ten cases in India. Charlottesville: University Press of Virginia.
Stevenson, I. (1977). Cases of the reincarnation type. II. Ten cases in Sri Lanka.Charlottesville: University Press of Virginia.

Stevenson, I. (1980). Cases of the reincarnation type. III. Twelve cases in Lebanon and Turkey. Charlottesville: University Press of Virginia
Stevenson, I. (1983). Cases of the reincarnation type. IV. Twelve cases in Thailand and Burma. Charlottesville: University Press of Virginia.

Stevenson, I. (1987). Children who remember previous lives: A question of reincarnation.Charlottesville: University Press of Virginia.
Wirz, P. (1966). Kataragama: The holiest place in Ceylon (D.B. Pralle, Trans.). Colombo: Lake House Publishers.

Este artigo foi traduzido para o português por Márcia Guimarães Andrade, filha de Gil Restani de Andrade.
O autor deste site agradece enormemente.

§.§.§- O-canto-da-ave
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 04, 2012 10:57 pm

Journal of Scientific Exploration,
Vol. 4, No. 2, pp. 171-188, 1990 Pergamon Press pic. Printed in the USA. 0892-3310/90 S3.00+.00
©1991 Society for Scientific Exploration

Casos Muçulmanos de Reencarnação do Norte da Índia:
Um Teste da Hipótese da Imposição de Identidade Parte I:


Análise de 26 casos
ANTONIA MILLS

Department of Behavioral Medicine and Psychiatry and Department of Anthropology, University of Virginia, Charlottesville, VA 22908

Resumo

O autor descreve as características de 26 casos de reencarnação, descritos como casos semimuçulmanos e casos muçulmanos ocorridos no norte da Índia.

Em oito dos casos tipo muçulmano a criança muçulmana recorda uma vida anterior como um muçulmano.

Em sete casos a criança muçulmana recorda uma vida anterior à actual como um hindu, e em 11 casos a criança hindu recorda uma vida prévia como muçulmana
(estes últimos casos são aqui nomeados de exemplos semimuçulmanos).

A maioria de muçulmanos na Índia não aceita oficialmente o conceito da reencarnação.

Em alguns exemplos a ausência desse conceito na doutrina islâmica, tornou os muçulmanos hostis à investigação dos casos.

Entretanto, os casos são geralmente muito similares aos casos hindu mais comuns, sendo que para os casos muçulmanos e semimuçulmanos há uma proporção mais elevada de mortes violentas, nos relatos das vidas anteriores quando relembradas.

Nos exemplos semimuçulmanos, as cicatrizes de nascimento mostram o comportamento apropriado à outra comunidade religiosa.

Tanto os pais hindus como os muçulmanos sentiram incomodados ao ouvir a criança recordar uma vida passada em uma religião diferente de suas actuais.

Tais casos são improváveis ser o resultado de indícios subtis dados a criança para adoptar uma identidade diferente da actual.

Introdução

A maioria dos numerosos casos que Stevenson relatou (1966, 1969, 1974, 197ä, 1975b, 1977, 1980, 1983b, 1985, 1986, 1987) de crianças que dizem recordar uma vida precedente ocorreu nas culturas que acreditam na reencarnação, tais como as culturas hindu e budista de sul da Ásia e de várias tribos de povos de vários continentes.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 04, 2012 10:57 pm

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A incidência dos casos relatados (Stevenson, 1986 á, 1987) não é, surpreendentemente, menor entre as populações sumitas muçulmanas e Judaico-cristã, que não acreditam na reencarnação.

Stevenson (1966, 1980) relatou muitos casos entre os Druzos do Líbano e dos Alevi da Turquia, duas comunidades muçulmanas de xiitas que acreditam na reencarnação, mas nenhum caso entre as populações muçulmanas de sumitas, que não endossam o conceito de que o ser humano volte para uma segunda vida ou reencarnação de repetidas vidas.

Na maioria dos mais de 2.400 exemplos típicos de reencarnação arquivados na Divisão para o Estudo da Personalidade na Universidade de Virgínia, a criança ou pessoa que ela ou ele diz ter sido, recorda de uma vida na mesma cultura e país.

Stevenson (1987) notou que há um número pequeno "de casos internacionais" no qual uma criança recorda uma vida em uma outra cultura e país, mas nestes casos ninguém que corresponda às descrições das crianças foi encontrado.

Durante 1987-1989 eu empreendi três viagens à Índia, a convite de Ian Stevenson, para conduzir uma re-leitura independente de suas investigações nos casos em que a criança diz recordar espontaneamente uma vida anterior.

Após a primeira viagem eu reconheci que os casos muçulmanos na Índia poderiam ter um particular interesse, porque tais casos seriam improváveis ser incentivado ou treinado pelos pais.

Assim investiguei cinco de tais casos
(e um possivelmente caso espúrio relatado na parte II deste artigo).

Estes cinco casos tinham sido investigados previamente por Stevenson e por Pasricha.
O sexto caso, possivelmente espúrio, não tinha sido previamente investigado.

Este artigo descreve as características de 26 casos típicos de reencarnação na Índia onde a criança muçulmana reivindica recordar uma vida anterior (como um muçulmano ou um hindu) ou uma criança hindu reivindica recordar uma vida anterior como um muçulmano.

Eu refiro aos casos em que a personalidade atual e a precedente eram muçulmanas como "casos muçulmanos".

Os casos em que a personalidade actual ou a precedente era muçulmana, mas a outra pessoa era hindu são nomeados aqui como "semimuçulmanos".

As características dos casos muçulmanos e semimuçulmanos, são comparadas com as características dos casos mais frequentes na Índia que são as reencarnações de hindu para hindu, relatados por Stevenson (1974, 1975b) e por seus colegas (Cook, Pasricha, Samararatne, U Win Maung, & Stevenson, 1983; Pasricha, 1990; Stevenson, 1986) e estudados por mim (Mills, 1989).1

Esses casos interculturais ou inter-religiosos são de particular interesse por várias razões.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 04, 2012 10:57 pm

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Primeiro eles oferecem uma oportunidade de discernir se a identificação com outro grupo religioso foi o resultado de uma mimificaçao ou de regras modeladoras do comportamento do grupo religioso da criança, portanto fornecem um teste se a identificação de inveja do status (Burton & Whiting, 1961) pode fornecer uma explicação adequada para o fenómeno.

Segundo tais casos permitem a avaliação de outra explicação alternativa, sugerida por Brody (1979), de acordo com ele as crianças que relembram vidas passadas estão de facto adaptando uma identidade alternativa em resposta as pistas subtis de socialização, ainda que inconscientemente encorajando tais formações de identidade.

Na parte II apresento os dados de três casos mulçumanos ou semimulçumanos de reencarnação (incluindo um questionário).

Para informar ao leitor para que possa avaliar sobre que circunstâncias as comunidades mulçumana e hindu identificam tais casos e possa decidir por si mesmo se os casos sugerem algum fenómeno paranormal ou não.

Relações Relevantes entre Mulçumanos e Hindus na Índia

Crença na reencarnação era praticamente universal na Índia no tempo dos sucessivos contatos e conquistas mulçumanas,
(Haimendorf, 1953; Obeyesekere, 1980; O’Flaherty, 1980).

Mohamed (571-623 A C);
O Profeta e fundador do islamismo expressa sua prevalecente vista semítica de seu tempo de que o ser humano tinha somente uma vida na Terra.

Dissidência na sucessão da liderança do islamismo levou à formação de duas alas separadas, os mulçumanos sumitas ou ortodoxos e os xiitas.

Desde o princípio os mulçumanos que foram para Índia representavam a diversidade do pensamento islâmico, ambos sumitas e xiitas
(Hodgson, 1974; Hollister, 1953).

Contudo nenhum dos grupos muçulmanos na Índia fosse ele sumita, xiita ou sufi xiitas místicos nunca endossaram oficialmente o conceito de reencarnação (Schimmel, 1975).

As regras mulçumanas sempre variaram em suas tolerâncias, intolerâncias e interesses nas práticas e filosofias hindus
(Arnold,1961; Schimmel,1975; Smith,1943).

No decorrer de mais oito séculos da presença mulçumana e três de regras do Mogul na Índia, o pequeno número de originais mulçumanos, invasores e imigrantes se expandiu numa taxa considerável na população indiana
(Arnold, 1921; Lewis, Ménage, Pellat e Schacht, 1971; Spear, 1965).

Como Lewis e colegas mostraram (1971).

Foi no âmbito da vida social e costumes que a influência do hinduísmo sobre os mulçumanos indianos que mais influência alcançou.
Para a maioria das pessoas convertidas do hinduismo não foi possível quebrar completamente seus princípios sociais.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 05, 2012 10:45 pm

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Em cerimónias ligadas ao nascimento, casamento, baptismo, etc.
O impacto das tradições hindu era muito marcante (p.436).

Arnold (em 1961, p. 289) textualiza "muito dos chamados mulçumanos, podem ser ditos que são semimulçumanos:
eles obedecem às regras das castas, participam dos festivais e práticas de idolatrias e cerimónias hindus".

Assim ambas as regras mulçumanas e as originalmente hindus convertem para o islamismo, permanecendo apáticas às tradições da reencarnação e do karma.

Lawrence (1979) sugere que as relações hindu-mulçumanas pioraram após o fim da predominância das regras mulçumanas, com a imposição do Raj Britânico, pois este fomentava a dissidência entre as populações mulçumanas e hindus.

Ele cita a preocupação da perda de poder com a solidificação da tradição sumita antimística.

Smith (1943) salienta o impacto do comunismo em enfatizar as diferenças entre mulçumanos e hindus, mesmo antes da separação.

No fim do império britânico aproximadamente um quarto da população era muçulmana.

Depois que a independência foi declarada em 1947, e a Índia foi dividida em um estado (muçulmano) Paquistão oriental e ocidental e em uma Índia predominantemente hindu.

Muitos hindus do novo estado paquistanês mudaram para a Índia, e muitos muçulmanos na Índia mudaram para o Paquistão, violência e combates foram difundidos entre os dois grupos.

Mas, muitos muçulmanos permaneceram na Índia depois da divisão e continuam a ter uma forte presença, especialmente no norte da Índia.

Em 1981, 11% da população da Índia, ou 75,4 milhões, eram muçulmanos, dos quais a maioria era sumita (livro de ano de Europa, 1988).

Os muçulmanos eram em torno de 20-50% da população nas vilas e nas cidades, estando dentre eles os casos que figuram nesse estudo.

Muçulmanos e hindus agora não se misturam como regra geral, e pode em alguns exemplos viver em secções separadas das cidades.

Em vilas menores tendem a se misturarem.
Nas vilas e nas cidades detêm consideráveis comércios e a associações entre eles.

É neste contexto que os exemplos típicos de reencarnação de muçulmanos e semimuçulmanos são encontrados.

Métodos de Investigação dos Casos

Os métodos principais usados para investigar os exemplos muçulmanos e semimuçulmanos eram os mesmos que empregados no estudo de outros casos.

Estes métodos incluem:
entrevistar a criança e seus familiares;

verificando independentemente a exactidão das indicações da criança, entrevistando testemunhas e parentes das pessoas que a criança reivindica ter sido, procurando por originais (autópsias, nascimento, e certificados de morte);

repetindo as entrevistas quando necessário.

Os métodos de investigar casos de reencarnação foram completamente descritos por (Stevenson, 1974, 1975b, 1987).

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 05, 2012 10:45 pm

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Características Comuns dos Casos de Reencarnação

Stevenson (1986, 1987) tem encontrado uma considerável variação cultural nas características dos casos típicos de reencarnação.

Entretanto, exemplos em que as crianças recordam espontaneamente uma vida passada apresentam características muito semelhantes, independentemente da cultura local em que ocorrem.

As características comuns são:
a pouca idade em que a criança começa a falar sobre a vida passada (entre as idades de dois e cinco anos), esquecendo-se das memórias da precedente vida quando atingem a idade de sete ou oito anos, e uma grande incidência de mortes violentas.

As crianças recordam frequentemente como morreram, particularmente nos casos em que a personalidade precedente morreu violentamente, e aprersentam às vezes uma fobia relacionada ao tipo de morte.

Tipicamente, a pessoa da vida anterior nos casos indianos, morreu dentro dos dois anos anteriores ao nascimento da criança (Stevenson, 1986).

Características dos Casos Muçulmanos e Semi-Muçulmanos

Amostra dos Casos


Os 34 exemplos de reencarnação do tipo muçulmano ou semimuçulmano na Índia se encontram dentre os 356 casos, compreendendo nove por cento da amostra de casos registados na Divisão de Estudos da Personalidade da Universidade de Virgínia.

Eu não incluí na análise os breves resumos de oito casos muçulmanos e semimuçulmanos porque a informação está incompleta e não foi verificada por Stevenson ou seus colaboradores2.

Os 26 casos que eu incluí foram investigados ao menos por Stevenson ou por seus colaboradores com excepção de um caso relatado por K. K. N. Sahay na década de 20, todos os outros foram investigados entre 1960 e 1989, isto é, após a separação.

Mesmo para os casos que eu incluí, falta alguma coisa, como:
questionário incompleto, ausência de originais, ou de falhas de relembranças nas memórias dos informantes.

Consequentemente o tamanho de amostra é menos de 26 para algumas das características discutidas abaixo.

Localização dos Casos

Como a maioria dos casos no arquivo da Universidade de Virgínia, os 26 exemplos de muçulmanos e dos semimuçulmanos pertencem ao nordeste da Índia do norte.

Quatorze deles viveram em Uttar Pradesh, sete em Rajasthan, três em Madhya Pradesh, um em Gujarat e nos estados de Jammu e Kashmira, estados do nordeste indiano.

A maioria destes casos foi identificada durante o estudo de outros exemplos de reencarnação.

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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 05, 2012 10:45 pm

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A Religião das Pessoas e de Suas Vidas Anteriores

Dos exemplos dos muçulmanos e dos semimuçulmanos, em 7 (27%) a criança muçulmana recordou ser uma hindu em uma vida precedente, em outro 11 (42%) a criança hindu recordou ser um muçulmano na vida precedente, e outros 8 (31%) a criança muçulmana foi identificada como o reencarnação de uma muçulmana.

A maioria dos exemplos, foi de muçulmanos ou de vidas anteriores como muçulmanos sumitas.
Uma pessoa de Rajasthan disse que era sumita, mas, porém eram mais sufis do que sumita ou xiita.

Três dos exemplos de Rajasthan vieram de um grupo especial de Merhat descrito como uma casta de muçulmano mercante.

Em um caso, descrito abaixo, uma menina muçulmana sumita reivindicou ter sido um muçulmano Bohora em uma vida precedente.

Embora algum Bohoras na Índia sejam hindus (Gibb & Kramers, 1953), os muçulmanos Bohora são membros da vertente Isma'ili xiita do Islamismo.

Sexo das Pessoas Estudadas

Dos 26 casos 5 (19%) era do sexo feminino.
Não houve nenhum caso de sexos alternados entre as pessoas e suas vidas passadas.

Numa amostra de 261 casos indianos de reencarnação apenas 3% tinha sexo alternado;
a incidência de mulheres era um pouco acima de (36%) para 271 casos indianos analisados por (Stevenson, 1986).

Proporção de Casos Resolvidos e Não-Resolvidos

Em 3 de 7 (43%) dos casos hindu para muçulmanos, 5 de 11 (45%) dos casos muçulmanos para hindu, e 1 de 8 (13%) dos casos muçulmanos para muçulmanos, ficaram sem ser resolvidos
(isto é, ninguém foi encontrado que se ajustasse à descrição que a criança deu sobre sua vida anterior).

Casos em que alguém combinava com a descrição da criança foram tomados como resolvidos.
A distribuição dos casos resolvidos e não resolvidos encontram-se no quadro tabela 1.

A proporção de 4 casos em 7 (57%) resolvidos de hindu para muçulmano e 6 casos em 11 de muçulmano para hindu (55%) são menores do que os 77% de casos resolvidos na maior amostra indiana analisada por Cook e colaboradores. (1983).

Por outro lado, os 88% de casos resolvidos em 8 muçulmano para muçulmano excedem a proporção de casos resolvidos na maior amostra indiana3.

Contacto e distancia são relevantes para ter um caso resolvido.

Contacto Entre as Famílias da Criança e de Sua Vida Anterior

De 16 casos resolvidos entre muçulmanos e semimuçulmanos em 5 (31%) as duas famílias eram desconhecidas uma da outra, em 9 (56%) elas tinham algum tipo de conhecimento entre elas e em 2 casos muçulmano para muçulmano (13%) eles se relacionavam.

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